segunda-feira, 26 de maio de 2008

Vivir Sin Aire


Composição: Maná

Cómo quisiera poder vivir sin aire
Cómo quisiera poder vivir sin agua
Me encantaría quererte un poco menos.
Cómo quisiera poder vivir sin ti

Pero no puedo, siento que muero,
me estoy ahogando sin tu amor.

Cómo quisiera poder vivir sin aire
Cómo quisiera calmar mi aflicción
Cómo quisiera poder vivir sin agua
Me encantaría robar tu corazón.

¿Cómo pudiera un pez nadar sin agua?
¿Cómo pudiera un ave volar sin alas?
¿Cómo pudiera la flor crecer sin tierra?
Cómo quisiera poder vivir sin ti.

Pero no puedo, siento que muero,
me estoy ahogando sin tu amor.

Cómo quisiera...

Cómo quisiera lanzarte al olvido
Cómo quisiera guardarte en un cajón
Cómo quisiera borrarte de un soplido
Me encantaría matar esta canción.

Emoções de um Fim de Semana


Por Deiber Nunes Martins

O final de semana prolongado passou e deixou no ar a indefectível sensação de quero mais. Ainda mais que todo ele foi passado nos braços da amada, lá em solo baiano. Deus meu, esta minina tá me fazendo apaixonar pela Bahia...
Era uma da manhã quando desembarquei no Aeroporto Jorge Amado, na bela cidade de Ilhéus. Que coisa maravilhosa! Saí de BH sentindo frio, com a blusa nos ombros e fui recebido num clima agradável na Bahia. Acabei me sentindo um peixe fora d’água diante daquele calor todo do litoral e eu um mineiro saído de frio outono! Coisas do nosso Brasil abençoado por Deus...
Fico maravilhado ao chegar em Ilhéus. É a minha segunda chegada, a emoção é a mesma, mas sentir a cabeceira da pista do aeroporto rompendo com o mar revolto de uma noite quente de outono baiano, faz com que minha alma se agigante, se revigore. Quando a aeronave toca o solo baiano, meu coração dispara. O clima baiano começa a inundar meu ser ainda dentro do avião. É impressionante! Mas o coração dispara não pelo clima baiano e sim pela baiana à minha espera...
Tão logo deixo a angustiante sala de embarque, passo os olhos à espera de minha amada. Tanta gente à sua frente, não consigo de início, vê-la. Uns dois passos mais e ali está! Minha linda com um sorriso só dela e os braços abertos também. O fim da espera e da saudade são selados num abraço apaixonado, só nosso! Deus é mais!
Tanta coisa pra partilhar e tantas alegrias pra compartilhar! Tenho tanta coisa e ela também tem tanta coisa pra dizer. Como é bom estar junto! Após um longo inverno, estamos juntos fisicamente de novo! É bom demais! Minha neguinha está linda! Cada vez mais linda! E eu cada vez mais apaixonado!
Esta viagem tem uma razão especial. Além de ser o meu presente de aniversário, o melhor deles, com todo respeito aos outros, é um momento importante em nossa história: o momento de selar nosso compromisso de em breve sermos um só. Desejava por isso desde que voltei da Bahia, na primeira vez, mas precisávamos amadurecer a idéia, ela precisava conhecer minha realidade aqui em Minas e precisávamos da bênção de Deus e dos nossos pais. Após receber as bênçãos de meu futuro sogro, não tive mais nenhuma dúvida: é Deus que faz o momento e o momento é agora! Sim, a Graça é de Deus e ela é agora! “Hoje é o Tempo da Graça...”, como diz o Eros em sua música. E nós, Bi e eu, tomamos posse deste tempo.
Ainda tenho muito a partilhar, muito neste espaço aqui. Mas também muito a viver deste novo tempo, o tempo do noivado. Que Deus possa continuar nos abençoando, e nos dando a graça do reencontro a cada dia. Que a ponte aérea Ilhéus – BH possa continuar contribuindo para o estreitamento da distância e para matar a saudade, que já se faz enorme, e só faz algumas horas que deixei minha amada Bi no Aeroporto de Ilhéus! Mas dentro da aeronave, afivelando o cinto de segurança, eu já pensava: “Como eu gostaria de um beijinho a mais de despedida...”

Belo Horizonte, 26 de maio de 2008.

sábado, 17 de maio de 2008

Além do Horizonte

Letra e Música: Roberto Carlos
Por Deiber Nunes Martins

Além do Horizonte deve ter
Algum lugar bonito
Prá viver em paz
Onde eu possa encontrar
A natureza
Alegria e felicidade
Com certeza...

Lá nesse lugar
O amanhecer é lindo
Com flores festejando
Mais um dia que vem vindo...

Onde a gente pode
Se deitar no campo
Se amar na relva
Escutando o canto
Dos pássaros...

Aproveitar a tarde
Sem pensar na vida
Andar despreocupado
Sem saber a hora
De voltar...

Bronzear o corpo
Todo sem censura
Gozar a liberdade de uma vida
Sem frescura...

Se você não vem comigo
Tudo isso vai ficar
No Horizonte
Esperando por nós dois...

Se você não vem comigo
Nada disso tem valor
De que vale um paraíso
Sem Amor...

Além do Horizonte
Existe um lugar
Bonito e tranqüilo
Prá gente se amar...

Nas proximidades do grande dia, dia do reencontro com meu amor, dia de matar toda a saudade que está quase me matando, penso nesta música e nas verdades que ela contém. As vezes nos esquecemos das pequenas coisas boas da vida, fruto de uma rotina caótica e cheia de pressa que temos.
Não dá tempo de pensarmos além do horizonte de nossas vidas. Ficamos cercados em nossos medos, nossas preocupações, nossas dúvidas e receios. uMas devemos ir além. Devemos ir além do horizonte buscar nossa esperança. Infelizmente, o mundo tenta nos cercar e tirar esta esperança de nós. Mas é além do horizonte de nós mesmos que está a nossa felicidade, o nosso lugar.
Que possamos olhar além de nós mesmos. E que possamos amar além do que amamos. Para que Deus seja realidade em nossas vidas para o benefício dos outros. E que nesta realidade, olhando adiante sem se esquecer de tudo o que somos, possamos fazer a diferença no mundo.

Um Erro não se Paga por Outro

Por Dalton González, Deiber Nunes Martins e Erick Santiago

Um erro é sempre um erro. E não justifica outro erro. Sempre viverei com isso. Este é um lamento a respeito do que podia ter feito àquele homem, meu cruel algoz. O meu arrependimento é não ter dado a ele a piedade que me foi negada. Foi um erro, mas eu aprendi com ele.
Tudo começou há quinze anos atrás. Ainda me lembro do momento em que me apaixonei a primeira vista por Juliana. Era ela a flor mais linda naquela plataforma da estação. Uma linda manhã de sol, apesar do rigoroso inverno. O trem se aproximava lentamente e eu do outro lado da estação. Sob protestos furiosos dos funcionários da companhia ferroviária, saltei a pequena mureta de cercava os trilhos do trem, atravessei-os a poucos metros da locomotiva e num lépido salto já estava na plataforma, pertinho de Juliana, a razão do meu desatino. De perto, ela era ainda mais linda, com os olhos negros arregalados revelando sua surpresa ante minha aventura. Ao perceber tudo, deu ela um lindo sorriso que eu nunca esquecerei.
Seis meses depois estávamos casados e mais um ano depois, tínhamos nosso filho, José. José era uma criança linda e tinha que ser mesmo, afinal tinha todos os traços formosos da mãe. Era um menino que havia nascido para nos dar muitas alegrias. E era mesmo, a alegria da casa. Crescia como todas as outras crianças, alegre e travesso, mas também muito inteligente e bem disposto. Era o motivo de todo nosso orgulho.
Não sou capaz de descrever a minha felicidade naqueles tempos. Éramos pobres, mas éramos felizes. E eu tinha tudo o que precisava para viver. Como eu amava Juliana e José. Eram a melhor parte de mim. Por isso, ainda hoje eu não entendo como sou capaz de existir sem a minha melhor parte.
Era uma tarde de outono e uma brisa gelada sibilava na janela. Eu havia acabado de chegar do trabalho, estava muito cansado e por isso me deixei cair sobre o sofá que tínhamos na sala. Percebi que o mundo girava ao meu redor e tentei me ajeitar por ali, pegando o jornal daquele dia e folheando-o, na tentativa de manter-me acordado, a espera de minha esposa e meu filho, que voltavam da casa do meu sogro. Queria estar acordado na hora em que chegassem mas não consegui e acredito eu que em poucos minutos estava no mais profundo sono.
Acordei terrivelmente agitado por um angustiante pesadelo. Olhei ao redor e estava tudo escuro. Passavam das três da manhã e o vento outrora sibilante na janela era quase ensurdecedor. Fazia muito frio e ali naquela sala começou o meu fim, o meu drama. Era certo que Juliana ainda não havia retornado e não haviam motivos para que ela não o fizesse. Esta certeza exasperou meu coração e após uns instantes comecei a confirmar todos os fantasmas e pensamentos ruins que se avolumavam em minha mente. Meu sogro ficou preocupado com minha ligação e me disse ter se despedido da filha ainda no início da noite. Liguei para amigos e todos regateavam meu sossego, dizendo não saber de Juliana, nem do meu filho. Minha última ligação trouxe o desespero quando uma das amigas de Juliana, disse que tinha passado a noite esperando por minha mulher, com quem tinha marcado um lanche.
Daí em diante minha cabeça começou a girar vertiginosamente e tudo de ruim parecia se transportar da minha mente, para minha vida. Ao final daquela manhã de sexta-feira, recebi a notícia: minha esposa e filho jaziam mortos.
Nada mais fazia sentido. Não conseguia chorar, não conseguia me mover, estava eu completamente em estado de choque. Recuperei um pouco dos sentidos um dia após o funeral, quando descobri que Juliana e meu filho José, haviam sido mortos pela imprudência de um jovem advogado, filho de pessoas ricas e influentes da minha cidade. Este rapaz, dirigindo sob o efeito de drogas e álcool, completamente embriagado, havia avançado o passeio, atropelado e matado a minha família, a melhor parte de mim. Começava então o meu maior e mais terrível desafio.
Os dias que se seguiram foram angustiantes e pareciam não ter fim. Não tinha forças para comer, andar, dormir, não tinha forças para nada. Apenas uma coisa povoava minha mente e todo o meu ser: fazer aquele rapaz pagar pelo que me fez. Ele tinha tirado a minha vida e deveria pagar por isso.
Sabia eu que a influência política de seus familiares impediria qualquer punição contra ele. E realmente assim o foi. Então tratei de planejar um meio de fazer justiça com minhas próprias mãos. Mas não sabia como fazer e em minha primeira tentativa de acabar com a vida dele, fui descoberto e preso por tentativa de assassinato.
Passaram-se cinco anos até que eu tivesse outra oportunidade. Desta vez, eu já sabia como fazer e não haveria fracasso. Queria vê-lo morto por tudo o que ele me tinha feito. Eu acreditava que acabando com aquele infeliz, daria um fim em toda aquela amargura, em todo aquele sofrimento que vivia. Ledo engano.
Engano que fui entender tempos depois. Talvez eu nunca me esqueça das últimas palavras daquele pobre coitado me dizendo:
“Não há uma noite que eu vá dormir sem me lembrar do mal que fiz a sua esposa e filho. Por isso, eu não posso mais viver. Não tenho o direito a vida, uma vida que eu nunca dei valor...”
Aquelas eram palavras que não me causaram nada, naquele momento. Tão cego de ódio estava, que não as compreendi. Elas ecoaram em minha mente sob a forma dos tiros que disparei naquele garoto. Ainda me lembro dele caindo com olhar resignado e o sangue a jorrar pela sua boca. Ainda me lembro disso. E talvez eu nunca me esqueça.
Um erro não justifica outro erro. Hoje eu sei. Mas não foi da melhor maneira que aprendi. Se eu pudesse voltar atrás, eu voltaria. Mas não para julgar que não tenho direito à vida, como aquele garoto inconseqüente julgou. O meu querer era poder mostrar a ele que sim, ele tinha o direito a vida. Assim como eu o tenho, assim como Juliana e José também o tinham. Um erro não se paga por outro.

Belo Horizonte, 17 de maio de 2008.

A história da Lagarta


Postado no Blog Orquídea
Texto de complemento: Deiber Nunes Martins

Imagine uma lagarta. Passa grande parte de sua vida no chão,
olhando os pássaros, indignada com seu destino e com sua forma.
"Sou a mais desprezível das criaturas", pensa.
"Feia, repulsiva, condenada a rastejar pela terra."
Um dia, entretanto, a Natureza pede que faça um casulo.
A lagarta se assusta - jamais fizera um casulo antes.
Pensa que está construindo seu túmulo, e prepara-se para morrer.
Embora indignada com a vida que levou até então,
reclama novamente com Deus.
"Quando finalmente me acostumei,
o Senhor me tira o pouco que tenho."
Desesperada, tranca-se no casulo e aguarda o fim.
Alguns dias depois, vê-se transformada numa linda borboleta.
Pode passear pelos céus, e ser admirada pelos homens.
Surpreende-se com o sentido da vida e com os desígnios de Deus.

(Autoria Desconhecida)


Este texto foi postado pela Bi em seu Blog e veio de encontro com uma situação que a deixou triste. Bom, este é o ambiente do texto, um texto de autoria desconhecida mas que vem nos ensinar muita coisa. As vezes precisamos compreender que o planejado por nós nem sempre é o mais adequado em nossas vidas. A lagarta queria ser bonita e atraente, mas Deus tem o plano Dele e no momento certo, acontece. Não do jeito que ela pensou, mas do jeito Dele. E certamente é o melhor jeito.
Não tenho medo de planejar. Na verdade, planejo minha vida desde pequeninho. O gostoso disso tudo é muitas vezes ver que o plano não vai funcionar, mas que posso refazê-lo ao contexto em que estou vivendo. Quantas vezes meus melhores momentos não foram frutos de desvios em meus planos, ou de planos não concretizados? É por isso que eu só posso agradecer a Deus por tudo o que Ele tem feito em minha vida.
Ontem mesmo foi assim. Fui a um lugar na certeza de que resolveria uma coisa e não consegui. Não foi possível. Meus planos passavam pela resolução daquele problema mas não foi possível. De todo modo, Deus não me deixou voltar de mãos abanando. Consegui angariar informações para meus planos e vou refazê-los. Mantenho o foco no que estou buscando, mas Deus me ensina cada passo e quando dou um passo errado, Ele me ajuda a corrigir. Muitas vezes, Deus me indica o casulo a construir e vou em frente. Peçamos a Deus a sabedoria necessária para construirmos os casulos que Deus quer que construamos. É assim que alcançamos nossos objetivos. É assim que nossos planos se realizam.
Obrigado, Bi, pelo seu texto e pelo seu amor incondicional. Este também é o meu amor por você.

Belo Horizonte, 17 de Maio de 2008

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Diálogos com o Espírito Santo


Por Deiber Nunes Martins

Caríssimo amigo, que semana abençoada esta última que passou! Confesso que ao seu final, estou maravilhado diante das inúmeras bênçãos e também inúmeras provações pelas quais passei, durante estes dias. Foram momentos intensos, onde experimentei duas sensações distintas. De um lado, a tua presença e de outro a incrível sensação da tua ausência, tentando me dominar. Sinto-me feliz por estar aqui e por ter superado esta semana tão difícil.
A certeza da semana abençoada, cheia de graças veio com o início do Cerco de Jericó, lá na Missão Mundo Novo. Ali, de frente ao Santíssimo, todas as esperanças foram depositadas e assim como aquele pão se transfigura no Corpo de Cristo, em Cristo Eucarístico, assim, tais esperanças se transfiguraram em certezas.
Mas não poderia mesmo ser fácil a caminhada. Na quarta-feira, fui tomado por momentos ruins. Tive desentendimentos com pessoas no meu trabalho. Desentendimentos bobos, não fui capaz de aceitar brincadeiras. Acabei não me permitindo rir de mim mesmo e perdir o tempo, a oportunidade de ser mais simpático aos outros. Como se não bastasse, na parte da tarde, não fui capaz de entender o que minha namorada queria me dizer e acabei ficando irritado pela minha incapacidade de compreender, como se isso fosse uma lástima. Não percebi que agindo assim, com tamanha exasperação, eu a deixava entristecida do outro lado, uma vez que ela não tinha como me ajudar e não tinha como explicar melhor pra mim o que sentia. Um problema banal de comunicação, fruto da distância - mais de 1000 km nos separam fisicamente. E sentimos isso na comunicação precária via internet.
Enfim, coisas que parecem ser bobas, foram tentando me derrubar, e quase conseguiram. Mas Deus é mais forte e poderoso que todos os meus problemas, que todos os meus males. É nesta verdade que eu me seguro. E com ela vou em frente. Após uma semana turbulenta cheia de conflitos internos, externos e tudo o mais, estava cansado, completamente esgotado, na sexta-feira. Mas tinha a Vigília de Pentecostes, onde falei a mim mesmo que iria custasse o que custasse. E fui. Como foi bom! Ali, eu percebi o quanto Deus vai nos curando, o quanto Ele se manifesta no meio de nós. Quantas bênçãos derramadas! Quantas pessoas ali chegaram entristecidas, arrasadas e saíram respirando aliviadas, mesmo cheias de olheiras ao final da manhã. Foi uma noite linda, que requer alguns relatos mais detalhados. De todo modo, neste texto, quero mencionar aquele jovem todo sujo, sentado no último banco da Igreja. Ele estava ali, mas era como se não estivesse. Totalmente alheio ao que acontecia, o jovem ficou aquela noite toda de cabeça baixa. Mas ao final da noite, certamente, alguma coisa ficou para ele, daquilo tudo. Confesso que rezei por ele. Rezei para que em algum momento, ele encontrasse naquela noite, uma porta, uma porta mesmo que estreita, para a sua saída.
Não o conheci pessoalmente, não tive oportunidade de falar-lhe, mas sei que Deus queria ele ali e não só o queria ali, como queria também que ele fosse tocado. Ao final da Vigília, olhei para o banco e não o vi. Ele se tinha ido. Mas certamente, não era o mesmo que havia entrado. Talvez sua vida ainda continua difícil. Viver na rua, no frio, não é fácil. Mas que este rapaz tenha ali, naquela Igreja, te encontrado, meu amigo Santo Espírito. E se assim o foi, fico tranquilo, pois não há quem não te encontre que fique o mesmo. Você sempre muda para a melhor a todas as pessoas.
Ao final desta semana, após a Vigília de Pentecostes, vejo o derramamento de Ti sobre as pessoas. Muitas delas, nem sabem. Ainda são incapazes de sentir, mas já são instrumentos Vosso. Canais das suas graças. Que Deus abençôe a todos nós.

Belo Horizonte, em 13 de janeiro de 2008.

sábado, 10 de maio de 2008

Conversa com o Espírito Santo


Por Deiber Nunes Martins

Precisávamos conversar mais, ter mais oportunidades, mas talvez tenha me faltado alguma coisa para isso. Quem sabe, não fosse o momento propício e eu tivesse que vivenciar processos sem me dar conta da sua presença. Agora, este texto é uma breve introdução a uma série de diálogos que desejo travar contigo.
Ainda não sou capaz de entender completamente o mistério da sua misericórdia e bondade para saber o porquê de tanto me esperar, o porquê de tanto sofrer com minha ignorância, minha indiferença à tua amizade, à tua presença. De todo modo, peço-vos perdão pela minha incapacidade de entender a contento que em todo o momento, estás comigo e não me deixas sozinho. A todo o momento, és Tu quem me acolhe e quem prepara o caminho para o meu aprendizado na vida.
Esta semana foi muito produtiva em relação a nós. Gostaria de dizer que aprendi muito. Aprendo sempre contigo, mas esta semana foi a primeira de muitas em que reconheço esta verdade. Não por mal, mas por pouco conhecer-te. Espero poder consertar isso.
Uma coisa interessante é o fato de que por alguma razão que me foge do alcance de entendimento, estivemos tanto tempo bem próximos e sem nos falarmos. Em todo esse tempo, você sabe, o que eu mais buscava era você quem podia me dar. Agora, me sinto feliz porque pode ser diferente. E posso empreender a caminhada sabendo onde encontrar o que precisar. Em você.
Não tenho nada a lhe oferecer em troca. Mas tenho a mim mesmo. Sei que o plano não é meu e posso assim viver melhor minha realidade. Tenho de aprender agora é pedir vossos dons. Pedir o que tens para mim. E humildemente oferecer tudo o que sou a você. Será assim que seu plano se realizará em minha vida. Só lhe peço paciência, se por vezes eu me exasperar, como foi ontem.
Tinha aquele dia nas mãos e joguei quase todo fora. Gastei energia por demais, tentando pôr pra fora minhas frustrações, meus medos e angústias. Como fui teimoso! Mas você, Santo Espírito é tão bom que me faz melhor até mesmo nas minhas teimosias. Na tentativa de me explicar e de tentar entender, fui apresentando tudo o que sou a minha amada. Pra que ela saiba o quão fraco eu sou. Não entendo a sua lógica, mas sei onde ela me levará. E então, entendo que ali, tu estavas bem presente. Tanto do lado dela, quanto do meu. Tu presenciou o choro de minha amada. Viu o que ela sentia. E fez o mesmo comigo. Sabes muito bem o que senti. Em um dado momento, você percebeu que eu me desesperei. Então tu começou a me acalentar.
Acho que esta quarta, foi o começo das coisas. O começo da nossa história. Como bem sabes, não estou preparado. Mas Tu és o meu Deus, o Deus em que confio a minha vida. E se me queres assim, despreparado, muitas vezes imaturo, incapaz de aceitar uma simples brincadeira, às vezes, é porque Tu sabes o plano e onde eu me encaixo nele.
O que ficou desta quarta foi que não devemos ser definitivos em nossa história. Não podemos murmurar com coisas do tipo, "NADA pra mim dá certo.”; "NUNCA vou conseguir.”; “Meus planos NUNCA dão certo." etc... As palavras definitivas não são tuas, Senhor. Assim, que não a acolhamos. Outra coisa importante é que até mesmo em cima das minhas certezas, preciso me calar e ser humilde para aceitar a posição do outro. Se eu estiver errado, Santo Espírito, me corrija. Que no momento da certeza de minha opinião, que eu consiga acolher a opinião do outro, diferente da minha. E que no tempo certo, esta opinião, estando errada, eu tenha uma maneira saudável de mostrar. E estando correta, eu tenha mais uma vez a humildade de reconhecer o meu erro.
Ontem, sexta-feira, foi uma festa e tanto, não foi! Refiro-me a Vigília de Pentecostes. Que momento abençoado, que noite abençoada! Só você sabe o quanto sofri pra conseguir manter-me acordado, para vencer o sono e poder vigiar bem, esta noite. Que os frutos que eu recebi nesta festa, eu possa transmiti-los às outras pessoas, para que outras Vigílias aconteçam e mais e mais pessoas possam viver.
Meu bom amigo, tenho muito a partilhar sobre a Vigília, mas vou deixar para a nossa próxima conversa, no tempo breve. Obrigado pelos seus dons em nossas vidas e por sua infinita bondade e misericórdia.

Belo Horizonte, 10 de maio de 2008.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Sou Um Milagre


Música: Banda Louvor e Glória
Letra: Carlos A. Moysés
Por: Deiber Nunes Martins

Nunca houve noite que pudesse impedir
O nascer do sol, e a esperança
E não há problema que possa impedir
As mãos de Jesus pra te ajudar (2x)

Haverá um milagre dentro de mim
Vem descendo o rio pra me dar a vida
Este rio que emana lá da cruz,
Do lado de Jesus.

Aquilo que parecia impossível
Aquilo que parecia não ter saída
Aquilo que parecia ser minha morte
Mas Jesus mudou minha sorte
Sou um milagre estou aqui.

Usa-me sou o teu milagre
Usa-me eu quero te servir
Usa-me sou a tua imagem
Usa-me oh filho de Davi.

Sim, eu sou um milagre. Nada do que hoje eu sou, eu não seria se não fosse por obra e graça de Deus. Não sou nada mas Nele, em Jesus, eu sou tudo. Sou o milagre Dele.
E sendo o seu milagre, Senhor, me coloco ao teu dispor para o que o Senhor quiser e desejar de mim.
Não me pertenço porque antes disso o Senhor me amou e me quis aqui onde estou, em meio aos meus, minha família, em minha casa, em minha cidade. O Senhor me quer ao lado de minha amada, o Senhor me quer em meu trabalho como Analista Ambiental. O Senhor me quer onde eu estou. Sou um milagre, Senhor e estou aqui. E sou o que o Senhor quer de mim.
Quando caminhamos com Deus, o que é impossível, o que não tem saída, é a oportunidade do Senhor se manifestar na vida dos outros. Porque quem vê os nossos problemas, as nossas aflições, muitas vezes não imagina que vamos vencer. Alguns até esperam o momento da nossa queda com prazer. Mas quando caminhamos com Deus e em Deus, a vitória Dele ilumina a vida das outras pessoas que vivem no escuro.
Eu sou um milagre em tuas mãos, Senhor. Mas o meu irmão também é. Todos nós somos. Somos um milagre e estamos aqui. Que possamos entender o Senhor e o seu plano de amor e assim sempre dar o nosso Sim a Ele. Jesus muda a minha sorte a cada segundo da minha vida. E mesmo quando estou no pecado, Ele muda a minha sorte com o seu perdão. E eu posso voltar. E eu posso de novo estar aqui. E em sua misericórdia, eu sou o milagre Dele.

Belo Horizonte, 06 de Maio de 2008.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Até o Fim


Por Deiber Nunes Martins
Música: Engenheiros do Hawai
Letra: Humberto Gessinger

Não vim até aqui
Pra desistir agora!
Entendo você
Se você quiser ir embora...

Não vai ser a primeira vez
Nas últimas 24 horas
Mas eu não vim até aqui
Pra desistir agora!...

Minhas raízes estão no ar
Minha casa é qualquer lugar
Se depender de mim
Eu vou até o fim...

Voando sem instrumentos
Ao sabor do vento
Se depender de mim
Eu vou até o fim...

Eu não vim até aqui
Pra desistir agora!
Entendo você
Se você quiser ir embora
Não vai ser a primeira vez
Nas últimas 24 horas...

Ainda não se curva
Noite adentro
Vida afora!
Toda vida
O dia inteiro
Não seria exagero
Se depender de mim
Eu vou até o fim...

Cada célula
Todo fio de cabelo
Falando assim
Parece exagero
Mas se depender de mim
Eu vou até o fim...

Não vim até aqui
Pra desistir agora
Eu não vim até aqui
Pra desistir agora!...

Esta música é reflexo dos meus dias. Sábado à noite fiquei refletindo muito sobre ela. Vejo que estou em um caminho longo, marcado por desfiladeiros e pedras por todo lado. Em certas horas, percebo que não posso errar porque um erro por menor que seja coloca tudo a perder. Não há tempo para reclamar o cansaço, é preciso caminhar. Mas ainda assim procuro febrilmente um meio de me tranqüilizar...
Que fique claro que assim como na música, eu não vim até aqui, eu não cheguei onde cheguei, pra de uma hora pra outra desistir. Infelizmente, reconheço-me na condição de compreender que o caminho é difícil, a ponto de que seria normal ser abandonado no meio dele. É um risco que vou correr e que preciso correr. Mas Deus vai além neste meu caminho.
Senhor, que seja seu o caminho. E que também seja seu, o caminhar. Que nada eu faça por mim mesmo, mas que tudo eu o faça pelo Senhor. Deus meu, que pela intercessão de São Miguel eu não erre o caminho e que todas as barreiras sejam em teu Poder derrubadas, para que eu possa pra sempre testemunhar teus feitos a todos que encontrar. Obrigado, Senhor, pela alegria da caminhada, mesmo que por vezes, ela seja feita na dor. Muito obrigado, Senhor.

Belo Horizonte, 05 de Maio de 2005.

Sofrendo de Tabela - Um Desabafo


Por Deiber Nunes Martins

Manhã desta segunda-feira. Acordo num sobressalto. O relógio havia despertado há tempos e era certeza de que eu estava atrasado. Levanto num salto, preparando-me psicologicamente para isso. Tento afastar da mente o princípio básico contido em meu manual de instruções de que acordar nas segundas-feiras é ruim e ainda que acordar atrasado numa segunda-feira é pior ainda. E enfrente vou tropeçando ao banheiro.
Meu banho não é demorado e em pouco tempo estou de volta ao quarto. Sento-me na cama, ainda quente e fico desolado. Era terrível ter de abandoná-la assim. Ainda mais em uma noite em que mal dormi. Olho com tristeza para a cama e lembro-me de que tanto ela quanto o travesseiro foram carrascos comigo. Passei quase toda a noite em claro, virando e revirando de um lado pra outro, a espera de um sono que vem na hora errada. Agora, não é mais hora de dormir. Tristeza...
As vezes, as noites são mesmo traiçoeiras. Por mais que eu tente fugir dos meus medos, das minhas aflições eu não consigo. Sinto-me de repente num vazio tremendo e me sinto sozinho também. Vejo que minha vida eu preciso mudar. E preciso ganhá-la dia após dia. Não é fácil guerrear contra o homem velho que há em mim. Este, insiste em dizer-me que estou sendo injusto, que estou traindo-o, em busca de um alguém que não o sou. Mas é assim mesmo. Por mais que eu possa viver por mim mesmo, ainda há um Deiber que insiste em me prender num mundo que não mais é meu.
Todavia, se eu estou chegando até aqui, é porque não estou de todo sozinho. Deus caminha comigo e combate comigo. Assim, eu posso vencer.
Perdoe-me pelo desabafo. Talvez estas palavras sejam fruto da minha tentativa de me expressar. E nem sempre tenho com quem dizer, então, o papel se faz o meu ouvinte fiel. Que Deus possa dar clareza às minhas palavras e significado ao meu texto, para que este não seja em vão e tenha alguma razão de ser para mim e para o sofrido leitor, que sofre de tabela, com este que escreve.

Belo Horizonte, 05 de maio de 2008.

Meninas da Noite

Por Deiber Nunes Martins

Noite de sábado último, por volta da meia noite. Voltava eu por uma avenida, vindo da Pampulha, quando me deparei ao longo desta com várias mulheres à beira. São garotas de programa. Enquanto conduzia o carro, pensava, com certa tristeza na sorte delas. Garotas novinhas, a maioria delas, presumo eu ainda menores de idade, semi-nuas numa noite fria. A maioria sob o efeito das drogas, totalmente entorpecidas, à espera de um possível “cliente”. Infelizmente, nem todos têm a dimensão do valor que possuem, como território sagrado do Espírito Santo.
É uma imagem comum, em algumas ruas e avenidas de Belo Horizonte, mulheres de programa. Algumas mulheres, nem são mulheres ainda. Mas, a devastação das drogas, a vida noturna, bebidas alcoólicas e a maquiagem abusiva envelhecem meninas que ainda carregam em acessórios e em seus trejeitos a postura infanto-juvenil. Por mais que lampejem sensualidade no vestir-se, essas mulheres-meninas causam tristeza a quem por algum motivo que só Deus sabe não consegue fazer como a maioria e insiste em pensar no outro. Aprendemos no catecismo e na vida que usar estas mulheres como um objeto comprado é um pecado. Mas vejo que além do pecado a prostituição é um atentado em prol do egoísmo e contra o amor.
Chamou-me a atenção uma menina mulata, vestida em trajes sumaríssimos, sendo espancada por um rapaz maior, em plena rua. Talvez fosse aquele o rapaz o aliciador daquelas meninas, conhecido como cafetão, pelo menos foi o que me pareceu. Talvez aquela menina tivesse recusado um programa, talvez aquela menina, não estivesse querendo estar ali. Talvez, fosse alguma coisa assim. Talvez...
Cheguei em casa entristecido com as imagens que vi, embora eu sempre saiba destas coisas. Entretanto, tem horas que ficamos mais sensíveis às realidades que nos rodeiam. Infelizmente, não consigo ser como um motorista em minha vida, aquele preocupado apenas com o trânsito e com a sua condução. Aquele que não olha para o lado. Vejo os outros atentos a suas vidas e nada mais e não consigo ser assim. Gostaria de imaginar histórias de mim mesmo. Mas me deparo com as pessoas nas ruas, com as mulheres na noite. E não consigo deixar de construir em meu intelecto, histórias sem finais felizes.

Belo Horizonte, 05 de maio de 2008.

sábado, 3 de maio de 2008

O Caminhante


Por Deiber Nunes Martins

Tenho ainda muito o que aprender. Isso é um fato. O importante é que estou aqui, de pé, pronto e disposto ao aprendizado. Engano meu esperar que terei segurança em minha caminhada, em minhas decisões. Tem momentos que se decide totalmente as cegas. Mas é importante decidir e graças a Deus, posso decidir.
Sabe aquelas situações onde você se julga pronto e um pequeno detalhe te desarma? Isso me aflige e muito. Há uma realidade com a qual não posso lidar: o fato de que meu caminho ainda é de pedras, na solidão. Ainda não estou pronto ou preparado pra aceitar isso a cada momento que isso me vem.
Eu não sou a oitava maravilha do mundo e ao contrário estou longe disso. Mas, tem horas que me canso. E não há quem se disponha a me entender. Muitas vezes, eu preciso me despir de mim mesmo, dos meus problemas e tudo o mais, para aprender um pouco com os problemas dos outros, pois são estes problemas que importam. Mas tem horas que eu me canso disso. Tem horas que a máquina aqui pede um ouvido amigo, mas é em vão. Ela não encontra.
Tudo bem, vamos em frente então. O importante é caminhar. O importante é a caminhada. O caminhante não importa. Aliás, ninguém se importa. Só Deus não vai embora quando seus sonhos são frustrados aos quarenta e cinco do segundo tempo. Só Deus permanece ali, quando o único companheiro que você tem é o seu travesseiro. Só Deus não vai embora, quando você precisa de tudo e de todos.
Mas o meu problema não é mesmo, importante. O que eu preciso me convencer a cada momento é que o meu problema não importa, assim como o do outro, também não. Mas eu sou teimoso e tento dimensionar este e outros problemas. Se não ter amigos é um problema, que não seja importante então, tê-los. Mas o que importa é o estar de pé.
Que fica então o recado a você que se encontra a espreita, esperando a minha queda: não será este o gostinho que eu vou te dar. Posso estar enfraquecido, meio baqueado, tonto. E você pode vir com tudo, sem compaixão nenhuma porque eu sei que você não tem. Venha! Venha com tudo e me golpeie! Com toda a sua força! Mas esteja preparado para o meu revide...
Porque eu vou revidar. E como vou!
Eu não me oriento no medo. Porque quem se orienta no medo, é como quem se orienta nos outros e nunca se encontra. Encontra apenas um arremedo de gente, sem identidade, sem brio, que cede a qualquer vento frio que lhe assopra. Eu vou em frente. Eu sou eu. É assim que é e é assim que vai ser.
Deus está comigo e está com todos nós. Não se orientem no medo. Não dêem ouvidos ao inimigo. E não os deixe vencer. Ele só o pode, quando cedemos a vitória a ele. Portanto, vamos em frente! Continuemos a caminhada, continuemos a caminhar...

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Um Pouco Mais de Mim


Por Deiber Nunes Martins



Um oceano de emoções
Pedra pelo fogo açoitada
Poço de vontades e sensações
Sou tudo mesmo sendo nada.

Na caminhada sozinho
Pelas pedras sou ferido
Não refugo o caminho
Pois Deus é meu amigo.

Diga-me o que de mim está errado
Encontre-me nas cercanias do meu ser
Desejo minha vida ao seu lado
E com você quero viver...

Não sou mais eu e você bem sabe
Sem você, minha bela, não seguirei
Com você meu mundo se abre
E você, eu sempre amarei.

Deus meu, atenda este meu clamor
E tenha de nós dois, compaixão
Onde está o meu amor
É onde está meu coração.

Em minh’alma se faz carnaval
Meu ser brinda a euforia
Sem ela, perco a noção do real
Sem ela, perco a noção da alegria.

Verdade rompante me invade de repente
Amar-te dobrado em meu coração
Amada minha, intenso é o que se sente
Consumir-se em brasas de paixão.

Deus meu, atenda este meu clamor
E tenha de nós dois, compaixão
Traz pra mim o meu amor
Traz pra mim, meu coração.

Belo Horizonte, 29 de abril de 2008

terça-feira, 29 de abril de 2008

Já Não Se Fazem Domingos Como Antigamente

Por Deiber Nunes Martins

Domingo de sol. Pra muitos dia de namorar, ir à praia, correr para o sítio, bater aquela bolinha, assistir a Santa Missa... Para outros dia de curtir preguiça, ir fazer compras, visitar a sogra... Domingo é um dia diferente de todos os outros, porque é o dia de fugir da rotina. Mesmo que a própria fuga já seja uma rotina. No entanto, já não se faz mais domingos como antigamente.
As manhãs de domingo sempre foram para mim, sagradas. Para ir à Igreja, agradecer a Deus pela semana que passou. E também pra assistir as corridas de Fórmula 1 pela TV. Saudosista, lembro-me dos tempos do Piquet (o pai), o Ayrton, grande Ayrton Senna, os grandes duelos com grandes pilotos como Prost, Mansell, Berger... Ah, que saudade. Manhãs deliciosas aquelas, após as Missas, em que chegava e ia me grudar na frente da TV, esperando pelo famoso "Bem amigos, da Rede Globo...". Isso, no tempo em que o Galvão não era o louco fanático de hoje. Que saudade...
Saudade também do gostinho do domingo. Aquele dia animado, com as corridas de carro, o futebol na parte da tarde. Domingos onde o Galo reinava absoluto, sem dar espaço para os rivais, sobretudo o Cruzeiro. Domingos que a gente anseava loucamente, esperando que chegasse o momento: "Vai ter jogo no Mineirão, você vai?" Domingos alegres. Almoçávamos com a família e depois íamos ao campo, ver o Glorioso. A gente sabia que o time era bom e que não ia decepcionar. E não decepcionava. Vencia sempre. E quando não vencia, saíamos chateados, mas logo passava, pois o time era bom. Valia a pena esperar pelo próximo domingo, que a revanche fatalmente viria. A alegria do domingo esportivo começava de manhã, com a vitória do Senna, seguida daquela indefectível musiquinha, que hoje as vezes até toca, mas sem graça nenhuma. A alegria seguia o restante do dia, culminando a tarde, com o futebol e o Galo ganhando mais uma.
Hoje, domingo dá medo.
A Fórmula 1 não é mais a mesma. De tanto inventarem, tiraram o prazer do esporte. Os embates de velocidade, as ultrapassagens, os nós que o Senna dava nos adversários. Nenhum outro conseguiu chegar perto do que este nosso ídolo fazia. Você pode me questionar sobre o Schumachaer, mas eu logo te respondo: O Senna não ganhava corrida no Pit Stop, ganhava no braço, brigando lado a lado muitas vezes com carros mais velozes que o dele. Se você tiver boa memória, vai se calar diante disso. Infelizmente, as corridas hoje são um espetáculo mercadológico, com carros surreais, pilotos velozes mas é só e brigas intensas de bastidores. Dentro da pista, nada além da monótona perseguição Ferrari-McLaren-BMW-Renault. Coisa medonha. E no fim ainda somos obrigados a achar normal que o brasileiro, pra quem ousamos torcer, não pode ultrapassar o companheiro de scuderia, porque tem de guardar o jogo de equipe. Pavoroso.
Como se não bastasse as corridas, o Atlético é mais um arremedo de time do que propriamente um time de futebol. Sou obrigado a concordar com os torcedores cruzeirenses. O Galo é mesmo um time "meia boca". Não assusta hoje mais ninguém. É um Galo sem esporas, vítima dos desmandos de dirigentes amadores, que se intitulam atleticanos, mas não abrem o clube para os atleticanos de verdade governarem. Se interessam pelo poder e não montam os times que a Massa tanto merece. Enfim, ter de aguentar esse timeco do Atlético, no ano de seu centenário é o pior presente que a Massa adorável poderia receber.
Foi triste o domingo ontem. Estar inerte em frente a TV, vendo o inimigo passar como queria pelos nossos defensores trapalhões. Bateu saudade dos tempos áureos, onde o Galo merecia respeito. Hoje merece condolências... Foi triste estar sozinho à noite. Contradizendo Roberto Drummond em sua Oração do Atleticano, a amada ficou exilada na Conchinchina, mas a defesa atleticana capitulou cinco vezes. E o que é pior, diante do medíocre time do Barro Preto. É preciso ser forte pra não chorar.
É preciso ser forte pra sobreviver a estes domingos modernos. Domingos onde a felicidade do adversário é a nossa completa derrocada. E o que é pior, com a amada exilada, resta-me o travesseiro, como amigo e confidente. O domingo não foi sangrento, mas ensanguentado está meu coração. Alquebrado, incapaz de respirar diante do peso da infâmia, da ousadia. Já não se fazem mais domingos como antigamente. Uma pena.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Confissões e Retórica

Por Deiber Nunes Martins

Passo agora a confidenciar o que para muitos será uma surpresa. Mas para mim é a mais doce e pura realidade. Devo abandonar tudo e mudar completamente a minha vida. Fora com o trabalho, com a rotina angustiante, fora com os círculos viciosos de amizades, fora com as companhias inconvenientes, as obrigações sem nenhum sentido. Fora com tudo isso.
Estou deixando tudo para trás, para uma vida nova. Deixarei meu emprego para tornar-me um jardineiro. Já tenho até local de trabalho definido: um lindo jardim repleto de flores e a orquídea mais linda que já vi em toda a minha vida. Aliás, é por causa desta flor que estou deixando tudo para trás.
Muitos chamar-me-ão de louco. Porém minha maior loucura é não ter tomado esta decisão antes. Agora, eu encontrei minha Passárgada. E vou a ela, pois não quero morrer sem ter vivido o que tenho de viver. Não quero o sonho dos muitos, mas quero o que todos sonham, a felicidade.
Troco o teclado e o computador por papel e lápis e ferramentas de jardinagem. Mesmo que por vezes o mais importante a fazer possa ser feito com as próprias mãos, revolvendo a terra e arrancando as ervas daninhas. Muitas vezes também, poderei apenas usar meus ouvidos, escutando as palavras que serão o meu tesouro Ou simplesmente com o olfato, sentindo o delicioso aroma desta flor que é a razão da minha vida.
Para viver este momento, preciso me concentrar em um dia por vez. E viver a vida simples de um dia só. Descobrir toda a essência da vida nas pequenas coisas, na simplicidade do coração. Assim, posso ganhar tempo deixando de lado tudo aquilo que é grandioso e que não cabe a mim resolver. E ainda deixar de lado o que é complexo, para me concentrar no que realmente importa. Nem sempre será fácil, mas é minha disposição para o serviço que conta. Então, eu vou tranqüilo, na certeza de que minha recompensa é certa. Mesmo que não seja tudo o que imaginei, mesmo que não seja o que eu posso contar.
Minha decisão é definitiva e até segunda ordem (que venha do alto) não é passível de revogação. Meu futuro eu desconheço, mas sei que será na simplicidade dos dias felizes. Em minha Passárgada, serei formado enquanto realizo meu trabalho. Doravante, fica pra trás o velho homem, em busca dos sonhos de todo mundo e surge o homem novo, o jardineiro, em busca do cultivo da mais bela orquídea já vista nesta vida.
Um homem é o que é por ele mesmo. Eu sou eu. E dentro do meu universo particular procuro me reinventar. Mantenho minha essência humana, o que muda é o ofício. Uma mudança radical e difícil. Mas não estou sozinho. Deixo de lado minha sala fechada, o doce ambiente hostil, para assumir a simplicidade do jardim, sempre belo, que emoldura meu coração. E tudo ou quase tudo, por culpa de uma flor. A mais bela flor, doce amor de minha vida.

Belo Horizonte, 22 de abril de 2008.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Um Rio que se Chama Amor



Por Deiber Nunes Martins

Amor, olhe bem o rio
Não fique triste sem mim
Pois você é meu ideal
Doce amor sempre real.

Amor, olhe bem o rio
Pensa que o futuro será bom
Seremos um só coração e alma
Nosso amor nos une e acalma.

Amor, olhe bem o rio
O nosso amor é como suas águas
Que se encontram com o mar
E nos fazem nele banhar...

Amor, olhe bem o rio
Não tenhas medo, estou aqui
Pois não tenho mais outro lugar
Que não seja ao teu lado estar.

Amor, olhe bem o rio
É a minha vida inteira a te buscar
Sofrendo a dor da solidão
Sem encontrar você no coração.

Amor, olhe bem o rio
Ele traduz o meu amor por você
E a força de sua correnteza
Não é páreo à tua beleza.

Amor, olhe bem o rio
É a força deste meu amor
Suas águas vagueiam pelo tempo
Aumentam meu sentimento.

Amor olhe bem o rio
É meu amor por você
E nada mais ouso dizer
E nada mais ouso querer.

Belo Horizonte, 21 de abril de 2008.

domingo, 20 de abril de 2008

Contrários

Música: Pe. Fábio de Melo, SCJ
Texto: Deiber Nunes Martins

Só quem já provou a dor
Quem sofreu, se amargurou
Viu a cruz e a vida em tons reais

Quem no certo procurou
Mas no errado se perdeu
precisou saber recomeçar

Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar
Porque encontrou na derrota algum motivo para lutar

E assim viu no outono a primavera
Descobriu que é no conflito que a vida faz crescer

Que o verso tem reverso
Que o direito tem o avesso
Que o de graça tem seu preço
Que a vida tem contrários
E a saudade é um lugar
Que só chega quem amou
E o ódio é uma forma tão estranha de amar

Que o perto tem distâncias
E o esquerdo tem direito
Que a resposta tem pergunta
E o problema solução
E que o amor começa aqui
No contrário que há em mim
E a sombra só existe quando brilha alguma luz.

Só quem soube duvidar
Pôde enfim acreditar
Viu sem ver e amou sem aprisionar

Quem no pouco se encontrou
Aprendeu multiplicar
Descobriu o dom de eternizar

Só quem perdoou na vida sabe o que é amar
Porque aprendeu que o amor só é amor
Se já provou alguma dor
E assim viu grandeza na miséria
Descobriu que é no limite
Que o amor pode nascer.


Nossa vida é feita de contrários. As diferenças que movem nossa vida, nossa existência. Contrários que nos fazem amar, nos fazem viver. O amor tem infinitas formas de se expressar, mas escolhe sempre a melhor delas. O amor começa aqui, no contrário que há em mim. Porque preciso morrer a todo dia para o meu egoísmo, para minhas vontades, para que o Amor aconteça. Então, a vida passa a ser um desafio, uma batalha entre o bem e o mal. Contrários. Um jogo onde o vencedor é aquele que muito já perdeu. E quando se perde queima-se o desejo da vitória, mas não morre a vontade do ideal. Porque não há mal na derrota. Não há mal no cair. Porque a honra estar no levantar-se e começar de novo. Contrários. O contrário que há em mim, me ensina que o ódio nada mais é que uma forma tão estranha de amar. E nada mais. E se eu sei amar não preciso ter ódio, porque minha forma de amar é conhecida. Então eu amo com todos os meus contrários, com todas as minhas virtudes e defeitos. A vida é um contrário. E contrários requerem escolhas. Escolher entre um e outro. Que Deus nos possa ensinar a extrair dos contrários, a força da vida. Se a vida é um contrário, vivamos o contrário que há em nós, ou seja, amemos.

Belo Horizonte, 20 de Abril de 2008.

Oração da Noite

Por Deiber Nunes Martins

Ansioso espero pelo momento em que receberei a graça que tanto almejo: desposar minha amada. Enquanto este tempo não chega, preparo-me para ser digno da mulher da minha vida e merecedor de tamanha graça. Humildemente vos peço: não tardeis em nos unir, para que nossa união seja não só o início de nossa felicidade, mas também instrumento vosso de evangelização. Senhor, poderia pedir-te tantas coisas, mas de todas elas, nada me acrescentaria, sem o meu amor, sem minha amada Bi.
Coloco-me em teus braços, Senhor. Coloco-me à tua disposição. Para que o Senhor realize em mim a sua graça, realize em mim, o seu projeto. O meu tempo, Senhor é hoje, mas em ti, meu tempo é a vida eterna, o tempo que não perece. Muito do que o Senhor quer realizar em mim, depende dela, Senhor. Embora eu saiba claramente que o Senhor é o Deus do Impossível, a cada dia que passa entendo que o Senhor quer precisar dela para realizar sua obra em mim. Por isso eu peço que apresse esta graça de nossa união, de nosso matrimônio. Acompanhando esta graça, o Senhor sabe do que precisamos e peço-Vos que estenda a Vossa Bondade e Misericórdia a estas necessidades também.
Deus meu, tu sabes de tudo. Sabes que sou fraco e que preciso contar sempre com tua misericórdia. Em contrapartida, peço que conduzas minha amada lá na Bahia. Que ela possa fazer tudo o que precisa lá, realizar a missão dela, de solteira. Para que ao nos casarmos, possamos ter cumprido todas as nossas missões de solteiros.
Em nome de teu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo, peço-Vos, Senhor que olhe por nós. E que faça desta noite, menos uma noite sem o meu amor, uma noite abençoada. Amém.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O Trabalho de Cida

Por Deiber Nunes Martins

Cida trabalhava lavando talheres e xícaras em uma loja de cafés. Trabalhava há algum tempo fazendo a mesma coisa e a monotonia de sua atividade era a razão de sua displicência no trabalho. De todo modo, não haviam reclamações a respeito de Cida. E poucos clientes que a conheciam até simpatizavam-se com ela. Não eram muitos, pois Cida passava a maior parte do tempo na cozinha, lavando os talheres.
Era uma mulher bonita, embora não fosse atraente. Seu olhar procurava um ponto pra se esconder, devido ao seu recato e a sua timidez. Por ser de pouco estudo, não conseguira emprego melhor. Contentava-se com aquele, pois era o que te sustentava. Mas não era feliz. Não se sentia realizada lavando copos e talheres. Então, fazia de qualquer jeito.
Suas colegas de trabalho viviam achando copos mal lavados em meio aos talheres limpos. Elas percebiam o pouco caso de Cida, mas evitavam alertá-la com medo da sua reação para com elas ou simplesmente porque achavam que não deviam mostrar a Cida o serviço que era próprio dela.
Certo dia, quando foi recolher os talheres sujos para lavar, Cida avistou um jovem rapaz tomando seu café pacientemente no balcão. Era um rapaz muito bonito e Cida se apaixonou instantaneamente por ele. Quase não foi capaz de levar as xícaras sujas para a cozinha, quando uma de suas colegas interveio:
“Ai, Cida ele é mesmo lindo não é?”
“De quem você está falando?”, gaguejou Cida, nervosa.
“Do gatinho ali no balcão. Você não tira os olhos dele.”
“Ele é mesmo muito lindo!”
“Pois não é?”, disse a colega, “E ele toma café aqui todas as manhãs...”
Enquanto lavava as xícaras, Cida não tirava o jovem da sua mente. “Meu Deus, como é bonito, aquele menino!”, pensou ela. Então, segurando uma xícara nas mãos, olhou bem para ela e viu que não estava bem lavada. Então, voltou com ela pra dentro da pia, e se pôs a lavá-la novamente. Desta vez com mais esmero.
E desde então, Cida passou a trabalhar bem melhor desde então. Deixava as xícaras brilhando de tão limpas. Muito tempo se passou e finalmente o trabalho de Cida foi reconhecido e ela foi promovida. Agora, não mais lavava xícaras, mas fazia o café. E como era saboroso o seu café!
Não demorou muito e ela ganhou outra promoção. E continuou sendo elogiada em seu trabalho. Questionada por um cliente sob a qualidade do seu café e do trabalho que fazia, Cida foi enfática:
“Trabalho como se fosse lá em casa, para o meu marido ou meus filhos.”
E pensava ela, “Tenho que fazer o meu melhor, para que aquele moço sempre esteja satisfeito! Sempre tome um bom café, encontre xícaras bem limpas, e se sinta feliz com isso. Assim, eu também serei feliz.”
E Cida nunca esteve tão certa em sua vida.

Belo Horizonte, 17 de abril de 2008.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Dia Silencioso


Por Deiber Nunes Martins

O caminho que fizermos, será por honra e glória do Senhor. Nada será diferente do que Ele tem preparado para nós. Tudo virá na medida certa. Tudo no tempo certo. Se o meu tempo é hoje, o tempo de Deus é pra sempre. Preciso então me adequar ao que o Senhor tem para mim. Nem sempre é fácil perceber e aceitar esta verdade. Mas vou continuar.
O dia de hoje foi silencioso. Um dia cheio de alternativas e possibilidades, mas silencioso. A correria de todo dia foi precedida de uma vontade de fazer algo mais. Uma vontade de seguir mais adiante. E eu até que tento seguir, fazer algo mais. No entanto, desisto deste intento ao perceber que o preço que pagarei será alto demais. Não posso gastar minhas energias em passos imprecisos. Em movimentos incertos. Tenho um objetivo, ou preciso focar um. Então, mesmo quando há a possibilidade do barulho, me silencio a alma. Quem me dera silenciar também a boca e o coração.
Percebo-me por vezes falando demais. E às vezes seria mais gratificante, se eu me calasse. Silenciar o coração é um passo importante na caminhada. Tenho mais com o que gastar minha energia, do que discutir o indiscutível. Ainda assim, encontro tempo para discutir. Encontro tempo para desferir meus comentários cáusticos e muitas vezes impróprios. Minha imperfeição se realça na ausência do silêncio.
Nem sempre, as pessoas querem te escutar. Muitas delas, pessoas bem próximas, do nosso convívio diário. Infelizmente, muitas pessoas, por amor a nós, acabam tolerando as nossas falas. Mas o discurso impróprio vai empobrecendo os relacionamentos e naturalmente estas pessoas se afastam. No meu caso, tenho a terrível mania do insistir. Sou insistente quando vejo que posso dizer uma coisa que vai acrescentar à vida de uma pessoa. E isto a meus olhos não parece bom. Porque a maioria das pessoas não querem escutar conselhos. Mesmos que sejam bons. Tudo bem, a maioria é pouco. Quase todas as pessoas querem agir por suas próprias convicções. Nem sempre concordam com nossos pontos de vista. E não querem segui-lo. Então, incomodadas com a ajuda indevida, as pessoas acabam por se afastar de nós.
Em vista disso, o meu silêncio é mais que devido. Preciso aprender a corrigir-me e voltar atrás quando falar demais. Preciso resistir mais à tentação de ver soluções possíveis aos problemas dos outros e divulgá-las. Eles não querem ouvir as minhas respostas para os problemas deles. Quem sabe, não queiram ouvir as respostas para os meus? Se eu as tivesse...
Quero tentar fazer de meus dias, dias silenciosos. Quero ter a capacidade de ouvir e ficar calado. Desejo ardentemente não me envolver e assim ganhar maior simpatia dos meus pares. Ah, se me fosse possível! Seria frio o bastante para ouvir e não dizer nada. E assim, não ter o silêncio como resposta, coisa que tanto odeio...
Enquanto não posso a proeza do silêncio, entabulo tratados comigo mesmo em prol do silêncio. Recompensarei-me a cada vez que conseguir ficar calado, a cada vez que não esboçar meus pensamentos. Eu preciso entender que meus pensamentos são valiosos e precisam estar bem guardados, como uma imensa fortuna. Dinheiro esse que precisa ser investido e não ficar espalhado nos ouvidos de quem amo.
Se eu conseguir cumprir este tratado, então poderei pensar melhor nas outras possibilidades de ajuda ao meu irmão. Falar de nada adianta. Agir importa mais.
O dia hoje foi mais silencioso que de costume. No entanto, ainda usei muito minha garganta, preciso estar mais silencioso ainda. Que Nossa Senhora do Silêncio me conceda a sabedoria necessária para domar meus impulsos febris e agir com mais destreza no trato com as pessoas que amo.
O caminho que fizermos, será por honra e glória do Senhor. Nada nos será dado se não for da Providência Dele. Que o meu caminho seja trilhado na sabedoria do meu Senhor. E que eu caminhe o caminho Dele. Que meu tempo sendo o hoje, esteja a adequado ao tempo de Deus, que é o sempre. E que eu possa fazer a diferença, mesmo tendo de ficar calado.

Belo Horizonte, 14 de Abril de 2008.

domingo, 13 de abril de 2008

Lost in Space

Música: Lighthouse Family
Texto: Deiber Nunes Martins

Sometimes I get tired
of this "me first" attitude.
You are the one thing
That keeps me smiling.
That's why I'm always
wishing hard for you.
Cause your light
shines so bright
I don't feel no solitude
You are my first star at night
I'd be lost in space without you

And I'd never lose my faith in you
How will I ever get to Heaven, if I do...

It feels just so fine
when we touch the sky, me and you.
This is my idea of heaven
why cant it always be so good.
But its alright,
I know youre out there,
doing what you gotta do.
You are my soul satellite
I'd be lost in space without you.

And I'd never lose my faith in you
How will I ever get to Heaven, if I do...

And I'd never lose my faith in you
How will I ever get to Heaven, if I do...


Esta música é uma maneira de dizer o que estou sentindo nesses últimos dias. Uma mistura de cansaço e falta de disposição e inspiração contribuíram para que eu passasse boa parte da semana sem postar um texto sequer. Quero com estar música começar a me desculpar...
Tenho me sentido cansado. Cansaço físico e também um tipo de cansaço que não sei explicar. Mas é um cansaço das coisas ruins da vida. Sinto-me cansado das decepções, cansado do egoísmo das pessoas, cansado da desonestidade, da inveja, enfim das fraquezas humanas que sempre esbarram em mim, no dia a dia.
Dizia à pouco para Bi que não sei como lidar com estas situações. Não tenho tolerância nem paciência em meu sangue. Gostaria de saber relevar o que acontece, mas muitas vezes não consigo e no fim das contas, quem tem de pedir perdão sou eu, por superestimar uma situação, um problema. Sinto-me cansado disso também.
As vezes, é muito fácil fazer vista grossa, não ver o defeito do outro. Mas quando este defeito nos atinge em cheio, macula nossos valores morais, ou simplesmente nos ofende, sentimos no presunçoso direito de botar o dedo na ferida. E muitas vezes, o conflito está formado. Duas pessoas que se deixam de conversar, ficam brigadas e vão precisar ao longo do tempo experimentar novamente o perdão...
Eu estaria cansado disso também, não fosse o fato de poder experimentar o perdão.

Esta música do Lighthouse Family vem resgatar em mim um pouco da força que me faz continuar. Traduzido, seu nome é Perdido no Espaço. E quantas vezes não nos sentimos assim? Muitas vezes por fora há uma carcaça vigorosa e forte, decidida. Mas somente quem está bem mais perto de nós para perceber o que há por dentro. Muitas vezes, um menino inseguro, indefeso, com medo da vida, com medo até de respirar, de dar o próximo passo. Mas o que vale é a aparência externa... Quantas vezes as pessoas que eu queria que me amassem, percebessem o Deiber aqui dentro, o Deiber interior, o Deiber tão ou mais fraco que elas mesmas. Quantas vezes, eu pedi por isso? Perdi a conta.
Mas apesar de se permitir estar perdido no espaço, há um farol que nos conduz. Há uma estrela no céu que nos faz enxergar o caminho. Uma estrela que nos faz sermos nós mesmos. Que nos faz por pra fora o interior acanhado, medroso. É quando eu estou perdido, é que me permito ser encontrado. E eu posso graças a esta estrela. Este satélite. A música fala neste satélite. De uma forma branda, ela fala que o paraíso só possível por se conhecer este satélite, esta estrela. Eu quero ir mais além e afirmar que não é salvação sem olhar para esta estrela. Precisamos olhar para o alto, para sermos encontrados, para deixarmos de estar perdidos no espaço.
Esta estrela, este satélite que nos guia, chama-se amor.

Belo Horizonte, 13 de Abril de 2008.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

O Homem que Chora


Por Deiber Nunes Martins


Muitas vezes, os homens se escondem por detrás da carapaça da masculinidade para omitirem seus medos e suas frustrações. Os homens são assim. Têm medo de revelar suas fragilidades, suas misérias. Interessante como as mulheres agem diante de suas fraquezas. Convém a elas muitas vezes se permitirem ser flagradas chorando ou soluçando por algum motivo. Os homens, entretanto, precisam de um momento apropriado para isso.
Um amigo meu, o Dalton, diz que o melhor momento e lugar para se derramar em lágrimas, para se desvestir da carapaça do homem que não chora e poder ser o Homem que chora, é sozinho no quarto. Assim, em momentos terríveis de muita angústia, solidão e ou tristeza, ele se tranca no seu quarto e desata a chorar. E se alguém pergunta o porquê do choro, quando ele sai do quarto, diz categórico:
“É muito triste ter de arrumar a cama! Então, eu choro!”
Não importa o momento, o lugar, o Homem tem que chorar. Expor suas fraquezas ou a ele mesmo, ou a Deus, ou a quem ele ama. Em todos esses casos são válidos. O importante é poder ser ele, autêntico, o Homem que chora. Mesmo que para os amigos, no trabalho, na vida cotidiana, ele tenha de ser o homem, aquele que não chora, que não pode chorar.
Só o verdadeiro Homem para saber o valor de uma lágrima. É quando choramos que nossa alma se lava. Entregamos nossa vida, nossos anseios, nosso mundinho, nossas misérias à Misericórdia de Deus. Quando o homem chora sozinho, ele está se auto-conhecendo, provando do elixir das suas limitações, sabendo melhor sobre si mesmo. E isso é muito bom para ele, pois na batalha do dia-a-dia, só vence aquele que muito se conhece.
O homem também pode chorar junto de Deus. Em sua conversa diária com o Criador, se for preciso, o homem deve chorar. Chorar aqui tem uma conotação de miséria, de fraqueza. E nada como ser fraco em Deus, para que Ele nos cubra com a sua força. É quando somos fracos, que Deus se manifesta em nós.
E existem casos em que o homem pode ser permitir chorar ao lado de quem ama. Ao lado da mulher amada, por exemplo. É preciso um relacionamento muito amadurecido e muito forte pra que esta realidade seja possível – chorar nos braços da mulher amada. Mas o homem que tem este privilégio, pode se dizer um homem feliz. Geralmente, as mulheres partem da visão machista de que o homem tem de ser forte e protetor. Mas muitas vezes é o homem quem precisa ser protegido. E assim, quando se encontra uma mulher que compreende o homem desta maneira, e lhe permite ser como ele realmente é, então se encontra o verdadeiro tesouro.
Hoje, no meio da tarde, eu precisei tirar minha carapaça em meu próprio local de trabalho. Precisei chorar. Precisei me sentir fraco, triste pela saudade. Eu podia visualizar a foto de minha amada, mas não podia senti-la pertinho de mim, por causa da distância. Então a saudade bateu e me derrubou. Isto, somado as decepções e estresses do dia de trabalho, sempre tão comuns, mas que me pegaram fragilizado. Então, eu saí da sala meio desnorteado e fui pra ante-sala. Estava vazia. Acabei me sentando uma das cadeiras, dobrei a cabeça para trás, encostando-a na parede e chorei. Não foi muito, mas o suficiente pra poder continuar o meu dia. E foi bom.
O verdadeiro Homem é aquele que chora. Aquele que pode chorar.Aquele que pode se permitir fraco. E assim forte em Deus. Ainda estou aprendendo. E isso me faz bem.

Belo Horizonte, 08 de Abril de 2008.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Considerações

Por Deiber Nunes Martins

"Não precisava me questionar daquele jeito na frente dos meus amigos", questionou Mateus, um tanto irritado
"Sim, mas você quis agradar um pouquinho além da conta. Tava quase se jogando pra cima daquela velha!", respondeu Lílian, fazendo o tipo enciumada
"Você tá ficando louca?"
"Louca por que? Por achar que você estava dando em cima dela?"
"Não, por chamar a Irene de velha."
"Seu cachorro! E ainda tem a cara de pau de me questionar. Ela é velha sim!"
"Você só pode estar com inveja. Ela é uma mulher muito bem cuidada..."
"Então fica com ela!"


Mateus e Lilian são um casal como qualquer outro por aí. Mateus era dado a ser conquistador e sempre jgoava seu charme em cima das mulheres. Lílian, por sua vez estava tendo mais um de seus ataques de ciúme. Era comum as brigas entre os dois. E por um motivo muito simples. O ponto forte de um era o ponto fraco do outro. Então, um ataca o outro com suas maiores armas, onde o outro é mais fraco. O que é muito comum entre os casais. Mas não deveria ser.
O que é fraqueza em um, deveria ser o ponto onde o outro mais se esforçaria para ajudá-lo e não atacá-lo, como fazem. Por se conhecer tanto, usam das imperfeições para o ataque. E assim, acabam agredindo-se mutuamente. O que não leva a nada...
O diálogo descrito acima é só mais um dos muitos entre tantos casais no dia de hoje. Entretanto, minha proposta é que ao invés de começar uma briga, uma batalha onde os dois lados saem vencidos, que comecem o entendimento, o diálogo, o olhar nos olhos, o flerte, o namoro. Porque nada melhor do que a emoção do reencontro, do amor em suas pequeninas coisas, para a vida de um casal.
O amor é possível quando um carrega o outro. Quando um completa o outro, começando por onde ele é limitado. As limitações de um devem ser o começo do amor do outro. E isto porque o amor de verdade não é só nas virtudes, mas principalmente nos defeitos. Na oportunidade de ajudar o outro a superar suas fraquezas, ou simplesmente, conviver melhor com elas.
Bom, essas são minhas considerações. Talvez elas devam ter mais da teoria que da prática, afinal vivo minha vida de solteiro, ainda não conheço todas as nuances de uma vida a dois. Mas desejo viver. Desejo viver o amor em sua plenitude. E desejo amar de mais, sem impor limites a este amor.

Belo Horizonte, 07 de Abril de 2008.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Canção de Todo Dia



Por Deiber Nunes Martins

Pode até ser um bem ou mal
Talvez seja só o carnaval
O que eu posso fazer
Pelo amor que quero viver?

Corremos por ruas de morte
Perdemos toda nossa sorte
E no final, fui te encontrar
E pra sempre te amar.

Como eu quero te ver!
Como dói a dor escrever!
Pareço-me distante de mim
E sem você, sou triste assim.

Não posso esta sombra negar
Se a luz da lua não puder chegar
Enlouqueço-me neste amor errante
Morro nesta paixão distante.

Não dá mais pra viver sem você
E não tem razão nem porquê
Não sei como fazer, nem pra onde ir
E não dá mais pra sair.

Enredado estou neste doce amor
Escrevo um canto cheio de dor
Porque eu não sabia amar
E não sabia até te encontrar.

Hoje, percebi teu pranto
Não imaginava te amar tanto
Minh’alma chora por não te entender
E por você eu daria todo meu saber.

Pudera tuas lágrimas secar
Quem me dera em meus braços te tomar
Cantaria pra ti a canção de todo dia
Que fala dos sonhos, esperanças e alegria.

Um dia sei, disso tudo vamos rir
No poço da saudade não mais vamos cair
Então todo sonho será real
E tudo será tão perto, certo e natural.

Pode ser um bem ou mal
Talvez seja só o carnaval
Deus meu, o que eu posso fazer
Por este amor que quero viver?

Belo Horizonte, 06 de Abril de 2008.

domingo, 6 de abril de 2008

Humano Amor de Deus

Por Adriana e Pe. Fábio de Melo
Composição: Pe. Fábio de Melo

Tens o dom de ver estradas
Onde eu vejo o fim
Me convences quando falas
Não é bem assim
Se me esqueço, me recordas
Se não sei, me ensinas
E se perco a direção
Vens me encontrar

Tens o dom de ouvir segredos
Mesmo se me calo
E se falo me escutas
Queres compreender
Se pela força da distância
Tu te ausentas
Pelo poder que há na saudade
Voltarás

Quando a solidão doeu em mim
Quando meu passado não passou por mim
Quando eu não soube compreender a vida
Tu vieste compreender por mim

Quando os meus olhos não podiam ver
Tua mão segura me ajudou a andar
Quando eu não tinha mais amor no peito
Teu amor me ajudou a amar

Quando o meu sonho vi desmoronar
Me trouxeste outros pra recomeçar
Quando me esqueci que era alguém na vida
Teu amor veio me relembrar

Que Deus me ama, que não estou só
Que Deus cuida de mim
Quando fala pela tua voz
Que me diz: Coragem

Que Deus me ama, que não estou só
Que Deus cuida de mim
Quando fala pela tua voz

Que me diz: Coragem

Teu amor veio me relembrar
Que Deus me ama, que não estou só
Que Deus cuida de mim
Quando fala pela tua voz
Que me diz: Coragem

Que Deus me ama, que não estou só
Que Deus cuida de mim
Quando fala pela tua voz
Que me diz: Coragem.

Pois é amigos! O amor é quando um carrega o outro e juntos se carregam. Todo mundo que ama de verdade fala isso. Confessa isso, canta isso. Esta música é mais um exemplo. Prestaram atenção no nome dela: "Humano Amor de Deus". O amor verdadeiro é o amor de Deus. Se você ama de verdade, você ama com o amor de Deus.
Sinto falta de minha amada. Ela lá na Bahia, e eu aqui, em Belo Horizonte. Mas no poder que há na saudade, vamos estar juntos em breve. E a alegria do reencontro faz valer a pena essa saudade, essa falta que ela me faz. E assim, um dia, quando eu a carregar e ela me carregar, quando o nosso amor gerar frutos, vamos sim, rir de tudo isso. Vamos rir dos nossos medos, rir das nossas misérias de hoje, rir da incapacidade da distância em ferir o nosso amor. Porque a vida é um dia simplesmente. Um dia onde se pode começar tudo de novo, se pode ir além e fazer a diferença na vida do outro. Isto é humano amor de Deus, isto é a vida simples de um dia só que eu tanto busco pra mim. E desejo pra todos vocês.

Belo Horizonte, 05 de Abril de 2008.

A Busca Pelo Divino

Por Dalton González

“A senhora poderia aproveitar que está rezando aí com seu terço e este livrinho e rezar por mim também!”, disse o jovem sentado ao lado de uma senhora, já idosa, no metrô de São Paulo, em visível tom de deboche.
“Eu não vou rezar pra você não! E pare de me incomodar!”, disse a senhora, visivelmente transtornada.


A cena vista no metrô de São Paulo pode relatar duas situações adversas: a primeira, intolerância da velha para com o jovem, que lhe pedia orações. A segunda, que o jovem estava fazendo troça com a senhora, visto que esta se sentia incomodada por ele. Em ambas situações, a negativa da senhora não soa bem.
Estamos em um tempo onde a vida espiritual é colocada em evidência. E no entanto, nas grandes cidades, poucas pessoas são vistas freqüentando as Igrejas e os templos religiosos. E no entanto o homem moderno revela-se um homem espiritualizado. Um homem capaz de perseguir suas crenças e devoções mas sem o mesmo engajamento de outros tempos. A cultura do imediatismo têm minado as relações humanas com o Criador e aqui se abre um parêntese para afirmar, este não é um fato próprio desta ou daquela religião. Em todas as crenças se observa isso. Há uma superficialidade na busca pelo divino, o que acaba por gerar frustrações e desespero. O homem, em sua busca superficial por Deus acaba se fragilizando ao não encontrá-lo.
Ao mesmo tempo em que o homem se apega a espiritualidade por meio de seitas fantasiosas, amuletos e outras práticas que não levam a lugar nenhum, em relação ao verdadeiro encontro com o Criador, este mesmo homem torna-se cada vez mais intolerante. O homem em meio a insegurança e a total falta de tempo, não se abre para o diálogo e não se permite conhecer outras pessoas. O estranho é sempre estranho. Desta forma, o que se vê em lugares públicos é o império do silêncio. As pessoas não conversam, não se mostram e quando alguém se aproxima, se tornam arredias.
Há uma idéia no qual não se pode discordar: o homem está se abrindo à realidade de encontro com Deus. Infelizmente, ainda é um busca tímida e inadequada, mas já é um bom sinal. Deus está no lugar certo – em todos os lugares! Mas só pode ser encontrado no coração. O homem se afasta de Deus procurando por amuletos e falsa sorte.
Em minha busca pelo Divino, posso dizer que sou bem sucedido pois o encontro em todos que encontro por este mundo. Em todas as pessoas! Desta forma, posso dizer que não me simpatizo com a velha senhora do metrô, mas que vejo Jesus, o Filho de Deus, nela. Ou talvez não me simpatize com o rapaz debochando da fé da senhora no metrô, mas mesmo assim, eu vejo Jesus nele. E ao encontrar Deus nos outros por onde ando, eu posso concluir que não tenho o direito de julgar ninguém. Mesmo que seja fato: a resposta da senhora foi indelicada e o deboche do rapaz também tenha sido inadequado, não me permito julgar. Porque Jesus se faz presente nos dois e em mim também. Esta presença de Jesus me leva a imaginar o que não vejo. Por exemplo: eu não sei o que aquela senhora passou antes de adentrar aquele metrô, tampouco sei de sua vida. E assim é com o rapaz também. Então, quem sou eu pra julgar?
Talvez, ela esteja orante pela saúde de alguém, ou abalada por uma situação pessoal, algum problema que não a deixa dormir ou quem sabe, alguma coisa que ela esteja precisando e por isso clama aos céus com todas as suas forças, esquecendo-se de quem está ao seu lado lhe pedindo orações, naquela composição de metrô.
Talvez, o rapaz realmente esteja precisando de oração. Talvez não seja deboche. Mas ele está tão de bem com a vida, que bem humorado satiriza a busca espiritual daquela senhora. Ou então ele satiriza aquela senhora por ainda não ter tido a oportunidade de em sua busca espiritual, encontrar com o Criador. E quantos não estão assim?
Quantos de nós não frequentam as Igrejas, os grupos de oração, ou até membros de outras religiões ou seitas, outros são membros ativos da Renovação Carismática Católica. Outros, adeptos de práticas de ocultismo, bruxarias e afins; outros até são ateístas, não acreditam em Deus; ou talvez pior, sejam membros de grupos e entidades que cultuam os demônios, enfim, todas as raças e religiões, quantos de seus membros buscam incessantemente Deus e não encontram?
Muito da maldade de nosso mundo é cometida por pessoas que têm como um de seus objetivos, a busca pelo divino. Muito dos maiores inimigos da sociedade têm em comum com a própria sociedade a busca por Deus. E nesta busca, encontram-se com os erros, com os pecados, com as injustiças e com a maldade. É preciso compaixão, misericórdia com essas pessoas e Jesus nos ensina isso a todo o tempo.
Quando buscamos a Deus e o encontramos, entendemos muito do que parece impossível de se entender. Então começamos a entender a intolerância, a ambição e a maldade desmedida desse mundo. Tudo isso começa, quando a busca pelo Sagrado é apenas uma busca, e não o encontro com Ele.
Sou Dalton González e este o meu recado!

São Paulo, 04 de Abril de 2008.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Como vai você?

Por Deiber Nunes Martins

Como Vai Você
Roberto Carlos
Composição: Antônio Marcos / Mario Marcos


Como vai você ?
Eu preciso saber da sua vida
Peça a alguém pra me contar sobre o seu dia
Anoiteceu e eu preciso só saber

Como vai você ?
Que já modificou a minha vida
Razão de minha paz já esquecida
Nem sei se gosto mais de mim ou de você

Vem, que a sede de te amar me faz melhor
Eu quero amanhecer ao seu redor
Preciso tanto me fazer feliz

Vem, que o tempo pode afastar nós dois
Não deixe tanta vida pra depois
Eu só preciso saber
Como vai você

Como vai você ?
Que já modificou a minha vida
Razão da minha paz já esquecida
Nem sei se gosto mais de mim ou de você

Vem, que a sede de te amar me faz melhor
Eu quero amanhecer ao seu redor
Preciso tanto me fazer feliz

Vem, que o tempo pode afastar nós dois
Não deixe tanta vida pra depois
Eu só preciso saber
Como vai você.


Quando se está longe de quem ama, esta música pode ajudar a explicar o que é isso. É dolorido e ao mesmo tempo gostoso, o sentido da saudade. Sentir saudade é próprio de quem ama. E quem ama cuida. Não vem a mente outro verbo que se relacione com a saudade, que não seja o cuidar.
Porque quando amamos, queremos estar perto, cuidando. Mas quando se está longe, o cuidado resume-se a um mero “Como vai você?”, que chega via torpedo de celular, ou e-mail, ou por telefone mesmo. O “Como vai você?” é importante pois nos faz estar em contato, em pleno sinal de cumplicidade com o outro.
Hoje, é assim que me sinto. O coração cheio de saudades, apertadinho aqui. E quanto mais os dias passam, mais demora pra chegar o tempo de estar junto. Tempo este que é Deus. Mas nossas humanidades desejam que ele seja breve. No Vosso tempo, ó Senhor. Que assim seja!

Belo Horizonte, 03 de Abril de 2008.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

O que fazer diante da barbárie?

Por Deiber Nunes Martins

Em meio a tantos noticiários escabrosos com os quais temos nos deparado, era de se esperar que a notícia da tortura de uma menina de 12 anos, por uma mulher psicopata, fosse apenas mais uma. Nem bem tive tempo de me assombrar com a crueldade das torturas praticadas contra a menina L. e outra menina, a Isabella, de apenas cinco anos é jogada do sexto andar de um prédio. Ao que tudo indica, o pai e a madrasta estão envolvidos no crime. Mas, nem este caso absurdo, ainda fresquinho nas manchetes dos jornais, me causou tanto assombro quanto ao da menina L. e sua algoz, a Calabresi. Caso como esse, tem me feito sair do estado letárgico do dia a dia, para repensar alguns conceitos e pontos de vista.
A primeira coisa que penso é: qual o meu papel frente a sociedade? Bom, esta pergunta tem a que ver com a postura que devo tomar frente a esta mesma sociedade. Se eu decidir que o meu papel é o de ser mais um produto do meio onde vivo, então a letargia diante das coisas, me cai bem. Mas se eu escolher por ter um papel de agente de mudança, buscando ser um canal de luz para o mundo, então, eu preciso repensar meu jeito de ser e de viver. Se eu quero viver como Jesus ensinou então, não dá pra viver na letargia. Tem que fazer algo, pôr a mão na massa. É interessante frisar que Jesus não disse que seria fácil segui-lo. Muitas situações como essas nos levariam a fraquejar, a temer ou simplesmente cair na tentação de achar que Deus não é bom, porque deixa acontecer uma atrocidade dessas com uma menininha. Ou ainda de desejar que o mesmo que aconteceu a L. aconteça também à Calabresi, como reparação ao que ela fez. Como se um erro justifique o outro. É importante entender que sempre somos chamados a agir como o povo judeu no antigo testamento, pela lei do olho por olho e dente por dente.
Mas, se o meu papel é o de ser acima de tudo, Cristão, discípulo de Cristo, então eu tenho de orar e vigiar, para que Deus me dê a graça de não cair nas perigosas tentações próprias do nosso movimento humano de indignar-se, de revoltar-se. É preciso ser cristão, criando alternativas para o próximo e ajudando-o a suportar sua revolta, sem mudar sua essência de vida cristã. Eu não posso ser cristão e favorável à pena de morte. Cristão é favorável a pena de vida.
Ainda não tenho uma conclusão formada a respeito do meu papel frente a sociedade, diante de uma barbaridade dessas.Mas tenho claro em mente que preciso ter uma postura, uma opinião, um ponto de vista, ao menos. Preciso apresentar um exemplo a ser vivido. Preciso ser luz no mundo de trevas para o meu irmão se orientar.


Senhor, Perdão pelas vezes que em momentos de revolta como esses, diante dos absurdos cometidos por meus irmãos eu não fui luz para o meu irmão, influenciando de modo inadequado, ou então fazendo com que minhas emoções se sobreponham ao que é certo.
Senhor, toca a menina L. Dê a ela o tempo necessário pra ela se recupere dos traumas e possa ser como as outras meninas. Que ela se liberte do mal, e dos malefícios que lhe fizeram, desde o ventre materno. E que todo este mal, se transforme em bondade, irradiando o céu com as preces mais lindas. E ainda, com o exemplo da menina L.de que se pode pagar o mal com o bem. Amém.


Belo Horizonte, 02 de Abril de 2008.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Oração de Hoje

Por Deiber Nunes Martins

Senhor,
Hoje não tenho muito a te pedir
Mas o que peço, pedirei todo o tempo
Porque Tu sabes de tudo,
Sabes bem mais que eu
E ao pedir, eu posso conhecer
Conhecer o amor que tens por mim
Conhecer a dimensão do meu pedido.

Em minha mente invade o desejo
Tão sublime anseio meu
Em tua morada invade minha prece
Oração que faz parte de mim.
Perdoa-me se por vezes, eu não entendo
Que é preciso perder para ganhar
Ou que é preciso dar a outra face quando apanhar
As vezes, minha racionalidade é um entrave aos teus desígnios,
Mas eu quero mudar, Senhor
Quero ser melhor,
Quero o melhor.
O melhor que só o Senhor pode me dar.

Em Ti, Senhor deposito minha angústia
A dor rombuda no peito chamada saudade
A falta de quem amo, de quem eu quero
Humildemente vos peço que olhe por ela
Só Tu, Senhor, tens o poder de estar lá e aqui ao mesmo tempo
Então, olha por minha amada, minha orquídea
E se der, alivia um pouquinho essa dor
Que aperta meu coração.

Senhor, que minhas preces cheguem ao Céu
Que meus pedidos sejam aceitos
E se não forem, que eu seja formado em teu Não
Para que o melhor aconteça em nossas vidas.
Mais uma vez, de coração contrito, deixo minha prece
E deposito meu amor em Vós.

Não sou nada, não tenho nada
Mas o que sou lhe ofereço
Como prova de meu amor e compromisso
E antes de qualquer coisa, antes que chegue a Ti meus pedidos
Eu Vos louvo e bendigo,
Porque Tu és o Senhor da minha história
O Deus da minha vida
Sem Teu Poder nada estaria no lugar
Sem Teu Poder, não teria nossa vida, um sentido.

Obrigado, Senhor, porque a cada dia aprendo mais
A cada dia, posso aprender contigo
Muito Obrigado, Jesus, razão da minha vida!
E razão de minha alegria!
Louvado sejas por tudo
E mais louvado ainda sejas, porque me destes meu amor,
Minha amada, mulher de minha vida
Que me ensina a te louvar
Por tudo e em tudo.
Obrigado, Senhor!

Belo Horizonte, 01 de Abril de 2008.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Quando um dia Começa

Por Deiber Nunes Martins

Foi nesta tarde que eu senti começar meu dia. Antes, era como se estivesse vivendo um prolongamento do dia de ontem, o domingo. Existem coisas que a gente não fala, já dizia certa vez uma amiga muito querida, que infelizmente perdi o contato. Mas ela está certa. Existem coisas que a gente não fala. Mas não podia deixar de dizer que parte do domingo não me desceu bem. Então, como a surpreendente goleada do Galo no último sábado, eis que vem minha namorada, a salvar-me.
Em pequenas coisas, sinto o imenso amor de Deus por mim. Num simples gesto da amada, ou numa simples palavra dela, entendo o que sozinho não posso entender. Talvez, meus colóquios com Deus ainda não sejam tão profundos como deveriam, mas onde sou limitado, vem minha orquídea para completar-me. Assim ela me salva. Ela é o anjo que Deus me enviou para cuidar de mim. E mesmo estando longe, Deus mostra seu poder nas palavras. Nas frases soltas de um diálogo via MSN ou GTalk. Deus vai além, onde nossas forças são restritas.
E por isso, quando eu percebo que estou com dificuldades em alguma coisa, em alguma área de minha vida, Deus me concede os meios necessários para entender. E quando não consigo por mim mesmo, acontece como hoje. Vem o meu anjo, a minha flor a me socorrer. Ainda não estou totalmente recuperado, ainda tenho alguns pontos a entender e aonde preciso aquiescer meu coração. Mas creio no poder e no amor de Deus para a minha vida!
Senhor, em sua infinita bondade, conduza-me passo a passo rumo ao conhecimento do que preciso saber. E me perdoe por esta única ambição que possuo: o conhecimento. Amém.

Belo Horizonte, 31 de Março de 2008.