quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo

Por Deiber Nunes Martins

Escrevo aqui, da Bahia, a todos os meus amigos leitores que me acompanharam ao longo do ano de 2008. Este foi um ano de lutas e de muitas vitórias a todos nós. Deus nos acompanhou ao longo deste tempo e tenho certeza de que não nos desamparou. Nesta imensa certeza do amor do Pai, é que estou caminhando rumo a 2009.
A todos vocês, eu deixo o meu sincero abraço e desejo de que em 2009 possamos novamente estarmos juntos. Eu aqui, no teclado e vocês ai, com o mouse lendo os meus textos. Peço a Deus que me inspire ainda mais para que no próximo ano eu possa deixar neste blog um pouco da minha história e de minha vida.
Um grande vitória certamente é a oportunidade de começar um novo ano. Em meio a tantas pessoas que não terão esta oportunidade, ou que estarão começando o ano no leito de um hospital ou encarcerado ou mesmo desiludidos sem nenhuma perspectiva ou esperança, nós temos o melhor. A esperança em Cristo, de que Ele nos fará a diferença. Esta é a melhor oportunidade para o ano que está chegando. Que possamos vivê-lo com muito amor, com muita paz e com muita esperança. A esperança de um mundo que pode ser bem melhor.
Só depende de nós.
Feliz Ano Novo!
Camacan-BA, 31 de Dezembro de 2008.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Oração das Lidas Terminadas


Por Pe. Sérgio Luiz e Silva, Paróquia São José, BH


“Consolai, consolai meu povo, diz vosso Deus. Animai Jerusalém, dizei-lhe bem alto: SUAS LIDAS ESTÃO TERMINADAS!...” Is. 40, 1-2ª

Pai! Foi assim que Jesus te chamou e nos ensinou a te chamar. No Filho somos filhos. Tu enviaste sobre nós o Espírito Santo que clama em nós: “Abba, Pai!” Portanto, já não sou escravo, mas filho. E, se sou filho, sou também herdeiro por Ti, meu Deus e Pai (Tg 4, 4-7).

Como filho, expresso minha gratidão por tudo que me deste viver neste ano de 2008, mesmo as lutas e tribulações pelas quais passei. Em todas elas eu Te dou graças (Fp 4,6). Liberta-me de toda servidão que me amarra, condiciona e derrota, impedindo-me de tomar posse dos teus planos para mim no novo ano que vai nascer. Quero limpar de minha vida as atitudes e pensamentos que atraíram problemas, mais do que vitórias.

Na autoridade do nome de teu Filho Jesus, recebo, para minha vida e de todos os meus, a proclamação do profeta Isaías: SUAS LIDAS ESTÃO TERMINADAS! Na unção do Espírito Santo, profetizo esta Palavra em todas as áreas de minha vida:

MINHAS LIDAS ESTÃO TERMINADAS, EM NOME DE JESUS! (3X)

Eu entrego, eu confio, eu espero! (3x)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Palavras de Um Futuro Bom

Letra: Rogério Flausino, Jota Quest
Comentário: Deiber Nunes Martins

Anda!
Enquanto o dia acorda
A gente ama
Tô pronto prá te ouvir
Aqui na cama
Te espero "vamo" rir
De todo mundo
Nesse quarto tão profundo
Haran!...

Pára!
Repara!
Tente ver a tua cara
Contemple esse momento
É coisa rara
Uma emoção assim
Só se compara
A tudo que nós já
Passamos juntos
Ah! Ah! Lará!...

Preciso tanto
Aproveitar você
Olhar teus olhos
Beijar tua boca
Ouvir palavras
De um futuro bom
Heié! Heié!
Preciso tanto
Aproveitar você
Olhar teus olhos
Beijar tua boca
Dizer palavras
De um futuro bom
Haran! Haran!...

Anda!
Enquanto o dia acorda
A gente ama
Tô pronto prá te ouvir
Aqui na cama
Te espero
"Vamo" rir de todo mundo
Nesse quarto tão profundo
Naran!...

Pára!
Repara!
Tente ver a sua cara
Contemple esse momento
É coisa rara
Uma emoção assim
Só se compara
A tudo que nós já
Passamos juntos
Nesse quarto
Em um segundo...

Preciso tanto
Aproveitar você
Beijar teus olhos
Olhar tua boca
Dizer palavras
De um futuro bom
Heié! Nanaran!
Preciso tanto
Aproveitar você
Beijar teus olhos
Olhar tua boca
Ouvir palavras
De um futuro bom...

Palavras! Palavras!
Palavras de um futuro bom
Palavras! Palavras!

Preciso tanto
Aproveitar você
Beijar teus olhos
Olhar tua boca
Ouvir Palavras
Palavras! Palavras!
De um futuro bom
Heié! Heié! Heié
Heié! Nanaran!...

Esta música diz por si só o que eu quero para 2009. Quero amar dez vezes mais que em 2008. Poder dizer e ouvir palavras de um futuro bom da mulher que amo...

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

É Natal


Por: Deiber Nunes Martins

É natal. Aniversário de Cristo. Tempo de renovação da alma. Um tempo abençoado. Durante o natal podemos renovar nossa vida, nossos projetos, nossos sonhos. É tempo de faxina interior. De incorporar novas idéias, novas atitudes e tudo o que é bom. Tempo bom.
Cristo nasceu numa manjedoura, longe do conforto do lar, em meio aos animais, no único lugar que São José pôde arrumar. Hoje, vivemos a estressante procura por um apartamento situado perto de escola, hospital, supermercado e tudo o mais. O nosso projeto envolve o conforto. O de Cristo era a necessidade.
Naquele tempo, os pastores seguiram a estrela, rumo a gruta onde a José e Maria estavam com o Menino Deus. Desde os primeiros segundos de vida, Jesus foi luz. Iluminou os corações de seus pais e iluminou os corações dos pastores e dos reis magos. É o Menino Deus. Era pra ser a luz do nosso tempo. Mas nem sempre o é.
Dia 24 de dezembro de 2008. Centro de Belo Horizonte. A cidade toda agitada, a poucas horas da celebração do natal. Lojistas se agitam nos últimos momentos de venda, de negócios a serem feitos. Vendedores trabalham extenuados pelos turnos de dobrados, horas extras e comissões que nada valem. Pessoas se comprimem buscando os últimos presentes, as últimas lembrancinhas. O trânsito é um festival de buzinaços, de intolerâncias e tudo o mais. Tudo se agita, tudo se inquieta. Mas na agitação das pessoas, o Menino Deus renasce, sem ouro, incenso e mirra. Todos os presentes foram distribuídos. Faltou o do Menino.
Em meio a tanta agitação e balbúrdia, eu paro para refletir um pouco. Estou chateado por não encontrar a roupa que procurava, o presente ideal. Um garotinho chega a meu lado com uma caixa de balas...
"Moço, compra bala na minha mão. Duas por um real..."
O menino magricelo mal consegue segurar a caixa pesada. Pergunto se ele tem troco pra cinco reais e ele me devolve:
"Tenho não. Comecei agora."
"E a que horas vai terminar?" Eu faço a indagação, esperando uma outra resposta, mas a que ele tem é a mais possível:
"Termino as sete. Tenho que vender toda essa caixa."
A que horas vai terminar. A que horas termina a miséria, a pobreza, o sofrimento? É o que eu desejava saber. Aquele menino tinha de estar brincando com as outras crianças, vivendo o sabor da véspera de natal, como todos os outros meninos da sua idade (seis anos, não mais que isso). Mas não.
Até quando Jesus viveria naquela miséria? Até quando o menino não teria um lugar para nascer. Até quando viveria exilado, com seus pais temendo a ira do tirano Herodes?
Até quando aquele garotinho viverá vendendo balas, para ajudar no sustento da família? Até quando gastaremos o nosso tempo alimentando um sistema excludente, comprando o que não é essencial para fazer a felicidade de quem amamos? Até quando não daremos nosso ouro, incenso e mirra ao Menino Deus?
É natal. Tempo de pensar e repensar. Mas o menino continuará na manjedoura, sofrendo com a nossa indiferença. Enquanto o outro garotinho continuará largando o aconchego do seu lar para viver na incerteza das ruas, vendendo suas balas. É natal. Uma data. Só isso...
Mas eu quero mais. E sei que você também...
Feliz Natal, Menino Jesus!

Belo Horizonte 25 de dezembro de 2008

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A chuva


Por Deiber Nunes Martins

A chuva lava pensamentos, sentimentos
Chuva que não para cair
Goteja em meu peito um pressentimento
De que você não pode vir.

Me pego pensando em mim mesmo
Enloquece-me esta dor desvairada
Saio disparando meu pranto a esmo
Não tenho mais esta paz descuidada.

A chuva corta meus sonhos
Você não sabe o quanto te quero
Afasta-te, sofrimentdo medonho
Me devolve o amor que espero.

Quando não mais te vejo em mim
Corta-me na carne, devolve minha dor
Não posso estar tão triste assim
Não entendo mais meu doce amor.

Chuva, chuva forte, chova sorte
Augúrios de um amor que não tem fim
Leva-me à vida, dor que torce a morte
Não me deixe sofrer tanto assim.

Belo Horizonte, 15 de Dezembro de 2008.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Eu Amo Esta Cidade


Por Deiber Nunes Martins

Hoje vou cantar esta cidade
Vou dizer a ela todo meu amor
Ao mais belo horizonte da minha vida
Um lugar feliz pra qualquer idade.

Eu amo esta cidade
Mais do que qualquer trem
Você pode não gostar ou rir de mim
Mas BH é meu lugar!

Cercado por montanhas se faz amor
E nas cercanias do prazer todo verso
No reverso deste sentimento
Trejeitos de cidade multicor.

Aqui o céu é se faz em preto e branco
As mulheres são lindas, quentes, inteligentes
Cidade do uai meu sinhô
De gari a dono de banco.

Eu amo esta cidade
Mais do que qualquer trem
Você pode rir ou não gostar
Mas não troco por nada BH.

Terra boêmia de mil e um barzinhos
Cada qual a seu jeitinho e seu tempero
Cidade dos sabores, frango com quiabo e angu
Quero em meu prato mais um tiquinho!

BH linda! Cidade jardim!
Amor dos amores, da praça liberdade
Uma verdade, uma certeza
BH sempre tão linda assim...

Eu amo esta cidade
Mais do que qualquer trem
Você pode rir ou não gostar
Mas aqui é meu lugar!

Amo BH mais que qualquer trem
É aqui o meu lar doce lar
Lugar de gente boa sinsinhô
Vem morar aqui também!

Belo Horizonte, 12 de Dezembro de 2008.

Homenagem aos 111 anos de Belo Horizonte.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

É Diferente


Por Deiber Nunes Martins

Quem pode entender as nuances do amor? Aline e Vitor faziam um casal perfeito. Se é que pode existir tal casal, mas eles certamente se aproximavam disso. Estudaram juntos no colégio, depois viveram algum tempo em cidades distantes. Mas só descobriram o amor quando se reencontraram, na festa de Betinha, há alguns meses atrás. E não foi qualquer amor. Foi coisa séria. Amor arrebatador que mudava tudo.
Mas certo dia, Vitor deixou a todos boquiabertos.Em poucos termos, chegou a soleira da porta, respirou fundo e disse sem olhar os presentes nos olhos:
“Está tudo acabado. Terminamos.”
E de dentro do quarto, uns poucos soluços de Aline era o que se ouvia. Olívia, a amiga inseparável largou a bebida e as pedras do dominó e correu para o quarto, tentar consolar a amiga.
Ainda perplexo, Léo pensou em oferecer uma bebida a Vitor. Mas quando fez menção de colocar o vinho no copo, o rapaz já estava saindo do apartamento, meio sem rumo. Ninguém se compadeceu dele.
Era Aline quem carecia de cuidados. Era ela a rejeitada. Era ela, a infeliz. Talvez Vitor estivesse passando por um momento confuso, próprio da juventude. Ou talvez, algum rabo de saia estivesse mexendo com a sua cabeça. Certamente, ele era o culpado. Não carecia compaixão. Aline sim. A pobre sofredora.
Mas Aline não sofria tanto assim.
“O que aconteceu, amiga?”, indagou Olívia “Estava tudo tão bem entre vocês...”
“Ele terminou comigo, amiga”, disse Aline, seriamente “tava demorando...”
“Como assim?”, indagou Olívia incrédula, “Do que está falando?”
“Ele descobriu algumas coisas, pegou algumas cartas minhas, descobriu tudo sobre meu passado, sobre o Breno.”
“E quem é Breno?”
“Ora, quem é Breno! Uma paixão do tempo em que eu estava fora daqui. Acontece que voltei, mas não perdi o contato com ele. Continuamos nos comunicando pela internet, e-mail e tudo o mais. Acontece que o Vitor é esperto e tem muitos amigos. Algum amigo dele deve ter monitorado meu computador, ou coisa assim. Só sei que o Vitor tinha uma certeza irremediável quando me disse que tava rompendo comigo.”
“Mas, Aline, vocês se gostam tanto! O que foi que ele te disse?”
“Disse que não suportaria saber que a mulher que ele ama, ainda é capaz de se comunicar com outro homem. Ainda mais um ex-namorado. E ainda mais um cara que eu ainda não esqueci.”
“Mas você não deixou ele saber que você ainda não esqueceu esse tal de Breno?”
“E precisava? Se meus olhos me entregam, se minhas frases soltas falam mais que minha boca? O que eu posso fazer se ainda amo o Breno?”
“Mas, Line, você me jurou que amava o Vitor! Como é isso?”
“Sei lá, amiga! Com o Vitor é diferente...”

Belo Horizonte, 09 de Dezembro de 2008.

Nossa Senhora da Conceição


Por Deiber Nunes Martins

Deus é tão bom que nos deu seu Filho muito amado, para nos salvar. Mas sua bondade ainda vai além. Porque por meio de seu filho, nos deu também a Mãe, Maria, a Virgem da Conceição. Virgem e Mãe que disse Não ao pecado, dizendo Sim a Deus. Esta Mulher, Mãe de Nosso Senhor deve ser o exemplo a todas as mulheres da terra. E aos homens também.
Em minha vida, preciso imitar Maria em seu sim, em sua santidade. Em sua harmonia com o Céu, Maria nos ensina a fazer o que Deus quer de nós. A Mãe de Jesus é importante para o cristianismo tanto quanto Jesus. A imagem do Céu vem a Cristo por intermédio de sua Mãe. Na passagem das Bodas de Caná, é Maria quem se mostra como intercessora e como Mãe. Mulher sábia, que sabe enxergar nas entrelinhas o momento inicial da missão de Jesus.
A simplicidade de Maria é a maior lição que precisamos aprender. Preciso viver esta humildade, preciso entender esta sabedoria revestida das coisas simples que tanto agradam a Deus. Maria não é uma Mulher rebuscada, como tantas que vemos por ai. Maria é autêntica e leva sua fé as últimas conseqüências. Como faltam mulheres assim hoje em dia! Mulheres de fibra que não desistem, que lutam até o fim. Que vivem o medo sem se deixar levar por ele. Mulheres que são o coração do homem. No caso de Maria, o coração de Jesus e de José.
Mãezinha do Céu, a ti quero entregar o meu amor e a minha devoção. Perdoa-me, pelas vezes que lhe roubo meu coração, para entregá-lo as efemérides deste mundo. Perdoa-me Mãe querida, por não te amar tanto quanto deveria. E obrigado, porque nos ensina, que mesmo diante de tanto desamor, o amor de Deus sempre é maior e vencedor.
Nossa Senhora da Conceição, rogai por nós!

Belo Horizonte, 08 de Dezembro de 2008.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Notas sobre o Poema "Meia Noite é Quando é Menos Um Dia"


Por Deiber Nunes Martins

Um dos meus últimos poemas, antes da inspiração pedir o divórcio e se mandar com as crianças, "Meia Noite é Quando é Menos um Dia" gerou certa polêmica e muitos o consideraram um poema sombrio, pessimista e depressivo. Respondendo a estes, quero postar esta nota, desfazendo todo e qualquer mal entendido que possa existir.
O poema que para muitos refere-se a tristeza, a vontade de morrer, ao processo depressivo que muitas pessoas hoje em dia estão passando, é na verdade o oposto disso tudo. Este poema tem a ver com o meu coração e com o amor que carrego neste. Meia noite é quando é menos um dia, não para a morte. Mas para que eu encontre com meu amor. A cada dia, vivo no compasso da espera. Espera lancinante e para alguns amigos maluca. Tenho ouvido de muita gente que este noivado não vai dar certo, que esta mulher não é para mim. Que eu fui encontrar uma noiva longe de mais, com tanta mineira linda aqui dando sopa. Não me importa, este poema é para estes. Para que entendam que esta é a mulher que eu quero para minha vida, a amada dos meus dias. Meia Noite é menos um dia, para eu amar esta mulher, como se eu não a amasse hoje mais que ontem e menos que amanhã.
Por vezes, não sou digno deste amor. Não ouso merecê-lo. Mas é Deus quem decide isso com o seu amor e a sua misericórdia. Este poema retrata este amor calcado em Deus, que não cansa de me amar e de intervir em meu favor, quando muitas vezes eu faço tudo errado...
Sou um pobre pecador, um homem frágil, cheio de defeitos. Mas um homem que também ama e que por isso ousa sonhar com o dia de amanhã. Ousa sonhar com a amada ao seu lado. Meia noite é quando é manos um dia, para que um novo encontro aconteça. Benditos reencontros. Bendita mulher! E bendita aquela viagem a Bahia...
Pois é isso, caríssimos. Meia noite é quando é menos um dia. Não para morrer, mas para viver este amor que dilacera meu peito, corta na carne e na alma. Mas não sangra. Dói mas desatina sem doer.
Meia noite é quando é menos um dia, pra te encontrar, minha minina!

Belo Horizonte, 07 de Dezembro de 2008.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Amigo

Por Deiber Nunes Martins

Caríssimo amigo, esta missiva é pra você. Embora eu quisesse te escrever de modo convencional, não tenho a oportunidade, nem o endereço. Então o faço em público mesmo. Em meu blog. Espero que leia.
Quero te parabenizar por seu dia. Feliz Aniversário! Que Deus te abençôe, te ilumine, te guie em seus empreendimentos, te cuide. Um grande abraço de seu amigo, Deiber.
Infelizmente, as circunstâncias da vida, nos levaram a perder contato. Não tenho seu telefone, nem seu endereço. Você desapareceu. Talvez por imaginar que eu não poderia lhe ser útil. Mas os amigos são bem vindos mesmo quando são inúteis. Talvez eu não tenha prezado como deveria pela sua amizade, e você tenha se afastado de mim. Mas saiba que em momento algum, você deixou de figurar em minhas orações. E saiba, mesmo eu sendo inútil, você ainda pode contar comigo.
Espero que esta carta chegue até você. Não tenho como te ligar no seu aniversário. Mas tenho como estar presente em sua vida, por meio das minhas orações e do meu sincero desejo de que tudo esteja em paz com você. Mais uma vez, que Deus o abençôe e te guarde. Um abraço, meu amigo.

Belo Horizonte, 28 de novembro de 2008.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Graça


Por Deiber Nunes Martins

A Graça de hoje é de todo dia
Dia de Maria, a nos embalar
No compasso da alegria
Da canção de ninar...

Mãe formosa, sempre tão bela
Como aquarela pra gente brincar
Senhora mais linda e singela
Mãe que não cansa de amar.

Maria, Senhora das Graças
Amor que não passa, uma vida
Lugar que o rosário abraça
A oração que convida.

Mãe Pura, leve a minha oração
Ao coração, de nosso Senhor Jesus
Nem só de Graças vive a minha oblação
Saudade, amor, dor, a minha Cruz.

A graça do amor, é o amor de Maria
Que contraria o incauto pensar
Jesus, nos dê de tua Mãe a alegria
De pra sempre com ela, vos louvar.

Belo Horizonte, 27 de Novembro de 2008.

domingo, 23 de novembro de 2008

Batismo

Por Deiber Nunes Martins

Hoje foi um grande dia para mim. Tive a honra de ser o padrinho de uma linda criança. Fico a refletir as maravilhas do Batismo, para os católicos. E confesso que somente hoje pude perceber a importância deste elo com Deus.
No Batismo, rompemos com o pecado original e nos tornamos participantes da Glória de Deus. O Batismo é sinal de vida e busca da santidade. Por isso, os pais católicos querem antes de tudo, batizar seus filhos. Assim também o fim com minha afilhada, embora ela já tenha 10 anos de idade. Mas acredito que a sementinha de Cristo em seu coração tenha sido plantada ainda em sua concepção lá atrás, pela sua mãe. Cristo muitas vezes é uma sementinha de mostarda, que deixada pra lá, acaba se recolhendo nos corações, esperando a hora de brotar e gerar planta e fruto.
Tão logo Izabelle (minha afilhada) nasceu, esta sementinha começou a fazer força pra brotar. Deus está nas pequenas coisas, e sempre me causou admiração o fato de as outras pessoas admirarem tanto a Izabelle. Seu jeito sereno, santo, mesmo nas traquinagens de criança. Izabelle sempre me mostrou Cristo Menino, sempre me mostrou a singeleza da santidade, a simplicidade do coração. Fruto que eu sempre quis ter.
Um dia, ainda namorava a mãe de Izabelle, fui surpreendido pelo convite para ser seu padrinho. Ela me puxou num canto e me perguntou: "Você quer ser meu padrinho, Deiber?"
Não digo que fiquei surpreso com o convite. Esperava que ela fosse me pedir para batizá-la. Mas confesso que naquele dia fiquei muito feliz. Me senti responsável por uma vida. A confiança daquela menina em mim, me fez voltar pra casa chorando de alegria. Ela é a minha primeira afilhada. E no caso dela, algo interessante: ela mesmo me escolheu. Não foram seus pais. Foi ela. A minha responsabilidade sobre esta menina aumenta ainda mais, uma vez que não é de conveniência a minha escolha para batizá-la. Como acontecem nas famílias tradicionais, escolhe-se o padrinho pela importância dele na família, pelo status social, ou pela capacidade financeira. No caso da Izabelle, é diferente. Ela não tem o discernimento destas coisas. Apenas sentiu em mim o pai ausente que ela sempre desejou. As pessoas buscam coisas tão simples e as vezes a gente complica pensando demais no que os outros pensam.
Eu, que nada posso de material oferecer a esta minha afilhada, me comprometi, desde então, a doar o meu amor e o meu melhor, pelo bem estar dela. Tempos depois, a mãe dela e eu viemos a nos separar, terminamos o namoro. Mas ainda assim, Izabelle manteve-se firme na sua escolha. E mostrou a mim e a todos, que o que importa não são as conveniências da vida, mas o amor que dela recebemos.
O Batismo hoje, para mim, é mais que um ritual. É mais que a tradição, mais que uma característica da nossa Igreja Católica. O Batismo hoje para mim, é um gesto de amor. Deus me presenteia hoje, com a Izabelle. Espera de mim o cuidado que ela tanto precisa. Espero dela a felicidade. Espero dela a santidade. Estou feliz por te batizar, Izabelle. Estou muito feliz!

Belo Horizonte, 23 de novembro de 2008.

domingo, 16 de novembro de 2008

Sonhos e Realidades...

Por Deiber Nunes Martins

Amigos, este texto tem por razão única expressar o meu desejo de seguir em frente. Ser guiado por Deus em meus projetos e sonhos. Escrevi em "Venturas e Desventuras de um Sonhador", que eu precisava de sonhos pra viver. E todos nós precisamos. Os sonhos são a mola mestra do nosso viver. Quem não sonha, não vive. E por ai vai.
Quando escrevo estas linhas, penso em mim como um ser que precisa de sonhos, que precisa das nuvens para pairar no solo, no que é real da minha vida. E quando eu vejo a realidade, desnudada em meus sonhos, vejo que é plenamente possível concretizá-los.
Uma coisa interessante sobre os sonhos é a vontade que temos de realizá-los. Enquanto escrevo nesta sala fechada, quente, vou pensando na solidão que sinto. No vazio que se coloca a minha frente, desejando ser possuído, como saída para a minha vida. Eu não me imagino a vida toda sozinho. Mas quando vejo meus amigos saindo para encontrar suas namoradas nas noites de sábado e eu não posso fazer o mesmo, vejo que preciso ir em frente, para alimentar o real do meu sonho: estar com minha amada. E quando a única oportunidade que tenho de estar por ela, a internet, está comprometida, quando este canal virtual se fecha, eu percebo que meu sonho é bem mais real que eu.
Um sonho é real quando é sonhado. A realidade se faz presente na vontade da realização. Um sonho é um sonho quando não pode ser sentido, quando não pode ser sonhado. O pessimista é um sonhador incompleto. O realista, um sonhador frustrado. E o otimista, um sonhador realizado. Prefiro realizar-me em meus sonhos reais a morrer paralisado em minhas amarguras irreais. É assim que quero viver e é assim que vou em frente.

Belo Horizonte, 16 de Novembro de 2008

sábado, 15 de novembro de 2008

Vers de Feu


Por Deiber Nunes Martins

Eu sou como pedra no deserto
Maltratada, seca e suja
Mas tenho meu valor
Eu tenho um amor.

Mas, a vida que segue me forja
Sou tentado e testado
O amargo inimigo faz mal
Inimigo cruel, voraz e mortal.

Aonde vou, não venha comigo!
Não quero sua dor
Não sofras tanto assim
Talvez não possas nada por mim.

Deixa a tristeza toda pra mim
Ainda assim, sentirei o seu amor
Mesmo na dor há um coração
Mesmo no amor, solidão.

Guia-me para o alto
Leve-me para longe
Leve-me ao limiar
Faça-me amar...

Forte bruma fraqueja-me o passo
Não tenho o seu abraço
Não tenho mais nada
Longe de mim estás, amada!

Sobeja-me esta dor febril
Sumir da vontade que não passa
Essa alegria sem graça
Sofrimento sem fim.

Belo Horizonte, 15 de Novembro de 2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

No Álbum de Uma Veneziana

Por Gonçalves de Magalhães in "Suspiros Poéticos e Saudades"

Bem quisera, oh bela virgem,
Hoje extrair de meu peito
Algum suave perfume,
Em sinal do meu respeito.

Quisera na minha lira
Cadenciar algum hino,
Com que louvasse os encantos
Desse teu rosto divino.

Mas temo, temo que o peito,
De gemer já fatigado,
Em vez de cantar, exale
Um suspiro magoado.

Ah! temo, temo, acredita,
Que a minha fúnebre lira,
Em vez de entoar um hino,
Só triste nênia desfira.

Ah! tu cuidas, bela virgem,
Que é feliz todo o vivente?
Inda estás no albor da vida,
Tens uma alma inda inocente.

Não; tu me vês peregrino,
Errando de terra em terra:
Mas, oh virgem, tu não sabes
Que dor o meu peito encerra.

Veneza, maio, 1835

Venturas e Desventuras de um Sonhador


Por Deiber Nunes Martins

"Se felicidade é ter sonhado, sou infeliz por ter meu Céu." (Deiber in "O Palhaço")
As noites insones não têm impedido meus sonhos. Eles sempre aparecem e sempre me causam surpresas. Coisa boa é sonhar. Sonhar com a vida, sonhar com o amor, sonhar com Deus. Sonhar é para os fortes. Quem não sonha, se perde no tempo, na imensidão de um mundo realista e pobre. Realidade que não me alimenta, que não me satisfaz.
Ainda me recordo do último fim de semana. Um sonho tão real, que parecia estar acordado. Sentir o abraço daquela mulher é algo que me enche a alma. Sentir seu perfume, a maciez da sua pele, o calor do seu corpo comprimido ao meu lado no colchão é um sonho que dinheiro nenhum no mundo pode pagar. Como eu desejo esta mulher!
Meu Deus, quisera eu fazer de meus sonhos a realidade de minha vida. Eu seria o senhor do impossível e tomaria o seu lugar. E isso eu não quero. O impossível é Tu quem fazes por mim. Porque me ama e este amor é o amor do impossível, ou do improvável. Impossível ou improvável é abrir uma página da internet e dar de cara com essa mulher que transformou a minha vida. Virou meus sonhos de pernas pro ar e fez de mim um projeto de homem novo. Implodiu os alicerces de um homem velho, comandanda por um Engenheiro chamado Deus. Impossível é projeto deste Engenheiro. Eu só sou a obra. Obra sonhadora.
Como é bom sonhar com esta mulher de nome bárbaro. Sonhar estar em seus braços, sonhar com seu olhar. Sonhar com seu desejo imenso por mim. Sonhar com nós dois despidos das vestes e de tudo e vestidos somente de amor, desejando um ao outro na hora do banho. Um banho gostoso, relaxante, envolvente que faz de nós meros seres encharcados da Graça de Deus. Graça de sonhar.
Como é gostoso sonhar com essa linda torcedora do Botafogo, encantando meus ouvidos com suas palavras doces. Dizendo que me ama sem ter mais nada a dizer, apenas sentir. Como é bom sonhar com esta mulher forte se entregando a mim, no limiar de suas forças e na plenitude de seu prazer e em seguida se desculpando por ter de ir embora. Fazendo de mim, um garotão adolescente desejando um pouco mais da vivência e do amor da Mulher amada. Como é bom sonhar!
Um sonho é um sonho. Pena que se vai no horizonte, em um avião, para longe. Bem longe. Sonho que me faz chorar, quando acordo e me deparo que tudo não foi mais do que... sonho! Sonho meu, sonho dela, sonho de uma vida inteira. Vida inteira pra morrer, vida inteira pra sofrer, vida inteira pra viver! Vida inteira pra sonhar!
Que este sonho, possa sair do papel. Traçado minuciosamente por este Engenheiro de nossas vidas, este Senhor dos Senhores, este Deus Imenso que faz dos sonhos realidade. E faz da minha vida, felicidade.

Belo Horizonte, 14 de novembro de 2008.

Pra Ficar Comigo

Música: Ira!
Texto: Deiber Nunes Martins

Sempre estive a seu lado
Me diga agora se estou errado
Você me ama, isso eu sei
Mas me deixou sem ter porquê

Você pode inventar mil desculpas
Mas, meu bem você já é bem adulta
Pra ficar comigo

Nos momentos que deitamos
Eu me lembro, foram muitos planos
Agora vejo tudo desmoronar
Abro meu olhos, você não está

Meus sentidos estão todos a mil
No meu carro tem um banco vazio
Vem ficar comigo
Sem mais demora...
Pra ficar comigo... de vez

E você tem que se decidir
E parar de me confundir
Trabalho muito o dia todo
No fim do mês não me sobra um troco
Mas sem dinheiro sei que posso viver
Sem você, eu não sei

Meus sentidos estão todos a mil
No meu carro tem um banco vazio
Vem ficar comigo
Sem mais demora...
Pra ficar comigo... de vez

E você tem que se decidir
E parar de me confundir
Pra ficar comigo, sem mais demora
Vem ficar comigo, de vez...

Pra ficar comigo, vem ficar comigo de vez. A música expressa hoje o meu sentimento em relação as incertezas, encontros e desencontros que marcam meus colóquios virtuais com minha Orquídea. Uma Orquídea teimosa, que insiste em muitos tópicos nos quais já estão batidos para mim. Não há o que discutir nem duvidar. Eu quero é ficar junto dessa neguinha. Quero me casar com ela. Quero ficar com ela de vez. Pra sempre e por toda a eternidade, se Deus assim o permitir.
Muitas vezes, precisamos nos dizer a exaustão para sermos compreendidos. O dia hoje foi tão suave que eu até desconfiei. Como sexta-feira tranquila é pura loteria, meu cansaço veio todo na última conversa com Orquídea, por volta das seis. Não é fácil tentar ser compreendido. Mas é pra isso que estou aqui. Não será nada fácil dobrar esta florzinha do meu jardim, mas é pra isso que eu nasci. Então, que posso fazer?
Posso me decidir a cada dia amar mais e mais esta mulher. E a cada dúvida que pairar em seu coração, eu tenho de sufocá-la, até que não resida mais nenhuma semente de dúvida, de desamor. E só o amor paire entre nós. Pra ficar comigo, minha doce amada, é só vir ficar comigo, de vez. Estou e estarei sempre a sua espera. Mesmo que não perceber isto.

Belo Horizonte, 14 de novembro de 2008

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

As Duas Faces da Lei


Por Deiber Nunes Martins

Escrever sobre "As Duas Faces da Lei" é algo bem fácil. Tanto que aproveito para fazê-lo ainda com os créditos finais do filme fresquinhos na cabeça e o gostinho da pipoca na boca. Confesso que esta facilidade toda me desapontou, pois eu esperava mais do tão aguardado encontro de Al Pacino com Robert de Niro.
Ícones do cinema, os dois atores são daqueles que seguram qualquer produção. Talvez seja por isso, que a produção de Jon Avnet seja passível de crítica. Não fosse pelos dois, passaria despercebido do grande público. Mas tudo bem, vamos ao filme.
Com uma trama requentada, Avnet tenta convencer o espectador de que ele nunca viu a história a ser contada. Pacino e De Niro vivem dois policiais veteranos, em busca de um assassino serial que poderia ser um policial. Desculpem pela rima, mas é que tem a ver com a poesia da trama...
Num roteiro confuso que se perde sozinho, os dois astros apenas empreendem o gesto de interpretar. Não incorporam os policiais e acabam formando uma dupla que cansaria mais que Mel Gibson e Danny Glover num impensado "Máquina Mortífera 5". Esta displicência de Robert de Niro e Al Pacino, se deve em parte ao roteiro nada verossímil. Mas também os dois têm parcela de culpa nos atropelos.
Talvez o grande pecado de “Righteous Kill” (título do filme nos EUA) além de ser deveras comum, é sua previsibilidade. Numa história de detetive qualquer, desvendar o mistério em poucos minutos de projeção é um crime. Pedindo perdão pelo trocadilho, o filme deixa a desejar justamente no ponto onde deveria ser impactante: o mistério. A partir daí, tem-se uma interminável seqüência de idas e vindas que não levam a lugar nenhum e personagens coadjuvantes sem nenhum perfil como os de John Leguizano, que já esteve melhor em outras aparições, Curtis Jackson, Brian Denheri e Carla Gugino. Restam ao longa Pacino e De Niro. E o final só pode depender deles.
Esta previsibilidade do roteiro atenua a trilha sonora marcante e realça os deslizes da montagem. Mas no filme tem Robert de Niro e Al Pacino! Deveria bastar, mas não basta.

Belo Horizonte, 13 de Novembro de 2008.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Diferenças e Igualdades


Por Deiber Nunes Martins

Ainda sobre o tema diferenças e semelhanças, quero partilhar algumas argumentações, visto que o tema muito me incomoda. Vejo que as diferenças são em certo ponto, salutares ao casal. É na diferença que se tem a riqueza de idéias e comportamentos. Entretanto, pessoas diferentes precisam tomar certos cuidados no relacionamento.
As diferenças precisam enriquecer um relacionamento. Caso contrário, podem contribuir para a separação do casal. E quando uma diferença enriquece um relacionamento?
Diferenças enriquecem relacionamentos quando funcionam como um somatório de virtudes e idéias aos dois. Para isso, é preciso respeito, tolerância e muito amor. Não é fácil ter uma opinião própria e ainda aceitar a opinião diferente do outro. É um exercício de compreensão e amor. Em momentos assim, podemos perceber se o amor é amor, ou não é. A dificuldade existe, mas quando se ama, consegue-se tolerar opiniões contrárias às nossas.
Vencendo este desafio, o relacionamento fica mais forte e capaz de superar inúmeras tempestades ao longo do tempo. Tanto homem quanto a mulher serão capazes de ver a situação e agir conforme sua posição, sem receio do embate com o outro. Haverá o respeito em todos os sentidos. Uma situação complicada deve ser na educação dos filhos. Marido e mulher com idéias divergentes quanto a educação dos mesmos é um ambiente desafiador. A solução é o amor e a confiança de que os caminhos levarão ao melhor para os rebentos, mesmo não sendo semelhantes.
Quando uma diferença não enriquece um relacionamento? Quando o casal não consegue superar as divergências. Não há o devido respeito mútuo. Uma idéia logo é destruída pela idéia do outro. Um precisa se sobressair ao outro. As crises começam com as brincadeirinhas, com os deboches, as pequenas manifestações de sarcasmo. E logo desencadeiam grandes conflitos e traumas. Mágoas são inevitáveis até mesmo porque se espera muito da pessoa amada e a diferença de pensamento acaba não permitindo a concretização do que se espera.
Nesta hora entram em cena as “pseudo-amizades”, tão comuns a todos os casais. São pessoas que ao invés de lutar pela união do casal, lutam contra, colocando-se como amigo ou amiga. Um ponto de choque é quando o homem ou a mulher tenta “lavar a roupa suja” junto a um pseudo-amigo. Isto cria um conflito ainda maior, porque a parte questionada acaba sendo posta como a vilã da história. O pseudo-amigo acaba tomando partido inevitavelmente, por conveniência ou não. Os traumas que se seguem são irreparáveis. Eu, particularmente, já vi relacionamentos duradouros ruírem graças às amizades falsas. E também já fui vítima dessas situações. E tudo porque um é diferente do outro.
Quando uma diferença empobrece o relacionamento a solução é a igualdade. Esta não sendo possível, a separação é o melhor caminho. Quando não há respeito pela opinião do outro, é porque o outro não tem grande valor. Não há amor que resista a diferenças mal resolvidas. Um pode ser de uma opinião e o outro de outra opinião completamente distinta. Mas é preciso que ambos se respeitem e aceitem-se mutuamente como são.
Deus não quis a igualdade e, portanto, quer o respeito às diferenças. Mas quando este falta, o melhor é mesmo tomar outro caminho.

Belo Horizonte, 04 de novembro de 2008.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Mundial de Fórmula 1


Por Deiber Nunes Martins

Ficou em boas mãos o título para Lewis Hamilton. Sem nenhum bairrismo e sem nenhuma influência de Galvão Bueno e asseclas da TV Globo, o britânico foi o melhor piloto da temporada. Aliou arrojo, coragem e técnica a um jeito novo de encarar as pistas. Hamilton provou ser capaz de vencer e mais ainda, capaz de nos fazer esquecer a era Schummi, tão monótona e repetitiva. Com Hamilton, cada corrida teve uma emoção especial, diferente. Daquelas em que nunca sabíamos o que podia acontecer.
O britânico mostrou que não é uma unanimidade como foram Senna, Piquet, Prost e Schumacher. Tem a impulsividade que tanto marcou outro britânico famoso: Nigel Mansell, e que tanto o iguala aos demais. A bem da verdade que a nova safra de pilotos de Fórmula 1 é promissora: Felipe Massa, Fernando Alonso, Robert Kubica, Sebastian Vettel, para citar alguns. Mas ainda não dá pra ver Lewis Hamilton como superior a eles. Ele apenas está ao nível deles.
De todo modo, o mundial 2008, mesmo com a chatice dos tapetões, os arranjos e as punições questionáveis, foi algo que deu certo. O regulamento, desta vez, foi mais justo e as brigas por posições esquentaram todas as corridas. O que não dizer da corrida de Hungaroring, sempre tão monótona, num circuito totalmente travado, sem pontos de ultrapassagem? Felipe Massa mostrou que sim, haviam pontos de ultrapassagem. Depois, a corrida de Spa, com o arrojo de Hamilton, mesmo que punido pela FIA. E ainda a primeira corrida noturna, Cingapura, marcando o campeonato com a lambança da Ferrari.
Assuntos tivemos pra discutir nas rodas de amigos, nos "paddocks" improvisados nos botequins, regados a muita cerveja. A temporada 2008 foi muito boa e merecido foi o título a Lewis Hamilton. Mesmo sendo brasileiro, entendo que faltou a Felipe a regularidade e a paciência do inglês para suportar as adversidades inerentes ao esporte.
É isso aí. Ano que vem tem mais. E que seja a toda velocidade e bem mais emocionante que 2008.

Belo Horizonte, 03 de novembro de 2008.

A Armadilha do Realismo

Por Deiber Nunes Martins

Estava aqui refletindo sobre as diferenças. Ainda pensativo em relação ao último texto postado. Mas meus pensamentos me traem e acabam me levando para uma outra vertente. Até que ponto devemos seguir em frente? Até que ponto devemos ser otimistas? Como confiar em si mesmo?
O caríssimo(a) leitor(a) não deve estar entendendo nada. E não é pra entender mesmo. Um assunto não tem a ver com o outro. Apenas me serviu como abertura do texto. Enquanto eu pensava sobre o comentário maldoso de minha orquídea sobre a vitória sofrida de meu glorioso time no derby de ontem, contra o time dela, pensava na questão das diferenças entre os casais. Era um nível micro de pensamento, sintetizado no mundo do futebol. Algo assim tão pequeno, mas importante pra se pensar.
Enquanto eu pensava em Atlético e Botafogo e na retórica sobre diferenças, uma amiga me disse que não era capaz de realizar uma determinada tarefa. Disse a ela que aquilo era uma bobagem e ela me disse que não, que estava sendo realista. Mudei meu enfoque porque aquilo me incomodou. E muito.
As pessoas se dizem realistas e acabam entrando num conformismo desgraçado com o status quo das coisas. Não ser capaz de uma atividade é assinar um sinal de inoperância com o qual não posso concordar. Do mesmo modo a postura realista em torno da vida, é algo complicado porque o mundo real é o que nós fazemos. E muitas vezes, nossa maneira de percebê-lo faz dele um lugar inóspito. Este realismo acaba ganhando uma conotação negativa em nossa vida e nos afunda cada vez mais.
O mundo hoje tornou-se depressivo, devido ao realismo. Ser otimista virou piada, é patético. O demônio nos ensina a sermos realistas para a vida. O realismo do demônio é ser um derrotado. Mas na verdade, nós somos bem mais que vencedores.
Portanto, minha amiga, não se dê por vencida. Você é mais que isso. Você é capaz de realizar este trabalho neste curtíssimo espaço de tempo e ainda muito mais. Porque Deus habita em seu coração e te dá forças para caminhar. Vá em frente, você é capaz e eu acredito em você.

Belo Horizonte 03 de novembro de 2008.

domingo, 2 de novembro de 2008

Galo e Cruzeiro


Música: Vander Lee
Texto: Deiber Nunes Martins

Minha Preta não fala comigo
Desde primeiro de janeiro.
Ela me deu a mala eu fui dormir na sala,
fiquei sem dinheiro.
Não tem mais feijoada, nem vaca atolada,
Rabada ou tropeiro.
Já fez greve de cama diz que não me ama,
Quebrou meu pandeiro
Na hora do cruzamento, ela deu impedimento
Ou falta no goleiro
Pra aumentar meu tormento, meu irmão
Eu sou Galo e ela é Cruzeiro
Com o gol anulado, saí do gramado, voltei pro chuveiro
Isso tudo porque, meu irmão,
Eu sou Galo e ela é Cruzeiro
Caí de centroavante,
Pra médio-volante, agora sou zagueiro,
No último domingo ela foi jogar bingo
E eu fiquei de copeiro
Ela fala, eu me calo, ela canta de galo
Lá no meu terreiro
Ela apita esse jogo, ela é quem bota fogo
No nosso palheiro,
Ela finge que não, mas no seu coração
Ainda sou artilheiro,
Só faz isso porque, meu irmão
Eu sou Galo e ela é Cruzeiro...



Uma coisa interessante é a diferença entre homens e mulheres. Por mais que esperemos encontrar nossa cara metade parecida com nós mesmos, devemos perder a ilusão deste encontro. Felizmente, existem as diferenças para temperar o relacionamento, impedindo que este se torne monótono. Chato seria se o homem pensasse igual a mulher e a recíproca fosse verdadeira. Melhor é pensar diferente, ser diferente e viver como um só. Seja ele Galo e ou ela, Cruzeiro...
Estou longe de ser igual a minha amada. Temos inúmeras diferenças. Mas são nestas diferenças de temperamento, de opiniões que nos completamos. Podemos ter uma visão mais abrangente das coisas e das situações, vendo por ângulos diferentes, de acordo com nossas personalidades. Eu sou Galo e ela, Botafogo, isso hoje, em dia de jogo entre os dois. Mas quem disse que isso é importante? Também não é importante ela ser coração e eu razão. Ou ela ser democrata e eu republicano. Ou ela ser comunicativa e eu introspectivo. A importância está nas diferentes posições que tomamos como um enriquecimento ao nosso diálogo, ao nosso convívio e ao aprendizado. É importante a diferença! A soma vem das diferenças.
Assim, quem disse que ser Galo ela, Cruzeiro tem alguma importância? Preto e Branco com o azul podem formar o par ideal. O importante é serem um só.

Belo Horizonte, 02 de Novembro de 2008.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Blindness


Por Deiber Nunes Martins

É complexo o novo filme de Fernando Meirelles (Cidade de Deus). "Blindness" (Ensaios sobre a Cegueira) é inspirado na obra de José Saramago e conta a história de uma epidemia de cegueira branca que assola um determinado lugar. O filme conta com a presença de Mark Ruffalo, Gael Garcia Bernal, Danny Glover, além da ótima Julianne Moore. O filme é provocante, desafiador e complexo, vejamos por que.
Ensaios sobre a Cegueira foi considerada uma obra de dificílima adaptação para o cinema. Tanto que seduziu Fernando Meirelles, para fazê-lo. E ele já tinha tentado há tempos atrás comprar os direitos da obra, sem nenhum sucesso. Mas o nosso maior cineasta na atualidade não se deu por vencido e acabou sendo eleito por José Saramago, como o único capaz de colocar em prática tal projeto.
E Meirelles dá conta do recado. Construindo um filme denso com imagens perturbadoras e jogos de luz fantásticos, ele conta a história sem nenhuma amarração ou buraco. Há que elogiar ainda o roteiro bem escrito e a montagem, quase que perfeita. Realçando o clima tenso do filme, uma trilha sonora na mesma pegada e fechando com chave de ouro, com uma fotografia digna de prêmio. Singela e primorosa.
Mas talvez o grande mérito do filme de Meirelles seja Julianne Moore. Na pele da mulher do médico, única no planeta a não se infectar pela doença, ela transmite brilhantemente a emoção impossível de ser imaginada. E na verdade, a obra de Saramago reflete isso: a cegueira branca nada mais é para nós, na vida real, como as emoções que não sentimos. A empatia que não podemos ter. E nisso o filme cumpre bem a sua missão. Mostra como não estamos sozinhos, apesar de não enxergamos um palmo a frente do nariz.

Belo Horizonte, 31 de Outubro de 2008.

domingo, 26 de outubro de 2008

Pornografia, Política e Democracia nas Eleições em BH


Por Deiber Nunes Martins

As eleições estão chegando ao fim. Finalmente, o clima de guerra política dará lugar ao clima de paz e gozações dos vencedores aos vencidos. Frutos do Brasil. Festa da democracia? Não ouso dizer.
Em Belo Horizonte foi armado um clima de guerra para o segundo turno. O candidato apoiado pelo poder econômico e pela máquina pública, Márcio Lacerda, visto que não tinha nenhum carisma perante a população, tratou de atacar o oponente, Leonardo Quintão, usando de metodologia torpe e recursos amorais para isso. Após uma seqüência de ataques, revidados erroneamente pelo candidato Quintão, vê-se como certa a vitória do chamado “candidato da aliança” Márcio Lacerda.
Se houve ou se haverá democracia, só Deus quem pode dizer. Apenas reitero o seguinte, o povo não sabe escolher e a voz de Deus está longe de ser ilustrada pela voz do povo, visto que com tantos candidatos, escolheram os piores para o segundo turno, aqui na capital das gerais.
Infelizmente, o Brasil é este poço de desonestos e corruptos, uma corja de ladrões e canalhas. Bando de gente querendo levar vantagem em tudo. Seja na fila do supermercado ou num processo de licitação pública, o brasileiro acostumou-se com a desonestidade e acha democrático, ser amoral. Não dá nem pra olhar a questão com nostalgia, visto que desde que o mundo é mundo é assim. Veio de Portugal. Quem sabe, não veio de Portugal?
Hoje, enquanto votava, via centenas de cabos eleitorais do potencial vencedor às portas das sessões. Não vi propaganda de boca-de-urna mas vi os asseclas vestindo o uniforme 40 e em clima de festa. Não vi um só cabo eleitoral estampando o número 15 no uniforme. Já que desrespeitaram a lei, que o desrespeito fosse igualitário! Ontem, sábado, já havia recebido em minha caixa de correios um DVD com os dizeres: “Quintal do Quintão”, com fortes ataques e acusações a este candidato. Como se eu estivesse preocupado em julgá-lo. Eu não estava. Assim como não estava preocupado em julgar o candidato Márcio Lacerda, mesmo sabendo que ele era um dos participantes do nefasto esquema do “mensalão”. Na verdade, eu queria apenas exercer meu direito de cidadania, escolhendo um candidato que tivesse as melhores propostas para conduzir BH, a cidade do meu coração, ao terceiro milênio. Infelizmente, não me foi permitida a função que me cabia, a de eleitor. E sim a de julgador. Quem é menos bandido que o outro? Coube a mim e meus conterrâneos escolher. E escolhemos pressionados. Sob a pressão do governador do estado, sob a pressão do atual prefeito. Pessoas que tinham interesses em jogo, que eram muitos. Menos o de melhor para esta cidade. Como se não bastasse, ainda enfrentamos a pressão de movimentos da Igreja, seduzidos por um ou por outro candidato. Preocupados com interesses pessoais e com sede de qualquer coisa, menos de Deus, no discurso.
Enfim, as eleições de hoje, só comprovam o que eu já sabia: o voto do brasileiro é uma piada. De muito mal gosto. A urna é uma latrina onde o brasileiro não vota, defeca. Enquanto se defeca o futuro do nosso país, vemos impassíveis a pornografia política no Brasil. A democracia no Brasil é feita no esgoto. Pro inferno com ela.

Belo Horizonte, 26 de outubro de 2008.

Inania Verba

Por Olavo Bilac

Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava,
O que a boca não diz, o que a mão não escreve?
- Ardes, sangras, pregada à tua cruz, e, em breve,
Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava…

O pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:
A forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve…
E a Palavra pesada abafa a Idéia leve,
Que, perfume e clarão, refulgia e voava.

Quem o molde achará para a expressão de tudo?
Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas
Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta?

E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?
E as palavras de fé que nunca foram ditas?
E as confissões de amor que morrem na garganta?

Until the Last Moment


Por Deiber Nunes Martins

Tenho andado pelas ruas e percebido um jeito novo de ver a cidade. Um lugar onde nasci e me criei. Uma cidade que recentemente vim a conhecer por completo. E hoje remonta em minha mente, as lembranças mais felizes. Vejo com nostalgia alguns momentos, algumas situações, emoções. Desejos que tive e tenho. Não sou mais o mesmo e não pertenço mais a esta cidade. Quanta coisa mudou!
Há muito tempo tenho quisto me dizer muita coisa, sem ao menos conseguir. É chegada a hora de eu ser sincero comigo mesmo. Não sou mais o garotinho de antes. Não sou tão indefeso assim. Sou um homem em busca do seu caminho, ave de rapina poderosa, buscando alçar vôos cada vez mais altos. Apostas cada vez mais arriscadas. A vida é uma aposta. E eu não pertenço mais a esta cidade.
As ruas da cidade ficaram mais estreitas. De repente, me vejo andando de carro pelas ruas que caminhava quando garoto. As meninas que brincavam de boneca e amarelinha hoje são mulheres lindas, com seus olhares sensuais e ainda jeito de menina estampado em cada face. As mulheres de hoje, eram as meninas de ontem. Cada uma imersa em sua própria beleza. Olho na esquina próxima e me lembro: não pertenço mais a esta cidade.
Meu desejo se soltou das cercanias desta cidade. Minha vida ganhou nova fronteira. Os rearranjos políticos e econômicos do meu território delinearam novos horizontes para mim. Talvez eu tenha rompido o cordão umbilical. Mas ainda sinto-me preso ao desatino, às paixões. Não pertencer a esta cidade significa pertencer ao mundo ou ser de Deus. Prefiro Deus. O mundo não é o bastante para mim. Eu quero sempre mais!
Meu desejo de ir além é que me invade, me domina. Se ontem eu errei, foi pensando no acerto de hoje ou no do amanhã. Nunca quis ficar limitado. Mas quanto mais estou no controle, mas limitado eu sou. Então, fora com o meu controle. Vontade apenas de ir além e fazer a diferença.
Em busca de mim mesmo eu vou até o último momento. Vou além do meu limite. Quero me encontrar mas preciso encontrar o meu amor. Perdida em outra cidade ela está Eu estou perdido aqui. Mas quero estar perdido nela, nos braços da amada. Nas cercanias do corpo de minha Mulher. É onde quero estar. Até ela eu irei até o último instante, o derradeiro momento de minha vida, se preciso for. E mesmo que eu não chegue, deixarei para a história o meu caminho.
Ao ver a cidade de um jeito novo, eu percebo que cresci. E como é bom saber que não fiquei para trás.

Belo Horizonte, 26 de outubro de 2008.

sábado, 25 de outubro de 2008

Denise


Por Deiber Nunes Martins

Só quem nunca amou, pode-se dizer não sentir dor. Sempre amei Denise, minha esposa. E em meu amor, sempre sofri. Sofri o que não se sente. Mas se vive. O amor é como um drama, ou uma tragicomédia que nunca queremos que chegue ao seu desfecho. Assim é meu coração.
Às vezes me deito e durmo mas sinto que minha amada está acordada. Por vezes percebo que ela não dorme comigo. Sua mente sempre divaga por lugares aos quais eu nunca passei. Seu coração experimenta emoções as quais eu nunca vivi, nunca senti. Meu amor por ela é infinito, mas limitado ao seu coração. Não posso fazer com que ela me ame da maneira que quero. Seu amor por mim é íntegro, racional. E compartilhado.
Quando estamos em família, em grupo, ou às vezes sozinhos, dói-me na alma quando ela fala que sente saudades de Olinda, onde passara boa parte de sua vida. Entendo que naquele lugar minha mulher viveu um grande amor. O amor que eu queria dela, talvez tenha se perdido ali. Nas ruas daquela cidade de Pernambuco...
O coração de uma mulher é uma caixa preta cheia de segredos. Segredos aos quais um homem nunca pode chegar. Nós homens morremos sem saber os sentimentos mais íntimos de nossas mulheres. Somos incapazes de perscrutar seus corações e viver com ela as maravilhas de um prazer que para nós é tão percebido, tão suspeito, tão natural. As mulheres ao contrário de nós homens levam para o túmulo amores vividos, casos e acasos, rotina e inesperado. De tormenta e calmaria é feito o coração de uma mulher.
E com Denise nunca foi diferente. Ela me ama com um ardor febril. Seu sexo é alma vivente que me inunda de prazer. Sua vida exala amor por mim. E no entanto, eu sei, este amor é compartido. Este amor não-exclusivo é o que eu tenho. Não é o que me serve. Mas o que posso esperar dela por mim. E nada mais.
Quando minha amada esposa traz suas reminiscências à baila, ela traz seus segredos ocultos sem os revelar. Seus olhos brilham por lembrar-se de Olinda, aquela cidade para muitos, aprazível do nordeste, para mim é odiada. Queria que ela queimasse no inferno, e deixasse aqui o meu doce amor. Somente aqui. Queria sim. O amor nos torna bons, mas também fracos e egocêntricos, quando não é completo. E eu sempre soube que Denise não me amava como eu queria...
Talvez o coração de minha mulher, ainda bata pelo amor que ela teve em Olinda. Um amor improvável, que não se concretizou. Mas que ainda mexe com minha amada. De todo modo, eu nada posso fazer. Não se manda no coração. Que dirá no coração da mulher amada. Resigno à minha insignificância. Ao naco de amor que me cabe. A um quase nada perante o meu sempre tudo.
Mas perguntem-me se troco a minha vida! Perguntem se renuncio ao meu amor! Renuncio à vida, mas nunca ao meu amor por Denise. E neste meu amor irrenunciável, vivo feliz. Por toda a vida.

Belo Horizonte, 25 de outubro de 2008.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Oxigênio


Música: Jota Quest
Texto: Deiber Nunes Martins

Mesmo com a fumaça
Dá para ver
A incessante sinfonia
Da floresta
Respirando pelo mundo
Vendo tudo acontecer
Mesmo com a fumaça
Dá para ouvir
O som intermitente
Das corredeiras
E a cachoreira da fumaça
Vendo tudo acontecer

Dá para ver
Que ainda é possível voar
Dá para ver
Que o mundo ainda é verde
E o ar, oxigênio
Mesmo com a fumaça
Oxigênio
Mesmo com a fumaça
Oxigênio


Mesmo com a fumaça, oxigênio. Mesmo com os medos, caminhar em frente. Mesmo com a tristeza, o sorriso. Mesmo com a dor, o bom humor. Mesmo com o cair, o levantar.
É com a certeza de que é preciso prosseguir, que venceremos as batalhas da vida. E talvez eu tenha motivos para dizer isso, ou talvez não. Talvez eu não tenha motivos para estar triste, mas eu fico triste. Me sinto triste as vezes. Mas a tristeza passa. E meu sorriso sem graça também.
Hoje foi um dia de derrotas. Batalhas perdidas. Mas a guerra segue em frente. Mesmo com a fumaça, há oxigênio. A vida não pára, o tempo não pára. Só resta o gosto de sangue na boca e um desejo febril de voltar atrás, e desistir de tudo. Quando eu não estou no controle, me sinto impotente, me sinto um nada. A vozinha dizendo no ouvido: desista, abra mão disso ou daquilo soa forte no ouvido da alma. O poema das lamúrias é declamado no livro da mente. Mas dá tempo de olhar no espelho e ver a miséria que se é. Um poço de fraquezas, pecados. Mas há um coração que bate. Então, vou em frente.
Daqui pra frente deverá ser assim. Não estar no controle. Ser destituído do poder de ser o senhor do bem e do mal. E assim ser liberto de mim mesmo. É o que quero. Mas tá doendo. E não tem remédio que cure esta dor. Não tem droga que anestesie esta dor rombuda que estraçalha meu ser. Mas é preciso continuar porque dá pra ver que é possível voar, é possível sonhar, é possível viver. É possível ser feliz. Vamos lá. Em frente. Que Deus esteja comigo! E com você também!

Belo Horizonte, 22 de Outubro de 2008.

domingo, 12 de outubro de 2008

Nossa Senhora Aparecida


Por Deiber Nunes Martins

A Virgem Maria, mãe de Jesus, é a nossa intercessora mais poderosa. Afinal, é a mãe do nosso Deus. E o que um bom filho não faz por sua mãe? Pois bem, Nossa Senhora Aparecida tem em seu santuário na cidade de Aparecida, em São Paulo, uma prova de como o povo brasileiro lhe é grato e de quanto este povo a venera.
É impressionante ver a fé de um povo sofrido, humilhado, chagado pelas mazelas de uma sociedade que não se importa, que não é merecedora de tantas graças mas que conta com a eterna misericórdia do Pai, que de tão bondoso que é, nos faz ousar dizer: Deus é brasileiro!
Fé que se traduz em obras, que se traduz em sangue, suor e lágrimas. Não fosse pela fé, não chegaríamos em Aparecida sem sermos tomados por uma paz tão plena, que parece elevar a alma. Aquela cidade tem Fé. Fé em plenitude. Não fosse pela fé, o Vale do Paraíba em São Paulo não seria tão gostoso de estar e de sentir. Não fosse pela fé, Aparecida do Norte não teria tanta história pra contar...
Sempre me recordo do relato da mãe de um jovem, afixado na sala das promessas, na basílica nova. Segundo o relato, um testemunho marcante do poder Deus pela intercessão da Virgem de Aparecida, o jovem havia sofrido um grave acidente. Uma carreta havia passado por cima de sua moto, causando-lhe fraturas e ferimentos terríveis. Tão logo sua mãe tomou conhecimento do acidente, colocou o filho sobre os cuidados da Virgem. E rezou clamando pelo milagre. Sua fé foi recompensada e e em menos de cinco dias, o jovem já estava caminhando em casa.
Tantos e tantos milagres acontecem, graças a intercessão de Nossa Senhora. Um pedido da Mãe de Jesus e as portas do céu se abrem. Deus acolhe as orações feitas pelos fiéis no Santo Terço. Cada Ave Maria rezada com fé e devoção chega aos céus através do amor de Maria. Neste 12 de outubro, contemplemos e veneremos nossa Mãezinha do Céu, sempre pronta a nos atender e a pedir ao Pai por nós.
É por isso, que o devoto de Nossa Senhora Aparecida entrega seu tudo à Virgem e ela pega este tudo e faz dele o melhor para Deus. Salve, ó Virgem Imaculada, Senhora de Aparecida!
Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós que recorremos a vós!

Belo Horizonte, 12 de Outubro de 2008

sábado, 11 de outubro de 2008

40 (Forty)


Música: U2 (em negrito)
Texto: Deiber Nunes Martins (em itálico)

Eu esperei pacientemente pelo Senhor
Ele inclinou e ouviu meu clamor
Ele me tirou do abismo
Para fora do lamaçal

Eu cantarei, cantarei uma nova canção
Eu cantarei, cantarei uma nova canção

Até quando cantar esta canção?
Até quando cantar esta canção?
Até quando, até quando, até quando...
Até quando cantar esta canção?

Ele pôs meus pés sobre uma rocha
E firmou meus passos
Muitos verão, muitos verão e temerão



Deus visita todos os dias os nossos corações. A cada dia, a cada hora, Ele nos encontra de um jeito diferente. Tem dias que estamos felizes, o coração batendo arreganhado, deixa Deus entrar com toda pompa. Noutros dias, estamos tristes, o coração fechado como uma ostra. Nestas horas Deus precisa fazer muita força pra entrar. E acaba entrando. Mesmo que seja só pra nos dar uma olhada, como o pai que entra no quarto do filho, pra ver se ele está dormindo, se não está sentindo frio. Deus é este pai amoroso que zela por seus filhos, mesmo quando eles não percebem.
Não concordo com os pregadores que falam que estar triste, é estar com o demônio. Já escutei este papo tanto de pregadores católicos, quanto de protestantes. Eu me permito discordar, porque a tristeza é uma emoção efêmera. É um estado passageiro. Tem dias que estamos tristes, mas não significa que estamos sem Deus em nossa vida. Ele está ao nosso lado, nos bons e nos maus momentos.
Ultimamente, o tentador tem buscado me convencer do contrário. Como tenho ouvido propostas para desistir de esperar pelo socorro de meu Deus! E quanto mais eu perambulo em meio ao silêncio do Céu, mais eu fico sob o ataque das tentações do maligno. Mas não me amofino não. Vou em frente, esperando paciente pelo tempo da graça. O meu kairós vai chegar. Eu creio!
Em meio a tristeza, Deus também está presente. E no momento certo, Ele olha pra nós, e nos diz o que precisamos ouvir. Ouvi de Deus recentemente que Ele não está alheio ao meu sofrimento. E que seus anjos estão vindo em meu socorro. Ouvir isso em meu coração foi como um bálsamo. Imediatamente me senti curado de muitos males. E como me tem sido bom!
Tenho vivido um dia por vez. Estou tentando ficar de pé. Confesso que está muito difícil. Mas faz parte de tudo o que preciso enfrentar para servir ao meu Deus e para ser todo Dele. Não desisto, nem vou desistir. Somente em Cristo encontrarei o Caminho, a Verdade e a Vida. E somente Ele, pode pôr os meus pés sobre rocha firme. Eu te amo meu Senhor! A ti toda Glória e Louvor!

Belo Horizonte, 11 de Outubro de 2008.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Sobre o Freitas...

Por Dalton González e Deiber Nunes Martins

Quando eu penso que tenho todos os problemas no trabalho, vejo que não tenho. Tem gente que sofre e até mais. Meus superiores são de matar, mas como esse Freitas, não existem...

São Paulo, 06 de Outubro de 2008

Caríssimo amigo,

Não é só você quem vive as agruras do trabalho. Também eu tenho enfrentado inúmeras dificuldades em meus afazeres. A maioria delas, por obra e graça do Freitas. Não sei se você lembra, mas o Freitas é aquele corno que se tornou diretor regional da minha companhia. E se você forçar um pouquinho mais sua memória, lembrará que o Freitas nunca foi boa bisca.
Pois bem. Estamos em plena campanha de lançamento de um novo produto. Estamos incrementando as vendas em todo o país e a novidade é um sucesso só. Entretanto, você sabe como é, faturar muito não é o bastante, queremos sempre mais. Assim, terminou em clima de cobrança a reunião com os gerentes, as diretorias regionais e o pessoal do marketing, na qual faço parte. E nesta reunião estava o Freitas.
Como diretor regional, o puto retirou do marketing muita grana. E você sabe como são as campanhas de lançamento de novos produtos sobretudo em Sampa. Aquele viado se esquece de quão cara é uma campanha de penetração no mercado. Por isso nem notou que sugou tudo do pessoal do marketing, do qual faço parte e ainda nos cobrou maior criatividade na implementação das campanhas e nas negociações com as agências de publicidade. Você sabe como é difícil lidar com esses publicitários aqui. Todos querem faturar alto e quanto maior o impacto do novo produto, maior é a grana que buscam. Sem o pessoal da publicidade, estamos todos fodidos, inclusive a porra do Freitas. Mas tudo bem, ele parece não se importar. Corta tudo que é gasto, até o cafezinho. Como não vivo sem café, estou tendo de improvisar. Comprei pó e açúcar e estou colocando a gracinha da Denise, minha secretária pra me preparar o café. Ela o faz sem reclamar, mas não é função dela. Aquele viado deveria repensar os cancelamentos do contrato com a firma do lanche, pelo menos. Mas só pensa em cobrar. Cobra dos vendedores, aumento nas vendas, dos representantes, maior empenho. E de nós do marketing, idéias novas e talento. Como se talento desse em árvore. Sabe, meu amigo, o pessoal aqui de São Paulo é muito bitolado. Os caras querem dinheiro em cima de dinheiro a todo custo. Como nossa verba adicional não saiu, perdemos a chance de contratar aquela puta agência que te falei. Resultado, nosso produto, com três meses de vida, ainda não bombou. Chega segunda, na vídeo-conferência com o chefão, em seu café matinal, haja saco pra tanta cobrança. À tarde, chega o Freitas com seus números. Batendo na mesa, dando esporro até em mosquito, o cara parece um louco diante dos gráficos. “Vocês, marketing, cadê as porra das idéias? Vocês são mesmo uns merdas! Enfiem seus rabos nas cadeiras e mandem bala. Criem canais, gerem venda. Dêem receita a esta companhia. Ou estarão demitidos. Todos vocês: Lúcio, Jonas, Dalton... todo mundo! Mando vocês embora e coloco a minha equipe pra trabalhar...”
Sabe, Deiber, o Freitas continua maricas. Na frente do grupo, bota pra quebrar, faz e acontece. Pessoalmente, na cara e na lata, vem cheio de mimos. Gostaria de ser como um de seus personagens da máfia só pra meter uma bala nos cornos daquele filho da puta! Como não sou personagem, sou real e preciso do emprego, vou tolerando...
Chego em casa e a mulher pede pra ter calma. Dane-se a calma! Quando estou nervoso detesto que me peçam calma! Não é ela que tem de enfrentar dez horas de serviço pesado em condições desumanas e ainda as humilhações do corno do Freitas! Mulher é complicado! O problema delas se resume a dorzinha de cabeça quando estão de TPM. Mulher é bicho danado. Não se importa. Diz que importa, mas não importa. Mulher se importa com mulher. Homem que se dane. Só servem pra pagar as contas... Bom, de todo modo, ela te mandou um abraço...
Bem, amigo, estou indo nessa. Achei que devia desabafar com você um pouco. Vi pela carta que você também teve um dia daqueles, não é? Mas é assim mesmo. No mais ficamos por aqui. E que seu galo melhore, pra dar pressão quando pegar o meu time. E só pra abrir parênteses, o idiota do Freitas é Fluminense. Onde já se viu, paulista torcer pra time do Rio? É, fico por aqui. Vamos em frente e que Deus nos ajude.

Um abraço, seu amigo

Dalton González

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Românticos

Composição: Nado Siqueira
Música: Vander Lee
Texto: Deiber Nunes Martins

Românticos são poucos
Românticos são loucos
Desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro
É o paraíso...

Românticos são lindos
Românticos são limpos
E pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha
E sem juízo...

São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos
Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo
De outra desilusão...

Romântico
É uma espécie em extinção!
Romântico
É uma espécie em extinção!

Românticos são poucos
Românticos são loucos
Como eu!
Românticos são loucos
Românticos são poucos
Como eu! Como eu!


Romântico é uma espécie em extinção. Num mundo tão egocêntrico, pueril e imediatista, o romantismo caiu do galho. É letra morta. Ninguém mais se preocupa em olhar nos olhos e dizer o amor. Ninguém se preocupa com a dor do amor. Ninguém se importa se o outro sofre por amor. Mais adequado é sofrer por falta de dinheiro. Sofrer por causa da vitória do Cruzeiro, sofrer por conta da crise americana. Isso sim é sofrimento! Com isso todo mundo se importa...
Queria eu poder ser igual todo mundo. Trocaria toda a merrequinha que eu tenho no bolso, pela companhia da minha amada. Trocaria todas as vitórias dos refrigerados que tanto odeio, pelo amor da minha linda. Rezaria um terço a Virgem Maria para a resolução da crise americana, a crise das hipotecas, pra ouvir de minha amada: "Somos agora nós dois contra o resto! Você não mais vai se despedir de mim..."
Românticos são poucos. Românticos são loucos. Como eu. Como nós. Tenho certeza, amigo(a) leitor(a) que somos poucos românticos neste mundo. Mas o romântico é aquele que sente o amor, aquele que o respira, que o exala. Sejamos românticos!

Belo Horizonte, 01 de outubro de 2008.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A Esperança Atleticana


Por Deiber Nunes Martins

Assistir aos jogos do Atlético tem sido como ir ao cinema ver filme de quinta categoria, repetidas vezes. Deprimente o estado do nosso Glorioso! Este texto é apenas mais um libelo de insatisfação com o que estão fazendo com o clube mais popular de Minas Gerais. Sou obrigado a reconhecer que meu time não é capaz de vencer o Ipatinga! Também reconheço, pelas projeções matemáticas e pelo desempenho do clube, que não escaparemos da segunda divisão, no próximo ano. Que presente de grego no ano do centenário, hein Galo?
Um time desmotivado, sem brio, sem raça e sem nenhuma técnica. É digno de dó, ver este time jogar. Na copa Sul-Americana, no jogo decisivo no Mineirão contra o Botafogo, um dos principais jogadores deles, disse na entrada pro vestiário, no intervalo:
“Eu não estou acreditando que o Atlético está facilitando as coisas pra gente!”
Aquele jogo foi doído. Como tantos outros este ano, que não carecem ser lembrados. Mas de toda a tragédia, o que fica claro é a total incompetência dos dirigentes atleticanos. A diretoria meteu os pés pelas mãos desde o início do ano, quando não renovou com Emerson Leão e fechou as portas para Wanderley Luxemburgo, que antes de fechar com o Palmeiras, procurou o Galo. Preferiram ficar com Geninho que tempos atrás renegou nosso time.
De Geninho até hoje, com Marcelo Oliveira, nem sei ao certo quantos treinadores já passaram pelo CT de Vespasiano este ano. Sei que foram várias derrotas, vários jogadores contratados de modo errado, dinheiro desperdiçado, dinheiro que não chegou, frente a pífia campanha na temporada. Somos obrigados a agüentar as gozações dos refrigerados, de ipatinguenses e de tudo quanto é porcaria de time por aí... Em meio a isso, o presidente chegou a ser ameaçado de morte e diante de tanta pressão teve de renunciar.
Agora, o conselho deliberativo do clube deve decretar novas eleições e pra felicidade da maioria dos atleticanos, Alexandre Kalil se postula como candidato. Pra quem não sabe, Kalil foi aquele senhor que foi afastado do futebol por dois anos pelo supremo tribunal desportivo, só porque peitou Ricardo Teixeira da CBF e a cartolagem carioca. Alexandre Kalil é a esperança atleticana de mudança e melhorias. Em sua entrevista coletiva nesta segunda, seu argumento foi simples e direto: levar o Atlético ao lugar de destaque que ele merece. E para isso, os bons exemplos gerenciais trazidos por Botafogo e Flamengo (dois cariocas que Kalil em outros tempos, combateu veementemente) deverão ser copiados. Estes dois clubes, há menos de cinco anos estavam à beira da falência e hoje estão brigando pelo título nacional. Disputa que o Atlético nunca pode ficar de fora.
É chegada a hora do Galo voltar a ser personagem principal do futebol nacional. Quero neste texto, manifestar meu apoio a Alexandre Kalil, para que ele possa trazer de volta o Galo que a Massa merece: Forte e Vingador!

Belo Horizonte, 29 de setembro de 2008.

Diário de Bordo


Por Deiber Nunes Martins

Enquanto estou neste quarto de hotel, vou me recordando de Belo Horizonte e dos meus problemas. Uma coisa boa quando se viaja, é a possibilidade de sair de dentro de si mesmo e olhar os problemas de um ângulo exterior. Dentro de casa, não é possível tal fuga e muitas vezes acabamos alienados aos nossos problemas, às nossas dificuldades.
Aqui em Uberlândia vou tendo a oportunidade de rever meus problemas e percebo a real dimensão deles. Ficou em Belo Horizonte uma batalha perdida e o gosto de sangue na boca. Fui derrotado por mim mesmo.
Tenho agora a oportunidade de me erguer de minha derrota. Ainda posso ser um vencedor, perdi apenas uma batalha e pelo visto há uma guerra inteira pela frente. Aqui sozinho neste quarto de hotel, vou percebendo minha real situação. Posso escutar minha respiração. Posso parar um pouco. Quem sabe eu não ouça Deus falar comigo. Mas Ele me observa atentamente e não diz nada. Não há ninguém aqui pra me dizer uma coisa qualquer. De repente, percebo o quão ruim é estar longe das pessoas, o quão ruim é estar sozinho.
Uberlândia é acima de tudo, uma cidade simpática. Sedutora, me faz querer morar aqui. Mas alguma coisa me diz que há um plano pra mim em Belo Horizonte. Cidade que eu amo, é como se de repente, nos braços da amante, se pensasse na esposa. Mas esta tem sido insensível ao meu desalento. Talvez nada possa fazer, mas Uberlândia me oferece colo. É uma coisa a se fazer...
Neste quarto de hotel, já passam das onze e provavelmente não pegarei no sono antes de uma da manhã. Automaticamente, vou trocando os canais de TV a procura de um assunto, a procura de um mote, ou mesmo algo que me faça dormir. Que saudade da minha amada! Não consigo dormir se não estou nos braços dela. Que falta ela me faz!
Mesmo que eu quisesse me enganar nos braços de uma outra, não conseguiria. E olha que Uberlândia oferece mulheres tão lindas como as belo-horizontinas! Mas meu coração pertence a uma baiana!
Tentarei dormir. Rolarei na cama de um lado para outro. Amanhã acordo cedo, começo cedo minhas atividades. Mas a minha essência, calejada, derrotada, destruída pelo mal da saudade não entende que preciso do sono. Não bastasse a falta da mulher amada, falta também o sono... Uberlândia é uma cidade bela, aprazível e mais bem cuidada que BH. E pelo pouco que percebo as pessoas, reconheço que ao menos se importam um pouco com os outros. O importar-se me deixa feliz. Que bom seria se resgatássemos esta virtude nos belo-horizontinos? Enquanto não podemos milagres, clamemos por um. E o meu milagre agora seria o calor do corpo de minha orquídea...

Uberlândia, 24 de setembro de 2008.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

I Still Haven't Found What I'm Looking For


Música: U2


Eu Ainda Não Encontrei O Que Estou Procurando
Eu já escalei as montanhas mais altas
Eu já corri através dos campos
Só para estar com você
Só para estar com você

Eu corri, eu rastejei
Eu escalei os muros da cidade
Estes muros da cidade
Estes muros da cidade
Só para estar com você

Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando
Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando

Eu beijei labios de Mel
Eu senti a cura na ponta dos dedos dela
Queimou como fogo
Esse desejo ardente

Eu falei com a língua dos anjos
Eu segurei a mão do demonio
Estava quente à noite
Eu estava frio como uma pedra..

Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando
Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando

Eu acredito na vinda do Reino
Então todas as cores
irão sangrar em apenas uma
irão sangrar em apenas uma
Mas sim, eu ainda estou correndo

Você quebrou as ligações, você afrouxou as correntes
Você carregou a cruz
E a minha vergonha
E a minha vergonha
Você sabe que eu acredito nisso

Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando
Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando

Manual de Instruções

Por Deiber Nunes Martins

Certas pessoas procuram meios de lidar comigo, outras meios para se comunicarem comigo. Percebi recentemente que até pra me amarem, procuram um jeito apropriado. Em vista disso, resolvi vir a público, lançar meu manual de instruções, visando resolver toda esta celeuma. Viso também com este manual, esclarecer aos incautos, que não sou tão espinhoso assim. Tenho virtudes e fraquezas como qualquer outro, tenho manias, tenho um comportamento bem pessoal, mas nada que seja tão complicado, a ponto de não entenderem. De todo modo, pra quem deseja fazer parte da minha vida e história, o presente manual pode ser necessário. Ou não...

Requisitos Básicos
Para se adequar ao jeito “Deiber” de ser não é preciso muitos recursos. O Deiber não exige muito, apenas respeito. Após inúmeros estudos e pesquisas, verificou-se a não aplicabilidade de quaisquer exigências visto que todas elas geraram um alto índice de reprovação pública.
Com relação ao respeito, ainda este, é um requisito questionável. No entanto, a falta dele é incompatível com o Deiber. Na verdade, desrespeito é incompatível com qualquer modelo de ser humano que tenha o mínimo de amor próprio.

Condições Gerais
O Deiber se caracteriza pela simplicidade, inteligência, pelo altruísmo e também pela instabilidade emocional, pela impulsividade e excentricidade. Diversas outras características acompanham o Deiber, mas no presente momento, estas são as predominantes.
O Deiber é caracterizado pela seriedade, timidez e às vezes até por ser insuportável. Há quem não consegue conviver com ele e quem o considera muito chato.
Por valorizar demais os relacionamentos e as amizades, ele tem pouquíssimos amigos. Entretanto, os poucos que têm, merecem seu apreço e confiança. Possui também inimigos, que contribuem para sua prudência e seu ceticismo. O Deiber não confia cegamente nas pessoas, mas também não lhes é resistente. Não é comum vê-lo dizendo seu amor. Ele procura demonstrá-lo. É possível que poucos o amem, poucos o odeiem e muitos lhe sejam indiferentes. Entretanto, o que vale para ele é amar sem nenhuma medida. E quem é amado (a) por ele, é como se recebesse um prêmio valioso, uma jóia rara.

Modo de Convívio
Conviver em harmonia com o Deiber, pode não ser tarefa das mais fáceis. Seu humor instável, seu jeito crítico e cáustico de ser é um desafio dos mais complicados. Entretanto, ele procura ser amistoso, leal, sincero e dedicado. Ao mesmo tempo, usa de muita franqueza e não gosta de deixar as coisas pra depois. Dá um boi pra não entrar em uma briga e uma boiada pra não sair dela.
Com o Deiber, os argumentos nunca são os corretos. Ele sempre tem um que julga ser perfeito. E não é fácil demovê-lo em relação às suas opiniões. Ele não gosta de ser questionado. Mas gosta de questionar. É incisivo, gosta de ir até o fim. É preocupado com as pessoas a sua volta e isto pode até torná-lo chato. Mas é apenas o jeito dele cuidar de quem ama.

Considerações Finais
Não é preciso jeito para lidar com o Deiber. É preciso carinho. É preciso uma dose cavalar de paciência para compreendê-lo e na verdade, compreensão é o que ele mais precisa. Pois ele sabe na pele que não é fácil ser ele mesmo. E sente na pele também, não ser compreendido. O Deiber não importa com a rejeição, não importa com o que as pessoas dizem a seu respeito. O que realmente o machuca é a indiferença, o não se importar das pessoas.
Há muitas particularidades sobre o Deiber que não constam neste manual. Não daria pra enumerar todas. De todo modo, o básico sobre este rapaz, foi dito. Para quem precisa de métodos e procedimentos para lidar-se com ele, este manual é um achado. Para todos os demais, talvez seja de pequena valia, pois o Deiber é simples. As pessoas é que tentam complicá-lo.

Belo Horizonte, 15 de setembro de 2008.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Deus Imenso


Música: Vida Reluz
Composição: Walmir Alencar, Pe. Fábio de Melo
Texto: Deiber Nunes Martins

Não sou nada, eu bem sei
Tão pequeno, um grão de areia em tuas mãos
Barco à vela que se abandona
Segue o rumo e vai buscando o alto mar.

Assim me encontro diante de ti
Um Deus imenso que por amor se deixa alcançar

Te adorarei, meu Deus, enquanto eu existir
Proclamarei as maravilhas que fizeste em mim
O teu calor me envolve, o teu olhar me acalma
E em teus braços, o teu amor
Inflama minha alma
Que posso mais dizer se o coração já disse
Te amo!


Senhor, perdoa-me por minha insensatez. Perdoa-me substituir o louvor pelo murmúrio. Perdoa-me por não reconhecê-lo ainda mais presente em minha vida. Senhor, as vezes eu vejo outros rapazes de minha idade, completamente perdidos, completamente entregues a destruição. Em cada caso assim, eu devo louvá-lo, Senhor, pois poderia ser eu. E o Senhor, me livrou desses males. O Senhor vem em meu socorro. Devo louvá-lo, sim.
Que eu sempre te adore, que eu sempre te louve, Senhor. Minha prece de hoje, é pedir-te mais tempo para o louvor. E que eu consiga vencer o mal da reclamação diante dos problemas do cotidiano e vos louve ainda mais neste momento. Que eu seja efusivo no louvor e não no lidar com os outros. Que eu saiba manter a calma. Que o louvor dispensado a Ti, me faça melhor. Me faça mais santo. É o que busco, Senhor.
Obrigado, meu Deus, pela minha vida. Pela minha família. Pelo meu noivado. Pelo meu trabalho. Por todas as realidades que vivo. Tu és mais, Senhor. Tu vais além. Obrigado, Senhor.

Belo Horizonte, 10 de Setembro de 2008.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

9 de Setembro: Dia do Administrador

Por: Deiber Nunes Martins

Hoje, dia 9 de setembro, é dia do administrador de empresas. Uma profissão desejada por muitos jovens, porém pouco conhecida e respeitada de fato. No dia de hoje, nós administradores, temos muito a comemorar. Mas há também muito a ser almejado por nós. O administrador hoje sofre com a falta de delimitação do seu espaço profissional.
Em nosso país, somos obrigados a disputar o concorrido mercado de trabalho com profissionais de outras áreas, como a engenharia, o direito e a psicologia. As empresas, no intuito de direcionar seus projetos, acabam por contratar estes profissionais, para ocuparem as vagas que pertencem por direito a nós administradores. Infelizmente, nossos órgãos representativos – CFA’s e CRA’s – são organismos frágeis, sem nenhuma ou quase nenhuma representatividade política. Muitos colegas acabam invejando profissionais da engenharia e arquitetura, pela importância política do CREA. Ou até mesmo o direito, pela representatividade da OAB. Não contamos com esta representatividade a nosso favor. Mas certamente, contamos com nossa capacidade de liderar, motivar e transformar o mundo do trabalho. Capacidade esta que não pode ser renegada pela sociedade. A ciência administrativa vem comprovando sua importância ao longo dos tempos e em diversas áreas da economia, as teorias administrativas ou simplesmente o feeling e a capacidade de gestão, fazem a diferença.
Mas, será que nós administradores, temos consciência da nossa importância?
Creio que não. Infelizmente, muitos de nós foram alienados dentro das salas de aula, nas faculdades, com teorias sistêmicas que explicam o funcionamento de um pequeno mundo global. Muitos de nós, somos administradores de grandes empresas e conglomerados econômicos. E nada mais. Muito do que aprendemos nos bancos de faculdade, ficam na faculdade. O que definirá nosso posicionamento perante a sociedade é a nossa experiência pessoal com a arte de gerenciar.
Arte esta, que se aprende nos livros e com os mestres. Mas também no cotidiano. Nas pequenas coisas da vida. Em pequenos momentos da nossa rotina, podemos aplicar nossa capacidade de gestão. Seja no trabalho, seja no clube, na Igreja, na família, com os amigos, ou até dentro das empresas pelas quais passamos. É preciso que o administrador de hoje tenha consciência da sua importância no processo de mudança de uma sociedade. É preciso que nós, administradores, reconheçamos nossa capacidade de disseminadores do conhecimento ao qual aprendemos e somos diariamente confrontados. Realidade esta que está aos nossos olhos, capacidade de mudança.
O administrador não pode estar satisfeito, seja qual for a posição que ocupe na sociedade e no mercado. Somos agentes de mudança e somente por nosso conhecimento adquirido e experimentado ao longo dos anos, é que podemos executar o grande planejamento estratégico de nossa sociedade: nós mesmos. A maneira como devemos nos portar diante desse processo é com toda simplicidade possível. Devemos administrar primeiro nossas vidas.
O bom administrador é aquele que consegue administrar a si próprio, por primeiro. É preciso gerir bem nossos processos, nossas realidades emocionais para depois administrarmos os bens que nos são confiados. É nesta condição que somos agentes da mudança. Devemos mudar a nós mesmos, a mudança começa em nós. O administrador que cuida em primeiro lugar do seu bem-estar, terá maiores capacidades para cuidar do bem-estar de uma empresa, de um grupo de trabalho, de um universo de recursos. A administração começa dentro de casa. Do interior para o exterior.
Minha mensagem aos colegas administradores é esta: sejamos agentes de mudança. Mudemos o mundo, o universo de coisas. Mas comecemos por nós. Façamos o feedback do nosso interior, motivemos nossa capacidade emocional e remuneremos melhor o nosso bem-estar. Se precisamos conquistar muitas vitórias dentro da profissão que escolhemos. Conquistemos primeiro a nós mesmos.
Parabéns a nós, administradores! Que Deus nos abençoe!

Belo Horizonte, 09 de setembro de 2008.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

GP da Bélgica - Punição Injusta


Por Deiber Nunes Martins

Quem assistiu ao GP da Bélgica deste domingo, viu uma das corridas mais emocionantes da temporada. Após um começo arrebatador, Kimi Raikkonen contou com um erro do pole Lewis Hamilton para assumir a liderança da corrida logo nas primeiras voltas. O piloto finlandês começava uma prova de maneira irretocável e contava com a sorte até então. Sorte essa explicitada no erro de Hamilton e no tráfico em que este se meteu, na saída de sua primeira parada nos boxes.
A chuva, personagem sempre presente em Spa Francorchamps, não se fez de rogada e deu seu ar da graça. No entanto, deixou para faze-lo a três voltas do fim da prova. A esta altura, Kimi Raikkonen defendia uma diferença de pouco mais de cinco segundos para Hamilton. Parecia pouco para quem não tem a menor habilidade em pista molhada, como é o caso do “homem de gelo”. Ainda mais pelo fato de seus principais concorrentes até então Hamilton e Felipe Massa, serem bons também em pista molhada. Com isso, o que parecia improvável, aconteceu. Em uma volta, a diferença entre Kimi e Hamilton caiu para menos de um segundo e passou a ser visual. Vendo que o líder não conseguia andar naquelas condições, Hamilton partiu para o ataque, possivelmente amparado com a anuência de sua equipe. Na primeira tentativa, o finlandês fechou a porta, obrigando o piloto da Mc Laren a cortar caminho pela chicane. Ao fazê-lo, tomou a dianteira, devolvendo-a a Raikkonen ainda na mesma reta. Entretanto, Lewis Hamilton manteve-se bem tracionado e conseguiu a ultrapassagem sob a Ferrari no final da reta. A esta altura, a pista estava como que ensaboada. Muito escorregadia. E os dois pilotos fizeram um festival de saídas de pista, sem que o terceiro colocado, Felipe Massa, conseguisse aproveitar a oportunidade de tomar a dianteira. O festival de escapadas culminou com Kimi Raikkonen perdendo o controle de seu carro e parando no muro de Spa. Hamilton neste momento, segurava o carro no braço até o final da prova, fazendo-se o vencedor.
Como na atual Fórmula 1, o espírito esportivo e a competitividade têm dado lugar aos interesses comerciais e políticos, não se pode dizer que um vencedor é de fato aquele que sobe no lugar mais alto do pódio ao final da corrida. Esta, ainda é passível de endosso, pelos comissários da Fia, senhores do bem e do mal, dentro da categoria mais importante do automobilismo mundial. Assim sendo, os senhores comissários, acabaram vendo irregularidade na manobra de devolução do primeiro lugar a Kimi e resolveu punir o inglês Lewis Hamilton com a perda de 25 segundos. Tempo julgado como sendo o real a ser perdido pelo inglês com a manobra. Com esta decisão, Hamilton perdeu a vitória conseguida e caiu para o terceiro lugar, ficando atrás do brasileiro Felipe Massa, rival direto do inglês na disputa do campeonato e maior beneficiado pela decisão da Fia e o alemão Nick Heidfeld, que na pista chegou em terceiro lugar.
A punição a Lewis Hamilton é no mínimo exagerada, além de desanimadora para os amantes do esporte. Em um momento onde a tecnologia se sobressai sobre o talento dos pilotos, manobras de habilidade como a de Hamilton em cima de Kimi Raikkonen, chamam a atenção e deveriam ser premiadas, não punidas. Os segundos supostamente ganhos pelo piloto da Mc Laren ao cortar a chicane não impediriam que na volta seguinte, ele conquistasse a posição, visto que para o piloto ferrarista estava impraticável a condução, tanto que este acabou perdendo o controle de seu bólido e batendo no muro, na volta seguinte. Em vista disso, achei improcedente tamanha punição, visto que a manobra de Hamilton obedeceu o regulamento e ainda foi um indício que o talento ainda sobrevive na Fórmula 1, mesmo diante dos carros que praticamente funcionam sem um condutor.
Além disso, o espetáculo de uma corrida de Fórmula 1 ou de qualquer outra categoria do automobilismo deve ser julgado mediante o desempenho do piloto ao longo da prova e não em decorrência de uma irregularidade que não alteraria o resultado da corrida. Assim, a Fórmula 1 segue descendo a ladeira, perdendo o interesse e acabando com a esportividade, tão presente nos tempos de Senna, Mansell, Piquet, Prost e tantos outros.

Belo Horizonte, 08 de Setembro de 2008.

domingo, 7 de setembro de 2008

Batman o Cavaleiro das Trevas


Por Deiber Nunes Martins

Pela segunda vez, fui ao cinema conferir aquele que dizem ser o melhor filme do ano. Para este que escreve e para quem viu o ótimo "Na Natureza Selvagem", o novo filme do Batman não é. No entanto, o filme de Christopher Nolan é muito bom. E certamente se encaminha para um Oscar póstumo a Heath Ledger, na pele do impagável Coringa.
O Cavaleiro das Trevas mantém o clima sombrio de Batman Begins. Agora, no entanto, a história tem um pouco mais de densidade, fruto de um roteiro bem ajeitado e riquíssimo. O roteiro de Cavaleiro das Trevas é como aquele viajante que retorna a sua casa, cheio de histórias pra contar. Christopher Nolan tem o mérito de contar toda esta história sem perder um detalhe, um fiapinho sequer da história. Méritos também da montagem, impecável.
Em termos de atuações, o Batman de Christian Bale é apenas razoável. Sem conseguir fugir de estereótipos, Bale é feliz ao conseguir humanizar Bruce Wayne. Aaron Eckhart consegue ser ainda mais feliz, construindo um personagem riquíssimo, o promotor Harvey Dent. Tem-se outros destaques individuais como Gary Oldman e Morgan Freeman, que já haviam brilhado em Batman Begins. Mas o grande destaque de o Cavaleiro das Trevas é sem dúvida Heath Ledger. Na pele do Coringa, Ledger faz a melhor interpretação do ano, reconstruindo um Coringa irreverente, anárquico, cruel e nada caricato. Este enfoque mais real de um dos vilões mais importantes dos quadrinhos deve render a Ledger uma homenagem póstuma da Academia.
Batman o Cavaleiro das Trevas possui razoáveis efeitos sonoros e uma fotografia apenas correta. Em termos técnicos, a sensação que se tem é que não quiseram arriscar e apenas fizeram o feijão com arroz, para que o filme se destacasse mais pela densidade do roteiro e pelas atuações individuais.
Sobre o roteiro, ainda deve ser dito que não fosse a escorregada conseguida com a fatídica aparição do Espantalho, que nada acrescenta à trama, este seria uma obra-prima. É um dos pontos altos do filme. Deixa transparecer que a história é sobre Harvey Dent, sem ao menos tirar a importância do herói. Algo que os roteiristas de O Homem-Aranha 3 tentaram fazer com o Homem-Areia, sem sucesso. Batman – O Cavaleiro das Trevas merece sim ser visto e revisto. Não é o melhor do ano, mas certamente, é o melhor que já foi produzido neste gênero de super-heróis.

Belo Horizonte, 07 de Setembro de 2008.