segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Diário de Bordo


Por Deiber Nunes Martins

Enquanto estou neste quarto de hotel, vou me recordando de Belo Horizonte e dos meus problemas. Uma coisa boa quando se viaja, é a possibilidade de sair de dentro de si mesmo e olhar os problemas de um ângulo exterior. Dentro de casa, não é possível tal fuga e muitas vezes acabamos alienados aos nossos problemas, às nossas dificuldades.
Aqui em Uberlândia vou tendo a oportunidade de rever meus problemas e percebo a real dimensão deles. Ficou em Belo Horizonte uma batalha perdida e o gosto de sangue na boca. Fui derrotado por mim mesmo.
Tenho agora a oportunidade de me erguer de minha derrota. Ainda posso ser um vencedor, perdi apenas uma batalha e pelo visto há uma guerra inteira pela frente. Aqui sozinho neste quarto de hotel, vou percebendo minha real situação. Posso escutar minha respiração. Posso parar um pouco. Quem sabe eu não ouça Deus falar comigo. Mas Ele me observa atentamente e não diz nada. Não há ninguém aqui pra me dizer uma coisa qualquer. De repente, percebo o quão ruim é estar longe das pessoas, o quão ruim é estar sozinho.
Uberlândia é acima de tudo, uma cidade simpática. Sedutora, me faz querer morar aqui. Mas alguma coisa me diz que há um plano pra mim em Belo Horizonte. Cidade que eu amo, é como se de repente, nos braços da amante, se pensasse na esposa. Mas esta tem sido insensível ao meu desalento. Talvez nada possa fazer, mas Uberlândia me oferece colo. É uma coisa a se fazer...
Neste quarto de hotel, já passam das onze e provavelmente não pegarei no sono antes de uma da manhã. Automaticamente, vou trocando os canais de TV a procura de um assunto, a procura de um mote, ou mesmo algo que me faça dormir. Que saudade da minha amada! Não consigo dormir se não estou nos braços dela. Que falta ela me faz!
Mesmo que eu quisesse me enganar nos braços de uma outra, não conseguiria. E olha que Uberlândia oferece mulheres tão lindas como as belo-horizontinas! Mas meu coração pertence a uma baiana!
Tentarei dormir. Rolarei na cama de um lado para outro. Amanhã acordo cedo, começo cedo minhas atividades. Mas a minha essência, calejada, derrotada, destruída pelo mal da saudade não entende que preciso do sono. Não bastasse a falta da mulher amada, falta também o sono... Uberlândia é uma cidade bela, aprazível e mais bem cuidada que BH. E pelo pouco que percebo as pessoas, reconheço que ao menos se importam um pouco com os outros. O importar-se me deixa feliz. Que bom seria se resgatássemos esta virtude nos belo-horizontinos? Enquanto não podemos milagres, clamemos por um. E o meu milagre agora seria o calor do corpo de minha orquídea...

Uberlândia, 24 de setembro de 2008.

Um comentário:

Barbara disse...

Meu amado,

certamente,a distância nos faz enxergar quem somos,o que queremos e onde erramos..Uberlandia foi um pouso para essa reflexão.Mas continuemos caminhando,na certeza que em breve tudo dentro de vc se aquietará...pos estaras nos braços da amante,da esposa,da amada...
Estamos juntos!
Orquidea.