segunda-feira, 28 de agosto de 2017

240º dia, Nossa Senhora de Bolonha


Por Deiber Nunes Martins
A origem dessa devoção remonta segundo a lenda, o ano de 636, quando cristãos de Jerusalém e Antioquia, depositaram a imagem de Nossa Senhora em um pequeno barco, no Mar Mediterrâneo, buscando fugir dos ataques dos sarracenos. Milagrosamente, a pequena embarcação chegou ao porto da cidade de Bolonha ao norte da França. Os franceses recolheram a imagem com grande júbilo e a denominaram Nossa Senhora de Bolonha.
Tempos depois no século XVI, soldados das tropas do rei Henrique VIII saquearam Bolonha, e levaram consigo a imagem da Virgem. No meio do caminho, foram acometidos por uma peste e julgando ser castigo divino, retornaram e devolveram a imagem ao povo de Bolonha. Dois séculos mais tarde, protestantes franceses tentaram destruir a imagem, sem sucesso. Raivosos, enterraram-na nas proximidades do castelo de Houvault. Depois a desenterraram e a jogaram em um poço, cujo proprietário, tempos depois, converteu-se à fé católica e devolveu a imagem a seus donos.
Apenas alguns anos depois, a imagem foi novamente atacada. Dessa vez por hereges que acabaram logrando êxito e destruindo a imagem da qual se apoderaram. Os fiéis encontraram somente uma das mãos da imagem, que ainda hoje é venerada por muitos peregrinos.
Em 1814, um sacerdote parisiense foi até Bolonha e colocou no lugar da antiga imagem, uma cópia. O santuário foi reconstruído e elevado a condição de catedral, consagrada em 1866.
OREMOS:
Senhora de Bolonha, os acontecimentos adversos à vossa imagem, nos mostram como precisamos ser fortes nas atribulações e nas contrariedades da vida. Nem sempre as coisas saem como queremos. Ajuda-nos pois a acolher as adversidades com serenidade e a certeza de que são para nossa purificação e para honra e glória de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que saibamos colher dos infortúnios dessa vida, oportunidades reais de enriquecimento espiritual.
Nossa Senhora de Bolonha, velai por nós!
REFERÊNCIA:
BERALDI, Pe. Roque Vicente. 101 Títulos de Nossa Senhora na Devoção Popular. São Paulo: Ed. Ave Maria, 2012.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

233º dia, Nossa Senhora de Knock

Por Deiber Nunes Martins
Padre Cavanah era respeitado e querido por todos os fiéis da aldeia de Knock, no condado de Mayo, Irlanda. Ele era o prior de uma pequenina capela na aldeia, dedicada a São João Batista. Devoto de Nossa Senhora, comprometera-se com ela rezar pelas almas no Purgatório, cem missas.
No dia 21 de agosto de 1829, Padre Bartholomeu Cavanah rezou sua centésima missa em intenção as almas no Purgatório. Terminada a celebração, foi a aldeia visitar os paroquianos. Retornou sob forte chuva, que deixou suas roupas encharcadas. Pediu então a sua empregada, Mary McLoughin que cuidasse de secar suas roupas na lareira. A empregada, cumpriu as ordens do padre e saiu para visitar a amiga, Mary Beirne.
Mrs. McLoughin viu uma luz intensa iluminando três figuras, ao lado de fora da capela. Julgando as imagens de Nossa Senhora, São José e São João Evangelista, como aquisições de Padre Cavanah para a capela, e a intensa luz como efeito da bruma de fim de tarde, a adorná-las, a empregada seguiu rumo a casa de sua amiga. Nesse ínterim, a irmã de Mary Beirne, Margaret Beirne, foi a capela para fechá-la, como sempre fazia e também viu a luz forte do lado de fora da Igreja, mas não lhe deu muita atenção, nem comentou o fato com ninguém.
Só depois que sua irmã veio acompanhando a empregada do padre até a capela e também avistou as imagens, foi que as três mulheres entenderam o que de fato estavam vendo: a aparição de Nossa Senhora, São José e São João Evangelista, este último em trajes de bispo. Outras pessoas testemunharam a aparição, como a idosa Bridget Trench, que até tentou tocar nos santos, mas não conseguiu. Todos os que viram a aparição de Nossa Senhora, admiravam o fato dos santos se mexerem mas não dizerem nada. E tanto eles, quanto o padre Cavanah, presenciaram a partir de então, centenas de milagres e curas inexplicáveis ocorridos na região.
Indagando-se sobre os motivos da aparição milagrosa, a aldeia de Knock, os paroquianos chamaram a Virgem em alvas vestes, com uma brilhante coroa na cabeça, e em orante postura de Nossa Senhora do Silêncio.
Hoje, a capela, transformada em Santuário, em Knock Mhuire, na Irlanda, é um dos santuários mais visitados de toda a Europa.
OREMOS:
Nossa Senhora do Silêncio de Knock, teu silêncio nos diz tudo. A tudo guardas no coração e nos revelas em momentos oportunos de nossa vida, o que precisamos para estarmos próximos de Jesus. Tantas são as graças que, desejamos pedir, mas ao contemplar tua imagem alva e silenciosa, percebemos que o que mais precisamos pedir, nós já temos, que é o amor de Deus. Ajudai-nos, pois oh Mãe, a compreendermos o senhorio de Cristo em nossas vidas, para que próximos a Ele, saibamos evitar as armadilhas do maligno em nossos caminhos.
Nossa Senhora de Knock, velai por nós!
REFERÊNCIAS:
ZANON, Frei Darlei. Nossa Senhora de Todos os Nomes: Orações e História de 260 Títulos Marianos. São Paulo: Ed. Paulus, 2014.
Portal do Santuário Nacional de Aparecida. Disponível em http://www.a12.com/santuario-nacional/formacao/detalhes/nossa-senhora-do-silencio-knock-irlanda


domingo, 20 de agosto de 2017

232º dia, Nossa Senhora da Agonia

Por Deiber Nunes Martins
No século XIII, o Frei Jacopone de Todi compôs o poema “Stabat Mater Dolorosa”, dedicado à Nossa Senhora e que retrata toda a sua agonia junto à cruz de Jesus. Acredita-se que este poema seja a origem da devoção a Nossa Senhora da Agonia, um título que ficou muito conhecido na cidade de Viana do Castelo, em Portugal.
Lá, os fiéis faziam o percurso da Via-Sacra partindo do Convento Franciscano até o Morro da Forca, onde encerravam com a oração da 14ª Estação. Tempos depois, já no século XVIII, construíram neste morro, a Igreja dedicada a Nossa Senhora da Agonia. E a partir de 1783, a Igreja começou a celebrar todos os anos no dia 20 de agosto a esta festa mariana.
A imagem de Nossa Senhora da Agonia representa Maria de pé com as mãos postas uma em cima da outra a altura do peito. Um véu azul escuro cobre todo o corpo de Maria. Esta imagem lembra Nossa Senhora aos pés da cruz, conforme relata o Evangelho de João.
Nossa Senhora da Agonia é conhecida como a padroeira dos pescadores.
OREMOS: “Stabat Mater Dolorosa” (Estava a Mãe Dolorosa)
Estava a Mãe dolorosa, junto à cruz, lacrimosa,

Da qual pendia o Filho.

A espada atravessava,

Sua alma agoniada, entristecida e dolorida.

Quão triste e aflita estava ali a bendita,

Mãe do Unigênito!

Quão abatida, sofrida e trêmula via

O sofrimento do Filho divino.

Qual é o vivente que não chora,

Vendo a Mãe do Cristo em tamanho suplício?

Quem não ficaria triste,

Contemplando a mãe aflita, padecendo com seu Filho?

Por culpa de sua gente, ela viu Jesus torturado,

Submetido a flagelos.

Viu o Filho muito amado, morrendo abandonado,

Entregando o seu espírito.

Mãe, fonte de amor, que eu sinta a força da dor

Para poder contigo pranteá-lo.

Faz arder meu coração devido à partida do Cristo Deus,

Para que o possa agradar.

Santa Mãe, dá-me isto: trazer as chagas do Cristo

Cravadas no coração.

Com teu Filho, que por mim morre assim,

Quero o sofrimento partilhar.

Dá-me contigo chorar pelo crucificado

Enquanto vida eu tiver.

Junto à cruz quero estar e me juntar

Ao teu pranto de saudade.

Virgem das virgens radiante, não te amargures:

Dá-me contigo chorar.

Que a morte de Cristo permita,

Que de sua paixão eu partilhe,

E que suas chagas possa venerar.

Que pelas chagas eu seja atingido e pela Cruz inebriado

Pelo amor do Filho.

Animado e elevado por ti Virgem, eu seja defendido

No dia do juízo.

Amém.

REFERÊNCIAS:

BISINOTO, Pe. Eugênio. Conheça os Títulos de Nossa Senhora. Aparecida, SP: Ed. Santuário, 2010.

ZANON, Frei Darlei. Nossa Senhora de Todos os Nomes: Orações e História de 260 Títulos Marianos. São Paulo: Ed. Paulus, 2014.

sábado, 19 de agosto de 2017

231º dia, Nossa Senhora da Abadia


Por Deiber Nunes Martins
A devoção a Nossa Senhora da Abadia, começou no final do século IX, em Portugal, por conta de uma imagem de Nossa Senhora da Glória, que pertencia ao Mosteiro de Bouro. Daí Nossa Senhora da Abadia ser também conhecida como Santa Maria do Bouro.
Nesta época, os mouros invadiram a Península Ibérica e os monges do Bouro, temendo que que a imagem da Virgem Maria fosse profanada, esconderam-na. Passados muitos anos, os mouros já tinham sido expulsos de Portugal e da Espanha, e um fidalgo português de nome Pelágio Amado e um amigo eremita, passavam a noite na ermida de São Miguel, quando avistaram umas luzes no meio da mata. Foram verificar e descobriram a imagem escondida. Muito felizes e amparados pelo Arcebispo de Braga, construíram ali mesmo um santuário em honra a Nossa Senhora. Logo depois, outros eremitas chegaram e ajudaram na construção de um mosteiro, que o povo chamou de abadia.
Diversos milagres aconteceram na região e foram atribuídos à Virgem da Abadia. E assim ela passou a ser chamada: Nossa Senhora da Abadia. Com a colonização portuguesa, Nossa Senhora da Abadia chegou ao Brasil e hoje é a padroeira de algumas cidades em Minas Gerais, em Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo.
OREMOS:
Nossa Senhora da Abadia, intercedei por nós! Cuidai das nossas famílias, sobretudo dos nossos filhos. Ajudai-nos a educar nossos filhos em um mundo cada vez mais secularizado e frio. Olhai pelos doentes, por aqueles que sofrem nos leitos dos hospitais. Abençoai àqueles que dependem da saúde pública, para que mesmo diante do colapso das estruturas de saúde no Brasil, encontrem os cuidados médicos necessários para recuperarem a saúde.
Nossa Senhora da Abadia, rogai por nós!
REFERÊNCIAS:
BERALDI, Pe. Roque Vicente. 101 Títulos de Nossa Senhora na Devoção Popular. São Paulo: Ed. Ave Maria, 2012.
BISINOTO, Pe. Eugênio. Conheça os Títulos de Nossa Senhora. Aparecida, SP: Ed. Santuário, 2010.
ZANON, Frei Darlei. Nossa Senhora de Todos os Nomes. São Paulo: Ed. Paulus, 2014.



sexta-feira, 18 de agosto de 2017

230° dia, Nossa Senhora da Vitória


Por Deiber Nunes Martins
A origem do título de Nossa Senhora da Vitória possui três versões bem distintas, mas que explicam bem sua essência: a vitória de Deus contra o inimigo, que pode ser a presença dos mouros em terras espanholas; em outro momento na ameaça das forças navais muçulmanas. Em outra ocasião, o inimigo se personifica numa enfermidade, que pode tirar a vida da filha de uma mulher piedosa.
A primeira versão sobre o título vem do século XV quando os cristãos enfrentavam os mouros na Espanha e o rei Fernando da Espanha tentava expulsá-los de Granada. Dois frades, Bernardino de Cropalati e Giácomo L’Espervier foram enviados ao front de batalha para intercederem pelos exércitos do rei e motivá-lo naquela decisiva batalha. Três dias depois da chegada dos frades, em 18 de agosto de 1487, em meio a aguerridas batalhas, os mouros foram vencidos e expulsos da Espanha. O rei, em ação de graças, mandou construir uma capela em honra a Nossa Senhora da Vitória. E os frades passaram a ser conhecidos como Frades da Vitória.
A segunda versão do título de Nossa Senhora da Vitória vem da vitória obtida pelos exércitos cristãos na Batalha de Lepanto, na Grécia, em 1571. O Papa Pio V pediu aos cristãos que rezassem pedindo a proteção de Nossa Senhora aos exércitos aliados. Naquele momento da guerra, a Espanha havia feito uma aliança com Veneza, com o objetivo de impedir os avanços muçulmanos. Nossa Senhora atendeu ao clamor do povo católico e os exércitos do Papa Pio V venceram. Em agradecimento, o Sumo Pontífice conferiu à Virgem o título de Nossa Senhora da Vitória. A imagem da Virgem da Vitória traz Maria de pé, com o Menino Jesus no braço esquerdo e com a mão direita ela segura um estandarte ou uma palma, simbolizando a vitória.
A terceira versão surgiu no Brasil, na Bahia, no período colonial, quando o rei de Portugal Dom Manuel enviou Francisco Pereira Coutinho, para que este povoasse o território baiano. No entanto, Francisco não obteve êxito, visto a resistência indígena que encontrou na região. Tempos mais tarde, Dom João III, rei de Portugal, mandou Tomé de Souza à região com o mesmo intuito. E desta vez, os portugueses lograram êxito, vencendo a resistência dos índios e povoando o local. Local que passou a se chamar Cidade de São Salvador, ou Bahia de Todos os Santos. Lá, foi construída a primeira igreja matriz da Bahia, dedicada a Nossa Senhora da Vitória. Alguns anos mais tarde, uma senhora piedosa se derramou aos pés da imagem de Nossa Senhora, pedindo a graça da cura para sua filha, que desenganada pelos médicos, estava muito perto de morrer. A Mãe de Jesus, prontamente atendeu às súplicas daquela senhora que em agradecimento, mandou construir hospedarias para os romeiros que ali chegavam, para venerar a Mãe do Nosso Senhor.
OREMOS:
Nossa Senhora da Vitória, sede nossa vitória, diante dos embustes do inimigo. Ajudai-nos a vencer às tentações que nos afastam de Deus e a fortalecer nosso Espírito na fé e no amor ao Senhor. Que sempre sejamos servos fiéis e dedicados de Nosso Senhor. E que sempre alcancemos Dele a misericórdia e o perdão de nossas faltas, por vossa poderosa intercessão, Senhora da Vitória.
Nossa Senhora da Vitória, rogai por nós!
REFERÊNCIAS:
ADUCCI, Edésia. Maria e Seus Títulos Gloriosos. São Paulo: Ed. Loyola, 2003.
BISINOTO, Pe. Eugênio. Conheça os Títulos de Nossa Senhora. Aparecida, SP: Ed. Santuário, 2010.
ZANON, Frei Darlei. Nossa Senhora de Todos os Nomes: Orações e História de 260 Títulos Marianos. São Paulo: Ed. Paulus, 2014.



quinta-feira, 17 de agosto de 2017

229º dia, Nossa Senhora das Mercês


Por Deiber Nunes Martins
A palavra “Mercês” quer dizer misericórdia ou favor, algo feito por alguém que não tenha preço. O ato de libertar alguém cativo, prisioneiro de outrem, como o caso dos escravos foi uma “mercê”. Uma “mercê” da Mãe de Nosso Senhor.
No século XIII, os mouros escravizavam milhares de católicos. Diante de tal situação e pra fazer a vontade de Deus que não quer nenhum de seus filhos prisioneiro. Nossa Senhora apareceu a três homens, Pedro Nolasco, Raimundo Penhaforte, e o rei Jaime I, em 1º de agosto de 1218. Os videntes acederam ao clamor de Nossa Senhora e fundaram a Ordem Real e Militar de Nossa Senhora das Mercês. Desses homens, o militar Pedro Nolasco se destacou, por ter oferecido todos os seus bens pela libertação dos escravos. Tanto, que a Igreja tempos depois o proclamou santo: São Pedro Nolasco.
Após oferecer todos os seus bens pela causa dos escravos, São Pedro Nolasco, percorreu toda a Espanha, levantando fundos para continuar sua empreitada. Nesta empreitada, os religiosos da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, conhecidos como mercedários, serviam com votos de pobreza e muitas vezes se ofereciam como escravos para libertar outros escravos. De tão grande relevância a obra dos mercedários se tornou, que o Papa instituiu a festa de Nossa Senhora das Mercês a ser celebrada no mês de setembro.
No século XVII, a Ordem de Nossa Senhora das Mercês chegou ao Brasil, ganhando a adesão dos escravos negros. Sobretudo na cidade mineira de Ouro Preto, a Ordem dos Mercedários ganhou muito destaque, sendo muito comum encontrar pelo interior mineiro igrejas dedicadas à Virgem das Mercês.
Nossa Senhora das Mercês é a padroeira da República Dominicana e do Peru.
OREMOS:
Senhora das Mercês, libertai-nos de tudo o que nos escraviza. Quantos males, pecados e vícios nos prendem a esse mundo corrompido pela carne! Todo esse mal insiste a escravizar a humanidade que se deixa perecer nas coisas efêmeras, abrindo mão do Eterno de Deus. Não deixeis, oh Mãe, que entre seus filhos, seja assim! E libertai-nos, oh Mãe, de toda situação de escravidão.
Nossa Senhora das Mercês, rogai por nós!
REFERÊNCIAS:
ADUCCI, Edésia. Maria e Seus Títulos Gloriosos. São Paulo: Ed. Loyola, 2003.
BERALDI, Pe. Roque Vicente. 101 Títulos de Nossa Senhora na Devoção Popular. São Paulo: Ed. Ave Maria, 2012.
BISINOTO, Pe. Eugênio. Conheça os Títulos de Nossa Senhora. Aparecida, SP: Ed. Santuário, 2010.

ZANON, Frei Darlei. Nossa Senhora de Todos os Nomes: Orações e História de 260 Títulos Marianos. São Paulo: Ed. Paulus, 2014.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

228º dia, Nossa Senhora de Belém


Por Deiber Nunes Martins
Partia rumo a Belém na Judéia, para o recenseamento exigido pelo imperador, um pobre casal. Não encontrando pousada na cidade, recolheram-se em uma estrebaria, numa gruta. Como estava nos dias de dar a luz, o esposo fez, usando um cocho, uma manjedoura, para acolher ao menino que acabara de nascer. Este Menino era o Filho de Deus, Jesus Cristo e sua Mãe, Maria Santíssima, Nossa Senhora de Belém.
Em memória deste fato, o imperador Constantino, recém convertido ao cristianismo, no ano 330, mandou construir na gruta da Natividade de Nosso Senhor, um santuário, dedicado a Maria. E esta devoção ganhou o mundo. Tempos mais tarde, chegou a Portugal, trazida por peregrinos vindos do Oriente. Conquistando a simpatia do fundador da Escola de Sagres, Dom Henrique, que mandou construir na praia do Restelo, em Lisboa, uma igreja dedicada a Virgem de Belém, para que os navegadores pudessem a ela recorrer, quando de suas expedições.
Por meio dos colonizadores portugueses, Nossa Senhora de Belém foi trazida ao Brasil, dando inclusive nome a cidade de Belém no Pará. E em outras cidades brasileiras, onde é a padroeira, como em Guarapuava no Paraná. Nossa Senhora de Belém é representada tendo em seu colo o Menino Jesus mais crescido, segurando sua mão.
OREMOS:
Mãe de Nosso Senhor, rogai por nós vossos filhos. Reconhecemos que na vida teremos dificuldades e não queremos fugir delas, tampouco de nossos problemas. Mas pedimos vosso auxílio, nas lutas diárias, onde muitas vezes nos afligimos pela falta de vinho à mesa de nossa família, ou pela falta de lugar para o nosso repouso. Problemas esses que muitas vezes representam uma forma de fortalecimento da nossa humanidade, para que sejamos guerreiros vigorosos em nossas batalhas espirituais.
Vemos vosso exemplo de vida em Belém. Quem mais teria motivos para exigir de Deus e dos homens, o conforto necessário para trazer ao mundo o Rei dos Reis? Entretanto, Mãe, silenciastes diante da dificuldade, não por resignação, mas por confiança, por certeza. E muitas vezes, Mãe, perdemos esta confiança, esta fé viva, pulsante, quando a dificuldade bate à nossa porta. Ajuda-nos, Mãe, a mantermos firmes diante das dificuldades deste mundo.
Nossa Senhora de Belém, velai por nós!
REFERÊNCIAS:
ADUCCI, Edésia. Maria e Seus Títulos Gloriosos. São Paulo: Ed. Loyola, 2003.
BERALDI, Pe. Roque Vicente. 101 Títulos de Nossa Senhora na Devoção Popular. São Paulo: Ed. Ave Maria, 2012.
BISINOTO, Pe. Eugênio. Conheça os Títulos de Nossa Senhora. Aparecida, SP: Ed. Santuário, 2010.

ZANON, Frei Darlei. Nossa Senhora de Todos os Nomes: Orações e História de 260 Títulos Marianos. São Paulo: Ed. Paulus, 2014.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

227º dia, Nossa Senhora da Assunção


Por Deiber Nunes Martins
A Assunção de Maria é celebrada desde o início do Cristianismo. Mas tornou-se oficial nas Igrejas do Oriente, no século VII, com a festa da Dormitio (Dormição de Nossa Senhora). A Dormitio era a festa da passagem de Maria desta vida, para a Glória Celeste.
O Papa Sérgio I levou a Dormitio para as Igrejas do Ocidente, ainda no século VII. No século VIII a festa da Dormição de Maria deu lugar à Festa da Assunção e se espalhou pelas Igrejas do Ocidente, ao longo do século IX.
Tanto a Dormitio, quanto a Festa da Assunção de Nossa Senhora, serviram de subsídio e motivação para que em 1950, o Papa Pio XII, atendendo aos clamores da Igreja, proclamasse a Assunção de Maria como dogma de fé, conforme nos mostra trecho do documento a seguir:
"Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos s. Pedro e s. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial". (Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, 44)
Assim como reconhece o Magistério da Igreja, que aquela que gerou, deu a luz, amamentou e cuidou do Próprio Deus, não poderia virar cinza ou pó da terra. Tampouco precisaria esperar o fim dos tempos para ter seu corpo ressuscitado.
A festa da Assunção de Nossa Senhora é comemorada no dia 15 de agosto. No Brasil, por determinação da Conferência Nacional dos Bispos, CNBB, a festa é celebrada no domingo posterior à data, quando esta cai em dia de semana.
OREMOS:
Mãe Gloriosa, mostrai a vossos filhos, a importância desse dogma de fé tão importante quanto o da Imaculada Conceição. Infelizmente, muitos católicos não valorizam como se deve o fato de que fostes elevada ao Céu. Preferem crer conforme as limitações de seus entendimentos, sem perceber que os mistérios do Senhor não existem para a nossa compreensão.
Ajudai, pois oh Mãe, vossos filhos católicos compreenderem o valor de seguirmos sempre o que nos ensina nossa Mãe Igreja, por meio de sua doutrina, seu Magistério e a sabedoria dos Papas. Que nunca nos falte acolhimento e compreensão ao que nos ensina a Igreja.
Nossa Senhora da Assunção, rogai por nós!
REFERÊNCIAS:
BISINOTO, Pe. Eugênio. Conheça os Títulos de Nossa Senhora. Aparecida, SP: Ed. Santuário, 2010.
ZANON, Frei Darlei. Nossa Senhora de Todos os Nomes: Orações e História de 260 Títulos Marianos. São Paulo: Ed. Paulus, 2014.
Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, do Papa Pio XII, Vaticano, 1950.



segunda-feira, 14 de agosto de 2017

226º dia, Nossa Senhora dos Humildes


Por Deiber Nunes Martins
Este título se deve ao exemplo que a Mãe de Jesus nos dá, sobre a humildade. Maria é a Mãe dos Humildes porque ela mesma, tão logo recebeu do anjo a incumbência de ser a Mãe do Salvador, se pôs a serviço, dizendo “Eis aqui a serva do Senhor. (Lc 1, 38). Muitas vezes, recebemos de alguém uma incumbência, uma missão e queremos discutir, dizendo: “Isso não é comigo, é com fulano!”. Outras vezes queremos discutir nossa capacidade para tal função, querendo fazer as tarefas mais complexas, condizentes com nossas habilidades, desprezando aquelas mais simples. Não que ser a Mãe de Nosso Senhor fosse uma tarefa simplória, muitíssimo longe disso, mas Nossa Senhora tem a humildade de se colocar como serva.
Os humildes são aqueles que merecem ser servidos, mas se colocam a serviço. Nossa Senhora nos ensina isso também, quando já sabendo que trazia no ventre o Filho de Deus, se pôs a caminho da casa de sua prima Isabel. E foi servir à prima, que em idade avançada, estava lidando com a gestação de João Batista. Uma pessoa humilde tem a habilidade singular de se colocar no lugar do outro, antes mesmo de si própria.
A vida de Nossa Senhora é uma sucessão de lições de humildade. Ainda mais em um mundo competitivo, como o nosso. Num primeiro momento, as pessoas não reconhecem o humilde, até mesmo porque não enxergam, em meio a uma multidão ávida pelos minutos de fama, reconhecimento. É preciso um outro olhar, mais detalhado, mais perscrutador, para ver o humilde se destacar frente aos outros. E a pessoa humilde sempre se destaca, porque ela se apequena diante da arrogância – “Eu sou pequeno, o outro é que é grande”.
Talvez os teólogos, os estudiosos da vida de Cristo, tenham num primeiro olhar se detido no Deus Homem, em sua humildade, em sua mansidão. Mas logo se depararam também com a humildade de Maria. Logo perceberam que Jesus tinha a quem puxar. Por isso, Nossa Senhora é também a Nossa Senhora dos Humildes.
OREMOS:
Virgem Santa, como precisamos aprender contigo a humildade! Ensina-nos a nos calar quando o momento requer que nosso eu se cale, para Deus falar. Ensina-nos a dádiva de sermos servos. A graça de servir, do serviço. Que sejamos sempre disponíveis para o outro, sem olhar com desdém para a mais básica das tarefas. Que saibamos esperar pelo nosso mérito, sem reivindicar o lugar dos outros. Dá-nos a empatia que tanto marcou vossos caminhos. Ensina-nos a nos colocar no lugar do outro, fazendo com que o outro cresça na nossa presença, cresça em Deus.
Nossa Senhora dos Humildes, rogai por nós!
REFERÊNCIA:

ZANON, Frei Darlei. Nossa Senhora de Todos os Nomes: Orações e História de 260 Títulos Marianos. São Paulo: Ed. Paulus, 2014. 

domingo, 13 de agosto de 2017

225º dia, Nossa Senhora da Candelária

Por Deiber Nunes Martins
No século XIV, numa gruta em Chimisay, na ilha de Tenerife, nas Canárias, dois pastores guardavam o rebanho numa gruta. Num certo dia, como o gado se recusava a entrar na gruta, os homens o fizeram e se depararam com uma bela imagem de mulher, no interior da caverna. Como não eram cristãos, aqueles homens não sabiam de quem se tratava, mas ficaram admirados e chamaram as pessoas da aldeia para verem a imagem.
Quando voltaram, além da imagem na gruta, havia velas (candeias) acesas suspensas ao redor da imagem. Mesmo sem conhecer, os nativos da região passaram a cultuar a imagem de Maria. No século XV, quando os espanhóis chegaram até as Ilhas Canárias, foi explicado aos nativos, os mistérios da Mãe de Jesus.
Por essa razão, tempos mais tarde quando os missionários da Companhia de Jesus aportaram na região, não tiveram maiores dificuldades para evangelizar aquele povo, que já era devoto mariano.
O nome Nossa Senhora da Candelária, deve-se às velas acesas ao redor da imagem. No século XVII, foi construído em Tenerife, uma imagem em honra a Maria. A imagem mariana ficou neste templo até desaparecer em 1826, quando a ilha foi inundada. Uma nova imagem foi esculpida à semelhança da anterior. Em 1867, o Papa Pio IX, proclamou Nossa Senhora da Candelária, padroeira do arquipélago.
OREMOS:
Nossa Senhora da Candelária, iluminai nossos caminhos. Afastai-nos das trevas do pecado. Que por vossa proteção, que tanto recorremos, os inimigos do Senhor se afastem de nós e possamos assim seguir com fé e determinação, no caminho do Senhor. Que nenhuma tentação deste mundo nos afaste do objetivo maior de nossa vida, que é o Reino dos Céus.
Nossa Senhora da Candelária, rogai por nós!
REFERÊNCIAS:
ADUCCI, Edésia. Maria e Seus Títulos Gloriosos. São Paulo: Ed. Loyola, 2003.
BERALDI, Pe. Roque Vicente. 101 Títulos de Nossa Senhora na Devoção Popular. São Paulo: Ed. Ave Maria, 2012.
BISINOTO, Pe. Eugênio. Conheça os Títulos de Nossa Senhora. Aparecida, SP: Ed. Santuário, 2010.
ZANON, Frei Darlei. Nossa Senhora de Todos os Nomes: Orações e História de 260 Títulos Marianos. São Paulo: Ed. Paulus, 2014.



sábado, 12 de agosto de 2017

224º dia, Nossa Senhora da Alegria


Por Deiber Nunes Martins
A devoção a Nossa Senhora da Alegria tem sua origem no séc. XII com as cruzadas. Segundo a tradição, três irmãos cavaleiros franceses, alistaram-se nas cruzadas e viajaram para a Palestina, no intuito de ajudar os cristãos nos ataques sofridos pelos muçulmanos.
No entanto, não lograram êxito, foram derrotados pelos muçulmanos e capturados pelos egípcios. O sultão tentou de todas as maneiras persuadir seus prisioneiros a renegarem a fé católica, mas eles se mantiveram firmes. Vendo a firmeza daqueles homens em defenderem a fé, o sultão enviou Isméria, sua própria filha, para persuadi-los a se converterem ao islã.
Os três irmãos mostraram à Isméria o Evangelho de Jesus. E a moça quis conhecer quem era a Mãe do Salvador. Então, eles começaram a esculpir uma imagem da Virgem Maria. Findado o dia, deixaram a imagem inacabada, tencionando concluí-la no dia seguinte. No entanto, de forma milagrosa, quando acordaram no dia seguinte, a imagem já estava pronta.
Quando Isméria viu a imagem, ficou maravilhada com a beleza de Maria. E mais ainda com a mensagem de Jesus, passada pelos cavaleiros. Convertida, ela libertou os três irmãos e fugiu com eles. Após um dia de caminhada, adormeceram e ao despertarem, tinham sido levados milagrosamente para o bosque do castelo da mãe dos cavaleiros, na França. Após esse prodígio, construíram naquele bosque, a Igreja de Nossa Senhora da Alegria, que se tornou um centro de peregrinação mariana.
Nossa Senhora da Alegria tempos mais tarde, em 1993, apareceu a uma jovem americana, na cidade de Emmitsburg, nos EUA. Nas diversas aparições, Maria deixou a mensagem de conversão e humildade a seus filhos. Pedia ela insistentemente que seus filhos amassem uns aos outros.
A imagem da Virgem da Alegria apresenta Maria de pé, com seu Filho sentado em seu braço esquerdo com os braços abertos. As feições da Mãe de Deus revelam júbilo.
OREMOS:
Oh Mãe da Alegria, curai os nossos corações das feridas que nos causam tristeza de alma. Livrai-nos do flagelo da depressão e fazei com que saibamos ter um coração adorador, generoso e alegre. Que a gratidão preencha nossa vida e a nossa existência, pois somente por meio de um coração agradecido é que a verdadeira alegria que provêm de Deus, pode elevar a nossa vida.
Nossa Senhora da Alegria, rogai por nós!
REFERÊNCIAS:
BISINOTO, Pe. Eugênio. Conheça os Títulos de Nossa Senhora. Aparecida, SP, Ed. Santuário, 2010.

ZANON, Frei Darlei. Nossa Senhora de Todos os Nomes – Orações e história de 260 títulos marianos. São Paulo, Ed. Paulus, 2014.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

223º dia, Nossa Senhora da Ajuda

Por Deiber Nunes Martins
A devoção a Nossa Senhora da Ajuda tem sua origem em Portugal, mais precisamente na praia do Restelo, em Lisboa. Na época das grandes navegações, os marujos recorriam à proteção da Virgem Maria e só navegavam com a imagem dela. Imagem essa que representa Maria em pé, com o Menino Jesus em seu braço esquerdo e a mão direita em um gesto de bênção.
Por meio dos jesuítas, a devoção chegou ao Brasil, no século XVI. Se instalaram em Porto Seguro e Salvador, na Bahia, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Em Porto Seguro, os jesuítas liderados pelo Padre Pires, quiseram construir um templo em honra a Nossa Senhora. No entanto, o local que escolheram para a construção era de difícil acesso e ninguém da comunidade quis ajudar na obra. Desse modo, o padre reunião seus colegas religiosos e eles próprios empreenderam o trabalho.
Porém nos arredores não havia rios, ou mesmo córregos, onde pudessem buscar água. Pediram a um colono da região para usar a água de um pequeno açude em seu terreno. Mas o colono se assustou com o volume de água que estavam usando e temendo prejudicar a irrigação de sua lavoura, proibiu o uso daquela água.
A proibição do uso da água desanimou os religiosos, que, motivados pelo padre Francisco Pires, celebraram uma missa, implorando Nossa Senhora que lhes fornecesse água para a construção do templo. Ao final da celebração, das raízes de uma árvore em frente as obras, começou a jorrar água. Em agradecimento, os padres começaram a cantar o Te Deum, e resolveram dar ao templo o nome de Nossa Senhora da Ajuda.
OREMOS: Ave Maria
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do Vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.
Nossa Senhora da Ajuda, ajudai-nos na caminhada. Não deixeis que esmoreçamos no meio do caminho, nem percamos a motivação, o ânimo. Que nunca nos falte determinação e perseverança pra fazermos a vontade de Deus.
Nossa Senhora da Ajuda, rogai por nós!
REFERÊNCIAS:
ADUCCI, Edésia. Maria e Seus Títulos Gloriosos. São Paulo: Ed. Loyola, 2003.
BERALDI, Pe. Roque Vicente. 101 Títulos de Nossa Senhora na Devoção Popular. São Paulo: Ed. Ave Maria, 2012.
BISINOTO, Pe. Eugênio. Conheça os Títulos de Nossa Senhora. Aparecida, SP: Ed. Santuário, 2010.
ZANON, Frei Darlei. Nossa Senhora de Todos os Nomes: Orações e História de 260 Títulos Marianos. São Paulo: Ed. Paulus, 2014.