domingo, 2 de novembro de 2008

Galo e Cruzeiro


Música: Vander Lee
Texto: Deiber Nunes Martins

Minha Preta não fala comigo
Desde primeiro de janeiro.
Ela me deu a mala eu fui dormir na sala,
fiquei sem dinheiro.
Não tem mais feijoada, nem vaca atolada,
Rabada ou tropeiro.
Já fez greve de cama diz que não me ama,
Quebrou meu pandeiro
Na hora do cruzamento, ela deu impedimento
Ou falta no goleiro
Pra aumentar meu tormento, meu irmão
Eu sou Galo e ela é Cruzeiro
Com o gol anulado, saí do gramado, voltei pro chuveiro
Isso tudo porque, meu irmão,
Eu sou Galo e ela é Cruzeiro
Caí de centroavante,
Pra médio-volante, agora sou zagueiro,
No último domingo ela foi jogar bingo
E eu fiquei de copeiro
Ela fala, eu me calo, ela canta de galo
Lá no meu terreiro
Ela apita esse jogo, ela é quem bota fogo
No nosso palheiro,
Ela finge que não, mas no seu coração
Ainda sou artilheiro,
Só faz isso porque, meu irmão
Eu sou Galo e ela é Cruzeiro...



Uma coisa interessante é a diferença entre homens e mulheres. Por mais que esperemos encontrar nossa cara metade parecida com nós mesmos, devemos perder a ilusão deste encontro. Felizmente, existem as diferenças para temperar o relacionamento, impedindo que este se torne monótono. Chato seria se o homem pensasse igual a mulher e a recíproca fosse verdadeira. Melhor é pensar diferente, ser diferente e viver como um só. Seja ele Galo e ou ela, Cruzeiro...
Estou longe de ser igual a minha amada. Temos inúmeras diferenças. Mas são nestas diferenças de temperamento, de opiniões que nos completamos. Podemos ter uma visão mais abrangente das coisas e das situações, vendo por ângulos diferentes, de acordo com nossas personalidades. Eu sou Galo e ela, Botafogo, isso hoje, em dia de jogo entre os dois. Mas quem disse que isso é importante? Também não é importante ela ser coração e eu razão. Ou ela ser democrata e eu republicano. Ou ela ser comunicativa e eu introspectivo. A importância está nas diferentes posições que tomamos como um enriquecimento ao nosso diálogo, ao nosso convívio e ao aprendizado. É importante a diferença! A soma vem das diferenças.
Assim, quem disse que ser Galo ela, Cruzeiro tem alguma importância? Preto e Branco com o azul podem formar o par ideal. O importante é serem um só.

Belo Horizonte, 02 de Novembro de 2008.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Blindness


Por Deiber Nunes Martins

É complexo o novo filme de Fernando Meirelles (Cidade de Deus). "Blindness" (Ensaios sobre a Cegueira) é inspirado na obra de José Saramago e conta a história de uma epidemia de cegueira branca que assola um determinado lugar. O filme conta com a presença de Mark Ruffalo, Gael Garcia Bernal, Danny Glover, além da ótima Julianne Moore. O filme é provocante, desafiador e complexo, vejamos por que.
Ensaios sobre a Cegueira foi considerada uma obra de dificílima adaptação para o cinema. Tanto que seduziu Fernando Meirelles, para fazê-lo. E ele já tinha tentado há tempos atrás comprar os direitos da obra, sem nenhum sucesso. Mas o nosso maior cineasta na atualidade não se deu por vencido e acabou sendo eleito por José Saramago, como o único capaz de colocar em prática tal projeto.
E Meirelles dá conta do recado. Construindo um filme denso com imagens perturbadoras e jogos de luz fantásticos, ele conta a história sem nenhuma amarração ou buraco. Há que elogiar ainda o roteiro bem escrito e a montagem, quase que perfeita. Realçando o clima tenso do filme, uma trilha sonora na mesma pegada e fechando com chave de ouro, com uma fotografia digna de prêmio. Singela e primorosa.
Mas talvez o grande mérito do filme de Meirelles seja Julianne Moore. Na pele da mulher do médico, única no planeta a não se infectar pela doença, ela transmite brilhantemente a emoção impossível de ser imaginada. E na verdade, a obra de Saramago reflete isso: a cegueira branca nada mais é para nós, na vida real, como as emoções que não sentimos. A empatia que não podemos ter. E nisso o filme cumpre bem a sua missão. Mostra como não estamos sozinhos, apesar de não enxergamos um palmo a frente do nariz.

Belo Horizonte, 31 de Outubro de 2008.

domingo, 26 de outubro de 2008

Pornografia, Política e Democracia nas Eleições em BH


Por Deiber Nunes Martins

As eleições estão chegando ao fim. Finalmente, o clima de guerra política dará lugar ao clima de paz e gozações dos vencedores aos vencidos. Frutos do Brasil. Festa da democracia? Não ouso dizer.
Em Belo Horizonte foi armado um clima de guerra para o segundo turno. O candidato apoiado pelo poder econômico e pela máquina pública, Márcio Lacerda, visto que não tinha nenhum carisma perante a população, tratou de atacar o oponente, Leonardo Quintão, usando de metodologia torpe e recursos amorais para isso. Após uma seqüência de ataques, revidados erroneamente pelo candidato Quintão, vê-se como certa a vitória do chamado “candidato da aliança” Márcio Lacerda.
Se houve ou se haverá democracia, só Deus quem pode dizer. Apenas reitero o seguinte, o povo não sabe escolher e a voz de Deus está longe de ser ilustrada pela voz do povo, visto que com tantos candidatos, escolheram os piores para o segundo turno, aqui na capital das gerais.
Infelizmente, o Brasil é este poço de desonestos e corruptos, uma corja de ladrões e canalhas. Bando de gente querendo levar vantagem em tudo. Seja na fila do supermercado ou num processo de licitação pública, o brasileiro acostumou-se com a desonestidade e acha democrático, ser amoral. Não dá nem pra olhar a questão com nostalgia, visto que desde que o mundo é mundo é assim. Veio de Portugal. Quem sabe, não veio de Portugal?
Hoje, enquanto votava, via centenas de cabos eleitorais do potencial vencedor às portas das sessões. Não vi propaganda de boca-de-urna mas vi os asseclas vestindo o uniforme 40 e em clima de festa. Não vi um só cabo eleitoral estampando o número 15 no uniforme. Já que desrespeitaram a lei, que o desrespeito fosse igualitário! Ontem, sábado, já havia recebido em minha caixa de correios um DVD com os dizeres: “Quintal do Quintão”, com fortes ataques e acusações a este candidato. Como se eu estivesse preocupado em julgá-lo. Eu não estava. Assim como não estava preocupado em julgar o candidato Márcio Lacerda, mesmo sabendo que ele era um dos participantes do nefasto esquema do “mensalão”. Na verdade, eu queria apenas exercer meu direito de cidadania, escolhendo um candidato que tivesse as melhores propostas para conduzir BH, a cidade do meu coração, ao terceiro milênio. Infelizmente, não me foi permitida a função que me cabia, a de eleitor. E sim a de julgador. Quem é menos bandido que o outro? Coube a mim e meus conterrâneos escolher. E escolhemos pressionados. Sob a pressão do governador do estado, sob a pressão do atual prefeito. Pessoas que tinham interesses em jogo, que eram muitos. Menos o de melhor para esta cidade. Como se não bastasse, ainda enfrentamos a pressão de movimentos da Igreja, seduzidos por um ou por outro candidato. Preocupados com interesses pessoais e com sede de qualquer coisa, menos de Deus, no discurso.
Enfim, as eleições de hoje, só comprovam o que eu já sabia: o voto do brasileiro é uma piada. De muito mal gosto. A urna é uma latrina onde o brasileiro não vota, defeca. Enquanto se defeca o futuro do nosso país, vemos impassíveis a pornografia política no Brasil. A democracia no Brasil é feita no esgoto. Pro inferno com ela.

Belo Horizonte, 26 de outubro de 2008.

Inania Verba

Por Olavo Bilac

Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava,
O que a boca não diz, o que a mão não escreve?
- Ardes, sangras, pregada à tua cruz, e, em breve,
Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava…

O pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:
A forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve…
E a Palavra pesada abafa a Idéia leve,
Que, perfume e clarão, refulgia e voava.

Quem o molde achará para a expressão de tudo?
Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas
Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta?

E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?
E as palavras de fé que nunca foram ditas?
E as confissões de amor que morrem na garganta?

Until the Last Moment


Por Deiber Nunes Martins

Tenho andado pelas ruas e percebido um jeito novo de ver a cidade. Um lugar onde nasci e me criei. Uma cidade que recentemente vim a conhecer por completo. E hoje remonta em minha mente, as lembranças mais felizes. Vejo com nostalgia alguns momentos, algumas situações, emoções. Desejos que tive e tenho. Não sou mais o mesmo e não pertenço mais a esta cidade. Quanta coisa mudou!
Há muito tempo tenho quisto me dizer muita coisa, sem ao menos conseguir. É chegada a hora de eu ser sincero comigo mesmo. Não sou mais o garotinho de antes. Não sou tão indefeso assim. Sou um homem em busca do seu caminho, ave de rapina poderosa, buscando alçar vôos cada vez mais altos. Apostas cada vez mais arriscadas. A vida é uma aposta. E eu não pertenço mais a esta cidade.
As ruas da cidade ficaram mais estreitas. De repente, me vejo andando de carro pelas ruas que caminhava quando garoto. As meninas que brincavam de boneca e amarelinha hoje são mulheres lindas, com seus olhares sensuais e ainda jeito de menina estampado em cada face. As mulheres de hoje, eram as meninas de ontem. Cada uma imersa em sua própria beleza. Olho na esquina próxima e me lembro: não pertenço mais a esta cidade.
Meu desejo se soltou das cercanias desta cidade. Minha vida ganhou nova fronteira. Os rearranjos políticos e econômicos do meu território delinearam novos horizontes para mim. Talvez eu tenha rompido o cordão umbilical. Mas ainda sinto-me preso ao desatino, às paixões. Não pertencer a esta cidade significa pertencer ao mundo ou ser de Deus. Prefiro Deus. O mundo não é o bastante para mim. Eu quero sempre mais!
Meu desejo de ir além é que me invade, me domina. Se ontem eu errei, foi pensando no acerto de hoje ou no do amanhã. Nunca quis ficar limitado. Mas quanto mais estou no controle, mas limitado eu sou. Então, fora com o meu controle. Vontade apenas de ir além e fazer a diferença.
Em busca de mim mesmo eu vou até o último momento. Vou além do meu limite. Quero me encontrar mas preciso encontrar o meu amor. Perdida em outra cidade ela está Eu estou perdido aqui. Mas quero estar perdido nela, nos braços da amada. Nas cercanias do corpo de minha Mulher. É onde quero estar. Até ela eu irei até o último instante, o derradeiro momento de minha vida, se preciso for. E mesmo que eu não chegue, deixarei para a história o meu caminho.
Ao ver a cidade de um jeito novo, eu percebo que cresci. E como é bom saber que não fiquei para trás.

Belo Horizonte, 26 de outubro de 2008.

sábado, 25 de outubro de 2008

Denise


Por Deiber Nunes Martins

Só quem nunca amou, pode-se dizer não sentir dor. Sempre amei Denise, minha esposa. E em meu amor, sempre sofri. Sofri o que não se sente. Mas se vive. O amor é como um drama, ou uma tragicomédia que nunca queremos que chegue ao seu desfecho. Assim é meu coração.
Às vezes me deito e durmo mas sinto que minha amada está acordada. Por vezes percebo que ela não dorme comigo. Sua mente sempre divaga por lugares aos quais eu nunca passei. Seu coração experimenta emoções as quais eu nunca vivi, nunca senti. Meu amor por ela é infinito, mas limitado ao seu coração. Não posso fazer com que ela me ame da maneira que quero. Seu amor por mim é íntegro, racional. E compartilhado.
Quando estamos em família, em grupo, ou às vezes sozinhos, dói-me na alma quando ela fala que sente saudades de Olinda, onde passara boa parte de sua vida. Entendo que naquele lugar minha mulher viveu um grande amor. O amor que eu queria dela, talvez tenha se perdido ali. Nas ruas daquela cidade de Pernambuco...
O coração de uma mulher é uma caixa preta cheia de segredos. Segredos aos quais um homem nunca pode chegar. Nós homens morremos sem saber os sentimentos mais íntimos de nossas mulheres. Somos incapazes de perscrutar seus corações e viver com ela as maravilhas de um prazer que para nós é tão percebido, tão suspeito, tão natural. As mulheres ao contrário de nós homens levam para o túmulo amores vividos, casos e acasos, rotina e inesperado. De tormenta e calmaria é feito o coração de uma mulher.
E com Denise nunca foi diferente. Ela me ama com um ardor febril. Seu sexo é alma vivente que me inunda de prazer. Sua vida exala amor por mim. E no entanto, eu sei, este amor é compartido. Este amor não-exclusivo é o que eu tenho. Não é o que me serve. Mas o que posso esperar dela por mim. E nada mais.
Quando minha amada esposa traz suas reminiscências à baila, ela traz seus segredos ocultos sem os revelar. Seus olhos brilham por lembrar-se de Olinda, aquela cidade para muitos, aprazível do nordeste, para mim é odiada. Queria que ela queimasse no inferno, e deixasse aqui o meu doce amor. Somente aqui. Queria sim. O amor nos torna bons, mas também fracos e egocêntricos, quando não é completo. E eu sempre soube que Denise não me amava como eu queria...
Talvez o coração de minha mulher, ainda bata pelo amor que ela teve em Olinda. Um amor improvável, que não se concretizou. Mas que ainda mexe com minha amada. De todo modo, eu nada posso fazer. Não se manda no coração. Que dirá no coração da mulher amada. Resigno à minha insignificância. Ao naco de amor que me cabe. A um quase nada perante o meu sempre tudo.
Mas perguntem-me se troco a minha vida! Perguntem se renuncio ao meu amor! Renuncio à vida, mas nunca ao meu amor por Denise. E neste meu amor irrenunciável, vivo feliz. Por toda a vida.

Belo Horizonte, 25 de outubro de 2008.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Oxigênio


Música: Jota Quest
Texto: Deiber Nunes Martins

Mesmo com a fumaça
Dá para ver
A incessante sinfonia
Da floresta
Respirando pelo mundo
Vendo tudo acontecer
Mesmo com a fumaça
Dá para ouvir
O som intermitente
Das corredeiras
E a cachoreira da fumaça
Vendo tudo acontecer

Dá para ver
Que ainda é possível voar
Dá para ver
Que o mundo ainda é verde
E o ar, oxigênio
Mesmo com a fumaça
Oxigênio
Mesmo com a fumaça
Oxigênio


Mesmo com a fumaça, oxigênio. Mesmo com os medos, caminhar em frente. Mesmo com a tristeza, o sorriso. Mesmo com a dor, o bom humor. Mesmo com o cair, o levantar.
É com a certeza de que é preciso prosseguir, que venceremos as batalhas da vida. E talvez eu tenha motivos para dizer isso, ou talvez não. Talvez eu não tenha motivos para estar triste, mas eu fico triste. Me sinto triste as vezes. Mas a tristeza passa. E meu sorriso sem graça também.
Hoje foi um dia de derrotas. Batalhas perdidas. Mas a guerra segue em frente. Mesmo com a fumaça, há oxigênio. A vida não pára, o tempo não pára. Só resta o gosto de sangue na boca e um desejo febril de voltar atrás, e desistir de tudo. Quando eu não estou no controle, me sinto impotente, me sinto um nada. A vozinha dizendo no ouvido: desista, abra mão disso ou daquilo soa forte no ouvido da alma. O poema das lamúrias é declamado no livro da mente. Mas dá tempo de olhar no espelho e ver a miséria que se é. Um poço de fraquezas, pecados. Mas há um coração que bate. Então, vou em frente.
Daqui pra frente deverá ser assim. Não estar no controle. Ser destituído do poder de ser o senhor do bem e do mal. E assim ser liberto de mim mesmo. É o que quero. Mas tá doendo. E não tem remédio que cure esta dor. Não tem droga que anestesie esta dor rombuda que estraçalha meu ser. Mas é preciso continuar porque dá pra ver que é possível voar, é possível sonhar, é possível viver. É possível ser feliz. Vamos lá. Em frente. Que Deus esteja comigo! E com você também!

Belo Horizonte, 22 de Outubro de 2008.

domingo, 12 de outubro de 2008

Nossa Senhora Aparecida


Por Deiber Nunes Martins

A Virgem Maria, mãe de Jesus, é a nossa intercessora mais poderosa. Afinal, é a mãe do nosso Deus. E o que um bom filho não faz por sua mãe? Pois bem, Nossa Senhora Aparecida tem em seu santuário na cidade de Aparecida, em São Paulo, uma prova de como o povo brasileiro lhe é grato e de quanto este povo a venera.
É impressionante ver a fé de um povo sofrido, humilhado, chagado pelas mazelas de uma sociedade que não se importa, que não é merecedora de tantas graças mas que conta com a eterna misericórdia do Pai, que de tão bondoso que é, nos faz ousar dizer: Deus é brasileiro!
Fé que se traduz em obras, que se traduz em sangue, suor e lágrimas. Não fosse pela fé, não chegaríamos em Aparecida sem sermos tomados por uma paz tão plena, que parece elevar a alma. Aquela cidade tem Fé. Fé em plenitude. Não fosse pela fé, o Vale do Paraíba em São Paulo não seria tão gostoso de estar e de sentir. Não fosse pela fé, Aparecida do Norte não teria tanta história pra contar...
Sempre me recordo do relato da mãe de um jovem, afixado na sala das promessas, na basílica nova. Segundo o relato, um testemunho marcante do poder Deus pela intercessão da Virgem de Aparecida, o jovem havia sofrido um grave acidente. Uma carreta havia passado por cima de sua moto, causando-lhe fraturas e ferimentos terríveis. Tão logo sua mãe tomou conhecimento do acidente, colocou o filho sobre os cuidados da Virgem. E rezou clamando pelo milagre. Sua fé foi recompensada e e em menos de cinco dias, o jovem já estava caminhando em casa.
Tantos e tantos milagres acontecem, graças a intercessão de Nossa Senhora. Um pedido da Mãe de Jesus e as portas do céu se abrem. Deus acolhe as orações feitas pelos fiéis no Santo Terço. Cada Ave Maria rezada com fé e devoção chega aos céus através do amor de Maria. Neste 12 de outubro, contemplemos e veneremos nossa Mãezinha do Céu, sempre pronta a nos atender e a pedir ao Pai por nós.
É por isso, que o devoto de Nossa Senhora Aparecida entrega seu tudo à Virgem e ela pega este tudo e faz dele o melhor para Deus. Salve, ó Virgem Imaculada, Senhora de Aparecida!
Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós que recorremos a vós!

Belo Horizonte, 12 de Outubro de 2008

sábado, 11 de outubro de 2008

40 (Forty)


Música: U2 (em negrito)
Texto: Deiber Nunes Martins (em itálico)

Eu esperei pacientemente pelo Senhor
Ele inclinou e ouviu meu clamor
Ele me tirou do abismo
Para fora do lamaçal

Eu cantarei, cantarei uma nova canção
Eu cantarei, cantarei uma nova canção

Até quando cantar esta canção?
Até quando cantar esta canção?
Até quando, até quando, até quando...
Até quando cantar esta canção?

Ele pôs meus pés sobre uma rocha
E firmou meus passos
Muitos verão, muitos verão e temerão



Deus visita todos os dias os nossos corações. A cada dia, a cada hora, Ele nos encontra de um jeito diferente. Tem dias que estamos felizes, o coração batendo arreganhado, deixa Deus entrar com toda pompa. Noutros dias, estamos tristes, o coração fechado como uma ostra. Nestas horas Deus precisa fazer muita força pra entrar. E acaba entrando. Mesmo que seja só pra nos dar uma olhada, como o pai que entra no quarto do filho, pra ver se ele está dormindo, se não está sentindo frio. Deus é este pai amoroso que zela por seus filhos, mesmo quando eles não percebem.
Não concordo com os pregadores que falam que estar triste, é estar com o demônio. Já escutei este papo tanto de pregadores católicos, quanto de protestantes. Eu me permito discordar, porque a tristeza é uma emoção efêmera. É um estado passageiro. Tem dias que estamos tristes, mas não significa que estamos sem Deus em nossa vida. Ele está ao nosso lado, nos bons e nos maus momentos.
Ultimamente, o tentador tem buscado me convencer do contrário. Como tenho ouvido propostas para desistir de esperar pelo socorro de meu Deus! E quanto mais eu perambulo em meio ao silêncio do Céu, mais eu fico sob o ataque das tentações do maligno. Mas não me amofino não. Vou em frente, esperando paciente pelo tempo da graça. O meu kairós vai chegar. Eu creio!
Em meio a tristeza, Deus também está presente. E no momento certo, Ele olha pra nós, e nos diz o que precisamos ouvir. Ouvi de Deus recentemente que Ele não está alheio ao meu sofrimento. E que seus anjos estão vindo em meu socorro. Ouvir isso em meu coração foi como um bálsamo. Imediatamente me senti curado de muitos males. E como me tem sido bom!
Tenho vivido um dia por vez. Estou tentando ficar de pé. Confesso que está muito difícil. Mas faz parte de tudo o que preciso enfrentar para servir ao meu Deus e para ser todo Dele. Não desisto, nem vou desistir. Somente em Cristo encontrarei o Caminho, a Verdade e a Vida. E somente Ele, pode pôr os meus pés sobre rocha firme. Eu te amo meu Senhor! A ti toda Glória e Louvor!

Belo Horizonte, 11 de Outubro de 2008.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Sobre o Freitas...

Por Dalton González e Deiber Nunes Martins

Quando eu penso que tenho todos os problemas no trabalho, vejo que não tenho. Tem gente que sofre e até mais. Meus superiores são de matar, mas como esse Freitas, não existem...

São Paulo, 06 de Outubro de 2008

Caríssimo amigo,

Não é só você quem vive as agruras do trabalho. Também eu tenho enfrentado inúmeras dificuldades em meus afazeres. A maioria delas, por obra e graça do Freitas. Não sei se você lembra, mas o Freitas é aquele corno que se tornou diretor regional da minha companhia. E se você forçar um pouquinho mais sua memória, lembrará que o Freitas nunca foi boa bisca.
Pois bem. Estamos em plena campanha de lançamento de um novo produto. Estamos incrementando as vendas em todo o país e a novidade é um sucesso só. Entretanto, você sabe como é, faturar muito não é o bastante, queremos sempre mais. Assim, terminou em clima de cobrança a reunião com os gerentes, as diretorias regionais e o pessoal do marketing, na qual faço parte. E nesta reunião estava o Freitas.
Como diretor regional, o puto retirou do marketing muita grana. E você sabe como são as campanhas de lançamento de novos produtos sobretudo em Sampa. Aquele viado se esquece de quão cara é uma campanha de penetração no mercado. Por isso nem notou que sugou tudo do pessoal do marketing, do qual faço parte e ainda nos cobrou maior criatividade na implementação das campanhas e nas negociações com as agências de publicidade. Você sabe como é difícil lidar com esses publicitários aqui. Todos querem faturar alto e quanto maior o impacto do novo produto, maior é a grana que buscam. Sem o pessoal da publicidade, estamos todos fodidos, inclusive a porra do Freitas. Mas tudo bem, ele parece não se importar. Corta tudo que é gasto, até o cafezinho. Como não vivo sem café, estou tendo de improvisar. Comprei pó e açúcar e estou colocando a gracinha da Denise, minha secretária pra me preparar o café. Ela o faz sem reclamar, mas não é função dela. Aquele viado deveria repensar os cancelamentos do contrato com a firma do lanche, pelo menos. Mas só pensa em cobrar. Cobra dos vendedores, aumento nas vendas, dos representantes, maior empenho. E de nós do marketing, idéias novas e talento. Como se talento desse em árvore. Sabe, meu amigo, o pessoal aqui de São Paulo é muito bitolado. Os caras querem dinheiro em cima de dinheiro a todo custo. Como nossa verba adicional não saiu, perdemos a chance de contratar aquela puta agência que te falei. Resultado, nosso produto, com três meses de vida, ainda não bombou. Chega segunda, na vídeo-conferência com o chefão, em seu café matinal, haja saco pra tanta cobrança. À tarde, chega o Freitas com seus números. Batendo na mesa, dando esporro até em mosquito, o cara parece um louco diante dos gráficos. “Vocês, marketing, cadê as porra das idéias? Vocês são mesmo uns merdas! Enfiem seus rabos nas cadeiras e mandem bala. Criem canais, gerem venda. Dêem receita a esta companhia. Ou estarão demitidos. Todos vocês: Lúcio, Jonas, Dalton... todo mundo! Mando vocês embora e coloco a minha equipe pra trabalhar...”
Sabe, Deiber, o Freitas continua maricas. Na frente do grupo, bota pra quebrar, faz e acontece. Pessoalmente, na cara e na lata, vem cheio de mimos. Gostaria de ser como um de seus personagens da máfia só pra meter uma bala nos cornos daquele filho da puta! Como não sou personagem, sou real e preciso do emprego, vou tolerando...
Chego em casa e a mulher pede pra ter calma. Dane-se a calma! Quando estou nervoso detesto que me peçam calma! Não é ela que tem de enfrentar dez horas de serviço pesado em condições desumanas e ainda as humilhações do corno do Freitas! Mulher é complicado! O problema delas se resume a dorzinha de cabeça quando estão de TPM. Mulher é bicho danado. Não se importa. Diz que importa, mas não importa. Mulher se importa com mulher. Homem que se dane. Só servem pra pagar as contas... Bom, de todo modo, ela te mandou um abraço...
Bem, amigo, estou indo nessa. Achei que devia desabafar com você um pouco. Vi pela carta que você também teve um dia daqueles, não é? Mas é assim mesmo. No mais ficamos por aqui. E que seu galo melhore, pra dar pressão quando pegar o meu time. E só pra abrir parênteses, o idiota do Freitas é Fluminense. Onde já se viu, paulista torcer pra time do Rio? É, fico por aqui. Vamos em frente e que Deus nos ajude.

Um abraço, seu amigo

Dalton González

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Românticos

Composição: Nado Siqueira
Música: Vander Lee
Texto: Deiber Nunes Martins

Românticos são poucos
Românticos são loucos
Desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro
É o paraíso...

Românticos são lindos
Românticos são limpos
E pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha
E sem juízo...

São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos
Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo
De outra desilusão...

Romântico
É uma espécie em extinção!
Romântico
É uma espécie em extinção!

Românticos são poucos
Românticos são loucos
Como eu!
Românticos são loucos
Românticos são poucos
Como eu! Como eu!


Romântico é uma espécie em extinção. Num mundo tão egocêntrico, pueril e imediatista, o romantismo caiu do galho. É letra morta. Ninguém mais se preocupa em olhar nos olhos e dizer o amor. Ninguém se preocupa com a dor do amor. Ninguém se importa se o outro sofre por amor. Mais adequado é sofrer por falta de dinheiro. Sofrer por causa da vitória do Cruzeiro, sofrer por conta da crise americana. Isso sim é sofrimento! Com isso todo mundo se importa...
Queria eu poder ser igual todo mundo. Trocaria toda a merrequinha que eu tenho no bolso, pela companhia da minha amada. Trocaria todas as vitórias dos refrigerados que tanto odeio, pelo amor da minha linda. Rezaria um terço a Virgem Maria para a resolução da crise americana, a crise das hipotecas, pra ouvir de minha amada: "Somos agora nós dois contra o resto! Você não mais vai se despedir de mim..."
Românticos são poucos. Românticos são loucos. Como eu. Como nós. Tenho certeza, amigo(a) leitor(a) que somos poucos românticos neste mundo. Mas o romântico é aquele que sente o amor, aquele que o respira, que o exala. Sejamos românticos!

Belo Horizonte, 01 de outubro de 2008.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A Esperança Atleticana


Por Deiber Nunes Martins

Assistir aos jogos do Atlético tem sido como ir ao cinema ver filme de quinta categoria, repetidas vezes. Deprimente o estado do nosso Glorioso! Este texto é apenas mais um libelo de insatisfação com o que estão fazendo com o clube mais popular de Minas Gerais. Sou obrigado a reconhecer que meu time não é capaz de vencer o Ipatinga! Também reconheço, pelas projeções matemáticas e pelo desempenho do clube, que não escaparemos da segunda divisão, no próximo ano. Que presente de grego no ano do centenário, hein Galo?
Um time desmotivado, sem brio, sem raça e sem nenhuma técnica. É digno de dó, ver este time jogar. Na copa Sul-Americana, no jogo decisivo no Mineirão contra o Botafogo, um dos principais jogadores deles, disse na entrada pro vestiário, no intervalo:
“Eu não estou acreditando que o Atlético está facilitando as coisas pra gente!”
Aquele jogo foi doído. Como tantos outros este ano, que não carecem ser lembrados. Mas de toda a tragédia, o que fica claro é a total incompetência dos dirigentes atleticanos. A diretoria meteu os pés pelas mãos desde o início do ano, quando não renovou com Emerson Leão e fechou as portas para Wanderley Luxemburgo, que antes de fechar com o Palmeiras, procurou o Galo. Preferiram ficar com Geninho que tempos atrás renegou nosso time.
De Geninho até hoje, com Marcelo Oliveira, nem sei ao certo quantos treinadores já passaram pelo CT de Vespasiano este ano. Sei que foram várias derrotas, vários jogadores contratados de modo errado, dinheiro desperdiçado, dinheiro que não chegou, frente a pífia campanha na temporada. Somos obrigados a agüentar as gozações dos refrigerados, de ipatinguenses e de tudo quanto é porcaria de time por aí... Em meio a isso, o presidente chegou a ser ameaçado de morte e diante de tanta pressão teve de renunciar.
Agora, o conselho deliberativo do clube deve decretar novas eleições e pra felicidade da maioria dos atleticanos, Alexandre Kalil se postula como candidato. Pra quem não sabe, Kalil foi aquele senhor que foi afastado do futebol por dois anos pelo supremo tribunal desportivo, só porque peitou Ricardo Teixeira da CBF e a cartolagem carioca. Alexandre Kalil é a esperança atleticana de mudança e melhorias. Em sua entrevista coletiva nesta segunda, seu argumento foi simples e direto: levar o Atlético ao lugar de destaque que ele merece. E para isso, os bons exemplos gerenciais trazidos por Botafogo e Flamengo (dois cariocas que Kalil em outros tempos, combateu veementemente) deverão ser copiados. Estes dois clubes, há menos de cinco anos estavam à beira da falência e hoje estão brigando pelo título nacional. Disputa que o Atlético nunca pode ficar de fora.
É chegada a hora do Galo voltar a ser personagem principal do futebol nacional. Quero neste texto, manifestar meu apoio a Alexandre Kalil, para que ele possa trazer de volta o Galo que a Massa merece: Forte e Vingador!

Belo Horizonte, 29 de setembro de 2008.

Diário de Bordo


Por Deiber Nunes Martins

Enquanto estou neste quarto de hotel, vou me recordando de Belo Horizonte e dos meus problemas. Uma coisa boa quando se viaja, é a possibilidade de sair de dentro de si mesmo e olhar os problemas de um ângulo exterior. Dentro de casa, não é possível tal fuga e muitas vezes acabamos alienados aos nossos problemas, às nossas dificuldades.
Aqui em Uberlândia vou tendo a oportunidade de rever meus problemas e percebo a real dimensão deles. Ficou em Belo Horizonte uma batalha perdida e o gosto de sangue na boca. Fui derrotado por mim mesmo.
Tenho agora a oportunidade de me erguer de minha derrota. Ainda posso ser um vencedor, perdi apenas uma batalha e pelo visto há uma guerra inteira pela frente. Aqui sozinho neste quarto de hotel, vou percebendo minha real situação. Posso escutar minha respiração. Posso parar um pouco. Quem sabe eu não ouça Deus falar comigo. Mas Ele me observa atentamente e não diz nada. Não há ninguém aqui pra me dizer uma coisa qualquer. De repente, percebo o quão ruim é estar longe das pessoas, o quão ruim é estar sozinho.
Uberlândia é acima de tudo, uma cidade simpática. Sedutora, me faz querer morar aqui. Mas alguma coisa me diz que há um plano pra mim em Belo Horizonte. Cidade que eu amo, é como se de repente, nos braços da amante, se pensasse na esposa. Mas esta tem sido insensível ao meu desalento. Talvez nada possa fazer, mas Uberlândia me oferece colo. É uma coisa a se fazer...
Neste quarto de hotel, já passam das onze e provavelmente não pegarei no sono antes de uma da manhã. Automaticamente, vou trocando os canais de TV a procura de um assunto, a procura de um mote, ou mesmo algo que me faça dormir. Que saudade da minha amada! Não consigo dormir se não estou nos braços dela. Que falta ela me faz!
Mesmo que eu quisesse me enganar nos braços de uma outra, não conseguiria. E olha que Uberlândia oferece mulheres tão lindas como as belo-horizontinas! Mas meu coração pertence a uma baiana!
Tentarei dormir. Rolarei na cama de um lado para outro. Amanhã acordo cedo, começo cedo minhas atividades. Mas a minha essência, calejada, derrotada, destruída pelo mal da saudade não entende que preciso do sono. Não bastasse a falta da mulher amada, falta também o sono... Uberlândia é uma cidade bela, aprazível e mais bem cuidada que BH. E pelo pouco que percebo as pessoas, reconheço que ao menos se importam um pouco com os outros. O importar-se me deixa feliz. Que bom seria se resgatássemos esta virtude nos belo-horizontinos? Enquanto não podemos milagres, clamemos por um. E o meu milagre agora seria o calor do corpo de minha orquídea...

Uberlândia, 24 de setembro de 2008.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

I Still Haven't Found What I'm Looking For


Música: U2


Eu Ainda Não Encontrei O Que Estou Procurando
Eu já escalei as montanhas mais altas
Eu já corri através dos campos
Só para estar com você
Só para estar com você

Eu corri, eu rastejei
Eu escalei os muros da cidade
Estes muros da cidade
Estes muros da cidade
Só para estar com você

Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando
Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando

Eu beijei labios de Mel
Eu senti a cura na ponta dos dedos dela
Queimou como fogo
Esse desejo ardente

Eu falei com a língua dos anjos
Eu segurei a mão do demonio
Estava quente à noite
Eu estava frio como uma pedra..

Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando
Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando

Eu acredito na vinda do Reino
Então todas as cores
irão sangrar em apenas uma
irão sangrar em apenas uma
Mas sim, eu ainda estou correndo

Você quebrou as ligações, você afrouxou as correntes
Você carregou a cruz
E a minha vergonha
E a minha vergonha
Você sabe que eu acredito nisso

Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando
Mas eu ainda não encontrei
O que estou procurando

Manual de Instruções

Por Deiber Nunes Martins

Certas pessoas procuram meios de lidar comigo, outras meios para se comunicarem comigo. Percebi recentemente que até pra me amarem, procuram um jeito apropriado. Em vista disso, resolvi vir a público, lançar meu manual de instruções, visando resolver toda esta celeuma. Viso também com este manual, esclarecer aos incautos, que não sou tão espinhoso assim. Tenho virtudes e fraquezas como qualquer outro, tenho manias, tenho um comportamento bem pessoal, mas nada que seja tão complicado, a ponto de não entenderem. De todo modo, pra quem deseja fazer parte da minha vida e história, o presente manual pode ser necessário. Ou não...

Requisitos Básicos
Para se adequar ao jeito “Deiber” de ser não é preciso muitos recursos. O Deiber não exige muito, apenas respeito. Após inúmeros estudos e pesquisas, verificou-se a não aplicabilidade de quaisquer exigências visto que todas elas geraram um alto índice de reprovação pública.
Com relação ao respeito, ainda este, é um requisito questionável. No entanto, a falta dele é incompatível com o Deiber. Na verdade, desrespeito é incompatível com qualquer modelo de ser humano que tenha o mínimo de amor próprio.

Condições Gerais
O Deiber se caracteriza pela simplicidade, inteligência, pelo altruísmo e também pela instabilidade emocional, pela impulsividade e excentricidade. Diversas outras características acompanham o Deiber, mas no presente momento, estas são as predominantes.
O Deiber é caracterizado pela seriedade, timidez e às vezes até por ser insuportável. Há quem não consegue conviver com ele e quem o considera muito chato.
Por valorizar demais os relacionamentos e as amizades, ele tem pouquíssimos amigos. Entretanto, os poucos que têm, merecem seu apreço e confiança. Possui também inimigos, que contribuem para sua prudência e seu ceticismo. O Deiber não confia cegamente nas pessoas, mas também não lhes é resistente. Não é comum vê-lo dizendo seu amor. Ele procura demonstrá-lo. É possível que poucos o amem, poucos o odeiem e muitos lhe sejam indiferentes. Entretanto, o que vale para ele é amar sem nenhuma medida. E quem é amado (a) por ele, é como se recebesse um prêmio valioso, uma jóia rara.

Modo de Convívio
Conviver em harmonia com o Deiber, pode não ser tarefa das mais fáceis. Seu humor instável, seu jeito crítico e cáustico de ser é um desafio dos mais complicados. Entretanto, ele procura ser amistoso, leal, sincero e dedicado. Ao mesmo tempo, usa de muita franqueza e não gosta de deixar as coisas pra depois. Dá um boi pra não entrar em uma briga e uma boiada pra não sair dela.
Com o Deiber, os argumentos nunca são os corretos. Ele sempre tem um que julga ser perfeito. E não é fácil demovê-lo em relação às suas opiniões. Ele não gosta de ser questionado. Mas gosta de questionar. É incisivo, gosta de ir até o fim. É preocupado com as pessoas a sua volta e isto pode até torná-lo chato. Mas é apenas o jeito dele cuidar de quem ama.

Considerações Finais
Não é preciso jeito para lidar com o Deiber. É preciso carinho. É preciso uma dose cavalar de paciência para compreendê-lo e na verdade, compreensão é o que ele mais precisa. Pois ele sabe na pele que não é fácil ser ele mesmo. E sente na pele também, não ser compreendido. O Deiber não importa com a rejeição, não importa com o que as pessoas dizem a seu respeito. O que realmente o machuca é a indiferença, o não se importar das pessoas.
Há muitas particularidades sobre o Deiber que não constam neste manual. Não daria pra enumerar todas. De todo modo, o básico sobre este rapaz, foi dito. Para quem precisa de métodos e procedimentos para lidar-se com ele, este manual é um achado. Para todos os demais, talvez seja de pequena valia, pois o Deiber é simples. As pessoas é que tentam complicá-lo.

Belo Horizonte, 15 de setembro de 2008.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Deus Imenso


Música: Vida Reluz
Composição: Walmir Alencar, Pe. Fábio de Melo
Texto: Deiber Nunes Martins

Não sou nada, eu bem sei
Tão pequeno, um grão de areia em tuas mãos
Barco à vela que se abandona
Segue o rumo e vai buscando o alto mar.

Assim me encontro diante de ti
Um Deus imenso que por amor se deixa alcançar

Te adorarei, meu Deus, enquanto eu existir
Proclamarei as maravilhas que fizeste em mim
O teu calor me envolve, o teu olhar me acalma
E em teus braços, o teu amor
Inflama minha alma
Que posso mais dizer se o coração já disse
Te amo!


Senhor, perdoa-me por minha insensatez. Perdoa-me substituir o louvor pelo murmúrio. Perdoa-me por não reconhecê-lo ainda mais presente em minha vida. Senhor, as vezes eu vejo outros rapazes de minha idade, completamente perdidos, completamente entregues a destruição. Em cada caso assim, eu devo louvá-lo, Senhor, pois poderia ser eu. E o Senhor, me livrou desses males. O Senhor vem em meu socorro. Devo louvá-lo, sim.
Que eu sempre te adore, que eu sempre te louve, Senhor. Minha prece de hoje, é pedir-te mais tempo para o louvor. E que eu consiga vencer o mal da reclamação diante dos problemas do cotidiano e vos louve ainda mais neste momento. Que eu seja efusivo no louvor e não no lidar com os outros. Que eu saiba manter a calma. Que o louvor dispensado a Ti, me faça melhor. Me faça mais santo. É o que busco, Senhor.
Obrigado, meu Deus, pela minha vida. Pela minha família. Pelo meu noivado. Pelo meu trabalho. Por todas as realidades que vivo. Tu és mais, Senhor. Tu vais além. Obrigado, Senhor.

Belo Horizonte, 10 de Setembro de 2008.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

9 de Setembro: Dia do Administrador

Por: Deiber Nunes Martins

Hoje, dia 9 de setembro, é dia do administrador de empresas. Uma profissão desejada por muitos jovens, porém pouco conhecida e respeitada de fato. No dia de hoje, nós administradores, temos muito a comemorar. Mas há também muito a ser almejado por nós. O administrador hoje sofre com a falta de delimitação do seu espaço profissional.
Em nosso país, somos obrigados a disputar o concorrido mercado de trabalho com profissionais de outras áreas, como a engenharia, o direito e a psicologia. As empresas, no intuito de direcionar seus projetos, acabam por contratar estes profissionais, para ocuparem as vagas que pertencem por direito a nós administradores. Infelizmente, nossos órgãos representativos – CFA’s e CRA’s – são organismos frágeis, sem nenhuma ou quase nenhuma representatividade política. Muitos colegas acabam invejando profissionais da engenharia e arquitetura, pela importância política do CREA. Ou até mesmo o direito, pela representatividade da OAB. Não contamos com esta representatividade a nosso favor. Mas certamente, contamos com nossa capacidade de liderar, motivar e transformar o mundo do trabalho. Capacidade esta que não pode ser renegada pela sociedade. A ciência administrativa vem comprovando sua importância ao longo dos tempos e em diversas áreas da economia, as teorias administrativas ou simplesmente o feeling e a capacidade de gestão, fazem a diferença.
Mas, será que nós administradores, temos consciência da nossa importância?
Creio que não. Infelizmente, muitos de nós foram alienados dentro das salas de aula, nas faculdades, com teorias sistêmicas que explicam o funcionamento de um pequeno mundo global. Muitos de nós, somos administradores de grandes empresas e conglomerados econômicos. E nada mais. Muito do que aprendemos nos bancos de faculdade, ficam na faculdade. O que definirá nosso posicionamento perante a sociedade é a nossa experiência pessoal com a arte de gerenciar.
Arte esta, que se aprende nos livros e com os mestres. Mas também no cotidiano. Nas pequenas coisas da vida. Em pequenos momentos da nossa rotina, podemos aplicar nossa capacidade de gestão. Seja no trabalho, seja no clube, na Igreja, na família, com os amigos, ou até dentro das empresas pelas quais passamos. É preciso que o administrador de hoje tenha consciência da sua importância no processo de mudança de uma sociedade. É preciso que nós, administradores, reconheçamos nossa capacidade de disseminadores do conhecimento ao qual aprendemos e somos diariamente confrontados. Realidade esta que está aos nossos olhos, capacidade de mudança.
O administrador não pode estar satisfeito, seja qual for a posição que ocupe na sociedade e no mercado. Somos agentes de mudança e somente por nosso conhecimento adquirido e experimentado ao longo dos anos, é que podemos executar o grande planejamento estratégico de nossa sociedade: nós mesmos. A maneira como devemos nos portar diante desse processo é com toda simplicidade possível. Devemos administrar primeiro nossas vidas.
O bom administrador é aquele que consegue administrar a si próprio, por primeiro. É preciso gerir bem nossos processos, nossas realidades emocionais para depois administrarmos os bens que nos são confiados. É nesta condição que somos agentes da mudança. Devemos mudar a nós mesmos, a mudança começa em nós. O administrador que cuida em primeiro lugar do seu bem-estar, terá maiores capacidades para cuidar do bem-estar de uma empresa, de um grupo de trabalho, de um universo de recursos. A administração começa dentro de casa. Do interior para o exterior.
Minha mensagem aos colegas administradores é esta: sejamos agentes de mudança. Mudemos o mundo, o universo de coisas. Mas comecemos por nós. Façamos o feedback do nosso interior, motivemos nossa capacidade emocional e remuneremos melhor o nosso bem-estar. Se precisamos conquistar muitas vitórias dentro da profissão que escolhemos. Conquistemos primeiro a nós mesmos.
Parabéns a nós, administradores! Que Deus nos abençoe!

Belo Horizonte, 09 de setembro de 2008.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

GP da Bélgica - Punição Injusta


Por Deiber Nunes Martins

Quem assistiu ao GP da Bélgica deste domingo, viu uma das corridas mais emocionantes da temporada. Após um começo arrebatador, Kimi Raikkonen contou com um erro do pole Lewis Hamilton para assumir a liderança da corrida logo nas primeiras voltas. O piloto finlandês começava uma prova de maneira irretocável e contava com a sorte até então. Sorte essa explicitada no erro de Hamilton e no tráfico em que este se meteu, na saída de sua primeira parada nos boxes.
A chuva, personagem sempre presente em Spa Francorchamps, não se fez de rogada e deu seu ar da graça. No entanto, deixou para faze-lo a três voltas do fim da prova. A esta altura, Kimi Raikkonen defendia uma diferença de pouco mais de cinco segundos para Hamilton. Parecia pouco para quem não tem a menor habilidade em pista molhada, como é o caso do “homem de gelo”. Ainda mais pelo fato de seus principais concorrentes até então Hamilton e Felipe Massa, serem bons também em pista molhada. Com isso, o que parecia improvável, aconteceu. Em uma volta, a diferença entre Kimi e Hamilton caiu para menos de um segundo e passou a ser visual. Vendo que o líder não conseguia andar naquelas condições, Hamilton partiu para o ataque, possivelmente amparado com a anuência de sua equipe. Na primeira tentativa, o finlandês fechou a porta, obrigando o piloto da Mc Laren a cortar caminho pela chicane. Ao fazê-lo, tomou a dianteira, devolvendo-a a Raikkonen ainda na mesma reta. Entretanto, Lewis Hamilton manteve-se bem tracionado e conseguiu a ultrapassagem sob a Ferrari no final da reta. A esta altura, a pista estava como que ensaboada. Muito escorregadia. E os dois pilotos fizeram um festival de saídas de pista, sem que o terceiro colocado, Felipe Massa, conseguisse aproveitar a oportunidade de tomar a dianteira. O festival de escapadas culminou com Kimi Raikkonen perdendo o controle de seu carro e parando no muro de Spa. Hamilton neste momento, segurava o carro no braço até o final da prova, fazendo-se o vencedor.
Como na atual Fórmula 1, o espírito esportivo e a competitividade têm dado lugar aos interesses comerciais e políticos, não se pode dizer que um vencedor é de fato aquele que sobe no lugar mais alto do pódio ao final da corrida. Esta, ainda é passível de endosso, pelos comissários da Fia, senhores do bem e do mal, dentro da categoria mais importante do automobilismo mundial. Assim sendo, os senhores comissários, acabaram vendo irregularidade na manobra de devolução do primeiro lugar a Kimi e resolveu punir o inglês Lewis Hamilton com a perda de 25 segundos. Tempo julgado como sendo o real a ser perdido pelo inglês com a manobra. Com esta decisão, Hamilton perdeu a vitória conseguida e caiu para o terceiro lugar, ficando atrás do brasileiro Felipe Massa, rival direto do inglês na disputa do campeonato e maior beneficiado pela decisão da Fia e o alemão Nick Heidfeld, que na pista chegou em terceiro lugar.
A punição a Lewis Hamilton é no mínimo exagerada, além de desanimadora para os amantes do esporte. Em um momento onde a tecnologia se sobressai sobre o talento dos pilotos, manobras de habilidade como a de Hamilton em cima de Kimi Raikkonen, chamam a atenção e deveriam ser premiadas, não punidas. Os segundos supostamente ganhos pelo piloto da Mc Laren ao cortar a chicane não impediriam que na volta seguinte, ele conquistasse a posição, visto que para o piloto ferrarista estava impraticável a condução, tanto que este acabou perdendo o controle de seu bólido e batendo no muro, na volta seguinte. Em vista disso, achei improcedente tamanha punição, visto que a manobra de Hamilton obedeceu o regulamento e ainda foi um indício que o talento ainda sobrevive na Fórmula 1, mesmo diante dos carros que praticamente funcionam sem um condutor.
Além disso, o espetáculo de uma corrida de Fórmula 1 ou de qualquer outra categoria do automobilismo deve ser julgado mediante o desempenho do piloto ao longo da prova e não em decorrência de uma irregularidade que não alteraria o resultado da corrida. Assim, a Fórmula 1 segue descendo a ladeira, perdendo o interesse e acabando com a esportividade, tão presente nos tempos de Senna, Mansell, Piquet, Prost e tantos outros.

Belo Horizonte, 08 de Setembro de 2008.

domingo, 7 de setembro de 2008

Batman o Cavaleiro das Trevas


Por Deiber Nunes Martins

Pela segunda vez, fui ao cinema conferir aquele que dizem ser o melhor filme do ano. Para este que escreve e para quem viu o ótimo "Na Natureza Selvagem", o novo filme do Batman não é. No entanto, o filme de Christopher Nolan é muito bom. E certamente se encaminha para um Oscar póstumo a Heath Ledger, na pele do impagável Coringa.
O Cavaleiro das Trevas mantém o clima sombrio de Batman Begins. Agora, no entanto, a história tem um pouco mais de densidade, fruto de um roteiro bem ajeitado e riquíssimo. O roteiro de Cavaleiro das Trevas é como aquele viajante que retorna a sua casa, cheio de histórias pra contar. Christopher Nolan tem o mérito de contar toda esta história sem perder um detalhe, um fiapinho sequer da história. Méritos também da montagem, impecável.
Em termos de atuações, o Batman de Christian Bale é apenas razoável. Sem conseguir fugir de estereótipos, Bale é feliz ao conseguir humanizar Bruce Wayne. Aaron Eckhart consegue ser ainda mais feliz, construindo um personagem riquíssimo, o promotor Harvey Dent. Tem-se outros destaques individuais como Gary Oldman e Morgan Freeman, que já haviam brilhado em Batman Begins. Mas o grande destaque de o Cavaleiro das Trevas é sem dúvida Heath Ledger. Na pele do Coringa, Ledger faz a melhor interpretação do ano, reconstruindo um Coringa irreverente, anárquico, cruel e nada caricato. Este enfoque mais real de um dos vilões mais importantes dos quadrinhos deve render a Ledger uma homenagem póstuma da Academia.
Batman o Cavaleiro das Trevas possui razoáveis efeitos sonoros e uma fotografia apenas correta. Em termos técnicos, a sensação que se tem é que não quiseram arriscar e apenas fizeram o feijão com arroz, para que o filme se destacasse mais pela densidade do roteiro e pelas atuações individuais.
Sobre o roteiro, ainda deve ser dito que não fosse a escorregada conseguida com a fatídica aparição do Espantalho, que nada acrescenta à trama, este seria uma obra-prima. É um dos pontos altos do filme. Deixa transparecer que a história é sobre Harvey Dent, sem ao menos tirar a importância do herói. Algo que os roteiristas de O Homem-Aranha 3 tentaram fazer com o Homem-Areia, sem sucesso. Batman – O Cavaleiro das Trevas merece sim ser visto e revisto. Não é o melhor do ano, mas certamente, é o melhor que já foi produzido neste gênero de super-heróis.

Belo Horizonte, 07 de Setembro de 2008.

Vivir Sin Aire


Música: Maná
Texto: Deiber Nunes Martins

Cómo quisiera poder vivir sin aire
Cómo quisiera poder vivir sin agua
Me encantaría quererte un poco menos.
Cómo quisiera poder vivir sin ti

Pero no puedo, siento que muero,
me estoy ahogando sin tu amor.

Cómo quisiera poder vivir sin aire
Cómo quisiera calmar mi aflicción
Cómo quisiera poder vivir sin agua
Me encantaría robar tu corazón.

¿Cómo pudiera un pez nadar sin agua?
¿Cómo pudiera un ave volar sin alas?
¿Cómo pudiera la flor crecer sin tierra?
Cómo quisiera poder vivir sin ti.

Pero no puedo, siento que muero,
me estoy ahogando sin tu amor.

Cómo quisiera...

Cómo quisiera lanzarte al olvido
Cómo quisiera guardarte en un cajón
Cómo quisiera borrarte de un soplido
Me encantaría matar esta canción.

Amigos, esta canção retrata minha vida sem minha amada. Para muitos, pode parecer bobagem, mas só quem vive uma dor, sabe na alma a intensidade dela. Mas estou aqui. Estou de pé. Pronto pras pancadas que a vida tem pra me dar...
Assim como uma ave não voa sem asas, assim como um peixe não nada sem água, uma flor não nasce sem terra, assim eu não vivo sem Bárbara. Não tem jeito. Sem ela, meto os pés pelas mãos, não sei como agir. Sinto-me fraco, sensível demais. Perco minha essência. Morro aos poucos.
Este blog é um pouco do Deiber. Talvez o(a) amigo(a) leitor não entenda o que eu vivo. Talvez não veja sentido no que escrevo. O que tenho a dizer em minha defesa é que este é um esboço do Deiber. Não é aqui o Deiber completo. O Deiber passado a limpo, só com a Bárbara. É quando entendo isso, é que vejo e entendo quem eu sou. Preciso de minha amada porque com ela, me completo. Com ela não sou um esboço. Sou eu.

Belo Horizonte, 07 de setembro de 2008.

Visita Indesejada


Por Deiber Nunes Martins

A tristeza chegou dias atrás. Veio de mansinho, como quem não quer nada. Mais uma vez. Chegou confiando em minha bondade de deixá-la ficar. E assim foi. Veio de mala e cuia. Ninguém a pegou no aeroporto, mas ela já sabia o caminho. E mesmo se não soubesse, descobriria. É amigos, a tristeza é fogo! O que ela quer, ela consegue.
A tristeza é uma morena linda. Cabelos lisos, brilhantes, voam com o vento. Pele alva, macia, sedosa. Tem um olhar sedutor e um corpo envolvente. É difícil resistir a ela. Tem de ser muito homem pra conseguir. E mesmo assim, mesmo resistindo, ela arruma um jeitinho de ficar. As vezes, envolvente, fica até na nossa cama, passa a noite com a gente. Não se faz de rogada, promete fazer de nossas noites um paraíso. Para ela. Nos olha as vezes nos olhos, com jeito de menina e malícia de mulher. Ela sabe muito bem o que quer de nós. Quer que nos entreguemos a ela. Diz que quer um filho de nós. Em ocasiões até, ela consegue.
A tristeza chegou e já foi se abancando em minha casa. Desfez as malas, colocou suas roupas no guarda-roupa. Roubou-me a paz. Levou minha calma. Levou meu sorriso. A tristeza é uma ladra. Conquista as pessoas próximas a nós, pelo olhar. E quando pensamos, todos estão do lado dela. Contra nós. A tristeza é mestra em criar conflitos, confusões. Desgasta nossos relacionamentos, mata nossos sonhos. Quantas namoradas eu já perdi por culpa desta danada? Quando ela consegue seu intento, acaba indo embora. Depois volta, com a cara deslavada, se fazendo de vítima, conquistando as pessoas a nosso redor. Quantas e quantas vezes, a tristeza aprontou comigo e eu a perdoei? Não tem jeito, é difícil resistir a lábia daquela mulher...
Mas a tristeza chegou aqui em casa, e já está de saída. Antes que faça mais estragos, estou a fazer uma grosseria. Invado o quarto, pego suas roupas, as coloco na mala, e a despacho para o aeroporto. Até compro a passagem dela. Primeira classe. Só sossego quando o avião está no ar, indo pra bem longe. Com ela dentro.
A tristeza é visita indesejada. Vem quando menos se espera. E faz estragos. A tristeza deve ser banida de nossa lista de amigos. Deve ser banida do nosso convívio. Infelizmente, eu não aprendo, acabo recebendo esta mulher em minha casa. Mas vou tomando jeito. Já consigo ser indelicado a ponto de colocá-la porta afora. Mulher faceira, surreal. Que consigamos colocá-la no seu devido lugar. Que não a recebamos. Que sejamos deselegantes, mal educados com esta tal. Que esta visita indesejada, nós possamos botar pra fora da nossa casa. Do nosso coração. Da nossa alma.

Belo Horizonte, 07 de Setembro de 2008.

Estou à Porta e Peço Entrada


Música: Pe. Fábio de Melo

Eu te vejo procurar muitos caminhos,
é sincera tua busca eu bem sei
Tu anseias um alento, um abrigo,
nos afetos que procuras conquistar.
Nos teus olhos eu percebo a tristeza,
um vazio que ninguém pode suprir
Eu te amo e quero ser teu grande amigo
Se me acolhes, vida nova te darei.

Cheguei agora, estou à porta e peço entrada
Vim pra ficar na tua casa, estou aqui
Sentar-me à mesa, partilhar a nossa vida,
na intimidade revelar meu coração.
Por muito tempo esperei por esse dia
Vem pros meus braços neste abraço de perdão
Não me importa se tu tens as mãos vazias
Eu sou Jesus e quero estar junto de ti.

Eu te chamo e quero ouvir tua resposta,
te respeito nesta tua decisão.
Tens a vida e a morte a tua frente,
tu és livre para agora escolher.
Se tu vens comigo assumo o teu fardo,
tua dor será também a minha dor.
Eu te amo com amor que não se acaba,
sou Jesus e quero estar junto de ti.

Cheguei agora, estou à porta e peço entrada
Vim pra ficar na tua casa, estou aqui
Sentar-me à mesa, partilhar a nossa vida,
na intimidade revelar meu coração.
Por muito tempo esperei por esse dia
Vem pros meus braços neste abraço de perdão
Não me importa se tu tens as mãos vazias
Eu sou Jesus e quero estar junto de ti.

Sim, Senhor Jesus, minha casa é sua. Podes entrar, Senhor. Me perdoa pelas vezes quando não te deixei entrar. Pelas vezes que não fui sensível ao teu bater em minha porta, pelas vezes em que quis arrumar minha casa sozinho. Não quero mais, Senhor. Arruma minha casa comigo. Me ajuda a carregar este fardo que eu não posso mais.
A porta de minha casa, está agora, aberta a ti, Senhor Jesus. Obrigado por tornares a bater, por não desistir de mim. Obrigado Senhor, pela sua misericórdia. Obrigado pelo seu amor que não se cansa de me amar.
Minha porta está aberta, Senhor. Podes entrar em minha casa. Podes cear comigo, partilhar o que eu não tenho. E o que tenho também. Podemos conversar a tarde inteira, depois tomarmos um cafezinho quentinho, feito por meu pai. Minha casa é sua, Senhor. Minha família, minha noiva, minha vida, também. Tudo é Teu, meu Cristo. Meu Deus, meu Pai. Amém.

Belo Horizonte, 07 de Setembro de 2008

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O Trunfo de Aloísio


Por Deiber Nunes Martins

As pessoas sempre admiraram Aloísio por seu bom humor. Sempre foi o cara mais querido do grupo, o mais simpático, o que todos queriam por perto. O mais amigo. Eu admirava aquele moço também. Eu conhecia um pouco mais sobre a história de vida dele. E por isso o admirava.
Aloísio sempre foi pra mim, um exemplo a ser seguido. Ele dava aulas de futebol e música na escola. Seus alunos nas duas disciplinas o adoravam. Ele sempre estava bem disposto, com um sorriso desconcertante nos lábios. A vida para ele, não tinha tempo ruim, embora lhe parecesse madrasta.
No dia em que Aloísio perdeu os pais, em um acidente de carro, eu estava lá. Vi como ele chegou à escola, dois dias depois do ocorrido. Estava triste, como deveria estar, mas não dispensara o bom humor. Conseguiu arrancar até um sorriso da diretora. E olha que ela vivia emburrada com tudo!
Tempos depois aquele jovem professor perdeu a mulher, vítima de uma doença rara. Era o amor da vida dele. Mas ainda assim, ele se manteve tranqüilo e sereno. Bem humorado e bem disposto, para seguir a vida. Um mês depois, lhe foi o único filho. A única alegria que um homem na situação dele, poderia ter, foi-se embora de modo trágico: afogado na piscina da casa dos tios. Todos esperavam que Aloísio se ausentasse por alguns meses, mas uma semana depois e o cara estava ali, trabalhando. Ensinando os filhos dos outros, o que gostaria de ensinar ao próprio filho e não mais podia...
Ainda vi Aloísio passar por inúmeros infortúnios. O que eu nunca vi foi ele se abalar com alguma coisa. Estava sempre com um semblante sereno. Diante de todo sofrimento, eu nunca o vi reclamar. E talvez tenha sido este o seu maior trunfo.
Pois bem. Aloísio é um exemplo que desejo seguir. Quero viver tudo em silêncio. Aprendi que não devemos fingir que não é com a gente, que não está acontecendo nada. Mas, podemos nos silenciar. Podemos olhar com bons olhos para a vida. Mesmo que esta seja por hora madrasta conosco. Quando reclamamos, flertamos com o demônio. Ao silenciarmos, o derrotamos. O trunfo de Aloísio foi este: derrotar o demônio em cada tentação, em cada situação em que qualquer um capitularia. Que eu comece a aprender esta lição.

Belo Horizonte, 01 de Setembro de 2008.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Salmo 151


Por Deiber Nunes Martins

Senhor meu Deus, até quando viverei este sofrimento? Até quando, não serei capaz de vencer a angústia e a tristeza que me ferem cruelmente? Estou cansado. Cansado das palavras sem sentido. Cansado dos sorrisos amarelos, dos tapinhas nas costas. Cansado dos falsos valores. Cansado de tudo o que é falso, de tudo aquilo que me joga pra baixo.
Até quando viverei sozinho? Pensarei sozinho e terei de tomar as decisões sozinho? Até quando eu terei de escolher tudo sozinho? Por quanto tempo terei de escolher tudo? E por vezes minha escolha será solitária?
As tentações torpedeiam minha mente, meu corpo e meu coração. Meus inimigos cantam os cânticos da vitória. Tudo bem, fruto em grande parte das escolhas que eu fiz. Mas até quando pagarei com tamanha exorbitância, os juros dos meus erros? É possível voltar atrás, Senhor? Eu voltaria, se eu pudesse. Enquanto isso, os inimigos já comemoram a vitória, tida por eles como certa...
Até quando a inspiração vai me abandonar? Até quando meus versos não serão terminados? Até quando minha amada estará longe, distante de mim? Até quando eu vou desejar sofrer as dores dela? Eu sabia que seria difícil mas não imaginava que seria tanto. Imaginava que iria doer, mas não tanto. As vezes chego a pensar ser um sonho impossível, Senhor. Ela tão longe de mim! E ao mesmo tempo que longe, tão diferente de mim. A ponto dela mesma apregoar esta diferença. A ponto de me fazer pensar que é proibida pra mim.
Eu sabia que era impossível pra mim. Sabia que não mereceria mesmo tanto. Mas quisera eu ao menos ter direito ao meu sonho. Pois até o momento, eu não tenho.
Mas em tudo um olhar de esperança. E confiante, eu espero em Ti Senhor. Já não tenho forças. Já não consigo nem pensar. Não consigo mais rezar, Senhor. Não consigo falar Contigo o que sinto. Estou bem fraco e sem reação. Não vejo soluções para os meus problemas, Senhor. Sinto-me decepcionado comigo mesmo...
Mas ainda assim, espero no Senhor. Porque quando eu estou fraco, é que estou forte em Ti. O Senhor vem em meu socorro quando dos meus erros, das minhas imperfeitas escolhas. Onde sou limitado, sou completo em Ti. E desta forma, tenho forças pra continuar.
E quando continuo, eu louvo. E louvo mais e mais a cada segundo de minha vida. Porque mesmo se eu não conseguir, mesmo se eu capitular. Mesmo se perder batalhas para os inimigos, o Senhor me dá a vitória sobre todos eles. Mesmo se a amada for proibida pra mim, o Senhor quebra todas as censuras. Obrigado, Senhor pelo dom da vida. Pelo sopro de vida que me concedestes, obrigado. Obrigado pelo sonho da mulher amada, mesmo que a cada dia ainda mais distante. Muito obrigado por me amar, Senhor e mesmo diante da solidão em que vivo, o Senhor não me deixa sozinho e escuta os meus pensamentos. Muito obrigado, Senhor.

Belo Horizonte, 27 de Agosto de 2008.

Giz


Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá
Texto: Deiber Nunes Martins

E mesmo sem te ver
Acho até que estou indo bem
Só apareço por assim dizer
Quando convém aparecer
Ou quando quero

Desenho toda a calçada
Acaba o giz tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol
Que a chuva apagou

Quero que saibas
Que me lembro
Queria até que pudesses me ver

És parte ainda (e sempre será)
Do que me faz forte
E prá ser honesto
Só um pouquinho infeliz

Mas tudo bem
Tudo bem
Tudo bem

Tudo bem
Tudo bem
Tudo bem

Lá vem lá vem lá vem de novo
Acho que estou gostando de alguém
E é de ti
Que não esquecerei...

Esta música hoje, traduz um pouquinho do meu coração. Um coração que está doendo, visto que lhe falta um pedaço. Não imaginei que seria difícil assim. Mas também não pensei que fosse fácil. As vezes penso que os bons momentos que vivemos foram escritos a giz. Então vem a saudade, como chuva forte e apaga tudo. No lugar onde brotava o sorriso, nasce o pranto.
Você descobre que está amando quando percebe o mundo esfarelando a cada despedida da mulher amada. As coisas não funcionam, você quer falar e não pode, você quer ver e não dá. Você quer sentir o perfume da amada em todas as vielas que passa. E você acaba sentindo. Mas o perfume não a traz pra você. É só o perfume, um cheiro e nada mais. Algo fabricado, padronizado. Simples cheiro. E você descobre que nem é o dela.
O amor talvez não seja somente um escrito de giz. O amor é bom. Amar é bom! Até a saudade é algo bom. Nos faz esperar pela amada. Nos faz sonhar e levitar em nossos sonhos. As vezes, este amor até nos faz um pouquinho infeliz, quando não podemos vivê-lo. Tudo são flores, mas nas flores existem os espinhos. A distância talvez seja o maior deles... Mas o amor é bom.
Mesmo quando somos censurados dos nossos sentidos. Mesmo quando não podemos falar sobre tudo. Mesmo quando o tempo é corrido. Mesmo quando a amada está sofrendo e no sofrimento se enerva com você e lhe dá uma resposta não muito boa. O amor é bom até quando a pessoa amada pisa no seu calo. Quando ela faz pouco caso da sua história, finge que está te escutando, só pra te agradar, mas na verdade nem faz idéia do que você está falando. Sim, o amor é bom. Até quando você leva a pessoa amada onde ela quer ir e descobre que ela ali queria ir não por você, mas por uma pessoa amiga que viria a encontrar, ou porque os caras que tocam naquele bar são os conhecidos dela. O amor é bom em tudo.
Mas tem horas que mesmo sendo tão bom, dói tanto!
Mas ainda assim, o amor nos faz melhores, nos leva para o Céu. O amor é bom. E amar é muito bom. E eu sou feliz porque amo!

Belo Horizonte, 27 de agosto de 2008.

Eu Queria Saber


Por Deiber Nunes Martins



Eu queria saber um jeito de te fazer feliz

Um modo de acabar com o teu pranto

Peço-te perdão por não saber

E mais ainda por te fazer chorar.



Eu queria saber um modo de mais perto ficar

Queria ser um dos que te rodeiam

Queria te fazer bem, como você faz a mim

E ainda mais, porque mereces bem mais que eu.



Eu queria saber o remédio pra sua dor

Como eu queria poder estar em dois lugares

Como eu queria derrotar as leis da física

Contradizer o tempo e o espaço só pra te ver sorrir.



Eu queria saber um jeito de te namorar

Ser amigo amante, fiel companheiro

Perdoa-me não ser tudo isso ao mesmo tempo

E mais ainda não ser capaz de te ouvir.



Eu queria saber um jeito de ser melhor

Queria não te entediar com o meu pior

Quem dera os meus fossem os melhores momentos

Queria ser fazer parte do seu espetáculo.



Eu queria saber as respostas às suas perguntas

Queria dissipar todas as suas dúvidas

Eu queria ser a sua companhia na solidão

E n’amplidão do tempo estar sempre junto de ti.



Eu queria saber a ciência dos sábios por você

Queria saber a fórmula que combate sua tristeza

Queria saber o método que acaba com a solidão

Queria saber a maneira de encurtar essa distância...



Eu queria saber como você está agora

Oh amor, como eu queria estar perto de você agora

Como eu queria te dar meu colo, meu corpo, minha vida

Como eu queria fazer meu, teu sofrimento.



Eu queria saber como te amar mais

Eu queria saber como saber mais

Eu queria saber um jeito de estar perto,

De fazer tudo certo ser natural



Eu queria saber mas eu não sei

Perdoa-me, amor, por não saber

Eu desconheço tudo o que disse

E eu também não sei como viver sem você.





Belo Horizonte, 27 de Agosto de 2008 às 12:27.

domingo, 17 de agosto de 2008

Bárbara


Por Deiber Nunes Martins

Minha vida é você
Sem o teu amor
Sou um garoto sem rumo
Longe de ti, amada
Eu estou perdido
Sem lugar, sem caminho
Não tenho pra onde ir
Apenas sei
Que eu te amo.

Sou um garoto perdido,
Sem rumo, sem destino
Sem lugar pra passar as noites
Mas com você eu sei meu destino
Meu caminho é ao encontro do teu abraço
Meu destino são os teus beijos
Minha cidade são os teus carinhos
Meu lugar é o teu colo
Minha vida é ao teu lado
Minha felicidade é partilhada com você.

Em você, minha querida, eu me encontro
Com você, amor meu, eu posso ser bem mais
E sou, orquídea minha
Pois minha vida é você
E eu te amo.

Belo Horizonte, 17 de Agosto de 2008.

sábado, 16 de agosto de 2008

Oração a Nossa Senhora da Boa Viagem


Por Dom Antônio dos Santos Cabral (1° Arcebispo de Belo Horizonte)

Virgem Santíssima, Senhora da Boa Viagem, esperança infalível dos filhos da Santa Igreja, sois guia e eficaz auxílio dos que transpõem a vida por entre perigos do corpo e da alma.
Refugiando-nos sob o vosso olhar materno, empreendemos nossas viagens, certos do êxito que obtivestes quando Vos encamihastes para visitar vossa prima Santa Isabel.
Em constante crescimento na prática de todas as virtudes transcorreu a vossa vida, até o sublime momento de subirdes gloriosa para os céus. Nós Vos suplicamos, pois, ó Mãe querida: velai por nós, amados filhos vossos, alcançando-nos a graça de seguir os vossos passos, assistidos por Jesus e São José, na peregrinação desta vida e na hora derradeira de nossa partida para a eternidade. Amém.


Belo Horizonte, 16 de Agosto de 2008.

Nossa Senhora da Boa Viagem - Senhora da Esperança, Padroeira de Belo Horizonte


Por Deiber Nunes Martins

"Minha alma glorifica ao Senhor,
Meu espírito exulta de alegria
em Deus, Salvador,
porque olhou para a sua pobre serva.
Por isso, desde agora,
me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,
porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso
e cujo nome é Santo.
Sua misericórdia se estende, de geração em geração,
sobre os que o temem.

Manifestou o poder do seu braço;
Desconcertou os corações dos soberbos.
Derrubou do trono os poderosos
e exaltou os humildes.
Saciou de bens os indigentes
e despediu de mãos vazias os ricos.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
conforme prometera a nossos pais,
em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre."
(Lucas 1, versículos 46 a 55 - Magnificat)


Ontem, dia 15, Belo Horizonte comemorou a festa de sua padroeira, Nossa Senhora da Boa Viagem. Em sua catedral, lugar santo de adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento, Nossa Senhora está a nos olhar com seu jeito maternal. Entretanto, ali está a imagem da Mãe de Jesus. Mãe nossa também, que aprendemos a amar e venerar. Aqui em Belo Horizonte, como a Virgem da Boa Viagem. É a padroeira dos viajantes e cuida de nós e de nossas idas e vindas.
O importante que Nossa Senhora deixa para nós é o seu olhar de esperança. A sua maneira de olhar para a vida, para o plano salvífico de amor de Deus Pai. A esperança da salvação pois foi por esta salvação que Maria viu seu filho ser humilhado, manietado e morto. A mãe que sofreu com o filho por algo que valia a pena sofrer. Neste sofrimento de Jesus e Maria, aprendemos a sofrer também. E quando Maria nos olha é com um olhar de esperança. Ela deseja que tenhamos a mesma esperança que torna a nossa vida mais feliz. O sofrimento é inerente ao ser humano, mas Maria nos ensina que não precisamos ficar parados neste sofrimento. Podemos ir além, pela esperança.
Assim, o meu desejo é que a Virgem da Boa Viagem, nos instrua a sermos mais esperançosos com a vida, com nós mesmos e com o outro. E que ela interceda por nós, assim como fez em Caná na Galiléia. A minha esperança está em Cristo, o Filho da Virgem Maria. E a sua esperança, onde está?

Belo Horizonte, 16 de Agosto de 2008.

sábado, 2 de agosto de 2008

Fios de História


Por Deiber Nunes Martins

Os fios de história remontam minha vida. História contada, história vivida, inúmeras histórias e estórias. Para cada fiapo de história, pessoas nasceram, morreram, choraram ou sorriram. Emoções foram vividas, às vezes à flor da pele. Tudo em um fio de história.
Como nos filmes antigos, em preto-e-branco, cinema mudo, minhas histórias contam quase tudo de mim. Por vezes de modo implícito nos acontecimentos, ou em outras ocasiões, de modo bem explícito, bem destacado. Prefiro aquelas em que não sou o personagem principal. Prefiro estar à margem dos acontecimentos. Mas há os casos em que a história acontece por minha causa. Sou o agente principal. Quanta responsabilidade perpassa por mim, nestas horas. Muitas vezes é tão tênue a linha divisória entre o mocinho e o bandido, o herói e o vilão, Luky Skywalker e o Darth Vader. É tão fácil deixar de ser o herói querido e passar a ser o vilão odiado! Tudo bem, não sou uma unanimidade de aceitação, ou ao menos uma pessoa simpática aos outros, mas espera um pouco, ser sempre o vilão da história cansa. Lógico, ser vilão exige muito do ator, sua interpretação tem de ser bem mais crível que a do mocinho sem sal, mas ganhar a antipatia do público não é nada bom.
Existirão horas em que o Deiber deixará de ter a Força ao seu lado e se tornará o Darth Vader mesmo. Mas não quer dizer que isto me faz do mal. Me faz ser mais questionador, me faz ser mais crítico, mais cético, mais chato. Mas não do mal. Os fios de história da minha vida, talvez façam os outros produzirem roteiros que não condizem... com a minha vida! Então é preciso cuidado ao interpretar os fios de história que se vê por aí...
Como numa colcha de retalhos, sendo tecida passo-a-passo, é construída a nossa história. O trem margeia lugares, estações, situações. No meu caso, eu não cheguei a um lugar vindo do nada, saí de um ponto, uma estação, um fio de história contado por alguém em algum tempo. Mas o legal disso tudo é que o produtor principal do filme que é a nossa vida é Deus Nosso Pai. E muitas vezes, é Ele em pessoa que escreverá os fios de história, mas é só isso. Deus é tão bom que não escreve o roteiro todo. Deixa a cargo de nós mesmos a função de roteirista e diretor. Em suma, Deus cria o argumento, quem faz a história somos nós.
Enfim, todos os fios de história precisam ser contados. No meu caso, serei contado aos poucos. Cada fio de história se faz importante na construção do roteiro da nossa vida, mas não é o todo. Assim, se o fio de história de hoje não é o que agrada, pode se passar para outro, e por aí vai, e por aí vamos, andando de trem e contando nossas histórias...

Camacan, BA e Belo Horizonte, MG em 02 de Agosto de 2008.