quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Vai Ter de Ser do Meu Jeito


Por Deiber Nunes Martins

Por vezes fui do jeito dela
Mas não era pra dar certo
Hoje tem de ser do meu jeito
Eu vou lá erro ou acerto.
´
É assim que me sinto bem
Sendo dono de mim mesmo
Por dentro e por fora da milha
Andando a atirando a esmo.

Ela nunca soube o porquê
Também nunca interessa
Por que agora reclamar?
Do Céu eu tenho pressa.

E quando preciso ser eu mesmo
Ela diz que não me entende
Mas não estou errado, eu sei
Minha vida só de mim depende.

Vai ter de ser do meu jeito
É assim que é e vai ser
Se você ver algum defeito
Imperfeito sou, me deixe fazer!

Ela me diz que sou presunçoso
Que penso saber o tudo que não sei
Ela se esquece que não me conhece
Que mesmo vassalo, eu sou rei.

Vai ser do meu jeito
Do meu jeito é que vai ser
Se você vê algum defeito
Errado estou, me deixa aprender.

Vai ter de ser do meu jeito
É assim que é e vai ser
Se você vê algum defeito,
Imperfeito sou, me deixe fazer!

Belo Horizonte, 22 de janeiro de 2009

Eu sou Eu


Por Deiber Nunes Martins

Quem é o Deiber? Por ele mesmo.
Bom, fui pego de surpresa hoje com esta pergunta feita por uma amiga. "Quem é o Deiber?", perguntou ela, assim na lata. Coisa complicada de responder. "Eu sou eu, ora.", respondi pensativo. E pensativo estou até agora...
O Deiber tem vontade própria. Não se prende a conveniências, a frescuras e detalhes. O Deiber é composto de sentimentos, desejos que nem sempre se concretizam, mas que estão ali, batendo a porta, não deixando ser esquecidos. São desejos de um bem querer que não passa, um amor que lateja no peito a vontade de acontecer.
Sou também um misto de hoje com ontem no afã do amanhã. Não tenho como voltar no tempo pra pegar o que foi bom e apagar o que foi ruim, então preciso viver o hoje. Consciente de um passado que precisa estar delineado no álbum de fotografias, eu vejo o dia de hoje como o momento possível de fazer a diferença. Mesmo que nem sempre eu ouse fazer. Mas não custa tentar...
Quem é o Deiber? Eu sou eu. Sou eu naquilo que preciso ser, naquilo que preciso viver. Não posso fazer o caminho do outro, deixando o meu de lado. É preciso mais, é preciso ser autêntico. O Deiber muitas vezes percebe que precisa partir pra luta porque precisa ser respeitado. E ele luta. Ele mata ou morre por respeito.
O Deiber é ele mesmo. Pena que por vezes, muitas vezes, ele não seja compreendido. Mesmo assim, não deixa de ser quem é.

Belo Horizonte, 22 de janeiro de 2009.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Meu Magnificat

Por Deiber Nunes Martins

A minha alma glorifica o Senhor
E meu espírito rejubila em Deus por seu amor.
Porque manifesta sua bondade a todos nós
Sem se esquecer dos teus filhos.
O Senhor não para em minhas misérias
Vai além com sua misericórdia
Acalenta meu sonho e minha espera
Transforma meu pranto em alegria.
Ele derruba do trono os poderosos
E eleva os humildes.
O Senhor é minha luz e salvação
De quem eu terei medo?
O Senhor vem com teus anjos pra me salvar
O Senhor vem com teus anjos pra me curar
Lava meu coração com Teu Amor
Lava meu ser com Tua Água Viva
Faz-me forte e fiel, para o trabalho
Que de mim, quer precisar.
O amor de minha vida é o Senhor Deus
Nele, eu posso confiar
E por Ele, eu quero viver
Pra transbordar seu amor por todo canto
E cantar louvores a ti, meu Deus e Senhor
Por todo o sempre, por toda a eternidade.

Belo Horizonte, 17 de janeiro de 2008.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

COPYRIGHT

Os direitos autorais são protegidos pela Lei nº 9.610/98 e sua violação constitui crime.
Ao copiar os textos atribua os créditos.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo

Por Deiber Nunes Martins

Escrevo aqui, da Bahia, a todos os meus amigos leitores que me acompanharam ao longo do ano de 2008. Este foi um ano de lutas e de muitas vitórias a todos nós. Deus nos acompanhou ao longo deste tempo e tenho certeza de que não nos desamparou. Nesta imensa certeza do amor do Pai, é que estou caminhando rumo a 2009.
A todos vocês, eu deixo o meu sincero abraço e desejo de que em 2009 possamos novamente estarmos juntos. Eu aqui, no teclado e vocês ai, com o mouse lendo os meus textos. Peço a Deus que me inspire ainda mais para que no próximo ano eu possa deixar neste blog um pouco da minha história e de minha vida.
Um grande vitória certamente é a oportunidade de começar um novo ano. Em meio a tantas pessoas que não terão esta oportunidade, ou que estarão começando o ano no leito de um hospital ou encarcerado ou mesmo desiludidos sem nenhuma perspectiva ou esperança, nós temos o melhor. A esperança em Cristo, de que Ele nos fará a diferença. Esta é a melhor oportunidade para o ano que está chegando. Que possamos vivê-lo com muito amor, com muita paz e com muita esperança. A esperança de um mundo que pode ser bem melhor.
Só depende de nós.
Feliz Ano Novo!
Camacan-BA, 31 de Dezembro de 2008.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Oração das Lidas Terminadas


Por Pe. Sérgio Luiz e Silva, Paróquia São José, BH


“Consolai, consolai meu povo, diz vosso Deus. Animai Jerusalém, dizei-lhe bem alto: SUAS LIDAS ESTÃO TERMINADAS!...” Is. 40, 1-2ª

Pai! Foi assim que Jesus te chamou e nos ensinou a te chamar. No Filho somos filhos. Tu enviaste sobre nós o Espírito Santo que clama em nós: “Abba, Pai!” Portanto, já não sou escravo, mas filho. E, se sou filho, sou também herdeiro por Ti, meu Deus e Pai (Tg 4, 4-7).

Como filho, expresso minha gratidão por tudo que me deste viver neste ano de 2008, mesmo as lutas e tribulações pelas quais passei. Em todas elas eu Te dou graças (Fp 4,6). Liberta-me de toda servidão que me amarra, condiciona e derrota, impedindo-me de tomar posse dos teus planos para mim no novo ano que vai nascer. Quero limpar de minha vida as atitudes e pensamentos que atraíram problemas, mais do que vitórias.

Na autoridade do nome de teu Filho Jesus, recebo, para minha vida e de todos os meus, a proclamação do profeta Isaías: SUAS LIDAS ESTÃO TERMINADAS! Na unção do Espírito Santo, profetizo esta Palavra em todas as áreas de minha vida:

MINHAS LIDAS ESTÃO TERMINADAS, EM NOME DE JESUS! (3X)

Eu entrego, eu confio, eu espero! (3x)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Palavras de Um Futuro Bom

Letra: Rogério Flausino, Jota Quest
Comentário: Deiber Nunes Martins

Anda!
Enquanto o dia acorda
A gente ama
Tô pronto prá te ouvir
Aqui na cama
Te espero "vamo" rir
De todo mundo
Nesse quarto tão profundo
Haran!...

Pára!
Repara!
Tente ver a tua cara
Contemple esse momento
É coisa rara
Uma emoção assim
Só se compara
A tudo que nós já
Passamos juntos
Ah! Ah! Lará!...

Preciso tanto
Aproveitar você
Olhar teus olhos
Beijar tua boca
Ouvir palavras
De um futuro bom
Heié! Heié!
Preciso tanto
Aproveitar você
Olhar teus olhos
Beijar tua boca
Dizer palavras
De um futuro bom
Haran! Haran!...

Anda!
Enquanto o dia acorda
A gente ama
Tô pronto prá te ouvir
Aqui na cama
Te espero
"Vamo" rir de todo mundo
Nesse quarto tão profundo
Naran!...

Pára!
Repara!
Tente ver a sua cara
Contemple esse momento
É coisa rara
Uma emoção assim
Só se compara
A tudo que nós já
Passamos juntos
Nesse quarto
Em um segundo...

Preciso tanto
Aproveitar você
Beijar teus olhos
Olhar tua boca
Dizer palavras
De um futuro bom
Heié! Nanaran!
Preciso tanto
Aproveitar você
Beijar teus olhos
Olhar tua boca
Ouvir palavras
De um futuro bom...

Palavras! Palavras!
Palavras de um futuro bom
Palavras! Palavras!

Preciso tanto
Aproveitar você
Beijar teus olhos
Olhar tua boca
Ouvir Palavras
Palavras! Palavras!
De um futuro bom
Heié! Heié! Heié
Heié! Nanaran!...

Esta música diz por si só o que eu quero para 2009. Quero amar dez vezes mais que em 2008. Poder dizer e ouvir palavras de um futuro bom da mulher que amo...

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

É Natal


Por: Deiber Nunes Martins

É natal. Aniversário de Cristo. Tempo de renovação da alma. Um tempo abençoado. Durante o natal podemos renovar nossa vida, nossos projetos, nossos sonhos. É tempo de faxina interior. De incorporar novas idéias, novas atitudes e tudo o que é bom. Tempo bom.
Cristo nasceu numa manjedoura, longe do conforto do lar, em meio aos animais, no único lugar que São José pôde arrumar. Hoje, vivemos a estressante procura por um apartamento situado perto de escola, hospital, supermercado e tudo o mais. O nosso projeto envolve o conforto. O de Cristo era a necessidade.
Naquele tempo, os pastores seguiram a estrela, rumo a gruta onde a José e Maria estavam com o Menino Deus. Desde os primeiros segundos de vida, Jesus foi luz. Iluminou os corações de seus pais e iluminou os corações dos pastores e dos reis magos. É o Menino Deus. Era pra ser a luz do nosso tempo. Mas nem sempre o é.
Dia 24 de dezembro de 2008. Centro de Belo Horizonte. A cidade toda agitada, a poucas horas da celebração do natal. Lojistas se agitam nos últimos momentos de venda, de negócios a serem feitos. Vendedores trabalham extenuados pelos turnos de dobrados, horas extras e comissões que nada valem. Pessoas se comprimem buscando os últimos presentes, as últimas lembrancinhas. O trânsito é um festival de buzinaços, de intolerâncias e tudo o mais. Tudo se agita, tudo se inquieta. Mas na agitação das pessoas, o Menino Deus renasce, sem ouro, incenso e mirra. Todos os presentes foram distribuídos. Faltou o do Menino.
Em meio a tanta agitação e balbúrdia, eu paro para refletir um pouco. Estou chateado por não encontrar a roupa que procurava, o presente ideal. Um garotinho chega a meu lado com uma caixa de balas...
"Moço, compra bala na minha mão. Duas por um real..."
O menino magricelo mal consegue segurar a caixa pesada. Pergunto se ele tem troco pra cinco reais e ele me devolve:
"Tenho não. Comecei agora."
"E a que horas vai terminar?" Eu faço a indagação, esperando uma outra resposta, mas a que ele tem é a mais possível:
"Termino as sete. Tenho que vender toda essa caixa."
A que horas vai terminar. A que horas termina a miséria, a pobreza, o sofrimento? É o que eu desejava saber. Aquele menino tinha de estar brincando com as outras crianças, vivendo o sabor da véspera de natal, como todos os outros meninos da sua idade (seis anos, não mais que isso). Mas não.
Até quando Jesus viveria naquela miséria? Até quando o menino não teria um lugar para nascer. Até quando viveria exilado, com seus pais temendo a ira do tirano Herodes?
Até quando aquele garotinho viverá vendendo balas, para ajudar no sustento da família? Até quando gastaremos o nosso tempo alimentando um sistema excludente, comprando o que não é essencial para fazer a felicidade de quem amamos? Até quando não daremos nosso ouro, incenso e mirra ao Menino Deus?
É natal. Tempo de pensar e repensar. Mas o menino continuará na manjedoura, sofrendo com a nossa indiferença. Enquanto o outro garotinho continuará largando o aconchego do seu lar para viver na incerteza das ruas, vendendo suas balas. É natal. Uma data. Só isso...
Mas eu quero mais. E sei que você também...
Feliz Natal, Menino Jesus!

Belo Horizonte 25 de dezembro de 2008

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A chuva


Por Deiber Nunes Martins

A chuva lava pensamentos, sentimentos
Chuva que não para cair
Goteja em meu peito um pressentimento
De que você não pode vir.

Me pego pensando em mim mesmo
Enloquece-me esta dor desvairada
Saio disparando meu pranto a esmo
Não tenho mais esta paz descuidada.

A chuva corta meus sonhos
Você não sabe o quanto te quero
Afasta-te, sofrimentdo medonho
Me devolve o amor que espero.

Quando não mais te vejo em mim
Corta-me na carne, devolve minha dor
Não posso estar tão triste assim
Não entendo mais meu doce amor.

Chuva, chuva forte, chova sorte
Augúrios de um amor que não tem fim
Leva-me à vida, dor que torce a morte
Não me deixe sofrer tanto assim.

Belo Horizonte, 15 de Dezembro de 2008.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Eu Amo Esta Cidade


Por Deiber Nunes Martins

Hoje vou cantar esta cidade
Vou dizer a ela todo meu amor
Ao mais belo horizonte da minha vida
Um lugar feliz pra qualquer idade.

Eu amo esta cidade
Mais do que qualquer trem
Você pode não gostar ou rir de mim
Mas BH é meu lugar!

Cercado por montanhas se faz amor
E nas cercanias do prazer todo verso
No reverso deste sentimento
Trejeitos de cidade multicor.

Aqui o céu é se faz em preto e branco
As mulheres são lindas, quentes, inteligentes
Cidade do uai meu sinhô
De gari a dono de banco.

Eu amo esta cidade
Mais do que qualquer trem
Você pode rir ou não gostar
Mas não troco por nada BH.

Terra boêmia de mil e um barzinhos
Cada qual a seu jeitinho e seu tempero
Cidade dos sabores, frango com quiabo e angu
Quero em meu prato mais um tiquinho!

BH linda! Cidade jardim!
Amor dos amores, da praça liberdade
Uma verdade, uma certeza
BH sempre tão linda assim...

Eu amo esta cidade
Mais do que qualquer trem
Você pode rir ou não gostar
Mas aqui é meu lugar!

Amo BH mais que qualquer trem
É aqui o meu lar doce lar
Lugar de gente boa sinsinhô
Vem morar aqui também!

Belo Horizonte, 12 de Dezembro de 2008.

Homenagem aos 111 anos de Belo Horizonte.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

É Diferente


Por Deiber Nunes Martins

Quem pode entender as nuances do amor? Aline e Vitor faziam um casal perfeito. Se é que pode existir tal casal, mas eles certamente se aproximavam disso. Estudaram juntos no colégio, depois viveram algum tempo em cidades distantes. Mas só descobriram o amor quando se reencontraram, na festa de Betinha, há alguns meses atrás. E não foi qualquer amor. Foi coisa séria. Amor arrebatador que mudava tudo.
Mas certo dia, Vitor deixou a todos boquiabertos.Em poucos termos, chegou a soleira da porta, respirou fundo e disse sem olhar os presentes nos olhos:
“Está tudo acabado. Terminamos.”
E de dentro do quarto, uns poucos soluços de Aline era o que se ouvia. Olívia, a amiga inseparável largou a bebida e as pedras do dominó e correu para o quarto, tentar consolar a amiga.
Ainda perplexo, Léo pensou em oferecer uma bebida a Vitor. Mas quando fez menção de colocar o vinho no copo, o rapaz já estava saindo do apartamento, meio sem rumo. Ninguém se compadeceu dele.
Era Aline quem carecia de cuidados. Era ela a rejeitada. Era ela, a infeliz. Talvez Vitor estivesse passando por um momento confuso, próprio da juventude. Ou talvez, algum rabo de saia estivesse mexendo com a sua cabeça. Certamente, ele era o culpado. Não carecia compaixão. Aline sim. A pobre sofredora.
Mas Aline não sofria tanto assim.
“O que aconteceu, amiga?”, indagou Olívia “Estava tudo tão bem entre vocês...”
“Ele terminou comigo, amiga”, disse Aline, seriamente “tava demorando...”
“Como assim?”, indagou Olívia incrédula, “Do que está falando?”
“Ele descobriu algumas coisas, pegou algumas cartas minhas, descobriu tudo sobre meu passado, sobre o Breno.”
“E quem é Breno?”
“Ora, quem é Breno! Uma paixão do tempo em que eu estava fora daqui. Acontece que voltei, mas não perdi o contato com ele. Continuamos nos comunicando pela internet, e-mail e tudo o mais. Acontece que o Vitor é esperto e tem muitos amigos. Algum amigo dele deve ter monitorado meu computador, ou coisa assim. Só sei que o Vitor tinha uma certeza irremediável quando me disse que tava rompendo comigo.”
“Mas, Aline, vocês se gostam tanto! O que foi que ele te disse?”
“Disse que não suportaria saber que a mulher que ele ama, ainda é capaz de se comunicar com outro homem. Ainda mais um ex-namorado. E ainda mais um cara que eu ainda não esqueci.”
“Mas você não deixou ele saber que você ainda não esqueceu esse tal de Breno?”
“E precisava? Se meus olhos me entregam, se minhas frases soltas falam mais que minha boca? O que eu posso fazer se ainda amo o Breno?”
“Mas, Line, você me jurou que amava o Vitor! Como é isso?”
“Sei lá, amiga! Com o Vitor é diferente...”

Belo Horizonte, 09 de Dezembro de 2008.

Nossa Senhora da Conceição


Por Deiber Nunes Martins

Deus é tão bom que nos deu seu Filho muito amado, para nos salvar. Mas sua bondade ainda vai além. Porque por meio de seu filho, nos deu também a Mãe, Maria, a Virgem da Conceição. Virgem e Mãe que disse Não ao pecado, dizendo Sim a Deus. Esta Mulher, Mãe de Nosso Senhor deve ser o exemplo a todas as mulheres da terra. E aos homens também.
Em minha vida, preciso imitar Maria em seu sim, em sua santidade. Em sua harmonia com o Céu, Maria nos ensina a fazer o que Deus quer de nós. A Mãe de Jesus é importante para o cristianismo tanto quanto Jesus. A imagem do Céu vem a Cristo por intermédio de sua Mãe. Na passagem das Bodas de Caná, é Maria quem se mostra como intercessora e como Mãe. Mulher sábia, que sabe enxergar nas entrelinhas o momento inicial da missão de Jesus.
A simplicidade de Maria é a maior lição que precisamos aprender. Preciso viver esta humildade, preciso entender esta sabedoria revestida das coisas simples que tanto agradam a Deus. Maria não é uma Mulher rebuscada, como tantas que vemos por ai. Maria é autêntica e leva sua fé as últimas conseqüências. Como faltam mulheres assim hoje em dia! Mulheres de fibra que não desistem, que lutam até o fim. Que vivem o medo sem se deixar levar por ele. Mulheres que são o coração do homem. No caso de Maria, o coração de Jesus e de José.
Mãezinha do Céu, a ti quero entregar o meu amor e a minha devoção. Perdoa-me, pelas vezes que lhe roubo meu coração, para entregá-lo as efemérides deste mundo. Perdoa-me Mãe querida, por não te amar tanto quanto deveria. E obrigado, porque nos ensina, que mesmo diante de tanto desamor, o amor de Deus sempre é maior e vencedor.
Nossa Senhora da Conceição, rogai por nós!

Belo Horizonte, 08 de Dezembro de 2008.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Notas sobre o Poema "Meia Noite é Quando é Menos Um Dia"


Por Deiber Nunes Martins

Um dos meus últimos poemas, antes da inspiração pedir o divórcio e se mandar com as crianças, "Meia Noite é Quando é Menos um Dia" gerou certa polêmica e muitos o consideraram um poema sombrio, pessimista e depressivo. Respondendo a estes, quero postar esta nota, desfazendo todo e qualquer mal entendido que possa existir.
O poema que para muitos refere-se a tristeza, a vontade de morrer, ao processo depressivo que muitas pessoas hoje em dia estão passando, é na verdade o oposto disso tudo. Este poema tem a ver com o meu coração e com o amor que carrego neste. Meia noite é quando é menos um dia, não para a morte. Mas para que eu encontre com meu amor. A cada dia, vivo no compasso da espera. Espera lancinante e para alguns amigos maluca. Tenho ouvido de muita gente que este noivado não vai dar certo, que esta mulher não é para mim. Que eu fui encontrar uma noiva longe de mais, com tanta mineira linda aqui dando sopa. Não me importa, este poema é para estes. Para que entendam que esta é a mulher que eu quero para minha vida, a amada dos meus dias. Meia Noite é menos um dia, para eu amar esta mulher, como se eu não a amasse hoje mais que ontem e menos que amanhã.
Por vezes, não sou digno deste amor. Não ouso merecê-lo. Mas é Deus quem decide isso com o seu amor e a sua misericórdia. Este poema retrata este amor calcado em Deus, que não cansa de me amar e de intervir em meu favor, quando muitas vezes eu faço tudo errado...
Sou um pobre pecador, um homem frágil, cheio de defeitos. Mas um homem que também ama e que por isso ousa sonhar com o dia de amanhã. Ousa sonhar com a amada ao seu lado. Meia noite é quando é manos um dia, para que um novo encontro aconteça. Benditos reencontros. Bendita mulher! E bendita aquela viagem a Bahia...
Pois é isso, caríssimos. Meia noite é quando é menos um dia. Não para morrer, mas para viver este amor que dilacera meu peito, corta na carne e na alma. Mas não sangra. Dói mas desatina sem doer.
Meia noite é quando é menos um dia, pra te encontrar, minha minina!

Belo Horizonte, 07 de Dezembro de 2008.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Amigo

Por Deiber Nunes Martins

Caríssimo amigo, esta missiva é pra você. Embora eu quisesse te escrever de modo convencional, não tenho a oportunidade, nem o endereço. Então o faço em público mesmo. Em meu blog. Espero que leia.
Quero te parabenizar por seu dia. Feliz Aniversário! Que Deus te abençôe, te ilumine, te guie em seus empreendimentos, te cuide. Um grande abraço de seu amigo, Deiber.
Infelizmente, as circunstâncias da vida, nos levaram a perder contato. Não tenho seu telefone, nem seu endereço. Você desapareceu. Talvez por imaginar que eu não poderia lhe ser útil. Mas os amigos são bem vindos mesmo quando são inúteis. Talvez eu não tenha prezado como deveria pela sua amizade, e você tenha se afastado de mim. Mas saiba que em momento algum, você deixou de figurar em minhas orações. E saiba, mesmo eu sendo inútil, você ainda pode contar comigo.
Espero que esta carta chegue até você. Não tenho como te ligar no seu aniversário. Mas tenho como estar presente em sua vida, por meio das minhas orações e do meu sincero desejo de que tudo esteja em paz com você. Mais uma vez, que Deus o abençôe e te guarde. Um abraço, meu amigo.

Belo Horizonte, 28 de novembro de 2008.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Graça


Por Deiber Nunes Martins

A Graça de hoje é de todo dia
Dia de Maria, a nos embalar
No compasso da alegria
Da canção de ninar...

Mãe formosa, sempre tão bela
Como aquarela pra gente brincar
Senhora mais linda e singela
Mãe que não cansa de amar.

Maria, Senhora das Graças
Amor que não passa, uma vida
Lugar que o rosário abraça
A oração que convida.

Mãe Pura, leve a minha oração
Ao coração, de nosso Senhor Jesus
Nem só de Graças vive a minha oblação
Saudade, amor, dor, a minha Cruz.

A graça do amor, é o amor de Maria
Que contraria o incauto pensar
Jesus, nos dê de tua Mãe a alegria
De pra sempre com ela, vos louvar.

Belo Horizonte, 27 de Novembro de 2008.

domingo, 23 de novembro de 2008

Batismo

Por Deiber Nunes Martins

Hoje foi um grande dia para mim. Tive a honra de ser o padrinho de uma linda criança. Fico a refletir as maravilhas do Batismo, para os católicos. E confesso que somente hoje pude perceber a importância deste elo com Deus.
No Batismo, rompemos com o pecado original e nos tornamos participantes da Glória de Deus. O Batismo é sinal de vida e busca da santidade. Por isso, os pais católicos querem antes de tudo, batizar seus filhos. Assim também o fim com minha afilhada, embora ela já tenha 10 anos de idade. Mas acredito que a sementinha de Cristo em seu coração tenha sido plantada ainda em sua concepção lá atrás, pela sua mãe. Cristo muitas vezes é uma sementinha de mostarda, que deixada pra lá, acaba se recolhendo nos corações, esperando a hora de brotar e gerar planta e fruto.
Tão logo Izabelle (minha afilhada) nasceu, esta sementinha começou a fazer força pra brotar. Deus está nas pequenas coisas, e sempre me causou admiração o fato de as outras pessoas admirarem tanto a Izabelle. Seu jeito sereno, santo, mesmo nas traquinagens de criança. Izabelle sempre me mostrou Cristo Menino, sempre me mostrou a singeleza da santidade, a simplicidade do coração. Fruto que eu sempre quis ter.
Um dia, ainda namorava a mãe de Izabelle, fui surpreendido pelo convite para ser seu padrinho. Ela me puxou num canto e me perguntou: "Você quer ser meu padrinho, Deiber?"
Não digo que fiquei surpreso com o convite. Esperava que ela fosse me pedir para batizá-la. Mas confesso que naquele dia fiquei muito feliz. Me senti responsável por uma vida. A confiança daquela menina em mim, me fez voltar pra casa chorando de alegria. Ela é a minha primeira afilhada. E no caso dela, algo interessante: ela mesmo me escolheu. Não foram seus pais. Foi ela. A minha responsabilidade sobre esta menina aumenta ainda mais, uma vez que não é de conveniência a minha escolha para batizá-la. Como acontecem nas famílias tradicionais, escolhe-se o padrinho pela importância dele na família, pelo status social, ou pela capacidade financeira. No caso da Izabelle, é diferente. Ela não tem o discernimento destas coisas. Apenas sentiu em mim o pai ausente que ela sempre desejou. As pessoas buscam coisas tão simples e as vezes a gente complica pensando demais no que os outros pensam.
Eu, que nada posso de material oferecer a esta minha afilhada, me comprometi, desde então, a doar o meu amor e o meu melhor, pelo bem estar dela. Tempos depois, a mãe dela e eu viemos a nos separar, terminamos o namoro. Mas ainda assim, Izabelle manteve-se firme na sua escolha. E mostrou a mim e a todos, que o que importa não são as conveniências da vida, mas o amor que dela recebemos.
O Batismo hoje, para mim, é mais que um ritual. É mais que a tradição, mais que uma característica da nossa Igreja Católica. O Batismo hoje para mim, é um gesto de amor. Deus me presenteia hoje, com a Izabelle. Espera de mim o cuidado que ela tanto precisa. Espero dela a felicidade. Espero dela a santidade. Estou feliz por te batizar, Izabelle. Estou muito feliz!

Belo Horizonte, 23 de novembro de 2008.

domingo, 16 de novembro de 2008

Sonhos e Realidades...

Por Deiber Nunes Martins

Amigos, este texto tem por razão única expressar o meu desejo de seguir em frente. Ser guiado por Deus em meus projetos e sonhos. Escrevi em "Venturas e Desventuras de um Sonhador", que eu precisava de sonhos pra viver. E todos nós precisamos. Os sonhos são a mola mestra do nosso viver. Quem não sonha, não vive. E por ai vai.
Quando escrevo estas linhas, penso em mim como um ser que precisa de sonhos, que precisa das nuvens para pairar no solo, no que é real da minha vida. E quando eu vejo a realidade, desnudada em meus sonhos, vejo que é plenamente possível concretizá-los.
Uma coisa interessante sobre os sonhos é a vontade que temos de realizá-los. Enquanto escrevo nesta sala fechada, quente, vou pensando na solidão que sinto. No vazio que se coloca a minha frente, desejando ser possuído, como saída para a minha vida. Eu não me imagino a vida toda sozinho. Mas quando vejo meus amigos saindo para encontrar suas namoradas nas noites de sábado e eu não posso fazer o mesmo, vejo que preciso ir em frente, para alimentar o real do meu sonho: estar com minha amada. E quando a única oportunidade que tenho de estar por ela, a internet, está comprometida, quando este canal virtual se fecha, eu percebo que meu sonho é bem mais real que eu.
Um sonho é real quando é sonhado. A realidade se faz presente na vontade da realização. Um sonho é um sonho quando não pode ser sentido, quando não pode ser sonhado. O pessimista é um sonhador incompleto. O realista, um sonhador frustrado. E o otimista, um sonhador realizado. Prefiro realizar-me em meus sonhos reais a morrer paralisado em minhas amarguras irreais. É assim que quero viver e é assim que vou em frente.

Belo Horizonte, 16 de Novembro de 2008

sábado, 15 de novembro de 2008

Vers de Feu


Por Deiber Nunes Martins

Eu sou como pedra no deserto
Maltratada, seca e suja
Mas tenho meu valor
Eu tenho um amor.

Mas, a vida que segue me forja
Sou tentado e testado
O amargo inimigo faz mal
Inimigo cruel, voraz e mortal.

Aonde vou, não venha comigo!
Não quero sua dor
Não sofras tanto assim
Talvez não possas nada por mim.

Deixa a tristeza toda pra mim
Ainda assim, sentirei o seu amor
Mesmo na dor há um coração
Mesmo no amor, solidão.

Guia-me para o alto
Leve-me para longe
Leve-me ao limiar
Faça-me amar...

Forte bruma fraqueja-me o passo
Não tenho o seu abraço
Não tenho mais nada
Longe de mim estás, amada!

Sobeja-me esta dor febril
Sumir da vontade que não passa
Essa alegria sem graça
Sofrimento sem fim.

Belo Horizonte, 15 de Novembro de 2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

No Álbum de Uma Veneziana

Por Gonçalves de Magalhães in "Suspiros Poéticos e Saudades"

Bem quisera, oh bela virgem,
Hoje extrair de meu peito
Algum suave perfume,
Em sinal do meu respeito.

Quisera na minha lira
Cadenciar algum hino,
Com que louvasse os encantos
Desse teu rosto divino.

Mas temo, temo que o peito,
De gemer já fatigado,
Em vez de cantar, exale
Um suspiro magoado.

Ah! temo, temo, acredita,
Que a minha fúnebre lira,
Em vez de entoar um hino,
Só triste nênia desfira.

Ah! tu cuidas, bela virgem,
Que é feliz todo o vivente?
Inda estás no albor da vida,
Tens uma alma inda inocente.

Não; tu me vês peregrino,
Errando de terra em terra:
Mas, oh virgem, tu não sabes
Que dor o meu peito encerra.

Veneza, maio, 1835

Venturas e Desventuras de um Sonhador


Por Deiber Nunes Martins

"Se felicidade é ter sonhado, sou infeliz por ter meu Céu." (Deiber in "O Palhaço")
As noites insones não têm impedido meus sonhos. Eles sempre aparecem e sempre me causam surpresas. Coisa boa é sonhar. Sonhar com a vida, sonhar com o amor, sonhar com Deus. Sonhar é para os fortes. Quem não sonha, se perde no tempo, na imensidão de um mundo realista e pobre. Realidade que não me alimenta, que não me satisfaz.
Ainda me recordo do último fim de semana. Um sonho tão real, que parecia estar acordado. Sentir o abraço daquela mulher é algo que me enche a alma. Sentir seu perfume, a maciez da sua pele, o calor do seu corpo comprimido ao meu lado no colchão é um sonho que dinheiro nenhum no mundo pode pagar. Como eu desejo esta mulher!
Meu Deus, quisera eu fazer de meus sonhos a realidade de minha vida. Eu seria o senhor do impossível e tomaria o seu lugar. E isso eu não quero. O impossível é Tu quem fazes por mim. Porque me ama e este amor é o amor do impossível, ou do improvável. Impossível ou improvável é abrir uma página da internet e dar de cara com essa mulher que transformou a minha vida. Virou meus sonhos de pernas pro ar e fez de mim um projeto de homem novo. Implodiu os alicerces de um homem velho, comandanda por um Engenheiro chamado Deus. Impossível é projeto deste Engenheiro. Eu só sou a obra. Obra sonhadora.
Como é bom sonhar com esta mulher de nome bárbaro. Sonhar estar em seus braços, sonhar com seu olhar. Sonhar com seu desejo imenso por mim. Sonhar com nós dois despidos das vestes e de tudo e vestidos somente de amor, desejando um ao outro na hora do banho. Um banho gostoso, relaxante, envolvente que faz de nós meros seres encharcados da Graça de Deus. Graça de sonhar.
Como é gostoso sonhar com essa linda torcedora do Botafogo, encantando meus ouvidos com suas palavras doces. Dizendo que me ama sem ter mais nada a dizer, apenas sentir. Como é bom sonhar com esta mulher forte se entregando a mim, no limiar de suas forças e na plenitude de seu prazer e em seguida se desculpando por ter de ir embora. Fazendo de mim, um garotão adolescente desejando um pouco mais da vivência e do amor da Mulher amada. Como é bom sonhar!
Um sonho é um sonho. Pena que se vai no horizonte, em um avião, para longe. Bem longe. Sonho que me faz chorar, quando acordo e me deparo que tudo não foi mais do que... sonho! Sonho meu, sonho dela, sonho de uma vida inteira. Vida inteira pra morrer, vida inteira pra sofrer, vida inteira pra viver! Vida inteira pra sonhar!
Que este sonho, possa sair do papel. Traçado minuciosamente por este Engenheiro de nossas vidas, este Senhor dos Senhores, este Deus Imenso que faz dos sonhos realidade. E faz da minha vida, felicidade.

Belo Horizonte, 14 de novembro de 2008.

Pra Ficar Comigo

Música: Ira!
Texto: Deiber Nunes Martins

Sempre estive a seu lado
Me diga agora se estou errado
Você me ama, isso eu sei
Mas me deixou sem ter porquê

Você pode inventar mil desculpas
Mas, meu bem você já é bem adulta
Pra ficar comigo

Nos momentos que deitamos
Eu me lembro, foram muitos planos
Agora vejo tudo desmoronar
Abro meu olhos, você não está

Meus sentidos estão todos a mil
No meu carro tem um banco vazio
Vem ficar comigo
Sem mais demora...
Pra ficar comigo... de vez

E você tem que se decidir
E parar de me confundir
Trabalho muito o dia todo
No fim do mês não me sobra um troco
Mas sem dinheiro sei que posso viver
Sem você, eu não sei

Meus sentidos estão todos a mil
No meu carro tem um banco vazio
Vem ficar comigo
Sem mais demora...
Pra ficar comigo... de vez

E você tem que se decidir
E parar de me confundir
Pra ficar comigo, sem mais demora
Vem ficar comigo, de vez...

Pra ficar comigo, vem ficar comigo de vez. A música expressa hoje o meu sentimento em relação as incertezas, encontros e desencontros que marcam meus colóquios virtuais com minha Orquídea. Uma Orquídea teimosa, que insiste em muitos tópicos nos quais já estão batidos para mim. Não há o que discutir nem duvidar. Eu quero é ficar junto dessa neguinha. Quero me casar com ela. Quero ficar com ela de vez. Pra sempre e por toda a eternidade, se Deus assim o permitir.
Muitas vezes, precisamos nos dizer a exaustão para sermos compreendidos. O dia hoje foi tão suave que eu até desconfiei. Como sexta-feira tranquila é pura loteria, meu cansaço veio todo na última conversa com Orquídea, por volta das seis. Não é fácil tentar ser compreendido. Mas é pra isso que estou aqui. Não será nada fácil dobrar esta florzinha do meu jardim, mas é pra isso que eu nasci. Então, que posso fazer?
Posso me decidir a cada dia amar mais e mais esta mulher. E a cada dúvida que pairar em seu coração, eu tenho de sufocá-la, até que não resida mais nenhuma semente de dúvida, de desamor. E só o amor paire entre nós. Pra ficar comigo, minha doce amada, é só vir ficar comigo, de vez. Estou e estarei sempre a sua espera. Mesmo que não perceber isto.

Belo Horizonte, 14 de novembro de 2008

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

As Duas Faces da Lei


Por Deiber Nunes Martins

Escrever sobre "As Duas Faces da Lei" é algo bem fácil. Tanto que aproveito para fazê-lo ainda com os créditos finais do filme fresquinhos na cabeça e o gostinho da pipoca na boca. Confesso que esta facilidade toda me desapontou, pois eu esperava mais do tão aguardado encontro de Al Pacino com Robert de Niro.
Ícones do cinema, os dois atores são daqueles que seguram qualquer produção. Talvez seja por isso, que a produção de Jon Avnet seja passível de crítica. Não fosse pelos dois, passaria despercebido do grande público. Mas tudo bem, vamos ao filme.
Com uma trama requentada, Avnet tenta convencer o espectador de que ele nunca viu a história a ser contada. Pacino e De Niro vivem dois policiais veteranos, em busca de um assassino serial que poderia ser um policial. Desculpem pela rima, mas é que tem a ver com a poesia da trama...
Num roteiro confuso que se perde sozinho, os dois astros apenas empreendem o gesto de interpretar. Não incorporam os policiais e acabam formando uma dupla que cansaria mais que Mel Gibson e Danny Glover num impensado "Máquina Mortífera 5". Esta displicência de Robert de Niro e Al Pacino, se deve em parte ao roteiro nada verossímil. Mas também os dois têm parcela de culpa nos atropelos.
Talvez o grande pecado de “Righteous Kill” (título do filme nos EUA) além de ser deveras comum, é sua previsibilidade. Numa história de detetive qualquer, desvendar o mistério em poucos minutos de projeção é um crime. Pedindo perdão pelo trocadilho, o filme deixa a desejar justamente no ponto onde deveria ser impactante: o mistério. A partir daí, tem-se uma interminável seqüência de idas e vindas que não levam a lugar nenhum e personagens coadjuvantes sem nenhum perfil como os de John Leguizano, que já esteve melhor em outras aparições, Curtis Jackson, Brian Denheri e Carla Gugino. Restam ao longa Pacino e De Niro. E o final só pode depender deles.
Esta previsibilidade do roteiro atenua a trilha sonora marcante e realça os deslizes da montagem. Mas no filme tem Robert de Niro e Al Pacino! Deveria bastar, mas não basta.

Belo Horizonte, 13 de Novembro de 2008.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Diferenças e Igualdades


Por Deiber Nunes Martins

Ainda sobre o tema diferenças e semelhanças, quero partilhar algumas argumentações, visto que o tema muito me incomoda. Vejo que as diferenças são em certo ponto, salutares ao casal. É na diferença que se tem a riqueza de idéias e comportamentos. Entretanto, pessoas diferentes precisam tomar certos cuidados no relacionamento.
As diferenças precisam enriquecer um relacionamento. Caso contrário, podem contribuir para a separação do casal. E quando uma diferença enriquece um relacionamento?
Diferenças enriquecem relacionamentos quando funcionam como um somatório de virtudes e idéias aos dois. Para isso, é preciso respeito, tolerância e muito amor. Não é fácil ter uma opinião própria e ainda aceitar a opinião diferente do outro. É um exercício de compreensão e amor. Em momentos assim, podemos perceber se o amor é amor, ou não é. A dificuldade existe, mas quando se ama, consegue-se tolerar opiniões contrárias às nossas.
Vencendo este desafio, o relacionamento fica mais forte e capaz de superar inúmeras tempestades ao longo do tempo. Tanto homem quanto a mulher serão capazes de ver a situação e agir conforme sua posição, sem receio do embate com o outro. Haverá o respeito em todos os sentidos. Uma situação complicada deve ser na educação dos filhos. Marido e mulher com idéias divergentes quanto a educação dos mesmos é um ambiente desafiador. A solução é o amor e a confiança de que os caminhos levarão ao melhor para os rebentos, mesmo não sendo semelhantes.
Quando uma diferença não enriquece um relacionamento? Quando o casal não consegue superar as divergências. Não há o devido respeito mútuo. Uma idéia logo é destruída pela idéia do outro. Um precisa se sobressair ao outro. As crises começam com as brincadeirinhas, com os deboches, as pequenas manifestações de sarcasmo. E logo desencadeiam grandes conflitos e traumas. Mágoas são inevitáveis até mesmo porque se espera muito da pessoa amada e a diferença de pensamento acaba não permitindo a concretização do que se espera.
Nesta hora entram em cena as “pseudo-amizades”, tão comuns a todos os casais. São pessoas que ao invés de lutar pela união do casal, lutam contra, colocando-se como amigo ou amiga. Um ponto de choque é quando o homem ou a mulher tenta “lavar a roupa suja” junto a um pseudo-amigo. Isto cria um conflito ainda maior, porque a parte questionada acaba sendo posta como a vilã da história. O pseudo-amigo acaba tomando partido inevitavelmente, por conveniência ou não. Os traumas que se seguem são irreparáveis. Eu, particularmente, já vi relacionamentos duradouros ruírem graças às amizades falsas. E também já fui vítima dessas situações. E tudo porque um é diferente do outro.
Quando uma diferença empobrece o relacionamento a solução é a igualdade. Esta não sendo possível, a separação é o melhor caminho. Quando não há respeito pela opinião do outro, é porque o outro não tem grande valor. Não há amor que resista a diferenças mal resolvidas. Um pode ser de uma opinião e o outro de outra opinião completamente distinta. Mas é preciso que ambos se respeitem e aceitem-se mutuamente como são.
Deus não quis a igualdade e, portanto, quer o respeito às diferenças. Mas quando este falta, o melhor é mesmo tomar outro caminho.

Belo Horizonte, 04 de novembro de 2008.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Mundial de Fórmula 1


Por Deiber Nunes Martins

Ficou em boas mãos o título para Lewis Hamilton. Sem nenhum bairrismo e sem nenhuma influência de Galvão Bueno e asseclas da TV Globo, o britânico foi o melhor piloto da temporada. Aliou arrojo, coragem e técnica a um jeito novo de encarar as pistas. Hamilton provou ser capaz de vencer e mais ainda, capaz de nos fazer esquecer a era Schummi, tão monótona e repetitiva. Com Hamilton, cada corrida teve uma emoção especial, diferente. Daquelas em que nunca sabíamos o que podia acontecer.
O britânico mostrou que não é uma unanimidade como foram Senna, Piquet, Prost e Schumacher. Tem a impulsividade que tanto marcou outro britânico famoso: Nigel Mansell, e que tanto o iguala aos demais. A bem da verdade que a nova safra de pilotos de Fórmula 1 é promissora: Felipe Massa, Fernando Alonso, Robert Kubica, Sebastian Vettel, para citar alguns. Mas ainda não dá pra ver Lewis Hamilton como superior a eles. Ele apenas está ao nível deles.
De todo modo, o mundial 2008, mesmo com a chatice dos tapetões, os arranjos e as punições questionáveis, foi algo que deu certo. O regulamento, desta vez, foi mais justo e as brigas por posições esquentaram todas as corridas. O que não dizer da corrida de Hungaroring, sempre tão monótona, num circuito totalmente travado, sem pontos de ultrapassagem? Felipe Massa mostrou que sim, haviam pontos de ultrapassagem. Depois, a corrida de Spa, com o arrojo de Hamilton, mesmo que punido pela FIA. E ainda a primeira corrida noturna, Cingapura, marcando o campeonato com a lambança da Ferrari.
Assuntos tivemos pra discutir nas rodas de amigos, nos "paddocks" improvisados nos botequins, regados a muita cerveja. A temporada 2008 foi muito boa e merecido foi o título a Lewis Hamilton. Mesmo sendo brasileiro, entendo que faltou a Felipe a regularidade e a paciência do inglês para suportar as adversidades inerentes ao esporte.
É isso aí. Ano que vem tem mais. E que seja a toda velocidade e bem mais emocionante que 2008.

Belo Horizonte, 03 de novembro de 2008.

A Armadilha do Realismo

Por Deiber Nunes Martins

Estava aqui refletindo sobre as diferenças. Ainda pensativo em relação ao último texto postado. Mas meus pensamentos me traem e acabam me levando para uma outra vertente. Até que ponto devemos seguir em frente? Até que ponto devemos ser otimistas? Como confiar em si mesmo?
O caríssimo(a) leitor(a) não deve estar entendendo nada. E não é pra entender mesmo. Um assunto não tem a ver com o outro. Apenas me serviu como abertura do texto. Enquanto eu pensava sobre o comentário maldoso de minha orquídea sobre a vitória sofrida de meu glorioso time no derby de ontem, contra o time dela, pensava na questão das diferenças entre os casais. Era um nível micro de pensamento, sintetizado no mundo do futebol. Algo assim tão pequeno, mas importante pra se pensar.
Enquanto eu pensava em Atlético e Botafogo e na retórica sobre diferenças, uma amiga me disse que não era capaz de realizar uma determinada tarefa. Disse a ela que aquilo era uma bobagem e ela me disse que não, que estava sendo realista. Mudei meu enfoque porque aquilo me incomodou. E muito.
As pessoas se dizem realistas e acabam entrando num conformismo desgraçado com o status quo das coisas. Não ser capaz de uma atividade é assinar um sinal de inoperância com o qual não posso concordar. Do mesmo modo a postura realista em torno da vida, é algo complicado porque o mundo real é o que nós fazemos. E muitas vezes, nossa maneira de percebê-lo faz dele um lugar inóspito. Este realismo acaba ganhando uma conotação negativa em nossa vida e nos afunda cada vez mais.
O mundo hoje tornou-se depressivo, devido ao realismo. Ser otimista virou piada, é patético. O demônio nos ensina a sermos realistas para a vida. O realismo do demônio é ser um derrotado. Mas na verdade, nós somos bem mais que vencedores.
Portanto, minha amiga, não se dê por vencida. Você é mais que isso. Você é capaz de realizar este trabalho neste curtíssimo espaço de tempo e ainda muito mais. Porque Deus habita em seu coração e te dá forças para caminhar. Vá em frente, você é capaz e eu acredito em você.

Belo Horizonte 03 de novembro de 2008.

domingo, 2 de novembro de 2008

Galo e Cruzeiro


Música: Vander Lee
Texto: Deiber Nunes Martins

Minha Preta não fala comigo
Desde primeiro de janeiro.
Ela me deu a mala eu fui dormir na sala,
fiquei sem dinheiro.
Não tem mais feijoada, nem vaca atolada,
Rabada ou tropeiro.
Já fez greve de cama diz que não me ama,
Quebrou meu pandeiro
Na hora do cruzamento, ela deu impedimento
Ou falta no goleiro
Pra aumentar meu tormento, meu irmão
Eu sou Galo e ela é Cruzeiro
Com o gol anulado, saí do gramado, voltei pro chuveiro
Isso tudo porque, meu irmão,
Eu sou Galo e ela é Cruzeiro
Caí de centroavante,
Pra médio-volante, agora sou zagueiro,
No último domingo ela foi jogar bingo
E eu fiquei de copeiro
Ela fala, eu me calo, ela canta de galo
Lá no meu terreiro
Ela apita esse jogo, ela é quem bota fogo
No nosso palheiro,
Ela finge que não, mas no seu coração
Ainda sou artilheiro,
Só faz isso porque, meu irmão
Eu sou Galo e ela é Cruzeiro...



Uma coisa interessante é a diferença entre homens e mulheres. Por mais que esperemos encontrar nossa cara metade parecida com nós mesmos, devemos perder a ilusão deste encontro. Felizmente, existem as diferenças para temperar o relacionamento, impedindo que este se torne monótono. Chato seria se o homem pensasse igual a mulher e a recíproca fosse verdadeira. Melhor é pensar diferente, ser diferente e viver como um só. Seja ele Galo e ou ela, Cruzeiro...
Estou longe de ser igual a minha amada. Temos inúmeras diferenças. Mas são nestas diferenças de temperamento, de opiniões que nos completamos. Podemos ter uma visão mais abrangente das coisas e das situações, vendo por ângulos diferentes, de acordo com nossas personalidades. Eu sou Galo e ela, Botafogo, isso hoje, em dia de jogo entre os dois. Mas quem disse que isso é importante? Também não é importante ela ser coração e eu razão. Ou ela ser democrata e eu republicano. Ou ela ser comunicativa e eu introspectivo. A importância está nas diferentes posições que tomamos como um enriquecimento ao nosso diálogo, ao nosso convívio e ao aprendizado. É importante a diferença! A soma vem das diferenças.
Assim, quem disse que ser Galo ela, Cruzeiro tem alguma importância? Preto e Branco com o azul podem formar o par ideal. O importante é serem um só.

Belo Horizonte, 02 de Novembro de 2008.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Blindness


Por Deiber Nunes Martins

É complexo o novo filme de Fernando Meirelles (Cidade de Deus). "Blindness" (Ensaios sobre a Cegueira) é inspirado na obra de José Saramago e conta a história de uma epidemia de cegueira branca que assola um determinado lugar. O filme conta com a presença de Mark Ruffalo, Gael Garcia Bernal, Danny Glover, além da ótima Julianne Moore. O filme é provocante, desafiador e complexo, vejamos por que.
Ensaios sobre a Cegueira foi considerada uma obra de dificílima adaptação para o cinema. Tanto que seduziu Fernando Meirelles, para fazê-lo. E ele já tinha tentado há tempos atrás comprar os direitos da obra, sem nenhum sucesso. Mas o nosso maior cineasta na atualidade não se deu por vencido e acabou sendo eleito por José Saramago, como o único capaz de colocar em prática tal projeto.
E Meirelles dá conta do recado. Construindo um filme denso com imagens perturbadoras e jogos de luz fantásticos, ele conta a história sem nenhuma amarração ou buraco. Há que elogiar ainda o roteiro bem escrito e a montagem, quase que perfeita. Realçando o clima tenso do filme, uma trilha sonora na mesma pegada e fechando com chave de ouro, com uma fotografia digna de prêmio. Singela e primorosa.
Mas talvez o grande mérito do filme de Meirelles seja Julianne Moore. Na pele da mulher do médico, única no planeta a não se infectar pela doença, ela transmite brilhantemente a emoção impossível de ser imaginada. E na verdade, a obra de Saramago reflete isso: a cegueira branca nada mais é para nós, na vida real, como as emoções que não sentimos. A empatia que não podemos ter. E nisso o filme cumpre bem a sua missão. Mostra como não estamos sozinhos, apesar de não enxergamos um palmo a frente do nariz.

Belo Horizonte, 31 de Outubro de 2008.

domingo, 26 de outubro de 2008

Pornografia, Política e Democracia nas Eleições em BH


Por Deiber Nunes Martins

As eleições estão chegando ao fim. Finalmente, o clima de guerra política dará lugar ao clima de paz e gozações dos vencedores aos vencidos. Frutos do Brasil. Festa da democracia? Não ouso dizer.
Em Belo Horizonte foi armado um clima de guerra para o segundo turno. O candidato apoiado pelo poder econômico e pela máquina pública, Márcio Lacerda, visto que não tinha nenhum carisma perante a população, tratou de atacar o oponente, Leonardo Quintão, usando de metodologia torpe e recursos amorais para isso. Após uma seqüência de ataques, revidados erroneamente pelo candidato Quintão, vê-se como certa a vitória do chamado “candidato da aliança” Márcio Lacerda.
Se houve ou se haverá democracia, só Deus quem pode dizer. Apenas reitero o seguinte, o povo não sabe escolher e a voz de Deus está longe de ser ilustrada pela voz do povo, visto que com tantos candidatos, escolheram os piores para o segundo turno, aqui na capital das gerais.
Infelizmente, o Brasil é este poço de desonestos e corruptos, uma corja de ladrões e canalhas. Bando de gente querendo levar vantagem em tudo. Seja na fila do supermercado ou num processo de licitação pública, o brasileiro acostumou-se com a desonestidade e acha democrático, ser amoral. Não dá nem pra olhar a questão com nostalgia, visto que desde que o mundo é mundo é assim. Veio de Portugal. Quem sabe, não veio de Portugal?
Hoje, enquanto votava, via centenas de cabos eleitorais do potencial vencedor às portas das sessões. Não vi propaganda de boca-de-urna mas vi os asseclas vestindo o uniforme 40 e em clima de festa. Não vi um só cabo eleitoral estampando o número 15 no uniforme. Já que desrespeitaram a lei, que o desrespeito fosse igualitário! Ontem, sábado, já havia recebido em minha caixa de correios um DVD com os dizeres: “Quintal do Quintão”, com fortes ataques e acusações a este candidato. Como se eu estivesse preocupado em julgá-lo. Eu não estava. Assim como não estava preocupado em julgar o candidato Márcio Lacerda, mesmo sabendo que ele era um dos participantes do nefasto esquema do “mensalão”. Na verdade, eu queria apenas exercer meu direito de cidadania, escolhendo um candidato que tivesse as melhores propostas para conduzir BH, a cidade do meu coração, ao terceiro milênio. Infelizmente, não me foi permitida a função que me cabia, a de eleitor. E sim a de julgador. Quem é menos bandido que o outro? Coube a mim e meus conterrâneos escolher. E escolhemos pressionados. Sob a pressão do governador do estado, sob a pressão do atual prefeito. Pessoas que tinham interesses em jogo, que eram muitos. Menos o de melhor para esta cidade. Como se não bastasse, ainda enfrentamos a pressão de movimentos da Igreja, seduzidos por um ou por outro candidato. Preocupados com interesses pessoais e com sede de qualquer coisa, menos de Deus, no discurso.
Enfim, as eleições de hoje, só comprovam o que eu já sabia: o voto do brasileiro é uma piada. De muito mal gosto. A urna é uma latrina onde o brasileiro não vota, defeca. Enquanto se defeca o futuro do nosso país, vemos impassíveis a pornografia política no Brasil. A democracia no Brasil é feita no esgoto. Pro inferno com ela.

Belo Horizonte, 26 de outubro de 2008.

Inania Verba

Por Olavo Bilac

Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava,
O que a boca não diz, o que a mão não escreve?
- Ardes, sangras, pregada à tua cruz, e, em breve,
Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava…

O pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:
A forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve…
E a Palavra pesada abafa a Idéia leve,
Que, perfume e clarão, refulgia e voava.

Quem o molde achará para a expressão de tudo?
Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas
Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta?

E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?
E as palavras de fé que nunca foram ditas?
E as confissões de amor que morrem na garganta?

Until the Last Moment


Por Deiber Nunes Martins

Tenho andado pelas ruas e percebido um jeito novo de ver a cidade. Um lugar onde nasci e me criei. Uma cidade que recentemente vim a conhecer por completo. E hoje remonta em minha mente, as lembranças mais felizes. Vejo com nostalgia alguns momentos, algumas situações, emoções. Desejos que tive e tenho. Não sou mais o mesmo e não pertenço mais a esta cidade. Quanta coisa mudou!
Há muito tempo tenho quisto me dizer muita coisa, sem ao menos conseguir. É chegada a hora de eu ser sincero comigo mesmo. Não sou mais o garotinho de antes. Não sou tão indefeso assim. Sou um homem em busca do seu caminho, ave de rapina poderosa, buscando alçar vôos cada vez mais altos. Apostas cada vez mais arriscadas. A vida é uma aposta. E eu não pertenço mais a esta cidade.
As ruas da cidade ficaram mais estreitas. De repente, me vejo andando de carro pelas ruas que caminhava quando garoto. As meninas que brincavam de boneca e amarelinha hoje são mulheres lindas, com seus olhares sensuais e ainda jeito de menina estampado em cada face. As mulheres de hoje, eram as meninas de ontem. Cada uma imersa em sua própria beleza. Olho na esquina próxima e me lembro: não pertenço mais a esta cidade.
Meu desejo se soltou das cercanias desta cidade. Minha vida ganhou nova fronteira. Os rearranjos políticos e econômicos do meu território delinearam novos horizontes para mim. Talvez eu tenha rompido o cordão umbilical. Mas ainda sinto-me preso ao desatino, às paixões. Não pertencer a esta cidade significa pertencer ao mundo ou ser de Deus. Prefiro Deus. O mundo não é o bastante para mim. Eu quero sempre mais!
Meu desejo de ir além é que me invade, me domina. Se ontem eu errei, foi pensando no acerto de hoje ou no do amanhã. Nunca quis ficar limitado. Mas quanto mais estou no controle, mas limitado eu sou. Então, fora com o meu controle. Vontade apenas de ir além e fazer a diferença.
Em busca de mim mesmo eu vou até o último momento. Vou além do meu limite. Quero me encontrar mas preciso encontrar o meu amor. Perdida em outra cidade ela está Eu estou perdido aqui. Mas quero estar perdido nela, nos braços da amada. Nas cercanias do corpo de minha Mulher. É onde quero estar. Até ela eu irei até o último instante, o derradeiro momento de minha vida, se preciso for. E mesmo que eu não chegue, deixarei para a história o meu caminho.
Ao ver a cidade de um jeito novo, eu percebo que cresci. E como é bom saber que não fiquei para trás.

Belo Horizonte, 26 de outubro de 2008.