sexta-feira, 25 de março de 2011

Clube Atlético Mineiro: Um caso de Amor


Por Deiber Nunes Martins

A história dos heróis certamente fica eternizada. A história de um amor também fica, na memória dos amantes. Minha história com o Galo nasceu no meu nascimento, numa manhã de segunda-feira, 29 de maio de 1978, o dia seguinte ao empate do glorioso com a Ponte Preta em Campinas. Um zero a zero sem graça, nada motivador. Portanto não venha dizer que fui motivado, influenciado, conquistado. Nasci Atleticano.

Quando a gente ama, alguma coisa, alguém, a gente sempre quer saber sobre o nosso amor. Ligamos a toda hora, perguntamos. Arrumamos um jeito de estar junto. Falamos sobre. Pensamos sobre. O amor nos rodeia de tal forma, que somos tragados para um mundo particular, onde o amor é a única lei, a única palavra que de fato importa.

Assim também o é com o Galo.

Ficamos contando as horas para o jogo. Arrumamos um jeito de assistir e se não dá pra assistir, pelo menos ouvir pelo rádio a narração do narrador preferido. Muitas vezes, o radinho torna-se pessoa da família e o narrador atleticano honorário. Muitas vezes nato. O jogo começa e nos exasperamos mesmo quando este se resolve aos cinco do primeiro tempo a nosso favor. O adversário, forte ou fraco é um inimigo a ser batido de todas as formas, de todas as maneiras. O atacante adversário é o ser desprezível, mas temido até o momento que assina com a gente. A partida chega ao intervalo e para nós é o único momento possível para atender ao telefone, ir ao banheiro, atender o vizinho chato, fechar um negócio, resolver as situações pendentes, dar comida ao cachorro, etc. e etc... mesmo assim é um tempo importante, para ouvir o comentário, ah o comentário, dar nossos palpites e cornetadas, criticar o treinador. Ouvir o comentarista. E geralmente o comentarista torce pro outro time. Vê com clareza irritante todos os defeitos do glorioso, mas pra ele o adversário chega a ser divino tamanha a perfeição do seu esquema tático. Comentarista de araque! Salário desperdiçado. Talvez possamos ofendê-lo ainda mais, chamando-o simpatizante do rival...

O jogo recomeça e as atenções são uma só. O Galo não pode capitular. Que o inimigo seja derrotado, que o nosso gol permaneça incólume. Nem a coruja, eu gosto que faça ninho em nosso gol, para não criar motes a artilharia adversária. O outro lado é o inimigo e precisa ser vencido. Nossos zagueiros devem sumir com a bola do campo de defesa, o meio campo deve ser criar perigo pra eles, não pra nós. Os atacantes devem ser enaltecidos pelos gols feitos, mas condenados pelos gols perdidos. Fim de jogo. Se dá empate, é um prenúncio de tragédia, sinal de alerta. Se derrota, tragédia completa. Prenúncio de ressaca no dia seguinte, mesmo que não nos demos ao luxo de encher a cara no dia seguinte e se é pro rival pior ainda, hecatombe completa, prejuízo incalculável. Ficamos com cara de velório o restante do dia, não queremos saber de papo. Nossas esposas devem estar preparadas para isso já no noivado. Atleticano é assim.

Mas se a vitória vem, carnaval na cidade! Vamos comemorar. Alegria incontida, somos os tais, os maiorais. O dia é nosso, a noite é nossa, a vida é nossa e se renasce mais atleticana que nunca. Se a vitória é sobre o rival, felicidade completa! Festa pra todo mundo, bebidas pra todos. O torcedor adversário também, como convidado, para ser gozado, zoado... Somamos nossos vinténs pra ver se dá pra comprar a camisa mais recente, que certamente irá tremular soberana no varal com a nossa torcida contrária ao vento, que agora é o adversário a ser batido...

Ser atleticano é isto. É amor, paixão, tudo junto e misturado. O atleticano é o propulsor de um clube que nasceu predestinado ao amor. Amor incondicional, legítimo. Amor doação, amor que se entrega que chora na derrota, mas chora mais gostoso nas vitórias sem que ganhar ou perder represente algum combustível para torcer. Atleticano não é simpatizante, não é torcedor só quando ganha. É torcedor pra eternidade toda... Por isso, o Atlético, o nosso Amado Galo Doido, se difere dos demais times porque não se resume em simpatia, extrapola pra simplicidade inexplicável que é o Amor. Parabéns Galo. Clube Atlético Mineiro, uma vez até morrer, Galo Forte Vingador!

Belo Horizonte 25 de Março de 2011.

terça-feira, 22 de março de 2011

Deus humilha os que se exaltam e exalta os que se humilham

Homilia de Pe. Bantu Mendonça

O Evangelho de Mateus apresenta, no capítulo 23, de maneira contundente, as últimas críticas de Jesus aos escribas e fariseus. No trecho de hoje, o evangelista conta uma história curiosa. Trata-se da crítica de Jesus ao poder reinante do espírito do mundo. Ele começou a pregar completamente diferente do que se vivia. Não estava preocupado com o poder político dominante. Uma única vez que tentaram colocá-Lo à prova numa difícil situação política, Ele respondeu: “Hipócritas! (…) Pois dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus“. É um ensinamento para todos, mas também uma advertência àqueles que detêm o poder neste mundo.

Cristo fala em cátedra de Moisés, a doutrina tradicional que receberam de Moisés, chamada Lei Mosaica, contida na Torá, que ainda trazia o que falaram os profetas, Abraão e outros grandes patriarcas. Dominados pelos romanos, os judeus, sem muita alternativa, tomaram uma posição de fazer valer aquelas tradições. Mas, ao longo do tempo, a elas foram acrescentadas interpretações pessoais, com tantas coisas impostas, de tal forma que eles mesmos não podiam cumprir. Aqueles mestres faziam questão de assim serem chamados. Isso fazia com que se sentissem mais poderosos. Aqueles que não os chamavam de “mestres” estavam perdidos.

Meu irmão, esta crítica é também para nós, pois em nossos dias vemos muitas vezes padres novos, catequistas e líderes meio tímidos e à medida que a comunidade coloca muitas coisas à sua disposição, bajulando-os demasiadamente, muitos vão se tornando poderosos, transferindo para dentro da Igreja aquele espírito pomposo, que impõe obrigações e sacrifícios aos outros e aos paroquianos, como quase condição para que os tenham. Se suas atividades deveriam ser levadas pelo Espírito de Deus, trata-se de uma pessoa espiritualizada que revela um demasiado zelo. Percebe-se, porém, cerimônias realizadas e quando se faz pelo espírito da vaidade e da soberba, somente para aparecer.

Jesus observou isso muito bem. Ele sabia que naquela sinagoga acontecia a mesma coisa. E alertou os apóstolos dizendo-lhes que eles deveriam entender a Lei e cumpri-la, mas não imitarem aqueles homens, “pois dizem o que não fazem”; impondo-lhes coisas que eles mesmos não cumpriam, fardos que não carregavam, porque não aguentavam. Isso é hipocrisia. E termina dizendo uma coisa desconcertante, para a época, ao olhar dos judeus. Os mestres das sinagogas ensinavam: Se eu tenho este copo é porque tenho a graça de Deus. Se o tenho cheio d’água é porque estou repleto da graça de Deus. Se tenho o copo, água e posso bebê-la, estou plenamente na graça de Deus.

Eles faziam uma divisão. Queriam convencer as pessoas de que estavam bem, eram ricos, cheios de franjas e frases da Torá na testa e nas roupas, finas por sinal, porque estavam cheios da graça de Deus. Aqueles que não pudessem fazer isso, é porque não tinham a graça de Deus. Esta era a mentalidade da época.

Jesus vem com uma proposta contrária a tudo isso: “Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado“. Hoje, entendemos essa máxima do Evangelho, mas naquela época isso foi de difícil compreensão: ter de se humilhar para ser exaltado?Se somos pobres diante dos homens, seremos ricos diante de Deus. Essa pobreza é um dom de Deus.

Senhor, ensina-me a ser humilde, quebre a minha vaidade, orgulho e soberba, para que eu possa entender a máxima: Deus humilha os que se exaltam e exalta os que se humilham.

Padre Bantu Mendonça
Fonte: Blog do Padre Bantu

sábado, 12 de março de 2011

Meus Bons Amigos...

Música: Barão Vermelho
Texto: Deiber Nunes Martins

Meus bons amigos, onde estão?
Notícias de todos quero saber
Cada um fez sua vida de forma diferente
Às vezes me pergunto, Malditos ou Inocentes?
Nossos sonhos, realidades
Todas as vertigens, crueldades
Sobre nossos ombros aprendemos a carregar
Toda a vontade que faz vingar

No bem que fez pra mim assim
Assim, me fez feliz, assim

O amor sem fim
Não esconde o medo
De ser completo e imperfeito...

Nos últimos dias, aproveitando minhas férias, tenho me feito esta pergunta: meus bons amigos, onde estão? E curiosamente pergunto a mim mesmo: já tive bons amigos? Parece ser uma pergunta dura, mas na verdade é uma auto-crítica: o que tenho feito de minha vida que as amizades desaparecem assim do nada! E não são malditos nem inocentes... Apenas pessoas que se dizem amigos...
Engraçado hoje em dia, pensar na amizade. Como ela é confundida com outras coisas... Interesses, jogo de troca de favores, redes de contatos, networking... e por aí vai... como tratam a amizade com estrangeirismos e sem nenhuma intimidade!
Machado de Assis já disse certa vez que o homem que alardeia sua amizade não é amigo e sim um traficante de interesses. Fiquei com esse ponto de vista na cabeça e a partir dele comecei a selecionar meus amigos. Depois de um certo tempo, escutei de uma pessoa com certo saber que os amigos o são enquanto os seus interesses permanecem vivos, mas depois de um certo tempo, os interesses se enfraquecem e estes amigos se distanciam... Continuei minha seleção e pra minha surpresa cheguei até aqui, com esta pergunta: "Meus bons amigos, onde estão?"
É preciso, todavia, transportar-se para um mundo menos materialista e mais humano, visto que o humano sempre carrega consigo o desejo do sagrado. E a amizade é o amor sublime encarnado na pessoa do outro, do amigo. Infelizmente, o mundo nos leva a materializar as relações de modo que se não aproximamos do outro(a) por interesse, aproximamos por vaidade. Esta é a versão do mundo para a amizade. Uma visão distorcida, estrangeirizada. É a amizade das redes sociais, onde os amigos competem entre si por mais amigos, por mais contatos, por mais followings e por aí vai...
Infelizmente, hoje me sinto só em relação aos amigos, mas não significa que eles não existem e que não tenham existido. Talvez hoje estejam um tanto quanto distantes de mim, por minha própria culpa. Não posso culpá-los. Antes preciso entender que o amor que trago no peito vem carregado das angústias de ser completo e imperfeito. Porque imperfeito eu sou.
Senhor, que eu me transporte para teu mundo de misericórdia e perfeição a ponto de poder ver o outro(a) com teu olhar de amor e assim amar incondicionalmente a ponto de poder dizer, de fato, meus bons amigos...

Camacan-BA, 12 de Março de 2011.



Clube dos 13 versus CBF

Por Deiber Nunes Martins

A briga envolvendo o Clube dos 13 e a CBF com a participação indireta da Rede Globo tem dado mais notícias que o próprio futebol brasileiro. Tenho visto um conflito de interesses onde o que menos interessa é o futebol. Esta briga traz à tona o que de fato interessa para a cartolagem brasileira: dinheiro e poder. E curioso é perceber que os atores mais aguerridos desta briga são sempre aqueles que mais se metem em polêmicas em relação a gestão de seus clubes: Corinthians e os clubes cariocas.
A decisão destes clubes de se afastarem do C13 na hora da discussão dos valores para transmissão do Campeonato Brasileiro, mostram como o futebol no Brasil é um antro de mafiosos e gente inescrupulosa de tudo quanto é jeito. Concluindo: percebe-se claramente que o futebol está relegado a segundo plano e que sua moralização é quase impossível.
Não estou aqui tomando partido do Clube dos 13 ou do presidente do meu clube, Alexandre Kalil. Apenas estou questionando a podridão do esporte mais popular deste país. Ninguém está interessado no bem estar dos clubes, ou do futebol. Cada um parece estar defendendo seu quinhão de poder e prestígio. É notório a preocupação com a manutenção do estado de coisas no futebol: jogos depois das dez da noite, esvaziamento dos estádios, privilégios indecentes aos clubes do eixo Rio-SP, arbritragens tendenciosas e manifestos bairristas da imprensa nacional. Só para ficar por aqui. A Rede Globo, inegavelmente fez um bem tremendo aos clubes, sobretudo nos últimos tempos com o mercado inflacionado do futebol. Mesmo com a moeda forte, a volta dos jogadores badalados para o futebol brasileiro seria impraticável. E também o forte perfil exportador de talentos do futebol seria bem atenuado, não fosse a emissora carioca.
No entanto, nas sociedades mais avançadas e desenvolvidas, a alternância no poder é essencial para a manutenção do equilíbrio de forças. O privilégio inexplicável da Globo na negociação com os clubes, mostra o quanto os clubes ficaram reféns desta emissora e da entidade que desorganiza o futebol brasileiro: a CBF.
Amadores, os clubes de futebol, sem nenhuma exceção, negociam seus direitos a preço de banana com essas duas instituições, prejudicam seus fluxos de caixa, podam seus sistemas mercadológicos, a ponto de viverem exclusivamente dos direitos de TV. Acontece que o mercado da bola está cada vez mais caro e cada vez mais impiedoso com os amadores. Na era dos clubes "SA", a receita dos clubes cada vez mais é deficitária. Além disso, todas as vezes que o governo se intromete nas leis do futebol dá de canela: vide leis Pelé e Zico, que em nada ajudam clubes e jogadores e só favorecem os oportunistas da bola...
Algumas das iniciativas governamentais para favorecer os clubes, acabam voltando-se contra os mesmos, impondo aos clubes compromissos imediatos com os quais os mesmos não se prepararam. Desta forma, os dispêndios financeiros dos clubes de futebol cada vez mais se concentram no curto prazo, ao passo que as receitas não acompanham este fluxo. Assim, o nível de endividamento dos clubes brasileiros alcançam níveis elevados, fazendo com que os mesmos precisem antecipar suas receitas de TV para não ficarem ainda mais no vermelho.
Por isso a celeuma criada entre o C13 e os clubes cariocas, principais antecipadores de receita. Aliás, aqui cabe uma ressalva: todos os clubes brasileiros à exceção do Galo e do São Paulo, têm receitas adiantadas junto ao C13 ou a TV Globo. E mesmo assim, esses dois clubes ainda não estão imunes a problemas financeiros.
Infelizmente para o futebol brasileiro, seja qual for a solução para o imbróglio, a CBF continuará sendo a detentora do poder. E o Sr. Ricardo Teixeira, continuará dando as cartas no futebol, com a benção das Organizações Globo ou da Igreja Universal do Reino de Deus ou quiçá a Rede TV. O produto futebol brasileiro continuará sendo exportado com a mesma falta de critérios de antes. Os intermediários de jogadores continuarão lucrando e os clubes continuarão fadados a falência. Porque tanto no Brasil quanto na Europa, em se tratando de futebol e negócios, o rio sempre corre para o mar. A diferença é que lá os clubes têm todo um arcabouço profissional capaz de gerenciar e propugnar boas práticas de gestão, ao passo que aqui, os clubes têm toda uma estrutura amadora, facilmente ludibriada por meia dúzia de mafiosos que se dizem paladinos do futebol mas que no fundo fazem do "Pão e Circo" uma fonte de lucros inesgotável...
Camacan-BA, 12 de Março de 2011.

quinta-feira, 10 de março de 2011

O Caminhante Solitário


Por Deiber Nunes Martins

Tem horas que eu me sinto só. Mas não é um sentir de padecimento, de sofrimento. É um sentir de me encontrar assim. Estar sozinho na hora em que mais se precisa de um colo, de um ombro amigo, de uma mão amiga. Parece que aqueles que se dizem do seu lado, estão do lado de lá. E é doído perceber que estão mesmo.
O dia de hoje, quarta de cinzas, foi muito pesado para mim. O sumiço do meu irmão, o vazio do dia, não ter com quem desabafar... Foi duro! Mas me serviu de lição. Perceber que quanto mais um nada eu sou, mais nada eu ainda me torno. E quanto mais só eu me sinto, mais só eu me encontro.
Certa vez um menino caminhava pela mata quando avistou uma onça faminta. Ela correu atrás do coitado mas ele conseguiu escapar. Chegando em casa, contou a mãe, mas falava esbaforido, aos berros, e a mãe não escutou. Falou ao pai, mas este, não entendeu. Falou o menino então para os irmãos, primos e tios mas estes não lhe deram atenção. Ninguém o compreendeu.
No dia seguinte, o menino era obrigado a seguir o mesmo caminho e sem ter com quem seguir, foi sozinho. E sozinho, com a onça a espreitá-lo não teve como escapar e acabou sendo devorado, sem que ninguém soubesse o fim que teve.
É assim que me sinto hoje.
Não por conta do meu irmão, que já até reapareceu e está pronto pra mais outra das suas. Mas por conta de mim mesmo. Por conta da solidão em que me percebo.
Solidão essa que me faz calar pra não magoar, que me faz ouvir o que não quero, a música que não curto, a vantagem que não me importa. Solidão que me faz fazer o mise en scene pra gente que me tolera, pessoas que pouco ou nada me acrescentam. Opiniões as quais não partilho mas que é preciso ouvir.
Às vezes é preciso ouvir o que não se quer, calar-se quando se quer falar. Às vezes é preciso caminhar solitário, num deserto de provações. Porque Deus sabe a hora em que seremos forjados e sabe a hora em que de fato, precisaremos estar solitários para encarar os desafios que só nós poderemos. Portanto, se Deus precisa da minha solidão, aqui estou. Senhor, aqui estou.
Mas Meu Bom Deus, dói não ser compreendido. Não ter com quem desabafar, além de Ti. Sei bem que és tudo para mim, mas tem horas que precisamos nos dizer a nossos irmãos. E eles nos escutarem. Tem horas, que um companheiro de viagem, seja ele um parente próximo, ou colega de pastoral, ou colega de trabalho, faz falta. E eu não sei do que sou feito. Não sei quanto tempo eu posso aguentar o fogo dessa provação.
Que esta quaresma, que bem começou, eu encontre perguntas pras minhas respostas. E o Senhor me dê respostas pras suas perguntas. Porque tem horas, que precisamos encontrar ouvidos aqui embaixo, aos nossos clamores. Caminhar contigo, Senhor, mas acompanhados aqui embaixo.
Camacan, 09 de Março de 2011.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Opinião Solitária

Por Deiber Nunes Martins

Como é difícil manifestar uma opinião diferente sobre um determinado assunto! Às vezes somos manietados em nosso próprio meio social por discordar da opinião da maioria. A necessidade de um grupo homogêneo é responsável por grande parte das discórdias no mesmo. Quantas amizades se desfazem por conta da discordância de um ou de outro sobre um dado tema! É sobre a opinião da minoria, o post que se segue.

Quem me conhece sabe que sou de opinião forte e de temperamento forte também. Pessoas assim, precisam se esforçar bem mais que as outras para se auto-afirmarem na sociedade, cada vez mais enraizada na mediocridade. Esta firmeza nos posicionamentos muitas vezes é confundida com intransigência. Na verdade transigir não é o problema. O problema é que precisamos ser convencidos a transigir. Como no pôquer, onde temos uma ótima mão e precisamos ter o subsidio necessário de informações para abandoná-la. Ninguém quer largar um four de Reis só por conta da possibilidade remota de um jogo melhor do concorrente. Assim também, eu não quero abrir mão dos meus valores só para satisfazer a opinião da maioria.

Diante do fato, tenho um posicionamento questionador sobre a democracia. Considero ser esta, uma forma equivocada de governo, uma vez que não permite justificativas. Porque vou eleger PSDB ou PT? Só porque a maioria quer? É muito pouco para mim. A democracia oferece este risco da opinião pré-formada, de modo que as eleições hoje em dia são mais pautadas na base do referendo do que em uma eleição genuína. Assim também ocorre em nossos grupos. Não temos tempo para a discussão, então os líderes acabam por formatar projetos e colocá-los em votação nas reuniões. Tudo muito objetivo e funcional, mas que no fundo funciona como um verdadeiro massacre para as opiniões divergentes. Nem sempre tudo se resolve na base do projeto pronto. É preciso diálogo. É preciso reinventar. Trabalhar a criatividade e perscrutar novas idéias. Uma brainstorm de grupo, capaz de levantar possíveis idéias alternativas. É possível fazer diferente. Pra que buscar sempre mais do mesmo?

Por conta destes fatores, acredito que a democracia, onde prevalece a opinião da maioria, não seja a melhor forma de governo. É preciso dar vazão às opiniões diferentes. É preciso ousar em sociedade, em grupo. E a democracia, não permite ousadia. É sempre mais do mesmo. Sem espaço para o diálogo.

Às vezes num grupo de trabalho, alguém tem uma idéia diferente da defendida pela maioria. Muitas vezes a idéia em voga foi formulada ou copiada pelo líder, para atender aos anseios do grupo. A intenção pode até ser boa. Mas o que se vê em defesa desta idéia é o ataque predatório e despótico sobre a opinião discordante. Dependendo da habilidade e do carisma do líder, quem discorda pode se ver num caminho de difícil escolha: defender seus princípios e manter sua posição, ou abandonar sua idéia e aceitar goela abaixo aquilo que já foi previamente aprovado pelos demais. E a artilharia da maioria é pesada. Quantas vezes chega a garota mais formosa e popular do grupo com a ameaça velada: “Discorda e ficamos de mal de você” Como se não concordar fosse algo diabólico. É verdadeiramente cruel.

Diante de tanta pressão, acabamos por nos sentir frustrados. Se optamos por defender nossa posição, até os amigos nos evitam. Por isso, muitas vezes nas relações de amizade dentro de grupos e comunidades, cultivamos flores de plástico. Sabemos que seremos aceitos enquanto bajularmos o líder. E as opiniões dele.

E pasmem! Isso acontece também dentro da Igreja. Vejo exemplos de muitas pessoas que abandonam a fé católica porque foram segregadas em seus grupos pastorais. Pessoas de opinião forte, que não foram convencidas a apoiar a maioria. E agora, militam numa fé agnóstica ou protestante, ou qualquer outra corrente. As pessoas, feridas em seus sentimentos, não conseguem fazer distinção de quem as colocou no ostracismo diante da dificuldade de relacionamento. E por fraqueza, culpam a Deus pelo infortúnio.

Creio que temos um dever moral de combater toda forma de segregação dentro dos grupos e comunidades, principalmente nas pastorais da Igreja. O pensamento e a formação de opinião são direitos inalienáveis do ser humano e precisam ser respeitados. Mesmo que contradigam estatutos e leis humanas. E isso não acontece na vida em democracia. A opinião singular é massacrada pela idéia bem vestida. E as conseqüências são as piores possíveis.

Exemplos semelhantes são vistos no dia-a-dia, nas discussões políticas, onde toda reforma política de que se fale, verse sobre o fim dos partidos menores; no esporte, com a cisão do Clube dos 13, onde os clubes brigam por cotas maiores de TV. No âmbito do futebol temos um personagem singular; o presidente do Galo, Alexandre Kalil, de personalidade forte e que pode ser destruído pela maioria, manipulada pela CBF e pela TV Globo.

Muito dos nossos atritos pessoais podem ser evitados com um aprofundamento do diálogo em nossas relações sociais. A ditadura da maioria é um vício praticado quase que naturalmente, diante do imediatismo de nossas ações e da falta de desejo de aprofundamento nos assuntos. No afã de nos livrarmos do problema, adotamos a solução pronta e imediata, incapaz de satisfazer a todos os anseios. O prejuízo deste gesto é incalculável. Amizades e grupos podem se esfarelar, diante de um problema meramente social. É preciso atentar-se para isto.

Belo Horizonte, 28 de Fevereiro de 2011.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sobre o Casamento...

Música: Márcio Todeschini, Comunidade Canção Nova
Texto: Deiber Nunes Martins

Vou Te Amar

Eu tanto esperei pra te ver assim,
Já sofremos juntos, sonhamos juntos,
Que bom poder dizer: "Chegamos aqui"!
Tão bom é o nosso Deus que nos quis assim,
Nossa humanidade tão diferente,
Com Deus a gente aprende o que é o amor!
É negar-se a si mesmo sempre que for preciso,
Pra fazer o outro feliz!
É dizer a verdade com carinho e ternura,
É estar presente, ser presença, ser amigo e cuidar!
Vou te amar, porque Deus me ensina a ser teu,
Vou te amar, meu caminho pro Céu é contigo.
Foi fazendo a vontade do nosso Deus,
que te encontrei!
Vou te amar!


A música acima é o tema de entrada do meu casamento, muitos de vocês sabem e conhecem. Mas resolvi voltar a ela, em virtude da proximidade do casamento de um amigo meu, e de algumas questões que partilhávamos. Ele me dizia que por eu ser casado, teria toda propriedade em abordar o tema, e eu dizia pra ele que não é bem assim. O casamento não é um curso profissionalizante, onde você entra e já sai preparado para o mercado de trabalho. Casamento é muito mais do que um curso, a ponto de não sabermos explicá-lo.
Casamento é o dia a dia, o viver a dois, a três, a quatro e por aí vai, quando surgem os filhos. É uma dádiva que Deus nos oferece. Mas não é fácil. Casamento, antes de tudo requer paciência, carinho, afeição, empatia, compreensão. Casamento é antes de tudo também, dor, sofrimento, raiva, paixão, amor... Casamento é sentimento! Não é fácil lidar com sentimentos e situações. Mas é preciso sabedoria para aceitar que nem todas as batalhas são vencidas, que nem todas as vezes nossa opinião tem algum valor. Todos nós temos escolhas, mas chegam horas em que as escolhas de um ou de outro limitam-se naquilo que o esposo(a) mais necessita. É por isso que muitas vezes o desejo de um é a necessidade do outro.
Gostei muito da fala da personagem Ryan Bingham, vivido por George Clooney no filme "Amor sem Escalas". A personagem, um executivo solteirão, vive na ponte aérea totalmente alheio a vida social. Aparentemente, não seria o melhor conselheiro para um noivo indeciso e inseguro as vésperas do matrimônio. Mas é dele, Ryan, uma frase perfeita sobre o casamento: "Todos nós precisamos de um co-piloto em nossa vida." Ninguém pode andar sozinho.
Mas o casamento é um desafio. É preciso negar-se a si mesmo pra fazer o outro feliz. Encarar sempre a verdade, sem medo de suas consequências e ser presença o tempo todo. De fato, não é a mais simples das missões. Mas certamente é a que proporciona os melhores frutos.
Infelizmente, tantos casais optam pela dissolução do casamento tão logo aparece a primeira crise. O Papa João Paulo II em uma oração belíssima para as famílias, pede a Deus que cuide dos casamentos de modo a que eles sejam mais fortes que qualquer crise. Porque de fato, eles os são. E o próprio Jesus, no Evangelho de São Marcos (Mc 8, 32-33) deixa claro o quanto precisamos renunciar ao pensamento dos homens, o pensamento do mundo, repleto de vaidade e orgulho. Precisamos nos humilhar, acolher o outro no seu erro e perdoar setenta vezes sete, para que este possa se formar, curar-se dos vícios e ser melhor. É um carregando o outro. Não só no tempo bom, na lua de mel. Mas também nas intempéries e crises.
Às vezes o casal se sentirá sozinho, ele de um lado, ela de outro. Nem sempre, um terá a habilidade de compreender o outro e fará com que este se sinta solitário(a). Talvez seja esta uma das táticas do demônio para desarmonizar uma união. É preciso mesmo na solidão amar e respeitar o momento do parceiro(a). E não se iludam: parece doer tanto quanto a amputação de um membro, o ato de engolir o egoísmo, para o bem do matrimônio, do esposo, da esposa. Infelizmente, nossa cultura possessiva e cheia de manias não nos preparou para lidar com os dissabores, as derrotas e as perdas. Mas é necessário, no casamento, aprender.
Quando eu renuncio a mim mesmo, a Graça acontece. A tentação perde força e a alegria volta. Deus se faz vitorioso em nossa vida, na vida do casal, na vida de uma família. Mas é preciso ao homem e a mulher perseverar no matrimônio. O sucesso do matrimônio é o sucesso da família. É meio caminho andado para criarmos filhos e filhas saudáveis fisica, mental e espiritualmente. É fazer a vontade de Deus.
Um casamento bem vivido é um caminho bem trilhado para o Céu.

Belo Horizonte, 21 de Fevereiro de 2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Você Acredita da Divina Providência?

Por Pe. Bantu Mendonça, retirado de seu blog, no portal Canção Nova

No Evangelho de hoje dois pontos chamam atenção: a menção de Jesus para que os discípulos tomem cuidado com o fermento dos fariseus e de Herodes, e a reação d’Ele ao ver que os discípulos acharam que Ele estava falando sobre comida.
Primeiro precisamos entender de que fermento Jesus estava falando quando se referiu aos fariseus e a Herodes. Isso fica fácil quando sabemos o que movia Herodes e os fariseus: o poder e a vaidade. E era disso que o Senhor estava falando quando pediu que eles [discípulos] tivessem cuidado, pois queria que não fossem movidos pelo poder e pela vaidade. Mas os discípulos pensaram que o Mestre estava falando sobre fermento porque eles tinham apenas um pão no barco onde eles estavam. Por essa razão, Jesus se decepciona com a lentidão de pensamento de Seus seguidores.
Por mais que Jesus lhes mostrasse prodígios e milagres, os discípulos não O entendiam porque tinham o pensamento obscurecido pelas coisas materiais e porque não O escutavam com o coração. Mesmo depois dos milagres da multiplicação dos pães eles continuavam inseguros com relação à sobrevivência. Cristo os advertia sobre “o fermento dos fariseus” (a falsidade), mas eles não compreendiam sobre o que Ele estava falando. O homem tem fome de Deus e se confunde pensando que a sua fome é de pão material. Assim somos nós também: “tendo olhos, nós não vemos e tendo ouvidos, nós não ouvimos”. Temos o coração endurecido e não enxergamos o poder de Deus para providenciar tudo de que precisamos na nossa vida.
A mensagem de hoje é para que não sejamos como Herodes ou os fariseus, que se orgulhavam do poder e da vaidade. Devemos ser o contrário disso: humildes e servidores, assim como foi Jesus. Os frutos que iremos colher virão bem depois.
Você tem medo de passar necessidades no futuro? – Você acredita na Providência de Deus? – Você consegue entender espiritualmente os ensinamentos de Jesus para sua vida?
Pai, reforça minha fé na Tua Providência paterna, que se manifesta de tantos modos em minha vida e livra-me de colocar minha esperança nas coisas deste mundo.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Música: Maná

Texto: Deiber Nunes Martins


No puedo entiende
este mundo como es...
Que uno puede odiar y ríer y tracionar
Por qué?
Como puede ser que hay gente que pueda matar
por diferencia de opinión, por tierra, o por religión
No sé ..
¡Oh no, míranos!
¿Donde esta nuestro corazón?
¿yeo mi canción ya no hay más sangre gritano?
Fe,
¡Dame Fé,dame alas,dame fuerzas !
Para sobrevivir... en este mundo
Como puede ser que hay tanta destrucción
Inves de resolver les inferma todo el poder
Eso que de claro, hay que amarnos como hermanos
Tenemos el valor para darnos más amor
Lo sé, yo lo sé...
Fe,
¡Dame Fé,dame alas,dame fuerzas !
Para sobrevivir en este mundo...
¡El mundo puede cambiar!
Sólo hay que intentarlo
No hay que odiar, hay que amar
No hay que odiar, hay que amar
Hay que intentar, hay que intentar
¡No hay que perder la FE

Acredito que o desafio da humanidade neste século, seja manter a fé. E quando me refiro a fé, não quero aqui tratar o assunto com proselitismo e leviandade mas sim, permitir algumas reflexões. Nos tempos atuais, a falta de reflexões coerentes sobre determinados assuntos têm sido a causa da banalização dos mesmos. Por isso, quero me ater ao termo Fé.
Algo intrínseco ao ser humano, a Fé é o instrumento pelo qual dominamos nossos instintos, pessimismos e medos e seguimos em frente. Quem nunca se viu às voltas com a sua Fé, sendo provada ou não, ao longo da vida? Todos nós temos Fé. A diferença está no modo como a empregamos no caminho. Por isso, enganam-se aqueles que pensam que o assunto tem a que ver essencialmente com as coisas eclesiais. O próprio positivismo é uma forma de alocação da fé no homem, ser dotado de capacidade para se virar sozinho. O ateísmo é uma forma de fé que tem por desejo retirar toda divindade do caminho.
A fé, me parece um grau de confiança avançado, naquilo que não é tangível, que não se vê e que por isso, foge da confiança do intelecto, sempre material. É um pouco complicado, acreditar no que não se vê, do que não se sente. Mas nós somos testemunhas daqueles que têm fé. Nós vemos os fiéis a uma causa, serem capazes de fazerem o bem ou o mal, pela fé. Também pela fé, vemos coisas inexplicáveis acontecendo e transformando vidas. Não é preciso ser Cristão para se crer em milagres. O ateu muitas vezes busca o milagre da sua vida, mas não sabe. Ou se sabe, insiste no caminho errado.Para aqueles que crêem, o milagre é uma via de mão dupla: não existe milagres sem ações, sem obras. Mas também para os incrédulos a fé é feita de obras. Ou se esquecem do esforço empreendido para duvidar?
Infelizmente, vejo como uma tendência cada vez mais forte, o desaparecimento da fé. As pessoas têm escondido suas posições, seus valores, e agido conforme o status quo. Ninguém quer se comprometer, entrar a fundo nas questões. Quem questiona é polêmico, partidário ou simplesmente um chato de galocha. A vida tem sido levada numa diplomacia medíocre, e este não é um terreno propício a Fé. Então ela fenece e morre, aos poucos.
As opiniões a cada dia estão mais massificadas. Nos grupos, o que impera é a ditadura da maioria, onde todos esperam que um líder ou um formador de opinião se posicione e então vão atrás, sem questionamentos. A Fé é um eterno questionamento. Se não se questiona, como vai subsistir a fé?
Preocupa-me o fato de que as pessoas estejam se esquivando de viver a Fé, de praticarem aquilo em que acreditam, para viver um mundo de faz de conta, cheio de mentiras e sorrisos amarelos. É preocupante ver a confusão que fazem entre um Estado laico e uma nação cristã. Preocupante também, a banalização da violência, do sexismo, da destruição da família, em prol de um ideário moderno, praticado pelos supostos senhores de bem. Preocupa-me a aridez deste solo, incapaz de nutrir a Fé, que nutre o ardor missionário da humanidade.
Senhor, dá-nos Fé. Dá-nos ânimo e força de vontade para vencermos a letargia do mundo, a ditadura da maioria, a falta de compromisso e ideais. Dá-nos uma juventude corajosa, virtuosa e vigorosa, disposta a lutar contra aquilo que insistem em chamar de democracia e bem comum, mas que no fundo é só mais um dos instrumentos pra minar a Fé das pessoas. Senhor, dá-nos Fé. Dá-nos alma e coração de verdade! Amém.

Belo Horizonte, 31 de janeiro de 2011.


Uma História Composta...

Por Deiber Nunes Martins
Música: Almir Sater


Ando Devagar

Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei demais,
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou
Nada sei, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs.
É preciso amor pra puder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida, seja simplesmente
Compreender a marcha, ir tocando em frente,
Como um velho boiadeiro, levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou,
Estrada eu sou, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maças,
É preciso amor pra puder pussar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora,
Cada um de nos compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz,
conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maças,
É preciso amor pra puder pussar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei de mais,
Cada um de nos compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz .

Há sempre a necessidade de uma mudança de comportamento, batendo à nossa porta, seja por conta das fases da vida, onde o casulo em que vivemos já não suporta o nosso corpo, as complexidades das nossas ações, ou simplesmente está envelhecido e obsoleto. É preciso estar sempre preparado(a) para tais mudanças que acontecem naturalmente, mas somos contrários a mudanças. Sobretudo as de comportamento.
Sempre achamos que não é com a gente, que o mundo é quem precisa mudar. Mas no fundo nós sabemos que o mundo não muda. As coisas sempre serão as mesmas coisas. Porque são coisas. Cabe a nós, filhos e filhas de Deus, a capacidade de sermos os roteiristas, os diretores e os atores da nossa vida. E como tais, darmos o devido tratamento ao roteiro, mudando sempre que ele pedir mudança.
Considero mudança de comportamento, um processo contínuo de melhoria do ser humano. Uma possibilidade de se reinventar, de se auto-avaliar e por que não progredir como pessoa. O caráter é uma marca indelével em nossa vida, mas pode ser transformado, se vontade tivermos. Os temperamentos são o nosso tempero, a nossa identidade humana perante a vida. Talvez não possam ser mudados, mas com toda certeza podem ser aprimorados, atenuando as fraquezas e fortalecendo as virtudes. Tudo depende de nós.
Portanto, não tenha medo de mudar. Tenha medo sim, de regredir. De perder sua essência, suas virtudes e endurecer o coração. Tenha medo de se tornar um ser alienado, farisaico, capaz de pensar apenas em si mesmo e esquecer-se de que você compõe a sua história e você a vive. Tenha medo de querer ser como os outros. Tenha medo de virar um ser invejoso, ganancioso, pragmático e cruel. Tenha medo de ser envenenado(a) pelo mundo que não muda. Mas seja capaz de mudar seu comportamento sempre, buscando ser melhor a cada dia.
Aproveito este texto para dar meus parabéns a duas pessoas importantes em minha vida: meu irmão Rodrigo e minha amiga Kelly Polesca, que estão aniversariando hoje, neste último dia de Janeiro. Que Deus os abençoe e os enriqueça com muita paz no coração, saúde, alegrias e realizações.
Você Rodrigo, mesmo com as nossas diferenças, é essencial na minha vida porque tem a coragem de ser feliz que às vezes me falta. Um espírito aventureiro que é essencial, mas que precisa ser dosado pra que possas fazer a diferença na vida de todos. Saiba que Deus te ama e eu também. Parabéns pelo seu dia!
E você, Kelly, muito obrigado por ter feito a diferença em minha vida e muito obrigado por sua amizade. Sei que o tempo e as obrigações nos afastam e não nos permitem colocar o papo em dia, mas você está sempre presente em minhas orações. E como sei que tem boa memória, vai lembrar desta música, que hoje muito me faz refletir sobre o sentido da vida. Parabéns! Viva intensamente seu dia!
A todos os leitores, aniversariantes do dia, sintam-se abraçados e vivam de verdade o aniversário. Que Deus abençoe a todos!

Belo Horizonte, 31 de Janeiro de 2011.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Gente rica não tem sede?

Por Deiber Nunes Martins
Engraçado como os shoppings centers fazem cada vez mais parte do cotidiano de uma sociedade cosmopolita. Não me refiro tão somente ao consumo. Consumo este que em doses exageradas levam ao consumismo, mal dos últimos séculos. Mas de fato, os shoppings por sua comodidade e conforto, têm se destacado.
Os Shoppings têm apelo popular. E apresentam segmentações de acordo com o padrão e o poder de compra de seus freqüentadores. Assim, temos dos shoppings voltados para a elite de consumo, com suas butiques e lojas de preços impensáveis, como os shoppings populares infestados de produtos chineses e iguarias de qualidade duvidosa.
Há cerca de quinze dias atrás fui a um shopping voltado para a classe A, a classe dos mais abastados financeiramente. Estava de passagem e num fim de tarde ensolarado, estava com muita sede. Procurei um bebedouro e fiquei perambulando por ali, no afã de encontrá-lo. Logrado êxito na procura tratei de tentar saciar minha sede. Neste momento, pouco me importava o ambiente em que estava, a água naturalmente deveria estar a temperatura natural fresca ou então se tivesse com sorte, a água estaria geladinha.
Nunca me passou pela cabeça encontrar naquele lugar tão grã-fino água quente. E ela estava quente. Quente não. Estava queimando. Como se estivesse sendo preparada para se fazer um saboroso café. Não estava fervendo, mas estava quente, bem quente. Não a ponto de queimar a boca, mas a sensação de se tomar água quente numa tarde de calor e com toda sede possível é como tomar água fervendo. Uma sensação horrível.
A minha surpresa foi tão desagradável que senti nojo daquele lugar. Olhava as lojas cada uma com seu aroma, cada uma com suas vendedoras e seus vendedores em trajes de gala, a espera dos clientes portentosos. Olhava as pessoas cheias de sacolas e sorrisos enfadonhos. Pensei em seguir para a praça de alimentação e comprar uma garrafa de água mineral. Mas o trauma já estava ali, massacrando meu inconsciente. Então, um sentimento de repulsa misturado com náusea tomou conta de mim. Como se o ar dali estivesse contaminado e intoxicasse meus pulmões.
Tempos depois fico a me questionar sobre os níveis de serviço que estes ambientes oferecem para seus freqüentadores. Há alguns meses, o mesmo shopping foi alvo das reclamações de uma cliente que teve sua bolsa furtada em um bistrot chiquérrimo e caríssimo. O desinteresse nas pessoas nestes paraísos de compras me enoja. Tenho ojeriza destes lugares que são sonhos de consumo da classe média e varandas de casa dos filhinhos e filhinhas de papai. Pessoal grã-fino que trata o essencial como um mero detalhe, um mero acessório. Mas para mim, que sou feito de carne e osso, matar a sede é muito mais que essencial. E muito mais que qualquer luxo.
A região onde se situa tal shopping é a região mais nobre de BH e o mesmo fica no trajeto dos bairros mais ricos, como São Bento e Belvedere. Ou seja, é um ambiente acostumado a receber pessoas de alto poder aquisitivo e formadoras de opinião. Não era pra este shopping oferecer água quente para saciar a sede de seus freqüentadores. Ou o que será que pensam seus gestores e profissionais de marketing: gente rica não tem sede?
Camacan - BA, 21 de janeiro de 2011.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ano Novo: Hora de Recomeçar


Música de Vander Lee

Texto de Deiber Nunes Martins


O Baile Dos Anjos


A moça diante do espelho pôs laço vermelho em sua calcinha
O velho mostrando cansaço, deixava espaço pro novo que vinha
O pai que brincava com o filho teve a paciencia que ha muito não tinha
A mulher debaixo da ponte banhou-se na fonte, sentiu-se rainha

O guarda guardou a espingarda, livrou-se da farda, ficou à paisana
O larapio não roubou no troco da agua de côco e do caldo de cana
Madame desceu do tamanco, tambem vestiu branco e foi pra caravana
Tão cheia de seu desengano esperar mais um ano em copacabana

Saiam de de tantos lugares, das casas, dos bares e dos edificios
Dezenas, centenas, milhares, dos morros dos mares, cadeias e hospicios
Novenas seguindo sem pressa, fazendo promessa pra vencer os vicios
Deixando pros deuses manjares, usando cocares como sacrificio.

E vinham de todos os lados, banidos, suados, ciganos, megeras
Um povo inteiro em polvorosa, cheiro de pólvora na atmosfera
Cortejos de corpos surrados, desejos bordados, planos e quimeras
Eu sempre me vi diferente, vendo aquela gente é que vi que não era

Relogios piscaram mais lentos aos olhos atentos do cristo redentor
Cascatas de luz, cataventos de cores, rebentos de paz e calor
Por um segundo não houve no mundo nem crime nem guerra nem dor
E os anjos brindando em meu rosto, uma làgrima fria com gosto de amor...



Nesta vida passageira, estamos sempre nos reinventando. Estamos sempre recomeçando. Buscamos resgatar projetos antigos, retomar velhos sonhos. Compartilhar outros tantos. Tanta coisa tem seu recomeço numa noite de ano novo...
A última noite de 2009 marcou o reencontro e o recomeço do namoro de Denis e Paola. Foi obra divina aquele encontro à beira da praia, minutos antes da zero hora de 2010. Tiveram todo o ano pra se encontrarem nas ruas de BH e o encontro foi acontecer na Praia de Copacabana, no Rio.
Coisas assim acabam por fortalecer o relacionamento. Situações inesperadas podem mexer com as emoções e selar aquilo que nossas fraquezas e limitações insistem em querer apagar.
Existem aqueles que acreditam em acaso, em teoria de possibilidades e acabam por desenvolver metodologias pra entrar no novo ano com o pé direito, como se diz. Acontece, que o pé esquerdo não fica na soleira da porta, ele entra junto... A quem prefira passar a virada do ano nu a vestir marrom ou preto. A quem dê três pulinhos no instante da virada. E com a tal loteria da virada, há quem aposte na mudança de sorte com o grande prêmio...
Todos eles e elas, no fundo desejam recomeçar. Todos desejam uma nova chance. Uma chance de apagar os erros cometidos e começar de novo. Recomeçar. É a palavra-chave.
Desenvolvi a mania de contabilizar as primeiras notícias do ano novo e marcar os acontecimentos. As primeiras horas do ano são contabilizadas até o instante em que recebo a primeira notícia ruim. Como não sou nenhum abnegado, isso geralmente acontece por volta das quatro da manhã do dia primeiro. E nem um minuto a mais, infelizmente.
A vida precisa recomeçar. Recomeçou para Denis que passou o 2009 amargurado e deprimido. Recomeçou para Paola, que queria aprender a perdoar e aprendeu. O 2011 será um recomeço para o Brasil, nas mãos de sua primeira presidenta. Será um recomeço pra mim, um recomeço pra você também...
Que neste recomeçar da vida, possamos resgatar os bons sonhos que nunca se apagam. Que possamos resgatar os novos e velhos projetos para uma vida que precisa ser renovada. Que eu possa sonhar com uma noite na Bourbon Street, tomando um encorpado merlot, ao som de “Caravan” de Duke Ellington na companhia de minha amada na aprazível e borbulhante New Orleans... Que eu possa sonhar com um passeio no parque com minhas filhas. Que eu possa sonhar com o barulho do vento contrastando com as passadas do meu coração, o som do silêncio perfeito de uma vida que precisa de verdade e com urgência ser reinventada...
O ano novo está aí, está a porta, pedindo passagem. Vamos recomeçar. Fazer a mesma boa obra de uma maneira diferente, mais entusiasmada. E se fizer a mesma besteira, que possamos parar na metade, sem concluí-la e dizer: “Eu posso fazer diferente, eu posso mudar.” Este é o recomeço que eu desejo a todos vocês meus amigos.
Que o Bom Deus possa estar junto a nós abençoando e nos ajudando a sermos melhores. Se cada um melhorar um pouquinho que seja, este mundo melhora um tantão, numa exponencial sem fim. É meu desejo e tenho certeza que seu também.
Feliz 2011. Que a Graça do Senhor esteja com todos vocês!

Belo Horizonte 30 de Dezembro de 2010.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Sobre o Natal, natais e paixões - Mensagem de Natal


Por Deiber Nunes Martins


Você já se apaixonou alguma vez? Já viveu emoções intensas na vida? O natal é uma época preciosa porque nos leva a viver eternas paixões. A paixão do convívio, da família, dos amigos... Um momento de confraternizar-se, de presentear, de orar, de ser feliz. Mas como paixão, o natal tem seu lado bom e seu lado ruim.

Quando nos apaixonamos, somos emersos num mar de deslumbramento, admiração, euforia, entre outras sensações. E como sensações, são superficiais, algo de momento que tem sua data de validade estampada nas primeiras intenções. O natal tem um prazo de validade. Começa quando o comércio começa a falar de natal e termina no dia dos reis magos, seis de janeiro. É quando retiramos as decorações de festa, guardamos as guirlandas, os adereços, os presépios. Tudo volta a mais fria normalidade. É o dia seguinte a uma paixão. Pra muitos vem como uma ressaca, pra tantos outros, como “o dia seguinte” um dia como qualquer outro. Quando a paixão esfria, nós também esfriamos. Deixamos de viver aquele momento e voltamos pra nossa vidinha, até que outra paixão nos contagie. No caso de datas, até que chegue o carnaval, quando outra paixão chega e nos esbaldamos novamente...

Este é o ruim de uma paixão: o seu término. Porque quando termina, termina mesmo. Não sobra nem um cadiquim pra contar história. E isso é o ruim do natal. Ele começa e termina e acabou! Simples assim!

É preciso sempre nesta época natalina, resgatar a importância da data, para nós cristãos. É o nascimento de Cristo, o nosso salvador. Tudo bem, a história não consegue definir se Cristo nasceu mesmo em 25 de Dezembro mas isso não importa. A divindade do Cristo não pode ser explicada pelo carbono 14 nem pelas teorias climáticas ou geográficas. O importante é que 25/12 é o Natal do Senhor Jesus. E recordar o nascimento do nosso Salvador é recordarmos a necessidade que temos do Céu. É recordarmos o plano salvífico de Deus, a Eucaristia, o exemplo do amor doação e tudo o que Ele nos ensina. É o Menino Deus nos ensinando a humildade, a importância de se doar ao próximo, do amor em sua forma mais perfeita. E este amor vale mais que qualquer paixão, porque é divino. E dura o instante do eterno. Ajudar o outro, compartilhar o pão e os dons. Este é o sabor do Natal.

Quando Cristo nos convidou para o banquete, a Eucaristia, ele nos deu o alimento espiritual. Mas nos ensinou algo essencial: o alimento do espírito deve ser acompanhado com o amor. Ou seja, eu só posso de fato alimentar-me espiritualmente se compartilho o alimento do corpo com meu próximo mais necessitado. Este é o Espírito Natalino. Isto supera qualquer presente, qualquer ato material que superficial e apaixonante, tem a duração do instante que passa...

E aí, você já se apaixonou alguma vez? Apaixone-se pelo tempo natalino, mas decida-se amar a razão maior deste tempo: Cristo Jesus. Viva este tempo de fartura, de confraternização com a honestidade sábia de quem sabe viver uma paixão sem se perder nela. E quando terminar, você verá que o Natal pode ser todos os dias do ano.

A você amigo(a), um Santo e Feliz Natal!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Morro porque não morro


Por São João da Cruz in "O Amor não cansa nem se cansa", Ed. Paulus.


Glosas da alma que pena por não ver a Deus


Vivo sem viver em mim
E de tal maneira espero
Que morro porque não morro.

1. Em mim eu não vivo já,
E sem Deus viver não posso;
Pois sem ele e sem mim quedo,
Este viver que será?
Mil mortes se me fará,
Pois minha mesma vida espero,
Morrendo porque não morro.

2. Esta vida que aqui vivo
É privação de viver;
E, assim, é contínuo morrer
Até que viva contigo.
Ouve, meu Deus, o que digo,
Que esta vida não a quero,
Pois morro porque não morro.

3. Ausente estando eu de ti,
Que vida poderei ter
Senão morte padecer,
A maior que jamais vi?
Pena e dó tenho de mim,
Pois se assim eu persevero,
Morrerei porque não morro.

4. O peixe que da água sai
Nenhum alívio carece
Que na morte que padece,
Afinal a morte lhe vale.
Que morte haverá que se iguale
Ao meu viver lastimoso,
Pois se mais vivo, mais morro?

5. Quando penso aliviar-me
Vendo-te no Sacramento,
Faz-se em mim mais sentimento
De não poder-te gozar;
Tudo é para mais penar,
Por não ver-te como quero,
E morro porque não morro.

6. Se me deleito, Senhor,
Com a esperança de ver-te,
Vendo que posso perder-te
Redobra-se em mim a dor;
Vivendo em tanto temor
E esperando como espero,
Morro sim, porque não morro.

7. Livra-me já desta morte,
Meu Deus, entrega-me a vida;
Não ma tenhas impedida
Por este laço tão forte;
Olha que peno por ver-te,
O meu mal é tão inteiro
Que morro porque não morro.

8. Chorarei já minha morte,
Lamentarei minha vida,
Enquanto presa e retida
Por meus pecados está.
Oh, meu Deus! Quando será
Que eu possa dizer deveras:
Vivo já porque não morro?



O Ser Humano tem saudades do Céu e talvez seja por isso que erre tanto na vida. Porque anseia desesperadamente saber o que lhe falta de verdade. Uns acham que é o dinheiro e o poder e se matam por isso. Outros, acham que é o reconhecimento e o prazer e se matam por uma vida hedonista e exclusivamente carnal. A medida que o tempo passa e o vazio continua ("Tem gente tão pobre, mas tão pobre que só tem dinheiro..." - Diac. Nelsinho Correia) as pessoas vão se iludindo cada vez mais com os modismos do mundo, drogas, prostituição, competição desmedida e por aí vai... Quão distantes de Ti estamos, Senhor!


Senhor Nosso Deus, que pela intercessão de São João da Cruz, possamos ser assim como ele foi, íntimo de ti. Que possamos nessa intimidade, partilhar a vida e recebermos tua bênção que é a verdadeira e genuína felicidade aos filhos teus. Por Vosso Filho Jesus Cristo na Unidade do Espírito Santo, Amém.


Belo Horizonte, 14 de Dezembro de 2010 - Dia de São João da Cruz.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Eu e Ela

Música: Vander Lee
Texto: Deiber Nunes Martins

Eu E Ela

Gotas de amor, girassol
Mares de sal, beijo floral
Pra falar nesse tempo, qual?
Do ventre exposto ao sol
Das flores postas no postal
Quantas caras nesse jornal
Foi quando a sede chamou
Pra acordar nosso amor
Fiz um tema na mão dela
Já fez calor, temporal
Você sem mim, tudo tão igual
Tudo bem, mas estou bem mal
Na TV não tem canal
Seu brilho tão sem meu cristal
Só tem música em meu dial
Mas o poema acenou
Pra acordar nosso amor
Quando a noite me revela
Sou eu e ela, eu e ela, eu e ela...

Já parei pra tentar desvendar este amor e quase enlouqueci. Como se fosse possível entender a simplicidade divina de nos criar tão simples e ao mesmo tempo tão complexos. Na verdade, o sentimento é tão simples! Parte do coração, perpassa a alma e nos leva pra outra dimensão. Só com você é assim. Por que? Porque é real.
Um amor que não tem medida mas que é tangível como tocar em teu rosto. Sentir você é sair da dimensão humana da vida e se transportar para um mundo só de nós dois.
E neste sentido, estar sem você é impossível. Estar com você é essencial. E só nós dois temos esta idéia, esta dimensão. O mundo de nós dois é o lugar onde você pode ser você e eu posso ser eu. De verdade. O lugar onde tiramos todas as máscaras do mundo dos outros, e nos vestimos somente da veste do nosso amor. Amor de significado, como já podemos perceber. E amor que dá frutos, como Maria Isabel tem nos mostrado.
Diante de tudo isso, quero te dizer que meu maior desejo é sempre me transportar para os seus braços, para o aconchego do nosso amor. Amor sem medidas. Amor de nós dois...

Belo Horizonte 29 de novembro de 2010.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Ética no Esporte

Por Deiber Nunes Martins

Estava com este texto preso na garganta desde a vitória do Vettel sobre o Alonso, na Fórmula 1. Há muito tenho visto o esporte ser acometido por esta onda de imoralidade e falsidade, onde o vencedor não é mais o competente, o talentoso e sim, o de maior poderio financeiro e mercadológico. Não se vence uma partida mais por mérito e sim por poder de mídia, o que os incautos insistem em confundir com "peso da camisa".
Tudo bem, no automobilismo, a tecnologia é preponderante para o êxito. Assim, o poderio das equipes se fez. "Peso da camisa" na principal categoria do automobilismo resume-se com justiça a Ferrari, McLaren, Renault e Williams, sendo gratas surpresas a Red Bull e a Mercedes GP. No entanto, foi-se o tempo em que a tradição das marcas prevalecia sobre o capital. A partir do momento em que os motor-homes se tornaram palacetes reais sobre rodas, o automobilismo deixou de ser definido na pista. Michael Schumacher tornou-se o maior piloto de todos os tempos numa época em que a tecnologia faz quase tudo para o piloto. O público jovem passa a admirar um mero apertador de botões, sem levar em conta os verdadeiros heróis deste esporte tão encantador: Juan Fangio, Alain Prost, Nelson Piquet, Nigel Mansell, o inigualável Ayrton Senna...
Saindo das corridas de carro e passando pelo beisebol. Um esporte desconhecido do público brasileiro mas famoso no restante do mundo e paixão nacional no Japão, Venezuela e EUA, só pra citar os três. A maior liga deste esporte, a Major League Baseball ou MLB tem como principal vencedor o New York Yankees, com o maior número de títulos conquistados. Para os rivais, os Yankees não vencem títulos, os Yankees compram títulos. Entendendo melhor, o maior vencedor do beisebol americano é a equipe mais rica. Assim sendo, é de se esperar que a mesma consiga reunir os melhores jogadores em seu lineup (lainape ou plantel pra falarmos no bom português).
E por fim, só para citar três esportes, o futebol. E aqui a confusão é generalizada. No mundial interclubes, o que se vê todo ano é a batalha Davi-Golias, com os primeiros sempre do continente americano e o gigante sempre do futebol europeu. Dá-se uma importância desmedida a Uefa Champions League, por ela reunir as equipes de futebol mais ricas do planeta. Mas o que qualquer bom entendedor do futebol vê, sem a maquiagem dos comentários esportivos é um futebol artificial, sem garra, sem paixão. Um futebol onde os craques são burocratas e fazem do seu ofício uma obrigação enfadonha. Já se foi o tempo da Copa dos Campeões de Van Basten, Rudd Gullit, Zinedine Zidane. Hoje, sou obrigado a aceitar que Ibrahimovic e Cristiano Ronaldo são craques e pronto!
Mas o futebol dá pano pra manga... Viram o que aprontaram com o Cruzeiro, há algumas semanas? Sou atleticano mas preciso reconhecer que foi um golaço da arbitragem aquele pênalti marcado no Ronaldo, a favor do time Corinthiano. Me perdoem os favoráveis e os corinthianos mas aquilo nunca foi penal! E se o foi, o que o atacante cruzeireiro sofreu no primeiro tempo, do goleiro, foi muito mais. Ora, se um penal muito menos foi marcado, o muito mais teria de ser também. Abro espaço aqui para falar de Futebol Americano a NFL e também do tênis. Esportes onde o recurso tecnológico é aceito. No caso de Cruzeiro e Corínthians era necessário que ao final do jogo, as câmeras de TV fossem acionadas e que o penalti não dado a favor do time azul fosse cobrado. Era o mínimo que a moralidade esportiva merecia. E olha que sou atleticano hein! Mas infelizmente o futebol brasileiro é um caso à parte...
O meu Galo por exemplo, já foi prejudicado pela arbitragem brasileira inúmeras vezes. A maioria delas contra os times do eixo Rio-SP. É duro aceitar que Carlos Eugênio Simon seja ao mesmo tempo juiz de copa do mundo e carrasco do Atlético naquela partida de semi-final de Copa do Brasil contra o Botafogo. Em Minas, ninguém esquece José Roberto Wright. Afinal, foi ele quem tirou do Galo o título da Libertadores lá em Goiânia, a favor de quem? Do Flamengo...
No Brasil, sempre o mais forte na mídia levanta mais investimentos, proporciona mais dividendos à CBF e à Rede Globo e por isso acaba sendo favorecido. Ninguém acha interessante o Cruzeiro ser o campeão deste ano a não ser os próprios cruzeirenses. Como é ano do centenário corinthiano, o time de maior torcida no país, e por isso, mais rentável ao grupo CBF-Globo, nada mais justo que o Timão leve mais esta. Mesmo que seja favorecido pela arbitragem, comandada pela CBF e pela mídia, comandada pela Rede Globo, detentora dos direitos de trasmissão. Assim como foi em 2005, onde inventaram um juiz corrupto, para anular alguns jogos e favorecer o Timão em detrimento do Colorado Gaúcho. Como este ano, Cruzeiro e Fluminense não exercem supremacia sobre o time paulista, não é preciso mexer nos bastidores, basta o juiz ajudar dentro do campo...
Foi mais do que justo a vitória do Vettel sobre o Alonso. A Ferrari na base da desonestidade, fez jogo de equipe o tempo todo, em detrimento a Felipe Massa. Foi vergonhoso ver aquela corrida maravilhosa, ser definida com uma ordem de box dada a Massa para deixar passar o espanhol. Mas a vendetta não tardaria e viria da melhor forma: o espanhol egocêntrico e pirracento sendo barrado pelo russo Petrov que não tinha passado seu telefone para o comando da Ferrari. Talvez o título ficasse em melhores mãos se ficasse com o Mark Webber, o piloto mais regular da temporada. Mas não ficou ruim nas mãos do alemão Vettel. Afinal, a Ferrari foi punida dentro da pista do seu jogo de equipe.
Que o futebol brasileiro siga o exemplo do beisebol americano. Só pra constar, este ano os Yankees foram eliminados nas semi-finais pela equipe de menor folha salarial da MLB, o Texas Rangers. Lá, o Davi pode vencer o Golias. Ontem, o Goiás deu uma lição na arrogância palmeirense de achar que a partida estava ganha. Um bom sinal. Que cada vez mais, o público veja a necessidade do Davi vencer o Golias na bola, dentro de campo. Sem ajuda de juiz, de bandeirinha famoso e coisa e tal. Que o trio maléfico CBF-Rede Globo-Clube dos 13 seja desfeito e que o poderio futebolístico seja no talento, na bola, nas boas práticas esportivas e não definido pelo fator geográfico. Caso contrário, que os times preteridos abandonem o trio maléfico, criem uma liga própria e discutam com o público o valor do futebol brasileiro. Deixa Rio-SP com os times deles, pois o que dá liga ao futebol são os times de fora.
Que a ética prevaleça no esporte e que possamos ver cada vez mais como normalidade a vitória do Davi sobre o Golias.

Belo Horizonte, 25 de novembro de 2010.

Depoimento de moradora do bairro Suzana em Belo Horizonte - MG

Não eram nem 5 da manhã quando abrimos os olhos e nos deparamos com a água já sobre nossas casas. Sim, choveu muito, mas aquela quantidade toda de água não nos parecia vir exclusivamente da chuva. As compotas da Lagoa da Pampulha foram abertas, pois, o nível da Lagoa subiu e isto, segundo a Prefeitura, tornou-se uma ameaça fatal para algumas regiões de BH, sobretudo, para nobre região da pampulha. Então ok: abriram as compotas e a água foi escorrendo para todos os possíveis cantos, mas tudo isso dá em um único lugar: Córrego do Onça: Favelas e periferias que ficam ao redor do mesmo.
Hoje, 23 de Novembro de 2010, aconteceu uma enchente como nunca antes. Pessoas que moram no bairro há mais de 50 anos diziam nunca ter visto algo igual. Pois bem, nos reunimos e fomos à luta mais uma vez e mostramos a BH e ao país (ainda que pela mídia sensacionalista) a nossa existência; já que somos um bairro que a Prefeitura quer, a cada dia, extinguir do mapa. Isso eu digo pelo fato de nunca conseguirmos o falso “Orçamento Participativo”; pelo fato de o ônibus servir apenas aos demais bairros vizinhos (pasmem: depois da construção da Linha Verde, feita pelo Sr. Aécio, a linha 5101 - SUZANA/CRUZEIRO - passa em apenas 1 rua do bairro suzana e o ponto final encontra-se no bairro de classe média Dona Clara); pelo fato de retirarem várias famílias para a construção da Linha Verde; pelo fato de não existirmos no mapa de BH, e olha que geograficamente pertencemos a tão nobre regional Pampulha.
De dia ficamos sem água e agora a noite estamos sem luz, muitas casas ainda com barro. Sofrimentos, revoltas, ações e reações das mais diversas formas foram feitas: muitos rezavam o tempo todo; alguns se reuniram e chamaram o poder público (discutiam, negociavam, reivindicavam seus direitos); outros se uniam e botavam fogo nas coisas perdidas pela avenida cristiano machado. Cada um reagindo da forma que foi possível.
O bairro Suzana é dividido em duas partes: a parte alta e a parte baixa (que fica mais próxima da Cristiano Machado, de frente para o córrego do Onça). À tarde a região recebeu a visita do Prefeito e...... qual foi a única medida que Márcio Lacerda disse que tomará??? Será colocado um radar para medir o nível da água no córrego. Ponto final, nada mais que isto. E a linha verde permanece acabando com parte de nossas famílias e a cidade administrativa permanece lá, intacta.

De tudo que experimentei hoje o que mais me marcou, felizmente, não foram as cenas de tristezas, mas sim o companheirismo entre as pessoas. Gente da parte de cima (casas que a água passou longe) e até mesmo gente que veio de outros lugares, desceram até nós e foram de casa em casa oferecendo ajuda: levaram comidas, pães, café quentinho na hora, palavras e conversas afetuosas para nos encorajar a encarar a situação. Situação esta que sabemos que não será solucionada de imediato, mas sabemos também que nem Márcio Lacerda irá nos desarticular, nem os policiais que nos vigiaram hoje durante todo o dia.
Nossa força vem não sei de onde, permaneceremos brigando com esse governo para que medidas dignas sejam tomadas. Aliás, eu sei de onde vem sim essa força: vem da nossa ancestralidade, pois, como dizia minha vó: “suzana é onde cresci, suzana é o que construí. Suzana só morre para quem se esquece das origens.”
Gente este e-mail é para compartihar com todos/as vocês minha agonia pelo dia de hoje, mas também para agradecer a todos/as que se fizeram presentes. Os que me ligaram, os que saíram de sua rotina e vieram nos ajudar, os que rezaram por nós.
Peço aos que puderem que nos doem o que estiver ao alcance (roupas, sapatos, colchões, eletrodomésticos, roupas de senhoras, roupas de bebê, enfim, o que tiverem) e para encaminhar este e-mail a demais pessoas. Assim é só me ligar ou me retornar por e-mail que eu ou qualquer outra pessoa do bairro daremos um jeito de buscar.
Te agradeço!

Enfim, esta é apenas um das muitas lutas que rola por aí...

AKOMA sempre, para todos/as nós!!!

Danielle Anatólio
(Moradora do Bairro Suzana)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Maria Vitória




Por Deiber Nunes Martins




"Outros Outubros tu verás... e Outubros guardam histórias..." Quantas histórias lindas o mês de Outubro não guarda... Maria Vitória é uma delas. Nascida no dia 09 deste lindo mês, minha primeira filha traz consigo todas as bençãos deste mês da Virgem de Aparecida, de São Judas Tadeu e de tantos outros santos e santas.


Ela é linda. E a cada dia que passa encanta mais as pessoas a sua volta. Como é bom ver o quanto ela é amada e querida. Uma promessa de Deus em minha vida e à vida da mãe dela.


Maria Vitória foi aquela notícia inesperada, aquele risco mal calculado ou melhor, não calculado dos momentos de impulso, onde se faz o que faz e não procura nenhuma lógica ou consciência. Tinha tudo para gerar sofrimento, fazer tanta gente infeliz, um erro. E gerou todas as conseqüências de um erro. Mas não parou no sofrimento, porque Deus não quis assim. E deste modo, no momento onde os mundos desabavam sobre minha cabeça, veio o Senhor em sua sabedoria, dizer: "Esta criança será fonte de muita alegria e bênçãos para toda a sua família e para todos os seus."


Tomei posse desta Graça e passei a proclamá-la em minha vida, como uma ejaculatória, como uma prece infinita capaz de derrubar toda e qualquer sanha maldosa, todo e qualquer sentimento fugaz de culpa. Eu tinha errado, traído minha noiva, minha família. Mas Deus havia me dito por meio de uma palavra de ciência de um sacerdote, numa tarde de Adoração: "Até do seu erro, eu faço bênçãos."


E veio Maria Vitória.


Bem quista por muitos. Nem tanto por outros. Quem esperava um Deiber santo, imaculado, incólume diante dos erros da vida, não conseguiu e talvez ainda não consiga sentir nada por minha filha. Não consiga ver a Graça, a Beleza da obra de Deus. Não consiga sequer perguntar como ela está, lembrando-se apenas da irmã mais nova. No entanto, Maria Vitória veio para nos dar tantas alegrias que é possível ver a mudança estampada nos olhos de quem outrora não via graça nenhuma. Felizmente, minha família, meus pais, meus irmãos e sobretudo minha esposa me acolheram e acolheram minha filha, como tamanho amor que é bonito de ver os olhinhos brilhantes dela, quando encontram os dos meus familiares. Meu pai, de início reticente, hoje sente falta de sua primeira netinha, falando "vovô" pela casa. Ela é o xodó de minha irmã. E torna a casa de minha mãe bem mais feliz.


Infelizmente, não posso conviver com ela todo o tempo que desejo. E é difícil segurar o coração no momento da despedida, de dar-lhe bênçãos e a entregar no colo de Patrícia, sua mãe. A vontade é de não sentir saudades, de ficar junto. Mas isto não pode ser. No fundo, Maria Vitória veio pra me mostrar que não sou completo, que não sou perfeito. Que me faltam pedaços, que me faltam virtudes. Que me falta algo. E nela também se completa. Um presente de Deus é como vejo minha filha mais velha. E meu desejo maior nesta vida, é que as duas Marias cresçam juntas e sejam amigas. Em minhas orações, peço saúde, peço paz, peço alegrias, e também peço isso. Que sejam bem amigas, bem unidas, por toda a vida.


Neste final de semana, de casamento do meu irmão Davidson com a Poliana, Maria Vitória me levou às lágrimas nas poucas horas que esteve com Maria Isabel, sua irmã. Enquanto esta chorava com fome, a primeira comia um biscoitinho que eu lhe havia dado. E ouvindo o choro da irmã, veio a lhe socorrer primeiro ofertando-lhe o biscoito, colocando-o na boca da irmã. E depois, sem ver que não era possível a irmãzinha comer aquele biscoito, o partiu e entregou o pedaço em minhas mãos, para que eu pudesse dar o pedacinho a Maria Isabel. Como foi bom ver Deus ali presente no convívio de minhas filhas...


Maria Vitória, com seu um aninho, és tão pequenina que talvez não possa entender o quanto te amamos. Talvez ainda não seja possível entender a presença muitas vezes distante de seu pai. Talvez não lhe seja possível entender o quanto te amo. Mas você sente. Eu sei que você sente. Coisas de pai...




Belo Horizonte, 10 de Novembro de 2010.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Maria Isabel



Por Deiber Nunes Martins




Como é sabido de muitos de vocês, nasceu dia 10 de setembro, minha filha, Maria Isabel. O que vocês ainda não sabem é a benção que ela tem sido para nós. Um presente de Deus tanto para Bárbara quanto para mim. E diante disso, só temos a agradecer a le bon Dieu.


Acompanhei todo o processo de gestação de minha esposa, criando aquela espectativa em relação àquele novo ser que faria parte de nossa família. Nem bem sabíamos o sexo e já nos pegávamos fazendo planos para o futuro do bebê. Nisso sempre fomos acessorados pelos vovôs e pelas vovós... A gravidez é um processo de maturidade do casal, visto que juntos vivem os dramas as alegrias e as novidades daquele momento. Talvez seja por isso que cada gravidez é de um jeito, por isso as mulheres são apaixonantes e por isso Deus é tão perfeito em sua Criação. Nada é do mesmo jeito em se tratando de uma vida.


Ao final da gestação bateu em ambos aquela ansiedade de quem anseia tudo dar certo no momento certo. A diferença foi que eu tive de me segurar para não transparecer a Bárbara tudo o que sentia de modo a não comprometer a gestação. Aprendi com isso que devemos ser transparentes em tudo, mas também devemos ser cuidadosos com o bem estar do outro a nossa volta. Na verdade, eu tinha de pensar não só em mim, mas também na Bárbara e na Maria Isabel. E foi o que fiz.


Então chegou o grande dia. Começou de véspera, no dia do administrador, data de minha última postagem, com as famigeradas dores que chegam de tempo em tempo. Até então, não sabia o que fazer e como fazer. Então apenas esperamos e rezamos. Por volta das 22 horas quando as dores se tornaram mais frequentes e cada vez menos suportáveis, ligamos para nossa amiga Liliane a quem só temos a agradecer pelo carinho e desprendimento em querer acompanhar o parto, como ótima enfermeira que é. Seguramente, uma profissional do Reino.


A partir da chegada da Liliane em nossa casa, fomos vivendo no compasso da espera até o momento exato da ida para o hospital. Nisso, ainda preciso dizer e agradecer à Providência de Deus que nos enviou a Liliane. E com ela e seus conselhos profissionais, foi possível levar Bi no momento exato para o hospital. Ainda que tivéssemos alguns contratempos, como a falta de vagas na primeira maternidade que fomos. Mas por intermédio da Virgem Maria e de anjos como a Liliane e o Dr. Victor, obstetra da Bárbara tudo foi contornado.


E quando me percebi, estava com o rosto colado ao vidro daquele berçário, vendo minha filha em seus primeiros minutos de vida, cercada de enfermeiras que lhe prestavam os primeiros cuidados. Minutos depois via minha esposa agora com o semblante de mãe. Sem aquele sofrimento das dores do parto. Como o semblante da mulher muda em fração de segundos! A dor é sofrida e parece ser terrível. Mas no instante seguinte em que ouvimos o choro da criança, parece que nada mais dói e a mulher é acometida por uma sensação semelhante ao contrário da dor. Algo maior, bem maior que o alívio efêmero.


A partir daí, seguem-se os dias, cada um com uma descoberta própria. Sempre que contemplo minha filha, percebo nela um traço do que ela virá a ser lá na frente, no futuro. Já percebi que não tem puxado muito minhas feições. Tem ficado mais na beleza da mãe, no que ela está muito certa. Mas de mim tem puxado a massa cinzenta, o intelecto que modéstia a parte é abençoado por Deus. E é o que desejo: Maria Isabel com as virtudes mais fortes da Bárbara e do Deiber e os defeitos mais fracos de ambos.


E hoje, a um mês e pouquinho de vida, Maria Isabel já fez até travessuras! E como é lindo o seu sorriso! Fico a pensar que se quando grande ela sorrir assim pra mim, conhecerá meu ponto fraco e livrar-se-á de uma reprimenda, mesmo que necessária. Sinto-me intensamente feliz como nunca me senti antes. E hoje, posso compreender as palavras de um grande amigo, Valério, que me dizia: "Você vai descobrir o que é ser pai quando tiver seus filhos!


Belo Horizonte, 19 de outubro de 2010.


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

09 de Setembro, dia do Administrador

Por Deiber Nunes Martins

A todos os colegas administradores, as minhas congratulações. Que o nosso dia represente um tempo de conquistas, não somente as profissionais, mas principalmente as pessoais.
Que sejamos reconhecidos em nossa profissão, mas que reconheçamos o outro com a importância devida em nossa vida.
Que sejamos valorizados em nosso meio, mas que valorizemos o meio em que vivemos.
Que sejamos respeitados, mas que respeitemos a todos.
Que sejamos felizes, mas que façamos os outros felizes também.

Que saibamos que administrar é uma via de mão dupla, ou seja preciso ser reconhecido, mas preciso reconhecer também, preciso ser valorizado, mas valorizar também, preciso ser respeitado mas respeitar também, preciso ser feliz mas fazer o outro feliz também.
Que Deus abençoe a todos os administradores pelo seu dia.
Um abraço!

Belo Horizonte, 09 de Setembro de 2010.

Ser ou Não Ser Politicamente Correto

Por Deiber Nunes Martins

O que será o politicamente correto? Esta semana o presidente do Atlético, Alexandre Kalil, declarou em entrevista a Rádio Bandeirantes, que se o torcedor atleticano pegasse algum jogador na balada, na vida noturna de Belo Horizonte, que poderia, cobri-lo de pancada. Soou agressivo e logo os veículos ligados à Rede Globo declararam que Kalil estava incitando a violência, etc e etc... A noite, o presidente atleticano em entrevista à Rádio Itatiaia disse que se tivesse ficado politicamente incorreto o seu dizer, que a torcida, ao encontrar o jogador na balada, que lhe pagasse um drink.
É preciso analisar todo o contexto para se verificar o que é politicamente correto em questão. Em tempos passados, o Atlético montou a chamada “selegalo” que representou um fiasco nos campos e um sucesso nas noitadas da capital. Recentemente, a “Selegalo” foi lembrada em tom de chacota. Aliás, o Galo há muito vem sendo tratado como chacota pela imprensa esportiva no Brasil. Mas isso não vem ao caso...
O que me interessou na notícia foi a conceituação de politicamente correto. Há uma discrepância enorme entre o politicamente correto e o que é amoral, ou condenável pela sociedade. Interessante pensar que nem todos conseguem discernir sobre esta conceituação, o que permite pensar que o termo é usado de qualquer maneira, por qualquer um.
Mais interessante ainda é o fato de que a distorção do termo permite que se trate o politicamente correto não como um antônimo do incorreto, mas como uma extensão deste. Explico: o politicamente correto é tido como o que está de acordo com a lei e com o status quo sendo amplamente elogiado visto que os bons exemplos são escassos em uma sociedade cada vez mais positivista e pessimista como a nossa. Acontece que o politicamente incorreto (que pretendo tratar em outro texto) sempre é tratado como cult, como algo a se conhecer, bem feito, trabalhado e por assim dizer elogiado. Figuras politicamente incorretas são tão ouvidas quanto às corretas, daí a extensão do conceito. Voltando à esfera futebolística, o presidente do Atlético sempre será notícia com sua verve politicamente incorreta ao passo que outros cartolas nem sempre serão, visto que desejam manter suas imagens longe da discussão sobre correto e incorreto.
Diante de tudo isso, fico a pensar na importância de uma coisa ou da outra. E se a massa crítica não está mesmo com a razão, sendo o politicamente incorreto, um complemento ao correto. E os contrários, algo totalmente radical e intolerável. Deste modo, falar alto demais seria algo totalmente alheio ao politicamente correto e incorreto e por esta razão intolerável. Mas falar baixinho, cochichar, seria politicamente correto, recomendável. Mesmo que estejam cochichando sobre nós.
É por estas e outras que prefiro ficar fora dos limites do que é político para ser exclusivamente do meu jeito.Sem ter que me preocupar com o que é politicamente correto ou incorreto. Melhor neste quesito ser apolítico...
Porque no fim das contas, nós sempre confundimos tudo.

Belo Horizonte, 09 de Setembro de 2010.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Esta Música é de Verdade?

Por Deiber Nunes Martins

Fazendo um vôo panorâmico por alguns sites na internet, percebemos com facilidade a chuva de críticas feitas ao Prêmio Multishow 2010, que premia os “melhores” da música no Brasil. E não se trata de criticar por criticar. O famigerado prêmio é um absurdo dantesco. Recheados por bandas e músicos fabricados pela mídia, o prêmio é uma iniciativa de levantar a bola dos novos heróis nacionais, totalmente artificiais e que não acrescentam nada.
Chega a ser engraçado ver o pessoal reclamando sobre a derrota do “?” NX Zero para uma pseudo-banda chamada Cine. Se juntar tudo em um balaio não sai uma nota musical que preste. Infelizmente, é o que querem nos fazer engolir, goela abaixo, ou melhor ouvido abaixo. Há muito tempo as rádios têm sido em sua grande maioria disseminadoras de porcaria. A começar lá atrás, nos anos 90 com os grupinhos de pagode de sorriso amarelo e nada na cabeça. Geralmente eram grupinhos de cinco carinhas, onde ninguém tocava nada nem um cavaquinho e apenas simulavam cantar e dançar músicas bem sofríveis. Junto com eles, apareceram duplas e mais duplas sertanejas que de sertanejo, não tinham nada. Naquele tempo também, começou a onda do “Axé Music”, que um dia uma rádio aqui de Belo Horizonte, tentou inserir em seu festival anual, voltado para rock, sob o rótulo “Pop Rock”. Foi de doer os ouvidos... Quem achava que “É o Tchan” e “Cia do Pagode” eram o fim do mundo, não tiveram paciência de esperar o que estava por vir...
Já faz algum tempo que procuro evitar contaminar meus ouvidos com a música brasileira atual. O som brasileiro mais atual que escuto é o CD Acústico do O Rappa e já faz algum tempinho que foi lançado. Coisa de anos. Bandas de verdade como Titãs, Skank, Paralamas, Jota Quest e Ira! parecem estar na entressafra e tentam competir no mercado nacional com porcarias contemporâneas como Fresno e Restart. E muitos não entendem o que estas bandas têm que as de verdade não têm. O que acontece é que o gênero “Porcaria Music” cresce no mercado nacional por conta dos modismos, das redes sociais, dos fãs-clubes (que em muitos casos se resumem a meras empresas de marketing, dispostas a difundir aquele lixo nos reality shows, rádios, TV’s e em Premiações anuais como o Prêmio Multishow.
Saudade do tempo do Rock dos anos 80, que representou o comportamento de uma juventude que mesmo massacrada pela censura, pensava. Assistir a esta lavagem cerebral cultural que fazem com os jovens de hoje, apenas nos faz lamentar que gosto não se discute e que o rock brasileiro, este comercial, que dá lucro, representa o politicamente correto, tudo aquilo que o gênero nunca foi.
Os poucos que ainda resistem ao sistema, se refugiam em bolhas onde podem compartilhar um pouco do gosto musical que possuem, armazenados em seus Mp3 e consoles. Estes guetos de gente dotada de bom gosto estão cada vez mais escassos... o que nos assusta, visto que o tempo da censura ficou lá atrás. E olha que naquele tempo, a juventude tinha cérebro, pensava e fazia a diferença...

Belo Horizonte, 31 de Agosto de 2010.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Piada Sem Graça no País da Piada Pronta

Por Deiber Nunes Martins

A piada sem-graça do Stallone sobre o Brasil, no começo causou-me asco. Como podem vir aqui e esculhambar com nosso país? Como podem nos comparar a “macaquitos”? Mas os assuntos e sobretudo os negativos, fermentam em meu estômago cerebral, que fica ali perto do córtex frontal, e fazem com que eu reflita melhor sobre a questão.
Se a princípio aprovei o “Cala a boca, Stallone!” agora estou com o pé atrás. Penso eu:
“E se o Rocky Balboa estiver certo? Porque aqui no Brasil, se explode com os aposentados, vetando em dia de jogo da seleção em Copa do Mundo o fim do nefasto Fator Previdenciário e o povo ainda aprova o governo que tem. Explodimos a notícia com um jornalismo cada vez mais mercantilizado e ninguém faz nada a não ser dar mais pólvora, legitimando o fim do diploma para jornalista. Explode-se a justiça com tantos hábeas corpus, recursos, liminares e outras ferramentas diabólicas dos “adevogados”. Sim! Adevogados com E, dando fala ao D de desonestidade e descompromisso com a ética, a justiça e o bem comum. Explode-se a nossa paciência com a falta de transporte público decente, com a falta de respeito das empresas, sobretudo as prestadoras de serviços essenciais. Explode com o respeito humano onde até pra respirar tem fila, o supermercado virou um martírio com filas intermináveis, desrespeito total ao idoso, a gestante, ao deficiente físico e por aí vai. Explode-se com o nosso sossego, com o início das campanhas eleitorais, o mesmo blá-blá-blá de sempre e as mesmas figurinhas sujas do passado, e olha que aprovou-se a Ficha Limpa! Explode-se com o entretenimento, criando-se o “entretetanimento” com programações de rádio e TV cada vez mais pobres, teatro e cinema cada vez mais elitizados, não pela qualidade mas pelo preço cada vez mais absurdo...
Enfim, no Brasil, explode-se com tudo e o povo fingindo-se inocente de tudo e cada vez mais acéfalo, oferece os “macaquitos” ao não se escandalizar mais, ao não exigir melhorias, ao não protestar e ainda se achar ofendido com uma piadinha babaca que tem todo fundo de verdade. Talvez fosse diferente se tal piada fosse contada pelo Chico Anísio ou pelo Jô Soares, ou ainda na coluna do Veríssimo ou do Jabor. Aí, nós brasileiros, bancaríamos os entendidos e levaríamos na esportiva. Mas como foi feita por um gringo, temos que pagar o mico quixotesco de se escandalizar. A emenda fica pior que o soneto...
Falta a nós brasileiros, um pouco mais de auto-análise. Será que estamos de fato, fazendo alguma coisa por este país? Falta a nós, brasileiros, pensar duas vezes antes de rir ou chorar das piadas, sobretudo as infames, e as piadinhas prontas. Assim, quem sabe daqui a dez anos, tenhamos mesmo a razão em protestar das piadinhas dos gringos. Porque de fato não serão nem infames, serão mesmo sem-graça.

Belo Horizonte, 04 de Agosto de 2010.