terça-feira, 12 de abril de 2011

1ªEstação: Jesus é condenado à morte


Por Deiber Nunes Martins

Nós te adoramos, Senhor Jesus e vos bendizemos!

Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

No momento do “julgamento” de Jesus todo e qualquer tipo de arbitrariedade aconteceu. Jesus foi esbofeteado, humilhado, não teve direito a livre defesa, o povo foi influenciado ao posicionar-se em tal situação. Enfim, Jesus não teve um julgamento justo, mesmo para aquele tempo e lugar onde as noções de justiça diferem das noções que conhecemos. É admirável a postura de humildade de Jesus perante as “autoridades” e mais admirável ainda o seu silêncio diante da injustiça. Era de se pensar, que o Filho de Deus manifestaria seu descontentamento diante da situação adversa. E no entanto, Jesus nada fala em sua defesa.

Muitas vezes, somos como que catapultados para uma arena de batalha, onde precisamos nos posicionar frente a uma situação de injustiça e barbárie. No indignamos, nos revoltamos, perdemos nossa razão e serenidade, exasperamos, nos desentendemos, brigamos e não mudamos a situação. Porque não cabe a nós mudar tal quadro. A injustiça está aí à nossa porta e as armas que usamos para combatê-la, não produzem o efeito desejado. Nestas horas, o melhor caminho, por mais tortuoso e difícil que seja é silenciar o coração. Jesus não se calou diante da injustiça, mas permitiu que por meio dela, a obra de Deus Pai se concretizasse.

Senhor, venha em nosso socorro fazer com que compreendamos o silêncio na hora mais lancinante de injustiça. Ensina-nos a calar o corpo e fazer reverberar a alma em busca da melhor solução para o que nos parece infame e injusto. Faze com que sejamos mansos, humildes e serenos mesmo quando o mundo nos exige uma postura inflamada. Que a Tua resposta, Senhor, seja também a nossa resposta diante daquilo que não aceitamos. Amém.

Belo Horizonte, 11 de Abril de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Via Sacra: Um caminhar com Cristo

Por Deiber Nunes Martins

Neste tempo quaresmal, quero partilhar um pouco com você, meu leitor(a) alguma reflexão sobre os passos de Jesus, o servo sofredor de Deus. A paixão de Cristo é o momento sublime de seu amor por nós e nem sempre refletimos sobre isso. Alheios a todo aquele contexto, acabamos por passar com nossos problemas por cima de um amor que ainda não conhecemos, mas que buscamos ardorosamente conhecer.

Não se tratam de reflexões filosóficas e ou teológicas a respeito dos caminhos de Jesus. Tampouco de retórica carregada e rebuscada. Não detenho tamanho conhecimento nem tamanha presunção. Mas sinto em meu coração, ao rezar a Via Sacra, que seria importante escrever um pouco sobre cada estação, buscando adentrar cada cenário, cada mistério e cada momento vivido por Jesus que por detalhes, nos passa despercebido. Rezava a Via Sacra e pensava nesta idéia a cada instante. Então acho válido escrever.

A Via Sacra é um caminho a ser percorrido. Assim como é o Rosário de Nossa Senhora. A meditação de cada estação ou mistério é fazer o percurso de um caminho que nos leva a Salvação. E quantas pessoas precisam chegar a este destino, a verdade libertadora de nosso Bom Deus? Eu preciso, tu precisas... Talvez tenhamos a ingênua sensação de que Cristo fez a nossa parte e que não precisamos então fazer algo que já está feito. De fato, o Senhor nos libertou e nos salvou. Mas ainda cabe a nós alcançar as primícias que Jesus nos oferece. Se caminharmos com Ele, Ele caminhará conosco em nossa vida. Não porque não caminhe, mas porque nós mesmos o veremos caminhar conosco. E o nosso Deus tantas vezes segue a nosso lado quando estamos distantes Dele... Por isso, vale a pena caminhar.

A partir de agora, meus posts futuros serão esse caminhar. Que Deus possa estar conosco em cada meditação, tomando conta de cada palavra que eu escrever. Que elas não sejam minhas mas Dele. E que unidas, possam fazer a diferença na minha vida e na sua também.

Vamos juntos?

Belo Horizonte, 11 de abril de 2011

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Nesta tarde, Cristo do Calvário (Oração)


Fonte: Liturgia das Horas

Nesta tarde, Cristo do Calvário, venho pedir-te por minha carne doente mas, ao ver-te, meus olhos vão e vem de teu corpo com vergonha.

Como vou queixar-me de meus pés cansados quando os teus estão destroçados?

Como mostrar minhas mãos vazias, quando as tuas estão cheias de feridas?

Como explicar-te minha solidão, quando estás só, pregado no alto da cruz?

Como explicar-te que não tenho amor, quando vejo teu coração rasgado?

Agora já não me lembro de nada, fugiram de mim todas as minhas dores.

O ímpeto da súplica que eu trazia afoga-se em minha boca imóvel.

Só quero pedir-te, para não pedir nada, estar aqui junto à tua imagem morta e aprender que a dor é somente a chave santa de tua santa porta. Amém.

Belo Horizonte, 08 de Abril de 2011.


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Desordem e Barbárie

Por Deiber Nunes Martins
Música: Titãs

Desordem

Os presos fogem do presídio,

Imagens na televisão

Mais uma briga de torcidas,

Acaba tudo em confusão

A multidão enfurecida,

Queimou os carros da polícia

Quando estão fora de controle,

Não são as regras exceção

Não é tentar o suicídio

Querer andar na contramão

Quem quer manter a ordem?

Quem quer criar desordem?

Não sei se existe uma justiça,

Nem quando é pelas próprias mãos

Nas invasões, nos linchamentos

Como não ver contradição?

Não sei se tudo vai arder

Igual a um líquido inflamável,

O que mais pode acontecer

Neste país rico e no entanto miserável

Em que pese isso sempre há, graças a Deus

Quem acredite no futuro

Quem quer manter a ordem?

Quem quer criar desordem?

É seu dever manter a ordem,

É seu dever de cidadão,

Mas o que é criar desordem,

Quem é que diz o que é ou não?

São sempre os mesmos governantes,

Os mesmos que lucraram antes,

Põem a esperança lado a lado

As filas de desempregados

Que tudo tem que virar óleo

Pra por na máquina do estado.

Quem quer manter a ordem?

Quem quer criar desordem?

Acho que o atentado de hoje na Escola em Realengo tem de ser o nosso basta. Acho que chegamos ao fundo do poço como povo, como sociedade, como gente. Um jovem desconexo de tudo e de todos, desconexo de princípios como o viver em sociedade ou em comunidade, partilhar interesses e ideais comuns, enfim, um jovem desprovido da razão e talvez portador de sofrimento mental. Este jovem adentra uma escola, invade uma sala de aula e massacra indiscriminadamente uma dezena de crianças, que indefesas somente podem assistir a morte uns dos outros. Um massacre relembrando o massacre em Columbine, nos EUA. Uma tragédia sem motivos.

Pra variar, a imprensa (jornais impressos, televisivos, mídia eletrônica, sites e tudo mais que se julgar “imprensa”tratou de entupir nossas mentes com a tragédia, requentando a notícia de todos os meios e modos. É a missão dela. Tudo para nos sensibilizar, nos comover, nos horrorizar ainda mais. Mas não há como. Estamos letárgicos a tudo mais.

Acho que o dia de hoje tem de ser o nosso 11 de setembro. Pois não falta mais nada pra nos acontecer de novo, no quesito violência. Somos um país em guerra civil, envolvendo o tráfico de drogas. Somos um povo egoísta, cheio de preconceitos, manipulado pelas autoridades e ainda achamos que somos uma democracia. Que democracia, cara pálida? Hoje, nos tornamos piores que a Líbia, Cuba, Coréia do Norte ou qualquer outra ditadura deflagrada por aí. Porque lá nesses lugares, a imposição de quem manda, o preconceito das pessoas e a mordaça são diretos, incisivos e conhecidos. Aqui, a imposição, o preconceito e a mordaça são velados...

Este rapaz, autor desta barbárie, é fruto de nossa sociedade. É produto nosso. Produto de uma sociedade excludente, consumista e refém dos meios de comunicação e de uma elite burra que aprendeu a adorar o mais do mesmo, ao invés de buscar novos caminhos...

Este é o meu protesto contra o atentado em Realengo, no RJ. Que Deus tenha compaixão de nós, pois agora, não falta mais nada a acontecer neste país pobre e miserável que tenta em tudo, imitar o estrangeiro. Não em suas virtudes mas em seus defeitos... Triste. Muito triste. E o pior é que estamos parados. A letargia também toma conta das pessoas de bem. Qual a paz que queremos para nossos filhos?

Que Nosso Bom Deus venha nos socorrer de nós mesmos!

Belo Horizonte, 07 de Abril de 2011.




quarta-feira, 6 de abril de 2011

A "Crise" no Galo




Por Deiber Nunes Martins

Sábado último a torcida atleticana foi pega de surpresa com o anúncio da dispensa de dois dos principais jogadores do elenco: Ricardinho e Zé Luis. Antes de fazer meu comentário, quero salientar alguns fatos que podem nortear opiniões alheias e futuras. É preciso salientar ainda que não se trata de defender quaisquer dos lados, mas sim com toda certeza, defender o Atlético-MG e sua torcida, cansada de tanta verborragia e resultado nenhum.

Ricardinho é um jogador de fases. Alterna bons e maus momentos, boas e más atuações. Já teve problemas no Corinthians por influenciar outros jogadores, o que talvez se justifique, visto seu espírito de liderança dentro e fora de campo. É um jogador que não chega a ser imprescindível mas também não é um cabeça de bagre. Já decidiu a favor do Galo, uma vaga de Sul-Americana contra esse mesmo Grêmio Prudente aos 45 do segundo tempo. E semana passada foi o único que se salvou na derrota para este clube. Com seus 35 anos de idade, correu como garoto aquele jogo, ao passo que outros não deram nem metade do esforço dentro de campo. Isso, sem falar no primor de lançamento dele para o Magno Alves mandar para o gol, empatando a partida, num momento em que o Galo merecia já estar perdendo por três, quatro. No sábado mesmo, antes de tomar ciência de sua dispensa, assistia ao clássico milanês e entusiasmado com a partidaça do Seedorf para o Milan, ousei comparar, tomadas as devidas proporções e não acreditando estar errado: o Ricardinho era para o Galo, o que o Seedorf é para o Milan. Um jogador capaz de decidir uma partida, com lançamentos precisos, para um ataque que precisa ainda se explicar, mas que tendo a oportunidade, guarda a bola na meta.

Zé Luis é um volantão à moda antiga. Questionado pelos amantes do futebol moderno e tudo bem que o futebol se modernize, mas o Zé era o cara ali no meio campo. Desmarcava, cobria as laterais, tão carentes do nosso time e ainda dava liberdade para o Renan Oliveira e Ricardinho partirem pra cima da defesa adversária. Infelizmente, Zé Luis nesta temporada contou com um Richarlysson ainda pouco inspirado, um Serginho necessitado urgentemente de novos ares e um Toró, que a bem da verdade ainda não disse a que veio. Vou deixar de lado aqui, as minhas reticências ao Toró, mas acredito que a opção de Dorival por este jogador, pode ter sido alvo da indignação do Zé Luis, em momento bem melhor que o ex Rubro-Negro.

Questiono a dispensa desses atletas não pela indisciplina deles. Acredito que a medida de se defender o treinador seja até inédita no Brasil e fico feliz de que seja o meu Galo, o primeiro a tomar tal posição. Entretanto, o clima de suspense e mistério criado por comissão técnica e diretoria atrapalham ao invés de ajudar. A coletiva de Dorival Jr ao final da partida contra o Democrata-GV, cheia de evasivas e “blindagens” ao assunto acabam por fazer com que se tirem conclusões precipitadas. A torcida já tinha àquela ocasião a opinião do Zé Luis, dada na manhã do domingo para a jornalista Daniele Rodrigues, da Rádio Itatiaia. A coletiva do Dorival Jr podia então ter sido mais esclarecedora, pois ficou claro naquele momento que o problema dos jogadores dispensados era com ele. Na segunda, Ricardinho dá sua versão dos fatos ao jornalista Jaeci Carvalho. E fica ainda mais comprovado aquilo que antes era só boato: os jogadores Ricardinho e Zé Luis questionaram a escalação atual do treinador. E as evasivas do presidente Kalil no dia seguinte ainda me deixaram mais frustrado. Infelizmente, preciso deixar meu lado torcedor de lado, para reconhecer o óbvio: falta profissionalismo ao Atlético. O clube se perde por questões internas. Todo ano é sempre mais do mesmo. As crises são plantadas e o time aceita tudo, o disse-me-disse da imprensa, a imposição de jogadores e treinadores, a má vontade de alguns outros que se dizem craques e depois que saem do Galo não arrumam vaga nem em times pequenos e por aí vai...

Hoje, nosso time tem jogo decisivo com o Grêmio Prudente. A torcida espera que o time vença e convença, voltando a ser o que todos dentro da diretoria e comissão técnica acreditam que é. Eu estou muito desconfiado do Atlético nesse momento, mas torço para que a crise seja superada dentro de campo. E que a imprensa (em outro texto, devo falar sobre os efeitos dela para o futebol) possa contribuir positivamente desta vez, evitando comentários desastrosos, críticas infundadas e perguntas superficiais. Estamos de olho!

Belo Horizonte 06 de Abril de 2011.

terça-feira, 29 de março de 2011

É preciso ter o coração aberto para receber os milagres


Texto de Pe. Bantu Mendonça

Estamos na Cidade de Nazaré, o berço onde Jesus foi criado pelos seus pais. E então como fizeram em outros lugares, pôs-se a falar aos homens da cidade na sinagoga. Apesar de maravilhados com as palavras de Jesus, esses homens não receberam a graça dos milagres de Jesus em suas vidas. Não tinham o coração aberto para receberem tais milagres, e por isso ficaram bastante furiosos quando Jesus afirmou baseado em duas passagens do Antigo Testamento, que a graça vem para aqueles que abrem o coração ao novo, à Boa Nova.

Jesus havia crescido, evoluído em corpo, alma e divindade durante os anos em que passou afastado da sua cidade. E como é revoltante quando queremos trazer algo novo para as pessoas que cresceram conosco, e elas não nos dão credibilidade. A vontade que dá é de fazer o que Jesus fez: denunciar a falta de abertura daquelas pessoas, e seguir o caminho para outro lugar.

Acredito que seja essa a tua sensação diante dos teus, quando retornando a sua casa, sua rua, bairro, cidade. O seu marido, esposa, filhos, familiares e muitos de seus vizinhos, ou colegas do trabalho que acham que já lhe conhecem e por isso nada você tem para lhes ensinar, nem prestam muita atenção ao que você diz. Eles acham que você não vai ter muito o que acrescentar às suas vidas. E no fim das contas parece ser isso mesmo, uma sensação de superioridade em relação à você, que pode até ter crescido em tamanho, mas que não pode ter se desenvolvido tanto como pessoa. É como se fosse vergonhoso aprender ou receber alguma coisa de alguém que você considera igual ou “menor” que você.

Queremos fazer sucesso no ambiente em que as pessoas nos acolhem e nos admiram, porém nem sempre somos acolhidos e admirados porque seguimos os ensinamentos de Deus. Para todos nós é difícil evangelizar às pessoas no lugar aonde todos nos conhecem. Assim aconteceu com Elias: num tempo de seca e fome, beneficiou uma mulher estrangeira, da terra dos sidônios. O mesmo sucedeu com Eliseu: curou da lepra um general sírio, ao passo que, em Israel, essa doença vitimava muitas pessoas.

A conclusão de Jesus foi clara: já que o povo de sua cidade insistia em não lhe dar atenção, ele sentiu-se obrigado a ir em busca de quem estivesse disposto a acolhê-lo. Aos duros de coração, no entanto, só restava o castigo. Às vezes não fazemos sucesso onde queríamos, mas o Senhor nos envia a alguém a quem nem imaginamos, para que por nosso meio ela possa obter cura e libertação. Por isso, como Jesus insista no anúncio, na cura e na libertação dos seus!

Por outro lado é para mim e para ti esta palavra. Você acompanhou o crescimento de algum sobrinho, irmão ou primo mais novo? Você não tem a sensação de que conhece tudo ou quase tudo daquela pessoa? Engano seu.

Por isso, a lição de hoje é: não se ache superior a ninguém. Esteja aberto a novas possibilidades. Não é motivo de vergonha aprender ou receber algo de uma pessoa que você considere menos experiente. Alías não há nenhum pobre que não tenha nada a dar e também não há nenhum rico que não tenha nada a receber. Precisamos uns dos outros e aprender uns dos outros.

A reação dos habitantes de Nazaré, diante da pregação de Jesus, foi de aberta rejeição. Foi tal o desprezo pelas palavras do Mestre, que eles decidiram eliminá-lo lançando-o de um precipício.

É possível imaginar a decepção de Jesus, diante da rejeição de seus conterrâneos. Ele tentou compreender a situação, rememorando as experiências de profetas do passado que, rejeitados por seu povo, foram bem acolhidos pelos estrangeiros.

Longe de mim e de ti seguir o exemplo do povo de Nazaré. Jesus quer encontrar, em nós, abertura para acolhê-lo e disponibilidade para converter-nos. Ninguém é obrigado a aceitar este convite. Entretanto, fechar-se para Jesus significa recusar a proposta da vida, de salvação que Ele, em nome do Pai, veio nos trazer.

Pai, que eu saiba acolher Jesus e reconhecê-lo como de Filho de Deus, de modo a tornar-me beneficiário de seu ministério messiânico.

Padre Bantu Mendonça Fonte: Blog do Padre Bantu

segunda-feira, 28 de março de 2011

E.G.O.


Por Deiber Nunes Martins

Muito me assusta a vaidade humana. Uma das maiores fraquezas do homem (e da mulher) a vaidade é hoje um mal que danifica as relações sociais, interrompe amizades e divide grupos. Tudo em busca do Eu, do suprimento às necessidades de reconhecimento, inerentes ao ser humano, tão esquecido hoje em nosso mundo.

Em busca de reconhecimento, prestígio, sucesso pessoal e profissional, poder, glória e autoridade, o ser humano tem se perdido em vertentes questionáveis. Vemos claramente uma oposição dessas vertentes com os ensinamentos de Deus, escritos no Livro Sagrado. Um exemplo: quantos buscam hoje em dia o melhor lugar na mesa para se sentar. Jesus dizia justamente o contrário, escolher as últimas posições para então poder ascender às primeiras por determinação do anfitrião, saciando assim as necessidades do ego. Jesus já sabia que o ego das pessoas é também o ponto fraco delas. E hoje em dia, quantos em quaisquer grupos sociais, almejam a posição de autoridade, almejam dar as cartas, ser melhores que os demais. Muitos acreditam ser uma questão de justiça, visto que a contribuição que oferecem é superior a dos demais. E aí, acabam contradizendo outros preceitos bíblicos. A matemática de Deus é diferente da humana, mas infelizmente como diz Renato Russo, em uma de suas célebres canções, a nossa "tristeza é tão exata!" Queremos que um mais um seja mesmo dois, quando para Deus pode não ser bem assim. Infelizmente o valor que damos a questões mesquinhas, de mérito e justiça é maior do que o valor que damos a amizade, a parceria, ao companheirismo...

Diante disso, vemos amigos se tornando inimigos, vemos a capacidade humana de perdoar se deteriorando gradativamente tão logo aumentam as necessidades do ego. Um ego ferido precisa cada vez mais ser insuflado, como a necessidade do viciado pelo vício. Jesus não quis assim. Era seu desejo que buscássemos o amor e todas as coisas que com ele vêm acompanhadas – a humildade, o respeito, a mansidão, a verdade.

Jesus quis nos ensinar a lidar com o nosso ego. Mas infelizmente, mesmo pessoas religiosas, conhecedoras da Bíblia e dos ensinamentos cristãos não conseguem desenvolver a habilidade de administrar suas vontades pessoais. Gosto muito de uma frase de Don Vito Corleoni em “O Poderoso Chefão” quando ele adverte seu filho Sonny a não deixar que os outros saibam o que ele, Sonny, está pensando. Uma pessoa com necessidades do ego, acaba mais cedo ou mais tarde, revelando seus pensamentos e por este motivo, acaba sendo motivador de discórdia entre seus pares. Isto, quando não oferece in loco munição ao inimigo, que está por todos os lados, esperando nossa queda. E a quem ele mais espera e por isso coloca situações de tropeço: as pessoas que mais se aproximam dos ensinamentos de Jesus.

Sejamos, portanto, mais prudentes e mansos em nossas ações. Saibamos ser testemunho vivo de Cristo e de sua verdade libertadora no seio de nossa comunidade. E onde quer que estejamos, saibamos que o nosso ego precisa sim ser alimentado mas que antes a nossa alma se faz mais faminta. Faminta de Deus, faminta do Céu.

Jesus, manso e humilde de coração, fazei nosso coração semelhante ao vosso!

Belo Horizonte, 28 de Março de 2011.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Clube Atlético Mineiro: Um caso de Amor


Por Deiber Nunes Martins

A história dos heróis certamente fica eternizada. A história de um amor também fica, na memória dos amantes. Minha história com o Galo nasceu no meu nascimento, numa manhã de segunda-feira, 29 de maio de 1978, o dia seguinte ao empate do glorioso com a Ponte Preta em Campinas. Um zero a zero sem graça, nada motivador. Portanto não venha dizer que fui motivado, influenciado, conquistado. Nasci Atleticano.

Quando a gente ama, alguma coisa, alguém, a gente sempre quer saber sobre o nosso amor. Ligamos a toda hora, perguntamos. Arrumamos um jeito de estar junto. Falamos sobre. Pensamos sobre. O amor nos rodeia de tal forma, que somos tragados para um mundo particular, onde o amor é a única lei, a única palavra que de fato importa.

Assim também o é com o Galo.

Ficamos contando as horas para o jogo. Arrumamos um jeito de assistir e se não dá pra assistir, pelo menos ouvir pelo rádio a narração do narrador preferido. Muitas vezes, o radinho torna-se pessoa da família e o narrador atleticano honorário. Muitas vezes nato. O jogo começa e nos exasperamos mesmo quando este se resolve aos cinco do primeiro tempo a nosso favor. O adversário, forte ou fraco é um inimigo a ser batido de todas as formas, de todas as maneiras. O atacante adversário é o ser desprezível, mas temido até o momento que assina com a gente. A partida chega ao intervalo e para nós é o único momento possível para atender ao telefone, ir ao banheiro, atender o vizinho chato, fechar um negócio, resolver as situações pendentes, dar comida ao cachorro, etc. e etc... mesmo assim é um tempo importante, para ouvir o comentário, ah o comentário, dar nossos palpites e cornetadas, criticar o treinador. Ouvir o comentarista. E geralmente o comentarista torce pro outro time. Vê com clareza irritante todos os defeitos do glorioso, mas pra ele o adversário chega a ser divino tamanha a perfeição do seu esquema tático. Comentarista de araque! Salário desperdiçado. Talvez possamos ofendê-lo ainda mais, chamando-o simpatizante do rival...

O jogo recomeça e as atenções são uma só. O Galo não pode capitular. Que o inimigo seja derrotado, que o nosso gol permaneça incólume. Nem a coruja, eu gosto que faça ninho em nosso gol, para não criar motes a artilharia adversária. O outro lado é o inimigo e precisa ser vencido. Nossos zagueiros devem sumir com a bola do campo de defesa, o meio campo deve ser criar perigo pra eles, não pra nós. Os atacantes devem ser enaltecidos pelos gols feitos, mas condenados pelos gols perdidos. Fim de jogo. Se dá empate, é um prenúncio de tragédia, sinal de alerta. Se derrota, tragédia completa. Prenúncio de ressaca no dia seguinte, mesmo que não nos demos ao luxo de encher a cara no dia seguinte e se é pro rival pior ainda, hecatombe completa, prejuízo incalculável. Ficamos com cara de velório o restante do dia, não queremos saber de papo. Nossas esposas devem estar preparadas para isso já no noivado. Atleticano é assim.

Mas se a vitória vem, carnaval na cidade! Vamos comemorar. Alegria incontida, somos os tais, os maiorais. O dia é nosso, a noite é nossa, a vida é nossa e se renasce mais atleticana que nunca. Se a vitória é sobre o rival, felicidade completa! Festa pra todo mundo, bebidas pra todos. O torcedor adversário também, como convidado, para ser gozado, zoado... Somamos nossos vinténs pra ver se dá pra comprar a camisa mais recente, que certamente irá tremular soberana no varal com a nossa torcida contrária ao vento, que agora é o adversário a ser batido...

Ser atleticano é isto. É amor, paixão, tudo junto e misturado. O atleticano é o propulsor de um clube que nasceu predestinado ao amor. Amor incondicional, legítimo. Amor doação, amor que se entrega que chora na derrota, mas chora mais gostoso nas vitórias sem que ganhar ou perder represente algum combustível para torcer. Atleticano não é simpatizante, não é torcedor só quando ganha. É torcedor pra eternidade toda... Por isso, o Atlético, o nosso Amado Galo Doido, se difere dos demais times porque não se resume em simpatia, extrapola pra simplicidade inexplicável que é o Amor. Parabéns Galo. Clube Atlético Mineiro, uma vez até morrer, Galo Forte Vingador!

Belo Horizonte 25 de Março de 2011.

terça-feira, 22 de março de 2011

Deus humilha os que se exaltam e exalta os que se humilham

Homilia de Pe. Bantu Mendonça

O Evangelho de Mateus apresenta, no capítulo 23, de maneira contundente, as últimas críticas de Jesus aos escribas e fariseus. No trecho de hoje, o evangelista conta uma história curiosa. Trata-se da crítica de Jesus ao poder reinante do espírito do mundo. Ele começou a pregar completamente diferente do que se vivia. Não estava preocupado com o poder político dominante. Uma única vez que tentaram colocá-Lo à prova numa difícil situação política, Ele respondeu: “Hipócritas! (…) Pois dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus“. É um ensinamento para todos, mas também uma advertência àqueles que detêm o poder neste mundo.

Cristo fala em cátedra de Moisés, a doutrina tradicional que receberam de Moisés, chamada Lei Mosaica, contida na Torá, que ainda trazia o que falaram os profetas, Abraão e outros grandes patriarcas. Dominados pelos romanos, os judeus, sem muita alternativa, tomaram uma posição de fazer valer aquelas tradições. Mas, ao longo do tempo, a elas foram acrescentadas interpretações pessoais, com tantas coisas impostas, de tal forma que eles mesmos não podiam cumprir. Aqueles mestres faziam questão de assim serem chamados. Isso fazia com que se sentissem mais poderosos. Aqueles que não os chamavam de “mestres” estavam perdidos.

Meu irmão, esta crítica é também para nós, pois em nossos dias vemos muitas vezes padres novos, catequistas e líderes meio tímidos e à medida que a comunidade coloca muitas coisas à sua disposição, bajulando-os demasiadamente, muitos vão se tornando poderosos, transferindo para dentro da Igreja aquele espírito pomposo, que impõe obrigações e sacrifícios aos outros e aos paroquianos, como quase condição para que os tenham. Se suas atividades deveriam ser levadas pelo Espírito de Deus, trata-se de uma pessoa espiritualizada que revela um demasiado zelo. Percebe-se, porém, cerimônias realizadas e quando se faz pelo espírito da vaidade e da soberba, somente para aparecer.

Jesus observou isso muito bem. Ele sabia que naquela sinagoga acontecia a mesma coisa. E alertou os apóstolos dizendo-lhes que eles deveriam entender a Lei e cumpri-la, mas não imitarem aqueles homens, “pois dizem o que não fazem”; impondo-lhes coisas que eles mesmos não cumpriam, fardos que não carregavam, porque não aguentavam. Isso é hipocrisia. E termina dizendo uma coisa desconcertante, para a época, ao olhar dos judeus. Os mestres das sinagogas ensinavam: Se eu tenho este copo é porque tenho a graça de Deus. Se o tenho cheio d’água é porque estou repleto da graça de Deus. Se tenho o copo, água e posso bebê-la, estou plenamente na graça de Deus.

Eles faziam uma divisão. Queriam convencer as pessoas de que estavam bem, eram ricos, cheios de franjas e frases da Torá na testa e nas roupas, finas por sinal, porque estavam cheios da graça de Deus. Aqueles que não pudessem fazer isso, é porque não tinham a graça de Deus. Esta era a mentalidade da época.

Jesus vem com uma proposta contrária a tudo isso: “Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado“. Hoje, entendemos essa máxima do Evangelho, mas naquela época isso foi de difícil compreensão: ter de se humilhar para ser exaltado?Se somos pobres diante dos homens, seremos ricos diante de Deus. Essa pobreza é um dom de Deus.

Senhor, ensina-me a ser humilde, quebre a minha vaidade, orgulho e soberba, para que eu possa entender a máxima: Deus humilha os que se exaltam e exalta os que se humilham.

Padre Bantu Mendonça
Fonte: Blog do Padre Bantu

sábado, 12 de março de 2011

Meus Bons Amigos...

Música: Barão Vermelho
Texto: Deiber Nunes Martins

Meus bons amigos, onde estão?
Notícias de todos quero saber
Cada um fez sua vida de forma diferente
Às vezes me pergunto, Malditos ou Inocentes?
Nossos sonhos, realidades
Todas as vertigens, crueldades
Sobre nossos ombros aprendemos a carregar
Toda a vontade que faz vingar

No bem que fez pra mim assim
Assim, me fez feliz, assim

O amor sem fim
Não esconde o medo
De ser completo e imperfeito...

Nos últimos dias, aproveitando minhas férias, tenho me feito esta pergunta: meus bons amigos, onde estão? E curiosamente pergunto a mim mesmo: já tive bons amigos? Parece ser uma pergunta dura, mas na verdade é uma auto-crítica: o que tenho feito de minha vida que as amizades desaparecem assim do nada! E não são malditos nem inocentes... Apenas pessoas que se dizem amigos...
Engraçado hoje em dia, pensar na amizade. Como ela é confundida com outras coisas... Interesses, jogo de troca de favores, redes de contatos, networking... e por aí vai... como tratam a amizade com estrangeirismos e sem nenhuma intimidade!
Machado de Assis já disse certa vez que o homem que alardeia sua amizade não é amigo e sim um traficante de interesses. Fiquei com esse ponto de vista na cabeça e a partir dele comecei a selecionar meus amigos. Depois de um certo tempo, escutei de uma pessoa com certo saber que os amigos o são enquanto os seus interesses permanecem vivos, mas depois de um certo tempo, os interesses se enfraquecem e estes amigos se distanciam... Continuei minha seleção e pra minha surpresa cheguei até aqui, com esta pergunta: "Meus bons amigos, onde estão?"
É preciso, todavia, transportar-se para um mundo menos materialista e mais humano, visto que o humano sempre carrega consigo o desejo do sagrado. E a amizade é o amor sublime encarnado na pessoa do outro, do amigo. Infelizmente, o mundo nos leva a materializar as relações de modo que se não aproximamos do outro(a) por interesse, aproximamos por vaidade. Esta é a versão do mundo para a amizade. Uma visão distorcida, estrangeirizada. É a amizade das redes sociais, onde os amigos competem entre si por mais amigos, por mais contatos, por mais followings e por aí vai...
Infelizmente, hoje me sinto só em relação aos amigos, mas não significa que eles não existem e que não tenham existido. Talvez hoje estejam um tanto quanto distantes de mim, por minha própria culpa. Não posso culpá-los. Antes preciso entender que o amor que trago no peito vem carregado das angústias de ser completo e imperfeito. Porque imperfeito eu sou.
Senhor, que eu me transporte para teu mundo de misericórdia e perfeição a ponto de poder ver o outro(a) com teu olhar de amor e assim amar incondicionalmente a ponto de poder dizer, de fato, meus bons amigos...

Camacan-BA, 12 de Março de 2011.



Clube dos 13 versus CBF

Por Deiber Nunes Martins

A briga envolvendo o Clube dos 13 e a CBF com a participação indireta da Rede Globo tem dado mais notícias que o próprio futebol brasileiro. Tenho visto um conflito de interesses onde o que menos interessa é o futebol. Esta briga traz à tona o que de fato interessa para a cartolagem brasileira: dinheiro e poder. E curioso é perceber que os atores mais aguerridos desta briga são sempre aqueles que mais se metem em polêmicas em relação a gestão de seus clubes: Corinthians e os clubes cariocas.
A decisão destes clubes de se afastarem do C13 na hora da discussão dos valores para transmissão do Campeonato Brasileiro, mostram como o futebol no Brasil é um antro de mafiosos e gente inescrupulosa de tudo quanto é jeito. Concluindo: percebe-se claramente que o futebol está relegado a segundo plano e que sua moralização é quase impossível.
Não estou aqui tomando partido do Clube dos 13 ou do presidente do meu clube, Alexandre Kalil. Apenas estou questionando a podridão do esporte mais popular deste país. Ninguém está interessado no bem estar dos clubes, ou do futebol. Cada um parece estar defendendo seu quinhão de poder e prestígio. É notório a preocupação com a manutenção do estado de coisas no futebol: jogos depois das dez da noite, esvaziamento dos estádios, privilégios indecentes aos clubes do eixo Rio-SP, arbritragens tendenciosas e manifestos bairristas da imprensa nacional. Só para ficar por aqui. A Rede Globo, inegavelmente fez um bem tremendo aos clubes, sobretudo nos últimos tempos com o mercado inflacionado do futebol. Mesmo com a moeda forte, a volta dos jogadores badalados para o futebol brasileiro seria impraticável. E também o forte perfil exportador de talentos do futebol seria bem atenuado, não fosse a emissora carioca.
No entanto, nas sociedades mais avançadas e desenvolvidas, a alternância no poder é essencial para a manutenção do equilíbrio de forças. O privilégio inexplicável da Globo na negociação com os clubes, mostra o quanto os clubes ficaram reféns desta emissora e da entidade que desorganiza o futebol brasileiro: a CBF.
Amadores, os clubes de futebol, sem nenhuma exceção, negociam seus direitos a preço de banana com essas duas instituições, prejudicam seus fluxos de caixa, podam seus sistemas mercadológicos, a ponto de viverem exclusivamente dos direitos de TV. Acontece que o mercado da bola está cada vez mais caro e cada vez mais impiedoso com os amadores. Na era dos clubes "SA", a receita dos clubes cada vez mais é deficitária. Além disso, todas as vezes que o governo se intromete nas leis do futebol dá de canela: vide leis Pelé e Zico, que em nada ajudam clubes e jogadores e só favorecem os oportunistas da bola...
Algumas das iniciativas governamentais para favorecer os clubes, acabam voltando-se contra os mesmos, impondo aos clubes compromissos imediatos com os quais os mesmos não se prepararam. Desta forma, os dispêndios financeiros dos clubes de futebol cada vez mais se concentram no curto prazo, ao passo que as receitas não acompanham este fluxo. Assim, o nível de endividamento dos clubes brasileiros alcançam níveis elevados, fazendo com que os mesmos precisem antecipar suas receitas de TV para não ficarem ainda mais no vermelho.
Por isso a celeuma criada entre o C13 e os clubes cariocas, principais antecipadores de receita. Aliás, aqui cabe uma ressalva: todos os clubes brasileiros à exceção do Galo e do São Paulo, têm receitas adiantadas junto ao C13 ou a TV Globo. E mesmo assim, esses dois clubes ainda não estão imunes a problemas financeiros.
Infelizmente para o futebol brasileiro, seja qual for a solução para o imbróglio, a CBF continuará sendo a detentora do poder. E o Sr. Ricardo Teixeira, continuará dando as cartas no futebol, com a benção das Organizações Globo ou da Igreja Universal do Reino de Deus ou quiçá a Rede TV. O produto futebol brasileiro continuará sendo exportado com a mesma falta de critérios de antes. Os intermediários de jogadores continuarão lucrando e os clubes continuarão fadados a falência. Porque tanto no Brasil quanto na Europa, em se tratando de futebol e negócios, o rio sempre corre para o mar. A diferença é que lá os clubes têm todo um arcabouço profissional capaz de gerenciar e propugnar boas práticas de gestão, ao passo que aqui, os clubes têm toda uma estrutura amadora, facilmente ludibriada por meia dúzia de mafiosos que se dizem paladinos do futebol mas que no fundo fazem do "Pão e Circo" uma fonte de lucros inesgotável...
Camacan-BA, 12 de Março de 2011.

quinta-feira, 10 de março de 2011

O Caminhante Solitário


Por Deiber Nunes Martins

Tem horas que eu me sinto só. Mas não é um sentir de padecimento, de sofrimento. É um sentir de me encontrar assim. Estar sozinho na hora em que mais se precisa de um colo, de um ombro amigo, de uma mão amiga. Parece que aqueles que se dizem do seu lado, estão do lado de lá. E é doído perceber que estão mesmo.
O dia de hoje, quarta de cinzas, foi muito pesado para mim. O sumiço do meu irmão, o vazio do dia, não ter com quem desabafar... Foi duro! Mas me serviu de lição. Perceber que quanto mais um nada eu sou, mais nada eu ainda me torno. E quanto mais só eu me sinto, mais só eu me encontro.
Certa vez um menino caminhava pela mata quando avistou uma onça faminta. Ela correu atrás do coitado mas ele conseguiu escapar. Chegando em casa, contou a mãe, mas falava esbaforido, aos berros, e a mãe não escutou. Falou ao pai, mas este, não entendeu. Falou o menino então para os irmãos, primos e tios mas estes não lhe deram atenção. Ninguém o compreendeu.
No dia seguinte, o menino era obrigado a seguir o mesmo caminho e sem ter com quem seguir, foi sozinho. E sozinho, com a onça a espreitá-lo não teve como escapar e acabou sendo devorado, sem que ninguém soubesse o fim que teve.
É assim que me sinto hoje.
Não por conta do meu irmão, que já até reapareceu e está pronto pra mais outra das suas. Mas por conta de mim mesmo. Por conta da solidão em que me percebo.
Solidão essa que me faz calar pra não magoar, que me faz ouvir o que não quero, a música que não curto, a vantagem que não me importa. Solidão que me faz fazer o mise en scene pra gente que me tolera, pessoas que pouco ou nada me acrescentam. Opiniões as quais não partilho mas que é preciso ouvir.
Às vezes é preciso ouvir o que não se quer, calar-se quando se quer falar. Às vezes é preciso caminhar solitário, num deserto de provações. Porque Deus sabe a hora em que seremos forjados e sabe a hora em que de fato, precisaremos estar solitários para encarar os desafios que só nós poderemos. Portanto, se Deus precisa da minha solidão, aqui estou. Senhor, aqui estou.
Mas Meu Bom Deus, dói não ser compreendido. Não ter com quem desabafar, além de Ti. Sei bem que és tudo para mim, mas tem horas que precisamos nos dizer a nossos irmãos. E eles nos escutarem. Tem horas, que um companheiro de viagem, seja ele um parente próximo, ou colega de pastoral, ou colega de trabalho, faz falta. E eu não sei do que sou feito. Não sei quanto tempo eu posso aguentar o fogo dessa provação.
Que esta quaresma, que bem começou, eu encontre perguntas pras minhas respostas. E o Senhor me dê respostas pras suas perguntas. Porque tem horas, que precisamos encontrar ouvidos aqui embaixo, aos nossos clamores. Caminhar contigo, Senhor, mas acompanhados aqui embaixo.
Camacan, 09 de Março de 2011.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Opinião Solitária

Por Deiber Nunes Martins

Como é difícil manifestar uma opinião diferente sobre um determinado assunto! Às vezes somos manietados em nosso próprio meio social por discordar da opinião da maioria. A necessidade de um grupo homogêneo é responsável por grande parte das discórdias no mesmo. Quantas amizades se desfazem por conta da discordância de um ou de outro sobre um dado tema! É sobre a opinião da minoria, o post que se segue.

Quem me conhece sabe que sou de opinião forte e de temperamento forte também. Pessoas assim, precisam se esforçar bem mais que as outras para se auto-afirmarem na sociedade, cada vez mais enraizada na mediocridade. Esta firmeza nos posicionamentos muitas vezes é confundida com intransigência. Na verdade transigir não é o problema. O problema é que precisamos ser convencidos a transigir. Como no pôquer, onde temos uma ótima mão e precisamos ter o subsidio necessário de informações para abandoná-la. Ninguém quer largar um four de Reis só por conta da possibilidade remota de um jogo melhor do concorrente. Assim também, eu não quero abrir mão dos meus valores só para satisfazer a opinião da maioria.

Diante do fato, tenho um posicionamento questionador sobre a democracia. Considero ser esta, uma forma equivocada de governo, uma vez que não permite justificativas. Porque vou eleger PSDB ou PT? Só porque a maioria quer? É muito pouco para mim. A democracia oferece este risco da opinião pré-formada, de modo que as eleições hoje em dia são mais pautadas na base do referendo do que em uma eleição genuína. Assim também ocorre em nossos grupos. Não temos tempo para a discussão, então os líderes acabam por formatar projetos e colocá-los em votação nas reuniões. Tudo muito objetivo e funcional, mas que no fundo funciona como um verdadeiro massacre para as opiniões divergentes. Nem sempre tudo se resolve na base do projeto pronto. É preciso diálogo. É preciso reinventar. Trabalhar a criatividade e perscrutar novas idéias. Uma brainstorm de grupo, capaz de levantar possíveis idéias alternativas. É possível fazer diferente. Pra que buscar sempre mais do mesmo?

Por conta destes fatores, acredito que a democracia, onde prevalece a opinião da maioria, não seja a melhor forma de governo. É preciso dar vazão às opiniões diferentes. É preciso ousar em sociedade, em grupo. E a democracia, não permite ousadia. É sempre mais do mesmo. Sem espaço para o diálogo.

Às vezes num grupo de trabalho, alguém tem uma idéia diferente da defendida pela maioria. Muitas vezes a idéia em voga foi formulada ou copiada pelo líder, para atender aos anseios do grupo. A intenção pode até ser boa. Mas o que se vê em defesa desta idéia é o ataque predatório e despótico sobre a opinião discordante. Dependendo da habilidade e do carisma do líder, quem discorda pode se ver num caminho de difícil escolha: defender seus princípios e manter sua posição, ou abandonar sua idéia e aceitar goela abaixo aquilo que já foi previamente aprovado pelos demais. E a artilharia da maioria é pesada. Quantas vezes chega a garota mais formosa e popular do grupo com a ameaça velada: “Discorda e ficamos de mal de você” Como se não concordar fosse algo diabólico. É verdadeiramente cruel.

Diante de tanta pressão, acabamos por nos sentir frustrados. Se optamos por defender nossa posição, até os amigos nos evitam. Por isso, muitas vezes nas relações de amizade dentro de grupos e comunidades, cultivamos flores de plástico. Sabemos que seremos aceitos enquanto bajularmos o líder. E as opiniões dele.

E pasmem! Isso acontece também dentro da Igreja. Vejo exemplos de muitas pessoas que abandonam a fé católica porque foram segregadas em seus grupos pastorais. Pessoas de opinião forte, que não foram convencidas a apoiar a maioria. E agora, militam numa fé agnóstica ou protestante, ou qualquer outra corrente. As pessoas, feridas em seus sentimentos, não conseguem fazer distinção de quem as colocou no ostracismo diante da dificuldade de relacionamento. E por fraqueza, culpam a Deus pelo infortúnio.

Creio que temos um dever moral de combater toda forma de segregação dentro dos grupos e comunidades, principalmente nas pastorais da Igreja. O pensamento e a formação de opinião são direitos inalienáveis do ser humano e precisam ser respeitados. Mesmo que contradigam estatutos e leis humanas. E isso não acontece na vida em democracia. A opinião singular é massacrada pela idéia bem vestida. E as conseqüências são as piores possíveis.

Exemplos semelhantes são vistos no dia-a-dia, nas discussões políticas, onde toda reforma política de que se fale, verse sobre o fim dos partidos menores; no esporte, com a cisão do Clube dos 13, onde os clubes brigam por cotas maiores de TV. No âmbito do futebol temos um personagem singular; o presidente do Galo, Alexandre Kalil, de personalidade forte e que pode ser destruído pela maioria, manipulada pela CBF e pela TV Globo.

Muito dos nossos atritos pessoais podem ser evitados com um aprofundamento do diálogo em nossas relações sociais. A ditadura da maioria é um vício praticado quase que naturalmente, diante do imediatismo de nossas ações e da falta de desejo de aprofundamento nos assuntos. No afã de nos livrarmos do problema, adotamos a solução pronta e imediata, incapaz de satisfazer a todos os anseios. O prejuízo deste gesto é incalculável. Amizades e grupos podem se esfarelar, diante de um problema meramente social. É preciso atentar-se para isto.

Belo Horizonte, 28 de Fevereiro de 2011.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sobre o Casamento...

Música: Márcio Todeschini, Comunidade Canção Nova
Texto: Deiber Nunes Martins

Vou Te Amar

Eu tanto esperei pra te ver assim,
Já sofremos juntos, sonhamos juntos,
Que bom poder dizer: "Chegamos aqui"!
Tão bom é o nosso Deus que nos quis assim,
Nossa humanidade tão diferente,
Com Deus a gente aprende o que é o amor!
É negar-se a si mesmo sempre que for preciso,
Pra fazer o outro feliz!
É dizer a verdade com carinho e ternura,
É estar presente, ser presença, ser amigo e cuidar!
Vou te amar, porque Deus me ensina a ser teu,
Vou te amar, meu caminho pro Céu é contigo.
Foi fazendo a vontade do nosso Deus,
que te encontrei!
Vou te amar!


A música acima é o tema de entrada do meu casamento, muitos de vocês sabem e conhecem. Mas resolvi voltar a ela, em virtude da proximidade do casamento de um amigo meu, e de algumas questões que partilhávamos. Ele me dizia que por eu ser casado, teria toda propriedade em abordar o tema, e eu dizia pra ele que não é bem assim. O casamento não é um curso profissionalizante, onde você entra e já sai preparado para o mercado de trabalho. Casamento é muito mais do que um curso, a ponto de não sabermos explicá-lo.
Casamento é o dia a dia, o viver a dois, a três, a quatro e por aí vai, quando surgem os filhos. É uma dádiva que Deus nos oferece. Mas não é fácil. Casamento, antes de tudo requer paciência, carinho, afeição, empatia, compreensão. Casamento é antes de tudo também, dor, sofrimento, raiva, paixão, amor... Casamento é sentimento! Não é fácil lidar com sentimentos e situações. Mas é preciso sabedoria para aceitar que nem todas as batalhas são vencidas, que nem todas as vezes nossa opinião tem algum valor. Todos nós temos escolhas, mas chegam horas em que as escolhas de um ou de outro limitam-se naquilo que o esposo(a) mais necessita. É por isso que muitas vezes o desejo de um é a necessidade do outro.
Gostei muito da fala da personagem Ryan Bingham, vivido por George Clooney no filme "Amor sem Escalas". A personagem, um executivo solteirão, vive na ponte aérea totalmente alheio a vida social. Aparentemente, não seria o melhor conselheiro para um noivo indeciso e inseguro as vésperas do matrimônio. Mas é dele, Ryan, uma frase perfeita sobre o casamento: "Todos nós precisamos de um co-piloto em nossa vida." Ninguém pode andar sozinho.
Mas o casamento é um desafio. É preciso negar-se a si mesmo pra fazer o outro feliz. Encarar sempre a verdade, sem medo de suas consequências e ser presença o tempo todo. De fato, não é a mais simples das missões. Mas certamente é a que proporciona os melhores frutos.
Infelizmente, tantos casais optam pela dissolução do casamento tão logo aparece a primeira crise. O Papa João Paulo II em uma oração belíssima para as famílias, pede a Deus que cuide dos casamentos de modo a que eles sejam mais fortes que qualquer crise. Porque de fato, eles os são. E o próprio Jesus, no Evangelho de São Marcos (Mc 8, 32-33) deixa claro o quanto precisamos renunciar ao pensamento dos homens, o pensamento do mundo, repleto de vaidade e orgulho. Precisamos nos humilhar, acolher o outro no seu erro e perdoar setenta vezes sete, para que este possa se formar, curar-se dos vícios e ser melhor. É um carregando o outro. Não só no tempo bom, na lua de mel. Mas também nas intempéries e crises.
Às vezes o casal se sentirá sozinho, ele de um lado, ela de outro. Nem sempre, um terá a habilidade de compreender o outro e fará com que este se sinta solitário(a). Talvez seja esta uma das táticas do demônio para desarmonizar uma união. É preciso mesmo na solidão amar e respeitar o momento do parceiro(a). E não se iludam: parece doer tanto quanto a amputação de um membro, o ato de engolir o egoísmo, para o bem do matrimônio, do esposo, da esposa. Infelizmente, nossa cultura possessiva e cheia de manias não nos preparou para lidar com os dissabores, as derrotas e as perdas. Mas é necessário, no casamento, aprender.
Quando eu renuncio a mim mesmo, a Graça acontece. A tentação perde força e a alegria volta. Deus se faz vitorioso em nossa vida, na vida do casal, na vida de uma família. Mas é preciso ao homem e a mulher perseverar no matrimônio. O sucesso do matrimônio é o sucesso da família. É meio caminho andado para criarmos filhos e filhas saudáveis fisica, mental e espiritualmente. É fazer a vontade de Deus.
Um casamento bem vivido é um caminho bem trilhado para o Céu.

Belo Horizonte, 21 de Fevereiro de 2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Você Acredita da Divina Providência?

Por Pe. Bantu Mendonça, retirado de seu blog, no portal Canção Nova

No Evangelho de hoje dois pontos chamam atenção: a menção de Jesus para que os discípulos tomem cuidado com o fermento dos fariseus e de Herodes, e a reação d’Ele ao ver que os discípulos acharam que Ele estava falando sobre comida.
Primeiro precisamos entender de que fermento Jesus estava falando quando se referiu aos fariseus e a Herodes. Isso fica fácil quando sabemos o que movia Herodes e os fariseus: o poder e a vaidade. E era disso que o Senhor estava falando quando pediu que eles [discípulos] tivessem cuidado, pois queria que não fossem movidos pelo poder e pela vaidade. Mas os discípulos pensaram que o Mestre estava falando sobre fermento porque eles tinham apenas um pão no barco onde eles estavam. Por essa razão, Jesus se decepciona com a lentidão de pensamento de Seus seguidores.
Por mais que Jesus lhes mostrasse prodígios e milagres, os discípulos não O entendiam porque tinham o pensamento obscurecido pelas coisas materiais e porque não O escutavam com o coração. Mesmo depois dos milagres da multiplicação dos pães eles continuavam inseguros com relação à sobrevivência. Cristo os advertia sobre “o fermento dos fariseus” (a falsidade), mas eles não compreendiam sobre o que Ele estava falando. O homem tem fome de Deus e se confunde pensando que a sua fome é de pão material. Assim somos nós também: “tendo olhos, nós não vemos e tendo ouvidos, nós não ouvimos”. Temos o coração endurecido e não enxergamos o poder de Deus para providenciar tudo de que precisamos na nossa vida.
A mensagem de hoje é para que não sejamos como Herodes ou os fariseus, que se orgulhavam do poder e da vaidade. Devemos ser o contrário disso: humildes e servidores, assim como foi Jesus. Os frutos que iremos colher virão bem depois.
Você tem medo de passar necessidades no futuro? – Você acredita na Providência de Deus? – Você consegue entender espiritualmente os ensinamentos de Jesus para sua vida?
Pai, reforça minha fé na Tua Providência paterna, que se manifesta de tantos modos em minha vida e livra-me de colocar minha esperança nas coisas deste mundo.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Música: Maná

Texto: Deiber Nunes Martins


No puedo entiende
este mundo como es...
Que uno puede odiar y ríer y tracionar
Por qué?
Como puede ser que hay gente que pueda matar
por diferencia de opinión, por tierra, o por religión
No sé ..
¡Oh no, míranos!
¿Donde esta nuestro corazón?
¿yeo mi canción ya no hay más sangre gritano?
Fe,
¡Dame Fé,dame alas,dame fuerzas !
Para sobrevivir... en este mundo
Como puede ser que hay tanta destrucción
Inves de resolver les inferma todo el poder
Eso que de claro, hay que amarnos como hermanos
Tenemos el valor para darnos más amor
Lo sé, yo lo sé...
Fe,
¡Dame Fé,dame alas,dame fuerzas !
Para sobrevivir en este mundo...
¡El mundo puede cambiar!
Sólo hay que intentarlo
No hay que odiar, hay que amar
No hay que odiar, hay que amar
Hay que intentar, hay que intentar
¡No hay que perder la FE

Acredito que o desafio da humanidade neste século, seja manter a fé. E quando me refiro a fé, não quero aqui tratar o assunto com proselitismo e leviandade mas sim, permitir algumas reflexões. Nos tempos atuais, a falta de reflexões coerentes sobre determinados assuntos têm sido a causa da banalização dos mesmos. Por isso, quero me ater ao termo Fé.
Algo intrínseco ao ser humano, a Fé é o instrumento pelo qual dominamos nossos instintos, pessimismos e medos e seguimos em frente. Quem nunca se viu às voltas com a sua Fé, sendo provada ou não, ao longo da vida? Todos nós temos Fé. A diferença está no modo como a empregamos no caminho. Por isso, enganam-se aqueles que pensam que o assunto tem a que ver essencialmente com as coisas eclesiais. O próprio positivismo é uma forma de alocação da fé no homem, ser dotado de capacidade para se virar sozinho. O ateísmo é uma forma de fé que tem por desejo retirar toda divindade do caminho.
A fé, me parece um grau de confiança avançado, naquilo que não é tangível, que não se vê e que por isso, foge da confiança do intelecto, sempre material. É um pouco complicado, acreditar no que não se vê, do que não se sente. Mas nós somos testemunhas daqueles que têm fé. Nós vemos os fiéis a uma causa, serem capazes de fazerem o bem ou o mal, pela fé. Também pela fé, vemos coisas inexplicáveis acontecendo e transformando vidas. Não é preciso ser Cristão para se crer em milagres. O ateu muitas vezes busca o milagre da sua vida, mas não sabe. Ou se sabe, insiste no caminho errado.Para aqueles que crêem, o milagre é uma via de mão dupla: não existe milagres sem ações, sem obras. Mas também para os incrédulos a fé é feita de obras. Ou se esquecem do esforço empreendido para duvidar?
Infelizmente, vejo como uma tendência cada vez mais forte, o desaparecimento da fé. As pessoas têm escondido suas posições, seus valores, e agido conforme o status quo. Ninguém quer se comprometer, entrar a fundo nas questões. Quem questiona é polêmico, partidário ou simplesmente um chato de galocha. A vida tem sido levada numa diplomacia medíocre, e este não é um terreno propício a Fé. Então ela fenece e morre, aos poucos.
As opiniões a cada dia estão mais massificadas. Nos grupos, o que impera é a ditadura da maioria, onde todos esperam que um líder ou um formador de opinião se posicione e então vão atrás, sem questionamentos. A Fé é um eterno questionamento. Se não se questiona, como vai subsistir a fé?
Preocupa-me o fato de que as pessoas estejam se esquivando de viver a Fé, de praticarem aquilo em que acreditam, para viver um mundo de faz de conta, cheio de mentiras e sorrisos amarelos. É preocupante ver a confusão que fazem entre um Estado laico e uma nação cristã. Preocupante também, a banalização da violência, do sexismo, da destruição da família, em prol de um ideário moderno, praticado pelos supostos senhores de bem. Preocupa-me a aridez deste solo, incapaz de nutrir a Fé, que nutre o ardor missionário da humanidade.
Senhor, dá-nos Fé. Dá-nos ânimo e força de vontade para vencermos a letargia do mundo, a ditadura da maioria, a falta de compromisso e ideais. Dá-nos uma juventude corajosa, virtuosa e vigorosa, disposta a lutar contra aquilo que insistem em chamar de democracia e bem comum, mas que no fundo é só mais um dos instrumentos pra minar a Fé das pessoas. Senhor, dá-nos Fé. Dá-nos alma e coração de verdade! Amém.

Belo Horizonte, 31 de janeiro de 2011.


Uma História Composta...

Por Deiber Nunes Martins
Música: Almir Sater


Ando Devagar

Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei demais,
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou
Nada sei, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs.
É preciso amor pra puder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida, seja simplesmente
Compreender a marcha, ir tocando em frente,
Como um velho boiadeiro, levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou,
Estrada eu sou, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maças,
É preciso amor pra puder pussar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora,
Cada um de nos compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz,
conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maças,
É preciso amor pra puder pussar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei de mais,
Cada um de nos compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz .

Há sempre a necessidade de uma mudança de comportamento, batendo à nossa porta, seja por conta das fases da vida, onde o casulo em que vivemos já não suporta o nosso corpo, as complexidades das nossas ações, ou simplesmente está envelhecido e obsoleto. É preciso estar sempre preparado(a) para tais mudanças que acontecem naturalmente, mas somos contrários a mudanças. Sobretudo as de comportamento.
Sempre achamos que não é com a gente, que o mundo é quem precisa mudar. Mas no fundo nós sabemos que o mundo não muda. As coisas sempre serão as mesmas coisas. Porque são coisas. Cabe a nós, filhos e filhas de Deus, a capacidade de sermos os roteiristas, os diretores e os atores da nossa vida. E como tais, darmos o devido tratamento ao roteiro, mudando sempre que ele pedir mudança.
Considero mudança de comportamento, um processo contínuo de melhoria do ser humano. Uma possibilidade de se reinventar, de se auto-avaliar e por que não progredir como pessoa. O caráter é uma marca indelével em nossa vida, mas pode ser transformado, se vontade tivermos. Os temperamentos são o nosso tempero, a nossa identidade humana perante a vida. Talvez não possam ser mudados, mas com toda certeza podem ser aprimorados, atenuando as fraquezas e fortalecendo as virtudes. Tudo depende de nós.
Portanto, não tenha medo de mudar. Tenha medo sim, de regredir. De perder sua essência, suas virtudes e endurecer o coração. Tenha medo de se tornar um ser alienado, farisaico, capaz de pensar apenas em si mesmo e esquecer-se de que você compõe a sua história e você a vive. Tenha medo de querer ser como os outros. Tenha medo de virar um ser invejoso, ganancioso, pragmático e cruel. Tenha medo de ser envenenado(a) pelo mundo que não muda. Mas seja capaz de mudar seu comportamento sempre, buscando ser melhor a cada dia.
Aproveito este texto para dar meus parabéns a duas pessoas importantes em minha vida: meu irmão Rodrigo e minha amiga Kelly Polesca, que estão aniversariando hoje, neste último dia de Janeiro. Que Deus os abençoe e os enriqueça com muita paz no coração, saúde, alegrias e realizações.
Você Rodrigo, mesmo com as nossas diferenças, é essencial na minha vida porque tem a coragem de ser feliz que às vezes me falta. Um espírito aventureiro que é essencial, mas que precisa ser dosado pra que possas fazer a diferença na vida de todos. Saiba que Deus te ama e eu também. Parabéns pelo seu dia!
E você, Kelly, muito obrigado por ter feito a diferença em minha vida e muito obrigado por sua amizade. Sei que o tempo e as obrigações nos afastam e não nos permitem colocar o papo em dia, mas você está sempre presente em minhas orações. E como sei que tem boa memória, vai lembrar desta música, que hoje muito me faz refletir sobre o sentido da vida. Parabéns! Viva intensamente seu dia!
A todos os leitores, aniversariantes do dia, sintam-se abraçados e vivam de verdade o aniversário. Que Deus abençoe a todos!

Belo Horizonte, 31 de Janeiro de 2011.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Gente rica não tem sede?

Por Deiber Nunes Martins
Engraçado como os shoppings centers fazem cada vez mais parte do cotidiano de uma sociedade cosmopolita. Não me refiro tão somente ao consumo. Consumo este que em doses exageradas levam ao consumismo, mal dos últimos séculos. Mas de fato, os shoppings por sua comodidade e conforto, têm se destacado.
Os Shoppings têm apelo popular. E apresentam segmentações de acordo com o padrão e o poder de compra de seus freqüentadores. Assim, temos dos shoppings voltados para a elite de consumo, com suas butiques e lojas de preços impensáveis, como os shoppings populares infestados de produtos chineses e iguarias de qualidade duvidosa.
Há cerca de quinze dias atrás fui a um shopping voltado para a classe A, a classe dos mais abastados financeiramente. Estava de passagem e num fim de tarde ensolarado, estava com muita sede. Procurei um bebedouro e fiquei perambulando por ali, no afã de encontrá-lo. Logrado êxito na procura tratei de tentar saciar minha sede. Neste momento, pouco me importava o ambiente em que estava, a água naturalmente deveria estar a temperatura natural fresca ou então se tivesse com sorte, a água estaria geladinha.
Nunca me passou pela cabeça encontrar naquele lugar tão grã-fino água quente. E ela estava quente. Quente não. Estava queimando. Como se estivesse sendo preparada para se fazer um saboroso café. Não estava fervendo, mas estava quente, bem quente. Não a ponto de queimar a boca, mas a sensação de se tomar água quente numa tarde de calor e com toda sede possível é como tomar água fervendo. Uma sensação horrível.
A minha surpresa foi tão desagradável que senti nojo daquele lugar. Olhava as lojas cada uma com seu aroma, cada uma com suas vendedoras e seus vendedores em trajes de gala, a espera dos clientes portentosos. Olhava as pessoas cheias de sacolas e sorrisos enfadonhos. Pensei em seguir para a praça de alimentação e comprar uma garrafa de água mineral. Mas o trauma já estava ali, massacrando meu inconsciente. Então, um sentimento de repulsa misturado com náusea tomou conta de mim. Como se o ar dali estivesse contaminado e intoxicasse meus pulmões.
Tempos depois fico a me questionar sobre os níveis de serviço que estes ambientes oferecem para seus freqüentadores. Há alguns meses, o mesmo shopping foi alvo das reclamações de uma cliente que teve sua bolsa furtada em um bistrot chiquérrimo e caríssimo. O desinteresse nas pessoas nestes paraísos de compras me enoja. Tenho ojeriza destes lugares que são sonhos de consumo da classe média e varandas de casa dos filhinhos e filhinhas de papai. Pessoal grã-fino que trata o essencial como um mero detalhe, um mero acessório. Mas para mim, que sou feito de carne e osso, matar a sede é muito mais que essencial. E muito mais que qualquer luxo.
A região onde se situa tal shopping é a região mais nobre de BH e o mesmo fica no trajeto dos bairros mais ricos, como São Bento e Belvedere. Ou seja, é um ambiente acostumado a receber pessoas de alto poder aquisitivo e formadoras de opinião. Não era pra este shopping oferecer água quente para saciar a sede de seus freqüentadores. Ou o que será que pensam seus gestores e profissionais de marketing: gente rica não tem sede?
Camacan - BA, 21 de janeiro de 2011.