segunda-feira, 5 de novembro de 2007

É Nas Pequenas Coisas Que Deus Fala

É Nas Pequenas Coisas Que Deus Fala
Existe um amor que não passa. Um amor que não vai embora. Ele vai nascendo aos poucos. Às vezes nasce de uma hora pra outra. Outras vezes demora pra acontecer, mas quando acontece é no momento certo. Eu me refiro a um amor diferente do usual, um amor em plenitude, um amor que se entrega, se doa. Um amor pra uma vida inteira e pra eternidade também.
Quando somos acometidos deste amor, nossa vida é transformada. As coisas passam a fluir de outra maneira. Nossa feição vai tomando a forma da pessoa amada, à medida que nos aproximamos dela. Entramos em contato com suas atitudes, a maneira como ela reage a determinadas situações, seu modo de falar, seus trejeitos, às vezes, sotaque... Tudo o que é relativo a esta pessoa nós incorporamos no dia-a-dia, seja em nossas ações, ou no simples ato de pensar nesta pessoa e recordar suas manias, seu jeito de ser. É quando interiorizamos o nosso sentimento, é que ele se mostra mais claramente em nosso exterior. E neste amor que não passa a vida se faz mais calma, serena. Acredito que ao tomarmos as feições da pessoa amada, agregamos uma nova maneira de pensar, de ver a vida. E isto é bom.
E em tudo isso, Deus está presente. “É nas pequenas coisas que Deus fala...” A música, revela este segredinho de Deus. Ele age em nossa vida nas pequenas coisas, aquelas mais imperceptíveis. E quantas vezes, o amor nos parece tão imperceptível? O carinho que temos com nossa mãe, por exemplo. Às vezes é tão profundo que parece ser normal demais, corriqueiro demais. A ponto de não revelarmos a ela o quanto a amamos, o quão importante ela é para nós. Temos as feições de nossas mães mas falta dizer que amamos. Penso nisso ao me lembrar do carinho de minha amada com a mãe dela. As vezes em tom de brincadeira, ela diz: “Mãe deixa eu te falar uma coisa séria. MÃE EU TE AMO!” Esta declaração de amor, assim meio que em tom de brincadeira revela a importância destas duas mulheres. A Mãe, porque gerou e criou uma Filha que sabe reconhecer o amor por sua Mãe. A Filha, porque tem a habilidade de nas pequenas coisas, deixar Deus agir em sua vida, deixar Deus revelar seu plano de amor de modo simples e sublime, na vida das pessoas.
Aproveito pra me recordar do amor em sua maior perfeição e plenitude, o amor doação, o amor Ágape. Um amor que se pensa nos dias de hoje ser inviável, ser coisa dos santos. Mas somos chamados a ser santos! O amor Ágape, é aquele que não espera paga, não espera retribuição porque ela pode não vir. É o amor de uma pessoa por outra, doente, em uma cama, impossibilitada de lhe retribuir ao amor. É o amor pelo amor, pelo prazer de amar. E não pelo prazer de ser amado. Esta entrega ao irmão, a pessoa amada é o que de mais belo e sublime pode existir no ser humano. É a virtude divina, é onde o homem se assemelha mais a divindade.
Um amor que se doa é o amor que eu quero pra mim. E por isso, estou disposto a me entregar de corpo e alma a este amor. Não importa se serei ou não correspondido. Amarei assim mesmo. E se eu não puder amar assim, então de nada terá sentido a minha vida. Mas Deus me reservou este amor. E não posso mais fazer outra coisa que não seja amar. É assim que vai ser e é assim que é...

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