segunda-feira, 25 de julho de 2011

Matrimônio, o Sacramento da Criação

O casamento é uma entrega mútua de amor
Por Pe. Paulo Ricardo

A "Teologia do Corpo" faz parte dos ensinamentos proferidos pelo saudoso Papa João Paulo II; é um conjunto de 129 catequeses que dizem respeito ao amor humano.

Nós nos voltamos para o dom extraordinário da Santa Missa, na qual Deus se entrega por nós. O que a Eucaristia tem a ver com o matrimônio? O saudoso Pontífice polonês viu, com clareza, a existência de um nexo, uma ligação entre a comunhão que vivemos na Eucaristia e no ato conjugal, unindo ambos.

Nas 129 catequeses, João Paulo II nos fala de duas uniões: O casamento de Adão e Eva, no livro de Gênesis, e as núpcias do Cordeiro, no livro do Apocalipse, no casamento em que Deus se une à humanidade. Hoje os casamentos duram pouco, pois logo se deterioram em função da cobrança. Qual é a cobrança no casamento? A felicidade; o casamento está mal porque essa cobrança é injusta. Ninguém é capaz de fazer o outro feliz; fomos feitos para Deus.

Santo Agostinho nos recorda: "O coração é inquieto até que se encontre em Deus". Na terra, somos como uma pessoa que viajou à noite toda, coloca a cabeça de um lado e de outro sem ter como repousá- la. A vida neste mundo é uma viagem, na qual nós não temos onde repousar a cabeça. Não podemos transformar o outro no porto seguro, pois somos companheiros de viagem.

Papa João Paulo explica que, antes da vinda de Jesus, o matrimônio era uma espécie de sacramento da criação. O homem e a mulher ajudam nessa criação, no ventre da mulher acontece o milagre de criar do nada a alma do ser humano [com a graça do Espírito Santo]. A Igreja não é contra o sexo; ela aprecia tanto a sexualidade e dá tanto valor a isso que lhe dá um valor sagrado. Por sua natureza, o sexo tem algo de divino, mas isso ainda não é o suficiente para torná-lo sacramento.

O casamento entre dois batizados é um sacramento, porque é uma participação na redenção, é salvífico porque é uma entrega. É a entrega da sua vida para fazer com que o outro chegue à felicidade, que é Jesus. Você não é a fonte da felicidade, mas deve entregar a sua vida para alcançar a felicidade, um se faz sacrifício ao outro.

O ato da união sexual entre o marido e a mulher é prazeroso, faz com que ambos fiquem satisfeitos, mas também é uma entrega. O esposo entrega o seu corpo à esposa, e ela se entrega ao esposo, é uma doação. Essa entrega em Cristo é um sacramento, não simplesmente pela criação de Adão e Eva, mas no ato da cruz.

Quando pagãos se unem no casamento participam da criação. Mas, quando batizados se unem em matrimônio eles participam da Igreja. Essa união maravilhosa de entrega mútua entre Cristo e a Igreja se torna visível na entrega pela sua esposa e pelo seu esposo.

Na Eucaristia vivemos o grande mistério em que o Esposo [Nosso Senhor Jesus Cristo] entrega o Seu Corpo pela Esposa [Igreja]. O Esposo dá tudo o que é por amor. O matrimônio é uma "cruz", pois é uma entrega de amor. O mundo perdeu a noção do amor, ele não é subjetivo e pessoal.

Quando os namorados se unem sexualmente, muitos criticam a Igreja dizendo que julgamos o amor deles, mas isso não é amor, é egoísmo. Nós católicos sabemos que amor não é sentimento, mas existe um sentimento que acompanha o amor, pois o amor é uma entrega e não é um sentimento subjetivo, pois, você pode se sentir bem tomando um veneno, como as drogas. O mundo moderno quer “viajar” no amor, quer se sentir bem, mas o sentimento pode ser gostoso e profundamente egoísta.

O sexo é uma entrega total, o corpo fala, pois é uma linguagem. Se uma pessoa diz: "Eu te amo" – com os lábios cerrados e com gestos negativos – você vai acreditar no corpo ou na palavra dela? O corpo, na relação sexual entre marido e mulher, diz: "O meu corpo é todo seu". Mas quando o sexo está no namoro não há entrega total; quando cada um vai para sua casa é uma mentira. Somente no matrimônio, na entrega para sempre, é que ocorre a entrega total, isso é redentor, sacramento que Jesus nos revelou na cruz.

Você vive uma crise conjugal? Olhe para a cruz no sacrifício do calvário e peça a Deus a força de se entregar, em derramar o sangue pelo (a) seu (sua) esposo (a) e filhos.

Papa Bento XVI afirmou: "O amor-ágape deve buscar forças no amor-erótico", ou seja, no amor que temos. Ao desejar Deus, podemos usar nossos afetos. O amor não é só sentimento, mas ele se expressa no desejo.


Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=12433

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Rompa com as tradições mortas para seguir Jesus

Por Pe. Bantu Mendonça

Estamos diante de dois fatos importantíssimos, como cristãos somos chamados a seguir as pegadas do Mestre: “Tu vens e segue-me”. A opção de seguir Jesus não é minha iniciativa pessoal. É Ele quem me chama e me consagra para a missão. Depois que Ele me chamou, eu – sabendo das exigências da missão – devo responder ‘sim’ incondicionalmente. Ora, vejamos o que se segue:

Primeiro, um escriba se aproxima afirmando sua determinação de seguimento incondicional a Jesus: “Mestre, estou pronto a seguir o senhor para qualquer lugar aonde o senhor for”. A resposta de Jesus Nazareno é uma advertência para uma tomada de posição consciente quanto à opção pelo Seu seguimento. Apela para o abandono total de si mesmo e renúncia aos bens materiais: “As raposas têm as suas covas, e os pássaros, os seus ninhos. Mas o Filho do Homem não tem onde descansar”.

Quem realmente quer seguir a Jesus Cristo deve abandonar e renunciar a tudo e confiar-se somente nas mãos providentes de Deus Pai. Jesus, ao afirmar “o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”, quer nos ensinar e levar a aderir ao abandono total nas mãos do Pai.

Segundo, é o caso de um dos discípulos que quer ganhar tempo e pede que Jesus permita enterrar o pai: “Senhor, deixe-me primeiro ir enterrar meu pai”.. “Pai”, aqui, não se aplica no sentido biológico, mas na permanência das tradições judaicas dos seus antepassados, presos à Lei que – em vez de salvar e libertar o homem – mata e escraviza.

Para nós, é estarmos preso às nossas idéias egoístas, no orgulho, na vaidade, na preguiça, no individualismo, na nossa tibieza, enfim, nas inúmeras desculpas que nós damos no nosso dia a dia para não nos consagrarmos ao ministério do Senhor como discípulos e missionários d’Ele.

Do mesmo modo que Jesus insistiu com esse homem, assim Ele insiste conosco dizendo:“Deixe que os mortos sepultem os seus mortos e tu vens e segue-me”. O chamado de Cristo não está no futuro, mas sim no presente. O tempo é hoje e a hora é agora! Deixe que os “espiritualmente” mortos cuidem dos seus próprios mortos.

Há pessoas que vivem esperando as coisas se ajeitaram para depois servirem a Deus. Nós, meu irmão, não temos nem o poder nem o dever disso. E tampouco o direito de dizer ‘não’, portanto, levante-se e siga a Jesus. Ele é o seu Deus e o seu Senhor!

Pare de dar desculpas “furadas”! Quero que saiba que, quando obedecemos a um chamado de Deus, Ele é poderoso para suprir nossas necessidades e nos orientar em toda espécie de dificuldades relacionadas ao Seu chamado para nossa vida.

Rompa, pois, com todas as barreiras que vedam os seus olhos para não enxergar o projeto de Deus sobre você. Entenda que o “seguir a Cristo” significa uma ruptura pura e simples com as antigas tradições mortas que não favorecem a vida e aderir ao amor vivificante do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Fonte: Homilia Diária de 27.06.2011 in http://blog.cancaonova.com/homilia/

quarta-feira, 15 de junho de 2011

As dez mais de minha playlist nacional

Por Deiber Nunes Martins

10. Ira! – Envelheço na Cidade (Álbum “Vivendo e não Aprendendo” – 1986)

Envelheço na Cidade

Mais um ano que se passa

Mais um ano sem você

Já não tenho a mesma idade

Envelheço na cidade

Essa vida é jogo rápido

Para mim ou pra você

Mais um ano que se passa

Eu não sei o que fazer

Juventude se abraça

Se une pra esquecer

Um feliz aniversário

Para mim ou pra você

Feliz aniversário

Envelheço na cidade

Feliz aniversário

Envelheço na cidade

Meus amigos, minha rua

As garotas da minha rua

Não sinto, não os tenho

Mais um ano sem você

As garotas desfilando

Os rapazes a beber

Já não tenho a mesma idade

Não pertenço a ninguém

Juventude se abraça

Se une pra esquecer

Um feliz aniversário

Para mim ou pra você

Feliz aniversário

Envelheço na cidade

Feliz aniversário

Envelheço na cidade

“Envelheço na Cidade” é meu “Happy Birthday”, minha música predileta de aniversário. Impressionante como uma banda quase punk como o “Ira!” conseguiu esta música com letra tão real e marcante. Improvável pensar que Edgar Scandurra pudesse dar vida a esta música e ele deu.

Muitas vezes, as pessoas comemoram o aniversário não como a dádiva de se ficar mais velho, mas justamente pela esperança de esquecer este fato. Muitos comemoram orgulhosos, por ter um dia do ano, reservado para si.

Mas há quem “comemore” com esta música, o amor perdido. E na verdade a sua essência está aí, em se contar o tempo passado sem o amor que ficou para trás. É uma música de pessoas apaixonadas, vítimas de amores que não deram certo e que precisam dizer pro mundo que estão bem, que superaram, que estão felizes. E então reservam a data “mais um ano sem você”, como se o amor se resumisse na pessoa perdida, não amor não realizado.

Gosto muito de ouvir “Envelheço na Cidade” como uma música-protesto à hipocrisia das relações, às falsidade, os “tapinhas nas costas”, aquela coisa descompromissada que muitos insistem em chamar de amizade.

9. Lulu Santos – Eu sou Outro Você (Álbum “Liga Lá” – 1997)

Eu Sou Outro Você

Tempo é arte, foi o que eu aprendi

Não é dinheiro ou outra coisa que se conte

É uma outra dimensão

Toda vida vive da luz do sol

Que se faltasse tudo então pereceria

Foi o que eu aprendi de tanto ver se repetir

Que anestesia, e eu já nem sentia, ia me destruir

Mas não aconteceu, estou aqui...

Toda vida, eu quis tanto querer

Como se não bastasse o que já me cabia

Na esfera emocional

Na verdade eu sou o outro você

Tanto que enxergo em ti o que em mim não veria

Foi o que eu aprendi de tanto ver se repetir

Que anestesia, e eu já nem sentia, ia me destruir

Mas não aconteceu, estou aqui...


Esta música é de uma profundidade ímpar. Soa em nossos ouvidos como uma reflexão de vida e na verdade ela mostra como nos cercamos de pessoas que se assemelham a nós. Talvez seja por isso que as pessoas diferentes são mais solitárias que as medíocres, pois têm dificuldade em encontrar seus semelhantes.

Esta canção fala sobre a mesmice do nosso tempo, as ambições, o consumismo e coisas que nos sufocam e até nos consomem se damos espaço. Os versos “Na verdade eu sou outro você/ Tanto que enxergo em ti o que em mim não veria” me impressionam porque o outro é muitas vezes como o nosso reflexo no espelho, de tão anestesiado que está pela nossa convivência.

8. Legião Urbana – Quase sem Querer (Álbum “Dois” – 1986)

Quase Sem Querer

Tenho andado distraído, impaciente e indeciso

E ainda estou confuso só que agora é diferente:

Estou tão tranquilo e tão contente.

Quantas chances desperdicei quando o que eu mais queria

Era provar pra todo o mundo

Que eu não precisava provar nada pra ninguém.

Me fiz em mil pedaços pra você juntar

E queria sempre achar explicação pro que eu sentia.

Como um anjo caído fiz questão de esquecer

Que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira.

Mas não sou mais

Tão criança a ponto de saber tudo.

Já não me preocupo se eu não sei porquê

Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê

E eu sei que você sabe quase sem querer

Que eu vejo o mesmo que você.

Tão correto e tão bonito

O infinito é realmente um dos deuses mais lindos.

Sei que às vezes uso palavras repetidas

Mas quais são as palavras que nunca são ditas?

Me disseram que você estava chorando

E foi então que percebi como lhe quero tanto.

Já não me preocupo se eu não sei porquê

Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê

E eu sei que você sabe quase sem querer

Que eu quero o mesmo que você

Quem viveu os anos 80, 90 de verdade, tem Legião Urbana em sua playlist. Conhecida como a banda que marcou a geração da qual faço parte. “Quase sem Querer”mostra um pouco da dificuldade em ser incompreendido. Sempre me vejo nesta música, justamente dificuldades que meu temperamento me oferece. Quase ninguém vê o que vejo e isto é uma constante. É angustiante estar no olho do furacão muitas vezes e ter de tomar decisões que nem sempre me julgo capaz de tomar. Mas a vida é feita de erros e acertos e precisamos seguir em frente. Sem dúvida alguma, esta música é um dos meus hinos.

7. Lulu Santos – Tempos Modernos (Álbum “Tempos Modernos” -1982)

Tempos Modernos

Eu vejo a vida melhor no futuro

Eu vejo isso por cima de um muro de hipocrisia

Que insiste em nos rodear

Eu vejo a vida mais clara e farta

Repleta de toda satisfação

Que se tem direito

Do firmamento ao chão

Eu quero crer no amor numa boa

Que isto valha pra qualquer pessoa

Que realizar

A força que tem uma paixão

Eu vejo um novo começo de era

De gente fina, elegante e sincera

Com habilidade

Pra dizer mais sim do que não, não não

Hoje o tempo voa, amor

Escorre pelas mãos

Mesmo sem se sentir

Que não há tempo que volte, amor

Vamos viver tudo o que há pra viver

Vamos nos permitir

Outra pérola do Lulu é esta música. “Tempos Modernos” fala da esperança na juventude, nas nossas reais chances de mudar o mundo. É um convite a aproveitar a vida, se permitir. Quantos jovens hoje andam por aí, deprimidos, trancados no quarto enquanto a vida pede passagem, indulgente com nossos erros e benfazeja aos acertos. Sem dúvida, Lulu Santos fez desta música, um hino à juventude.

6. Almir Sater – Ando Devagar

Ando Devagar

Ando devagar porque já tive pressa,

E levo esse sorriso, porque já chorei demais,

Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,

Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou

Nada sei, conhecer as manhas e as manhãs,

O sabor das massas e das maçãs.

É preciso amor pra puder pulsar, é preciso paz

Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida, seja simplesmente

Compreender a marcha, ir tocando em frente,

Como um velho boiadeiro, levando a boiada

Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou,

Estrada eu sou, conhecer as manhas e as manhãs,

O sabor das massas e das maças,

É preciso amor pra puder pussar, é preciso paz

Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,

Um dia a gente chega, no outro vai embora,

Cada um de nos compõe a sua história, cada ser em si

Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz,

conhecer as manhas e as manhãs,

O sabor das massas e das maças,

É preciso amor pra puder pussar, é preciso paz

Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa,

E levo esse sorriso, porque já chorei de mais,

Cada um de nos compõe a sua história, cada ser em si

Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz

Talvez seja esta a letra mais bonita de toda a música brasileira. E mais significativa também. A vida é um aprendizado. Se no começo andamos aos atropelos, o sofrimento, as marcas da vida vão nos ensinando a parar, a recomeçar e a seguir num ritmo mais moderado. A experiência é a nossa história de vida, tudo o que levamos conosco ao longo do caminho. É ao longo da jornada também que vemos nossa soberba ser vencida pela humildade de se reconhecer sabedor de nada. Pois assim, de fato, experimentamos todos os sabores da vida, vivenciamos todas as emoções, sem o orgulho próprio da nossa imaturidade. Esta música, como toda sua cadência, todo o seu ritmo, mostra como a vida deve ser levada sem atropelos, aproveitando cada dia como se fosse o último e aprendendo dia a dia a ser feliz hoje.

5. Barão Vermelho - Meus Bons Amigos (Álbum “Carne Crua” – 1994)

Meus Bons Amigos

Meus bons amigos, onde estão

Notícias de todos quero saber

Cada um fez sua vida de forma diferente

Às vezes me pergunto: Malditos ou inocentes?

Nossos sonhos, realidades

Todas as vertigens, crueldades

Sobre nossos ombros aprendemos a carregar

Toda a vontade que faz vingar

No bem que fez pra mim

Assim, assim, me fez feliz, assim

O amor sem fim

Não esconde o medo

De ser completo e imperfeito

Meus bons amigos, onde estão

Notícias de todos quero saber

Sobre nossos ombros aprendemos a carregar

Toda a vontade que faz vingar

No bem que fez pra mim

Assim, assim, me fez feliz, assim

O amor sem fim

Não esconde o medo

De ser completo e imperfeito.

Um dos expoentes do rock nacional brasileiro, o Barão Vermelho tem algumas músicas que me fazem pensar muito. “Meus Bons Amigos” é uma delas. Retrata como nos distanciamos dos amigos, das pessoas que gostamos, com o passar do tempo. E é assustador perceber que muitas vezes nós somos culpados por isso.

Seja por medo, timidez ou mesmo por nos faltar confiança, deixamos de fazer a coisa certa, fazer a diferença na vida dos outros. Talvez o momento em que eu viva, de estar perdendo a fé nas pessoas, na capacidade de mudança, talvez este momento um tanto quanto sombrio, esteja me fazendo refletir sobre os valores básicos da vida. Amizade é um deles. Mas é muito difícil ser amigo hoje em dia. Infelizmente estamos perdendo a capacidade de compreender que amigo não é só aquele que pode nos fazer um favor. Estamos deixando a falta de tempo e as seduções do mundo moderno nos dominar a ponto de não curtirmos mais a companhia das pessoas queridas, sem alguma coisa estar por trás disso. De positivo, fica a esperança em nossa capacidade de virar o jogo. Só depende da gente. Mas é preciso dar o primeiro passo...

4. O Rappa - Rodo Cotidiano (Álbum “O Silêncio que Precede o Esporro” – 2003)

Rodo Cotidiano

Ô Ô Ô Ô Ô My Brother (4x)

A ideia lá comia solta

Subia a manga amarrotada social

No calor alumínio

Não tinha caneta nem papel e uma ideia fugia

Era o rodo cotidiano

Era o Rodo cotidiano.

O espaço é curto quase um curral

Na mochila amassada uma quentinha abafada

Meu troco é pouco É quase nada (2x)

Ô Ô Ô Ô Ô My Brother (4x)

Não se anda por onde gosta

Mas por aqui nao tem jeito todo mundo se encosta

Ela some ela no ralo de gente

Ela é linda mas não tem nome

É comum e é normal

Sou mais um no Brasil da Central

Da minhoca de metal que corta as ruas

Da minhoca de metal

Como um Concorde apressado cheio de força

Voa, voa pesado que o ar

E o avião, o avião, avião do trabalhador

Ô Ô Ô Ô Ô My Brother (4x)

Ô Ô Ô Ô Ô My Brother (4x)

Um diário no front da batalha de classes no Brasil. “Rodo Cotidiano” tem um pouco disso. A discrepância entre os mais ricos e os mais pobres mostra vários países num só Brasil. E é no relato sobre o transporte coletivo que conhecemos este Brasil marginalizado, feio e pobre, onde o trem urbano é o avião do trabalhador.

Nós muitas vezes ignoramos a essência do país em que vivemos. Este país de dimensões e culturas continentais tem como essência, aqueles que de fato o sustentam, que é a massa trabalhadora. O Brasil é daquele que leva sua quentinha abafada e é menosprezado em seu próprio país.

Enquanto a mídia quer nos empurrar o Brasil dos estrangeirismos, de uma pseudo-classe média, o Brasil de verdade passa a nossa porta, conduzido pela minhoca de metal que entorta as ruas...

3. Lulu Santos – Casa (Álbum “Lulu” – 1986)

Casa

Primeiro era vertigem omo em qualquer paixão

Era só fechar os olhos

E deixar o corpo ir

No ritmo...

Depois era um vício

Uma intoxicação

Me corroendo as veias

Me arrasando pelo chão

Mas sempre tinha a cama pronta

E rango no fogão

Luz acesa, me espera no portão

Pra você ver

Que eu tô voltando pra casa

me ver

Que eu tô voltando pra casa

Outra vez

Às vezes a tormenta

Fosse uma navegação

Pode ser que o barco vire

Também pode ser que não

Já dei meia volta ao mundo

Levitando de tesão

Tanto gozo e sussuro

Já impressos no colchão

Pois sempre tem a cama pronta

E rango no fogão

Luz acesa, me espera no portão

Pra você ver

Que eu tô voltando pra casa

me ver

Que eu tô voltando pra casa

Outra vez

Primeiro era vertigem

Como em qualquer paixão

logo mais era um vicio

me arrasando pelo chão

pode ser que o barco vire

também pode ser que não

já dei meia volta ao mundo

levitando de tesão

pois sempre tem a cama pronta

E rango no fogão

Luz acesa, me espera no portão

Pra você ver

Que eu tô voltando pra casa me ver

Que eu tô voltando pra casa

Outra vez

Lulu Santos é daqueles músicos que flertam com a diversidade de sons. Este, sem dúvida foi o seu melhor momento, com o álbum “Lulu” de 1986, sendo considerado uma referência para os anos 80. “Casa” é uma de suas melhores composições e retrata a realidade de muita gente. Por inúmeras vezes me vejo nesta música.

Sempre precisamos de um retorno, de uma volta, que seja pra casa, ou pra dentro de nós mesmos. Um recomeço ou simplesmente, um retorno. Retorno ao conforto, ao nosso lugar, onde encontramos alguém à nossa espera, a comida quente no fogão. A minha geração tem esta sede por aventura, e sempre estamos arriscando, indo além. É como sabemos viver. Todavia, toda aventura tem seu preço, que nem sempre estamos dispostos a pagar...

O bacana disso tudo é a certeza de poder voltar. Mesmo que o custo seja alto, nos é permitido voltar. Feliz aquele que não faz de sua jornada um caminho sem volta. Feliz aquele que segue, que arrisca, que vive entre acertos e erros, mas que sempre almeja o retorno pra casa, seu lugar de descanso, de repouso. Seu aconchego.

2. O Rappa – Minha Alma (Álbum “Lado B Lado A” – 2000)

Minha Alma

A minha alma tá armada

E apontada para a cara

Do sossego

Pois paz sem voz

Paz sem voz

Não é paz é medo

Às vezes eu falo com a vida

Às vezes é ela quem diz

Qual a paz que eu não quero

Conservar pra tentar ser feliz (x4)

As grades do condomínio

São para trazer proteção

Mas também trazem a dúvida

Se é você que está nessa prisão

Me abrace e me dê um beijo

Faça um filho comigo

Mas não me deixe sentar

Na poltrona no dia de domingo, domingo

Procurando novas drogas

De aluguel nesse vídeo coagido

É pela paz que eu não quero

Seguir admitindo

É pela paz que eu não quero, seguir

É pela paz que eu não quero, seguir

É pela paz que eu não quero, seguir

Admitindo

Já disse Tony Stark, o Homem de Ferro: “Paz é quando nossa arma é maior que a do outro”. Na verdade, cada um tem seu conceito formado sobre a paz. Mas a como a música diz, “Qual a paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz”. A paz vem do interior de cada um, é algo intrínseco ao homem. Não se pode dar aquilo que não se tem.

O Rappa mostra nesta música toda a hipocrisia da sociedade brasileira, escondida atrás dos muros dos condomínios de luxo, procurando drogas de todos os tipos na TV sempre manipuladora, enquanto a vida corre lá fora, com seus medos, seus riscos e desafios. Não é possível privar-se da vida, privar-se do mundo lá fora, mesmo que traga consigo toda espécie de riscos e malefícios.

A “minha alma” é um reflexo de como nos armamos interiormente em gestos egoístas e nos desarmamos exteriormente, deixando que o mundo, os governos, o politicamente correto, as tendências tomem as rédeas da situação. Assim somos manipulados, manietados e dependentes de um sistema opressor e excludente. Isto é a realidade só não ver quem não quer.

1. Legião Urbana – Há Tempos (Álbum “As Quatro Estações” – 1989)

Há Tempos

Parece cocaína mas é só tristeza, talvez tua cidade.

Muitos temores nascem do cansaço e da solidão

E o descompasso e o desperdício herdeiros são

Agora da virtude que perdemos.

Há tempos tive um sonho, não me lembro

não me lembro...

Tua tristeza é tão exata

E hoje o dia é tão bonito

Já estamos acostumados

A não termos mais nem isso.

Os sonhos vêm e os sonhos vão

O resto é imperfeito.

Disseste que se tua voz tivesse força igual

À imensa dor que sentes

Teu grito acordaria

Não só a tua casa

Mas a vizinhança inteira.

E há tempos nem os santos têm ao certo

A medida da maldade

Há tempos são os jovens que adoecem

Há tempos o encanto está ausente

E há ferrugem nos sorrisos

E só o acaso estende os braços

A quem procura abrigo e proteção.

Meu amor, disciplina é liberdade

Compaixão é fortaleza

Ter bondade é ter coragem

Lá em casa tem um poço

mas a água é muito limpa.

De uns tempos pra cá, vejo “Há Tempos” como minha trilha sonora. Ao mesmo tempo que esta música traz consigo uma verve depressiva, ela revela a realidade do nosso meio. Percebo esta música como a realidade de muita gente. E Renato Russo imprimiu nela toda a insatisfação com o modo como levamos nossa vida. Em cada verso uma verdade que funciona como um soco no estômago no falso moralismo e toca fundo na alma. Há cada vez que escuto esta canção, percebo uma mensagem nova, atual e sincera. O mundo é mal e as pessoas cada vez mais estão se vendendo a ele, cercadas de egoísmo e vaidade.

“Há Tempos” fala da perda da fé no homem contemporâneo, cada vez mais escravo dos vícios e do mundo. Um homem carregado de frases prontas sobre tudo e sobre todos, sobre seus sonhos. Um homem de cerviz dura e pragmática, cada vez mais intolerante e inflexível. Hedonismo e positivismo completos.

Até mesmo dentro da fé, dentro dos grupos religiosos, vemos este homem, vemos esta descrença na vida, nas atitudes e no amor. Cada vez mais estamos vivendo na indiferença em relação a quem sofre. Por isso, ter bondade, de fato, é um gesto corajoso frente a este mundo cruel e implacável que nos consome.

A escolha, graças ao Bom Deus, depende hoje e sempre de nós. E se baseia no que buscamos. Enquanto muitos aqui no mundo buscam ser trigo, agradando a todos, fazendo concessões em suas crenças e caráter e com isso sendo consumidos por este mesmo mundo, ainda há quem busque ser joio, sendo excluído e colocado à margem, sem no entanto perder a fé e a autenticidade.

Esta aí a minha playlist nacional. Em breve, as internacionais. Até lá!

Belo Horizonte, 15 de Junho de 2011.

domingo, 8 de maio de 2011

Mãe


Por Deiber Nunes Martins

Mãe. Uma missão impossível. Creio que as mães que lerem meu texto não terão idéia do que isto quer dizer. Mas é fato, ser mãe é uma missão impossível. Algo inatingível, inalcançável. Ser mãe sempre foi uma tarefa árdua e hoje em dia então, ainda mais. Que o diga Maria, mãe de Jesus. Se a Mãe de Deus teve uma espada cravada em seu peito, ao ver o Filho pregado numa Cruz que dirá nossas mães. O que elas sofrem por teus filhos, o que elas fazem por teus filhos. Só vocês, mães.

Quando olho minha mãe, vejo o quanto eu lamento por tamanha dívida de amor, que tenho para com ela. E sei que não estou sozinho nesta dívida, meus irmãos devem também. Você, leitor, certamente deve ter uma dívida de amor para com sua mãe. Que fique claro que me refiro a todas as mães de fato. Mães de verdade. Uma mãe de verdade é aquela que dá a vida por teus filhos. Uma mãe de verdade é o amor genuíno, gratuito e incondicional.

De fato que não culpo as “mães de mentira”, pois como disse acima, ser mãe é uma missão impossível. Porque ser mãe é se doar todo tempo e o mundo hoje em dia nos ensina exatamente o contrário. As meninas, a partir da minha geração já carregam consigo um coração endurecido e marcado pelo egoísmo. São moldadas e manietadas por um mundo abortista e pragmático onde o politicamente correto é ter direito de ir contra a vida. É poder pensar em si mesmo e assim levar a vida e deixá-la levar. Essas garotas de coração e cerviz duros não puderam aprender a serem mães, pois não viveram em momento algum o amor. Amor de mãe. Por isso, não têm pudor em abandonar seus bebês, em maltratá-los e expô-los a todo tipo de maldade. Essas são mães de mentira e o dia de hoje, não é delas.

Às mães de verdade, carregam consigo o amor e transmitem a seus filhos o amor. Deus, em sua sabedoria, quis contar com a mulher no processo de criação. É a mãe quem carrega o filho desde a concepção até o nascimento e muitas vezes até depois disso, visto o apego de tantos filhos às suas mães. É a mãe a responsável pelo contato mais pleno e direto com os filhos. Por isso, nada mais que merecido, um dia todo dedicado a elas. Por tudo o que fazem por nós filhos, eu ouso dizer que a missão de vocês é impossível. Mas por isso, Deus deu tal missão exclusivamente a vocês, mães. Tamanho o amor que Ele lhes tem.

Senhor, Teu imenso amor e Tua misericórdia infinita me deram minha mãe. Sei que não sou um filho perfeito mas assim como a santidade, busco ser. Pois minha mãe merece. Por isso, Senhor dê a minha mãe e a todas as mães de verdade, neste mundo, muita paz, saúde, alegrias e realizações. Elas merecem pois nos ensinam um pouco do mistério de ser sacrário vivo de teus filhos. Senhor, abençoe a todas as mães não só neste dia mas por dias infinitos. Amém.

Belo Horizonte, 08 de Maio de 2011.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Maio, Mês de Maria




Por Dom Benedicto de Ulhoa Vieira, Arcebispo de Uberaba

As referências dos Evangelhos e do Atos dos Apóstolos a Maria, Mãe de Jesus, apesar de poucas, deixam ver muito desta privilegiada criatura, escolhida para tão alta missão. São Paulo, na Carta aos Gálatas (4,4), dá a entender claramente que, no pensamento divino de nos enviar o Seu Filho, quando os tempos estivessem maduros, uma Mulher era predestinada a no-Lo dar. Para que se compreenda a presença da Virgem Maria nesta predestinação divina, a Igreja, na festa de 8 de dezembro, aplica à Mãe de Deus aquilo que o livro dos Provérbios (8, 22) diz da sabedoria eterna: "Os abismos não existiam e eu já tinha sido concebida. Nem fontes das águas haviam brotado nem as montanhas se tinham solidificado e eu já fora gerada. Quando se firmavam os céus e se traçava a abóboda por sobre os abismos, lá eu estava junto dele e era seu encanto todos os dias". Era, pois, a predestinada nos planos divinos.

Para se perceber melhor o perfil materno de Nossa Senhora, três passagens bíblicas podem esclarecer isso. A primeira é a das Bodas de Caná, que realça a intercessora. Quando percebeu – o olhar feminino que tudo vê e tudo observa – estar faltando vinho, sussurra no ouvido do Filho sua preocupação e obtém, quase sem pedir, apenas sugerindo, o milagre da transformação da água em generoso vinho. Ela é, de fato, a mãe que se interessa pelos filhos de Deus que são seus filhos.

Outra passagem do Evangelho esclarecedora da personalidade de Maria é a que nos mostra seu silêncio e sua humildade. O anjo a encontra na quietude de sua casa, rezando, para dizer-lhe que fora escolhida por Deus para dar ao mundo o Emanuel, o Salvador. Ela se assusta com a mensagem celeste, porque, na sua humildade, nunca poderia ter pensado em ser escolhida do Altíssimo. Acolhe assim, por vontade divina, a palavra do mensageiro, silenciosamente, sem dizer, nem sequer ao noivo, José, o que nela se realizava. Deus tem o direito de escolher e por isso ela diz apenas o generoso “sim” que a tornou Mãe de Deus.

O terceiro traço de Maria-Mãe é sua corajosa atitude diante do sofrimento. Ao apresentar o seu Jesus no templo, ouve a assustadora profecia do velho Simeão: “Uma espada de dor transpassará a tua alma”. Pouco mais tarde, estreitando ao peito o Menino Jesus, deve fugir para o Egito com o esposo, para que a crueldade de Herodes não atingisse a Criança que – pensava ele, Herodes – lhe poderia roubar o trono. Quando seu Filho tem doze anos, desencontra-se dele e, ao achá-Lo após três dias, queixa-se amorosamente: “Por que fizeste isto? Eu e teu pai te procurávamos, aflitos”. Sua coragem se confirma na Paixão e Crucifixão de Jesus. De pé, ali no Calvário, sofre e associa-se ao sacrifício do Redentor. É a mulher forte, a mãe corajosa e firme, a quem a dor não derruba. De fato, a espada de Simeão lhe atravessara a alma e o coração. É a Senhora das Dores.

Maio, mês dedicado a Nossa Senhora, pela piedade cristã, é um convite para voltarmos nosso olhar a esta Mãe querida para pedir-lhe que abra as mãos maternas em bênção de carinho sobre nossos passos nesta difícil escalada da Jerusalém celeste.


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Sobre o Relativismo...


Por Deiber Nunes Martins

Ainda estou assombrado com o que soube esta manhã. A participação de um sacerdote católico em uma novela global é algo que me escandaliza não pelo fato em si mas sim pelo modo como temos relativizado nossas atitudes e crenças. Temos em nossa rotina diária vários exemplos do que estou querendo dizer. É assustador e ao mesmo tempo de uma esperteza descomunal do inimigo. E como inimigo eu considero tudo aquilo que nos afasta da vontade de Deus para nossa vida. Muitas vezes esse inimigo se transverte em coisas prazerosas, boas e aparentemente salutares. É quando entra em cena o relativismo.

Relativismo é uma doutrina filosófica que prega tudo que é contrário a uma idéia absoluta, categórica. São atitudes de conveniência, de momento, que variam conforme o ambiente que estamos, condições, situações e lugares. É a validação de todo e qualquer ponto de vista. Uma doutrina, portanto, perigosa, visto que somos dotados de razão e emoção e boa parte de nossas crenças e culturas são absolutas.

Um sacerdote é a pessoa dotada de autoridade dentro de uma comunidade religiosa e por isso formadora de opinião dentro e fora desta comunidade. Em se tratando da fé católica, alguns de seus preceitos são categóricos: a Igreja Católica prega a doutrina de Jesus Cristo e a fidelidade às Sagradas Escrituras. Não é preciso aqui entrar em detalhes acerca de tais preceitos mas é presumível que tanto Jesus quanto à sua Palavra são idéias absolutas. Não há meio termo, por exemplo, sobre honrar pai e mãe. Ou você honra seu pai e sua mãe ou não. Assim como ou você pratica o adultério ou não. São preceitos categóricos que não variam conforme a época ou os costumes. É a verdade imutável de Deus. Sagrada e indelével. É a esta verdade, a que o sacerdote deve servir. Como o próprio Deus disse não poder servir a dois senhores. Ou se serve a Deus ou ao mundo.

A novela brasileira é o retrato da realidade do mundo. Seu conteúdo invariavelmente trata de situações que ofendem aos princípios básicos defendidos pela Igreja Católica. Nas tramas das novelas, geralmente há situações em que o (a) protagonista comete adultério e este é tido como positivo dentro da trama, pois aproxima esta personagem de seu “par ideal” que na maioria das vezes não é o marido ou a esposa e sim o (a) amante. Também nas tramas de novelas, vemos filhos afrontarem seus pais, vemos laços de família serem quebrados e alguns preceitos defendidos pela emissora de TV, como o espiritismo por exemplo, serem exacerbados de forma até subliminar. Já chegamos ao absurdo de ver em uma novela do antigo horário das seis, um sacerdote católico em dúvida quanto à reencarnação, preceito inaceitável dentro da doutrina católica.

Percebe-se nas novelas, forte tendência relativista.

Ao entrar para o casting de uma produção novelista, um sacerdote católico entra em contradição com os valores que defende para exercer o trabalho de ator, mesmo que representando a si mesmo. Está sendo relativista, pois está transmitindo sua fé de forma parcial. Embora haja o interesse na evangelização dentro do folhetim não está havendo coerência com os princípios cristãos. Pois a figura de um sacerdote, dentro do ambiente de uma novela atrai os fiéis para a novela, visto que o sacerdote é formador de opinião e dotado do múnus sacerdotal que faz com que este aja in persona Christi. Assim, entendo eu, que em tal atitude, os valores católicos estão sendo relativizados.

Portanto, a partir do momento em que relativizamos nossa fé católica permitimos que o inimigo retire de nós a verdade absoluta da nossa crença. Pois fazemos concessões aos valores do mundo. É preciso ter a coragem cristã de Paulo e de Pedro e defendermos nossa fé de modo categórico e absoluto. Se servimos ao Senhor, precisamos nos manter fiéis a Ele, acima de tudo. Apesar das nossas limitações, da nossa fraqueza, de nossas imperfeições, devemos ser coerentes com a nossa fé. Não devemos servir a dois senhores. Se nos percebermos servindo a qualquer outro senhor que não o Senhor Nosso Deus, então devemos reconhecer nosso erro e voltar para a misericórdia Dele. Não devemos fazer concessões ao inimigo, pois esse não nos fará nenhuma concessão no dia final. Pensemos nisso.

Belo Horizonte 28 de abril de 2011.