quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2016, Ano da Misericórdia. Ano de Maria





Por Deiber Nunes Martins

Foi ao final de 2015 que percebi interiormente a necessidade de viver um ano de 2016 mais próximo de Nossa Senhora. Talvez seja porque o lema “Tudo por Jesus, nada sem Maria” esteja inerente a realidade de vida de todos nós. E mesmo quem não perceba, seja por desconhecimento ou por diferença de credo, caminha seus passos nesta terra sempre tendo de um lado Jesus e do outro Maria.
O desafio de uma vida só, onde somos inteiramente em essência de Deus, nos faz confrontar nossa caminhada espiritual com a caminhada da Mãe de Nosso Senhor. Maria viveu a nossa vida a exceção do pecado. E para cada situação, para cada passo, para cada mexida no tabuleiro de xadrez que são as nossas escolhas, Maria traz uma lição bem mais que importante: essencial.
Quem me acompanha neste blog, sabe que não tenho sido muito fiel tampouco constante em minhas postagens. Tenho escrito muito pouco. E quero mudar isso. Quero calejar minha mente e meus dedos de tanto escrever. É só um desejo. Mas um desejo que me manterá vivo neste ano. Contudo, na fantástica ilha da inspiração, só consigo ver ultimamente o branco da neve de um inverno rigoroso. Crise criativa? Sei lá, o que importa é buscar em algum canto por aqui as motivações das ideias, os fios de história. Quem sabe assim, não faz-se nova a minha vida?
Também por esta razão e aproveitando o ensejo, é que pensei 2016 como alguns meses em que passei com a Mãe de Jesus. Só que um mês foi pouco e um mês fica no esquecimento. Quem sabe um ano?! O desafio de viver um ano inteiro estudando, pesquisando, resenhando e escrevendo sobre Maria, pareceu-me bem interessante. E assim, que se faça!
Ancorando-me na literatura e no próprio “Sr. Google”, quero descobrir junto de vocês cada título da Mãe de Nosso Senhor. Já ouvi falar que se tem notícia da existência de mais de 2 mil títulos e contando! Então, temos muito a descobrir.
A cada dia, um nome da Mãe de Deus quero trazer pra vocês. Dos mais conhecidos, como Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Fátima, até os mais estranhos como Nossa Senhora das Febres e Nossa Senhora dos Trinta e Três. Em um post futuro, falarei das fontes de estudo que me orientarão neste trabalho e que me permitirão este extraordinário conhecimento mariano.
Portanto, que Deus nos abençoe na caminhada e que Maria caminhe à nossa frente desvendando sua história a todos nós. Que percebamos que em todo momento da vida humana na era cristã, sempre existiu alguém que não dispunha de vinho em sua vida e este lhe foi reposto, pelo Filho, graças a intercessão da Mãe.
Nossa Senhora de Todos os Nomes, de Todas as Gentes, rogai por nós!


Belo Horizonte, 02 de Fevereiro de 2016 – Ano da Misericórdia.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Bárbara




Bárbara

“A sua maneira de ser para mim
Já poda o que há de ruim...” (Maninho)


Por Deiber Nunes Martins

Em teus versos encontramos um sonho
Em minha melodia o desabrochar de uma flor
Em teu olhar ajuntamos nossos desejos
Em meu peito, recostamos nosso amor.

Do improvável da distância nasceu amizade
De impensável projeto, brotou a paixão
De melhor amiga à minha doce namorada
Do nosso namoro, um só coração.

E você e eu tornamos em Deus realidade
Nós dois em prosa e verso fizemos canção
O amor encontrou em nós sua morada
Em nossa caminhada rejubila a Criação.

Uma só chama a inflamar nossas vidas
Unindo todo o Céu a nosso favor
Unindo nós dois à mesma esperança
Acendendo na gente a chama do amor.

Amo-te.


Belo Horizonte, 04 de Dezembro de 2015.


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Quem Pensa o Brasil?

Segunda Parte: Os Pecados da Esquerda Brasileira

Por Deiber Nunes Martins

Que ninguém pense que a onda de ódio contra o governo de esquerda brasileiro e mais especificamente o Partido dos Trabalhadores, tenha sido produzida sem nenhum motivo, porque não foi. A esquerda brasileira desde que alcançou o poder, é mais vilã que vítima. E seus pecados, os mais diversos, fazem cada vez mais com que a sociedade civil tome as dores de nossa fracassada oligarquia, destituída do poder.
O escândalo do mensalão, protagonizado pelo alto escalão do governo, suplantou os pequenos deslizes do início do mandato petista, como o mal explicado assassinato do prefeito de Santo André. A maneira como os generais petistas lidaram com a situação foi o primeiro dos grandes erros da esquerda no poder: colocar no presidente as vestes de “marido traído” ao invés de blindá-lo do escândalo, o enfraqueceu perante a opinião pública. E o tea party brasileiro aproveitou bem esse erro, quando das eleições de 2006. O candidato das oposições, Geraldo Alckmin deve sua ida ao segundo turno desse pleito a bem arquitetada operação de vincular a imagem de Lula ao mensalão. Inocente ou não, Lula demonstrou sua força ao vencer por mais de 60% dos votos ao seu rival do PSDB.
Ancorado no mote da “Privataria Tucana”, o governo petista deveria ter questionado duramente as privatizações empreendidas pelo governo FHC, assim como os demais erros deste governo. Ainda, como a cereja do bolo, questionar o retrógrado apoio do governo e da mídia ao coronelismo, tão incompatível com nossos tempos. Lula e seus blue caps, perderam a oportunidade de minar os esforços da enfraquecida direita brasileira, num momento onde seu governo tinha mais crédito, com quase 90% de popularidade. Em política, o jogo de informação e contra -informação não pode ser deixado em segundo plano. E acreditando no “bom-mocismo” das oposições, a esquerda cometeu esse pecado.
Outro grande pecado da esquerda no poder, foi à negligência às demandas nacionais por reformas tributária e política. Lula estava recém-promovido ao poder, deteve a opinião pública nas mãos por algum tempo. Era o momento de mexer na ferida putrefata que sustenta o poder legislativo e dilapida quem quer produzir neste país. Acabar com o financiamento empresarial de campanha, seria uma forma de acabar com o clientelismo, a corrupção e o tráfico de influência que tomaram conta do governo nos anos seguintes. E aquele momento era o mais propício: que deputa em sã consciência ousaria se opor a uma proposta o presidente tido como “O cara”, por Barack Obama?!
Por conta de sua popularidade, Lula conseguiria fazer qualquer um, seu sucessor. E para tal, escolheu a sisuda Dilma Rousseff para lhe suceder. E o primeiro mandato dela foi exitoso, a se descontar a escabrosa adoção do termo “presidenta”. Dilma começou tentando pôr freio na ganância grupos financeiros que não repassavam a redução das taxas de juros ao varejo. Parecia que Dilma venceria a queda de braço com os bancos, mas as medidas tomadas em seguida mostraram-se desastrosas. Um grande erro do primeiro mandato de Dilma foi amparar o crescimento da economia brasileira na ampliação do crédito para consumo. A redução do IPI para os veículos e a facilidade de acesso ao crédito fez com que a indústria automobilística lucrasse como nunca nesse país, mesmo sem garantias de liquidez para tal. O crescimento modesto do Brasil no período, em comparação com todos os seus colegas de BRICS já indicava que algo não acabaria bem.
Deste modo, quando Dilma retirou o incentivo ao consumo, a economia brasileira entrou em colapso. A crise econômica bateu à nossa porta, acompanhada de um novo escândalo: o chamado petrolão. Escândalo esse que por muito pouco, não custou o segundo mandato de Dilma. As provas contundentes de que a maior empresa estatal do país e uma das maiores petrolíferas do mundo vinha sendo roubada deu novo ânimo aos senhores do tea party que, seduzidos pelo projeto do mineiro Aécio Neves de chegar a presidência da república, como seu avô, trabalharam e muito para criar o clima de insurgência e ódio nacional.
Os protestos de junho de 2013 mostravam claramente que o povo queria mudanças profundas no país. Também mostravam que não era da oposição que se esperava que tais mudanças viriam. Tanto que a turma de Aécio não lucrou nada com os protestos. Dilma, por sua vez, levou a esquerda brasileira a mais um de seus pecados, ao tentar responder aos revoltosos, sem ao menos saber ao certo o motivo da revolta.
Dilma mostrou desconhecer não só aos desejos de seu povo como também os pensamentos de sua base no Congresso Nacional. Um assessor desavisado deve ter lhe dito que a pauta dos protestos passa pela agenda da reforma política que Lula havia negligenciado em seu governo. Em resposta, a presidente anunciou a agenda de um plebiscito de reforma política onde pontos de reforma como o financiamento privado, o voto distrital e outras questões seriam decididos pelo povo. No dia seguinte, após pronunciamento dos congressistas, Dilma teve de voltar atrás, demonstrando fraqueza. A oposição, obviamente, lucraria com isso. O erro de avaliação do governo e a demonstração de fraqueza, aliado aos escândalos recém surgidos tornou o segundo mandato de Dilma, algo incerto.
A partir das manifestações de 2013, o governo Dilma ficou à deriva no que tange à sua governança. A crise econômica cresceu e virou também crise política. Para angariar apoio político, Dilma teve que romper totalmente com seu discurso de resposta as manifestações. E com isso, perdeu o que restava de apoio popular que tinha. Entretanto, o descrédito do povo com o conservadorismo, fez com que a candidata petista chegasse às eleições de 2014 com chances reais de vitória. E o contexto das eleições mostraria claramente a animosidade popular com os partidos que não tinham cheiro de povo.
Mesmo assim, os escândalos de corrupção sangrariam e muito a combalida esquerda brasileira.
A falta de compromisso das lideranças petistas com os ideais da esquerda, a esdrúxula ambição de seus quadros e o flerte com as benfeitorias do poder a que as oligarquias sempre tiveram foram os principais pecados dessa primeira passagem da esquerda ao poder no Brasil. Ao romper com pequenos ideais de luta de sua militância, ao longo dos anos, fez com que os melhores nomes do partido acabassem rompendo com este ou perdendo o fôlego. Mesmo com os programas sociais, o PT perdeu sua identidade, construída após anos de ferrenha oposição à turma da rola cansada. Esse pecado mortal pode fazer com que nunca mais o partido recupere seu vigor.
Por conta disso, pode ser dada como mal sucedido o acesso da esquerda ao poder no Brasil.


Belo Horizonte, 27 de novembro de 2015.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Quem Pensa o Brasil?

Primeira Parte: A Turma da Rola Cansada, o Tea Party Tupiniquim

Por Deiber Nunes Martins

Impressiona quão incauto é o povo brasileiro! Em sua inocência, surpreende-se com a prisão de um senador da república, como se o feito não fosse um mero movimento de pedras no truncado jogo de xadrez de nossa política, onde capturam um bispo pra se chegar à rainha e ao rei. Num jogo em que nem o peão, este povo é! E a democracia está cada vez mais em xeque, mas isso sempre por debaixo dos panos. Não por conta de um golpe dos que perderam as últimas eleições, mas por conta de uma força maior e bem mais astuta do que parece: a retrógrada e oligárquica elite brasileira.
Elite que bem poderia ser a velha turma da rola cansada, o tea party tupiniquim. Senhoras e senhores que ou se acostumaram à senzala e agora não sabem conviver na casa grande, ou sempre viveram na casa grande e agora não conseguem se adaptar à etiqueta da senzala. Turma da rola cansada porque respiram o século dezenove em pleno século vinte e um. Não sabem ser os donos de seu próprio tempo mas querem viver encostados no sucesso alheio. Preguiçosos, elegem a esquerda brasileira como única culpada de todos os erros do país, inclusive os seus. Essa elite, de aristocrática não tem nada, nem o nome. São os que muitos chamam de “coxinhas”. Saudosistas do tempo da escravatura, lamentam ter de pagar salário mínimo e os encargos sociais da empregada doméstica. Ficam enojados ao ver um cidadão de bermuda e chinelão embarcando no aeroporto. É a mesma casta social que não consegue aceitar as conquistas dos mais pobres. Talvez seja por isso que a esquerda no poder lhes dói tanto na alma.
Em contragolpe ao êxito da esquerda no poder, recebemos toda sorte de informações truncadas, tendenciosas e cheias de segundas intenções. Ai de quem ao menos desfere seu olhar cético ao noticiário: é queimado vivo na fogueira da inquisição das redes sociais, ou marginalizado como blogueiro de esquerda, comedor de criancinha, ou simplesmente taxado como “advogado de bandido”. Esta inaugurada a temporada do ódio, temporada de caça a quem não pertence ao clã da rola cansada.
O problema é que o povo brasileiro (ah o povo brasileiro!!!) é uma massa sem sabor, temperada às expensas de quem dele se alimenta, os barões da mídia. Somos doces se a mídia nos adoça e somos salgados se esta mesma mídia nos tempera. Tudo depende de quem está à frente da informação neste país. Assim, uma plebe volúvel e sem desprovida de senso crítico, acaba aceitando tudo o que dita o mainstream brasileiro. O que os barões e baronesas decadentes decidirem, está decidido e pronto. É o certo, nada a discutir. Somos apenas povo e povo não pensa. Povo que escuta música ruim porque é povo, reles povo brasileiro. Essa mentalidade, aliada ao despreparo e insanidade de uma esquerda que nunca havia chegado ao poder, e está criado o cenário a que os senhores do tea party brasileiro podem nadar de braçada.
É por isso que Luis Inácio Lula da Silva foi de messias a inimigo público número um em tão pouco tempo. E Dilma Rousseff, a primeira mulher a chegar ao Palácio do Planalto chegou ao mais baixo índice de aprovação em menos de um ano de seu segundo mandato. A articulação poderosa do tea party brasileiro, que com seus tentáculos, manipula os meios de comunicação e pensamento nacional. São esses senhores e essas senhoras de nariz empinado e passado questionável que estão pensando o Brasil. São eles que temperam uma massa de iletrados e cada vez mais despreparados para o cargo de povo brasileiro. Tudo isso sem ferir a nossa falaciosa democracia. Pelo menos, é o que nos contam os jornais.


Belo Horizonte, 26 de novembro de 2015.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2014. Por mim.



Por Deiber Nunes Martins

As pessoas estão postando em rede social que este foi um grande ano. E não há como negar que tenha sido um ano de intensas emoções. Esporte, política, emoções de sobra. Também tiveram as catástrofes econômicas, sociais... O mundo esteve em ebulição neste 2014. Não bastasse as crises climáticas e as epidemias, os homens resolveram acender velhos barris de pólvora encalhados nos porões de guerra. O certo é que 2014 foi atribulado. Mas pessoalmente, o balanço é positivo.

Positivo porque chego ao seu final motivado para 2015. Ciente que posso ser melhor, que aprendi muito e que mesmo nos momentos de fracasso, restaram forças para seguir em frente. Não foi um ano fácil. Mas o crescimento pessoal não se alcança em facilidades. Que sentido há em tudo o que se tem, ter sido obtido facilmente, sem esforço, sem trabalho? Fico observando pessoas providas de todo bem material, mas desprovidas de gana, de força de vontade. Quebram-se facilmente aos menores esforços. É pelo fogo que se prova o que é precioso. Então, de positivo levo esta certeza. Se cheguei até aqui, foi porque venci os maiores desafios do ano. Não consegui nada do que planejei a um ano atrás. Mas Deus me deu tudo o que precisava para estar aqui agora.

Aprendi com os revezes de 2014. E como foram bons! Incrível poder dizer quão bom foi um fracasso ou infortúnio. Tenho a certeza de que não entrei no "mal combate", mesmo que no bom eu tenha sido por vezes, negligente ou descuidado. Vejo a certeza de que a guerra não fica em 2014. Ela me acompanha em 2015. O inimigo não desiste facilmente. Talvez seja esta sua única qualidade: valorizar nossa vitória. Que ele, o inimigo, tenha uma certeza: não baixarei a guarda.

Meu pedido a Deus pra essa passagem de ano é paz. Paz para todos nós. Que 2014 fique na lembrança como um ano da virada. Virada de tudo o que nos fez mal e ponto de partida pra vitória que tanto almejamos.

Peço a Deus para o ano que se inicia apenas uma coisa: força de vontade. Persistência nos objetivos que tenho. Objetivos que são Dele também. E das pessoas que amo. Para o pleno alcance, força de vontade é fundamental. E não depende de ninguém além de mim. Mas posso e ouso pedir a Ti, meu Deus: dá-me força de vontade pra lutar as lutas que preciso lutar. Se deixei a desejar nesse 2014 no que tange a força de vontade, que isso não se repita em 2015.



Belo Horizonte, 31 de dezembro de 2015.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Regular a indústria cinematográfica no Brasil é antidemocrático?



Deiber Nunes Martins

O lançamento nos cinemas do aguardado “Jogos Vorazes: A Esperança – Parte Um” fez a Agência Nacional de Cinema – Ancine, abrir um importante debate sobre a concentração dos filmes de grande apelo popular, os chamados “Blockbusters” nas salas, prática cada vez mais comum, realizada pelas grandes distribuidoras de filmes. No Brasil, o filme em questão ocupará cerca de 46% das salas de cinema.
Definida como prática predatória pela Ancine, a concentração de um lançamento do cinema num determinado contingente de salas de exibição impede a divulgação e comercialização de outros títulos, limitando o ingresso das pequenas produções, além de esvaziar o interesse do público pelo que está sendo exibido.
Por outro lado, limitar a quantidade de salas de exibição que um filme pode ocupar é restringir a estratégia de distribuição da indústria do cinema, interferindo diretamente na livre regulação da indústria cultural. Cercear a disseminação de uma produção artística é um duro golpe a democracia do país.
Na França, há uma limitação de salas de exibição para os grandes lançamentos do cinema da ordem de 30%. Se esta mesma legislação vigorasse no Brasil, o filme Jogos Vorazes não seria exibido em 455 das 1310 salas onde está sendo lançado. Se por um lado esta redução do número de salas de exibição, possibilitaria a disseminação de outros títulos com distribuição e estreias mais modestas, por outro, representaria uma censura velada ao filme em 455 salas do país.
Antidemocrática ou não, a limitação das salas de cinema aos títulos blockbusters representaria um avanço da indústria do cinema local, que em geral conta com parcos investimentos em suas produções e a grande maioria deles vêm de empresas públicas e grupos locais. É um fomento à atividade cultural no Brasil. Se por um lado, limita a penetração de um título de grande apelo popular, por outro, abre espaço a novas possibilidades da indústria cinematográfica.
A concentração das salas de exibição de cinema do país em um único título é nociva a diversidade de produções, muitas delas marginalizadas por serem lançadas em conjunto com filmes já consagrados, seja pela produção envolvida, seja pelo trabalho mercadológico feito pelas grandes distribuidoras. Em nada parece ter aqui uma limitação do alcance da democracia. É preciso observar que ampliar a oferta de títulos nas salas de cinema é abrir espaço para diferentes percepções e preferências e, portanto caminhar rumo a democratização deste espaço cultural. Ao contrário, se um filme, ocupa a metade das salas de cinema do país, o que se vê é a perda do interesse do público por uma diversão cada vez mais padronizada e “enlatada”. Não se avalia aqui a qualidade das produções, mas sim a diversidade do gosto nacional.
Portanto, a discussão aberta pela Ancine é de profunda importância para a indústria do cinema. Até que ponto uma produção, detentora de todo arcabouço de distribuição nacional e internacional pode penetrar de forma predatória nas salas de cinema por todo o país? Nada contra o filme Jogos Vorazes ou produção milionária que o cerca. Mas é preciso compreender que o cinema é uma atividade cujo esforço intelectual deve ser preservado, em detrimento do poder econômico que o cerca.
Desta forma, toda prática predatória contra a sétima arte deve ser barrada, independentemente do quão arbitrário isso possa parecer. A intervenção do governo, por meio da Ancine ou de qualquer outra instituição na indústria cinematográfica deve ter como objetivo ampliar os horizontes culturais do povo brasileiro, permitindo que produções mais simples, sem o aporte das grandes distribuidoras também encontrem espaço junto ao público.


Belo Horizonte, 19 de Novembro de 2014

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Impressionante Como


Deiber Nunes Martins

Impressionante como passa sem mexer com os sentidos
Dessa gente sem tamanho abatida
Degustada em porções diminutas
Por um sistema que ninguém vê,
A vida que ninguém sente.

Teus olhos marejam saudades do ontem
O dia que não viveu.
Fica ao entorno um cheiro novo
Do dia que não se apercebe.
Importa mais fazer o feijão
Do que o tempo que não temos.

Impressionante como a gente se esconde
Dos muros que nos juntam
Às lembranças que não temos
Das horas que não vivemos
Do constrangido momento do encontro.

O relativo vazio de nós mesmos
É o exato cheio dos outros.
Completa o que não tem
Falta o que sobra
Impressionante como...
Vazio e cheio se amam!


Belo Horizonte, 14 de novembro de 2014.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Nem Tudo Está Perdido

Nem tudo está perdido
(Deiber Nunes Martins)

Quando a noite lhe cobra a conta do dia
Quando você se sente perdido, caído
Sem querer acreditar em si mesmo
Haverá de dizer uma voz, um gemido
Nem tudo está perdido.

Quando todas as guerras perderes
E no chão seu corpo pender
Quando sentir o amargo sabor da tristeza
Abra teu coração e os ouvidos,
Nem tudo está perdido.

Pois na verdade é o que há
Enquanto há um sopro de vida
Enquanto sua alma lhe grita
Levante-se, tenha ânimo, vem comigo!
Nem tudo está perdido.

Enquanto houver você
Enquanto houver eu
Enquanto houver nós
Dê-me tua mão, venhas comigo!
Pois nem tudo está perdido.

Belo Horizonte, 24 de junho de 2014.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Ela consegue. Mas será que é o bastante?


Por Deiber Nunes Martins

Outro dia assistindo ao Filme “Não sei como ela consegue”, estrelado pela ótima Sarah Jéssica Parker, me atentei novamente para uma de minhas maiores inquietações: os filhos órfãos de pais vivos. Com o mundo cada vez mais imerso em devaneios que espremem nosso horizonte temporal (trânsito, trabalho excessivo, TV, internet, excesso de informação, telefone celular e suas desnecessárias funções...) a criação dos filhos cada vez mais se vê delegada a profissionais e semiprofissionais da educação – avós, tios (irmãos dos pais ou funcionários da escolinha), professores e outros. A terceirização educacional cada vez mais precoce é hoje um dos principais martírios do mundo contemporâneo. Uma perversa e imperceptível forma de alienação.
No filme, Sarah é Kate Reddy, uma executiva de sucesso workaholic que divide sua vida entre o trabalho, o casamento e a criação dos filhos. Sua vida “tripla” complica-se ainda mais quando passa a trabalhar com Jack Abelhammer, vivido por Pierce Brosnan. No filme, o ponto máximo é compreender que a vida de Kate é um malabarismo, onde o importante não é o modo como se segura os malabares mas o modo como os deixa em suspensão no ar. É a vida moderna, onde exercitamos o malabarismo com o trabalho, os amigos, a família, o cônjuge e os filhos.
Ah os filhos! As crianças são as que mais sofrem com nossas limitações de tempo. Na sociedade moderna, pai e mãe dividem cabeça a cabeça um lugar ao sol no competitivo mercado de trabalho. Teoricamente, o homem sai em vantagem pela experiência de ser o chefe numa sociedade patriarcal, mas a mulher cada vez mais se iguala em posição, por sua competência e pela inversão de valores do mundo moderno, onde cada vez mais as famílias se tornam matriarcais.
Na disputa entre os gêneros, os derrotados sempre são os filhos. Sem a referência de pai, cada vez mais distante dentro e fora de casa, os filhos vão perdendo também a referência da mãe. É cada vez mais antiquado para as meninas brincar de casinha, fazer comidinha e cuidar das bonecas. Porque as filhas de hoje se espelham na mãe assoberbada e dividida entre o trabalho, o computador, o telefone celular e a novela. Se a infância deixa de lado as brincadeiras de dona de casa, a adolescência as menospreza e a juventude a repudia. Chega a ser um acinte uma jovem que saiba cozinhar! As mães iniciantes quando não contam com suas mães e sogras, contam com as babás que hoje funcionam como consultorias especializadas quando o assunto são os filhos. A mãe do século XXI é a mãe descosturada da realidade doméstica e de uma maternidade profissional. Pais e mães de hoje são bons na arte circense dos malabares, bons em economia, finanças, nas questões jurídicas... mas são um fiasco quando o filho precisa de uma reprimenda, de uma correição por conta de ter quebrado a vidraça do vizinho ou ter agredido a professora. Desconhecem as noções básicas da educação infantil, as premissas basilares do comportamento humano e da convivência social.
Descolados de qualquer referência familiar, os filhos são formados pelas referências que de certa forma se aproximam do ser família. Às vezes um irmão, outras vezes o pai de um amigo, o vovô, a vovó, quando estes dão conta de todos os netos, a tia boazinha da escola que sempre expressa com carinho o visto às atividades no caderninho... e por aí vai. Em suma, uma educação empobrecida, descompromissada e sem norte. Pais que esperam do filho saber boas maneiras ensinadas pela professora, pelos avós e amigos, são pais que lamentarão o protagonismo de sua prole na delinquência juvenil.
Viver fazendo malabarismo com os filhos é tão nocivo quanto dormir e acordar dentro de um reator nuclear. A terceirização educacional é um perigo ambulante, como foi Chernobyl e como é Fukushima. Entretanto, as tendências modernistas de nossa sociedade, encobrem os riscos do descolamento de pais e filhos. A cultura impregnada no inconsciente coletivo do povão é que o fato é um mal necessário. Afinal, pai e mãe precisam trabalhar!
Se antes os pais eram acusados de não entenderem, vide as belas canções da Legião Urbana, hoje nem réus eles podem ser, por não estarem presentes. Os filhos estão sempre em suspensão e no tempo em que se passam nas mãos dos pais malabaristas, sempre o dividem com o telefone, a TV, o Facebook... Distrações mundanas que contribuem para que filhos não tenham tempo de ser filhos e pais não tenham tempo de ser pais.
O resultado deste malabarismo de pais e mães está cada vez mais presente e tangível em nossa sociedade: jovens cada vez mais jovens envolvidos com alcoolismo, drogas, prostituição. Envolvidos no mundo do crime, causando nos mais precipitados e conservadores uma repulsa tamanha, a ponto de se exigir severas punições aos mesmos. Se a minha geração podia se contar nos dedos o adolescente que nunca havia bebido uma cerveja, as gerações de hoje, pode se contar nos dedos o jovem que ainda não flertou com a maconha, a cocaína e o crack.
O pior cego é aquele que não quer ver. Assim como o pior órfão é aquele de pais vivos. Como é triste ver crianças filhas de amigos e pessoas próximas, que nunca receberão um abraço gostoso de pai, um beijo sincero de uma mãe! Como é triste ver que muitos de nossos amigos, preferem se fazer presença nas redes sociais a dedicar uma pequena parcela de seu tempo à lição de casa do filho. Ou pior e ainda mais nocivo: quantos pais passam o dia inteiro sem sequer dar um alô para os filhos! Consideram-se os melhores pais do mundo porque são capazes de dar o que o filho pede no instante do pedido, viajam com os filhos nas férias ou fazem a festinha dos sonhos do filho no aniversário. Estes pais acabam tendo o mesmo final feliz da Kate só que no papel. No cinema. Na vida real precisam conviver com a responsabilidade de serem pais do filho que formaram ou que por conta da vida de malabarista que levam, deixaram de formar.

Belo Horizonte, 31 de Março de 2014.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Não Fuja do Combate


Por Deiber Nunes Martins

Talvez a batalha mais sangrenta dos nossos dias seja contra a ditadura do relativismo, onde se faz o que quiser a qualquer hora, sem limite algum.
A nossa sociedade, meio que às cegas, caminha a passos largos pra esse relativismo. Vou deixando de cultivar a minha fé, afinal Deus não vai se desdizer do amor que tem por mim, não é mesmo? Pra quê ir à Missa se Deus está em mim? Fico por aqui mesmo, em casa, faço as minhas orações, não desejo o mal pra ninguém, fico na minha.
É assim que o mundo nos seduz. O inimigo, travestido de boas intenções, semeia seu joio de mentiras e nós, fracos em nossa espiritualidade, vamos caindo nesses embustes e ciladas. Acreditando que meu dia será péssimo se não seguir meu horóscopo. Acreditando que preciso estar somente onde me sinto bem, que não devo enfrentar o sofrimento, mas empurrá-lo ao primeiro que aparecer na reta. Acreditando hoje que a Santa Missa não é essencial para mim, amanhã, acreditando que família não precisa ser pai, mãe e filhos. Semana que vem, acreditando que direitos humanos é defender o direito da mulher escolher se quer ou não ter seu filho e assim lhe permitir o aborto. Mentiras que vão brotando em nossos corações, criando raízes e nos afastando da Verdade.
Mas o que é a Verdade?
Pilatos fez esta pergunta a Jesus, que ficou em silêncio. Ficou em silêncio porque nada que dissesse faria Pilatos enxergar a Verdade ali diante dele. Assim também é em nosso cotidiano. Não adianta verbalizar a Verdade, se o colega de trabalho nunca a viu. Não adianta mostrar a Verdade, se o amigo do bar não a conhece.
É preciso antes de tudo, render-se à Verdade, combatendo a mentira que há em nós. É preciso pelo testemunho, destruir em nós as mentiras semeadas pela TV, pelas novelas, pelas falsas doutrinas, pelo inimigo, que sorrateiro, às vezes usa de nossa boa vontade para seduzir. É preciso ir pro combate, meus irmãos!
Só assim, venceremos o relativismo que toma conta do mundo, tornando-o morno. E nós sabemos, que é o que é morno será consumido pelo fogo do inferno. Portanto, lutemos.


Belo Horizonte, 14 de fevereiro de 2014.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

É tempo de ser vaso novo




TODO TEU
(Eros Biondini)
Quero colocar
Em tuas mãos a minha vida
Me deixar remodelar
Como um vaso no oleiro.

O meu coração ponho hoje em teu altar
Minha vida está pronta pra recomeçar
Ao lado teu

Ser todo teu, inteiro teu
Quero ajudar cada passo do meu ser
Ser todo teu, inteiro teu
Quero te dar os meus pedaços para que
Um vaso novo eu possa ser.

Por Deiber Nunes Martins

Estamos nos aproximando do Tempo do Advento. Tempo de espera pelo nascimento do Menino Jesus. Tempo de olhar pra nós mesmos, rever nossas atitudes e tudo o que vivemos durante o ano que aproxima-se do fim.
Tempo de conversão.
Vejo o Advento, assim como a Quaresma. Tempo de voltarmos para Deus. Refazer a nossa história. Tempo de recomeçar. E esta música do Eros me veio à mente nesse intuito. Como diz o Pe. André Luna, somos “terra do mesmo chão”. Somos barro que o Senhor transformou em vaso.
Com o pecado, o tempo que passa e as agruras da vida, este vaso vai se desgastando. Trincando, partindo. E assim vai perdendo a sua função de levar água viva aos confins deste mundo sedento. Chegamos a nosso destino muitas vezes quase que vazios, tendo perdido da água que carregávamos pelo caminho. É hora de se deixar remodelar.
Jesus é o nosso oleiro. A Cruz lhe deu a expertise necessária para o ofício de remodelar vidas, retirando delas as trincas do pecado.
Damos o nosso sim. Mas para isso, é necessário a tortuosa caminhada de conversão, de arrependimento. Digo tortuosa porque se o pecado fosse ruim ninguém pecava. E por isso, muitas vezes é difícil sair da vida velha, largar o homem velho. É como numa despedida onde a vida velha insiste em querer nossa presença.
“Fica mais um pouquinho, fica para o café.”
E talvez vamos ficando. Mesmo sabendo que o nosso vaso está quebrado e vazio. O homem velho não se importa se a água que lhe vem é pouca. Não se importa com nossas rachaduras. Importa nosso barro seco. Mas é preciso um repensar de atitudes. É preciso sair de si e ir em busca de uma vida nova, do homem novo. É preciso se deixar remodelar nas mãos do oleiro Jesus.
Mas este é um processo que dói. Como dói. Porque o oleiro precisa nos quebrar em pedacinhos. Quebrar nossa autossuficiência, nossa prepotência, nossa vaidade e nosso orgulho. Até que voltemos ao pó, com o nosso arrependimento sincero.
O oleiro trabalha o pó transformando-o em barro. Remodela-o a seu modo e leva—o forno para ganhar consistência. Pronto! Um vaso novo surge. Pronto para sua finalidade.
O processo de conversão por mais doloroso que seja é necessário. E não há outro caminho. Se queremos permanecer em Deus, precisamos de conversão dia após dia.
Senhor, dá-me a graça da conversão. Que eu perceba a minha história e queira reconstruí-la contigo, sempre. Quebra em mim o velho homem, cheio de trincas, danificado. E faça de mim um vaso novo, homem novo. Amém.

Belo Horizonte, 13 de Novembro de 2013.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Santo Antônio Maria Claret


Por Deiber Nunes Martins


Bom dia, amado e amada de Deus! Que a Paz de Jesus, o Amor de Maria e a Fé de Santo Antônio Maria Claret, estejam com todos vocês!
Hoje, 24 de outubro, é dia de Santo Antônio Maria Claret. Santo de minha devoção e a quem preciso imitar dia a dia, na minha caminhada. Assim como Santo Antônio de Pádua, Santo Antônio Claret foi um homem de fé, um evangelizador a serviço da Igreja, que trouxe muitos filhos para o redil do Senhor. E por isso, Claret foi duramente atacado pelo inimigo, com toda espécie de violência física e moral.
Mesmo diante de tamanha insídia, Santo Antônio Claret permaneceu firme, fundou a ordem dos Claretianos, conquistou pela pregação da Palavra de Deus milhares de almas. E o comportamento dele sempre foi de humildade e simplicidade. Pois são as coisas simples que mais nos aproximam de Deus. Pe. Claret sempre buscou na simplicidade da oração a força necessária para sua caminhada espiritual. Ele nos ensina que por ela, podemos chegar a santidade, tornando-nos íntimos com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Amigo de Jesus e Maria, Santo Antônio Maria Claret foi um ardoroso defensor da Mãe de Deus, onde quer que estivesse.
Apóstolo da Reconciliação, Santo Antônio Claret converteu milhares de pessoas, que viviam num caminho perdido. Certa vez, ao ser ameaçado por três ladrões que tencionavam tirar-lhe a vida, o santo pediu-lhes que esperasse ele ir a um lugarejo vizinho pregar às pessoas na festa do padroeiro. Desconfiados, mas curiosos, os malfeitores deixaram o santo ir. E para surpresa deles, tão logo terminado o sermão, Santo Claret ali estava, à disposição de seus algozes. Algozes que tocados na alma, se arrependeram de seus crimes, se confessaram com Pe. Claret e se converteram ao Senhor.
De todos os feitos de Santo Antônio Maria Claret, o que mais me impressiona é a maneira pela qual ele converte seu coração a Deus, transformando-o em luzeiro para a humanidade: a oração e intimidade com o Senhor. Não só falando com o Senhor, mas escutando-o, acolhendo as mensagens de Jesus, suas instruções e recados. Antônio orava tanto quanto respirava, este é o segredo. Nada fazia sem dialogar demoradamente com Deus. Consultava Jesus para tudo. Após terminar de escrever suas publicações, pedia o santo a Jesus que as revisasse. E só as publicava quando o ouvia:
“Escreveste bem, Antônio.”
Era Maria, mediadora, que sempre lhe trazia a resposta de seu Filho Jesus.
Santo Antônio Maria Claret, rogai por nós!

Belo Horizonte, 24 de outubro de 2013, dia dedicado a Santo Antônio Maria Claret.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A Letra Fria da Lei


Por Deiber Nunes Martins

O velho drama da adoção volta à tona com a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais em devolver a guarda de uma menina de 4 anos a seus pais biológicos. A criança, que foi encaminhada a um abrigo de menores com dois meses de vida, vítima de maus tratos dos pais, foi adotada na mesma época por uma família da região metropolitana de BH e agora deve voltar para os pais biológicos, após solicitação dos mesmos. À época, o conselho tutelar também retirou deles outros cinco filhos que já voltaram para a casa. A alegação do pai biológico da menina é que hoje, melhor de vida e livre do vício do alcoolismo, seria capaz de cuidar da mesma, junto de sua esposa, que também fez tratamento contra a depressão. A lei neste caso, prevê a guarda do filho a seus pais biológicos, mas será que este é o melhor caminho numa situação como essa?
Após audiência de instrução, a mãe adotiva da criança, num desabafo, disse ser “uma fria” adotar uma criança e desaconselhou todos os casais que se interessam pela adoção. E de fato, a medida legal desestimula a prática da adoção no Brasil. Imagine o drama de uma criança e seus pais adotivos, após algum tempo, tendo que se separarem para que esta volte ao convívio de seus pais originais? Pai e mãe são aqueles que criam, já nos diz o senso comum. De forma que a identificação da criança com os pais acontece pelo convívio e não pelos laços sanguíneos. Assim sendo, qual não é o trauma da criança ao ser retirada do lar dos pais que ela conheceu e aprendeu a amar, a colocar sua segurança e sua confiança? Sem dúvida alguma, uma situação muito delicada, mas que aos olhos da lei, simplifica-se na letra fria da legislação. O juiz precisa seguir o que está escrito e nada mais.
É aí que mora o calcanhar-de-aquiles da justiça. O positivismo jurídico quebra toda coerência ou bom senso da lei e faz com que a sociedade tome certos “sustos” com as decisões judiciais. A qualquer cidadão de bem, a decisão sensata na questão não seria outra se não a manutenção da guarda da menina com os pais adotivos. Ora, os primeiros pais tiveram a oportunidade de construir um lar e falharam, permitindo que a própria lei retirasse deles a guarda de seis filhos! Não é possível que isso seja negligenciado. Mas é. Quando julga, o juiz, por alguma força pessoal, conduta ou preceito, ele deixa de lado seu papel de cidadão, de pai de família, sua crença e tudo o mais e se insere no contexto frio da lei. É um mundo de códigos, artigos, incisos e parágrafos que definem a vida e a morte, o bem e o mal. Quando sai de seu mundo real, o juiz não pode ser condenado por tal. A propósito, em nossa sociedade civilizada, decisão judicial não se discute, se cumpre. Por isso, não é caso de indignação, mérito ou demérito pessoal e sim a execução sumária da lei em todas as suas letras.
Mas também é uma vida, uma história, uma família. Talvez, seja possível perceber o despreparo dos pais biológicos em criar esta menina, pelo fato de os próprios permitirem que ela viva esta situação. O egoísmo de ambos, talvez possa corromper todo o emocional desta criança que já identifica nos pais adotivos a sua família. A faixa etária de 0 a 5 anos é decisiva para o ser humano, no que tange ao seu emocional. Isso deve ser do conhecido de todo pai e de toda mãe, biológico ou adotivo, afinal são os primeiros cinco anos de uma criança que definirão toda a sua história de vida. Por isso, a própria pendência judicial já se faz um absurdo na vida e na história desta menina.
A decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais representa um golpe na intenção de quem pensa em adotar uma criança. Assim como o tráfico de órgãos desmotiva os pretensos doadores, a devolução de uma criança adotiva a seu lar original desmotiva quem por ventura esteja pensando em dar um lar às crianças abandonadas. E quem perde com isso somos todos nós. Nem sempre a interpretação fria da lei garante a sociedade, o seu melhor.

Belo Horizonte, 18 de outubro de 2013.


sábado, 31 de agosto de 2013

Aquele Teu Olhar



Aquele Teu Olhar

Deiber Nunes Martins

Tentarei o melhor sem dizer porquê
Serei seu desejo e você, minha necessidade
Mudarei a vida só pelo teu olhar
Eu sempre tentarei amar você.

Irei ao monte mais alto
Colher as flores do teu altar
Mas eu nunca tentarei esquecer
Como é bom te amar!

Que eu nunca parta, sem tua lágrima secar
Que nunca saibamos a dor do desencontro
Pois a luz da minha vida
Acendeu-se ao teu olhar.

Belo Horizonte, 31 de Agosto de 2013.


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Quando a TV Faz a Cabeça do Povo

Por Deiber Nunes Martins

José chega em casa, irritado, reclamando do aumento das passagens, do salário baixo, do trânsito, da política, do país, de tudo. Maria, sua esposa, escuta com resignação. Também para ela, a situação brasileira chegara ao ponto insustentável. O governo mostrava-se insensível e cruel, diante dos anseios do povo. Maria em seu íntimo, nutria otimismo, pensava num país melhor. Mas temia morrer sem ver este país pronto.
As manifestações irritavam José porque pra ele era só mais um modismo vindo das redes sociais. Algo vazio, superficial. E oportunista. José queria que algo mais sério fosse feito, pra abalar as estruturas do poder. Tirar os governantes do conforto que viviam.
José liga a TV. Quer ver o jogo. Sua alegria esportiva, seu ópio. A seleção canarinho vai jogar. Brasil e México. Sai mudando os canais e descobre que só uma emissora detém os direitos de transmissão. Justamente aquela emissora do narrador mala.
“Agora vou ter que aturar esse mala narrando o jogo! Que saco!”
Jogo começa. Brasil joga mal. Mas Neymar faz um golaço. José reclama. José vibra. José reclama de novo. E vibra de novo ao gol de Jô. Brasil em estado de graça. É a apoteose.
O narrador mala faz um discurso patriótico histriônico. José se alegra, orgulhoso do futebol do Brasil e arremata:
“Que venha a Espanha! Vamos arrebentar com eles!”
Um comentarista, não menos mala,  enche mais um pouco de lingüiça e depois manda direto pra São Paulo, onde a imagem se fecha no prefeito e no governador de São Paulo, juntos. Inimigos políticos unidos. Parecia feito sob encomenda. Um repórter interrompe as palavras do narrador mala e antecipa o dizer dos dois políticos: São Paulo reduziria o preço das passagens. A felicidade se completa. José, espera a confirmação do prefeito e o endosso do governador. Então, olha pra Maria e diz todo satisfeito:
“O Brasil é ou não é o melhor lugar do mundo?! Eu amo este país!”


Belo Horizonte, 20 de Junho de 2013.





sexta-feira, 31 de maio de 2013

Nossa Senhora da Penha



Nossa Senhora da Penha
(Por Deiber Nunes Martins)

“Maria, mulher da escuta, abri nossos ouvidos; fazei com que saibamos ouvir a Palavra do vosso Filho Jesus entre as tantas palavras deste mundo; fazei que saibamos perceber a realidade em que vivemos; ouvir as pessoas que encontramos, especialmente aquela pobre, necessitada, em dificuldade. Maria, mulher da decisão, iluminai as nossas mentes e os nossos corações, para que saibamos obedecer a Palavra do vosso Filho Jesus, sem hesitação; dai-nos a coragem de decidir, de não nos deixar arrastar pelos que tentam orientar a nossa vida. Maria, mulher da ação, fazei que as nossas mãos e os nossos pés se movam “depressa” em direção aos outros, para que possamos levar-lhes a caridade e o amor do vosso Filho Jesus; para levarmos, como vós, ao mundo a luz do Evangelho. Amém"
(Papa Francisco)

Ao norte da Espanha situa-se uma serra muito íngreme, chamada Penha da França. Nesta serra, os espanhóis, em batalhas ferrenhas derrotaram os mouros. Também nesta serra, nasce a devoção a Nossa Senhora da Penha. Devoção esta que começou quando no ano de 1434, Simão Vela, um monge, viu em sonho uma imagem de Nossa Senhora que lhe aparecera no alto da serra. A Virgem, em sonho, coberta de luzes, acenava-lhe para que ele fosse a sua procura.
E o monge Simão Vela assim o fez. Por cinco longos anos procurou a localização exata do monte onde aparecera a Virgem, em seu sonho. Até que encontrou o local exato e começou sua difícil escalada. Quando aproxima-se do cume, avistou uma senhora com o filho nos braços. Esta senhora indicou a Simão o local onde ele encontraria o que procurava. Auxiliado por alguns pastores da região, o monge finalmente encontrou a imagem da Virgem, igual a imagem que lhe aparecera em sonho.
Alcançado o objetivo, Simão construiu uma rústica ermida para a Virgem da Penha no alto da serra. E em virtude dos inúmeros milagres alcançados por intercessão de Nossa Senhora da Penha, logo construíram ali um dos mais ricos e belos santuários dedicados à devoção mariana.
Por conta da batalha de Alcacer-Quibir, que vitimou o Rei Dom Sebastião, de Portugal, um escultor prometeu a Nossa Senhora construir-lhe sete imagens, caso conseguisse escapar das mãos dos mulçumanos e voltar são e salvo pra sua terra. Conseguindo a graça, o escultor pôs a construir as sete imagens, mas ao chegar a sétima, resolveu buscar opinião de um padre jesuíta sobre qual invocação lhe daria. O padre lhe aconselhou a fazer uma imagem para Nossa Senhora da Penha, em virtude dos inúmeros milagres alcançados por sua intercessão.
Terminada a obra, o escultor colocou a imagem de Nossa Senhora na ermida da vitória, num local próximo a Lisboa, onde logo construíram uma Igreja. Nesta época, a peste assolou a península ibérica e vendo como os espanhóis se livraram da doença com a intercessão da Virgem da Penha, o Senado português prometeu à Virgem a construção de um grandioso templo, caso ela os livrasse da peste. E a intercessão de Maria foi valiosa: a epidemia de peste acabou por completo. E o Senado português cumpriu com sua promessa, construindo um santuário que passou a receber peregrinos de todos os lugares.
Um desses peregrinos, cansado da viagem, subiu ao alto da serra para descansar. Tomado pelo sono, não viu uma grande serpente que apareceu para picá-lo. Nesta hora, um enorme lagarto saltou sobre ele, despertando-lhe a tempo que pudesse matar a cobra com o bastão que carregava. Por isso, na imagem de Nossa Senhora da Penha, aos pés do peregrino, aparecem a cobra e o lagarto.

Oração:
Nossa Senhora da Penha, é forte a devoção dos brasileiros a vós. Abençoai os vossos devotos, cuida do povo brasileiro, dando-lhe condições humanas de saúde e educação. Volvei vossos olhares para o Brasil, este povo que tanto te ama e te venera. Nossa Senhora da Penha, rogai por nós!


Belo Horizonte, 31 de Maio de 2013. 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Nossa Senhora da Ripalta


Nossa Senhora da Ripalta
(Por Deiber Nunes Martins)

“Viva a mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida!
Viva a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida.

Aqui estão vossos devotos, cheios de fé incendida,
De conforto e de esperança, ó Senhora Aparecida.

Virgem Santa, Virgem bela, mãe amável, mãe querida,
Amparai-nos, protegei-nos, ó Senhora Aparecida.

Ó velai por nossos lares, pela infância desvalida.
Pelo povo brasileiro, ó Senhora Aparecida.

Viva a mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida!
Viva a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida.”

(Música, “Viva a Mãe de Deus e Nossa, Conde José V. Azevedo.
CD Uma Canção para a Padroeira, Paulinas Comep)


Ripalta é um nome que significa “Beira Alta”. A história da devoção à Virgem da Ripalta, nasceu na Itália, na região de Cerignola e tem duas versões. A primeira versão diz que por volta do ano de 1172, um bando de malfeitores achou à beira do rio Ofanto uma grossa tábua de madeira, deixada possivelmente por um lenhador. Levaram então para casa, para lhes servir de tábua de carne. Um dia, enquanto o chefe do bando preparava o toucinho, errou o corte e acertou com a faca a tábua. Com o golpe, a faca ficou cravada na madeira e desta começou a jorrar sangue vivo. Apavorado, o chefe do bando chamou seus comparsas que viram junto ao sangue e a gordura, a imagem da Virgem Maria e do Menino Jesus, ambos com o ferimento no rosto.
A segunda versão, conta que na mesma época, lenhadores partiam esta sagrada tábua para jogá-la ao fogo, a fim de se aquecerem. Logo no primeiro golpe, da tábua jorrou sangue fresco e apareceu a imagem de Maria e do Menino Jesus, ambos com o corte no rosto.
No lugar onde os lenhadores partiam a madeira para o fogo, construíram uma belíssima capela a Nossa Senhora da Ripalta, que hoje tornou-se um Santuário Diocesano. Logo, a notícia do ícone milagroso difundiu-se atraindo milhares de pessoas em peregrinação à região de Cerignola.
Também nessa época a região de Canosa disputavam a posse do lugar onde estava construída a capela de Nossa Senhora da Ripalta. Como ficava numa região de divisa entre as cidades, a disputa ficou bem acirrada. E o pároco da capela da Ripalta, resolveu intervir, pedindo ao povo que consultasse em oração a Virgem da Ripalta. Ela é quem deveria decidir a qual cidade sua capela deveria pertencer. Assim, colocaram o ícone de Nossa Senhora da Ripalta numa carroça puxada por bois e deixaram os animais livres para seguir pra onde quisessem. Os animais seguiram sem hesitação rumo a Cerignola e assim entenderam a vontade da Virgem.

Oração:
Nossa Senhora da Ripalta, olhai por teus filhos, em especial para os que sofrem perseguição e para os que são vítimas de toda espécie de violência. Protegei vossos filhos, ó Mãe, de toda maldade. Dá-nos cultura e sabedoria, para que assim, pelo saber e pelo entendimento, possamos combater toda espécie de violência. Fazei, ó Maria, que sejamos sempre amantes da vida e sempre a defendamos, em detrimento da cultura de morte, que o inimigo tenta difundir na humanidade. Amém.


Belo Horizonte, 30 de Maio de 2013.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Nossa Senhora da Expectação do Parto


Nossa Senhora da Expectação do Parto
(Por Deiber Nunes Martins)

“Seja como for, ali estávamos os dois, noivos ainda e iminentes esposos. Eu grávida do Espírito Santo e esperando o Messias, ele sem saber o que fazer nem que papel deveria assumir comigo e com meu filho. (...)
‘Perdoa-me’, disse, ‘nunca deveria ter duvidado de ti. Se te ofendi, embora sem querer, tenho como desculpa o fato de que teu pai não quis dar explicação alguma quando me contou tudo. Eu devia acreditar no impossível. Tu mereces que se aceite que os burros voem antes de se duvidar de tua honra (...)’
Dito isto, (José) estendeu o braço sobre a mesa e me segurou a mão. Esperava um gesto meu, suplicava isso não só com a mão, pois seus olhos estavam úmidos e seu olhar era de alguém trespassado pela dor e pela vergonha, que espera uma carícia como sinal de que foi perdoado. Não me fiz de rogada. Apertei sua mão com a minha – era a primeira vez que nos tocávamos – e fui mais longe: trouxe sua mão a meus lábios e a beijei com ternura.
‘José’, disse-lhe corajosamente, com palavras que até pouco tempo me julgava incapaz de pronunciar, ‘te quero muito. Serei tua mulher por vontade própria. (...) Sem dúvida, entre nós algumas coisas serão diferentes do que ocorre em outros casamentos. Não teremos mais filhos nem as relações normais entre marido e mulher. Quero que saibas agora, enquanto ainda está em tempo de dissolver tudo. Esta é uma decisão que eu tinha tomado antes e não sabia como te explicar, nem se seria justo exigir-te isso. Sempre sonhei ser inteira de Deus.(...) Em definitivo, o que conta é que tu e eu precisamos entender bem que temos uma grande missão a cumprir. Eu serei a mãe do Messias e tu serás o Pai. (...)’
José se comportou como um homem de Deus que era. Enquanto falava, estava muito sereno e notei que lhe custava assumir o fato de que nossas relações não seriam normais como marido e esposa. Porém notei também que aceitava tudo porque sabia que era Deus que pedia. Mal terminei de falar levantou-se, deu a volta à mesa e me pediu permissão para beijar-me na fronte. Dei-lhe permissão, me abraçou e disse-me ao ouvido: ‘Amada minha, disseste-me o mais importante que eu precisava ouvir, sem o que minha alma estaria penando a vida toda, ainda que viesse a passar por tudo pelo amor a Deus e a ti. Disseste-me o que me querias, que vais ser minha mulher e que estás enamorada de mim. Tudo o mais é supérfluo. O amor, compreendi nesses dias, não é só um contato físico. Respeitarei tua virgindade e te oferecerei a minha, para que sejam úteis ao Senhor. (...)”
(Trecho do Livro “O Evangelho Secreto de Virgem Maria, de Santiago Martín, Ed. Paulus)

A origem de Nossa Senhora da Expectação é espanhola. Popularmente conhecida como Nossa Senhora do Ó, devido ao fato de que nas antífonas maiores da Liturgia das Horas, sempre começarem com o “Oh”, a Virgem ficou conhecida como a “Nossa Senhora do Ó”. É a imagem de Maria grávida. Imagem esta que causou muita polêmica no século XIX, quando o estímulo ao dogma da Imaculada Conceição, contrastava com a imagem da Virgem em estado de gravidez.
A expectação do parto é o momento sublime não só de quem espera ansiosamente o nascimento do filho, mas também o desejo que a vontade de Deus se cumpra e que assim, ela se torne corredentora da humanidade.
A festa de Nossa Senhora do Ó, foi instituída no Concílio de Toledo, no século VI, ao dia 18 de dezembro. No Brasil, a devoção à Virgem do Ó, ganha destaque em Olinda, São Paulo, Itamaracá e na cidade histórica de Sabará, em Minas Gerais, onde a Igreja do Ó, uma das mais belas Igrejas do mundo, por conta de sua simplicidade, atrai milhares de turistas.

Oração: Ò Virgem do Ó, Maria Expectante, que a espera por teu filho crie também em nós, o desejo de sermos melhores. Que possamos gestar Cristo em nossas atitudes, em nossas decisões e em nossos afazeres. Onde quer que estejamos, Nossa Senhora da Expectação, permita-nos levar Jesus, com o nosso exemplo e as nossas intenções. Amém.


Belo Horizonte, 29 de Maio de 2013.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Nossa Senhora do Silêncio


Nossa Senhora do Silêncio
(Por Deiber Nunes Martins)

“Mãe da Confiança
(Léo Rabello e Pe. Tarcísio Jr.)

Mãe do silêncio, mãe da confiança
Ó mãe de ternura
Mãe, ensina a amar
Ó mãe, ensina a confiar.

Mãe da piedade, mãe do bom conselho,
Ó mãe de Deus
Mãe, ensina a amar
Ó mãe, ensina a confiar.

Ó mãe dos pobres, mãe da obediência
Ó mãe, de misericórdia
Mãe, ensina a amar
Ó mãe, ensina a confiar.

Mãe do silêncio, mãe da confiança
Ó mãe de ternura
Mãe, rogai por nós
Ó mãe, rogai por nós.”

Por volta de 1879, a Irlanda vivia uma situação de penúria extrema. Fome e doenças tomavam conta do povo irlandês, aliadas a ferrenha rivalidade com os ingleses. É neste contexto que aparece, pela primeira vez, na Colina Knock, a Virgem do Silêncio. Em tamanho natural, rodeada de anjos e acompanhada por São José, a Virgem apareceu a algumas pessoas. É a segunda vez que a Virgem aparece a um grupo de pessoas. A primeira aparição para um grupo havia acontecido anos antes na França.
Assim como nas outras aparições, Maria não desampara seus devotos. E inúmeros milagres começam a acontecer. A capela Knock, construída em 1829, num curto espaço de tempo onde o povo irlandês teve a oportunidade de praticar livremente sua fé, foi o palco desses milagres. O primeiro dele, uma mulher de 28 anos, surda desde os seis anos, volta a ouvir. Depois dois homens cegos desde a infância, voltam a enxergar. Uma mulher, com dificuldades de locomoção, tão logo adentra a capela volta a andar.
Silenciosamente, a Virgem do Silêncio opera maravilhas na vida de seus devotos. Ainda hoje a devoção a ela é impressionante. Como nos diz o Evangelho de São Lucas, Maria a tudo guardava no coração. Silenciosamente. É no silêncio que a voz de Deus ecoa em nossa vida. Por isso, o mundo agita-se e cada vez mais ocupa o nosso tempo com barulho. Passamos boa parte do tempo agitados no barulho das grandes metrópoles, quase o dia inteiro com fones nos ouvidos. Quase não damos tempo ao silêncio do corpo, da alma. Nossa Senhora do Silêncio nos ensina a ocuparmos boa parte do nosso tempo com o silêncio orante. A riqueza litúrgica da Santa Missa é outra maravilhosa oportunidade que Maria nos mostra, para conversarmos com Deus. Infelizmente, muitas vezes nem no Sacrifício da Missa, somos agraciados pelo silêncio. Conversas paralelas, a indelicadeza de um celular ligado, ou um ministério de música sem o devido conhecimento litúrgico ameaçam a riqueza do momento de contemplação, de ação de graças. O silêncio.

Oração:
Nossa Senhora do Silêncio, venha em nosso socorro. Acolhei a seus filhos, permitindo a todos que tenham um encontro pessoal com Cristo. Encontro esse que muitas vezes acontece no silêncio da nossa alma. Maria, ensina-nos a calar a alma, calando o corpo. E que assim, possamos colher de Deus seus ensinamentos, suas advertências, enfim, tudo aquilo que Ele quer nos dizer. Amém.


Belo Horizonte, 28 de maio de 2013.