quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
2014. Por mim.
Por Deiber Nunes Martins
As pessoas estão postando em rede social que este foi um grande ano. E não há como negar que tenha sido um ano de intensas emoções. Esporte, política, emoções de sobra. Também tiveram as catástrofes econômicas, sociais... O mundo esteve em ebulição neste 2014. Não bastasse as crises climáticas e as epidemias, os homens resolveram acender velhos barris de pólvora encalhados nos porões de guerra. O certo é que 2014 foi atribulado. Mas pessoalmente, o balanço é positivo.
Positivo porque chego ao seu final motivado para 2015. Ciente que posso ser melhor, que aprendi muito e que mesmo nos momentos de fracasso, restaram forças para seguir em frente. Não foi um ano fácil. Mas o crescimento pessoal não se alcança em facilidades. Que sentido há em tudo o que se tem, ter sido obtido facilmente, sem esforço, sem trabalho? Fico observando pessoas providas de todo bem material, mas desprovidas de gana, de força de vontade. Quebram-se facilmente aos menores esforços. É pelo fogo que se prova o que é precioso. Então, de positivo levo esta certeza. Se cheguei até aqui, foi porque venci os maiores desafios do ano. Não consegui nada do que planejei a um ano atrás. Mas Deus me deu tudo o que precisava para estar aqui agora.
Aprendi com os revezes de 2014. E como foram bons! Incrível poder dizer quão bom foi um fracasso ou infortúnio. Tenho a certeza de que não entrei no "mal combate", mesmo que no bom eu tenha sido por vezes, negligente ou descuidado. Vejo a certeza de que a guerra não fica em 2014. Ela me acompanha em 2015. O inimigo não desiste facilmente. Talvez seja esta sua única qualidade: valorizar nossa vitória. Que ele, o inimigo, tenha uma certeza: não baixarei a guarda.
Meu pedido a Deus pra essa passagem de ano é paz. Paz para todos nós. Que 2014 fique na lembrança como um ano da virada. Virada de tudo o que nos fez mal e ponto de partida pra vitória que tanto almejamos.
Peço a Deus para o ano que se inicia apenas uma coisa: força de vontade. Persistência nos objetivos que tenho. Objetivos que são Dele também. E das pessoas que amo. Para o pleno alcance, força de vontade é fundamental. E não depende de ninguém além de mim. Mas posso e ouso pedir a Ti, meu Deus: dá-me força de vontade pra lutar as lutas que preciso lutar. Se deixei a desejar nesse 2014 no que tange a força de vontade, que isso não se repita em 2015.
Belo Horizonte, 31 de dezembro de 2015.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Regular a indústria cinematográfica no Brasil é antidemocrático?
Deiber Nunes Martins
O lançamento nos cinemas do
aguardado “Jogos Vorazes: A Esperança – Parte Um” fez a Agência Nacional de
Cinema – Ancine, abrir um importante debate sobre a concentração dos filmes de
grande apelo popular, os chamados “Blockbusters” nas salas, prática cada vez
mais comum, realizada pelas grandes distribuidoras de filmes. No Brasil, o
filme em questão ocupará cerca de 46% das salas de cinema.
Definida como prática predatória pela
Ancine, a concentração de um lançamento do cinema num determinado contingente
de salas de exibição impede a divulgação e comercialização de outros títulos,
limitando o ingresso das pequenas produções, além de esvaziar o interesse do
público pelo que está sendo exibido.
Por outro lado, limitar a
quantidade de salas de exibição que um filme pode ocupar é restringir a
estratégia de distribuição da indústria do cinema, interferindo diretamente na
livre regulação da indústria cultural. Cercear a disseminação de uma produção
artística é um duro golpe a democracia do país.
Na França, há uma limitação de
salas de exibição para os grandes lançamentos do cinema da ordem de 30%. Se
esta mesma legislação vigorasse no Brasil, o filme Jogos Vorazes não seria exibido
em 455 das 1310 salas onde está sendo lançado. Se por um lado esta redução do
número de salas de exibição, possibilitaria a disseminação de outros títulos
com distribuição e estreias mais modestas, por outro, representaria uma censura
velada ao filme em 455 salas do país.
Antidemocrática ou não, a
limitação das salas de cinema aos títulos blockbusters representaria um avanço
da indústria do cinema local, que em geral conta com parcos investimentos em
suas produções e a grande maioria deles vêm de empresas públicas e grupos
locais. É um fomento à atividade cultural no Brasil. Se por um lado, limita a
penetração de um título de grande apelo popular, por outro, abre espaço a novas
possibilidades da indústria cinematográfica.
A concentração das salas de
exibição de cinema do país em um único título é nociva a diversidade de
produções, muitas delas marginalizadas por serem lançadas em conjunto com
filmes já consagrados, seja pela produção envolvida, seja pelo trabalho
mercadológico feito pelas grandes distribuidoras. Em nada parece ter aqui uma
limitação do alcance da democracia. É preciso observar que ampliar a oferta de
títulos nas salas de cinema é abrir espaço para diferentes percepções e
preferências e, portanto caminhar rumo a democratização deste espaço cultural. Ao
contrário, se um filme, ocupa a metade das salas de cinema do país, o que se vê
é a perda do interesse do público por uma diversão cada vez mais padronizada e “enlatada”.
Não se avalia aqui a qualidade das produções, mas sim a diversidade do gosto
nacional.
Portanto, a discussão aberta pela
Ancine é de profunda importância para a indústria do cinema. Até que ponto uma
produção, detentora de todo arcabouço de distribuição nacional e internacional
pode penetrar de forma predatória nas salas de cinema por todo o país? Nada contra
o filme Jogos Vorazes ou produção milionária que o cerca. Mas é preciso
compreender que o cinema é uma atividade cujo esforço intelectual deve ser
preservado, em detrimento do poder econômico que o cerca.
Desta forma, toda prática
predatória contra a sétima arte deve ser barrada, independentemente do quão
arbitrário isso possa parecer. A intervenção do governo, por meio da Ancine ou
de qualquer outra instituição na indústria cinematográfica deve ter como
objetivo ampliar os horizontes culturais do povo brasileiro, permitindo que
produções mais simples, sem o aporte das grandes distribuidoras também
encontrem espaço junto ao público.
Belo Horizonte, 19 de Novembro de
2014
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Impressionante Como
Deiber Nunes Martins
Impressionante como passa sem mexer com os sentidos
Dessa gente sem tamanho abatida
Degustada em porções diminutas
Por um sistema que ninguém vê,
A vida que ninguém sente.
Teus olhos marejam saudades do ontem
O dia que não viveu.
Fica ao entorno um cheiro novo
Do dia que não se apercebe.
Importa mais fazer o feijão
Do que o tempo que não temos.
Impressionante como a gente se esconde
Dos muros que nos juntam
Às lembranças que não temos
Das horas que não vivemos
Do constrangido momento do encontro.
O relativo vazio de nós mesmos
É o exato cheio dos outros.
Completa o que não tem
Falta o que sobra
Impressionante como...
Vazio e cheio se amam!
Belo Horizonte, 14 de novembro de 2014.
terça-feira, 24 de junho de 2014
Nem Tudo Está Perdido
Nem tudo está
perdido
(Deiber Nunes Martins)
Quando a noite lhe cobra a
conta do dia
Quando você se sente perdido,
caído
Sem querer acreditar em si
mesmo
Haverá de dizer uma voz, um gemido
Nem tudo está perdido.
Quando todas as guerras
perderes
E no chão seu corpo pender
Quando sentir o amargo sabor da
tristeza
Abra teu coração e os ouvidos,
Nem tudo está perdido.
Pois na verdade é o que há
Enquanto há um sopro de vida
Enquanto sua alma lhe grita
Levante-se, tenha ânimo, vem
comigo!
Nem tudo está perdido.
Enquanto houver você
Enquanto houver eu
Enquanto houver nós
Dê-me tua mão, venhas comigo!
Pois nem tudo está perdido.
Belo Horizonte, 24 de junho de
2014.
segunda-feira, 31 de março de 2014
Ela consegue. Mas será que é o bastante?
Por Deiber Nunes Martins
Outro dia assistindo ao Filme “Não sei como ela consegue”, estrelado
pela ótima Sarah Jéssica Parker, me atentei novamente para uma de minhas
maiores inquietações: os filhos órfãos de pais vivos. Com o mundo cada vez mais
imerso em devaneios que espremem nosso horizonte temporal (trânsito, trabalho
excessivo, TV, internet, excesso de informação, telefone celular e suas
desnecessárias funções...) a criação dos filhos cada vez mais se vê delegada a
profissionais e semiprofissionais da educação – avós, tios (irmãos dos pais ou
funcionários da escolinha), professores e outros. A terceirização educacional
cada vez mais precoce é hoje um dos principais martírios do mundo
contemporâneo. Uma perversa e imperceptível forma de alienação.
No filme, Sarah é Kate Reddy, uma
executiva de sucesso workaholic que divide sua vida entre o trabalho, o
casamento e a criação dos filhos. Sua vida “tripla” complica-se ainda mais
quando passa a trabalhar com Jack Abelhammer, vivido por Pierce Brosnan. No
filme, o ponto máximo é compreender que a vida de Kate é um malabarismo, onde o
importante não é o modo como se segura os malabares mas o modo como os deixa em
suspensão no ar. É a vida moderna, onde exercitamos o malabarismo com o
trabalho, os amigos, a família, o cônjuge e os filhos.
Ah os filhos! As crianças são as
que mais sofrem com nossas limitações de tempo. Na sociedade moderna, pai e mãe
dividem cabeça a cabeça um lugar ao sol no competitivo mercado de trabalho.
Teoricamente, o homem sai em vantagem pela experiência de ser o chefe numa
sociedade patriarcal, mas a mulher cada vez mais se iguala em posição, por sua
competência e pela inversão de valores do mundo moderno, onde cada vez mais as
famílias se tornam matriarcais.
Na disputa entre os gêneros, os
derrotados sempre são os filhos. Sem a referência de pai, cada vez mais
distante dentro e fora de casa, os filhos vão perdendo também a referência da
mãe. É cada vez mais antiquado para as meninas brincar de casinha, fazer
comidinha e cuidar das bonecas. Porque as filhas de hoje se espelham na mãe
assoberbada e dividida entre o trabalho, o computador, o telefone celular e a
novela. Se a infância deixa de lado as brincadeiras de dona de casa, a
adolescência as menospreza e a juventude a repudia. Chega a ser um acinte uma
jovem que saiba cozinhar! As mães iniciantes quando não contam com suas mães e
sogras, contam com as babás que hoje funcionam como consultorias especializadas
quando o assunto são os filhos. A mãe do século XXI é a mãe descosturada da
realidade doméstica e de uma maternidade profissional. Pais e mães de hoje são
bons na arte circense dos malabares, bons em economia, finanças, nas questões
jurídicas... mas são um fiasco quando o filho precisa de uma reprimenda, de uma
correição por conta de ter quebrado a vidraça do vizinho ou ter agredido a
professora. Desconhecem as noções básicas da educação infantil, as premissas
basilares do comportamento humano e da convivência social.
Descolados de qualquer referência
familiar, os filhos são formados pelas referências que de certa forma se
aproximam do ser família. Às vezes um irmão, outras vezes o pai de um amigo, o
vovô, a vovó, quando estes dão conta de todos os netos, a tia boazinha da escola
que sempre expressa com carinho o visto às atividades no caderninho... e por aí
vai. Em suma, uma educação empobrecida, descompromissada e sem norte. Pais que
esperam do filho saber boas maneiras ensinadas pela professora, pelos avós e
amigos, são pais que lamentarão o protagonismo de sua prole na delinquência
juvenil.
Viver fazendo malabarismo com os
filhos é tão nocivo quanto dormir e acordar dentro de um reator nuclear. A terceirização
educacional é um perigo ambulante, como foi Chernobyl e como é Fukushima.
Entretanto, as tendências modernistas de nossa sociedade, encobrem os riscos do
descolamento de pais e filhos. A cultura impregnada no inconsciente coletivo do
povão é que o fato é um mal necessário. Afinal, pai e mãe precisam trabalhar!
Se antes os pais eram acusados de
não entenderem, vide as belas canções da Legião Urbana, hoje nem réus eles
podem ser, por não estarem presentes. Os filhos estão sempre em suspensão e no
tempo em que se passam nas mãos dos pais malabaristas, sempre o dividem com o
telefone, a TV, o Facebook... Distrações mundanas que contribuem para que
filhos não tenham tempo de ser filhos e pais não tenham tempo de ser pais.
O resultado deste malabarismo de
pais e mães está cada vez mais presente e tangível em nossa sociedade: jovens
cada vez mais jovens envolvidos com alcoolismo, drogas, prostituição.
Envolvidos no mundo do crime, causando nos mais precipitados e conservadores
uma repulsa tamanha, a ponto de se exigir severas punições aos mesmos. Se a
minha geração podia se contar nos dedos o adolescente que nunca havia bebido
uma cerveja, as gerações de hoje, pode se contar nos dedos o jovem que ainda
não flertou com a maconha, a cocaína e o crack.
O pior cego é aquele que não quer
ver. Assim como o pior órfão é aquele de pais vivos. Como é triste ver crianças
filhas de amigos e pessoas próximas, que nunca receberão um abraço gostoso de
pai, um beijo sincero de uma mãe! Como é triste ver que muitos de nossos
amigos, preferem se fazer presença nas redes sociais a dedicar uma pequena
parcela de seu tempo à lição de casa do filho. Ou pior e ainda mais nocivo:
quantos pais passam o dia inteiro sem sequer dar um alô para os filhos! Consideram-se
os melhores pais do mundo porque são capazes de dar o que o filho pede no instante
do pedido, viajam com os filhos nas férias ou fazem a festinha dos sonhos do
filho no aniversário. Estes pais acabam tendo o mesmo final feliz da Kate só
que no papel. No cinema. Na vida real precisam conviver com a responsabilidade
de serem pais do filho que formaram ou que por conta da vida de malabarista que
levam, deixaram de formar.
Belo Horizonte, 31 de Março de
2014.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Não Fuja do Combate
Por Deiber Nunes Martins
Talvez a batalha mais sangrenta
dos nossos dias seja contra a ditadura do relativismo, onde se faz o que quiser
a qualquer hora, sem limite algum.
A nossa sociedade, meio que às
cegas, caminha a passos largos pra esse relativismo. Vou deixando de cultivar a
minha fé, afinal Deus não vai se desdizer do amor que tem por mim, não é mesmo?
Pra quê ir à Missa se Deus está em mim? Fico por aqui mesmo, em casa, faço as
minhas orações, não desejo o mal pra ninguém, fico na minha.
É assim que o mundo nos seduz. O
inimigo, travestido de boas intenções, semeia seu joio de mentiras e nós,
fracos em nossa espiritualidade, vamos caindo nesses embustes e ciladas.
Acreditando que meu dia será péssimo se não seguir meu horóscopo. Acreditando
que preciso estar somente onde me sinto bem, que não devo enfrentar o
sofrimento, mas empurrá-lo ao primeiro que aparecer na reta. Acreditando hoje
que a Santa Missa não é essencial para mim, amanhã, acreditando que família não
precisa ser pai, mãe e filhos. Semana que vem, acreditando que direitos humanos
é defender o direito da mulher escolher se quer ou não ter seu filho e assim
lhe permitir o aborto. Mentiras que vão brotando em nossos corações, criando
raízes e nos afastando da Verdade.
Mas o que é a Verdade?
Pilatos fez esta pergunta a
Jesus, que ficou em
silêncio. Ficou em silêncio porque nada que dissesse faria
Pilatos enxergar a Verdade ali diante dele. Assim também é em nosso cotidiano.
Não adianta verbalizar a Verdade, se o colega de trabalho nunca a viu. Não
adianta mostrar a Verdade, se o amigo do bar não a conhece.
É preciso antes de tudo,
render-se à Verdade, combatendo a mentira que há em nós. É preciso pelo
testemunho, destruir em nós as mentiras semeadas pela TV, pelas novelas, pelas
falsas doutrinas, pelo inimigo, que sorrateiro, às vezes usa de nossa boa
vontade para seduzir. É preciso ir pro combate, meus irmãos!
Só assim, venceremos o
relativismo que toma conta do mundo, tornando-o morno. E nós sabemos, que é o
que é morno será consumido pelo fogo do inferno. Portanto, lutemos.
Belo Horizonte, 14 de fevereiro
de 2014.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
É tempo de ser vaso novo
TODO TEU
(Eros Biondini)
Quero colocar
Em tuas
mãos a minha vida
Me deixar
remodelar
Como um
vaso no oleiro.
O meu
coração ponho hoje em teu altar
Minha vida
está pronta pra recomeçar
Ao lado
teu
Ser todo
teu, inteiro teu
Quero
ajudar cada passo do meu ser
Ser todo
teu, inteiro teu
Quero te
dar os meus pedaços para que
Um vaso
novo eu possa ser.
Por Deiber Nunes Martins
Estamos nos aproximando do Tempo do Advento. Tempo de espera
pelo nascimento do Menino Jesus. Tempo de olhar pra nós mesmos, rever nossas
atitudes e tudo o que vivemos durante o ano que aproxima-se do fim.
Tempo de conversão.
Vejo o Advento, assim como a Quaresma. Tempo de voltarmos
para Deus. Refazer a nossa história. Tempo de recomeçar. E esta música do Eros
me veio à mente nesse intuito. Como diz o Pe. André Luna, somos “terra do mesmo
chão”. Somos barro que o Senhor transformou em vaso.
Com o pecado, o tempo que passa e as agruras da vida, este
vaso vai se desgastando. Trincando, partindo. E assim vai perdendo a sua função
de levar água viva aos confins deste mundo sedento. Chegamos a nosso destino
muitas vezes quase que vazios, tendo perdido da água que carregávamos pelo
caminho. É hora de se deixar remodelar.
Jesus é o nosso oleiro. A Cruz lhe deu a expertise
necessária para o ofício de remodelar vidas, retirando delas as trincas do
pecado.
Damos o nosso sim. Mas para isso, é necessário a tortuosa
caminhada de conversão, de arrependimento. Digo tortuosa porque se o pecado fosse
ruim ninguém pecava. E por isso, muitas vezes é difícil sair da vida velha,
largar o homem velho. É como numa despedida onde a vida velha insiste em querer
nossa presença.
“Fica mais um
pouquinho, fica para o café.”
E talvez vamos ficando. Mesmo sabendo que o nosso vaso está
quebrado e vazio. O homem velho não se importa se a água que lhe vem é pouca.
Não se importa com nossas rachaduras. Importa nosso barro seco. Mas é preciso um
repensar de atitudes. É preciso sair de si e ir em busca de uma vida nova, do
homem novo. É preciso se deixar remodelar nas mãos do oleiro Jesus.
Mas este é um processo que dói. Como dói. Porque o oleiro
precisa nos quebrar em pedacinhos. Quebrar nossa autossuficiência, nossa
prepotência, nossa vaidade e nosso orgulho. Até que voltemos ao pó, com o nosso
arrependimento sincero.
O oleiro trabalha o pó transformando-o em barro. Remodela-o
a seu modo e leva—o forno para ganhar consistência. Pronto! Um vaso novo surge.
Pronto para sua finalidade.
O processo de conversão por mais doloroso que seja é
necessário. E não há outro caminho. Se queremos permanecer em Deus, precisamos
de conversão dia após dia.
Senhor, dá-me a graça da conversão. Que eu perceba a minha
história e queira reconstruí-la contigo, sempre. Quebra em mim o velho homem,
cheio de trincas, danificado. E faça de mim um vaso novo, homem novo. Amém.
Belo Horizonte, 13 de Novembro de 2013.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Santo Antônio Maria Claret
Por Deiber Nunes Martins
Bom dia, amado e amada de Deus!
Que a Paz de Jesus, o Amor de Maria e a Fé de Santo Antônio Maria Claret,
estejam com todos vocês!
Hoje, 24 de outubro, é dia de
Santo Antônio Maria Claret. Santo de minha devoção e a quem preciso imitar dia
a dia, na minha caminhada. Assim como Santo Antônio de Pádua, Santo Antônio
Claret foi um homem de fé, um evangelizador a serviço da Igreja, que trouxe
muitos filhos para o redil do Senhor. E por isso, Claret foi duramente atacado
pelo inimigo, com toda espécie de violência física e moral.
Mesmo diante de tamanha insídia,
Santo Antônio Claret permaneceu firme, fundou a ordem dos Claretianos,
conquistou pela pregação da Palavra de Deus milhares de almas. E o
comportamento dele sempre foi de humildade e simplicidade. Pois são as coisas
simples que mais nos aproximam de Deus. Pe. Claret sempre buscou na
simplicidade da oração a força necessária para sua caminhada espiritual. Ele
nos ensina que por ela, podemos chegar a santidade, tornando-nos íntimos com o
Pai, o Filho e o Espírito Santo. Amigo de Jesus e Maria, Santo Antônio Maria
Claret foi um ardoroso defensor da Mãe de Deus, onde quer que estivesse.
Apóstolo da Reconciliação, Santo
Antônio Claret converteu milhares de pessoas, que viviam num caminho perdido.
Certa vez, ao ser ameaçado por três ladrões que tencionavam tirar-lhe a vida, o
santo pediu-lhes que esperasse ele ir a um lugarejo vizinho pregar às pessoas
na festa do padroeiro. Desconfiados, mas curiosos, os malfeitores deixaram o
santo ir. E para surpresa deles, tão logo terminado o sermão, Santo Claret ali
estava, à disposição de seus algozes. Algozes que tocados na alma, se
arrependeram de seus crimes, se confessaram com Pe. Claret e se converteram ao
Senhor.
De todos os feitos de Santo
Antônio Maria Claret, o que mais me impressiona é a maneira pela qual ele
converte seu coração a Deus, transformando-o em luzeiro para a humanidade: a
oração e intimidade com o Senhor. Não só falando com o Senhor, mas escutando-o,
acolhendo as mensagens de Jesus, suas instruções e recados. Antônio orava tanto
quanto respirava, este é o segredo. Nada fazia sem dialogar demoradamente com
Deus. Consultava Jesus para tudo. Após terminar de escrever suas publicações,
pedia o santo a Jesus que as revisasse. E só as publicava quando o ouvia:
“Escreveste bem, Antônio.”
Era Maria, mediadora, que sempre
lhe trazia a resposta de seu Filho Jesus.
Santo Antônio Maria Claret, rogai
por nós!
Belo Horizonte, 24 de outubro de 2013, dia dedicado a Santo Antônio Maria Claret.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
A Letra Fria da Lei
Por Deiber Nunes Martins
O velho drama da adoção volta à
tona com a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais em devolver a guarda de
uma menina de 4 anos a seus pais biológicos. A criança, que foi encaminhada a
um abrigo de menores com dois meses de vida, vítima de maus tratos dos pais,
foi adotada na mesma época por uma família da região metropolitana de BH e
agora deve voltar para os pais biológicos, após solicitação dos mesmos. À época,
o conselho tutelar também retirou deles outros cinco filhos que já voltaram
para a casa. A alegação do pai biológico da menina é que hoje, melhor de vida e
livre do vício do alcoolismo, seria capaz de cuidar da mesma, junto de sua
esposa, que também fez tratamento contra a depressão. A lei neste caso, prevê a
guarda do filho a seus pais biológicos, mas será que este é o melhor caminho
numa situação como essa?
Após audiência de instrução, a
mãe adotiva da criança, num desabafo, disse ser “uma fria” adotar uma criança e
desaconselhou todos os casais que se interessam pela adoção. E de fato, a
medida legal desestimula a prática da adoção no Brasil. Imagine o drama de uma
criança e seus pais adotivos, após algum tempo, tendo que se separarem para que
esta volte ao convívio de seus pais originais? Pai e mãe são aqueles que criam,
já nos diz o senso comum. De forma que a identificação da criança com os pais
acontece pelo convívio e não pelos laços sanguíneos. Assim sendo, qual não é o
trauma da criança ao ser retirada do lar dos pais que ela conheceu e aprendeu a
amar, a colocar sua segurança e sua confiança? Sem dúvida alguma, uma situação
muito delicada, mas que aos olhos da lei, simplifica-se na letra fria da
legislação. O juiz precisa seguir o que está escrito e nada mais.
É aí que mora o
calcanhar-de-aquiles da justiça. O positivismo jurídico quebra toda coerência
ou bom senso da lei e faz com que a sociedade tome certos “sustos” com as
decisões judiciais. A qualquer cidadão de bem, a decisão sensata na questão não
seria outra se não a manutenção da guarda da menina com os pais adotivos. Ora,
os primeiros pais tiveram a oportunidade de construir um lar e falharam,
permitindo que a própria lei retirasse deles a guarda de seis filhos! Não é
possível que isso seja negligenciado. Mas é. Quando julga, o juiz, por alguma
força pessoal, conduta ou preceito, ele deixa de lado seu papel de cidadão, de
pai de família, sua crença e tudo o mais e se insere no contexto frio da lei. É
um mundo de códigos, artigos, incisos e parágrafos que definem a vida e a
morte, o bem e o mal. Quando sai de seu mundo real, o juiz não pode ser
condenado por tal. A propósito, em nossa sociedade civilizada, decisão judicial
não se discute, se cumpre. Por isso, não é caso de indignação, mérito ou
demérito pessoal e sim a execução sumária da lei em todas as suas letras.
Mas também é uma vida, uma
história, uma família. Talvez, seja possível perceber o despreparo dos pais
biológicos em criar esta menina, pelo fato de os próprios permitirem que ela
viva esta situação. O egoísmo de ambos, talvez possa corromper todo o emocional
desta criança que já identifica nos pais adotivos a sua família. A faixa etária
de 0 a 5 anos é decisiva para o ser humano, no que tange ao seu emocional. Isso
deve ser do conhecido de todo pai e de toda mãe, biológico ou adotivo, afinal são
os primeiros cinco anos de uma criança que definirão toda a sua história de
vida. Por isso, a própria pendência judicial já se faz um absurdo na vida e na
história desta menina.
A decisão do Tribunal de Justiça
de Minas Gerais representa um golpe na intenção de quem pensa em adotar uma
criança. Assim como o tráfico de órgãos desmotiva os pretensos doadores, a
devolução de uma criança adotiva a seu lar original desmotiva quem por ventura
esteja pensando em dar um lar às crianças abandonadas. E quem perde com isso
somos todos nós. Nem sempre a interpretação fria da lei garante a sociedade, o
seu melhor.
Belo Horizonte, 18 de outubro de
2013.
sábado, 31 de agosto de 2013
Aquele Teu Olhar
Aquele Teu Olhar
Deiber Nunes Martins
Tentarei o melhor sem
dizer porquê
Serei seu desejo e
você, minha necessidade
Mudarei a vida só
pelo teu olhar
Eu sempre tentarei
amar você.
Irei ao monte mais
alto
Colher as flores do
teu altar
Mas eu nunca tentarei
esquecer
Como é bom te amar!
Que eu nunca parta,
sem tua lágrima secar
Que nunca saibamos a
dor do desencontro
Pois a luz da minha
vida
Acendeu-se ao teu
olhar.
Belo Horizonte, 31 de
Agosto de 2013.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Quando a TV Faz a Cabeça do Povo
Por Deiber Nunes Martins
José chega em casa, irritado,
reclamando do aumento das passagens, do salário baixo, do trânsito, da política,
do país, de tudo. Maria, sua esposa, escuta com resignação. Também para ela, a
situação brasileira chegara ao ponto insustentável. O governo mostrava-se insensível e cruel, diante dos anseios do povo. Maria em seu íntimo, nutria otimismo, pensava num país melhor. Mas temia morrer sem ver este país pronto.
As manifestações irritavam José
porque pra ele era só mais um modismo vindo das redes sociais. Algo vazio,
superficial. E oportunista. José queria que algo mais sério fosse feito, pra
abalar as estruturas do poder. Tirar os governantes do conforto que viviam.
José liga a TV. Quer ver o jogo.
Sua alegria esportiva, seu ópio. A seleção canarinho vai jogar. Brasil e México.
Sai mudando os canais e descobre que só uma emissora detém os direitos de transmissão. Justamente aquela emissora do narrador mala.
“Agora vou ter que aturar esse mala narrando o jogo! Que saco!”
Jogo começa. Brasil joga mal. Mas
Neymar faz um golaço. José reclama. José vibra. José reclama de novo. E vibra
de novo ao gol de Jô. Brasil em estado de graça. É a apoteose.
O narrador mala faz um discurso
patriótico histriônico. José se alegra, orgulhoso do futebol do Brasil e
arremata:
“Que venha a Espanha! Vamos
arrebentar com eles!”
Um comentarista, não menos mala, enche mais um pouco de lingüiça
e depois manda direto pra São Paulo, onde a imagem se fecha no prefeito e no
governador de São Paulo, juntos. Inimigos políticos unidos. Parecia
feito sob encomenda. Um repórter interrompe as palavras do narrador mala e
antecipa o dizer dos dois políticos: São Paulo reduziria o preço das passagens.
A felicidade se completa. José, espera a confirmação do prefeito e o endosso do
governador. Então, olha pra Maria e diz todo satisfeito:
“O Brasil é ou não é o melhor
lugar do mundo?! Eu amo este país!”
Belo Horizonte, 20 de Junho de 2013.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Nossa Senhora da Penha
Nossa Senhora da Penha
(Por Deiber Nunes Martins)
“Maria,
mulher da escuta, abri nossos ouvidos; fazei com que saibamos ouvir a Palavra
do vosso Filho Jesus entre as tantas palavras deste mundo; fazei que saibamos
perceber a realidade em que vivemos; ouvir as pessoas que encontramos,
especialmente aquela pobre, necessitada, em dificuldade. Maria ,
mulher da decisão, iluminai as nossas mentes e os nossos corações, para que
saibamos obedecer a Palavra do vosso Filho Jesus, sem hesitação; dai-nos a coragem de decidir, de
não nos deixar arrastar pelos que tentam orientar a nossa vida. Maria, mulher
da ação, fazei que as nossas mãos e os nossos pés se movam “depressa” em
direção aos outros, para que possamos levar-lhes a caridade e o amor do vosso
Filho Jesus; para levarmos, como vós, ao mundo a luz do Evangelho. Amém"
(Papa Francisco)
(Papa Francisco)
Ao norte da
Espanha situa-se uma serra muito íngreme, chamada Penha da França. Nesta serra,
os espanhóis, em batalhas ferrenhas derrotaram os mouros. Também nesta serra,
nasce a devoção a Nossa Senhora da Penha. Devoção esta que começou quando no
ano de 1434, Simão Vela, um monge, viu em sonho uma imagem de Nossa Senhora que
lhe aparecera no alto da serra. A Virgem, em sonho, coberta de luzes,
acenava-lhe para que ele fosse a sua procura.
E o monge Simão
Vela assim o fez. Por cinco longos anos procurou a localização exata do monte
onde aparecera a Virgem, em seu sonho. Até que encontrou o local exato e
começou sua difícil escalada. Quando aproxima-se do cume, avistou uma senhora
com o filho nos braços. Esta senhora indicou a Simão o local onde ele
encontraria o que procurava. Auxiliado por alguns pastores da região, o monge
finalmente encontrou a imagem da Virgem, igual a imagem que lhe aparecera em
sonho.
Alcançado o
objetivo, Simão construiu uma rústica ermida para a Virgem da Penha no alto da
serra. E em virtude dos inúmeros milagres alcançados por intercessão de Nossa
Senhora da Penha, logo construíram ali um dos mais ricos e belos santuários
dedicados à devoção mariana.
Por conta da
batalha de Alcacer-Quibir, que vitimou o Rei Dom Sebastião, de Portugal, um
escultor prometeu a Nossa Senhora construir-lhe sete imagens, caso conseguisse
escapar das mãos dos mulçumanos e voltar são e salvo pra sua terra. Conseguindo
a graça, o escultor pôs a construir as sete imagens, mas ao chegar a sétima,
resolveu buscar opinião de um padre jesuíta sobre qual invocação lhe daria. O
padre lhe aconselhou a fazer uma imagem para Nossa Senhora da Penha, em virtude
dos inúmeros milagres alcançados por sua intercessão.
Terminada a
obra, o escultor colocou a imagem de Nossa Senhora na ermida da vitória, num
local próximo a Lisboa, onde logo construíram uma Igreja. Nesta época, a peste
assolou a península ibérica e vendo como os espanhóis se livraram da doença com
a intercessão da Virgem da Penha, o Senado português prometeu à Virgem a
construção de um grandioso templo, caso ela os livrasse da peste. E a intercessão
de Maria foi valiosa: a epidemia de peste acabou por completo. E o Senado
português cumpriu com sua promessa, construindo um santuário que passou a
receber peregrinos de todos os lugares.
Um desses
peregrinos, cansado da viagem, subiu ao alto da serra para descansar. Tomado
pelo sono, não viu uma grande serpente que apareceu para picá-lo. Nesta hora,
um enorme lagarto saltou sobre ele, despertando-lhe a tempo que pudesse matar a
cobra com o bastão que carregava. Por isso, na imagem de Nossa Senhora da
Penha, aos pés do peregrino, aparecem a cobra e o lagarto.
Oração:
Nossa Senhora
da Penha, é forte a devoção dos brasileiros a vós. Abençoai os vossos devotos,
cuida do povo brasileiro, dando-lhe condições humanas de saúde e educação. Volvei
vossos olhares para o Brasil, este povo que tanto te ama e te venera. Nossa
Senhora da Penha, rogai por nós!
Belo
Horizonte, 31 de Maio de 2013.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Nossa Senhora da Ripalta
Nossa Senhora da Ripalta
(Por Deiber Nunes Martins)
“Viva a mãe de Deus e nossa, sem pecado
concebida!
Viva a Virgem Imaculada, a Senhora
Aparecida.
Aqui estão vossos devotos, cheios de fé
incendida,
De conforto e de esperança, ó Senhora
Aparecida.
Virgem Santa, Virgem bela, mãe amável,
mãe querida,
Amparai-nos, protegei-nos, ó Senhora
Aparecida.
Ó velai por nossos lares, pela infância
desvalida.
Pelo povo brasileiro, ó Senhora
Aparecida.
Viva a mãe de Deus e nossa, sem pecado
concebida!
Viva a Virgem Imaculada, a Senhora
Aparecida.”
(Música, “Viva a Mãe de Deus e Nossa, Conde
José V. Azevedo.
CD Uma Canção para a Padroeira, Paulinas
Comep)
Ripalta
é um nome que significa “Beira Alta”. A história da devoção à Virgem da
Ripalta, nasceu na Itália, na região de Cerignola e tem duas versões. A
primeira versão diz que por volta do ano de 1172, um bando de malfeitores achou
à beira do rio Ofanto uma grossa tábua de madeira, deixada possivelmente por um
lenhador. Levaram então para casa, para lhes servir de tábua de carne. Um dia,
enquanto o chefe do bando preparava o toucinho, errou o corte e acertou com a
faca a tábua. Com o golpe, a faca ficou cravada na madeira e desta começou a
jorrar sangue vivo. Apavorado, o chefe do bando chamou seus comparsas que viram
junto ao sangue e a gordura, a imagem da Virgem Maria e do Menino Jesus, ambos
com o ferimento no rosto.
A
segunda versão, conta que na mesma época, lenhadores partiam esta sagrada tábua
para jogá-la ao fogo, a fim de se aquecerem. Logo no primeiro golpe, da tábua
jorrou sangue fresco e apareceu a imagem de Maria e do Menino Jesus, ambos com
o corte no rosto.
No
lugar onde os lenhadores partiam a madeira para o fogo, construíram uma belíssima
capela a Nossa Senhora da Ripalta, que hoje tornou-se um Santuário Diocesano. Logo,
a notícia do ícone milagroso difundiu-se atraindo milhares de pessoas em peregrinação
à região de Cerignola.
Também
nessa época a região de Canosa disputavam a posse do lugar onde estava construída
a capela de Nossa Senhora da Ripalta. Como ficava numa região de divisa entre as
cidades, a disputa ficou bem acirrada. E o pároco da capela da Ripalta, resolveu
intervir, pedindo ao povo que consultasse em oração a Virgem da Ripalta. Ela é quem
deveria decidir a qual cidade sua capela deveria pertencer. Assim, colocaram o ícone
de Nossa Senhora da Ripalta numa carroça puxada por bois e deixaram os animais livres
para seguir pra onde quisessem. Os animais seguiram sem hesitação rumo a Cerignola
e assim entenderam a vontade da Virgem.
Oração:
Nossa
Senhora da Ripalta, olhai por teus filhos, em especial para os que sofrem perseguição
e para os que são vítimas de toda espécie de violência. Protegei vossos filhos,
ó Mãe, de toda maldade. Dá-nos cultura e sabedoria, para que assim, pelo saber e
pelo entendimento, possamos combater toda espécie de violência. Fazei, ó Maria,
que sejamos sempre amantes da vida e sempre a defendamos, em detrimento da cultura
de morte, que o inimigo tenta difundir na humanidade. Amém.
Belo
Horizonte, 30 de Maio de 2013.
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Nossa Senhora da Expectação do Parto
Nossa Senhora da
Expectação do Parto
(Por Deiber Nunes Martins)
“Seja como
for, ali estávamos os dois, noivos ainda e iminentes esposos. Eu grávida do Espírito
Santo e esperando o Messias, ele sem saber o que fazer nem que papel deveria assumir
comigo e com meu filho. (...)
‘Perdoa-me’,
disse, ‘nunca deveria ter duvidado de ti. Se te ofendi, embora sem querer,
tenho como desculpa o fato de que teu pai não quis dar explicação alguma quando
me contou tudo. Eu devia acreditar no impossível. Tu mereces que se aceite que
os burros voem antes de se duvidar de tua honra (...)’
Dito isto,
(José) estendeu o braço sobre a mesa e me segurou a mão. Esperava um gesto meu,
suplicava isso não só com a mão, pois seus olhos estavam úmidos e seu olhar era
de alguém trespassado pela dor e pela vergonha, que espera uma carícia como
sinal de que foi perdoado. Não me fiz de rogada. Apertei sua mão com a minha –
era a primeira vez que nos tocávamos – e fui mais longe: trouxe sua mão a meus
lábios e a beijei com ternura.
‘José’,
disse-lhe corajosamente, com palavras que até pouco tempo me julgava incapaz de
pronunciar, ‘te quero muito. Serei tua mulher por vontade própria. (...) Sem dúvida,
entre nós algumas coisas serão diferentes do que ocorre em outros casamentos. Não
teremos mais filhos nem as relações normais entre marido e mulher. Quero que
saibas agora, enquanto ainda está em tempo de dissolver tudo. Esta é uma decisão
que eu tinha tomado antes e não sabia como te explicar, nem se seria justo
exigir-te isso. Sempre sonhei ser inteira de Deus.(...) Em definitivo, o que
conta é que tu e eu precisamos entender bem que temos uma grande missão a
cumprir. Eu serei a mãe do Messias e tu serás o Pai. (...)’
José se
comportou como um homem de Deus que era. Enquanto falava, estava muito sereno e
notei que lhe custava assumir o fato de que nossas relações não seriam normais
como marido e esposa. Porém notei também que aceitava tudo porque sabia que era
Deus que pedia. Mal terminei de falar levantou-se, deu a volta à mesa e me
pediu permissão para beijar-me na fronte. Dei-lhe permissão, me abraçou e
disse-me ao ouvido: ‘Amada minha, disseste-me o mais importante que eu
precisava ouvir, sem o que minha alma estaria penando a vida toda, ainda que
viesse a passar por tudo pelo amor a Deus e a ti. Disseste-me o que me querias,
que vais ser minha mulher e que estás enamorada de mim. Tudo o mais é supérfluo.
O amor, compreendi nesses dias, não é só um contato físico. Respeitarei tua
virgindade e te oferecerei a minha, para que sejam úteis ao Senhor. (...)”
(Trecho do
Livro “O Evangelho Secreto de Virgem Maria, de Santiago Martín, Ed. Paulus)
A origem de
Nossa Senhora da Expectação é espanhola. Popularmente conhecida como Nossa
Senhora do Ó, devido ao fato de que nas antífonas maiores da Liturgia das
Horas, sempre começarem com o “Oh”, a Virgem ficou conhecida como a “Nossa
Senhora do Ó”. É a imagem de Maria grávida. Imagem esta que causou muita polêmica
no século XIX, quando o estímulo ao dogma da Imaculada Conceição, contrastava
com a imagem da Virgem em estado de gravidez.
A expectação
do parto é o momento sublime não só de quem espera ansiosamente o nascimento do
filho, mas também o desejo que a vontade de Deus se cumpra e que assim, ela se
torne corredentora da humanidade.
A festa de
Nossa Senhora do Ó, foi instituída no Concílio de Toledo, no século VI, ao dia
18 de dezembro. No Brasil, a devoção à Virgem do Ó, ganha destaque em Olinda, São
Paulo, Itamaracá e na cidade histórica de Sabará, em Minas Gerais , onde a
Igreja do Ó, uma das mais belas Igrejas do mundo, por conta de sua
simplicidade, atrai milhares de turistas.
Oração: Ò
Virgem do Ó, Maria Expectante, que a espera por teu filho crie também em nós, o
desejo de sermos melhores. Que possamos gestar Cristo em nossas atitudes, em
nossas decisões e em nossos afazeres. Onde quer que estejamos, Nossa Senhora da
Expectação, permita-nos levar Jesus, com o nosso exemplo e as nossas intenções.
Amém.
Belo
Horizonte, 29 de Maio de 2013.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Nossa Senhora do Silêncio
Nossa Senhora do Silêncio
(Por Deiber Nunes Martins)
“Mãe
da Confiança
(Léo Rabello e Pe. Tarcísio Jr.)
Mãe do silêncio, mãe da confiança
Ó mãe de ternura
Mãe, ensina a amar
Ó mãe, ensina a confiar.
Mãe da piedade, mãe do bom conselho,
Ó mãe de Deus
Mãe, ensina a amar
Ó mãe, ensina a confiar.
Ó mãe dos pobres, mãe da obediência
Ó mãe, de misericórdia
Mãe, ensina a amar
Ó mãe, ensina a confiar.
Mãe do silêncio, mãe da confiança
Ó mãe de ternura
Mãe, rogai por nós
Ó mãe, rogai por nós.”
Por volta de 1879, a Irlanda vivia uma
situação de penúria extrema. Fome e doenças tomavam conta do povo irlandês,
aliadas a ferrenha rivalidade com os ingleses. É neste contexto que aparece,
pela primeira vez, na Colina Knock, a Virgem do Silêncio. Em tamanho natural,
rodeada de anjos e acompanhada por São José, a Virgem apareceu a algumas
pessoas. É a segunda vez que a Virgem aparece a um grupo de pessoas. A primeira
aparição para um grupo havia acontecido anos antes na França.
Assim como nas outras aparições,
Maria não desampara seus devotos. E inúmeros milagres começam a acontecer. A
capela Knock, construída em 1829, num curto espaço de tempo onde o povo
irlandês teve a oportunidade de praticar livremente sua fé, foi o palco desses
milagres. O primeiro dele, uma mulher de 28 anos, surda desde os seis anos, volta
a ouvir. Depois dois homens cegos desde a infância, voltam a enxergar. Uma
mulher, com dificuldades de locomoção, tão logo adentra a capela volta a andar.
Silenciosamente, a Virgem do
Silêncio opera maravilhas na vida de seus devotos. Ainda hoje a devoção a ela é
impressionante. Como nos diz o Evangelho de São Lucas, Maria a tudo guardava no
coração. Silenciosamente. É no silêncio que a voz de Deus ecoa em nossa vida. Por
isso, o mundo agita-se e cada vez mais ocupa o nosso tempo com barulho. Passamos
boa parte do tempo agitados no barulho das grandes metrópoles, quase o dia
inteiro com fones nos ouvidos. Quase não damos tempo ao silêncio do corpo, da
alma. Nossa Senhora do Silêncio nos ensina a ocuparmos boa parte do nosso tempo
com o silêncio orante. A riqueza litúrgica da Santa Missa é outra maravilhosa
oportunidade que Maria nos mostra, para conversarmos com Deus. Infelizmente,
muitas vezes nem no Sacrifício da Missa, somos agraciados pelo silêncio. Conversas
paralelas, a indelicadeza de um celular ligado, ou um ministério de música sem
o devido conhecimento litúrgico ameaçam a riqueza do momento de contemplação,
de ação de graças. O silêncio.
Oração:
Nossa Senhora do Silêncio, venha
em nosso socorro. Acolhei a seus filhos, permitindo a todos que tenham um
encontro pessoal com Cristo. Encontro esse que muitas vezes acontece no silêncio
da nossa alma. Maria, ensina-nos a calar a alma, calando o corpo. E que assim,
possamos colher de Deus seus ensinamentos, suas advertências, enfim, tudo
aquilo que Ele quer nos dizer. Amém.
Belo Horizonte, 28 de maio de
2013.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Nossa Senhora da Defesa
Nossa Senhora da
Defesa
(Por Deiber Nunes Martins)
Mãe,
Oh! Vede as lágrimas do pranto
Vós que a dor sentistes já
Da vida o triste fado
Trás-me desamparado
Ah! Não me deixes só
Oh! Mãe querida me escutai
Os rogos meus, Mãe atendei,
Na vida, os passos guiai
E lá do Céu um dia irei ver-vos sem véu.
(Ave Maria, Intermezzo da Ópera Cavalleria Rusticana)
A devoção a Nossa Senhora da
Defesa nasceu no inverno de 1410 em Ampezzano, na Itália. Era época das imigrações
e o exército godo visava tomar a cidade. Os habitantes da modesta Ampezzano,
resolveram se defender, mas que podiam fazer? As limitações financeiras e
militares o impediam.
No entanto, aqueles homens eram
tementes a Deus. E nutriam grande devoção a Nossa Senhora. Assim, eles fizeram
o que tinham a fazer: rezaram. Rogaram à Virgem, proteção. E Nossa Senhora não
lhes faltou. Numa nuvem, ela desceu do Céu, com a espada na mão.
Quando os godos já invadiam
Ampezzano, Nossa Senhora desceu sobre a cidade e as nuvens debaixo de seus pés,
cobriram de tal modo a visão dos inimigos, que os confundiram. Tamanha escuridão
abateu-se sobre o exército godo que eles não se reconheciam e lutavam entre si,
matando-se uns aos outros, até se dizimarem por completo.
Oração:
Nossa Senhora da Defesa, descei
em nossos lares, sobre nossas famílias. E defendei-as, com o mesmo ardor que
defendeste os habitantes de Ampezzano. Defendei vossas famílias do flagelo do
egoísmo, do hedonismo e de todos os embustes de satanás. Defendei vossas famílias
da droga, das novelas e de todas as práticas mundanas que insistem em colocar
em xeque a família cristã. Venha em socorro de pais, mães, filhos, filhas, maridos
e esposas que tanto necessitam da vossa defesa, ó Mãe. Nossa Senhora da Defesa,
rogai por nós! Amém!
Belo Horizonte, 27 de Maio de 2013
domingo, 26 de maio de 2013
Nossa Senhora da Árvore
Nossa Senhora da Árvore
(Por Deiber Nunes Martins)
Magnificat
“Minha alma glorifica ao Senhor,
Meu espírito exulta de alegria
Em Deus, meu Salvador,
Porque olhou para sua pobre serva.
Por isso, desde agora,
Me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,
Porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso
E cujo nome é Santo.
Sua misericórdia se estende, de geração em geração,
Sobre os que o temem.
Manifestou o poder do seu braço:
Desconcertou os corações dos soberbos.
Derrubou do trono os poderosos
E exaltou os humildes.
Saciou de bens os indigentes
E despediu de mãos vazias os ricos.
Acolheu a Israel, seu servo,
Lembrado de sua misericórdia,
Conforme prometera a nossos pais,
Em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.”
(Lc 1, 46-55)
Nos conta a tradição, que na
França, na região de Monte Branco, numa região frondosa, uma árvore trazia em
sua cavidade, uma imagem de Nossa Senhora. Não havia explicação sobre como a
imagem da Virgem havia ido parar ali, naquela cavidade natural, da árvore. O
povo, devoto, logo batizou a imagem de Nossa Senhora da Árvore.
Não tardaram a aparecer os
milagres e pedidos atendidos aos devotos da Virgem. Os devotos, em
agradecimento, construíram tempos depois, em 1703, naquele local, um santuário
a Nossa Senhora da Árvore.
Oração:
Nossa Senhora da Árvore, muitos
lhe são os devotos. E também muitos lhe são gratos pelas graças alcançadas. Não
há um devoto que não tenha lhe pedido graça que não tenha sido atendido. Em
virtude dos vossos favores e de vossa prontidão em atender a nós, seus filhos,
vos queremos pedir pela paz. O mundo vive tempos violentos, repletos de intolerância
e incompreensão. Vossa imagem, ó Mãe, foi encontrada numa árvore e certamente quem
lá a depositou, trazia paz no coração e a certeza de que somente pela vossa
proteção é que podemos caminhar. Nossa Senhora da Árvore, apaziguai os corações
e fortalecei o diálogo e o entendimento entre os povos e as pessoas. Nossa
Senhora da Árvore, rogai por nós.
Belo Horizonte, 26 de Maio de
2013.
sábado, 25 de maio de 2013
Nossa Senhora da Anunciação
Nossa Senhora da
Anunciação
(Por Deiber Nunes Martins)
“Deus vos salve,
Virgem,
Mãe imaculada,
Rainha de clemência
De estrelas coroada.
Vós, acima dos anjos
Sois purificada;
De deus à mão direita
Estais de ouro ornada.
Por vós, Mãe da graça,
Mereçamos ver
A Deus nas alturas
Com todo o prazer.
Pois sois esperança
Dos pobres errantes
E seguro porto
Aos navegantes.
Estrela do mar
E saúde certa
E porta que estais
Para o Céu aberta.
É óleo derramado,
Virgem, vosso nome,
E os servos vossos vos
Hão sempre amado.
Ouvi Mãe de Deus,
Minha oração.
Toquem vosso peito
Os clamores meus.”
(Trecho do Ofício à
Nossa Senhora da Conceição, Ed. Canção Nova)
“No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma
cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se
chamava José, da cada de Davi; e o nome da virgem era Maria. Entrando, o anjo
disse-lhe: ‘Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.’ Perturbou-se ela com
estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação.
O anjo disse-lhe: ‘Não temas, Maria, pois encontraste graça
diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome
de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe
dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó. E o seu
reino não terá fim.’ Maria perguntou ao anjo: ‘Como se fará isso, pois não
conheço homem? Respondeu-lhe o anjo: ‘O Espírito Santo descerá sobre ti, e a
força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que
nascer de ti será chamado Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, até ela
concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por
estéril, porque a Deus nenhuma coisa é impossível. Então disse Maria: ‘EIS AQUI
A SERVA DO SENHOR. FAÇA-SE EM
MIM SEGUNDO A TUA PALAVRA.’ E
o anjo afastou-se dela. (Lc 1, 26-38)
A Festa da anunciação do nascimento de Jesus é das mais antigas
da Igreja. O SIM de Maria é o centro das atenções, visto que pelo sim de uma mulher,
o Salvador chegou à humanidade. A humildade de Maria é da mesma proporção que a
sua mansidão e docilidade. Maria nos permite compreende-la, revisitando sua história
e nos guiando pelos fatos de sua vida. Se pelas mãos de uma mulher, Eva, o pecado
adentrou o mundo, também pelas mãos de uma Mulher, Maria, a Salvação chega a toda
humanidade.
Comemorada todo dia 25 de março, a exceção quando a data coincide
com a Semana Santa e então é postergada.
Oração:
Nossa Senhora da Anunciação, favorecei os caminhos da nossa vida,
a fim de que saibamos escutar a voz do anjo e dizer o nosso sim a Deus. Que o exemplo
da Virgem da Anunciação nos sirva de bússola espiritual, afim de que saibamos dar
o nosso sim a Deus e caminhar por entre os milagres que só aqueles que se colocam
ao dispor de Deus, podem conferir. Amém.
Belo Horizonte, 25 de Maio de 2013.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Nossa Senhora da Agonia
Nossa Senhora da
Agonia
(Por Deiber Nunes Martins)
“Voltou a Betânia dois dias antes da Páscoa.
Creio que o fez somente por mim, para dar-me o último adeus e receber, uma vez
mais, meus beijos e meu consolo, de que tinha tanta necessidade naquelas horas
escuras.
Passamos a manhã juntos. De novo preferiu
passear pelos caminhos que fazem a comunicação entre os hortos ao redor do
povoado. Queria afastar-se do movimento da casa e não desejava testemunhas para
o que tinha a me dizer. Estava agitado. Se diante dos outros sempre mostrava
bom humor e um notável poder de decisão, exortando todos a cumprir a vontade de
Deus e lembrando-lhes que o que iria acontecer estava previsto pelo Altíssimo,
comigo desabafava e não ocultava sua angústia, seu temor e inclusive suas dúvidas.
Sim, João, suas dúvidas. Tu sabes que as teve. Agora já o sabeis todos. Sabeis o
que foram as horas de oração solitária no horto das oliveiras enquanto vós dormíeis.
Mas na ocasião não sabíeis, sequer suspeitáveis. Acostumados a vê-lo sempre
firme, em pé, sereno e poderoso, havíeis esquecido que ele era, também, um ser
humano. Porém eu, que o havia carregado em meus braços, não podia esquecer
isso. Aquele homem capaz de fazer os maiores milagres era, não obstante, uma
pessoa e, como tal, tinha seus momentos escuros, suas angústias, suas tentações.
Também, precisamente porque era verdadeiramente homem e não uma estátua de mármore,
dessas que os pagãos colocam em seus templos, tinha necessidade de ser
consolado, de ser ajudado, de ser apoiado em suas terríveis lutas internas. Isto
nenhum de vós conhecia, nem tu que estavas tão perto do seu coração. Só uma
mulher consegue captá-lo, e creio que por isso fomos nós que soubemos ajuda-lo
mais naqueles difíceis momentos. Mas nem sequer as outras poderiam chegar onde
eu tinha entrada. Porque eu era sua mãe e comigo não havia necessidade de
fingir, de ocultar, nem de esconder nada para não me abalar ao me oferecer o
espetáculo de um homem angustiado, é que veio a mim como um menino perdido e
assustado em busca de apoio quando já lhe faltava pouco para terminar sua
carreira e chegar à meta final.”
(Trecho do Livro “O Evangelho Secreto da
Virgem Maria”, de Santiago Martín, Ed. Paulus)
Em Viana do
Castelo, em Portugal, existe um santuário dedicado a Nossa Senhora da Agonia,
situado bem próximo ao mar. E esta devoção vem do mar. Região pesqueira, os
pescadores e seus familiares se apegavam sempre a Nossa Senhora devido ao mar
sempre agitado da região e os constantes perigos de naufrágio. Constantemente,
os tufões atiravam as embarcações em uma falésia conhecida como “Penedo Ladrão”.
A partir daí
que nasceu a devoção a Nossa Senhora da Agonia. Os pescadores e suas famílias
se colocavam de joelhos suplicantes a Nossa Senhora por suas vidas e pelas
vidas dos seus. E a Mãe de Jesus sempre de prontidão e ouvidos abertos a agonia
de seus devotos e pedintes, concede a vida a todos os que a procuram.
Oração:
Nossa Senhora
da Agonia, vós sentistes agonia ao receber seu Filho Jesus, dois dias antes da
Páscoa, quando Ele já conhecia o que estava por vir e partilhaste contigo. Ajuda
aos pais que hoje imploram por seus filhos presos ao vício da droga. Sede o
conforto e o porto seguro dos pedintes que clamam por seus filhos perdidos. Atendei
aos inúmeros pedidos de pais e mães que em agonia extrema, não têm mais a quem
recorrer por seus filhos e filhas. Atende ó Virgem da Agonia, aos que sofrem do
flagelo dos vícios e desejam libertação. Peça a teu Filho Jesus que não os
desampare. Olhai, Senhora por todos dependentes químicos, e escravos de todos os vícios
e compulsões. Olhai também, ó mãe, por suas famílias. Nossa Senhora da Agonia,
rogai por nós!
Belo
Horizonte, 24 de Maio de 2013
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Nossa Senhora da Grade
Nossa Senhora da
Grade
(Por Deiber Nunes Martins)
“Vem Maria, vem,
Vem nos ajudar,
Neste caminhar,
Tão difícil rumo ao Pai.”
(Canção “Vem Maria Vem”, da Com. Canção Nova)
Nossa Senhora da Grade é a
padroeira da belíssima cidade de Lille, na França. Diz a lenda que a princesa
Hermengarda era perseguida pelo conde Finaert pelas cercanias da cidade. Grávida,
ela dá a luz num frondoso bosque, onde aparece-lhe a Virgem Maria,
oferecendo-lhe proteção. A perseguição do conde se intensifica e a princesa é
obrigada a abandonar o filho no bosque sob os cuidados de Nossa Senhora.
O menino cresce em robustez e
saúde, sendo criado por um eremita, que lhe garante formação cristã. Liderico é
o nome escolhido para o menino, que se torna um cavaleiro. Tempos depois,
Liderico, num duelo, mata o conde Finaert libertando toda a região da opressão deste
nobre.
Séculos depois, no lugar onde se construíra
o castelo de Liderico, é erguida a cidade de Lille. Em 1066, o piedoso conde Balduíno
construiu uma belíssima Igreja. Era o tempo dos senhores feudais. Nesta Igreja é
colocada uma belíssima imagem da Virgem Maria, a mesma que aparecera a jovem
princesa Hermengarda. A esta imagem, dá-se o nome de Nossa Senhora da Grade. Por
mais estranho que possa parecer, a razão do nome, deve-se ao fato de o guardião
do castelo de Liderico atender aos pedidos dos pobres por uma grade. Quando a
Igreja é construída, diante da imagem da Virgem é colocada uma grade, para
simbolizar os pedidos que eram levados a ela e atendidos. A partir daí, inúmeros
milagres são concedidos ao povo, aumentando ainda mais a devoção a Virgem da
Grade.
Oração:
Nossa Senhora da Grade, vós que
sois a padroeira do povo francês, da cidade de Lille. Olhai por nossas
necessidades. Sobretudo as espirituais. Afastai de nós as tentações do inimigo,
conduza-nos com tua mão poderosa rumo a Graça do Pai. E que possamos, firmes na
fé, render-lhe louvores e venerar-lhe por toda a nossa vida. Amém.
Belo Horizonte, 23 de Maio de
2013.
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