domingo, 29 de junho de 2008

Meu Amor Por Você

Por Deiber Nunes Martins

Meu amor por você é como um rio
caudaloso, segue para longe
Um amor andante, amor distante
Peço a Deus que abrevie os dias
As distâncias
As saudades
As despedidas
Meu amor por você é como a manhã
Manhã que nasce a um novo dia
Traz esperanças e alegrias
E o louvor por estar vivo
Por mais um dia
E poder te amar por mais um dia
Meu amor por você é como o vento
Corta o ar, baila com as árvores
Não é visível aos homens
Mas pode ser sentido
Amor, que não tem razão de ser
Amor, que não tem momento
Amor, sem palavras
Amor, que dói no coração
Sem se sentir
Meu amor por você é como o mar
Intenso, bravo, sereno, hostil e bondoso
Misto de sentimentos, sensações
Um misto de mim mesmo
Que se doa a você
e te recebe
Como recebe os rios
que nele deságuam
Meu amor por você é este verso
E o próximo, e o outro e mais outro
Meu amor por você, não se explica
Se ama...

sábado, 28 de junho de 2008

Beautiful Day (Lindo Dia)

Tradução da Música "Beautiful Day" do U2

O coração é uma flor, brota através do chão pedregoso
Mas não há sala,
não há espaço para alugar nessa cidade
Você está sem sorte e a razão que
você tem que se preocupar
O tráfego está parado e
você não está se movendo para lugar nenhum
Você acha que encontrou um amigo
para te levar para fora desse lugar
Alguém que você poderia dar a mão
em retorno por gratidão

É um lindo dia, o céu desaba
E você sente que é um dia bonito
É um lindo dia,
Não o deixe passar.

Você está na estrada mas você não tem destino
Você está na lama, no labirinto da imaginação dela
Você ama esta cidade
embora ela não lhe pareça verdadeira
Você esteve em toda ela e ela caiu em você.

É um lindo dia
Não o deixe passar
É um lindo dia
Não o deixe passar.

Me toque, me leve para outro lugar
Me ensine, eu sei que não sou um caso perdido

Veja o mundo em verde e azul
Veja a China bem em frente a você
Veja os canyons quebrados por nuvens
Veja os cardumes de atum pelo mar afora
Veja as fogueiras dos beduínos a noite
Veja os campos de óleo à primeira luz
Veja o pássaro com uma folha em sua boca
Após a enchente todas as cores vieram a tona

Foi um lindo dia
Um lindo dia
Não o deixe passar

Toque me, me leve para aquele outro lugar
Me alcance, eu sei que não sou um caso perdido...

O que você não tem você não precisa agora
O que você não sabe você pode sentir de alguma maneira
O que você não tem você não precisa agora
Você não precisa agora, você não precisa agora
É um lindo dia...

Esta música do U2 me remete a aproveitar melhor meu dia. Com esta música, eu posso orar, pedindo a Deus que me dê a graça de aproveitar melhor a dádiva da vida que Ele me deu. Não há como ficar triste, se o dia está lindo. Mesmo chovendo, o dia é lindo. O dia é a certeza do amor de Deus que não passa. Um novo dia é a oportunidade de mais um lindo dia. Se eu viver assim, posso ser melhor. Se eu entender esta verdade, posso fazer a diferença no mundo. Deus nos dá a graça. Com um lindo dia, a cada manhã, a cada novo acordar.

Quando Você Sabe que Ama?

Por Deiber Nunes Martins

Caríssimos, este texto é mais uma explanação sobre o que está em meu interior. É mais um pouco de mim mesmo. Talvez seja mais do mesmo, contudo não quero perder o momento de me dizer, de me expressar. Tenho vivido a graça de estar mergulhado no amor de Deus. E mergulhado em seu amor, posso dizer que estou amando uma garota, como nunca amei em minha vida.
Pois bem, sobre esse amor, suscita-me o coração dizer: como eu sei que a amo? O que me diz que é amor, o que eu sinto por ela? Tenho visto que o amor é uma dádiva de Deus e como tal, permite que transbordemos dele de tal maneira, que não somos mais nós mesmos. O amor nos transforma. Nos faz sermos melhores. Mais condescendentes com nós mesmos, mais propensos a tolerância, a compreensão, enfim, mais amorosos com a vida que nos rodeia.
Aprendi com minha amada que o amor torna tudo novo de novo, tudo perto, tudo certo e tudo natural. Tenho tentado compreender cada vez mais esta verdade. Compreender de modo decisivo o poder do amor.
O amor torna tudo novo de novo, quando pega o nosso velho coração e o faz novo. Ele renova a nossa vida, fazendo com que possamos viver uma vida nova. Renovados pelo amor, somos mais abertos ao próprio amor, e podemos encontrar sentido nas pequenas coisas do dia a dia.
É pela distância que vejo o amor deixando tudo perto. A distância entre Camacan e Belo Horizonte, certamente passa dos mil quilômetros. É uma distância física que me separa de minha amada. Mas não a separa do meu coração. Eu a amo e a posso sentir aqui bem perto. Então, o amor encurta distâncias, mesmo que a saudade seja um terrível algoz. O amor nos dá a certeza da vida. Estamos vivos para amar. Quando eu amo, posso sorrir diante de qualquer intempérie e dizer: está tudo certo. O amor torna tudo certo. E por fim, quando amamos, as coisas fluem naturalmente. Tudo é natural, porque eu amo. O amor brota na simplicidade do coração. É a força natural de todo ser humano. A natureza humana carece do amor e sem ele, é capaz de inexistir.
Mas, ainda insiste a pergunta: Quando eu sei que amo? Posso dizer que amo, mas é um amor que sai do meu interior e precisa inundar o coração da pessoa amada. Mesmo se não sou correspondido, o amor tem a capacidade de transformar o coração da amada. Como transforma o meu. Foi pelo amor que fomos salvos. E é pelo amor que somos salvos a cada dia de nossas vidas.
Quando eu amo, eu não me perco nas palavras. Não posso me perder nelas. O amor precisa brotar dentro de mim e semear o coração da minha amada. Mas certamente de nada adianta eu cansar de dizer "eu te amo" se na verdade, o meu coração está preenchido de sentimentos funestos que nada me acrescentam. Não posso dizer que amo ninguém, se antes, eu não me amo o suficiente. Se me considero um fracassado, um fraco, um homem perdido, sem solução, se me apego a me depreciar, não terei nada para acrescentar ao coração da pessoa, a não ser as vãs palavras: eu te amo. Assim, a pessoa amada pode viver por algum tempo de palavras, mas depois, se esvazia por completo diante do nosso próprio vazio.
Devo também tomar muito cuidado quando lido com o amor numa outra esfera de relacionamento, como a amizade por exemplo. A amizade é o amor em sua forma genuína, pura. Não precisa ser alardeada. Machado de Assis disse sabiamente: Não é amigo o que alardeia a amizade, é antes um traficante, um mercador de sentimentos. Infelizmente, não tenho muitos amigos. Mas os poucos que tenho nunca me disseram o quanto me amam. Me amaram e me amam sem dizer. Amizade não se diz, se sente. O amor entre um casal tem disso também. Primeiro é preciso sentir o amor, para depois declamá-lo em verso e prosa. E voltando aos amigos, é necessário amá-los sem que seja preciso dizer, para que não confundam os sentimentos e valorizem a amizade.
Como disse, o amor não se diz, se ama. E minha maneira de amar é amar sem medidas. Talvez eu não saiba que amo. Mas eu amo assim mesmo. Não há um método, maneira, ou procedimento. O amor não foi feito pelos pragmáticos. É um dom de Deus. E a lógica de Deus não é a nossa lógica.
Sem razão ou com razão, eu quero amar. O amor que Deus tem por mim, quero derramar também por ele. E de tabela, pelos que amo também. Eu não sei a medida do amor que tenho por Bárbara. Mas sei que a amo a cada respirar. E por fim, uma dica: o amor nos faz ver no outro, um pouco de nós mesmos. Porque não nos remete à perfeição. Mas a humanidade. O amor nos faz fortes para a vida. E nos faz ver no outro, aquilo que em nós está escondido. Quando eu me vejo na Bárbara, em coisas bem simples, eu entendo o quanto a amo! E por ela, eu quero caminhar, fazer a diferença, cair nos braços de Deus e me deixar levar por sua Misericórdia e Providência. O amor torna tudo novo, de novo. Tudo perto. Tudo certo. Tudo natural. E como é bom amar!

Belo Horizonte, 28 de junho de 2008.

sábado, 14 de junho de 2008

Santo Antônio


Por Deiber Nunes Martins

"Antônio Santo, de Jesus amado
Antônio Santo, de Jesus amado
Livrai-nos, Antônio, de todo pecado
Livrai-nos, Antônio, de todo pecado.

A quem vos venera na vossa trezena
A quem vos venera na vossa trezena
Livrai-nos Antônio, da eterna pena
Livrai-nos Antônio, da eterna pena


No fim desta vida, vida transitória
No fim desta vida, vida transitória
Levai-nos Antônio, a eterna glória
Levai-nos Antônio, a eterna glória."

(Hino a Santo Antônio)

Para muitos, o santo casamenteiro. Para mim, um grande amigo. Minha relação de amor com Santo Antônio vem de muito tempo. E começou da maneira tradicional mesmo: pedi a ele a intercessão por uma graça e logo fui atendido. A partir daí, vieram graças e mais graças pedidas e atendidas por Deus, pela intercessão de seu grande amigo, Santo Antônio.
Já pedi a Santo Antônio por um namoro que tinha. E ele deu uma força, aproximando um do outro e dele próprio. O namoro teve seu fim, mas hoje a moça também é amiga do santo. Devota dele.
Outra vez, pedi Santo Antônio por um emprego. Não demorou muito e estava empregado. E assim foram graças e mais graças pedidas a Santo Antônio e atendidas. Então, não posso dizer que Santo Antônio é só um santo casamenteiro. Ele é o Santo do Emprego, o Santo do namoro, e o Santo de tantas e tantas coisas mais.
No entanto, minha amizade a Santo Antônio, não é simplesmente uma forma de retribuir as graças alcançadas. O dom de Deus é gratuito. E assim também é nossa sincera amizade. Minha amizade com o Santo não tem um motivo definido. Tem a ver com a história dele, a história de um pregador fervoroso, que pregou a Palavra Viva de Deus para os animais, quando os homens de coração duro, não quiseram ouvir. Com Santo Antônio eu aprendo que vale a pena servir a Deus, segui-lo e amá-lo. Aprendo com Santo Antônio, que Jesus é nosso amigo e quer o melhor para nós.
Sou amigo de Santo Antônio que é amigo de Jesus. E todo aquele que é amigo de um amigo de Cristo, também Cristo é amigo dele. Nesta esperança, coloco a minha vida. Merecer ser amigo de Santo Antônio e amigo do meu Senhor Jesus. Que mais eu posso querer? Já tenho tudo o que preciso, tenho mais é que viver para agradecer. Antônio Santo, amigo de Jesus e meu, obrigado pela vossa intercessão. Obrigado pela sua amizade.

Belo Horizonte, 13 de Junho de 2008

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Vou te Amar



Música: Márcio Todeschini
Texto: Deiber Nunes Martins

Vou te Amar
(Márcio Todeschini)

Eu tanto esperei pra te ver assim,
Já sofremos juntos, sonhamos juntos,
Que bom poder dizer: "Chegamos aqui"!

Tão bom é o nosso Deus que nos quis assim,
Nossa humanidade tão diferente,
Com Deus a gente aprende o que é o amor!

É negar-se a si mesmo sempre que for preciso,
Pra fazer o outro feliz!
É dizer a verdade com carinho e ternura,
É estar presente, ser presença, ser amigo e cuidar!

Vou te amar, porque Deus me ensina a ser teu,
Vou te amar, meu caminho pro Céu é contigo.
Foi fazendo a vontade do nosso Deus,
Que te encontrei!
Vou te amar!

Esta música é em homenagem a todos os namorados mas se permitem, especialmente ao meu. Bárbara, esta música também é nossa. Também fala de nós dois, da nossa história. Em tão pequeno espaço de tempo, já vivemos tantas realidades, não é verdade? E Deus em sua misericórdia infinita nos permite a nós dois a realidade do amor, de um modo diferente dos outros. Bem, você sabe, a distância que para os outros casais é motivo de separação, para nós é motivo de superação.
Mas antes de qualquer coisa, o nosso amor tem como diferencial o amor de Deus. Nosso amor é fruto da vontade de Deus. Temos a consciência de que sem Ele, nada disso seria possível. Mas que com Ele, nosso amor cresce em solo fértil. Daí, a razão desta música.
A todos os namorados, um ótimo dia! Que o namoro de cada um possa ser inspirado no que há de bom de todo namoro. E que o amor de Deus seja a fonte de amor que mova todos os corações apaixonados deste mundo.
E a nós, Bárbara, minha vida, que Deus nos abençôe muito, cuide sempre do nosso namoro. Que a Virgem Maria interceda por nossa história de amor e nos ajude com o casamento, assim como fez em Caná da Galiléia. Te amo muito!

Belo Horizonte, 12 de Junho de 2008

Colóquios...

Por Deiber Nunes Martins

O final da noite de terça-feira foi um alívio. Aquele foi um dia difícil. Mas vitorioso no Senhor. Como é bom dizer isso, dizer que a vitória em Deus foi possível. Mas o deitar na cama e conseguir dormir, não foi fácil. Afinal, após um dia repleto de emoções fortes era de se esperar que o sono não seria um companheiro amistoso...
O dia realmente foi daqueles. A começar, a tensão no início do trabalho. Aquela situação constrangedora que tive de enfrentar com as duas funcionárias. Meu chefe me apronta cada uma! Felizmente, o Senhor me deu uma luzinha e pude pegar as duas e colocar cada uma em um canto. O complicado foi que eu não sabia o que falar, o que dizer, afinal as duas haviam sido mandadas para a mesma tarefa. Tem algumas particularidades que penso a respeito, mas não direi em público, minhas impressões. O que importa é que foi possível ter uma dimensão do trabalho que precisa ser feito, de tudo o que precisa ser empreendido em meu trabalho.
Começou por aí, mas não parou. O dia foi seguindo devagar, depois veio a hora do almoço e com ela, aquele telefonema. Telefonema que quase me tira o chão. Já havia combinado com minha amada Bá, de ela me dar uns toquinhos de vez em quando, assim, uma chamada sem atendimento, só pra gente ir marcando presença no dia um do outro. Mas ela não usa muito este expediente, então aquele telefonema dela como sobremesa, me fez ficar preocupado. Lógico, eu precisava retornar. Mas cadê que eu achava o número dela na agenda? Nestas horas, tudo acontece pra nos impedir de fazer algo urgente, como que nos tentando a praguejar. Mas mantive firme meu propósito de não praguejar nada. Afastei-me um pouco mais, meu amigo Marcinho estava no caixa do restaurante pagando a conta, e então fui para um lugar mais afastado, onde pude fazer contato com Bárbara.
Minhas suspeitas carregadas de ansiedade se confirmaram. Bárbara, com uma voz abafada e em soluços, falou-me que tinha sofrido um acidente, mas logo se prontificou a dizer que estava tudo bem. Espírito Santo, és tão bom, que me conservei tranqüilo, sem ao menos demonstrar aos meus convivas naquela hora, o que se passava. Mas por dentro, só Tu sabes como eu estava. Estava quase que louco, não consegui mais pensar, raciocinar, pois eu sabia que algo tinha acontecido. Mas por vossa graça, o que tinha acontecido, tinha sido tão somente o susto do acidente.
Mais tarde, ainda pude partilhar com Bi (para cada ocasião chamo minha amada de um modo diferente, o leitor desconhece o fato, por isso se faz necessária à explicação) o que havia de fato acontecido. Quando ela me disse que o ônibus em que estava quase havia despencado no precipício, meu coração entrou como que em um choque. Eu entendi claramente que o ocorrido tinha de todo, a mão de Deus a nos socorrer.
Fiquei imaginando o restante do dia e demorei pra pegar no sono por conta disso. Fiquei a pensar em algo que não mais sai da minha cabeça e que não sei ao certo ainda, a causa: Como eu poderia viver sem Bárbara? O que seria da minha vida, sem ela? Estou pensando na falta que ela me faz... e na falta que me faria, se me deixasse assim tão de repente. É nessas horas que percebo o valor do meu amor por esta menina. E o Senhor é tão bom que nos permite viver o mistério da distância, para nos mostrar que a vida de um é ao lado do outro. Assim, todos os momentos são valorizados, todos os momentos são ansiados. O desejo de estar junto, de estar perto, faz com que valorizemos todos eles. E o medo de um perder o outro faz com que um ame ainda um pouco mais o outro.
Não sei, se concordas com meu ponto de vista. Mas tenho certeza de que ficas feliz com nosso namoro e com nosso noivado. Também tenho certeza, de que naquele momento do acidente, mandaste seus anjos, para guardar minha amada. E quando fizeste isso, quando nos deste esta graça, guardaste também o teu filho, que tanto te ama. E que tanto lhe é grato. Te amo, meu Deus! Louvado seja!

Belo Horizonte, 12 de Junho de 2008.

domingo, 8 de junho de 2008

A Batalha pelas Células-Tronco: Vitória da vida ou da morte?




Em decisão polêmica amplamente comemorada pela imprensa nacional, o Supremo Tribunal Federal aprovou dia 29 último pesquisas com células-tronco. Tema controverso, a liberação de pesquisas com células embrionárias foi a decisão final de seis dos onze ministros do STF. Entre os perdedores, ainda havia quase um consenso quanto a liberação parcial de tais pesquisas. Enquanto a “Grande Imprensa”, comandada pelos maiores veículos de comunicação do país (Revista Veja, Rede Globo, outros) comemora o resultado como uma “vitória da vida”, o que se vê é o desconhecimento sobre a realidade do ser humano.
Vivemos em um Estado laico por direito. Entretanto, tal premissa não serve como argumento para legitimar a decisão dos ministros da Suprema Corte, visto que não se trata de temática jurídica pura e simples, mas se trata antes de tudo, do valor da vida humana. O direito à vida deve ser inalienável, não passível de questionamento, independente do momento e ou situação em que esta se encontre. Sendo assim, mesmo não podendo se pautar pela fé, para se fundamentar uma decisão de tal envergadura, deve-se levar em consideração o fato de que um embrião é uma vida. E vidas devem ser preservadas para a concretização do bem comum.
Os ministros do STF não entenderam assim. Pressionados por grandes setores da sociedade brasileira que vive à guisa dos modismos americano e europeu, estes senhores e senhoras de responsabilidade ímpar, decidiram que a vida não tem nenhum valor em sua fase embrionária. O que está sendo proposto cai em um profundo lodo de idéias que abre caminho para uma série de práticas nocivas à vida: aborto, eutanásia, só para citar dois.
Em diversos pontos a argumentação dos ministros se fez inconsistente. Todavia, o que se pode colher de concreto na postura da Suprema Corte brasileira é que o direito brasileiro não protege a vida humana em todas as suas fases. Esta posição foi assumida perante a sociedade no último dia 29, com a decisão do Supremo. Ainda se pode concluir que o Brasil a partir do dia 29 de maio último, perdeu a verve cristã que o diferenciava dos demais.
Vejo com perplexidade os textos do Jornal Super do dia 30 de maio último, ou a coluna do sr. André Petry da Revista Veja e mesmo a “matéria comemorativa” do Jornal Nacional da TV Globo a respeito do tema. E ainda as cartas dos leitores de Veja desta semana. O que se nota é a posição da sociedade contra o que chamam de fanatismo religioso. Preferem nivelar por baixo a discussão sobre a vida. Os defensores da posição da CNBB acerca de pesquisas com células-tronco não pensam em prejudicar os chamados cadeirantes ou qualquer outro que necessite dos avanços da ciência nesta área. Apenas querem que a vida seja respeitada em todas as suas extensões. Cristo foi julgado por ser a favor da vida em todas as suas extensões. Ele não usou vida nenhuma para fazer seus milagres. E é Ele que seguimos.
Termino este libelo com uma prece. Peço a Deus que esclareça a mente de seus filhos quanto ao posicionamento sobre as células-tronco. Que a ciência possa ter o seu devido lugar na sociedade e que este não seja o de motivadora da desvalorização da vida. Que o Senhor em sua infinita misericórdia abra os nossos olhos para entendermos claramente a vida e o seu valor em todas as suas fases. Amém.

Belo Horizonte, 08 de Junho de 2008.

sábado, 7 de junho de 2008

Calvário Atleticano - Recado à Diretoria Alvinegra


Por Deiber Nunes Martins

O ano do centenário do Glorioso Atlético Mineiro, paixão maior de Minas Gerais, está sendo o ano do pesadelo para sua torcida. Com um vergonhoso time, a diretoria do Galo está matando aos poucos a sua torcida. O mais recente capítulo deste calvário aconteceu esta noite, em São Paulo, com a derrota para o time paulista por cinco a um. Neste jogo, o Atlético teve a capacidade de tomar três gols em quinze minutos, de um time apenas medíocre como o São Paulo...
Tomo a liberdade de me apropriar das palavras do comentarista da Rádio Itatiaia, Lélio Gustavo sobre o jogo de hoje: o Atlético, de 2003 para cá deixou de ser o ator principal do futebol brasileiro, brigar por títulos como um grande time e passou a ser o coadjuvante nos campeonatos nacionais. Ou melhor, nem coadjuvante, pois este também tem direito a Oscar. O Galo hoje faz papel de figurante de quinta categoria no campeonato nacional.
O time do Atlético não é medíocre. Medíocre são os outros. O campeonato brasileiro deste ano se repete: não há nenhum time com um futebol que salte aos olhos. Muitos vêem com simpatia os times do Rio, mas todos eles também são sofríveis. No entanto, o Atlético Mineiro consegue ser pior. O "Péssimo dos Péssimos", mais uma vez tomando do Lélio uma expressão cunhada por ele.
Minha tristeza como torcedor, é saber que no ano do centenário, somos obrigados a conviver com este vexame, este arremedo de time. Jogadores que não têm futebol suficiente para vestirem a camisa alvinegra, um clube desorganizado, cheio de dívidas e com uma diretoria incompetente e medrosa. No Atlético é proibido correr riscos. Meus caros dirigentes, me provem que a situação financeira do Flamengo é melhor que a nossa para que eles se dêem ao luxo de montar um time razoável para os campeonatos que disputa? Podemos deixar o Flamengo de lado e tomemos o Botafogo, como exemplo. Se bobear, o time da estrela solitária tem uma dívida maior que a nossa e conseguiu montar um time com chances de chegar a Libertadores em 2009, se posicionando entre os quatro melhores do país. Me provem que o Cruzeiro é infinitamente superior ao Galo este ano, para sermos merecedores de tão vexatória derrota no campeonato em que eles desdenham?
Meus caros senhores do Atlético, este time, esta nação chamada Clube Atlético Mineiro é maior que vocês e que todas as suas dívidas. No ano do centenário, uma data mais que importante para Minas Gerais, vocês deveriam ter ousado mais. O Leão valia cada centavo que estava pedindo e vocês optaram pelo Geninho. Valia a pena ter investido no Ricardinho, que está insatisfeito lá no exterior. Não digo o Galhardo, que este é fim de feira, mas vocês poderiam ter trazido o Camilo, que os Perrelas cresceram o olho. Este garoto será em pouquíssimo tempo, um dos melhores meio campistas do Brasil, uma posição que o Atlético há muito não consegue preencher. Os Cruzeirense levaram o jogador de graça. Também o Douglas e o Acosta do Corínthians foram oferecidos. Mas não se quis investir. Será que o Corínthians está nadando em dinheiro para ter um time dez vezes melhor que esse que vocês montaram, disputando uma segunda divisão?
Senhores dirigentes do Atlético, vocês não estão pecando pela prudência no trato com as finanças do Galo. Mas estão pecando em manchar o clube de maior tradição deste país. O Clube de torcida mais apaixonada. Vocês estão pecando em matar aos poucos cada dia mais e mais, corações e mais corações atleticanos. Pensem nisso. E se der tempo, pensem também que com o time que vocês estão colocando em campo, e com as contratações que vocês estão fazendo, a segundona vai estar de volta em breve. A torcida, por mais apaixonada que seja, não lotará o Mineirão este ano. E isto não será nada bom para as finanças do clube. O torcedor atleticano é como o esposo sempre maltratado pela esposa. Uma hora cansa, diz que vai comprar cigarros e nunca mais volta. Pensem nisso.

Belo Horizonte, 07 de Junho de 2008

segunda-feira, 2 de junho de 2008

A Esperança da Fé

Por Deiber Nunes Martins

Eram três horas da tarde. O sol a pino queimava a tudo naquela pobre cidade. Seu Joselino, homem de fé, cuidava da sua vendinha, ao mesmo tempo em que fazia uma prece. Havia aprendido com a mãe, a importância da oração das três horas. Exibia orgulhoso no peito, a medalha de Nossa Senhora das Graças e nos fundos da loja era exibida uma estampa da Divina Misericórdia, os santos de devoção do pobre Joselino.
Naquele momento, dois homens desceram de uma motocicleta e adentraram a loja anunciando um assalto. Era insano pensar que naquele fim de mundo, uma simples bodega teria alguma renda pra ser roubada. Todos viviam com o pouco e viviam felizes. Era fim de mês e os únicos fundos de seu Joselino eram os recebíveis da cadernetinha de fiado.
Mas os homens não se importaram com isso. Afinal, ninguém se importa mesmo, é assim a vida. Mas não se importando, invadiram o estabelecimento e exigiram do pobre homem todo o dinheiro da loja. Espancaram-no, humilharam-no. Deixaram-no impotente mediante a realidade torpe da violência mundana, invadindo as pequenas cidades do interior. Enfurecidos, foram quebrando a pequena mercearia, sem encontrar o que chamavam de caixa registradora. Não encontrariam mesmo. Seu Joselino não tinha um caixa propriamente dito. O dinheiro surrado das vendas ia direto para o seu bolso da calça, ou então, para uma pequena caixa de sapatos, onde ficava o dinheiro miúdo. Era assim, o pobre comércio de Seu Joselino.
Cada vez mais nervosos, os homens tentavam a todo custo descobrir onde estava o dinheiro. Ao mesmo tempo, espancavam fortemente Joselino que não conseguia dizer nada. Balbuciava palavras desconexas, incompreensíveis. Estava debilitado demais pela surra que levava. No entanto, não tentava discutir com seus algozes. Apenas rezava.
No ato de desespero, um dos homens sacou uma arma e descarregou toda a sua munição no pobre Joselino.
Estirado totalmente ensangüentado, Joselino tinha perfurações no peito, no ombro, abdômen e perna. Estava morto, concluíram os bandidos. Evadiram-se do local desesperados pelo fracasso do assalto. Logo que saíram em disparada pelas ruas empoeiradas da cidade, o irmão de Joselino, Seu Jairo, chegou. Entre desespero e decisão, Jairo preferiu decidir-se pela vida do irmão. Tomou-o nos braços e colocou-o na camionete. Chegaram ao hospital da cidade vizinha cerca de uma hora depois.
Quando os enfermeiros se depararam com Joselino e tomaram conhecimento do ocorrido tiveram a certeza que Jairo não teve: Joselino estava morto. Também o médico que o socorreu julgou assim. Mas logo percebeu que estava enganado.
Parecia que Joselino tinha entrado numa espécie de choque. Na verdade, os tiros que o alvejaram não haviam atingido nenhuma parte vital de seu corpo. E alguns deles vararam o corpo daquele homem sem atingir nenhuma artéria ou órgão vital. Logo, logo, após as cirurgias necessárias para a retirada dos projéteis, Joselino recuperou todos os sinais vitais e aproximadamente dez dias após o ocorrido, estava de volta a seu armazém, trabalhando. Trabalhando e rezando.
Para muitos há um segredo na história de Joselino. Para outros, um acaso do destino. Para outros ainda, milagre de Deus. Mas para seu Joselino, ele mesmo foi o milagre. Deus, em toda aquela situação de violência, usou Joselino como instrumento. E este, sabedor disso, se deixou usar. Então tornou-se milagre. Milagre que salta aos olhos de quem quer ver.
A fé de Joselino não impediu que ele fosse vítima de seus algozes. Também não impediria que ele sucumbisse a violência. A diferença é que Joselino não tem uma fé sem base, uma fé de aparência. Sua fé foi tomada por obras, pela certeza da bondade de Deus. A fé daquele homem foi uma fé viva. Baseada em sua entrega total a Deus. Assim, Joselino é um milagre de Deus a serviço da humanidade, para que essa possa se voltar ao Deus Amor que tanto nos ama.

Belo Horizonte, 02 de junho de 2008.

sábado, 31 de maio de 2008

Quem está feliz diga: NÓS!


Por Deiber Nunes Martins

Uma das coisas que mais me encantam em Jesus é que Ele não quer que estejamos sozinhos. Em nossa caminhada, Jesus sempre propõe que sejamos humildes e reconheçamos que não somos auto-suficientes. Precisamos depender uns dos outros e realmente dependemos, porque não somos completos. Jesus nos mostra isso na realidade da família. O exemplo da família de Nazaré, onde José, Maria e Jesus, cada um, tinha o seu papel para a família e para a humanidade nos mostra a essência da companhia. O próprio casamento, onde a mulher completa o homem e vice e versa, é uma necessidade do ser humano, preenchida.
Deus não nos quer sozinhos. É um fato. Deus não quis o homem sozinho, na Criação da humanidade. E não te quer hoje sozinho. No entanto, é preciso reconhecer-se dependente do amor do outro, assim como do amor de Deus. Esta realidade é que nos leva além, no plano de Deus. Mas para que não seja o Eu e sim o Nós, a imperar em nossas vidas, é preciso ser companheiro a todo o tempo. É preciso se alegrar com a vitória do outro. É preciso estar junto. É preciso chorar junto, se preciso for.
Em dois tempos. Primeiro, certa vez um professor de marketing disse como conselho a quem queria ser bem sucedido na carreira, que o ideal de vida a ser levado é se aproximar das pessoas que estão numa boa e rejeitar discretamente, as que não estão. Pois alto astral atrai sucesso e baixo astral, fracasso. Pois é, Sr. professor, Deus me ensina ver além da sua idéia egoísta. Deus ensina que a pessoa de bem com a vida me faz estar também, mas a de mal com a vida, mas faz ver que posso ajudá-la. E ajudar.
Segundo, quando estamos em grupo, temos um papel e uma missão. Podemos ir além na vida do outro e o outro em nossa vida. Podemos nos completar. Assim, faz sentido estar junto, faz sentido ser o nós e não o eu sozinho. No entanto, é preciso tomar cuidado com a ilusão de estar sempre acompanhado. Pois existem pessoas que têm aversão a ficarem sozinhas e assim, vão se empurrando em direção as outras, em busca de amizades de fachada que não representam nada a não ser o desfrutar de uma companhia. Certa vez uma amiga minha, entrou neste processo de procurar todo tipo de companhia para evitar a solidão. O resultado foram o cultivo de algumas amizades duradouras e de outras totalmente indesejáveis.
Enfim, estar junto é o que há, todavia é importante em momentos, cultivar o estar sozinho, a solidão. Pois é na solidão que encontramos o maior tempo possível para bater aquele papo com Deus e nos dizer a Ele. Certamente, podemos ter um milhão de amigos mas é salutar com esse milhão de amigos na agenda do celular, encontrar um tempinho para se estar sozinho, para se estar com Deus.
A felicidade passa por aí. Quem está feliz diga nós!

Belo Horizonte, 31 de Maio de 2008.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Meu Presente de Aniversário

Por Deiber Nunes Martins

Amanhã é meu aniversário e quero deixar este texto para reflexão. Vou completar 30 anos daqui a poucas horas. Nestes 30 anos muitas emoções eu vivi. Mas vou garantir a vocês, que nenhuma delas se compara com as emoções que estou vivendo neste momento. O amor bateu-me a porta e mal a abri e ele já foi entrando, intenso, vigoroso, glórias a Deus!
A cada dia sinto-me mais imerso neste amor. A todo tempo, penso nesta Minina, respiro esta Minina. A realidade mais bela da minha vida. A razão dos meus dias. A pessoa que me completa. A Mulher que me faz pensar somente nela e em mais nenhuma outra. Estando perto ou longe, ela está aqui, do meu lado. A posso sentir aqui do meu lado e ela está a mais de mil quilômetros de mim. Não conheço a estrada do amor, mas Deus me conduz por ela.
O que me faz entender que sou dela e que vamos ficar juntos por toda a vida e também na eternidade é que Deus nos aproximou e se sente feliz vendo nós dois juntos. Uma das coisas mais importantes que já vivi nesta minha vida, foi sentir o amor de Deus presente em mim. Em um momento que o que eu tinha era o meu choro. E no segundo seguinte, eu tinha o amor de Bárbara, minha Minina.
Quando Bi me disse que eu tinha que prestar atenção ao que Deus queria de mim, eu fiquei desconcertado. Como vou saber? Como vou ouvir? Eu não sabia. Então me coloquei a seus Pés em adoração. E não senti nada. Mas senti tudo numa frase que veio a minha mente e martelou por todo aquele momento de fé: "Sou teu amigo!" Sim, Jesus me dizia naquela frase que era meu amigo. E que estava comigo e com Bárbara, nos apoiando e assim ficaria para sempre.
A confirmação deste momento veio ao final do momento de adoração, quando o padre disse a seguinte frase: "Jesus é seu amigo."
Parece ser confuso meu relato, mas é assim mesmo. Não dá pra dissociar o amor de Deus e Deus do amor. Nossa história com Deus é feita de amor e o meu amor pela Bárbara tem o toque de Deus. Eu a amo com a minha vida e ela, ela é o meu presente de aniversário. Eu preciso agradecer a Deus por toda a minha vida e também por toda a eternidade, por Ele tem sido misericordioso e bondoso comigo a ponto de colocar em meu caminho, minha amada Bi.
Orquídea, obrigado por você existir e me deixar ser teu jardineiro. Você mora no meu coração e é parte viva de mim. Sem você serei incompleto. Com você, seremos um. E o amor, o amor, é o meu presente de aniversário. Obrigado por este presente! Te amo!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Vivir Sin Aire


Composição: Maná

Cómo quisiera poder vivir sin aire
Cómo quisiera poder vivir sin agua
Me encantaría quererte un poco menos.
Cómo quisiera poder vivir sin ti

Pero no puedo, siento que muero,
me estoy ahogando sin tu amor.

Cómo quisiera poder vivir sin aire
Cómo quisiera calmar mi aflicción
Cómo quisiera poder vivir sin agua
Me encantaría robar tu corazón.

¿Cómo pudiera un pez nadar sin agua?
¿Cómo pudiera un ave volar sin alas?
¿Cómo pudiera la flor crecer sin tierra?
Cómo quisiera poder vivir sin ti.

Pero no puedo, siento que muero,
me estoy ahogando sin tu amor.

Cómo quisiera...

Cómo quisiera lanzarte al olvido
Cómo quisiera guardarte en un cajón
Cómo quisiera borrarte de un soplido
Me encantaría matar esta canción.

Emoções de um Fim de Semana


Por Deiber Nunes Martins

O final de semana prolongado passou e deixou no ar a indefectível sensação de quero mais. Ainda mais que todo ele foi passado nos braços da amada, lá em solo baiano. Deus meu, esta minina tá me fazendo apaixonar pela Bahia...
Era uma da manhã quando desembarquei no Aeroporto Jorge Amado, na bela cidade de Ilhéus. Que coisa maravilhosa! Saí de BH sentindo frio, com a blusa nos ombros e fui recebido num clima agradável na Bahia. Acabei me sentindo um peixe fora d’água diante daquele calor todo do litoral e eu um mineiro saído de frio outono! Coisas do nosso Brasil abençoado por Deus...
Fico maravilhado ao chegar em Ilhéus. É a minha segunda chegada, a emoção é a mesma, mas sentir a cabeceira da pista do aeroporto rompendo com o mar revolto de uma noite quente de outono baiano, faz com que minha alma se agigante, se revigore. Quando a aeronave toca o solo baiano, meu coração dispara. O clima baiano começa a inundar meu ser ainda dentro do avião. É impressionante! Mas o coração dispara não pelo clima baiano e sim pela baiana à minha espera...
Tão logo deixo a angustiante sala de embarque, passo os olhos à espera de minha amada. Tanta gente à sua frente, não consigo de início, vê-la. Uns dois passos mais e ali está! Minha linda com um sorriso só dela e os braços abertos também. O fim da espera e da saudade são selados num abraço apaixonado, só nosso! Deus é mais!
Tanta coisa pra partilhar e tantas alegrias pra compartilhar! Tenho tanta coisa e ela também tem tanta coisa pra dizer. Como é bom estar junto! Após um longo inverno, estamos juntos fisicamente de novo! É bom demais! Minha neguinha está linda! Cada vez mais linda! E eu cada vez mais apaixonado!
Esta viagem tem uma razão especial. Além de ser o meu presente de aniversário, o melhor deles, com todo respeito aos outros, é um momento importante em nossa história: o momento de selar nosso compromisso de em breve sermos um só. Desejava por isso desde que voltei da Bahia, na primeira vez, mas precisávamos amadurecer a idéia, ela precisava conhecer minha realidade aqui em Minas e precisávamos da bênção de Deus e dos nossos pais. Após receber as bênçãos de meu futuro sogro, não tive mais nenhuma dúvida: é Deus que faz o momento e o momento é agora! Sim, a Graça é de Deus e ela é agora! “Hoje é o Tempo da Graça...”, como diz o Eros em sua música. E nós, Bi e eu, tomamos posse deste tempo.
Ainda tenho muito a partilhar, muito neste espaço aqui. Mas também muito a viver deste novo tempo, o tempo do noivado. Que Deus possa continuar nos abençoando, e nos dando a graça do reencontro a cada dia. Que a ponte aérea Ilhéus – BH possa continuar contribuindo para o estreitamento da distância e para matar a saudade, que já se faz enorme, e só faz algumas horas que deixei minha amada Bi no Aeroporto de Ilhéus! Mas dentro da aeronave, afivelando o cinto de segurança, eu já pensava: “Como eu gostaria de um beijinho a mais de despedida...”

Belo Horizonte, 26 de maio de 2008.

sábado, 17 de maio de 2008

Além do Horizonte

Letra e Música: Roberto Carlos
Por Deiber Nunes Martins

Além do Horizonte deve ter
Algum lugar bonito
Prá viver em paz
Onde eu possa encontrar
A natureza
Alegria e felicidade
Com certeza...

Lá nesse lugar
O amanhecer é lindo
Com flores festejando
Mais um dia que vem vindo...

Onde a gente pode
Se deitar no campo
Se amar na relva
Escutando o canto
Dos pássaros...

Aproveitar a tarde
Sem pensar na vida
Andar despreocupado
Sem saber a hora
De voltar...

Bronzear o corpo
Todo sem censura
Gozar a liberdade de uma vida
Sem frescura...

Se você não vem comigo
Tudo isso vai ficar
No Horizonte
Esperando por nós dois...

Se você não vem comigo
Nada disso tem valor
De que vale um paraíso
Sem Amor...

Além do Horizonte
Existe um lugar
Bonito e tranqüilo
Prá gente se amar...

Nas proximidades do grande dia, dia do reencontro com meu amor, dia de matar toda a saudade que está quase me matando, penso nesta música e nas verdades que ela contém. As vezes nos esquecemos das pequenas coisas boas da vida, fruto de uma rotina caótica e cheia de pressa que temos.
Não dá tempo de pensarmos além do horizonte de nossas vidas. Ficamos cercados em nossos medos, nossas preocupações, nossas dúvidas e receios. uMas devemos ir além. Devemos ir além do horizonte buscar nossa esperança. Infelizmente, o mundo tenta nos cercar e tirar esta esperança de nós. Mas é além do horizonte de nós mesmos que está a nossa felicidade, o nosso lugar.
Que possamos olhar além de nós mesmos. E que possamos amar além do que amamos. Para que Deus seja realidade em nossas vidas para o benefício dos outros. E que nesta realidade, olhando adiante sem se esquecer de tudo o que somos, possamos fazer a diferença no mundo.

Um Erro não se Paga por Outro

Por Dalton González, Deiber Nunes Martins e Erick Santiago

Um erro é sempre um erro. E não justifica outro erro. Sempre viverei com isso. Este é um lamento a respeito do que podia ter feito àquele homem, meu cruel algoz. O meu arrependimento é não ter dado a ele a piedade que me foi negada. Foi um erro, mas eu aprendi com ele.
Tudo começou há quinze anos atrás. Ainda me lembro do momento em que me apaixonei a primeira vista por Juliana. Era ela a flor mais linda naquela plataforma da estação. Uma linda manhã de sol, apesar do rigoroso inverno. O trem se aproximava lentamente e eu do outro lado da estação. Sob protestos furiosos dos funcionários da companhia ferroviária, saltei a pequena mureta de cercava os trilhos do trem, atravessei-os a poucos metros da locomotiva e num lépido salto já estava na plataforma, pertinho de Juliana, a razão do meu desatino. De perto, ela era ainda mais linda, com os olhos negros arregalados revelando sua surpresa ante minha aventura. Ao perceber tudo, deu ela um lindo sorriso que eu nunca esquecerei.
Seis meses depois estávamos casados e mais um ano depois, tínhamos nosso filho, José. José era uma criança linda e tinha que ser mesmo, afinal tinha todos os traços formosos da mãe. Era um menino que havia nascido para nos dar muitas alegrias. E era mesmo, a alegria da casa. Crescia como todas as outras crianças, alegre e travesso, mas também muito inteligente e bem disposto. Era o motivo de todo nosso orgulho.
Não sou capaz de descrever a minha felicidade naqueles tempos. Éramos pobres, mas éramos felizes. E eu tinha tudo o que precisava para viver. Como eu amava Juliana e José. Eram a melhor parte de mim. Por isso, ainda hoje eu não entendo como sou capaz de existir sem a minha melhor parte.
Era uma tarde de outono e uma brisa gelada sibilava na janela. Eu havia acabado de chegar do trabalho, estava muito cansado e por isso me deixei cair sobre o sofá que tínhamos na sala. Percebi que o mundo girava ao meu redor e tentei me ajeitar por ali, pegando o jornal daquele dia e folheando-o, na tentativa de manter-me acordado, a espera de minha esposa e meu filho, que voltavam da casa do meu sogro. Queria estar acordado na hora em que chegassem mas não consegui e acredito eu que em poucos minutos estava no mais profundo sono.
Acordei terrivelmente agitado por um angustiante pesadelo. Olhei ao redor e estava tudo escuro. Passavam das três da manhã e o vento outrora sibilante na janela era quase ensurdecedor. Fazia muito frio e ali naquela sala começou o meu fim, o meu drama. Era certo que Juliana ainda não havia retornado e não haviam motivos para que ela não o fizesse. Esta certeza exasperou meu coração e após uns instantes comecei a confirmar todos os fantasmas e pensamentos ruins que se avolumavam em minha mente. Meu sogro ficou preocupado com minha ligação e me disse ter se despedido da filha ainda no início da noite. Liguei para amigos e todos regateavam meu sossego, dizendo não saber de Juliana, nem do meu filho. Minha última ligação trouxe o desespero quando uma das amigas de Juliana, disse que tinha passado a noite esperando por minha mulher, com quem tinha marcado um lanche.
Daí em diante minha cabeça começou a girar vertiginosamente e tudo de ruim parecia se transportar da minha mente, para minha vida. Ao final daquela manhã de sexta-feira, recebi a notícia: minha esposa e filho jaziam mortos.
Nada mais fazia sentido. Não conseguia chorar, não conseguia me mover, estava eu completamente em estado de choque. Recuperei um pouco dos sentidos um dia após o funeral, quando descobri que Juliana e meu filho José, haviam sido mortos pela imprudência de um jovem advogado, filho de pessoas ricas e influentes da minha cidade. Este rapaz, dirigindo sob o efeito de drogas e álcool, completamente embriagado, havia avançado o passeio, atropelado e matado a minha família, a melhor parte de mim. Começava então o meu maior e mais terrível desafio.
Os dias que se seguiram foram angustiantes e pareciam não ter fim. Não tinha forças para comer, andar, dormir, não tinha forças para nada. Apenas uma coisa povoava minha mente e todo o meu ser: fazer aquele rapaz pagar pelo que me fez. Ele tinha tirado a minha vida e deveria pagar por isso.
Sabia eu que a influência política de seus familiares impediria qualquer punição contra ele. E realmente assim o foi. Então tratei de planejar um meio de fazer justiça com minhas próprias mãos. Mas não sabia como fazer e em minha primeira tentativa de acabar com a vida dele, fui descoberto e preso por tentativa de assassinato.
Passaram-se cinco anos até que eu tivesse outra oportunidade. Desta vez, eu já sabia como fazer e não haveria fracasso. Queria vê-lo morto por tudo o que ele me tinha feito. Eu acreditava que acabando com aquele infeliz, daria um fim em toda aquela amargura, em todo aquele sofrimento que vivia. Ledo engano.
Engano que fui entender tempos depois. Talvez eu nunca me esqueça das últimas palavras daquele pobre coitado me dizendo:
“Não há uma noite que eu vá dormir sem me lembrar do mal que fiz a sua esposa e filho. Por isso, eu não posso mais viver. Não tenho o direito a vida, uma vida que eu nunca dei valor...”
Aquelas eram palavras que não me causaram nada, naquele momento. Tão cego de ódio estava, que não as compreendi. Elas ecoaram em minha mente sob a forma dos tiros que disparei naquele garoto. Ainda me lembro dele caindo com olhar resignado e o sangue a jorrar pela sua boca. Ainda me lembro disso. E talvez eu nunca me esqueça.
Um erro não justifica outro erro. Hoje eu sei. Mas não foi da melhor maneira que aprendi. Se eu pudesse voltar atrás, eu voltaria. Mas não para julgar que não tenho direito à vida, como aquele garoto inconseqüente julgou. O meu querer era poder mostrar a ele que sim, ele tinha o direito a vida. Assim como eu o tenho, assim como Juliana e José também o tinham. Um erro não se paga por outro.

Belo Horizonte, 17 de maio de 2008.

A história da Lagarta


Postado no Blog Orquídea
Texto de complemento: Deiber Nunes Martins

Imagine uma lagarta. Passa grande parte de sua vida no chão,
olhando os pássaros, indignada com seu destino e com sua forma.
"Sou a mais desprezível das criaturas", pensa.
"Feia, repulsiva, condenada a rastejar pela terra."
Um dia, entretanto, a Natureza pede que faça um casulo.
A lagarta se assusta - jamais fizera um casulo antes.
Pensa que está construindo seu túmulo, e prepara-se para morrer.
Embora indignada com a vida que levou até então,
reclama novamente com Deus.
"Quando finalmente me acostumei,
o Senhor me tira o pouco que tenho."
Desesperada, tranca-se no casulo e aguarda o fim.
Alguns dias depois, vê-se transformada numa linda borboleta.
Pode passear pelos céus, e ser admirada pelos homens.
Surpreende-se com o sentido da vida e com os desígnios de Deus.

(Autoria Desconhecida)


Este texto foi postado pela Bi em seu Blog e veio de encontro com uma situação que a deixou triste. Bom, este é o ambiente do texto, um texto de autoria desconhecida mas que vem nos ensinar muita coisa. As vezes precisamos compreender que o planejado por nós nem sempre é o mais adequado em nossas vidas. A lagarta queria ser bonita e atraente, mas Deus tem o plano Dele e no momento certo, acontece. Não do jeito que ela pensou, mas do jeito Dele. E certamente é o melhor jeito.
Não tenho medo de planejar. Na verdade, planejo minha vida desde pequeninho. O gostoso disso tudo é muitas vezes ver que o plano não vai funcionar, mas que posso refazê-lo ao contexto em que estou vivendo. Quantas vezes meus melhores momentos não foram frutos de desvios em meus planos, ou de planos não concretizados? É por isso que eu só posso agradecer a Deus por tudo o que Ele tem feito em minha vida.
Ontem mesmo foi assim. Fui a um lugar na certeza de que resolveria uma coisa e não consegui. Não foi possível. Meus planos passavam pela resolução daquele problema mas não foi possível. De todo modo, Deus não me deixou voltar de mãos abanando. Consegui angariar informações para meus planos e vou refazê-los. Mantenho o foco no que estou buscando, mas Deus me ensina cada passo e quando dou um passo errado, Ele me ajuda a corrigir. Muitas vezes, Deus me indica o casulo a construir e vou em frente. Peçamos a Deus a sabedoria necessária para construirmos os casulos que Deus quer que construamos. É assim que alcançamos nossos objetivos. É assim que nossos planos se realizam.
Obrigado, Bi, pelo seu texto e pelo seu amor incondicional. Este também é o meu amor por você.

Belo Horizonte, 17 de Maio de 2008

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Diálogos com o Espírito Santo


Por Deiber Nunes Martins

Caríssimo amigo, que semana abençoada esta última que passou! Confesso que ao seu final, estou maravilhado diante das inúmeras bênçãos e também inúmeras provações pelas quais passei, durante estes dias. Foram momentos intensos, onde experimentei duas sensações distintas. De um lado, a tua presença e de outro a incrível sensação da tua ausência, tentando me dominar. Sinto-me feliz por estar aqui e por ter superado esta semana tão difícil.
A certeza da semana abençoada, cheia de graças veio com o início do Cerco de Jericó, lá na Missão Mundo Novo. Ali, de frente ao Santíssimo, todas as esperanças foram depositadas e assim como aquele pão se transfigura no Corpo de Cristo, em Cristo Eucarístico, assim, tais esperanças se transfiguraram em certezas.
Mas não poderia mesmo ser fácil a caminhada. Na quarta-feira, fui tomado por momentos ruins. Tive desentendimentos com pessoas no meu trabalho. Desentendimentos bobos, não fui capaz de aceitar brincadeiras. Acabei não me permitindo rir de mim mesmo e perdir o tempo, a oportunidade de ser mais simpático aos outros. Como se não bastasse, na parte da tarde, não fui capaz de entender o que minha namorada queria me dizer e acabei ficando irritado pela minha incapacidade de compreender, como se isso fosse uma lástima. Não percebi que agindo assim, com tamanha exasperação, eu a deixava entristecida do outro lado, uma vez que ela não tinha como me ajudar e não tinha como explicar melhor pra mim o que sentia. Um problema banal de comunicação, fruto da distância - mais de 1000 km nos separam fisicamente. E sentimos isso na comunicação precária via internet.
Enfim, coisas que parecem ser bobas, foram tentando me derrubar, e quase conseguiram. Mas Deus é mais forte e poderoso que todos os meus problemas, que todos os meus males. É nesta verdade que eu me seguro. E com ela vou em frente. Após uma semana turbulenta cheia de conflitos internos, externos e tudo o mais, estava cansado, completamente esgotado, na sexta-feira. Mas tinha a Vigília de Pentecostes, onde falei a mim mesmo que iria custasse o que custasse. E fui. Como foi bom! Ali, eu percebi o quanto Deus vai nos curando, o quanto Ele se manifesta no meio de nós. Quantas bênçãos derramadas! Quantas pessoas ali chegaram entristecidas, arrasadas e saíram respirando aliviadas, mesmo cheias de olheiras ao final da manhã. Foi uma noite linda, que requer alguns relatos mais detalhados. De todo modo, neste texto, quero mencionar aquele jovem todo sujo, sentado no último banco da Igreja. Ele estava ali, mas era como se não estivesse. Totalmente alheio ao que acontecia, o jovem ficou aquela noite toda de cabeça baixa. Mas ao final da noite, certamente, alguma coisa ficou para ele, daquilo tudo. Confesso que rezei por ele. Rezei para que em algum momento, ele encontrasse naquela noite, uma porta, uma porta mesmo que estreita, para a sua saída.
Não o conheci pessoalmente, não tive oportunidade de falar-lhe, mas sei que Deus queria ele ali e não só o queria ali, como queria também que ele fosse tocado. Ao final da Vigília, olhei para o banco e não o vi. Ele se tinha ido. Mas certamente, não era o mesmo que havia entrado. Talvez sua vida ainda continua difícil. Viver na rua, no frio, não é fácil. Mas que este rapaz tenha ali, naquela Igreja, te encontrado, meu amigo Santo Espírito. E se assim o foi, fico tranquilo, pois não há quem não te encontre que fique o mesmo. Você sempre muda para a melhor a todas as pessoas.
Ao final desta semana, após a Vigília de Pentecostes, vejo o derramamento de Ti sobre as pessoas. Muitas delas, nem sabem. Ainda são incapazes de sentir, mas já são instrumentos Vosso. Canais das suas graças. Que Deus abençôe a todos nós.

Belo Horizonte, em 13 de janeiro de 2008.

sábado, 10 de maio de 2008

Conversa com o Espírito Santo


Por Deiber Nunes Martins

Precisávamos conversar mais, ter mais oportunidades, mas talvez tenha me faltado alguma coisa para isso. Quem sabe, não fosse o momento propício e eu tivesse que vivenciar processos sem me dar conta da sua presença. Agora, este texto é uma breve introdução a uma série de diálogos que desejo travar contigo.
Ainda não sou capaz de entender completamente o mistério da sua misericórdia e bondade para saber o porquê de tanto me esperar, o porquê de tanto sofrer com minha ignorância, minha indiferença à tua amizade, à tua presença. De todo modo, peço-vos perdão pela minha incapacidade de entender a contento que em todo o momento, estás comigo e não me deixas sozinho. A todo o momento, és Tu quem me acolhe e quem prepara o caminho para o meu aprendizado na vida.
Esta semana foi muito produtiva em relação a nós. Gostaria de dizer que aprendi muito. Aprendo sempre contigo, mas esta semana foi a primeira de muitas em que reconheço esta verdade. Não por mal, mas por pouco conhecer-te. Espero poder consertar isso.
Uma coisa interessante é o fato de que por alguma razão que me foge do alcance de entendimento, estivemos tanto tempo bem próximos e sem nos falarmos. Em todo esse tempo, você sabe, o que eu mais buscava era você quem podia me dar. Agora, me sinto feliz porque pode ser diferente. E posso empreender a caminhada sabendo onde encontrar o que precisar. Em você.
Não tenho nada a lhe oferecer em troca. Mas tenho a mim mesmo. Sei que o plano não é meu e posso assim viver melhor minha realidade. Tenho de aprender agora é pedir vossos dons. Pedir o que tens para mim. E humildemente oferecer tudo o que sou a você. Será assim que seu plano se realizará em minha vida. Só lhe peço paciência, se por vezes eu me exasperar, como foi ontem.
Tinha aquele dia nas mãos e joguei quase todo fora. Gastei energia por demais, tentando pôr pra fora minhas frustrações, meus medos e angústias. Como fui teimoso! Mas você, Santo Espírito é tão bom que me faz melhor até mesmo nas minhas teimosias. Na tentativa de me explicar e de tentar entender, fui apresentando tudo o que sou a minha amada. Pra que ela saiba o quão fraco eu sou. Não entendo a sua lógica, mas sei onde ela me levará. E então, entendo que ali, tu estavas bem presente. Tanto do lado dela, quanto do meu. Tu presenciou o choro de minha amada. Viu o que ela sentia. E fez o mesmo comigo. Sabes muito bem o que senti. Em um dado momento, você percebeu que eu me desesperei. Então tu começou a me acalentar.
Acho que esta quarta, foi o começo das coisas. O começo da nossa história. Como bem sabes, não estou preparado. Mas Tu és o meu Deus, o Deus em que confio a minha vida. E se me queres assim, despreparado, muitas vezes imaturo, incapaz de aceitar uma simples brincadeira, às vezes, é porque Tu sabes o plano e onde eu me encaixo nele.
O que ficou desta quarta foi que não devemos ser definitivos em nossa história. Não podemos murmurar com coisas do tipo, "NADA pra mim dá certo.”; "NUNCA vou conseguir.”; “Meus planos NUNCA dão certo." etc... As palavras definitivas não são tuas, Senhor. Assim, que não a acolhamos. Outra coisa importante é que até mesmo em cima das minhas certezas, preciso me calar e ser humilde para aceitar a posição do outro. Se eu estiver errado, Santo Espírito, me corrija. Que no momento da certeza de minha opinião, que eu consiga acolher a opinião do outro, diferente da minha. E que no tempo certo, esta opinião, estando errada, eu tenha uma maneira saudável de mostrar. E estando correta, eu tenha mais uma vez a humildade de reconhecer o meu erro.
Ontem, sexta-feira, foi uma festa e tanto, não foi! Refiro-me a Vigília de Pentecostes. Que momento abençoado, que noite abençoada! Só você sabe o quanto sofri pra conseguir manter-me acordado, para vencer o sono e poder vigiar bem, esta noite. Que os frutos que eu recebi nesta festa, eu possa transmiti-los às outras pessoas, para que outras Vigílias aconteçam e mais e mais pessoas possam viver.
Meu bom amigo, tenho muito a partilhar sobre a Vigília, mas vou deixar para a nossa próxima conversa, no tempo breve. Obrigado pelos seus dons em nossas vidas e por sua infinita bondade e misericórdia.

Belo Horizonte, 10 de maio de 2008.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Sou Um Milagre


Música: Banda Louvor e Glória
Letra: Carlos A. Moysés
Por: Deiber Nunes Martins

Nunca houve noite que pudesse impedir
O nascer do sol, e a esperança
E não há problema que possa impedir
As mãos de Jesus pra te ajudar (2x)

Haverá um milagre dentro de mim
Vem descendo o rio pra me dar a vida
Este rio que emana lá da cruz,
Do lado de Jesus.

Aquilo que parecia impossível
Aquilo que parecia não ter saída
Aquilo que parecia ser minha morte
Mas Jesus mudou minha sorte
Sou um milagre estou aqui.

Usa-me sou o teu milagre
Usa-me eu quero te servir
Usa-me sou a tua imagem
Usa-me oh filho de Davi.

Sim, eu sou um milagre. Nada do que hoje eu sou, eu não seria se não fosse por obra e graça de Deus. Não sou nada mas Nele, em Jesus, eu sou tudo. Sou o milagre Dele.
E sendo o seu milagre, Senhor, me coloco ao teu dispor para o que o Senhor quiser e desejar de mim.
Não me pertenço porque antes disso o Senhor me amou e me quis aqui onde estou, em meio aos meus, minha família, em minha casa, em minha cidade. O Senhor me quer ao lado de minha amada, o Senhor me quer em meu trabalho como Analista Ambiental. O Senhor me quer onde eu estou. Sou um milagre, Senhor e estou aqui. E sou o que o Senhor quer de mim.
Quando caminhamos com Deus, o que é impossível, o que não tem saída, é a oportunidade do Senhor se manifestar na vida dos outros. Porque quem vê os nossos problemas, as nossas aflições, muitas vezes não imagina que vamos vencer. Alguns até esperam o momento da nossa queda com prazer. Mas quando caminhamos com Deus e em Deus, a vitória Dele ilumina a vida das outras pessoas que vivem no escuro.
Eu sou um milagre em tuas mãos, Senhor. Mas o meu irmão também é. Todos nós somos. Somos um milagre e estamos aqui. Que possamos entender o Senhor e o seu plano de amor e assim sempre dar o nosso Sim a Ele. Jesus muda a minha sorte a cada segundo da minha vida. E mesmo quando estou no pecado, Ele muda a minha sorte com o seu perdão. E eu posso voltar. E eu posso de novo estar aqui. E em sua misericórdia, eu sou o milagre Dele.

Belo Horizonte, 06 de Maio de 2008.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Até o Fim


Por Deiber Nunes Martins
Música: Engenheiros do Hawai
Letra: Humberto Gessinger

Não vim até aqui
Pra desistir agora!
Entendo você
Se você quiser ir embora...

Não vai ser a primeira vez
Nas últimas 24 horas
Mas eu não vim até aqui
Pra desistir agora!...

Minhas raízes estão no ar
Minha casa é qualquer lugar
Se depender de mim
Eu vou até o fim...

Voando sem instrumentos
Ao sabor do vento
Se depender de mim
Eu vou até o fim...

Eu não vim até aqui
Pra desistir agora!
Entendo você
Se você quiser ir embora
Não vai ser a primeira vez
Nas últimas 24 horas...

Ainda não se curva
Noite adentro
Vida afora!
Toda vida
O dia inteiro
Não seria exagero
Se depender de mim
Eu vou até o fim...

Cada célula
Todo fio de cabelo
Falando assim
Parece exagero
Mas se depender de mim
Eu vou até o fim...

Não vim até aqui
Pra desistir agora
Eu não vim até aqui
Pra desistir agora!...

Esta música é reflexo dos meus dias. Sábado à noite fiquei refletindo muito sobre ela. Vejo que estou em um caminho longo, marcado por desfiladeiros e pedras por todo lado. Em certas horas, percebo que não posso errar porque um erro por menor que seja coloca tudo a perder. Não há tempo para reclamar o cansaço, é preciso caminhar. Mas ainda assim procuro febrilmente um meio de me tranqüilizar...
Que fique claro que assim como na música, eu não vim até aqui, eu não cheguei onde cheguei, pra de uma hora pra outra desistir. Infelizmente, reconheço-me na condição de compreender que o caminho é difícil, a ponto de que seria normal ser abandonado no meio dele. É um risco que vou correr e que preciso correr. Mas Deus vai além neste meu caminho.
Senhor, que seja seu o caminho. E que também seja seu, o caminhar. Que nada eu faça por mim mesmo, mas que tudo eu o faça pelo Senhor. Deus meu, que pela intercessão de São Miguel eu não erre o caminho e que todas as barreiras sejam em teu Poder derrubadas, para que eu possa pra sempre testemunhar teus feitos a todos que encontrar. Obrigado, Senhor, pela alegria da caminhada, mesmo que por vezes, ela seja feita na dor. Muito obrigado, Senhor.

Belo Horizonte, 05 de Maio de 2005.

Sofrendo de Tabela - Um Desabafo


Por Deiber Nunes Martins

Manhã desta segunda-feira. Acordo num sobressalto. O relógio havia despertado há tempos e era certeza de que eu estava atrasado. Levanto num salto, preparando-me psicologicamente para isso. Tento afastar da mente o princípio básico contido em meu manual de instruções de que acordar nas segundas-feiras é ruim e ainda que acordar atrasado numa segunda-feira é pior ainda. E enfrente vou tropeçando ao banheiro.
Meu banho não é demorado e em pouco tempo estou de volta ao quarto. Sento-me na cama, ainda quente e fico desolado. Era terrível ter de abandoná-la assim. Ainda mais em uma noite em que mal dormi. Olho com tristeza para a cama e lembro-me de que tanto ela quanto o travesseiro foram carrascos comigo. Passei quase toda a noite em claro, virando e revirando de um lado pra outro, a espera de um sono que vem na hora errada. Agora, não é mais hora de dormir. Tristeza...
As vezes, as noites são mesmo traiçoeiras. Por mais que eu tente fugir dos meus medos, das minhas aflições eu não consigo. Sinto-me de repente num vazio tremendo e me sinto sozinho também. Vejo que minha vida eu preciso mudar. E preciso ganhá-la dia após dia. Não é fácil guerrear contra o homem velho que há em mim. Este, insiste em dizer-me que estou sendo injusto, que estou traindo-o, em busca de um alguém que não o sou. Mas é assim mesmo. Por mais que eu possa viver por mim mesmo, ainda há um Deiber que insiste em me prender num mundo que não mais é meu.
Todavia, se eu estou chegando até aqui, é porque não estou de todo sozinho. Deus caminha comigo e combate comigo. Assim, eu posso vencer.
Perdoe-me pelo desabafo. Talvez estas palavras sejam fruto da minha tentativa de me expressar. E nem sempre tenho com quem dizer, então, o papel se faz o meu ouvinte fiel. Que Deus possa dar clareza às minhas palavras e significado ao meu texto, para que este não seja em vão e tenha alguma razão de ser para mim e para o sofrido leitor, que sofre de tabela, com este que escreve.

Belo Horizonte, 05 de maio de 2008.

Meninas da Noite

Por Deiber Nunes Martins

Noite de sábado último, por volta da meia noite. Voltava eu por uma avenida, vindo da Pampulha, quando me deparei ao longo desta com várias mulheres à beira. São garotas de programa. Enquanto conduzia o carro, pensava, com certa tristeza na sorte delas. Garotas novinhas, a maioria delas, presumo eu ainda menores de idade, semi-nuas numa noite fria. A maioria sob o efeito das drogas, totalmente entorpecidas, à espera de um possível “cliente”. Infelizmente, nem todos têm a dimensão do valor que possuem, como território sagrado do Espírito Santo.
É uma imagem comum, em algumas ruas e avenidas de Belo Horizonte, mulheres de programa. Algumas mulheres, nem são mulheres ainda. Mas, a devastação das drogas, a vida noturna, bebidas alcoólicas e a maquiagem abusiva envelhecem meninas que ainda carregam em acessórios e em seus trejeitos a postura infanto-juvenil. Por mais que lampejem sensualidade no vestir-se, essas mulheres-meninas causam tristeza a quem por algum motivo que só Deus sabe não consegue fazer como a maioria e insiste em pensar no outro. Aprendemos no catecismo e na vida que usar estas mulheres como um objeto comprado é um pecado. Mas vejo que além do pecado a prostituição é um atentado em prol do egoísmo e contra o amor.
Chamou-me a atenção uma menina mulata, vestida em trajes sumaríssimos, sendo espancada por um rapaz maior, em plena rua. Talvez fosse aquele o rapaz o aliciador daquelas meninas, conhecido como cafetão, pelo menos foi o que me pareceu. Talvez aquela menina tivesse recusado um programa, talvez aquela menina, não estivesse querendo estar ali. Talvez, fosse alguma coisa assim. Talvez...
Cheguei em casa entristecido com as imagens que vi, embora eu sempre saiba destas coisas. Entretanto, tem horas que ficamos mais sensíveis às realidades que nos rodeiam. Infelizmente, não consigo ser como um motorista em minha vida, aquele preocupado apenas com o trânsito e com a sua condução. Aquele que não olha para o lado. Vejo os outros atentos a suas vidas e nada mais e não consigo ser assim. Gostaria de imaginar histórias de mim mesmo. Mas me deparo com as pessoas nas ruas, com as mulheres na noite. E não consigo deixar de construir em meu intelecto, histórias sem finais felizes.

Belo Horizonte, 05 de maio de 2008.

sábado, 3 de maio de 2008

O Caminhante


Por Deiber Nunes Martins

Tenho ainda muito o que aprender. Isso é um fato. O importante é que estou aqui, de pé, pronto e disposto ao aprendizado. Engano meu esperar que terei segurança em minha caminhada, em minhas decisões. Tem momentos que se decide totalmente as cegas. Mas é importante decidir e graças a Deus, posso decidir.
Sabe aquelas situações onde você se julga pronto e um pequeno detalhe te desarma? Isso me aflige e muito. Há uma realidade com a qual não posso lidar: o fato de que meu caminho ainda é de pedras, na solidão. Ainda não estou pronto ou preparado pra aceitar isso a cada momento que isso me vem.
Eu não sou a oitava maravilha do mundo e ao contrário estou longe disso. Mas, tem horas que me canso. E não há quem se disponha a me entender. Muitas vezes, eu preciso me despir de mim mesmo, dos meus problemas e tudo o mais, para aprender um pouco com os problemas dos outros, pois são estes problemas que importam. Mas tem horas que eu me canso disso. Tem horas que a máquina aqui pede um ouvido amigo, mas é em vão. Ela não encontra.
Tudo bem, vamos em frente então. O importante é caminhar. O importante é a caminhada. O caminhante não importa. Aliás, ninguém se importa. Só Deus não vai embora quando seus sonhos são frustrados aos quarenta e cinco do segundo tempo. Só Deus permanece ali, quando o único companheiro que você tem é o seu travesseiro. Só Deus não vai embora, quando você precisa de tudo e de todos.
Mas o meu problema não é mesmo, importante. O que eu preciso me convencer a cada momento é que o meu problema não importa, assim como o do outro, também não. Mas eu sou teimoso e tento dimensionar este e outros problemas. Se não ter amigos é um problema, que não seja importante então, tê-los. Mas o que importa é o estar de pé.
Que fica então o recado a você que se encontra a espreita, esperando a minha queda: não será este o gostinho que eu vou te dar. Posso estar enfraquecido, meio baqueado, tonto. E você pode vir com tudo, sem compaixão nenhuma porque eu sei que você não tem. Venha! Venha com tudo e me golpeie! Com toda a sua força! Mas esteja preparado para o meu revide...
Porque eu vou revidar. E como vou!
Eu não me oriento no medo. Porque quem se orienta no medo, é como quem se orienta nos outros e nunca se encontra. Encontra apenas um arremedo de gente, sem identidade, sem brio, que cede a qualquer vento frio que lhe assopra. Eu vou em frente. Eu sou eu. É assim que é e é assim que vai ser.
Deus está comigo e está com todos nós. Não se orientem no medo. Não dêem ouvidos ao inimigo. E não os deixe vencer. Ele só o pode, quando cedemos a vitória a ele. Portanto, vamos em frente! Continuemos a caminhada, continuemos a caminhar...

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Um Pouco Mais de Mim


Por Deiber Nunes Martins



Um oceano de emoções
Pedra pelo fogo açoitada
Poço de vontades e sensações
Sou tudo mesmo sendo nada.

Na caminhada sozinho
Pelas pedras sou ferido
Não refugo o caminho
Pois Deus é meu amigo.

Diga-me o que de mim está errado
Encontre-me nas cercanias do meu ser
Desejo minha vida ao seu lado
E com você quero viver...

Não sou mais eu e você bem sabe
Sem você, minha bela, não seguirei
Com você meu mundo se abre
E você, eu sempre amarei.

Deus meu, atenda este meu clamor
E tenha de nós dois, compaixão
Onde está o meu amor
É onde está meu coração.

Em minh’alma se faz carnaval
Meu ser brinda a euforia
Sem ela, perco a noção do real
Sem ela, perco a noção da alegria.

Verdade rompante me invade de repente
Amar-te dobrado em meu coração
Amada minha, intenso é o que se sente
Consumir-se em brasas de paixão.

Deus meu, atenda este meu clamor
E tenha de nós dois, compaixão
Traz pra mim o meu amor
Traz pra mim, meu coração.

Belo Horizonte, 29 de abril de 2008

terça-feira, 29 de abril de 2008

Já Não Se Fazem Domingos Como Antigamente

Por Deiber Nunes Martins

Domingo de sol. Pra muitos dia de namorar, ir à praia, correr para o sítio, bater aquela bolinha, assistir a Santa Missa... Para outros dia de curtir preguiça, ir fazer compras, visitar a sogra... Domingo é um dia diferente de todos os outros, porque é o dia de fugir da rotina. Mesmo que a própria fuga já seja uma rotina. No entanto, já não se faz mais domingos como antigamente.
As manhãs de domingo sempre foram para mim, sagradas. Para ir à Igreja, agradecer a Deus pela semana que passou. E também pra assistir as corridas de Fórmula 1 pela TV. Saudosista, lembro-me dos tempos do Piquet (o pai), o Ayrton, grande Ayrton Senna, os grandes duelos com grandes pilotos como Prost, Mansell, Berger... Ah, que saudade. Manhãs deliciosas aquelas, após as Missas, em que chegava e ia me grudar na frente da TV, esperando pelo famoso "Bem amigos, da Rede Globo...". Isso, no tempo em que o Galvão não era o louco fanático de hoje. Que saudade...
Saudade também do gostinho do domingo. Aquele dia animado, com as corridas de carro, o futebol na parte da tarde. Domingos onde o Galo reinava absoluto, sem dar espaço para os rivais, sobretudo o Cruzeiro. Domingos que a gente anseava loucamente, esperando que chegasse o momento: "Vai ter jogo no Mineirão, você vai?" Domingos alegres. Almoçávamos com a família e depois íamos ao campo, ver o Glorioso. A gente sabia que o time era bom e que não ia decepcionar. E não decepcionava. Vencia sempre. E quando não vencia, saíamos chateados, mas logo passava, pois o time era bom. Valia a pena esperar pelo próximo domingo, que a revanche fatalmente viria. A alegria do domingo esportivo começava de manhã, com a vitória do Senna, seguida daquela indefectível musiquinha, que hoje as vezes até toca, mas sem graça nenhuma. A alegria seguia o restante do dia, culminando a tarde, com o futebol e o Galo ganhando mais uma.
Hoje, domingo dá medo.
A Fórmula 1 não é mais a mesma. De tanto inventarem, tiraram o prazer do esporte. Os embates de velocidade, as ultrapassagens, os nós que o Senna dava nos adversários. Nenhum outro conseguiu chegar perto do que este nosso ídolo fazia. Você pode me questionar sobre o Schumachaer, mas eu logo te respondo: O Senna não ganhava corrida no Pit Stop, ganhava no braço, brigando lado a lado muitas vezes com carros mais velozes que o dele. Se você tiver boa memória, vai se calar diante disso. Infelizmente, as corridas hoje são um espetáculo mercadológico, com carros surreais, pilotos velozes mas é só e brigas intensas de bastidores. Dentro da pista, nada além da monótona perseguição Ferrari-McLaren-BMW-Renault. Coisa medonha. E no fim ainda somos obrigados a achar normal que o brasileiro, pra quem ousamos torcer, não pode ultrapassar o companheiro de scuderia, porque tem de guardar o jogo de equipe. Pavoroso.
Como se não bastasse as corridas, o Atlético é mais um arremedo de time do que propriamente um time de futebol. Sou obrigado a concordar com os torcedores cruzeirenses. O Galo é mesmo um time "meia boca". Não assusta hoje mais ninguém. É um Galo sem esporas, vítima dos desmandos de dirigentes amadores, que se intitulam atleticanos, mas não abrem o clube para os atleticanos de verdade governarem. Se interessam pelo poder e não montam os times que a Massa tanto merece. Enfim, ter de aguentar esse timeco do Atlético, no ano de seu centenário é o pior presente que a Massa adorável poderia receber.
Foi triste o domingo ontem. Estar inerte em frente a TV, vendo o inimigo passar como queria pelos nossos defensores trapalhões. Bateu saudade dos tempos áureos, onde o Galo merecia respeito. Hoje merece condolências... Foi triste estar sozinho à noite. Contradizendo Roberto Drummond em sua Oração do Atleticano, a amada ficou exilada na Conchinchina, mas a defesa atleticana capitulou cinco vezes. E o que é pior, diante do medíocre time do Barro Preto. É preciso ser forte pra não chorar.
É preciso ser forte pra sobreviver a estes domingos modernos. Domingos onde a felicidade do adversário é a nossa completa derrocada. E o que é pior, com a amada exilada, resta-me o travesseiro, como amigo e confidente. O domingo não foi sangrento, mas ensanguentado está meu coração. Alquebrado, incapaz de respirar diante do peso da infâmia, da ousadia. Já não se fazem mais domingos como antigamente. Uma pena.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Confissões e Retórica

Por Deiber Nunes Martins

Passo agora a confidenciar o que para muitos será uma surpresa. Mas para mim é a mais doce e pura realidade. Devo abandonar tudo e mudar completamente a minha vida. Fora com o trabalho, com a rotina angustiante, fora com os círculos viciosos de amizades, fora com as companhias inconvenientes, as obrigações sem nenhum sentido. Fora com tudo isso.
Estou deixando tudo para trás, para uma vida nova. Deixarei meu emprego para tornar-me um jardineiro. Já tenho até local de trabalho definido: um lindo jardim repleto de flores e a orquídea mais linda que já vi em toda a minha vida. Aliás, é por causa desta flor que estou deixando tudo para trás.
Muitos chamar-me-ão de louco. Porém minha maior loucura é não ter tomado esta decisão antes. Agora, eu encontrei minha Passárgada. E vou a ela, pois não quero morrer sem ter vivido o que tenho de viver. Não quero o sonho dos muitos, mas quero o que todos sonham, a felicidade.
Troco o teclado e o computador por papel e lápis e ferramentas de jardinagem. Mesmo que por vezes o mais importante a fazer possa ser feito com as próprias mãos, revolvendo a terra e arrancando as ervas daninhas. Muitas vezes também, poderei apenas usar meus ouvidos, escutando as palavras que serão o meu tesouro Ou simplesmente com o olfato, sentindo o delicioso aroma desta flor que é a razão da minha vida.
Para viver este momento, preciso me concentrar em um dia por vez. E viver a vida simples de um dia só. Descobrir toda a essência da vida nas pequenas coisas, na simplicidade do coração. Assim, posso ganhar tempo deixando de lado tudo aquilo que é grandioso e que não cabe a mim resolver. E ainda deixar de lado o que é complexo, para me concentrar no que realmente importa. Nem sempre será fácil, mas é minha disposição para o serviço que conta. Então, eu vou tranqüilo, na certeza de que minha recompensa é certa. Mesmo que não seja tudo o que imaginei, mesmo que não seja o que eu posso contar.
Minha decisão é definitiva e até segunda ordem (que venha do alto) não é passível de revogação. Meu futuro eu desconheço, mas sei que será na simplicidade dos dias felizes. Em minha Passárgada, serei formado enquanto realizo meu trabalho. Doravante, fica pra trás o velho homem, em busca dos sonhos de todo mundo e surge o homem novo, o jardineiro, em busca do cultivo da mais bela orquídea já vista nesta vida.
Um homem é o que é por ele mesmo. Eu sou eu. E dentro do meu universo particular procuro me reinventar. Mantenho minha essência humana, o que muda é o ofício. Uma mudança radical e difícil. Mas não estou sozinho. Deixo de lado minha sala fechada, o doce ambiente hostil, para assumir a simplicidade do jardim, sempre belo, que emoldura meu coração. E tudo ou quase tudo, por culpa de uma flor. A mais bela flor, doce amor de minha vida.

Belo Horizonte, 22 de abril de 2008.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Um Rio que se Chama Amor



Por Deiber Nunes Martins

Amor, olhe bem o rio
Não fique triste sem mim
Pois você é meu ideal
Doce amor sempre real.

Amor, olhe bem o rio
Pensa que o futuro será bom
Seremos um só coração e alma
Nosso amor nos une e acalma.

Amor, olhe bem o rio
O nosso amor é como suas águas
Que se encontram com o mar
E nos fazem nele banhar...

Amor, olhe bem o rio
Não tenhas medo, estou aqui
Pois não tenho mais outro lugar
Que não seja ao teu lado estar.

Amor, olhe bem o rio
É a minha vida inteira a te buscar
Sofrendo a dor da solidão
Sem encontrar você no coração.

Amor, olhe bem o rio
Ele traduz o meu amor por você
E a força de sua correnteza
Não é páreo à tua beleza.

Amor, olhe bem o rio
É a força deste meu amor
Suas águas vagueiam pelo tempo
Aumentam meu sentimento.

Amor olhe bem o rio
É meu amor por você
E nada mais ouso dizer
E nada mais ouso querer.

Belo Horizonte, 21 de abril de 2008.

domingo, 20 de abril de 2008

Contrários

Música: Pe. Fábio de Melo, SCJ
Texto: Deiber Nunes Martins

Só quem já provou a dor
Quem sofreu, se amargurou
Viu a cruz e a vida em tons reais

Quem no certo procurou
Mas no errado se perdeu
precisou saber recomeçar

Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar
Porque encontrou na derrota algum motivo para lutar

E assim viu no outono a primavera
Descobriu que é no conflito que a vida faz crescer

Que o verso tem reverso
Que o direito tem o avesso
Que o de graça tem seu preço
Que a vida tem contrários
E a saudade é um lugar
Que só chega quem amou
E o ódio é uma forma tão estranha de amar

Que o perto tem distâncias
E o esquerdo tem direito
Que a resposta tem pergunta
E o problema solução
E que o amor começa aqui
No contrário que há em mim
E a sombra só existe quando brilha alguma luz.

Só quem soube duvidar
Pôde enfim acreditar
Viu sem ver e amou sem aprisionar

Quem no pouco se encontrou
Aprendeu multiplicar
Descobriu o dom de eternizar

Só quem perdoou na vida sabe o que é amar
Porque aprendeu que o amor só é amor
Se já provou alguma dor
E assim viu grandeza na miséria
Descobriu que é no limite
Que o amor pode nascer.


Nossa vida é feita de contrários. As diferenças que movem nossa vida, nossa existência. Contrários que nos fazem amar, nos fazem viver. O amor tem infinitas formas de se expressar, mas escolhe sempre a melhor delas. O amor começa aqui, no contrário que há em mim. Porque preciso morrer a todo dia para o meu egoísmo, para minhas vontades, para que o Amor aconteça. Então, a vida passa a ser um desafio, uma batalha entre o bem e o mal. Contrários. Um jogo onde o vencedor é aquele que muito já perdeu. E quando se perde queima-se o desejo da vitória, mas não morre a vontade do ideal. Porque não há mal na derrota. Não há mal no cair. Porque a honra estar no levantar-se e começar de novo. Contrários. O contrário que há em mim, me ensina que o ódio nada mais é que uma forma tão estranha de amar. E nada mais. E se eu sei amar não preciso ter ódio, porque minha forma de amar é conhecida. Então eu amo com todos os meus contrários, com todas as minhas virtudes e defeitos. A vida é um contrário. E contrários requerem escolhas. Escolher entre um e outro. Que Deus nos possa ensinar a extrair dos contrários, a força da vida. Se a vida é um contrário, vivamos o contrário que há em nós, ou seja, amemos.

Belo Horizonte, 20 de Abril de 2008.

Oração da Noite

Por Deiber Nunes Martins

Ansioso espero pelo momento em que receberei a graça que tanto almejo: desposar minha amada. Enquanto este tempo não chega, preparo-me para ser digno da mulher da minha vida e merecedor de tamanha graça. Humildemente vos peço: não tardeis em nos unir, para que nossa união seja não só o início de nossa felicidade, mas também instrumento vosso de evangelização. Senhor, poderia pedir-te tantas coisas, mas de todas elas, nada me acrescentaria, sem o meu amor, sem minha amada Bi.
Coloco-me em teus braços, Senhor. Coloco-me à tua disposição. Para que o Senhor realize em mim a sua graça, realize em mim, o seu projeto. O meu tempo, Senhor é hoje, mas em ti, meu tempo é a vida eterna, o tempo que não perece. Muito do que o Senhor quer realizar em mim, depende dela, Senhor. Embora eu saiba claramente que o Senhor é o Deus do Impossível, a cada dia que passa entendo que o Senhor quer precisar dela para realizar sua obra em mim. Por isso eu peço que apresse esta graça de nossa união, de nosso matrimônio. Acompanhando esta graça, o Senhor sabe do que precisamos e peço-Vos que estenda a Vossa Bondade e Misericórdia a estas necessidades também.
Deus meu, tu sabes de tudo. Sabes que sou fraco e que preciso contar sempre com tua misericórdia. Em contrapartida, peço que conduzas minha amada lá na Bahia. Que ela possa fazer tudo o que precisa lá, realizar a missão dela, de solteira. Para que ao nos casarmos, possamos ter cumprido todas as nossas missões de solteiros.
Em nome de teu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo, peço-Vos, Senhor que olhe por nós. E que faça desta noite, menos uma noite sem o meu amor, uma noite abençoada. Amém.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O Trabalho de Cida

Por Deiber Nunes Martins

Cida trabalhava lavando talheres e xícaras em uma loja de cafés. Trabalhava há algum tempo fazendo a mesma coisa e a monotonia de sua atividade era a razão de sua displicência no trabalho. De todo modo, não haviam reclamações a respeito de Cida. E poucos clientes que a conheciam até simpatizavam-se com ela. Não eram muitos, pois Cida passava a maior parte do tempo na cozinha, lavando os talheres.
Era uma mulher bonita, embora não fosse atraente. Seu olhar procurava um ponto pra se esconder, devido ao seu recato e a sua timidez. Por ser de pouco estudo, não conseguira emprego melhor. Contentava-se com aquele, pois era o que te sustentava. Mas não era feliz. Não se sentia realizada lavando copos e talheres. Então, fazia de qualquer jeito.
Suas colegas de trabalho viviam achando copos mal lavados em meio aos talheres limpos. Elas percebiam o pouco caso de Cida, mas evitavam alertá-la com medo da sua reação para com elas ou simplesmente porque achavam que não deviam mostrar a Cida o serviço que era próprio dela.
Certo dia, quando foi recolher os talheres sujos para lavar, Cida avistou um jovem rapaz tomando seu café pacientemente no balcão. Era um rapaz muito bonito e Cida se apaixonou instantaneamente por ele. Quase não foi capaz de levar as xícaras sujas para a cozinha, quando uma de suas colegas interveio:
“Ai, Cida ele é mesmo lindo não é?”
“De quem você está falando?”, gaguejou Cida, nervosa.
“Do gatinho ali no balcão. Você não tira os olhos dele.”
“Ele é mesmo muito lindo!”
“Pois não é?”, disse a colega, “E ele toma café aqui todas as manhãs...”
Enquanto lavava as xícaras, Cida não tirava o jovem da sua mente. “Meu Deus, como é bonito, aquele menino!”, pensou ela. Então, segurando uma xícara nas mãos, olhou bem para ela e viu que não estava bem lavada. Então, voltou com ela pra dentro da pia, e se pôs a lavá-la novamente. Desta vez com mais esmero.
E desde então, Cida passou a trabalhar bem melhor desde então. Deixava as xícaras brilhando de tão limpas. Muito tempo se passou e finalmente o trabalho de Cida foi reconhecido e ela foi promovida. Agora, não mais lavava xícaras, mas fazia o café. E como era saboroso o seu café!
Não demorou muito e ela ganhou outra promoção. E continuou sendo elogiada em seu trabalho. Questionada por um cliente sob a qualidade do seu café e do trabalho que fazia, Cida foi enfática:
“Trabalho como se fosse lá em casa, para o meu marido ou meus filhos.”
E pensava ela, “Tenho que fazer o meu melhor, para que aquele moço sempre esteja satisfeito! Sempre tome um bom café, encontre xícaras bem limpas, e se sinta feliz com isso. Assim, eu também serei feliz.”
E Cida nunca esteve tão certa em sua vida.

Belo Horizonte, 17 de abril de 2008.