quinta-feira, 20 de maio de 2010

Nossa Senhora das Mercês


Por Kátia Bizan
Fonte: Nilza Botelho Megale, "Invocações da Virgem Maria no Brasil", Ed. Vozes, 1998, pp. 306-309

No início do século XII quase toda a Península Ibérica gemia sob o jugo muçulmano. Grande número de espanhóis estava escravizado pelos mouros e sujeito aos piores tratos. A Santíssima Virgem - Auxiliadora dos Cristãos - condoendo-se do sofrimento de seus filhos, quis ser a principal fundadora de uma Ordem Religiosa destinada a prestar socorro a estes infelizes. Para isso apareceu em sonhos, na mesma noite, a três homens dedicados, a fim de que se consagrassem a causa dos oprimidos.

Um dos escolhidos foi o militar francês de origem fidalga São Pedro Nolasco, que há muito tempo se dedicava a esta causa, resgatando seus irmãos de crença a peso de ouro. Quando já lhe escasseavam os recursos, a Virgem Maria apareceu-lhe em sonho e disse-lhe: - "Deus quer que estabeleça uma Congregação Religiosa para o resgate dos cativos". Pedro não era um homem crédulo e por isso consultou o seu confessor São Raimundo de Penaforte, um dos mais notáveis teólogos de sua época. Qual não foi a surpresa de Pedro Nolasco ao saber que o Santo Doutor tivera o mesmo sonho e recebera ordem de animar os seus desígnios. Foram os dois pedir o apoio de D. Jaime I de Aragão e ficaram assombrados quando o piedoso monarca lhes anunciou que tivera o mesmo sonho e recebera a mesma ordem.Certos de que esta era a vontade de Deus, puseram mãos a obra. 0 magnânimo soberano mandou construir um convento, enquanto São Raimundo elaborava os estatutos da Ordem.

São Pedro Nolasco foi o primeiro Comandante Geral da Milícia, e a ele, em pouco tempo, juntaram-se muitos cavaleiros da Espanha. Estava fundada a Ordem Real e Militar de Nossa Senhora das Mercês da Redenção dos Cativos. Alem dos votos de pobreza, obediência e castidade, eles faziam o de tornar-se escravos, se fosse necessário, para salvar os prisioneiros.

A Ordem de Nossa Senhora das Mercês, após a aprovação do Santo Padre, espalhou-se pela Europa. Quando Cristóvão Colombo descobriu a América, despertou a atenção dos Mercedários para o enorme campo de atividades que se lhes deparava no Novo Mundo. A Milícia de São Pedro Nolasco logo aceitou o encargo de catequizar o selvagem americano do Mundo Espanhol.

Os primeiros milicianos estabelecidos no Brasil vieram de Quito com Pedro Teixeira em 1639, quando o nosso país ainda se achava sob o domínio da Espanha, e se localizaram em Belém do Pará. Com a Restauração de Portugal, os governantes de Lisboa suspeitaram dos Mercedários, mas a Câmara e o povo fizeram requerimentos pedindo a sua permanência naquela cidade, devido a grande obra social e de catequese que estavam empreendendo.

No início construíram uma pequena capela anexa ao convento, mas no século XVIII edificaram, de acordo com o projeto do arquiteto italiano radicado em Belém, José Landi, o seu templo definitivo, o único da cidade que possui a frontaria em perfil convexo. Seus púlpitos em estilo rococó e as talhas magnificas de seus frontões fazem desta igreja um dos mais bonitos monumentos religiosos da capital do Norte Brasileiro. No século citado, a Irmandade de Nossa Senhora das Mercê estabeleceu-se em Ouro Preto, com o intuito de libertar os escravos pretos e crioulos que trabalhavam nas minas.

Após muito tempo a confraria conseguiu se transformar em Ordem Terceira, com o direito de usar hábitos, capas, correias e também construir o seu templo. Entretanto, não se sabe por que, a irmandade cindiu-se ficando uma parte com a risonha igrejinha que é a Mercês de Cima, enquanto a outra estabeleceu-se na ermida do Bom Jesus dos Perdões, denominada atualmente Mercês de Baixo.

A luta entre as duas facções durou perto de cem anos, acreditando-se que a política imperial tenha influído na contenda, pois os conservadores eram filiados à Mercês de Baixo, enquanto os liberais somente se inscreviam na Mercês de Cima.

O culto da Virgem das Mercês desenvolveu-se mais entre os pardos cativos, por isso ele se espalhou principalmente nas vilas do ouro como Diamantina, São João del Rei, Mariana, Sabará, etc., onde são encontrados vários templos a ela dedicados. Em Diamantina, sua festa se realiza a 17 de agosto com espetáculos de fogos de artifício, luminárias e foguetes, pois os negros acham que foi ela quem inspirou a Princesa Isabel a libertar os escravos. Esta é uma das mais antigas festas daquela cidade e é feita com procissão e levantamento de mastro com bandeirinhas. Nossa Senhora das Mercês, Rogai por nós!

Oração do jeito antigo a Nossa Senhora das Mercês

Senhora, Mãe de meu Senhor e Salvador,

mercê de vossa bondade,posso eu aqui me colocardiante de vossa amável presença.
Não peço mercê ou paga de minha labuta diária, nem pela fidelidade que meu peitoa

vós sempre honrou.
Peço, antes, a mercê de meus pobres pecados,o perdão materno para meus contínuos erros.
Que por vossa mercê e poderosa indulgência,vosso Filho me ampare e me encaminhe.

Coloco-me à mercê dos desígnios de Deus, nosso Criador e Pai, e a vosso inteiro dispor,
Senhora das Mercês,pois que em vossas mãos encontro pousada e abrigo, no dia que

passa e na eternidade que vem.

Amém.

Belo Horizonte, 20 de maio de 2010.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Nossa Senhora de Crea


Por Kátia Bisan
Fonte: Paulinas

A região italiana do Piemonte, localizada junto aos Alpes, divisa com a França, é uma das mais belas da Europa. Pois neste verdadeiro paraíso da natureza, no Monte de Crea, próximo de 350 depois de Cristo, Santo Eusébio, Bispo de Vercelli, mandou erguer uma capela em honra à Nossa Senhora. A intenção foi santificar o lugar, antes consagrado às divindades pagãs.

Dez anos depois o próprio Santo trouxe do Oriente, onde esteve exilado, três estatuas da Virgem Maria. Uma mandou para a capela de Crea e as outras duas enviou à Sardenha, sua terra natal. Estas informações foram retiradas nos seus manuscritos encontrados nos arquivos da diocese de Vercelli, datados do seu episcopado.

A antiga estátua de Nossa Senhora de Crea, foi exposta à uma longa investigação cientifica durante sua restauração, concluída em 1981. Por isto, perdeu a cor negra original e poética do restrito grupo das 'Nossas Senhoras Negras ou Morenas' a que pertence.

A capela desta devoção, verdadeira relíquia da Igreja primitiva e o coração do Santuário de Crea, também teve de ser reconstruída, ao longo dos séculos. No início do segundo milênio se estabeleceram no convento de Crea os cônegos regulares de Asti.

Em 1483, depois de uma breve permanência dos Servitas, foram sucedidos pelos monges Lateranenses. É à presença destes homens de grande cultura e sensibilidade artística, embasados na sólida formação religiosa ditada pela Ordem, que devemos o desenvolvimento do Santuário do Sagrado Monte de Crea, hoje rota obrigatória de todos os cristãos do mundo Oriental e Ocidental.

Durante dezoito anos, desde 1801 a capela e o convento de Crea ficaram abandonados, após os sucessivos saques ocorridos durante sangrentas disputas militares. Passado este período, em 1820, a Santa Sé deu a guarda do Santuário à primorosa Ordem dos Frades Menores da observância.

No dia 05 de agosto de 1890, quando o árduo trabalho de recuperação já era considerável, a venerada escultura de Nossa Senhora de Crea recebeu o manto de rainha e foi solenemente coroada, junto com o Menino Jesus que porta nos braços. Assim esta data foi oficializada para sua festa anual.
Os franciscanos demoraram cento e setenta anos para o Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Monte de Crea recuperar ao seu primitivo esplendor a desempenhar a função de 'Cidade do Espírito' proposta por seu fundador, Santo Eusébio de Verselli. Nos últimos tempos o local se tornou um importante centro de eventos marianos para o mundo cristão. Mas sempre contando com a crescente afluência de peregrinos e romeiros devotos de Maria.

Em 1980 o governo italiano demarcou a área do Santuário como reserva ecológica, a qual foi doada ao Vaticano, para sua preservação.

Desde 1992 este Santuário mariano está sob custódia dos sacerdotes da diocese de Casale Monferrato.

Belo Horizonte, 19 de maio de 2010.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Nossa Senhora de Constantinopla ou Nossa Senhora de Odighitria ou Nossa Senhora da Guia


Por Deiber Nunes Martins
Fonte: www.fatima.com.br

Comemoramos o dia de Nossa Senhora da Guia no dia 10 de janeiro. A belíssima história deste título de Nossa Senhora é também um sinal da importância de venerarmos a Mãe de Deus. Nossa Senhora da Guia, ou de Constantinopla, guiou os cegos até sua catedral em Constantinopla onde ficaram curados da cegueira.
Quantas vezes nos fazemos cegos diante dos prodígios de Deus? Na maior parte das vezes não é por intenção, mas é um “sem querer querendo” que nos afasta do amor do Pai, e nos impede de alcançarmos a graça que necessitamos. Muitas vezes, nos rendemos ao pecado, como subterfúgio para enfrentar o mundo perverso que nos oprime. Não se trata de desculpas esfarrapadas, mas sim de uma constatação: vivemos como pássaro preso dentro de casa, que vê a janela fechada e fica batendo a cabeça no vidro para sair. Na verdade, estamos procurando um caminho, um rumo a seguir. Precisamos ser guiados a Cristo. E quem melhor que sua Mãe para fazê-lo?
Nossa Senhora da Guia, guiai-nos ao coração de Deus, para que possamos Nele, vivermos em plenitude. Dá-nos direção, um norte, um rumo a seguir, a ponto de seguirmos o Cristo e assim alcançarmos a vida eterna. Estamos cansados do marasmo do mundo, das suas injustiças e insanidades. Estamos flagelados pelo pecado, famintos do amor de Deus e com sede da sabedoria do Espírito Santo. Coloque-nos no destino destas realidades, para que possamos, alimentados, curados e bem dispostos, anunciar Teu Filho pelo caminho. Nossa Senhora da Guia, rogai por nós!

A devoção de Nossa Senhora Odigitria surgiu na cidade de Constantinopla, no governo do imperador Justiniano. Entretanto a antiga tradição narra que sua origem procede da Síria, do primeiro século do Cristianismo.
Segundo a narrativa, a imagem desta invocação seria uma das três pintadas por São Lucas, o Evangelista, que viveu neste país. Porém este seria um ícone milagroso, pois quando lhe faltaram as forças e tendo a pintura da imagem para concluir, São Lucas implorou ajuda celestial da Santíssima Mãe e o próprio ícone concluiu a pintura da obra.
Depois da morte de São Lucas, o ícone da Mãe de Deus foi colocado para veneração dos fiéis na igreja de São Pedro em Gálata, na Síria.
Durante o Império Romano-Bizantino, antes da metade do século VI, a imperatriz Eudóxia enviou o referido ícone mariano, para Constantinopla para a imperatriz Santa Pulquéria que o colocou na mais bela igreja dedicada à Mãe de Deus que mandara construir, chamada de Ton Odegon, que em grego significa 'da guia'. Assim surgiu o título mariano 'Odighitria' que em grego quer dizer 'Ela que indica o Caminho'.
Porém, para alguns estudiosos ele derivaria do fato que os guias, ou melhor os 'odighos', dos exércitos se recolhiam neste mosteiro para rezar; para outros, seria por causa do nome da igreja de Constantinopla que conservava o ícone da venerada imagem mariana, obra de São Lucas.
Contudo, para a tradição este título se refere de fato ao milagre atribuído à Virgem Maria, que guiou dois cegos até a sua igreja em Constantinopla onde recuperaram a visão.
Só com o tempo 'Odighitria' adquiriu um significado exclusivo para este ícone, em função da posição do braço de Maria que indica o Filho como: 'Caminho, Verdade e Vida'.
A partir de 716, quando o imperador Leão III, o Isauriano, assumiu o trono, esquecido das graças obtidas por intercessão da Santíssima Virgem, iniciou a perseguição às imagens sagradas.
Mas esta devoção já havia se espalhado por toda a cristandade do Ocidente, que em muitos lugares recebeu o título de Nossa Senhora de Constantinopla.
No sul da Itália, em Bari, cidade vizinha de Nápoles, o título grego foi abreviado para Idria ou Itria. Os registros antigos mostram que no século VIII, dois sacerdotes com receio da destruição da cópia do ícone de Constantinopla, venerado pelo povo barese como Santíssima Maria de Idria, embarcam para Roma, levando o ícone escondido. Mas uma tempestade impediu o navio de partir e a imagem retornou para a igreja. Hoje a população de Bari a festeja como Padroeira da cidade. A cópia deste ícone que se encontra na Catedral de Bari, se tornou a relíquia mais antiga desta invocação mariana, existente em todo mundo.


Belo Horizonte, 18 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Nossa Senhora Menina ou Nossa Senhora Criança


Fonte: site www.fatima.com.br

Este título mariano deriva da festa celebrada hoje, que é o nascimento da Santíssima Virgem Maria. Por amor a humanidade, o Criador quis enviar o seu Filho, encarnado como pessoa humana para redimir o pecado da Terra. Para ser a mãe terrena do seu Filho, escolheu Maria, e preparou seu nascimento.
A família escolhida foi a de Joaquim, um justo e próspero judeu, obediente à Lei mosaica. Sua esposa era Ana, mulher judia íntegra, humilde e com todas as qualidades espirituais necessárias. Este casal, já com idade avançada, não tinha ainda sido abençoado com um filho, por isso julgavam-se estéreis. Foi este o lar escolhido para a ação da Providência Divina de modo que a Virgem Maria nascesse.
Tudo o que se tem narrado sobre a infância da Mãe de Deus, vem da tradição oral cristã, e dos escritos da época, que não fazem parte do Evangelho. Exceto o que está no Evangelho de São Mateus. Nele explica que a infância de Maria foi acompanhada de infinitas graças concedidas por Deus, para evidenciar 'quão grande ela seria daqui por diante'.
Pela tradição, aos três anos de idade Maria foi entregue para viver com as outras virgens nos apartamentos do Templo. Em seguida os pais concluíram seu voto e ofereceram seu sacrifício conforme a lei, voltando para casa. Nos catorze anos que alí esteve Maria ficou sob os cuidados do Senhor, para ser preservada de todas as tentações do mal. Ao final destes anos Maria tinha a beleza da alma abundante de todos os dons.
As imagens que representam a Nossa Senhora Menina, ou Criança são incontáveis.Em algumas está só rodeada pelos anjos, em outras ladeada pelos pais, Sant'Ana e São Joaquim, ou então com um deles. Mas todas mostram Maria que segura na mão seu livro da lei. Tudo para indicar a posição de educadores dos pais, na preparação da escolhida para ser a Mãe de Deus.
O culto mariano faz parte da tradição dos fieis oficializado pela Igreja, tanto do Oriente como do Ocidente. Maria é e será venerada por todos os séculos, porque Ela é a estrada que conduz à Cristo, o único caminho para o Reino de Deus. Os cristãos, a homenageiam com uma infinidade de títulos, para celebrar sua valorosa participação no Mistério de Deus.

Belo Horizonte, 17 de maio de 2010.

domingo, 16 de maio de 2010

Nossa Senhora das Graças da Medalha Milagrosa ou Nossa Senhora da Medalha Milagrosa ou Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças


Por Deiber Nunes Martins
Fonte: site www.fatima.com.br

O título de Nossa Senhora das Graças talvez nos remeta de forma mais contundente à Virgem Intercessora, à Mãe que olha por seus filhos. Sempre ouvi minha mãe falando desta Nossa Senhora, como a sua santa de devoção. E a sua imagem é das mais bonitas também. A Virgem que irradia graças por suas mãos aos fiéis que esperam.
Certamente, a Mãe de Jesus intercede por teus filhos adotivos. A imagem das graças saindo como raios nos dá a idéia do poder da intercessão. Como estamos esquecendo deste poder! Não se reza mais pelos outros, não se clama mais a Deus por quem precisa. Nos prendemos aos nossos problemas e esquecemos de olhar o nosso irmão ao lado. Não podemos fazer nada por ele. Mas podemos rezar. A Virgem das Graças nos lembra de rezar. Rezar sempre.
Interessante também o significado da Medalha Milagrosa. Cada pedaço da imagem tem o seu significado e nos fala alto no coração, sobre a nossa devoção. Como católicos, precisamos ser mais devotados a Mãe de nosso Deus. Infelizmente, em nossas orações, vamos deixando de lado à Virgem. Certamente, rezamos a Ave Maria, mas com o coração ligado no pedido que temos a Deus. Será que contemplamos cada palavra da Ave Maria, uma oração de contemplação a Maria como se deve? Será que lembramos que a Virgem é de fato, cheia de graça? Precisamos pensar nisso...

História

Na Capela das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, em Paris, a humilde Irmã Catarina Labouré, impressionava pelo fervor com que rezava. Em 1830, ela foi agraciada com um ciclo de aparições da Santíssima Virgem.

A primeira ocorreu na noite de18 junho, quando na sua cela veio um Anjo e a conduziu à capela onde conversou mais de duas horas com Nossa Senhora, que no final lhe disse: 'Voltarei, minha filha, porque tenho uma missão para te confiar'. No dia 27 de novembro de 1830 a Virgem voltou a aparecer e 'entregou' a Medalha Milagrosa à Irmã Catarina. Esta aparição se deu em três fases, como descreveu a vidente.

A Santíssima Virgem apareceu ereta sobre um globo pisando uma serpente. Entre as mãos tinha um globo menor com uma pequena cruz em cima, mantido na altura do coração, num gesto materno de súplica oferecia-o a Deus. Numa fração de segundo o globo desaparecera e suas mãos se estenderam suavemente para baixo. Os dedos pareciam estar cheios de anéis com pedras preciosas, de todos os tamanhos, pois emitiam brilhantes raios de luz.

Irmã Catarina, então, ouviu uma voz que lhe disse: 'Este globo representa o mundo inteiro e cada pessoa em particular. Os raios são o símbolo das graças que eu concedo a toda pessoa que vem me pedir...'. Neste exato instante um quadro oval se formou em volta da Virgem e em letras douradas se lia: 'Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós'. Outra vez Irmã Catarina ouviu a voz que lhe disse: 'Faça cunhar uma medalha com este modelo; as pessoas que a portarem receberão grandes graças; as graças serão mais abundantes para as pessoas que a portarem com confiança e fé'. E a Virgem desapareceu. No mês seguinte, durante suas orações na capela, teve a visão do outro lado medalha.

Em 1832, o Bispo de Paris autorizou a cunhagem da medalha, cuja primeira tiragem passou pela aprovação da Irmã Catarina Labouré. E assim se espalhou pelo mundo inteiro. A devoção operou graças para a cura dos males do corpo e da alma, além de muitas conversões. Por isso, os fiéis lhe deram o título de 'Nossa Senhora das Graças da Medalha Milagrosa' ou apenas 'Nossa Senhora da Medalha Milagrosa'. O dia 27 de novembro foi escolhido para celebrar sua festa.

Em muitos lugares do mundo, Nossa Senhora das Graças acabou sendo cultuada como Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Inclusive no Brasil, onde inúmeras paróquias dedicadas à Virgem das Graças passaram a festejar a Virgem da Medalha Milagrosa como co-padroeira, tamanha a devoção expressada pelo povo.

A primeira igreja construída e dedicada à Nossa Senhora da Medalha Milagrosa fica no Brasil, na cidade de Monte Sião, Minas Gerais.


Belo Horizonte, 16 de maio de 2010.

sábado, 15 de maio de 2010

Nossa Senhora de Coromoto


Por Kátia Bizan

No ano de 1652, Nossa Senhora de Coromoto apareceu aos índios do mesmo nome. Foi declarada Padroeira da Venezuela pelo Episcopado venezuelano no dia primeiro de maio de 1942.

O papa Pio XII a declarou 'Celeste e Principal Padroeira de toda a República da Venezuela' no dia 7 de outubro de 1944. O Santuário Nacional está construído no local da aparição, perto da cidade de Guanaguanare.

O Papa João Paulo II, em fevereiro de 1996, abençoou pessoalmente este Santuário. Entre os índios que habitavam a região de Guanaguanare, havia um grupo conhecido como 'Coromotos'.

Quando chegaram os colonizadores espanhóis, os Coromotos se embrenharam na selva, montanhas e vales situados a noroeste da cidade de Guanare, nas fontes e margens dos rios Tucupido e Anos.Os Coromotos moraram muito tempo nesses lugares distantes e sua memória foi sendo perdida, até que chegou o momento de sua conversão, graças a poderosa mediação da Santíssima Virgem.

Um espanhol honrado e bom cristão, chamado Juan Sánchez, possuía as férteis terras de Soropo, situadas a quatro ou cinco léguas de Ganare. A ele se uniram para trabalhar a terra e tratar do gado dois colonizadores: Juan Sibrián e Bartolomé ánchez.Descansando de uma longa viagem em certo dia, do ano de 1651, o Cacique dos Coromotos, acompanhado de sua mulher e filhos, eis que lhes aparece uma formosíssima Senhora de incomparável beleza, que trazia em seus braços um preciosíssimo Menino, caminhando sobre as cristalinas águas da corrente.

Maravilhados, contemplam a majestosa Dama; esta lhes sorri amorosamente e fala ao Cacique em sua própria língua, dizendo-lhe que ali fora procurar água para colocar sobre a cabeça e assim poder subir aos céus. Estas palavras foram ditas com tal unção e força que comoveram o coração do Cacique.

Ele se dispôs a cumprir os desejos de tão encantadora Senhora...No mês de novembro do citado ano, Juan Sánchez passava perto daquela região seguindo a estrada denominada 'Cauro', quando ia em viagem para El Tocuyo. A certa altura, encontra o chefe dos Coromotos, que lhe conta que uma belíssima Mulher, com uma criancinha formosa havia-lhe aparecido pedindo-lhe que fosse ao local onde moravam os brancos para buscar água para molhar sua cabeça, antes de ir para o céu. E acrescentou o Cacique que tanto ele como todos os de sua tribo estavam dispostos a atender os desejos de tão excelsa senhora.

Juan Sánchez, gratamente surpreendido pelo relato do índio, disse-lhe que estava indo de viagem para um povoado chamado El Tocuyo. A oito dias estaria de volta. Quando retornou, Juan Sánchez juntou-se aos Coromotos. Toda tribo partiu com o espanhol.Seguindo as indicações de Juan Sánchez, a caravana se deteve no ângulo formado pela confluência dos rios Tucupido e Guanaguanare, num lugar que foi chamado de Coromoto. Juan Sánchez foi imediatamente à vila do Espírito Santo de Guanaguanare e avisou as autoridades sobre o ocorrido.

Os alcaides Dom Baltazar Rivero De Losada e Dom Salvador Serrada Centeno, que governavam a Vila, dispuseram que os índios permanecessem em Coromoto e ofereceram-lhes Juan Sánchez para demarcar terras para seus trabalhos e para doutriná-los nos rudimentos da religião cristã.

O abnegado espanhol cumpriu sua missão cuidadosamente, fazendo de tudo para tornar feliz a permanência dos índios naquela região.Os indígenas construíram seus ranchos, receberam as terras e, contentes, ouviam as explicações doutrinárias que lhes dava o espanhol, ajudado por sua esposa e os outros dois companheiros. Este trabalho apostólico foi sendo coroado de êxito.

Pouco a pouco os índios iam sendo batizados. O Cacique, a princípio, assistia com gosto às instruções, mas começou a se desgostar e a sentir falta de seus bosques. Não mais freqüentou as reuniões promovidas por Juan, não quis mais aprender a doutrina cristã e se recusou a ser batizado.

No dia 8 de setembro de 1652, Juan Sánchez convidou os índios que trabalhavam em Soropo para assistirem a alguns atos religiosos que haviam sido preparados. O Cacique Coromoto recusou este convite. Ainda assim, seus companheiros honraram com humildes preces a Virgem. Isso deixou o Cacique enraivecido que fugiu para Coromoto. A cabana do Cacique era a maior entre todas as choças indígenas, mas era pequena e pobre em comparação às casas dos espanhóis.

Naquela noite se encontravam na cabana uma irmã do Cacique, chamada Isabel e seu filho, de doze anos e outras duas índias. O Cacique Coromoto chegou muito triste e calado. Imediatamente deitou-se na esteira.Vendo o seu estado, ninguém lhe dirigiu a palavra. Passou-se um longo tempo de silêncio. O Cacique tentava dormir, mas dentro de sua memória não saía aquela Senhora. Ouvia sua doce, contudo, outros pensamentos turvavam seu triste e melancólico caráter: seu orgulho humilhado pela obediência e sua desenfreada liberdade, clamava por uma completa emancipação; certa raiva interna e inexplicável lhe pintava o batismo e a vida dos branco como insuportáveis. Em poucos minutos, a Virgem Santíssima apareceu na cabana do Cacique, em meio a invisíveis legiões de anjos que formavam seu cortejo. Dela saíam raios de luz que inundaram a choça. Segundo o testemunho da índia Isabel a luz era tão potente que parecia a luz do sol ao meio-dia.

Mas não cansava a visão daqueles que a contemplavam tão grande maravilha. O Cacique reconheceu a mesma bela mulher que, meses antes, contemplara sobre as águas. O índio pensava, provavelmente, que a Senhora viera reprovar seu comportamento. Passados alguns segundos, o Cacique rompeu o silêncio e dirigindo-se à Senhora disse enfurecido: Até quando irás me perseguir?' Estas palavras impensadas e desrespeitosas mortificaram a esposa do Cacique, que o consolou: 'Não fales assim com a bela mulher. Não tenhas tanto mal em teu coração'. O Cacique, encolerizou-se e não pôde mais suportar a presença da Divina Senhora que permanecia à porta dirigindo-lhe um olhar tão terno e carinhoso, capaz de comover o coração mais duro.

Desesperado, o Cacique saca de um arco com uma flecha e chegando ao auge de sua loucura ameaça matá-la. Nesse instante, a Excelsa Senhora entra na choça, sorridente e serena, aproxima-se dele que lança o arco contra o chão. O Cacique tenta abraçar a Senhora que desaparece, deixando a cabana iluminada apenas pela luz do fogão. Fora de si e mudo de terror, ele ficou alguns minutos imóvel, com os braços estendidos e entrelaçados, na mesma posição em que estavam quando tentara agarrar a Virgem. Ele tinha uma mão aberta e a outra fechada, que apertava o máximo. Ele sentia que a bela mulher a havia fechado.

Cheio de temor, o índio disse à sua mulher: 'Aqui a tenho!'. As mulheres disseram em coro: 'Mostre-nos'. O Cacique abriu a sua mão e os quatro indígenas reconheceram ser aquela uma imagem e acreditaram que era a 'Bela Mulher'. Quando o índio abriu a mão, a pequena imagem lançou raios luminosos que causaram grande esplendor. O Cacique começou a suar frio. Com a mesma fúria de antes, envolve a milagrosa imagem em uma folha e a esconde no teto de palha de sua casa dizendo: 'Aí tu te queimarás, para que me deixes'.

O indiozinho, que interiormente desaprovava a torpe conduta do tio, prestou bem atenção no esconderijo da imagem e resolveu avisar Juan Sánchez sobre o que ocorrera. Escapou da casa por volta da meia-noite em direção a Soropo, enfrentando com coragem todos os riscos. Ao chegar, todos dormiam. Ele sentou-se à beira da porta e esperou o amanhecer. A esposa de Juan Sánchez, ao abrir a porta de sua casa na madrugada do domingo, surpreendeu-se ao ver o menino. Ele contou-lhe tudo que havia acontecido. A mulher chamou o marido. Juan sorriu e não deu crédito ao relato do indiozinho, que repetiu sua história veementemente: 'Podem ir a Coromoto agora mesmo e vocês irão comprovar o que digo'. Bartolomé Sánchez, Juan Sibrián, Juan Sánchez e o indiozinho se puseram sem demora a caminho de Coromoto.

Quando chegaram perto do povoado os três espanhóis se esconderam a três quadras da casa. O menino se encarregou de ir à choça do tio apanhar a imagem. Felizmente, o Cacique e as duas mulheres estavam fora da casa. Sem que ninguém o visse, o menino entrou na casa. Com o coração em júbilo pegou a imagem e a levou para Juan que, ao recebê-la, sentiu profunda emoção. Na imagem reconhecera a efígie de Maria Santíssima, a Mãe de Deus.

Com muito respeito a colocou em um relicário de prata que costumava carregar. Retornando à sua casa em Soropo, Juan Sánchez colocou a pequena imagem, que já começava a ser chamada de Nossa Senhora de Coromoto, em um altarzinho, alumiando-a com uma vela de cera escura. Esta humilde luminária ardeu dia e noite, sem consumir-se desde as doze horas da noite de domingo até à tarde de terça-feira. Este fato foi declarado milagroso, pois o pedaço de vela deveria arder, no máximo, uma meia hora.

Terça-feira, à tarde, Juan Sánchez foi à Vila de Guanaguanare (Guanare) onde revelou ao Padre Dom Diego Lozano, tudo quanto sabia sobre a imagem. Mas este não lhe deu crédito, dizendo que aquela estampa deveria ser obra de algum viajante. Juan Sánchez, sem se lastimar por isso, regressou feliz a Soropo, pois comprara o necessário para manter uma lamparina acesa diante da imagem, que ficou em sua casa até primeiro de fevereiro de 164, isto é, um ano e quatro meses.

No dia 9 de setembro, domingo, o Cacique resolveu ir aos montes com alguns índios. Mal entrou no bosque foi mordido por uma cobra. Vendo-se mortalmente ferido e reconhecendo no acontecimento um castigo do céu pela sua péssima conduta com relação à Senhora, começou a se arrepender, pedindo em altos gritos que lhe administrassem o Batismo.

A casa de Juan Sánchez se transformou num pequeno santuário. Para aí acorreu toda a população de Guanare atraída pelos milagres, graças e favores que eram alcançados por intercessão de Nossa Senhora de Coromoto.

No dia primero de fevereiro de 1654 a imagem foi trasladada solenemente para a igreja de Guanare por ordem do pároco Diego de Lozano. A devoção popular foi crescendo espantosamente até a coroação pontifícia em 1952.

A força histórica do fato coromotano repousa principalmente no testemunho do povo. Uma tradição jamais interrompida. Na década dos anos 20, houve um evidente ressurgir do movimento coromotano, mas não se pode dizer que tenha sido o ressurgir de algo morto, pois desde sua aparição até os nossos dias, o povo da Venezuela jamais deixou de peregrinar a Guanare para honrar sua padroeira.

Atualmente pode-se afirmar que não existe um só templo católico venezuelano que não possua uma imagem de Nossa Senhora de Coromoto, sempre amada e homenageada pelos fiéis.

Belo Horizonte, 15 de maio de 2010.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Nossa Senhora da Paz


Por Kátia Bizan

Segundo a tradição, no ano de 1682, alguns mercadores encontraram na vila do Mar do Sul salvadorenho uma caixa abandonada; tão bem fechada que não conseguiram abri-la com ferramentas. Certos de que continha algum objeto valioso, levaram-na para a cidade de São Miguel, onde encontrariam ferramentas para abri-la.

Puseram a caixa no lombo de um burro e iniciaram uma longa e perigosa viagem até chegarem à cidade no dia 21 de novembro. Visando garantir a posse do provável tesouro, dirigiram-se primeiramente às autoridades do lugar para lhes comunicar o achado; ao passarem diante da igreja paroquial, hoje Catedral, o burro deitou-se por terra decidido a não mais se levantar.

Sem nenhum esforço conseguiram abrir a caixa que continha uma formosa imagem de Nossa Senhora com o Menino nos braços. A origem da imagem permanece misteriosa e envolta em lenda. Nunca se pôde descobrir qual seria o destino daquela caixa, nem como chegou ao território salvadorenho. Conta-se que no momento em que retiravam a imagem ocorria uma violenta luta entre os habitantes da região. Ao terem notícia do milagroso achado, todos depuseram as armas e imediatamente cessaram as hostilidades; também se relata que nas lutas fratricidas de 1883, o lado vitorioso, em vez de promover represálias, como se esperava, fez colocar a abençoada imagem no átrio da paróquia e, aos pés de Maria, jurou solenemente não guardar rancores e extirpar o ódio dos corações para que a paz gerasse fraternidade e reconciliação. Por isso deram à imagem o título de Nossa Senhora da Paz, cuja festa é celebrada no dia 21 de novembro, para recordar sua chegada a São Miguel.

A imagem é de tamanho regular. Talhada em madeira e vestida de roupas brancas, tem à frente um bordado com o escudo nacional da República de Salvador. A imagem tem na mão uma palma de ouro, como lembrança da erupção do vulcão Chaparrastique, que ameaçou transformar a cidade num mar de lava ardente. Os atemorizados habitantes de São Miguel colocaram a imagem de Nossa Senhora da Paz na porta principal da Catedral e no mesmo instante a forte corrente de lava mudou de direção, afastando-se da cidade.

No ponto exato onde a lava mudou seu rumo há um povoado chamado 'Milagro de la Paz'. Isto ocorreu no dia 21 de setembro de 1787. Neste dia todos testemunharam que a fumaça que saia do vulcão formava uma palma. Vendo nisto um sinal da proteção da Virgem, o povo resolveu colocar em sua mão uma palma de ouro, semelhante a que contemplaram no céu.

A coroação canônica da imagem ocorreu no dia 21 de novembro de 1921. O ourives que confeccionou a coroa da Virgem empregou 650 gramas de ouro e muitas pedras preciosas, entre as quais se destaca uma grande esmeralda cercada de brilhantes.

A nova Igreja dedicado a Nossa Senhora da Paz foi concluído em 1953.

Belo Horizonte, 14 de maio de 2010.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Nossa Senhora de Fátima


Por Deiber Nunes Martins
Fonte: www.fatima.com

Hoje, 13 de maio, nada mais justo que falar da devoção a Nossa Senhora de Fátima. Afinal é o dia dedicado a Ela. A Mãe de Jesus como sabemos é conhecida por diversos nomes, mas nenhum tem tamanha dimensão quanto Nossa Senhora de Fátima. Em termos de Brasil, talvez seja por nossa proximidade com Portugal. O certo é que em nosso convívio diário conhecemos ao menos uma pessoa devota. Então, vamos falar um pouquinho dela...
A 13 de Maio de 1917, três crianças apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Fátima, conselho de Vila Nova de Ourém, hoje diocese de Leiria-Fátima. Chamavam-se Lúcia de Jesus, de 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos.
Por volta do meio dia, depois de rezarem o terço, como habitualmente faziam, entretinham-se a construir uma pequena casa de pedras soltas, no local onde hoje se encontra a Basílica. De repente, viram uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo abaixo, outro clarão iluminou o espaço, e viram em cima de uma pequena azinheira (onde agora se encontra a Capelinha das Aparições), uma 'Senhora mais brilhante que o sol', de cujas mãos pendia um terço branco.
A Senhora disse aos três pastorinhos que era necessário rezar muito e convidou-os a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e àquela hora. As crianças assim fizeram, e nos dias 13 de Junho, Julho, Setembro e Outubro, a Senhora voltou a aparecer-lhes e a falar-lhes, na Cova da Iria. A 19 de Agosto, a aparição deu-se no sítio dos Valinhos, a uns 500 metros do lugar de Aljustrel, porque, no dia 13, as crianças tinham sido levadas pelo Administrador do Conselho, para Vila Nova de Ourém.
O quer Na última aparição, a 13 de Outubro, estando presentes cerca de 70.000 pessoas, a Senhora disse-lhes que era a 'Senhora do Rosário' e que fizessem ali uma capela em Sua honra. Depois da aparição, todos os presentes observaram o milagre prometido às três crianças em Julho e Setembro: o sol, assemelhando-se a um disco de prata, podia fitar-se sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na terra.
Posteriormente, sendo Lúcia religiosa de Santa Doroteia, Nossa Senhora apareceu-lhe novamente em Espanha (10 de Dezembro de 1925 e 15 de Fevereiro de 1926, no Convento de Pontevedra, e na noite de 13/14 de Junho de 1929, no Convento de Tuy), pedindo a devoção dos cinco primeiros sábados (rezar o terço, meditar nos mistérios do Rosário, confessar-se e receber a Sagrada Comunhão, em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria) e a Consagração da Rússia ao mesmo Imaculado Coração. Este pedido já Nossa Senhora o anunciara em 13 de Julho de 1917, na parte já revelada do chamado 'Segredo de Fátima'.
Anos mais tarde, a Ir. Lúcia conta ainda que, entre Abril e Outubro de 1916, tinha aparecido um Anjo aos três videntes, por três vezes, duas na Loca do Cabeço e outra junto ao poço do quintal da casa de Lúcia, convidando-os à oração e penitência.
Desde 1917, não mais cessaram de ir à Cova da Iria milhares e milhares de peregrinos de todo o mundo, primeiro nos dias 13 de cada mês, depois nos meses de férias de Verão e Inverno, e agora cada vez mais nos fins de semana e no dia-a-dia, num montante anual de quatro milhões.

Oração a Nossa Senhora de Fátima
Para pedir serenidade e discernimento na hora do desespero e das decisões difíceis
Virgem de Fátima, Serva fiel e cheia de santa sabedoria, Templo radiante do Espírito Santo de Deus. Seja meu socorro nesta hora tão difícil, de sombras, de angústias. Sinto-me frágil e cheio de fraqueza. O medo parece ser maior que minha vontade, a tristeza parece querer tomar conta de meus dias. Fica a meu lado, Mãe dos aflitos e dos desesperados. Não sei o que fazer, mas confio em teu amor de Mãe, em ti encontro abrigo e consolo. Ensina-me a agir e a enfrentar as adversidades como Jesus o faria. Coloca em meu coração e em meus lábios os sentimentos e as palavras dele. Que seu Santo Espírito ilumine meus passos.

Amém.


Oração a Nossa Senhora de Fátima para pedir saúde
Senhora de Fátima, Mãe amorosa de todos os que sofrem no corpo e na alma. Cuida da saúde de teus filhos, alivia as dores e as doenças que nos afligem que nos desconcertam e nos fragilizam. Peça a teu Filho amado que tantos doentes curou pelas estradas de seu tempo, que tenha compaixão de nós, que seja Ele a nossa força. Que seja por Ele nosso sofrimento. Que Deus nos dê saúde para servi-Lo sempre, para cuidarmos uns dos outros. Mas que acima de tudo e sempre, seja feita a vontade de Deus Pai, que cuida de nós com infinito amor e incomparável ternura. Toma-nos pelas mãos, Mãe tão querida, e leva-nos a Jesus.

Amém.


Oração para pedir Confiança (de São Bernardo)
Lembrai-Vos o piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tenha recorrido à vossa intercessão, implorado a vossa assistência, reclamado o vosso socorro fosse por Vos desamparado. Animado eu pois com igual confiança, a Vos ó Virgem entre todas singular, como mãe recorro e de Vos me valho, e gemendo sob o peso de meus pecados me prosto a vossos pés. Não desprezeis a minha súplica, ó Mãe do Verbo de Deus humanado, mas dignai-vos a ouvir-me atenta e propícia e alcançar-me o que vos rogo.

Assim seja.

Belo Horizonte, 13 de maio de 2010.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Nossa Senhora de Lourdes


Fonte: http://www.catholic.org/clife/mary/app.php?id=1

As aparições de Nossa Senhora de Lourdes começaram no dia 11 de fevereiro de 1858, quando Bernadette Soubirous, camponesa com 14 anos, foi questionada por sua mãe, pois afirmava ter visto uma "dama" na gruta de Massabielle, cerca de uma milha da cidade, enquanto ela estava recolhendo lenha com a irmã e um amigo.[1] A "dama" também apareceu em outras ocasiões para Bernadette até os dezessete anos.
Bernadette Soubirous foi canonizada como santa, e muitos católicos acreditam que suas visões seriam da Virgem Maria. A primeira aparição da "Senhora", relatada por Bernadette foi em 11 de fevereiro. O Papa Pio IX autorizou o bispo local para permitir a veneração da Virgem Maria em Lourdes, em 1862.
Em 11 de Fevereiro de 1858, Bernadette Soubirous foi com a irmã Toinette e Jeanne Abadie para recolher um pouco de lenha, a fim de vendê-la e poder comprar pão. Quando ela tirou os sapatos e as meias para atravessar a água, junto à gruta de Massabielle, ela ouviu o som de duas rajadas de vento, mas as árvores e arbustos não se mexaram. Bernadette viu uma luz na gruta e uma menina, tão pequena como ela, vestida de branco, com uma faixa-azul presa em sua cintura com um rosário em suas mãos em oração e rosas de ouro amarelo, uma em cada pé. Bernadette tentou manter isso em segredo, mas Toinette disse a mãe. Por essa razão ela e sua irmã receberam castigo corporal pela sua história.[2][3] Três dias depois, Bernadete voltou à gruta com as outras duas meninas. Ela trouxe água benta para utilizar na aparição, a fim testá-la e saber se não "era maligna", porém a visão apenas inclinou a cabeça com gratidão, quando a água foi dada a ela.[4]
Em 18 de fevereiro, ela foi informada pela senhora para retornar à gruta, durante um período de duas semanas. A senhora teria dito: "Eu prometo fazer você feliz não neste mundo, mas no próximo".[5] Após a notícia se espalhar, as autoridades policiais e municipais começaram a ter interesse. Bernadette foi proibida pelos pais e o comissário de polícia Jacomet para ir lá novamente, mas ela foi assim mesmo. No dia 24 de Fevereiro, a aparição pediu oração e penitência pela conversão dos pecadores. No dia seguinte, a aparição convidou Bernadette a cavar o chão e beber a água da nascente que encontrou lá. Como a notícia se espalhou, essa água, foi administrada em pacientes de todos os tipos, e muitas curas milagrosas foram noticiadas. Sete dessas curas foram confirmados como desprovidas de qualquer explicação médica pelo professor Verges, em 1860. A primeira pessoa com um milagre certificado era uma mulher, cuja mão direita tinha sido deformada em conseqüência de um acidente. O governo vedou a Gruta e emitiu sanções mais duras para alguém que tentasse chegar perto da área fora dos limites. No processo, as aparições de Lourdes tornaram-se uma questão nacional na França, resultando na intervenção do imperador Napoleão III, com uma ordem para reabrir a gruta em 4 de Outubro de 1858. A Igreja decidiu ficar completamente longe da polêmica.
Nossa Senhora de Lourdes em Estampa Popular.
Bernadette, conhecendo as localidades bem, conseguiu visitar a gruta à noite, mesmo quando vedada pelo governo. Lá, em 25 de março, a aparição lhe disse: "Eu sou a Imaculada Conceição" ("que soy era Immaculada concepciou"). No domingo de Páscoa, 7 de abril, o médico examinou Bernadette e observou que suas mãos seguravam uma vela acesa e mesmo assim não possuiam qualquer queimaduras.[6] Em 16 de Julho, Bernadette foi pela última vez à Gruta e relatou que "Eu nunca a tinha visto tão bonita antes".[6] A Igreja, diante de perguntas de nível nacional, decidiu instituir uma comissão de inquérito, em 17 de Novembro de 1858. Em 18 de Janeiro de 1860, o bispo local declarou que: "A Virgem Maria apareceram de fato a Bernadette Soubirous".[6] Estes eventos estabeleceram o culto mariano de Lourdes, que, juntamente com Fátima, é um dos santuários marianos mais freqüentados no mundo, ao qual viajam anualmente entre 4 e 6 milhões de peregrinos.
A veracidade das aparições de Lourdes não são um artigo de fé para os católicos.[carece de fontes?] Não obstante todos os últimos Papas visitaram este local. Bento XV, Pio XI e João XXIII foram quando ainda eram bispos, Pio XII, como delegado papal. Ele também declarou uma peregrinação a Lourdes em uma encíclica na comemoração sobre o 100º aniversário das aparições, completados em 1958. João Paulo II visitou Lourdes três vezes e o Papa Bento XVI concluiu uma visita lá em 15 de setembro de 2008 para comemorar o 150º aniversário das aparições em 1858.

Belo Horizonte, 12 de maio de 2010.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Nossa Senhora de Akita


Fonte: Paulinas

A jovem Agnes Katsuko Sasagawa era uma catequista na igreja Myokô-Kogen quando adoeceu e perdeu definitivamente a audição. Inclusive o médico que a tratou no hospital público de Joetsu lhe forneceu o documento referente à pensão que teria direito do governo, pois a lesão era total nos dois ouvidos.

Agnes entendeu que Deus a chamava para a vida de oração e ingressou no Instituto das Servas da Eucaristia em Akita. Alí se tornou a protagonista das aparições da Virgem Maria, jamais ocorridas antes no Japão.


Tudo começou em 1969.

Agnes rezava seu Rosário quando um anjo apareceu e lhe pediu para incluir entre as dezenas a oração ensinada por Nossa Senhora aos três pastorzinhos em Fátima. Embora surda, ela ouvira aquilo perfeitamente, obedeceu e nunca mais deixou de reza-la.

No dia 12 de junho de 1973 ouviu uma voz enquanto rezava e viu uma luz inundar a capela. Aquilo continuou acontecendo até o dia 28 de junho, quando acordou com a mão esquerda doendo e sangrando muito, devido a uma ferida que aparecerá em forma de cruz.

Agnes recebeu a primeira mensagem em 06 de julho. Ela rezava diante de Nossa Senhora, quando viu seu anjo da guarda e ouviu a voz de Maria vindo da imagem. Outras religiosas notaram o sangue caindo de ferida que surgira na mão esquerda da estátua, idêntica a de irmã Agnes.

A imagem de um metro de altura foi esculpida de um único bloco de madeira de uma árvore Katsura. Era uma reprodução daquela das aparições da Mãe de Deus à uma mulher em Amsterdã, após a Segunda Guerra Mundial, na Holanda.

Ao todo ocorreram quatro manifestações de sangue saindo da mão esquerda da escultura.

No dia 29 de setembro a ferida tinha desaparecido sem deixar marca e a imagem passou a apresentar um certo 'suor' na testa e pescoço.

Agnes recebeu a segunda mensagem em 03 de agosto e a terceira, no dia 13 de outubro de 1973. Mas por mais nove anos ela recebeu instruções do anjo que lhe falara no início.

A partir de 04 de janeiro de 1975, a imagem de Nossa Senhora de Akita passou a chorar. Em pouco mais que seis anos, a estátua verteu lágrimas por cento e uma vezes, em datas diversas. Uma delas chegou a ser registrada pelas câmaras de um canal de televisão que fazia um documentário sobre os fatos sobrenaturais de Akita.

Em 1984, após investigações científicas rigorosas, a veneração de Nossa Senhora de Akita foi aprovada pelo Bispo da diocese. Quatro anos depois a Santa Sé declarou autenticas as mensagens de Maria, em Akita, que pedem aos fiéis: oração, sacrifício e entregue total a Deus.

A aparição também é considerada uma nova manifestação de Nossa Senhora de Todos os Povos, que previra antes em Amsterdã, a conversão do Japão.

Belo Horizonte, 11 de Maio de 2010

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos


Fonte: site cancaonova.com

Na situação de angústia, sofrimento e solidão, o ser humano necessita de ajuda.

Encontramos na Bíblia, inúmeras passagens onde pessoas, em situação de sofrimento, sentem em Deus amparo e refúgio: “Não tenhas medo, estarei contigo”. Não te deixarei. Sê forte. Não olhes para trás”.

O alento pela fé em Deus, transforma-se em esperança e ternura de pai e mãe. “Estive preocupado contigo, desde quando estavas no ventre de tua mãe. Amei-te com amor eterno”. Deus vem ao nosso encontro com palavras imensamente consoladoras: “Lázaro recebeu males. Agora, porém, ele encontra consolo aqui” (Lc 16,25). No sermão das bem-aventuranças, Jesus proclama: “Felizes os aflitos, porque serão consolados” (Mt 5,4).

Jesus nos revelou o Pai e nos deu por mãe a Sua Mãe (Jo 19,26s). As grandes virtudes de Maria são proclamadas na Ladainha de Nossa Senhora, com cinqüenta invocações, entre elas está a Consoladora dos Aflitos.

O Padre Narciso Zanatta, quando ainda seminarista, teve sérios problemas de saúde que o ameaçava de prosseguir em seus estudos para o sacerdócio. Orientado pelos superiores (Padres Jesuítas), apegou-se à oração e rezando a Ladainha de Nossa Senhora, a Ela recorreu com a invocação de Consoladora dos Aflitos. Em pouco tempo, recuperou plenamente a saúde. Em sinal de gratidão, assumiu o compromisso de que, em todos os lugares onde fosse trabalhar, iria propagar a devoção a Maria com o título de Consoladora dos Aflitos.

Em 11 de abril de 1947, já no final de seus estudos, o Bispo de Vacaria-RS, Dom Cândido Maria Bampi, escreveu-lhe uma carta “...Se às vezes as amarguras da vida e o peso da cruz espremem o sangue do coração, acharás ao seu lado uma Mãe carinhosa e poderosa, a Divina Consoladora, a quem nunca ninguém recorreu em vão... Caríssimo Narciso, seja merecedor do carinho da Virgem Santíssima pelo seu amor a essa querida Mãe. Continues, pois, corajosamente os seus estudos. Cuide de sua saúde. Cultive acima de tudo a vida espiritual, que é o requisito soberano para um seminarista, futuro ministro de Deus. O fruto de seu ministério sacerdotal dependerá mais de sua santidade do que de sua ciência, embora a ciência seja indispensável ao sacerdote...”

Nomeado para trabalhar na Paróquia de Santa Filomena de Ibiaçá, Diocese de Vacaria-RS, tomou posse no dia 10 de fevereiro de 1952. Tratou logo de introduzir a devoção a Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos.

No dia 25 de maio de 1952, realizou a primeira Romaria. Na oportunidade foi introduzida, apresentada e abençoada a imagem de Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos. Sendo que, neste dia, muitas pessoas alcançaram graças. Através dessas pessoas, recorrendo a Mãe Consoladora, difundiu-se rapidamente esta devoção em todo o sul do Brasil, Paraguai e Argentina.

ORAÇÃO A NOSSA SENHORA CONSOLADORA
Mãe Consoladora, ajuda-nos para que consigamos ter um mínimo de tranqüilidade em meio a tanta agitação. Que entendamos que a maior riqueza está nas coisas da alma e do coração. Que consigamos dar imensa importância à simples flor, aos pequenos gestos ou ao mais singelo sorriso do irmão que por nós passa.

Mãe Consoladora que sejamos fortes para ajudar os fracos. Semeia em nossa alma a paz, para que possamos transmiti-la a tantos que não atêm. Que da saudade façamos a canção em cuja letra conversemos contigo, para cantando, pedir-te, ainda que em espírito, o regresso de quem partiu.

Mãe Consoladora, que possamos sentir-te quando a queda nos fizer sofrer, para que após consigamos retomar o caminho. Que tua graça e tua benção envolvam e fortaleçam os que estão doentes.

Mãe consoladora faz com que poluamos menos nossos rios, destruamos menos nossas florestas, deixemos em paz nossos pássaros, respeitemos mais o ser humano, conversemos mais com nossos filhos, amemos mais nossa família. Que nossa vida seja marcada pela vontade do passo a mais, do amor maior, da humildade que constrói muito mais do que a arrogância. Que ao final de cada dia possamos fazer de todo e qualquer ato uma prece num encontro festivo, num misto de presente, passado e futuro de saudade e esperança.

Faz, Mãe Consoladora, que os pequeninos sejam em nós um exemplo. Que por onde passarmos possamos pagar pelo tanto que nos deste mostrando que a gratidão não tem limites.

Por tudo Mãe Consoladora, estamos agradecidos pois cada segundo de nossas vidas fazem parte da eternidade que nos honrastes viver.

Amém

Belo Horizonte, 10 de maio de 2010.

domingo, 9 de maio de 2010

Nossa Senhora do Bom Conselho


Por Katia Bizan

Dia 26 de abril celebra-se a festa de Nossa Senhora do Bom Conselho .


Contaremos a história da imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano.

Com o advento dos imperadores cristãos, Genazzano foi doada aos papas, e Sixto III fez logo edificar, ao lado do convento dos padres agostinianos, uma igreja dedicada a Nossa Senhora do Bom Conselho.


Desde então os dias 25 e 26 de abril não eram mais profanados por festas e cultos aos deuses pagãos. Foram subsituidas por festas ao ar livre, segundo o costume do povo, mas ao mesmo tempo santificados pela devoção à padroeira da cidade.


Com o correr do tempo, a velha igreja ficou em ruínas, mas os habitantes de Genazzano, por falta de recursos, não podiam construir a Igreja nova , nem mesmo reformar a antiga.Porém uma viúva rica, chamada Pedrina, muito devota de Nossa Senhora do Bom Conselho, tomou coragem e empreendeu a construção, confiando unicamente na Providência Divina e na proteção da Rainha do Céu.


Aos que zombavam de sua confiança, tentando dissuadi-la do empreendimento , a valorosa senhora respondia: 'Não tenham cuidado, pois a Santíssima Virgem e o santo padre Agostinho (de cuja ordem ela era irmã terceira) hão de levar a cabo os meus trabalhos, e dão-me a doce confiança de ver em breve coroados felizmente os meus esforços'.


No ano de 1467, no pontificado de Paulo II (1464-1471), por vários motivos estavam suspensas as obras do templo, e eis que justamente no dia 25 de abril, dia em que em Genazzano se celebrava a feira pública que substituiu a festa das flores dos pagãos, feira essa festejada sempre com grande afluência de povo, repentinamente uma nuvem em forma de coluna apareceu no ar e, baixando , encostou-se a uma das paredes mais elevadas da construção, e dissipou-se, aparecendo então, pintada a fresco, uma imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho.


Os sinos por si sós repicavam festivamente, como que anunciando o extraordinário acontecimento.Todos perguntavam, admirados, de onde teria vindo aquele quadro, cuja aparição atraiu logo a Genazzano enorme multidão de forasteiros, entre os quais apareceram dois albaneses, Solavis e Georgi, que, chegando ao lugar do milagre, manifestaram grande alegria, o que chamou a atenção dos circunstantes.Foram por isso interrogados e então contaram, sob juramento, que já tinham venerado aquela imagem em uma igreja da Albânia. Acrescentaram que, ao saírem de sua terra, então dominada pelos turcos, viram-na destacar-se da parede e, rodeada por uma nuvem, tomar o rumo da Itália.


Impelidos a acompanhá-la, entraram confiadamente no mar, atravessando-o por sobre as ondas, a pé enxuto, e, sempre guiados pela nuvem, chegaram às vizinhanças de Roma, onde a perderam de vista.Logo que desvendaram a misteriosa aparição, redobraram as demonstrações de devoção e alegria, de tal modo que, pouco meses depois, foi continuado e concluído o templo iniciado por Pedrina, o qual se tornou um centro de peregrinações para o povo católico.


Nossa Senhora do Bom Conselho é a padroeira da Província Jesuíta do Brasil Central.


A graça de uma feliz escolha de estado é a graça por excelência de Nossa Senhora do Bom Conselho.

Belo Horizonte, 09 de maio de 2010.

sábado, 8 de maio de 2010

Nossa Senhora do Carmo


Por Dom Pedro Fedalto, Arcebispo de Curitiba para o Jornal Gazeta do Povo.

Pelo ano de 1222, dois cruzados ingleses levaram para a Inglaterra, alguns Carmelitas que habitavam o Monte Carmelo. Um homem penitente, austero, logo se uniu a eles. Era Simão Stock. Consta que tivesse ele recebido um aviso de Nossa Senhora que viriam da Palestina Monges devotos de Maria e que deveria unir-se a eles. Vieram depois tantos Carmelitas para a Europa que foi preciso nomear um Superior Geral para os mesmos. Em 1245, foi ele eleito para desempenhar este cargo. Encontrou ele dificuldades quase insuperáveis. Mandou que os Carmelitas estudassem: isto gerou uma discórdia interna, pois não queriam os mais velhos que contemplativos estudassem. O clero secular revoltou-se contra eles e pediu a Roma sua supressão. Diante de tanta oposição, Simão Stock, com seus 90 anos, retirou-se para o mosteiro de Cambridge, no Ducado de Kent, e pedia a proteção de Maria. Orava ele em sua cela, quando viu um clarão, na noite de 16 de julho de 1251. Rodeada de anjos, Maria Santíssima entregou-lhe o Escapulário, dizendo-lhe: "Recebe, filho queridissimo, este Escapulário de tua Ordem: isto será para ti e todos os Carmelitas um privilégio. Quem morrer revestido dele não sofrerá o fogo eterno".

Desde aquele 16 de julho de 1251, Nossa Senhora do Carmo jamais deixou de amparar seus devotos, revestidos do Escapulário.

Passaram sete séculos, Milhões de cristãos, trouxeram o Escapulário de Maria.

É verdade que aqui e acolá surgem vozes, negando a aparição e, por consequência, a devoção devida a Maria.

O maior inimigo do Escapulário do Carmo foi o Anglicano Launoy, dizendo que é uma lenda. O livro de Launoy foi colocado no Índice dos Livros Proibidos. O papa Bento XIV, um dos mais sábios teólogos de todos os tempos, não se limitou apenas a condenar Launoy, mas disse claramente que só um desprezador da Religião podia negar a autenticidade da Visão do Escapulário. Apesar disto, o livro de Launoy continuou a ser citado e as dúvidas persistiram. Foi devido aos ataques que se fez um estudo mais apurado e se descobriu o livro, denominado "Viridarium", escrito em 1398 por Frei João Grossi, Superior Geral dos Carmelitas. Era um homem santo e letrado, célebre na Igreja pela atividade exercida para terminar com o Grande Cisma do Ocidente. Consultou os companheiros que conviveram com S. Simão Stock. Apresenta ele um Catálogo dos santos Carmelitas, dizendo que o nono é S. Simão Stock, o sexto superior geral da Ordem. Descreveu como aconteceu a aparição, a 16 de julho de 1251. Contou que São Simão Stock morreu em Bordeus, na França, quando visitava a Província de Vascônia em 1261.

Infelizmente, a biblioteca de Bordeus foi queimada um século depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, por funcionários municipais, por causa de uma peste, com medo da propagação do contágio.

Henrique VIII, rei da Inglaterra, ao se separar de Roma e, ao fundar a Igreja anglicana, mandou arrasar as bibliotecas católicas.

Um carmelita contemporâneo de São Simão Stock, que vivia na Palestina, escreveu um livro intitulado: "De multiplicatione Religionis Carmelitarum per Provinciais Syriae et Europae; et de perditione Monasteriorum Terrae Sanctae". Nesta obra, contava as terríveis perseguições e dissenções que arruinavam a Ordem do Carmo, antes da aparição de Nossa Senhora . Opinava ele que eram fomentadas por Satanás. Declarava ele que a Santíssima Virgem apareceu ao Prior Geral, São Simão Stock e que, após a Visão de Nossa Senhora do Carmo, o Papa não só aprovara a Ordem, mas ordenara que se empregassem censuras eclesiásticas contra todo aquele que, daí em diante, fosse contra os Carmelitas. O Papa mandou cartas a todos os Arcebispos e Bispos, exortando-os a tratar com mais caridade e consideração os seus amados irmãos Carmelitas e permitissem a construção de mosteiros adequados.

Um ano depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, o Rei da França, Henrique III, em 1252, publicou diplomas de proteção real à Ordem recentemente transplantada para o seu reino.

Em 1262, um ano após a morte de São Simão Stock, o Papa Urbano IV concedeu privilégios aos membros que compunham a Confraria do Carmo. Ora o Papa só dá privilégios a associações bem constituídas.

Quinze anos depois da morte de S. Simão Stock, ocorrida em 1261, foi sepultado em Arezzo, a 10 de janeiro de 1276, o Papa Gregório X, que governou a Igreja, desde 1271. Consta que antes de ser Papa usava o Escapulário. Em 1830 quando foi exumado seu corpo para ser colocado num relicário de prata, foi encontrado intacto o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, de seda de carmezim, com precioso bordado a ouro, como convinha ao Papa. Encontra-se, hoje, no museu de Arezzo, como um dos tesouros. Este é o primeiro Escapulário pequeno conhecido na História.

Em 1820, numa Assembléia, em florença, Itália, os 40 Carmelitas reunidos falam do Escapulário, ocorrendo o mesmo, em julho de 1287, em Montpelier, França.

As constituições de 1324, 1357 e 1369 dizem que o Escapulário é o hábito especial da Ordem e que os Carmelitas devem usá-lo.

Diante disto, John Haffert diz: "Conclui-se, portanto, que a aparição da Santíssima Virgem a S. Simão Stock é, historicamente, ceríssima".

Uma vez demonstrada a historicidade da aparição de Nossa Senhora do Carmo, John Haffert analisa o cumprimento da Promessa de Maria, através dos sete séculos. Conta ele fatos e mais fatos ocorridos com o que, na vida, trouxeram o Escapulário de Nossa Senhora.

Belo Horizonte, 08 de maio de 2010.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Nossa Senhora da Luz


Fonte: site http://www.fatima.com.br/

Na época das grandes viagens marítimas, para a conquista da África, surgiu a devoção a Nossa Senhora da Luz, em Portugal.

Ela começou em 1453, com Pedro Martins, nascido em Carmide, uma aldeia perto de Lisboa. Diz a tradição que ele trabalhava na pequena propriedade herdada por sua mulher, quando foi raptado por piratas muçulmanos, que às vezes invadiam as terras cristãs.

Desde então a população de Carmide presenciou, durante trinta dias seguidos, a aparição de uma estranha luz sobre a fonte do Machado. Enquanto isso, Pedro Martins aguardava na prisão africana, o pagamento do resgate pedido à sua família, pelos piratas infiéis. Mas ele sabia que eles não receberiam nada, pois era muito pobre. Não teve dúvida, começou a rezar pela ajuda e intercessão da Virgem Maria, amparo dos aflitos, da qual era fiel devoto.

Em suas preces pedia para sair daquele lugar e voltar para sua família, em Carmide. A partir de então, Nossa Senhora passou a lhe aparecer em sonho durante trinta dias seguidos. No último sonho, Ela o avisou que no dia seguinte acordaria na sua aldeia. Mas ainda lhe disse que teria de procurar uma imagem escondida num local que seria sinalizado por uma luz, onde depois deveria erguer uma capela. Tudo aconteceu como Nossa Senhora dissera. Pedro encontrou a imagem perto da fonte do Machado onde a estranha luz aparecera, e essa notícia logo se espalhou.

O povo passou a invocar a imagem com o título de Nossa senhora da Luz. Enquanto Pedro obteve permissão do Bispo de Lisboa, para erguer uma capela no local onde encontrara a imagem.

Mais tarde a capela foi reformada e se tornou um belíssimo templo, inaugurado oficialmente em 1596. A festa de Nossa Senhora da Luz é celerada no dia 08 de setembro.

No Brasil, a primeira capela dedicada à Ela foi construída em 1580, no bairro do Ipiranga, na cidade de São Paulo. Essa igreja foi citada em várias cartas do Padre José de Anchieta. Porém, em 1603 a capela foi transferida para o atual bairro da Luz. Depois ao lado da igreja foi construído o Convento das religiosas do Recolhimento da Luz. Hoje a igreja e o convento são patrimônios tombados e abriga o Museu de Arte Sacra de São Paulo que conserva a mais antiga imagem de Nossa Senhora da Luz, dentre outras relíquias.

Belo Horizonte, 07 de Maio de 2010

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Nossa Senhora das Dores


Por Katia Bisan, do blog "Mãe Amada"

Nunca mais em sua vida, ela poderia fechar os olhos, sem se lembrar do olhar do Filho, pedindo na cruz, fixo no seu, buscando forças para uma última recomendação.


Seus ouvidos nunca mais se esqueceriam daquele grito de entrega que cortou os céus, que fendeu a terra, sulcando-a com sofreguidão.


Nunca mais se apagariam as manchas daquele sangue tão amado, que se atacava às suas vestes como, um dia, estivera seguro em suas entranha.
Era sábado, e a Mãe estava num canto da casa. Sentado junto à janela, ela contemplava o céu. O olhar perdido.Haviam levado o seu Filho.Aquele mesmo filho que, numa noite fria, entre palhas e trapos, viera ao mundo e iluminara toda sua vida, que a surpreendia a cada instante pelas respostas tão cheias de sabedoria, pela obediência tão dócil, pela bondade tão infinita e sincera, pela desenvoltura e firmeza em frente à Lei, aos absurdos da Lei, às injustiças, às dores de todos os tipos e causas. Nada lhe era indiferente.E ela o amava reverentemente, como mãe e como serva. Como só ela podia entender. Segredos entre Maria e seu Deus.


Naquela noite, ela estava só. No colo, a coroa do seu Cristo Rei, cheia de espinhos embebidos de sangue.As palavras do velho Simeão, pareciam ouvi-las naquele instante a prometer-lhe o gládio no peito.E ela sentia que a espada havia sido fincada até a ultima célula de seu ser. Mãe dolorosa! Ninguém conseguia removê-la daquela cadeira junto à janela.Ela permanecia à espreita.Desde sempre ela soube como seria a história do Messias, do Servo sofredor, do Cordeiro de Deus. Ela sabia que lhe arrancariam a barba, que lhe cuspiriam no rosto, que lhe sorteariam a veste...Ela sabia que Ele salvaria o mundo e... ressuscitaria.Maria estava à espera da ressurreição! E aguardava o Filho com a mesma ansiedade com que esperava voltar do poço, ainda pequeno, com o balde cheio de água fresca e um sorriso farto; ou voltar, já grande, de Jerusalém ou de Carfanaum, com as roupas carregadas de pó e o coração de alegrias. Ela esperava e enfrentou a vigília da noite, como tantos anos antes, enfrentara a estrada que ia até Belém. Longa noite...


Mergulhada em seu Deus e Senhor, ela teve tempo para vasculhar o céu à procura da estrela de Belém. Sim, ela ainda brilhava mais do que todas as outras, cintilava, reluzia, quase crepitava como uma labareda na noite longa e escura.Era uma questão de horas. Como ela, um dia, o universo contorcia-se de dor e da mais profunda felicidade, pois o Filho iria ressuscitar.


Ela bem sabia, desde aquele dia da encarnação, que Deus não se manifestava violentamente. Por isso, ela não ouviu a pedra rolar, a terra tremer.Era uma questão de horas.Mas quando o vento manso da aurora sacudiu as primeiras folhas e um raio fúlgido, tênue e cristalino surgiram no céu, ela soube, com toda certeza, que ele estava vivo.


Como o sol atravessa o puro cristal, a Mãe teve seu Filho de volta. Ressuscitado. Glorioso. Mas, seu Filho.Como foi o encontro, não é possível explicar: uma questão de mistério, de segredos entre uma mãe e seu filho, entre Deus e Maria, entre o Senhor e sua Serva.


Exultam o céu e a terra em Deus, nosso Salvador!


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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Nossa Senhora de Nazaré

Por Kátia Bisan, do blog "Mãe Amada"

É muito difícil saber como a imagem de Nossa Senhora de Nazaré chegou em Belém do Pará, norte do Brasil. Tudo indica, segundo alguns historiadores, que esta devoção foi introduzida pelos padres jesuítas, por volta de 1697, na cidade de Vigia, perto de Belém.


Conta-se que em 1700, o lenhador e caçador Plácido José de Souza, filho do português Manuel Ayres de Souza, caminhando pelo igarapé de Murucutu, uma região perto de Brasília, encontrou a imagem de Maria de Nazaré, uma réplica daquela cultuada em Portugal e em Vigia.


Era uma imagem pequena, de madeira, com 28 centímetros. Estava numa espécie de nicho natural, de pedras lodosas, talvez deixada aí por algum devoto no retorno de Vigia. Plácido fica encantado com a descoberta e leva a pequena imagem para sua casa - uma pobre choupana - e a coloca sobre um altar.


Na manhã seguinte, a imagem havia desaparecido; voltara para seu nicho natural. Isto aconteceu todas as vezes que Plácido a levava para sua casa. O fato se propagou rapidamente e o povo logo entendeu que a Mãe de Deus queria ser venerada no local onde fora encontrada.


Ergueu-se, então, uma palhoça ao redor do nicho natural para abrigar a santa. Plácido construiu ao lado sua nova casa. Mais tarde, trinta anos depois, conseguiu com a ajuda de amigos erguer uma capela maior para abrigar a Virgem de Nazaré.


Em 1793 realizou-se a primeira procissão, chamada de 'Círio' por causa das velas usadas, com a presença do bispo e do governador, que milagrosamente se recupera de uma doença para participar da homenagem à Virgem de Nazaré e promete melhorar a ermida da santa.


Atualmente a procissão do Círio de Nazaré começa na Catedral e vai até a Basílica. São cinco quilômetros cuja caminhada pode durar até sete horas, em virtude das homenagens e da multidão de devotos.


Na festa do Círio de Nazaré, podemos destacar a romaria fluvial, que percorre as águas da baía de Guajará, levada numa embarcação ricamente ornamentada, a imagem de Mãe de Deus para abençoar as comunidades ribeirinhas. É espetáculo maravilhoso que atrai turista do Brasil e do mundo. Destacamos ainda a Berlinda, verdadeira obra de arte entalhada na madeira, que carrega Nossa Senhora de Nazaré nas procissões.


Atada à Berlinda está a Corda, que simboliza, o elo entre o povo e Maria. Com 400 metros de comprimento e 2 polegadas de diâmetro, a Corda é um dos principais símbolos do Círio de Nazaré. Surgida espontaneamente para retir a Berlinda de um atoleiro, hoje é imprescindível.


Segurar na corda, além de pagar promessa, é antes de tudo um ato de fé e amor à Virgem Santa.


A Basílica atual, foi erguida ao lado da igreja já existente. O templo, com 62 metros de comprimento por 24 de largura e 20 de altura, é claro e arejado, favorecendo a oração. A imagem da Virgem de Nazaré, encontrada por Plácido, está protegida em meio à glória de muitos anjos, no altar-mor.


A inauguração da Basílica deu-se em 30 de outubro de 1941. A festa do Círio de Nossa Senhora de Nazaré é um fenômeno religioso que só a fé justifica.


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terça-feira, 4 de maio de 2010

Nossa Senhora das Três Mãos


Por Katia Bizan
É muito interessante essa devoção à Virgem das Três Mãos, cujo culto nasceu de um ícone milagroso da Mãe de Deus, que teria intercedido em um milagre alcançado por São João Damasceno, no século VIII.


Considerado o último dos Santos Padres Orientais, mais tarde declarado Doutor da Igreja, passou sua vida inteira sob o governo de um Califa muçulmano.


João nasceu numa família cristã, em 675, em Damasco, Síria. Nessa época as duas religiões ainda conviviam em relativa paz. Tanto, que seu pai, um cristão fervoroso, era um alto funcionário do Califa, o qual aprendeu a respeitar a sabedoria do pequeno João e acabou lhe dedicando uma sincera amizade.


Devido a sua cidade natal, na juventude João era chamado de 'o Damasceno' e se tornou um influente sacerdote da Igreja cristã da Síria. Foi um dos maiores e fortes defensores do culto das imagens sagradas no difícil período dos hereges iconoclastas. Mesmo atacando abertamente o governo muçulmano, sempre foi protegido das vinganças, pelo próprio Califa.


Diz a tradição, que insuflado por uma mentira que tornava João Damasceno um conspirador do governo, o Califa se sentiu traído pelo velho amigo. Por isso, ordenou que lhe cortasse a mão direita, conforme a lei muçulmana. João Damasceno, porém, profundo devoto de Maria, rezou com toda fé diante do seu ícone. No dia seguinte, a mão estava recolocada no lugar. Como prova de sua gratidão, ele pendurou uma mão de prata no ícone e mandou pintar um novo com esta mão votiva, diante do qual passou a fazer suas orações. Assim surgiu o ícone da 'Virgem das Três Mãos' e sua devoção.


Ao logo dos tempos o seu culto se difundiu e muitas cópias surgiram nos mosteiros e igrejas cristãs do Oriente. No século XIII, São Sabas, filho de Estêvão I, fundador da dinastia e do Estado independente da Sérvia, antes de se retirar para o mosteiro do Monte Athos, esteve em Jerusalém e levou para seu país um ícone de Nossa Senhora das Três Mãos, para ser venerado na Catedral da capital Sófia.


Mais tarde, seu pai abdicou o trono e se recolheu à vida religiosa. Então, juntos decidiram fundaram um mosteiro para os sérvios em Kilandar, chamado 'Mosteiro da Santíssima Mãe de Deus' ou 'Casa da Santíssima Mãe de Deus de Kilandar', um reconhecido centro religioso e cultural. Em 1459, a Sérvia ficou completamente sob o domínio dos turcos muçulmanos.


O ícone venerado em Sófia foi transferido para o Mosteiro de Kilandar, local que deu origem à outra tradição cristã. No início do século XVII, certo dia, os monges desse Mosteiro não conseguiam entrar em acordo para eleger o novo guia espiritual. Por isso, a Senhora das Três Mãos teria descido do altar para assumir essa função e comunicado os monges através de uma visão à um dos mais velhos.


Daquela época em diante os religiosos de Kilandar rendem à Virgem das Três Mãos todas as honras devidas, especialmente no dia 28 de junho sua festa anual.


Com base nessas e outras tradições, a terceira mão que aparece no ícone foi interpretada como: mão auxiliadora da Mãe de Deus que sempre intercede pelos fiéis junto ao Senhor.


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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Santa Maria, Mãe de Deus


Por Kátia Bisan, no blog "Mãe Amada"

A Igreja Católica quer começar o ano pedindo a proteção da Santíssima Virgem. A festa mariana mais antiga que se conhece no Ocidente é a de 'Maria Mãe de Deus.

Já nas catacumbas, os antiquíssimos subterrâneos cavados debaixo da cidade de Roma onde se reunião os primeiros cristãos para celebrar a Missa nos tempos das perseguições, há pinturas com essa invocação : Maria, Mãe de Deus.

Se nós pudéssemos formar nossa mãe, que qualidades lhe daríamos? Pois Cristo, que é Deus, formou sua própria Mãe, e podemos imaginar que lhe deu as melhores qualidades que uma criatura humana pode ter.

Como é belo repetir o que dizia Santo Estanislau: 'A Mãe de Deus é também minha mãe'. Quem nos deu sua Mãe santíssima como nossa mãe ao dizer na Cruz ao discípulo que representava a toda a humanidade: 'Eis aqui tua Mãe', será capaz de nos negar algum favor, se o pedirmos em nome de Maria Santíssima?

Quando em 431 o herege Nestório se atreveu a dizer que Maria não era a Mãe de Deus, reuniram-se em Éfeso (cidade onde a Santíssima Virgem passou seus últimos anos na Terra) os 200 bispos do mundo e, iluminados pelo Espirito Santo declararam: 'A Virgem Maria é Mãe de Deus porque seu filho, Cristo, é Deus'. E, acompanhados por todo o povo da cidade que os rodeava, portando tochas, fizeram uma grande procissão cantando 'Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa porte. Amém'.

O título 'Mãe de Deus é o principal e o mais importante da Virgem Maria, e dele dependem todos os demais títulos e qualidades e privilégios que Ela tem.

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domingo, 2 de maio de 2010

Nossa Senhora da Abundância ou Nossa Senhora da Romã


Por Kátia Bisan no Blog "Mãe Amada"

A sua festa ocorre em duas datas: 15 de agosto e 05 de janeiro.

A cidade é Paestum e está situada no Golfo de Salerno, sul da Itália, cuja capital é Nápoles.

A partir da metade do século VII antes de Cristo, chegaram os agricultores gregos e fundaram a cidade Poseidonia, além de vários santuários. O mais importante era o da deusa Hera Argiva, adorada como a Verdadeira Senhora por ser a esposa do deus supremo do Olímpo.

Graças às excelentes condições geográficas, a cidade prosperou muito, se desenvolveu e seus templos ganharam fama em toda Grécia. Quatro séculos depois, Roma tomou posse da região e fundou uma colônia latina dando à cidade seu nome definitivo: Paestum.

O cristianismo foi introduzido na região no século II e o culto à Virgem Maria, Mãe de Deus, contrapondo-se à antiga adoração à Hera Argiva. Paestum foi destruída no século VII por invasores muçulmanos e se tornou numa das fascinantes relíquias arqueológicas do mundo.

Os habitantes sobreviventes, junto com seu bispo, foram para o monte Calpazio. Situado nos confins da planície de Paestum, defronte ao Golfo de Salerno, era um lugar mais seguro às constantes invasões. Assim, fundaram uma nova cidade chamada Capaccio e construíram a igreja dedicada à Santa Maria, Mãe de Deus.

No século XI, Capaccio adquiriu o mesmo poder que tivera Poseidonia. A igreja magnificamente ampliada assumiu a condição de Catedral e sede episcopal da diocese de Paestum-Capaccio. Neste Santuário, os fiéis devotavam à imagem da Virgem Maria sentada com o Menino Jesus e que segura na mão direita uma fruta romã aberta como símbolo da Graça, a invocação de Nossa Senhora da Romã ou da Abundância.

Entretanto, em 1247, a Igreja foi destruída junto com a cidade, pelo exército de Frederico II, dando origem às ruínas da Velha Capaccio. Algumas famílias escondidas na vizinha Vila de São Pedro se organizaram e criaram um novo centro urbano conhecido como Nova Capaccio.

Com a transferência do Bispo, a Catedral -Santuário deixou de ser a sede da diocese, mas continuou sendo meta de muitos peregrinos e romeiros de outras localidades.

Após o século XIV, a devoção à Nossa Senhora da Romã era tão popular que o título foi incorporado ao nome do Santuário. A única restauração completa ocorreu em 1708.

O edifício anexo ao Santuário, para acolher os religiosos responsáveis pela preservação do culto, data de 1836 e lhe deu a característica arquitetônica atual.

Desde 1991, a sua reitoria é de responsabilidade dos Carmelitas da Antiga Observância. O culto à Nossa Senhora da Romã ou da Abundância está profundamente ligado às ruínas arqueológicas das antigas cidades, à tradição dos agricultores e à forte devoção popular dos fiéis à Virgem Mãe de Deus, que ainda lhe agradecem a proteção oferecendo romãs.

sábado, 1 de maio de 2010

Nossa Senhora do Trabalhador


Por Kátia Bisan, no Blog Mãe Amada
O dia de Nossa Senhora do Trabalho se comemora no dia 5 de maio.

Esta devoção foi criada pelo Beato Guanella, fundador de duas congregações: Servos da Caridade e Filhas de Santa Maria da Providência.

A sua oração é utilizada por desempregados que precisam arrumar um emprego ou que querem fazer este pedido para alguém.


Oração a Nossa Senhora do Trabalho

Salve Virgem Maria, nossa querida mãe e padroeira!
Como filhos, nos dirigimos a Vós com toda a confiança, implorando a Vossa benção, de modo especial pelos nossos trabalhadores, por todos aqueles que labutam no dia-a-dia para conseguir o sustento da própria família.

Concedei-nos, nós Vos pedimos, que este labor seja dignificante, de modo a favorecer vossos filhos.

Que haja muita consciência da nobreza do trabalho e que nenhum de nossos irmãos seja explorado pela ganância de riquezas.

Abençoai, ó Virgem do trabalho, nossa comunidade, nossas famílias e a cada um de nós.

Que saibamos sempre honrar-vos neste Vosso Santuário como filhos devotos e obedientes. Intercedei, junto ao Vosso Filho Jesus, concedendo-nos vocações sacerdotais e religiosas e a perseverança final.

Assim seja. Amém!!


ORAÇÃO DO DESEMPREGADO

Ó mãe amável. Nossa Senhora do Trabalho!

Prostrado aos vossos pés, suplico-vos, humildemente, olhai com bondade para este vosso servo desempregado.

Minha situação é muito difícil.

Não sei mais a quem recorrer.

Tudo é insegurança e escuridão ao meu redor.

Por isso, estou em busca de uma luz.

Sei que posso encontrá-la batendo à porta do vosso coração.

Quem recorre à vós não fica de mãos vazias, desprotegido, pois sinto que encontro segurança em vossas mãos sob o vosso olhar de ternura e abrigado por vosso manto protetor.

Aceitai portanto meu apelo concedendo-me a graça de um emprego.

Preciso trabalhar!

Prometo-vos que o meu coração estará sempre aberto àqueles que precisarem de minha ajuda.

Muito obrigado ó mãe do Divino Trabalhador por ouvirdes minha oração.

Amém.

* Rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Maio - Mês de Maria


Por Deiber Nunes Martins

Amigos, este mês de maio, consagramos a santíssima Virgem, pedindo a ela que nos conduza por todo o ano. Neste sentido e intenção, quero oferecer a vocês meus leitores um pouco sobre a devoção a Mãe de Jesus por meio de seus inúmeros títulos. A fonte de minhas informações são blogs, enciclopédias e lecionários sobre Nossa Senhora.
Que neste tempo, aproveitemos se não para coroá-la Mãe de Deus e nossa, ao menos para reconhecer sua santidade e o que ela é: Mãe de Nosso Senhor, Porta do Céu, Estrela da Manhã.
Maria por sua intercessão, pode nos levar ao Céu. Que nós nos rendamos a sua devoção e assim a defendamos dos insultos e escárnios de nossos irmãos que infelizmente ainda não a conhecem.
Maria, vós que possui infinitos títulos, venha em nosso socorro intercedendo a Deus por nós. Cuida de teus filhos, Maria. Dá-nos a tua benção de mãe. Mãezinha, tu és a Rainha de nossas vidas e mesmo que não a reconheçamos, perdoa-nos. E interceda por nós, junto a Jesus.
Mamãe do Céu, nós te amamos!

Belo Horizonte, 30 de abril de 2010.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Arroz, feijão, angú e carne moída


Por Deiber Nunes Martins


Era noite, pessoas voltavam para suas casas depois de um dia estafante de trabalho. Um dia normal como todos os outros, para todo mundo, inclusive José, inclusive eu. Voltava para casa, cansado, depois de um dia tenso e provocador, com o gosto amargo de uma derrota em minha boca, em minha alma. Havia sido derrotado em meus intentos pessoais talvez para ser manietado em minhas vaidades, em meus interesses. Chateado com toda aquela situação em meu trabalho, tentava concentrar-me no livro, enquanto o ônibus enchia como um balaio de feira. Fazia frio, e pude contemplar a loucura da cidade, medida no barulho, nos arrulhos do trânsito, dos vendedores, enfim de uma vida cosmopolita.
Passávamos a frente da Catedral da Boa Viagem, quando o sinal fechou e avistei os guardadores e lavadores de carro se posicionando, calculando espaços para uma vaga aqui outra acolá. Era hora da Santa Missa. Em meio a correria daqueles homens por entre os carros estacionados no entorno da catedral, estava José, arranhando com o garfo sua marmita de alumínio amassada, garimpando os últimos farelos de comida.
Um dos passageiros do ônibus, sentado mais ao fundo do coletivo, conhecia José e por isso indiretamente, ficamos sabendo o nome daquele homem que ao ser chamado, ergueu o corpo por sobre a coluna de um dos carros, a marmita e o garfo seguros na palma de uma das mãos, a outra segurando o pedaço de pano que serviria para dar brilho a pintura do veículo. Era tudo muito rápido a ponto de se parar pra comer e no instante seguinte voltar a rotina dos baldes com água, escovões, estopas e flanelas, ferramentais do ofício de lavador de carros.
Li em um jornal há algum tempo que a prefeitura de nossa cidade estava confortável no afã de proibir o trabalho dos guardadores e lavadores de carro, os chamados flanelinhas. É bem verdade que uma pequena máfia de flanelinhas tira o sossego dos cidadãos, cobrando pagamento adiantado, arranhando os carros e sendo cúmplices nos roubos e furtos. Mas também é verdade que muitos trabalhadores, ganham a vida guardando e lavando carros pelas ruas de BH. Assim sendo, muito em breve aquele José e todos os outros seriam defenestrados ou passariam a ganhar o pão na clandestinidade.
Mas aquele homem ainda podia tomar conta dos carros e lavá-los e por isso se apressava em pegar a flanela. No entanto, ao ouvir o chamado cumprimentou o passageiro, que lhe perguntou curioso:
“O rango deve ter sido bom, Cê ta quase lambendo a marmita. Que tinha de bom aí?”
“Arroz, feijão, angu e carne moída. Não é todo dia que dá pra comer e hoje trouxe um banquete de casa, se pudesse eu repetia...”
O sinal abriu, o passageiro fez um sinal para José e este voltou ao seu batente, colocando a marmita em um canto na rua, enrolada em uma sacola.
José voltou para o seu trabalho, satisfeito com aquela comida que comera e assim, podia saborear o seu trabalho também. Eu, em meu cansaço, talvez não tenha saboreado minha marmita como deveria. Sem dúvida alguma, os infortúnios de José eram mais sérios que os meus. Faltava-lhe comida e quando conseguia levar arroz, feijão, angu e carne moída na marmita, era o seu banquete. Minhas atribulações vinham de um trabalho sem identidade, repetitivo, que agregava pouco valor, o que me desmotivava. Era um trabalho arroz com feijão, mas eu precisava fazer deste um banquete. Aquele José, mesmo sem me conhecer, estava me ensinando uma boa lição.

Belo Horizonte, 21 de abril de 2010.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Semana Santa


Por Deiber Nunes Martins

A Semana Santa é um convite a conversão, a uma mudança integral de hábitos e atitudes que nos afastam de Deus. O grande drama do calvário talvez não seja a dor física desenhada nas agruras dos açoites, talvez não seja a dor cáustica da humilhação moldada nas ofensas e nas cusparadas. O grande drama do calvário talvez seja a solidão de Jesus estampada no abandono dos amigos, daqueles que juraram dar a vida por ele mas que o negaram sem pestanejar. Talvez o grande drama do calvário esteja no Cristo abandonado por nós.
Abandonamos Jesus quando nos afastamos de sua Verdade. Quando nos deixamos aprisionar pelos pecados, pelas fraquezas e não afirmamos em alto e bom som que somos do Céu, que somos Filhos do Céu. Este abandono faz com que a Cruz que Jesus carregou seja ainda mais pesada. Pois é o peso dos nossos pecados, que Ele carregou na Cruz.
A cada abandono, a cada dor, mais fundo a espada traspassava o coração de Maria. A Mãe de Jesus sofreu cada dor que o Filho sentia, pois Mãe é Mãe, já diz o provérbio do povo. E a vida nos ensina quão dolorosa a dor de uma mãe, ao ver seu filho desamparado. Se com as mães acontece assim, que dor atroz a Mãe do Nosso Senhor sentiu?
A Semana Santa precisa ser bem vivida por nós, para que possamos assim ter uma idéia mínima do amor de Deus por nós. Não somos nada e Ele nos ama como se fôssemos mais que tudo. Que nos aproximemos de Cristo em seu mistério de Paixão, Morte e Ressurreição, a ponto de derrotarmos a culpa que trazemos conosco e que nos afasta Dele. Que esta Semana Santa nos leve do calvário de nossos pecados à ressurreição do nosso voltar pra casa, para os Braços de Deus.
Feliz Páscoa a todos!
Belo Horizonte, 01 de Abril de 2010.